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domingo, 8 de setembro de 2024

7 DE SETEMBRO (FERIADO NACIONAL BRASILEIRO DO do DIA DA INDEPENDÊNCIA)

Apresentação da Esquadrilha da Fumaça nas comemorações em Brasília. Foto de 2011.

  • NOME OFICIAL: Dia da Independência
  • OUTRO(S) NOME(S): Sete de Setembro, Dia da Independência, Dia da Pátria
  • PAÍS(ES) ONDE É CELEBRADO: Brasil
  • TIPO: Histórico/cultural
  • DATA: 7 de setembro
  • FREQUÊNCIA: Anual
O Dia da Independência (também chamado Dia da Independência do Brasil, Sete de setembro, e Dia da Pátria) é um feriado nacional do Brasil celebrado no dia 7 de setembro de cada ano. A data comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822.

COMEMORAÇÃO

O Dia da Independência é marcado por desfiles patrióticos na maioria das cidades brasileiras. O mais famoso deles ocorre em Brasília (Capital do Brasil), na Esplanada dos Ministérios, com a presença do Presidente da República, que faz uma revista às tropas.

Desfiles similares ocorrem em todas as capitais estaduais, com a presença dos respectivos governadores, e em várias outras cidades em todo o país.

Em Nova York, nos Estados Unidos, o evento Brazilian Day ocorre todos os anos para celebrar o Dia da Independência do Brasil. O ponto central do evento é um show que já contou com a participação de diversos artistas famosos, tais como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Chitãozinho & Xororó, Skank, Sandy & Junior, Cláudia Leitte e Banda Calypso. Em 2008, o evento reuniu cerca de um milhão e meio de espectadores, de acordo com estimativas da polícia local.

Em 2015 a cantora Paula Fernandes foi a escolhida para o show de abertura do evento, no ano de 2012 a cantora foi a principal atração na edição do evento em Lisboa (Capital de Portugal).

A Rede Globo patrocina o evento e o transmite ao vivo para o Brasil e mais de 115 países através da Globo Internacional. Em 2003, o Brazilian Day se expandiu para outras cidades, como Toronto (Capital do Canadá), Tóquio (Capital do Japão), Londres (Capital da Inglaterra) e Luanda (Capital de Angola).

Eventos similares ocorrem em Deerfield Beach, Flórida, San Diego e Los Angeles, Califórnia.

LEGISLAÇÃO

  • A Lei Imperial de 9 de setembro de 1826, assinada por Pedro I, oficializa o 7 de setembro como um dos dias do rol de festividades nacionais.
  • O deputado federal, pela Liga Eleitoral Católica (LEC), Luís Cavalcante Sucupira, nascido em Fortaleza, Ceará, apresentou à Câmara dos Deputados, em setembro de 1934, o projeto lei que instituía o dia 7 de setembro o dia da pátria. Aprovado por unanimidade foi transformado no Decreto n° 7 de 20 de novembro de 1934.
  • A lei federal número 662, publicada em 7 de abril de 1949, tornou o Dia da Independência um feriado nacional.
  • A lei federal número 5 571, publicada em 26 de novembro de 1969, estabeleceu o protocolo para as comemorações do Dia da Independência.
UNANIMIDADE

A população do novo país só tomou conhecimento da independência em 12 de outubro do mesmo ano, data em que Pedro I foi aclamado monarca do Brasil, no dia de seu 24º aniversário, sendo esta data prevalente para as comemorações da independência. Porém, quando Pedro I abdicou do trono em favor de seu filho, em 1831, para retornar a Portugal, a comemoração de sua aclamação em 12 de outubro perdeu o sentido. Cogitou-se transferir a celebração para o dia 2 de dezembro, aniversário de Pedro II. Contudo, ele tinha apenas 6 anos e ainda não exercia o poder de fato, o que fez com que a data fosse descartada.

ORIGEM

Independência ou Morte, do pintor paraibano Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).

  • OUTROS NOMES: Proclamação da Independência
  • PARTICIPANTES:
    • Pedro de Alcântara de Bragança
    • José Bonifácio de Andrada e Silva
    • Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena
    • Joaquim Gonçalves Ledo
  • LOCALIZAÇÃO: Riacho do Ipiranga, São Paulo, Império do Brasil
  • DATA: 1821 - 1825
  • RESULTADO: Separação política do Reino do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e instituição do Império do Brasil.
Cortes Portuguesas: Em 1820, a Revolução Liberal do Porto eclodiu em Portugal. O movimento iniciado pelos constitucionalistas liberais resultou na reunião das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa (ou Assembleia Constituinte), que teria de criar a primeira constituição para Portugal e seus domínios ultramarinos. As Cortes ao mesmo tempo exigiram o retorno do rei João VI, que vivia no Brasil desde 1808 e que elevou o Brasil para a categoria de reino, como parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815. Seu filho e príncipe herdeiro Pedro passou a governar o Brasil como regente no lugar do pai em 7 de março de 1821. O rei partiu para a Europa em 26 de abril, enquanto Pedro permaneceu no Brasil liderando o governo ao lado dos ministros do reino.

O retorno do ex-monarca absolutista, agora monarca constitucional que agora passaria ocupar uma posição mais cerimonial e simbólica, deu início a uma reorientação da política portuguesa em relação ao Brasil, o que significava reduzir a autonomia política deste último e estabelecer uma administração hierarquizada e centralizada, cujo polo de poder deveria assentar-se em Portugal. Na época a burguesia mercantil portuguesa ressentia-se com as perdas econômicas impostas pela Guerra Peninsular e com a autonomia político-administrativa alcançada pelo Brasil em 1815.

Os oficiais militares portugueses sediados no Brasil foram completamente solidários ao movimento constitucionalista em Portugal. O principal líder dos oficiais portugueses, General Jorge Avilez, forçou o príncipe a demitir e banir do país os ministros do Reino e das Finanças. Ambos eram fiéis aliados de Pedro, que se tornou um peão nas mãos dos militares. A humilhação sofrida pelo príncipe, que jurou que nunca iria ceder à pressão dos militares novamente, teria uma influência decisiva na sua abdicação dez anos depois. Enquanto isso, em 30 de setembro de 1821, as Cortes aprovaram um decreto que subordinava os governos das províncias do Brasil diretamente ao governo central em Lisboa. O príncipe Pedro tornou-se, para todos os efeitos, somente o governador de armas da província do Rio de Janeiro, sendo que governador de armas era uma espécie de comandante militar do Exército Português, não sendo um cargo político. Outros decretos que vieram depois exigiam seu retorno à Europa e também extinguiram os tribunais judiciais criados por João VI em 1808, subordinaram os presidentes das províncias às Cortes e ao rei em Lisboa e reinstalaram o antigo Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, subordinado ao Supremo Tribunal do Reino Português em Lisboa.

Bandeira do Império do Brasil (1853-1889) em que o nó, que ata os ramos floridos e em própria cor de tabaco de café, está no padrão mais correto, pois está em verde e amarelo. Sobre erros na heráldica desse símbolo esse livro, editado em 1993 pelo Governo do Brasil, esclarece melhor Presidência da República. Os Símbolos Nacionais - edição especial comemorativa da semana da Pátria. Brasília: Casa Civil, 1993 mais precisamente nas paginas 74 e seguintes.


A partir de abril de 1821, as províncias brasileiras receberam as bases da Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, junto com as instruções para que procedessem às eleições de seus representantes à Constituinte (em Portugal deputados das províncias de Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarves já haviam sido eleitos e já estavam trabalhando nas Cortes desde janeiro de 1821). Assim, os primeiros deputados do Brasil tomaram assento nas Cortes Gerais somente em agosto de 1821, provenientes das províncias de Pernambuco e do Rio de Janeiro. Em seguida, tomaram posse os representantes das províncias do Maranhão, Santa Catarina, Alagoas e Bahia. Apenas em 1822 chegaram a Lisboa os deputados das províncias de São Paulo, Paraíba, Grão-Pará, Espírito Santo, Goiás e Ceará. Não tomaram assento nas Cortes Gerais as representações das províncias Cisplatina (atual território do Uruguai), de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul, que permaneceram no Brasil em demonstração de apoio ao regente.

Um choque que ocorreu entre os deputados brasileiros e portugueses foi em relação a forma como o Império Colonial Português deveria ser administrado. Os deputados portugueses defendiam a centralidade política do império colonial em Portugal, já os representantes brasileiros defendiam o funcionamento de dois centros de poder, um na Europa e outro na América, cada um com Executivo e Legislativo próprios, além de uma assembleia geral que legislasse sobre assuntos de interesse de todo o império. Esta proposição baseava-se na ideia de uma federação luso-brasileira, disposta no programa político trazido pelos deputados paulistas e defendida por Antônio Carlos de Andrada e Silva. No entanto tal proposta foi rejeitada por seus pares portugueses que defendiam que a administração das províncias sul-americanas do "Reino do Brasil" deveria ser similar a administração do "Reino de Algarves", que apesar do título de reino, sempre fora tratado como uma província portuguesa igual as demais, subordinada a Lisboa.

As divergências e hostilidades entre os deputados brasileiros e portugueses continuaram e alguns brasileiros abandonaram as Cortes. Dos 97 deputados brasileiros eleitos às Cortes Gerais e Extraordinárias de Lisboa (número maior que os dos 64 deputados portugueses), apenas 51 embarcaram para Lisboa, e destes 51 apenas 36 aprovaram a nova constituição, sendo a maioria destes deputados (cerca de 25) oriundos da atual região Nordeste do Brasil.

As tentativas dos deputados brasileiros em garantir a igualdade política e econômica entre os dois reinos, com o Rio de Janeiro como centro do poder na América, fracassou, e se viram obrigados a retornar ao Brasil.

A insatisfação quanto às resoluções das Cortes foi generalizada entre a maioria dos residentes do Brasil (tanto os de origem brasileira quanto os de origem portuguesa), ao ponto em que ela logo se tornou conhecida publicamente. Dois grupos que se opunham as ações das Cortes para minar gradualmente a soberania brasileira apareceram: os Liberais, liderados por Joaquim Gonçalves Ledo (que teve o apoio dos maçons), e os Bonifacianos, liderada por José Bonifácio de Andrada. Ambas as facções não tinham nada em comum em suas metas para o Brasil, com a única exceção de seu desejo de manter o país unido com Portugal como uma monarquia soberana.

Acerca da primeira tentativa da Revolução de 1821, descreveu Assis Cintra:

Preparara-se outra revolução, esta no Rio, devendo explodir em 1821. Dirigiam-na Gonçalves Ledo (grão-mestre da maçonaria), Targini (juiz da alfandega), o almirante Rodrigo Pinto Guedes, o brigadeiro Felisberto Caldeira Brant, e os desembargadores do paço Luis José de Carvalho e Mello e João Severiano Maciel da Costa. Descoberta pela habilidade do conselheiro Thomaz António, a conspiração fracassou. Della, porem, faziam parte, — juizes, altos funccionarios públicos, fidalgos, muitos officiaes, e padres.

— CINTRA, Assis. O homem da independência. História documentada de José Bonifácio, do seo pseudopatriarcado e da política do Brasil em 1822 Com pref. de Assis Brasil. Capítulo 1, página 2.

Convenção de Beberibe: Pernambuco foi a primeira província brasileira a se separar do Reino de Portugal. No dia 29 de agosto de 1821, teve início um movimento armado contra o governo do capitão general Luís do Rego Barreto — o algoz da Revolução Pernambucana —, culminando com a formação da Junta de Goiana, tornando-se vitorioso com a rendição das tropas portuguesas em capitulação assinada a 5 de outubro do mesmo ano, quando da Convenção de Beberibe, responsável pela expulsão dos exércitos portugueses do território pernambucano.

O Movimento Constitucionalista de 1821 é considerado o primeiro episódio da Independência do Brasil.

Dia do Fico: Em Lisboa, os membros das Cortes Portuguesas não mostravam respeito para com o príncipe no Brasil e zombavam abertamente dele. Assim, a lealdade devida por Pedro às Cortes gradualmente foi transferida à causa brasileira. A sua esposa, a princesa Leopoldina de Habsburgo, favorecia o partido brasileiro e encorajou o marido a permanecer no país, enquanto os Liberais e Bonifacianos fizeram representações públicas. A resposta de Pedro veio em 9 de janeiro de 1822, quando, de acordo com jornais, declarou: "Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da nação, estou pronto: Diga ao povo que eu vou ficar".

Após a decisão de Pedro em desafio às Cortes, cerca de dois mil homens sob o comando de Jorge Avilez declararam sua fidelidade às Cortes Gerais em Lisboa e se amotinaram, vindo a concentrar-se no Morro do Castelo, que logo foi cercado por 10 mil brasileiros armados, liderados pela Guarda Real da Polícia. Pedro, em seguida, "demitiu" o comandante geral português e ordenou-lhe que retirasse com os seus soldados para o outro lado da baía, para Niterói, onde aguardaram o transporte para Portugal.

José Bonifácio foi nomeado ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros em 18 de janeiro de 1822. Bonifácio logo estabeleceu um relacionamento paternal com Pedro, que começou a considerar o experiente estadista seu maior aliado. Gonçalves Ledo e os Liberais tentaram minimizar a estreita relação entre Bonifácio e Pedro oferecendo ao príncipe o título de Defensor Perpétuo do Brasil. Para os liberais, era necessária a convocação de uma Assembleia Constituinte para o Brasil, enquanto os Bonifacianos preferiam que Pedro concedesse por si mesmo a Constituição para evitar a possibilidade de uma anarquia semelhante ao que ocorrera durante os primeiros anos da Revolução Francesa. O príncipe concordou com os desejos dos liberais e assinou um decreto em 3 de junho de 1822 convocando para a eleição os deputados que se reuniriam na Constituinte e Assembleia Geral Legislativa do Brasil.

GRITO DO IPIRANGA E ACLAMAÇÃO

Pedro partiu para a província de São Paulo para assegurar a lealdade dos locais à causa brasileira. Ele alcançou sua capital em 25 de agosto e lá permaneceu até 5 de setembro.

Leopoldina, sua esposa, assumiu a regência durante a viagem. Diante das exigências de Portugal para que ambos retornassem a Lisboa, ela convocou uma sessão extraordinária do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 e, juntamente com os ministros, decidiu pela separação definitiva entre Brasil e Portugal, assinando então a declaração de independência. Em seguida, enviou o mensageiro Paulo Bregaro para entregar a Pedro uma carta informando sobre o ocorrido.

Em 7 de setembro, quando retornava à província do Rio de Janeiro, Pedro recebeu a carta de José Bonifácio e de Leopoldina. O príncipe foi informado de que as Cortes tinham anulado todos os atos do gabinete de Bonifácio e removido o restante de poder que ele ainda tinha. Pedro voltou-se para seus companheiros, que incluía sua Guarda de Honra e falou: "Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo unir-nos mais [sic]" e continuou depois de arrancar a braçadeira azul e branca que simbolizava Portugal: "Tirem suas braçadeiras, soldados. Viva à independência, à liberdade e à separação do Brasil [sic]." Ele desembainhou sua espada, afirmando que "Pelo meu sangue, minha honra, meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade" e gritou: "Independência ou morte". Este evento é lembrado como Grito do Ipiranga.

De acordo com a literaturas historiografias de (Cintra, 1922. p. 38) e de (Pimenta, 1972. p. 81), o Grito do Ipiranga de proclamação da independência do Brasil se deu da seguinte forma:

Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. De hoje em diante, nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais!
Tirem suas braçadeiras, soldados! Viva independência, à liberdade e à separação do Brasil [sic].
Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade.
Brasileiros, a nossa divisa, de hoje em diante, será: Independência ou morte!

Ao chegar em São Paulo na noite de 7 de setembro de 1822, Pedro e seus companheiros espalharam a notícia da independência do Brasil do domínio português. O príncipe foi recebido com grande festa popular e foi chamado de "Rei do Brasil", mas também de "Imperador do Brasil". Ele retornou ao Rio de Janeiro em 14 de setembro e nos dias seguintes os liberais espalharam panfletos (escritos por Joaquim Gonçalves Ledo), que sugeriam a ideia de que o príncipe deve ser aclamado Imperador Constitucional. Em 17 de setembro, o Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, José Clemente Pereira, envia às outras Câmaras do país a notícia de que a Aclamação iria ocorrer no aniversário de Pedro, em 12 de outubro. No dia seguinte, a nova bandeira e brasão de armas do reino independente do Brasil foram criados.

A separação oficial de Portugal só ocorreria em 22 de setembro de 1822, em uma carta escrita por Pedro a João VI. Nela, Pedro ainda chama a si mesmo de "Príncipe Regente" e seu pai é referido como o Rei do Brasil independente. Em 12 de outubro de 1822, no Campo de Santana (mais tarde conhecido como Campo da Aclamação) o príncipe Pedro foi aclamado Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. Era ao mesmo tempo o início do reinado de Pedro e também do Império do Brasil. No entanto, o Imperador deixou claro que, embora ele tenha aceitado o título, se João VI retornasse ao Brasil ele iria descer do trono em favor de seu pai.

A razão para o título imperial foi a de que o título de rei iria simbolicamente significar uma continuação da tradição dinástica portuguesa e talvez do temido absolutismo, enquanto o título de imperador derivava da aclamação popular, como na Roma Antiga. Em 1º de dezembro de 1822 (aniversário da aclamação de João IV, o primeiro rei da Casa de Bragança) Pedro I foi coroado e consagrado.


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

DRÁCULA (LIVRO BRITÂNICO DE 1897)

Capa da primeira edição.
  • AUTOR: Bram Stoker
  • PAÍS: Reino Unido
  • GÊNERO: Terror, Gótico
  • GEOGRAFIA: Transilvânia (Romênia) e Inglaterra
  • EDITOR(A): Archibald Constable and Company (Reino Unido)
  • DATA DE PUBLICAÇÃO: 26 de maio de 1897
  • PÁGINAS: 418
  • ONDE LER: Wikisource (Inglês)Internet Archive (Português)
Drácula é um romance de terror gótico de Bram Stoker, publicado em 26 de maio de 1897. Foi escrito principalmente na década de 1890. Stoker produziu mais de cem páginas de notas para o romance, extraindo extensivamente do folclore e da história da Transilvânia. Alguns estudiosos sugeriram que o personagem Drácula foi inspirado por figuras históricas como o príncipe valáquio Vlad III, o Empalador, ou a Condessa Elizabeth Báthory, mas há um desacordo generalizado. As notas de Stoker não mencionam nenhuma das figuras. Ele encontrou o nome Drácula na biblioteca pública de Whitby durante as férias, pensando que significava diabo em romeno.

SINOPSE

Um romance epistolar, a narrativa é relatada por meio de cartas, entradas de diário e artigos de jornal. Não tem um único protagonista e abre com o advogado Jonathan Harker fazendo uma viagem de negócios para ficar no castelo de um nobre da Transilvânia , o Conde Drácula . Harker escapa do castelo após descobrir que Drácula é um vampiro, e o Conde se muda para a Inglaterra e atormenta a cidade litorânea de Whitby.

Obra de arte do velho Conde Drácula do romance de Sebastien Ecosse.

PERSONAGENS

  • Conde Drácula (Um vampiro centenário e nobre da Transilvânia, o Conde Drácula habita um castelo em ruínas nas Montanhas dos Cárpatos);
  • Van Helsing (Um professor holandês, descrito por seu antigo aluno Dr. Seward como "um filósofo e metafísico, e um dos cientistas mais avançados de sua época");
  • Jonathan Harker (Um solicitador, ou advogado, cuja firma o envia para a Transilvânia para concluir uma transação imobiliária com Drácula);
  • Mina Murray (Noiva de Jonathan Harker e uma professora);
  • Lucy Westenra (A melhor amiga de Mina e uma jovem atraente e vivaz);
  • Arthur Holmwood (Noivo de Lucy e amigo de seus outros pretendentes);
  • Dr. John Seward (Um jovem médico talentoso, ex-aluno de Van Helsing);
  • Quincey Morris (Um americano franco do Texas, e outro pretendente de Lucy);
  • Renfield (Um paciente no asilo mental de Seward);
  • Sra. Westenra (Mãe de Lucy, Uma mulher frágil e com problemas de saúde).

BORBORIGMO (RUÍDOS ESTOMACAIS)

 

Programa de Pacientes Padronizados examinando o abdômen. Foto de Steve Perrin, 21 de dezembro de 2011, 11:02.

Um rugido estomacal ou barulho estomacal, ronco estomacal, som intestinal, som peristáltico, som abdominal, bolha intestinal ou borborigmo (pronuncia-se /ˌbɔːrbəˈrɪɡməs/; plural borborigmo (do Grego βορβορυγμός)), é um ruído estrondoso, rosnado ou borbulhante produzido pelo movimento do conteúdo do trato gastrointestinal à medida que são impulsionados através do intestino delgado por uma série de contrações musculares chamadas peristaltismo. Um profissional de saúde treinado pode ouvir esses ruídos intestinais com um estetoscópio, mas eles podem ser audíveis o suficiente para serem ouvidos com o ouvido nu à medida que o fluido e o gás avançam nos intestinos (nas proximidades, mas não realmente dentro do estômago). A ausência de sons intestinais é indicativa de íleo, obstrução intestinal ou alguma outra patologia séria.

OUTROS CASOS

Outras causas de ronco no estômago:

  1. A digestão incompleta dos alimentos pode levar ao excesso de gases no intestino. Em humanos, isso pode ser devido à digestão incompleta de alimentos que contêm carboidratos, incluindo leite e outros produtos lácteos ( intolerância à lactose ou uso de inibidores de α-glicosidase por diabéticos), glúten (proteína do trigo, cevada e centeio) (doença celíaca), frutas, vegetais, feijões, legumes e grãos integrais ricos em fibras. Em casos raros, o ruído abdominal excessivo pode ser um sinal de doença digestiva, especialmente quando acompanhado de inchaço abdominal, dor abdominal, diarreia ou constipação. Alguns exemplos de doenças que podem estar associadas a esse sintoma incluem neoplasia carcinoide e doença celíaca.
  2. Roncos mais altos podem ocorrer quando o indivíduo está com fome. O som do ar se movendo ao redor do lúmen do estômago é amplificado pelo espaço vazio. Cerca de duas horas após o estômago ter sido esvaziado, ele envia sinais ao cérebro, que diz aos músculos digestivos para reiniciar o peristaltismo em uma onda chamada complexo motor migratório . A comida deixada para trás após o primeiro ciclo é varrida, e as vibrações do estômago vazio causam fome. O apetite desempenha um grande papel nessa situação. O peristaltismo se repete a cada hora, e o apetite pode causar desejos por comida de 10 a 20 minutos.
  3. Os roncos estomacais podem se formar mais adiante no sistema gastrointestinal quando o ar é engolido enquanto se fala, se come e se bebe. Esse fenômeno ocorre na maioria das pessoas e é típico.
DOENÇAS E CONDIÇÕES
  • A doença celíaca é uma condição que impede o intestino delgado de absorver partes dos alimentos que são necessárias para se manter saudável. Consumir alimentos que contenham glúten é perigoso para pessoas com esta doença: as vilosidades intestinais ajudam a absorver nutrientes dos alimentos, mas quando o glúten é consumido, o sistema imunológico ataca essas vilosidades como resultado. Os sintomas podem incluir dor abdominal, náusea e fezes volumosas ou com mau cheiro.
  • Colite é o inchaço do intestino grosso. As muitas formas diferentes de colite incluem infecção por citomegalovírus ou Cryptosporidium e colite necrosante e pseudomembranosa . As causas usuais de colite são infecção e falta de fluxo sanguíneo. Os sintomas podem incluir fezes com sangue, calafrios, desidratação, diarreia e febre.
  • A diverticulite é uma condição em que pequenas bolsas protuberantes, geralmente encontradas no intestino grosso, ficam inflamadas ou infectadas. A causa mais provável é uma dieta pobre em fibras, possivelmente resultado da ingestão de alimentos processados. A diverticulite é geralmente vista em cerca de metade da população americana com mais de 60 anos. Os sintomas podem incluir inchaço, febre e náusea.
  • Síndrome do intestino irritável, um distúrbio no trato intestinal inferior, geralmente é acompanhado por outros sintomas, como dor abdominal e diarreia . É mais comum em mulheres e geralmente ocorre no início da idade adulta. Existem muitos fatores de risco, como estresse emocional e dieta pobre em fibras. Todos eles podem causar distúrbios estomacais.
POSSÍVEIS TRATAMENTOS PRESCRITOS
  • Doença celíaca: Dieta sem glúten para toda a vida, evite qualquer coisa que contenha trigo, cevada, centeio e possivelmente aveia;
  • Colite: Se for causada por inflamação, é tratada com medicamentos. Se for causada por infecção, é tratada com um agente antiprotozoário. Se for causada por falta de fluxo sanguíneo, é tratada com dieta líquida e antibióticos.
  • Diverticulite: Se os sintomas forem mínimos, trate:
    • Descansando bastante;
    • Usar uma bolsa térmica durante o sono.
    • Tomando analgésicos.
    • Beber apenas líquidos por alguns dias, depois aumentar gradualmente o consumo para líquidos mais sólidos e, por fim, alimentos sólidos.
    • Evite alimentos como feijões e ervilhas, juntamente com grãos grossos e frutas secas. É recomendado limitar o consumo de café, chá e álcool.
  • Síndrome do intestino irritável (SII): Exercícios regulares e hábitos de sono melhorados podem ajudar a aliviar os sintomas. Embora a SII seja diferente de pessoa para pessoa, fazer dieta ajuda:
    • Evite alimentos e bebidas que contenham cafeína.
    • Evite refeições grandes.
    • Aumente o consumo de fibras ao longo do dia (ajuda na constipação, mas o inchaço pode ser um problema).
USO NÃO MÉDICO

A palavra borborigmo tem sido usada na literatura para descrever encanamentos barulhentos. Em Ada , Vladimir Nabokov escreveu: "Todos os banheiros e canos de água da casa foram repentinamente tomados por convulsões borborigmas". Em A Long Way Down (Nova York: Harper, 1959, p. 54), Elizabeth Fenwick escreveu: "O quarto estava muito silencioso, exceto por seu velho radiador borborigmo". O conto de Graham Greene " Ai, Pobre Maling " conta a história de um indivíduo azarado cujo borborigmo assume a forma de ruídos irritantes que ele ouviu recentemente.

A palavra borborigmo também tem sido usada no jornalismo para descrever turbulência política. Em um artigo no The Atlantic , Graeme Wood usou a palavra para descrever os efeitos da migração em massa de refugiados para a Europa: "A Europa Central teve que digerir um fluxo massivo de refugiados da Síria e do Afeganistão, e o borborigmo resultante abalou a política europeia e permitiu uma onda populista que ainda não atingiu o seu auge."

ETIMOLOGIA

O nome científico borborigmo está relacionado à palavra francesa do século XVI borborygme , ela própria do latim, em última análise do grego antigo βορβορυγμός ( borborygmós ). O termo grego é provavelmente de origem onomatopoética.

Candii Kayn: uma Streamer e Criador de Conteúdo Pornográfico Estadunidense, que grava Vídeos e tira Fotos sobre Sua Obesidade. Fonte: Reddit.

NA MÍDIA

Anúncios: Um comercial do Burger King BBQ Bacon Tendercrisp mostra os estômagos de alguns trabalhadores da construção civil roncando alto, fazendo-os gritar "Cale a boca!" para seus estômagos .
Isso acontece com um adolescente em um comercial de 1999 da Tombstone Pizza. Seu estômago ronca enquanto ele está se escondendo do pai dela no armário da namorada, e o rosnado fez com que ele fosse pego.

Isso acontece em alguns comerciais antigos do cereal Special K. Normalmente, eles focam em uma mulher tentando pular o café da manhã para perder peso, apenas para seu estômago começar a roncar. É quando ela recebe Special K para saciar sua fome, e o comercial passa o Esopo de que você tem mais probabilidade de perder peso comendo um café da manhã saudável do que pulando-o completamente.

Isso acontece com uma menina por causa da fome em um comercial de 1995 anunciando o playground do McDonald's.

Em um comercial de 2005 anunciando o Chicken Selects, é mostrada uma montagem de um cara cujo estômago ronca muito alto nas situações mais inconvenientes. Sua narrativa afirma que, desde que ele experimentou o Selects pela primeira vez, seu estômago os exigiu.
Em um comercial de 2010 anunciando brinquedos iCarly para o McLanche Feliz de meninas, 3 meninas fingem fazer um webshow onde estão fazendo um segmento chamado "Ouvindo o estômago de Jenny". As meninas colocam um microfone no estômago de Jenny, onde ele solta um rosnado muito alto para a surpresa delas, então dizendo ao público "O estômago falou".

Um restaurante chamado Bojangles tem uma série de comerciais apresentando esse tropo, nos quais eventos importantes são interrompidos por um estômago roncando e o pronunciamento do personagem: "It's Bo Time!"

Um antigo comercial do Chef Boyardee Ravioli mostra o estômago de um menino roncando cada vez mais alto enquanto ele volta da escola de bicicleta.

Há um comercial de 1997 para Austin Crackers que mostra um garoto cujo estômago está roncando feito louco. Os rosnados são indicados por um leão dentro dele.

Acontece com um funcionário de um comercial de 2001 para Dunkin' Donuts. No comercial, os clientes de uma loja de ferragens estão se perguntando o que era o barulho de cima. Acontece que o microfone do alto-falante estava contra o estômago roncando do funcionário porque ele estava olhando para o recheio de croissant do seu chefe.

Há um comercial do KFC em que um cachorro fica confuso com os roncos do estômago do seu dono e responde rosnando e latindo.

Há vários comerciais da Lunchables em que o estômago de uma criança ronca alto e violentamente o suficiente para causar um efeito semelhante ao de um terremoto no ambiente ao redor dela.

Há um comercial com Timer The Cheese Guy onde ele fala sobre esse clichê em um anúncio de serviço público que aconselha as pessoas a não pularem o café da manhã.
Em um comercial da Target para as barras Kashi, o estômago de uma mulher ronca, fazendo seu cachorro rosnar e latir de volta antes que ela o faça ficar quieto.
Os comerciais "Hangry Moments" do Jack Link mostram o estômago de uma pessoa roncando e então um animal selvagem sai do seu peito.

Um comercial da Nature Box, uma mulher está sentada em sua mesa quando seu estômago ronca alto. De repente, "Hungry You" está do outro lado da mesa.

Em um comercial da Babybel com tema de Toy Story 4 , o estômago de Bonnie começa a roncar de fome no meio de um desenho. Para a sorte dela, Woody e seus amigos salvam o dia ajudando uma roda de queijo senciente a chegar até ela.

Uma parte deste breve teaser de Umihara Kawase Fresh tem um close do estômago de Kawase enquanto ele ronca. Embora possa ser uma maneira de dar uma dica da jogabilidade, já que Kawase é uma entregadora de um restaurante, a imprecisão geral do teaser faz com que pareça mais uma desculpa para se entregar a algum fanservice relacionado ao abdômen.

Em um comercial do Slim Jim do final dos anos 90, uma garota dá uma mordida em um Slim Jim, mas o Slim Jim Man não fica satisfeito com o que mais ela comeu e começa a jogar coisas ao redor. Do lado de fora, a confusão faz o estômago da garota roncar.

Um comercial da Esurance tem um homem comprando e comendo sushi de posto de gasolina. Ele começa a trabalhar e a usar seu computador, enquanto seu estômago solta um gemido desagradável.

Isso acontece em um comercial de 2015 do Xifaxan com um par de intestinos conscientes devido a uma emergência de penico .

Um comercial do site de agendamento médico Zocdoc mostra uma mulher se comunicando com seu estômago embrulhado enquanto ele a convence (por meio de roncos) a encontrar um médico no serviço.

Post nº 108

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

VOLKSWAGEN FUSCA (CARRO ALEMÃO)

VW Beetle construído em 1966 com pára-choques originais de exportação. Foto de 7 de abril de 2014, 19:29:22.
  • FABRICANTE: Volkswagen AG
  • NOMES ALTERNATIVOS: Volkswagen 1200/1300/1302/1303/1500/1600, Käfer (Alemanha), Carocha (Portugal), Fusca (Brasil), Fusca Clássico (Portugal), Fusque, Funascar, Besouro, Beetle (Estados Unidos), Sedan (México)
  • PRODUÇÃO: 1938–2003 (21.529.464 produzidos)
  • DESIGNER: Ferdinand Porsche
  • CLASSE: Carro familiar pequeno
  • ESTILO: Salão de 2 portas, conversível de 2 portas
  • DISPOSIÇÃO: Motor traseiro, tração traseira
  • MOTOR: 1.2L F4, 1.3L F4, 1.5L F4, 1.6L F4
  • GASOLINA: 1100 cc H4, 1200 cc H4, 1300 cc H4, 1500 cc H4, 1600 cc H4 ( combustível flexível)
  • TRANSMISSÃO: Transmissão manual de 4 velocidades, Saxomat semiautomático de 4 velocidades, Autostick semiautomático de 3 velocidades
  • DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 2.40–2.42 m (94,5–95,3 pol.)
  • COMPRIMENTO: 4.0–4.14 m (160,6–163,0 pol.)
  • LARGURA: 1.53–1.58 m (60,6–62,4 pol.)
  • ALTURA: 1.500 mm (59,1 pol.)
  • PESO DO MEIO-FIO: 730–930 kg (1.610–2.050 lb)
  • SUCESSOR: Volkswagen New Beetle
O Fusca, oficialmente Volkswagen Tipo 1, é um pequeno carro produzido pela empresa alemã Volkswagen de 1938 a 2003. Um dos carros mais icônicos da história automotiva, o Fusca é conhecido por seu formato distinto. Seu período de produção de 65 anos é o mais longo de qualquer geração de automóvel, e sua produção total de mais de 21,5 milhões é a maior de qualquer carro de uma única plataforma.

DIA DO FUSCA

Para os brasileiros, o Dia do Fusca ocorre todo dia 20 de janeiro, sendo, em vários centros urbanos, comemorado com eventos e festas por amantes e colecionadores deste modelo.

NOMES ALTERNATIVOS

O Volkswagen Sedan recebeu alcunhas em quase todos os países em que foi vendido, normalmente versões locais para o nome do escaravelho (besouro), como em Portugal.

Já no Brasil, o nome Fusca é um pouco mais peculiar: a origem do nome no Brasil está relacionada com a pronúncia alemã da palavra Volkswagen. O fonema da letra V em alemão é algo como "fau" e o W é "vê". Ao abreviar a palavra Volkswagen para VW, os alemães falavam "fauvê". Logo que o Fusca foi lançado na Alemanha, ficou comum a frase "Isto é um VW" ("Das ist ein VW"). A abreviação alemã "fauvê" logo se transformaria em "fulque" e "fulca". Segundo o especialista Alexander Gromow, "Desde que começaram a circular os primeiros Volkswagens, em 1950, também apareceu a corruptela da palavra Volkswagen passando pela influência da colônia alemã. (…)

Em Curitiba se fala 'fuqui' ou 'fuque', no Rio Grande do Sul é 'fuca'. Mas em São Paulo, talvez por uma questão de fonética, acrescentaram o 'S' na palavra e o Volkswagen virou Fusca."

Ao redor do mundo os nomes são geralmente relacionados a animais com formato parecido ao da carroceria:

  • Volla na África do Sul
  • Käfer ou Kugelporsche ("Porsche-bola") na Alemanha
  • Coccinelle na Bélgica, França e Haiti
  • Peta ("tartaruga") na Bolívia
  • Sedan e depois Fusca (ou Fuca/Fuque) no Brasil (veja detalhes acima)
  • Косτенурка (Kostenurka, "tartaruga") na Bulgária
  • Baratinha em Cabo Verde
  • Weevil no Canadá
  • Buba na Croácia
  • Boblen (bolha) na Dinamarca
  • Escarabajo ou Pichirilo no Equador
  • Chrobák na Eslováquia
  • Hrošč na Eslovênia
  • Escarabajo (escaravelho) na Espanha e parte da América Latina
  • Kakalardo no País Basco, Espanha
  • Escarabat na Catalunha, Espanha
  • Bug ou Beetle nos Estados Unidos
  • Põrnikas na Estônia
  • Kotseng kuba (literalmente '"carro corcunda'"), Pagong (tartaruga), Ba-o (tartaruga em Cebuano), Boks nas Filipinas
  • Kuplavolkkari (kupla, bolha) na Finlândia
  • Σκαθάρι ("Skathári", besouro) ou Σκαραβαίος ("Skaravéos", escaravelho) na Grécia
  • Cucaracha ou Cucarachita ("Barata" e "Baratinha") na Guatemala.
  • Cucarachita ("Baratinha") em Honduras.
  • Bogár na Hungria.
  • Kodok ("sapo") na Indonésia
  • عقروقة ("Ag-ru-ga") no Iraque
  • Bjalla na Islândia
  • חיפושית ("Hipushit", Besouro) em Israel
  • Maggiolino na Itália. Também conhecido pelo apelido carinhoso de Maggiolone
  • Vabalas na Lituânia
  • Sedán ou Vocho no México
  • Boble ("bolha") na Noruega
  • Kever ("besouro") nos Países Baixos e na Bélgica
  • Foxi no Paquistão
  • Garbus ("corcunda") na Polónia
  • Volky em Porto Rico
  • Carocha em Portugal
  • Brouk na República Checa
  • Cepillo ("Escova") na República Dominicana
  • Broscalanu' or Broscuţa (sapinho) na Romênia
  • Bagge (contração de skalbagge, besouro) ou bubbla (bolha) na Suécia
  • Mgongo wa Chura ("costas de sapo") e Mwendo wa Kobe ("velocidade de tartaruga") em Swahili na Tanzânia (?)
  • Kaplumbağa ou tosbağa ("tartaruga") ou vosvos na Turquia
  • Escarabajo na Venezuela.
  • Bhamba datya em Shona no Zimbabwe
  • Mbatsani (Amêijoa) ou Xifufu-n'hunu (Joaninha, Besouro) em Moçambique.
HISTÓRIA

A história do Fusca é uma das mais complexas e longas da história do automóvel. Diferente da maioria dos outros carros, o projeto do Fusca envolveu várias empresas e até mesmo o governo de seu país, e levaria à fundação de uma fábrica inteira de automóveis no processo. Alguns pontos são obscuros ou mal documentados, já que o projeto inicialmente não teria tal importância histórica, e certos detalhes perderam-se com a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. Grande parte dessa história pode ser condensada como se segue:

Volksauto: No ano de 1931, a Alemanha era assolada por uma dura recessão e tinha um dos piores índices de motorização da Europa. A maioria de suas fábricas era especializada em carros de luxo, montados à mão, e ainda muito caros.

Tatra 87, que seria rapidamente
descontinuado em favor do Fusca,
assim que a Alemanha invadiu
a Tchecoslováquia. Foto de 8 de Julho de 2017.

Desde 1925 um conceito básico muito semelhante ao que viria ser o Fusca já existia, obra do engenheiro Béla Barényi (famoso projetista, responsável por várias melhorias de segurança passiva). Nos anos seguintes vários protótipos e modelos surgiam, como o Superior, da firma Standard, projetado pelo húngaro Joseph Ganz — este modelo inclusive era relativamente barato, cerca de 1500 marcos.

Até mesmo fora da Alemanha a ideia ganhava forma, com os aerodinâmicos Tatras ganhando as ruas da então Checoslováquia — carros estes que o próprio Hitler conhecia e admirava. Aerodinâmicos, resistentes e bonitos, possuíam motor traseiro refrigerado a ar, chassis com tubo central e eram obra do engenheiro austríaco Hanz Ledwinka, um conterrâneo e amigo do futuro projetista do Fusca.

Ferdinand Porsche
em 1940.

Esta ideia cativou também o projetista de carros austríaco Ferdinand Porsche, um conceituado engenheiro da época, que desde 1931 abrira seu próprio escritório de desenho. Ele também tinha os seus planos para o VolksAuto, planos estes que em breve começariam a ser postos em prática.

Logo assim que montou seu escritório, ele recebeu uma encomenda da Wanderer (parte da Auto Union, atualmente Audi) para uma linha de sedãs de luxo. Apesar da proposta, o projeto resultante (que recebeu o n° 7, para dar a impressão de não ser o primeiro) era já um pouco semelhante no design ao Fusca.

Modelo Standard Superior, anúncio de jornal de janeiro de 1933.


Typ 12 e o Typ 32 de Porsche: Ainda em 1931 a Zündapp, fabricante de motos, decidiu se arriscar na ideia do carro popular alemão. Eles encomendaram ao escritório (Konstruktionbüro) Porsche a construção de um protótipo de carro popular. Porsche construiu três (na verdade a mecânica foi fornecida pela Zündapp, e as carrocerias pela Reutter), que foram batizados de "Tipo 12".

Porsche estava bastante entusiasmado com o projeto. O carro era compacto, com motor traseiro radial de cinco cilindros (semelhante a motores aeronáuticos), 1 200 cc, e contava com uma carroceria aerodinâmica, para reduzir a potência necessária e o tamanho do motor.

Os primeiros modelos, ainda muito diferentes do Fusca, estavam prontos já em 1932. No entanto, a Zündapp, por problemas financeiros, rompeu o contrato. Porsche ficou com um dos carros, entretanto nenhum deles sobreviveu à guerra.

Porsche, porém, já havia negociado com outro fabricante para desenvolver um "Volkswagen". Seguindo a tendência da Zündapp, a NSU decidiu entrar no ramo automotivo. Porsche valeu-se então das lições aprendidas no projeto anterior, e das ideias que ficaram mais refinadas, e o modelo da NSU acabou ficando bem semelhante ao Fusca como o conhecemos. Tinha um motor de quatro cilindros boxer, suspensão por barras de torção e o óbvio formato aerodinâmico. Apesar do refinamento do projeto, entretanto, a NSU não conseguiu o capital necessário para iniciar sua linha de automóveis, e em 1933 desistiu do projeto. Porsche, que sempre construía 3 protótipos, mais uma vez manteve um (que sobreviveu à guerra e está hoje no museu VW). A contribuição desse modelo NSU (firma que, assim como a Zündapp, contribuiu com a engenharia do seu protótipo) seria valiosa mais tarde, principalmente na hora de escolher o motor do Fusca.

O apoio de Hitler: Nesta época Adolf Hitler havia ascendido ao poder na Alemanha, estando comprometido com a modernização do país e a recuperação da economia, principalmente do emprego. Entusiasta por carros desde a juventude, Hitler via com bons olhos a ideia do carro do povo desde os tempos em que esteve preso, quando leu sobre Henry Ford. Para ele a ideia de um "carro do povo", feito por trabalhadores alemães e viajando por todo o país, era a exata realização da plataforma política de seu partido.

Decidido a financiar uma empresa estatal para produzir os automóveis que trafegariam por suas recém-inauguradas Autobahns, Hitler deu sinal verde para o projeto. Três opções lhe foram oferecidas pelos engenheiros Josef Ganz, Edmund Rumpler e Ferdinand Porsche. Os primeiros dois eram judeus, e obviamente não agradaram a Hitler. Já Porsche era famoso pelo seu trabalho na Daimler, carros dos quais Hitler gostava, e, talvez mais importante, era amigo de Jacob Werlin, amigo e assessor para assuntos automotivos de Hitler.

Em meados de 1933, Werlin, que conhecia Porsche dos tempos da Daimler-Benz, intermediou o encontro de Porsche com Hitler. Neste encontro, Hitler mostrou-se bem-informado sobre os projetos de Porsche na NSU e com opinião formada sobre o "carro do povo". Hitler tinha pronta uma lista de exigências a serem cumpridas por Porsche, caso o contrato fosse efetivamente firmado:

  • O carro deveria carregar dois adultos e três crianças (uma típica família alemã da época, e Hitler não queria separar as crianças de seus pais);
  • Deveria alcançar e manter a velocidade média de 100 km/h;
  • O consumo de combustível, mesmo com a exigência acima, não deveria ser maior que 13 km/litro (devido à pouca disponibilidade de combustível);
  • O motor que executasse essas tarefas deveria ser refrigerado a ar, pois muitos alemães não possuíam garagens com aquecimento, e se possível a diesel e na dianteira;
  • O carro deveria ser capaz de carregar três soldados e uma metralhadora;
  • O preço deveria ser menor do que mil marcos imperiais (o preço de uma boa motocicleta na época).

Adolf Hitler solicitou que Porsche colocasse suas ideias no papel, o que ele fez em 17 de janeiro de 1934. Ele encaminhou uma cópia a Hitler e publicou o seu estudo chamado "Estudo Sobre o Desenho e Construção do Carro Popular Alemão". Ali, Porsche discorreu sobre a situação do mercado, as necessidades do povo alemão, sua convicção na viabilidade de um motor a gasolina e traseiro (ao contrário do que Hitler queria) e, principalmente, fez um estudo comparativo com outros carros alemães frente ao seu projeto, onde concluía pela inviabilidade de vender o carro por menos de 1 500 marcos. Hitler leu o estudo, mas manteve-se irredutível quanto à questão do preço, o que preocupou Porsche.

Após alguns discursos sobre o projeto, Hitler finalmente colocaria a Associação de Fabricantes de Automóveis Alemães (RDA, na sigla em alemão) encarregada da execução do projeto. Apesar dos temores de Porsche, Werlin o convenceu a aceitar a verba de vinte mil marcos por mês para desenvolver o projeto. Assim, em 22 de junho de 1934 o contrato foi assinado, e os equipamentos foram instalados na casa de Porsche em Estugarda. A equipe de Porsche era liderada por Karl Rabe, e contava com o designer Erwin Komenda (responsável pelo desenho da carroceria), Franz Xaver Reimspiess (que desenvolveria o motor final e o logotipo VW), Joseph Kales, Karl Fröhlich, Josef Mickl, Josef Zahradnik, e o filho de Porsche, Ferry.

Os problemas do projeto: Havia outros problemas além das exigências de Hitler. Porsche rapidamente conseguiu a oposição da RDA, que era a associação de classe dos fabricantes de carros na Alemanha, para o projeto do Volkswagen. Acostumada com a produção de carros de luxo, a associação esperava que o projeto não seguisse adiante. Por outro lado, a intervenção governamental preocupava as empresas que pretendiam se lançar por conta própria no mercado de carros populares — um exemplo era o executivo da Opel (e ironicamente futuro presidente da VW), Heinrich Nordhoff, que defendia que um automóvel não deveria ser produzido pelo governo e sim pelos fabricantes.

Não bastasse a oposição política, o Fusca deveria agora passar pela aprovação da própria RDA, que iria custear o projeto (função que Hitler lhe havia entregado), através de uma série rigorosa de testes jamais antes aplicada a carro algum.

As dificuldades técnicas envolvidas no projeto não eram menores. Fabricar um carro pequeno que tivesse o desempenho e confiabilidade das especificações era um desafio bem maior que o projeto de outros carros da época, e exigia o desenvolvimento de novas tecnologias e de soluções inteligentes.

O motor foi uma dificuldade à parte. Primeiro, foram tentados motores de dois e três cilindros, para reduzir os custos, mas eles não eram confiáveis e não produziam a potência necessária para o carro.

Para economizar espaço pela eliminação do radiador, optou-se por um motor refrigerado a ar. Como o motor era traseiro, havia problemas técnicos para a tomada de ar para a refrigeração.

Um engenheiro da equipe de Porsche sugeriu usar um motor radial de cinco cilindros, oriundo do Typ 12 (que tinha a vantagem de já estar pronto). Inicialmente a ideia pareceu absurda, pois este era um "motor de avião". No entanto, por algum tempo, tentou-se esta solução.

Finalmente, após testes com um motor vertical, alguns horizontais e até alguns dois tempos, e com os prazos cada vez mais curtos, Reimspiess desenvolveu um desenho funcional de um motor traseiro de quatro cilindros (boxer oposto dois a dois) refrigerado a ar. Ironicamente baseado em um motor de avião desenvolvido pelo próprio Porsche anos antes (1909), este motor se provou mais confiável, silencioso, econômico e barato do que todos os outros da época. Denominado E-Motor (o E indicando quantas tentativas foram feitas até se chegar ao desenho final), o motor era basicamente igual ao atual, salvo pela bomba de combustível elétrica (substituída pela bomba mecânica, mais confiável) e pelo virabrequim em ferro fundido.

A escolha do motor de quatro cilindros teve a oposição ferrenha de Heinrich Nordhoff (então representando a RDA), mas esta foi a escolha final. Chapas de metal curvado, encurtando o capô dianteiro e a traseira "corcunda", acabaram por dar ao carro o aspecto característico de "besouro".

Um problema com a traseira tão curta foi obter espaço para o motor. Uma ideia genial, adotada no Fusca, foi inclinar o motor levemente para dentro, o que economizava preciosos centímetros do capô.

No mais, a suspensão era resistente, por barras de torção, e a carroceria era sólida, o que reforçava a ideia de um carro popular e durável.

Os primeiros protótipos: O prazo para desenvolver o projeto era exíguo, apenas seis meses. Em dezembro de 1934 o número de protótipos encomendados passou para 3, de acordo com a filosofia de Porsche. Embora o prazo fosse curto, Porsche temia desagradar a Hitler, e portanto, em 1935, dois modelos ainda um tanto rústicos estavam prontos. Com fundo de madeira e motores dois tempos de 850cc, os modelos eram um sedan de carroceria fechada — chamado Versuch 1 (V1), ou "Protótipo 1" — e um conversível, V2, feito para agradar ao Führer, entusiasta por conversíveis.

Em 12 de outubro de 1936 os dois pré-protótipos, mais um com carroceria em aço (que somado a outros dois em aço, construídos com a ajuda da Daimler-Benz, formariam a Série W30) foram entregues à RDA para os testes (dois dos carros contavam com o motor que acabaria sendo escolhido para o Fusca). Em três meses cada um deles rodou 50 mil quilômetros, enfrentando os piores terrenos, durante uma rotina de testes seis dias por semana. Para satisfação de Porsche, o relatório final da RDA aprovava o projeto. Os problemas ficaram apenas no freio, que ainda era a varão, e o virabrequim (girabrequim), que quebrava com frequência.

Em 1937 foram produzidos trinta modelos de uma versão revisada do projeto, incluindo modificações oriundas da bateria de testes anterior. Produzidos pela Daimler-Benz e financiados pela RDA, essa série ficou conhecida como VW30, e era muito semelhante ao produto final, embora sem janela traseira e sem para-choques (nas primeiras fases do projeto, posteriormente foram equipados com para-choques). Esses modelos foram submetidos a uma bateria de testes ainda mais dura, chegando os trinta em conjunto a rodar 2,4 milhões de quilômetros nas mãos de membros da SS, a tropa de elite de Hitler.

Após testes tão completos, a estrutura do carro ficaria praticamente concluída, faltando apenas acertar os detalhes da carroceria. Em 1936–1937 Porsche havia viajado para os Estados Unidos, onde pôde acompanhar os processos de fabricação em série. De lá ele trouxe alemães habituados a trabalhar em Detroit, que o ajudariam a viabilizar a fabricação em massa do projeto. Contando com essa ajuda, Erwin Komenda pôde então trabalhar na forma final do carro. Ele fez então uma maquete de pré-produção, em madeira e tamanho natural. Dentre as mudanças mais visíveis estão as janelas traseiras bipartidas (incorporadas em 1937 pela Reutter), a tampa do motor e do capô, e as portas com abertura normal, além dos estribos (os modelos de teste ficavam muito sujos nas estradas mais precárias).

Com a finalização do projeto, máquinas e ferramentas foram também trazidas dos Estados Unidos. Cerca de quarenta e quatro modelos em metal dessa nova série (VW38/39) foram então fabricados, para altos executivos e para fins de propaganda e exibição.

Paralelo a isso, a Tatra, fabricante dos T77 e T87 na Tchecoslováquia, vinha desenvolvendo carros semelhantes ao Fusca desde 1932 (protótipo V570). Hitler era um admirador dos velozes carros, e certa vez comentou: "Estes são os carros para minhas autobahns". Coincidentemente ou não Porsche conhecia Hanz Ledwinka, o projetista dos Tatras. Com a finalização dos testes do Fusca e sua iminente entrada em produção, a Tatra foi forçada pelas forças de ocupação alemãs a desistir do projeto T97 (praticamente igual ao protótipo VW30).

O destino dos vários protótipos: O Fusca gerou um número incomum de protótipos e modelos pré-produção. Após a finalização do projeto, Hitler ficou temeroso de que todas as tribulações do projeto se tornassem públicas, manchando a imagem da superioridade alemã que ele tanto pregava. Assim, após a certeza de que os modelos de pré-produção (V1, V2, VW3, VW30) não seriam mais necessários, o Führer ordenou o desmantelamento de todos eles, tarefa que ficou novamente a cargo da SS. Estava assim encerrado o longo ciclo de projeto do carro, após quatro anos e milhões de Reichmarks investidos.

Existiram pouco mais de 40 protótipos Volkswagen até a conclusão do projeto — um V1, um V2, três VW3, trinta VW30, três modelos finais de madeira e os três VW38 presentes na cerimônia de fundação da fábrica. O número não é exato, entretanto, devido ao fato de alguns Versuch (V1 e V2) terem sido aproveitados na construção dos VW3, e de igual maneira alguns (senão todos) VW3 terem se tornado VW30. Embora deles oficialmente só tenham restado desenhos e fotos, o chassi do VW30, número 26, sobreviveu até nossos dias, tendo sido recuperado em um ferro-velho austríaco. Esse chassi foi utilizado em um Kübelwagen, o que evitou sua destruição. Existem planos por parte de seu atual proprietário de restaurá-lo. Além disso, rumores não confirmados dão conta de que um VW30 cabriolet teria sobrevivido na Tchecoslováquia.

Os protótipos NSU 32, Zundapp 12 e Aerocoupe (um coupé aerodinâmico que viria a ser o embrião dos futuros Porsche 356 pertenciam ao Professor Porsche, e todos (menos o Zundapp 12 e um dos Aerocoupe) sobreviveram à guerra.

Paralelo a isso, a Volkswagen encomendou ao restaurador Werner Zinke réplicas dos modelos VW3 (1998) e VW30 (2000), que hoje se encontram no Museu Volkswagen. Conta-se que, por ocasião dos sessenta anos da Volks (1938–1998), a ideia da diretoria era construir uma réplica do V1, mas acabou-se encomendando o VW3, ao custo aproximado de DM 300 000,00.

Quanto aos veículos pré-série VW38, embora os que participaram da cerimônia de fundação tenham se perdido, um sedan foi resgatado na década de 1950. Convertido para carvão durante a guerra, este veículo foi restaurado pela própria Volkswagen e se encontra hoje em um museu. Junto com ele se encontra outro VW38, que havia sido presenteado a Hitler.

Somando a estes existe um terceiro VW38, encontrado na Lituânia. Está atualmente (2009) em restauração, e pertence ao mesmo dono do W30 n° 26.

Observe que todas as placas dos modelos citados começavam com as letras IIIA. Essas letras eram na verdade o prefixo para todos os carros registrados na região de Estugarda entre 1906 e 1945. Atualmente um bom exemplo é o prefixo WOB, utilizado nos carros de Wolfsburg, e o prefixo S, para a atual Stuttgart.

Hitler discursando na cerimônia de inauguração da fábrica da Volkswagen - Wolfsburg, 1938. Fonte: Life


terça-feira, 3 de setembro de 2024

LEX LUTHOR (VILÃO DA DC COMICS)

 

Details
Arte de Curt Swan e George Pérez para a revista Who's Who: The Definitive Directory of the DC Universe #14
(Abril de 1986).


  • NOME COMPLETO: Alexander Joseph Luthor
  • NASCIMENTO: 28 de Setembro; Pequenópolis, Kansas, Estados Unidos
  • CODINOMES: Lex, Homem Kriptonita, Lexy
  • ALTURA: 6'2" (1,87 m)
  • PESO: 210 lbs (95 kg)
  • CABELO: Atualmente Careca, Anteriormente Ruivo
  • OLHOS: Verde
  • ESPÉCIE: Humano Masculino Heterossexual de Intenções Malignas 
  • FAMÍLIA: Jimberly Jimmington Olsen (ancestral), Hannah Alexandria Luthor (ancestral), Lionel Luthor (pai, falecido), Leticia Luthor (mãe), Lena Luthor (irmã), Lillian Luthor (tia) Lena Luthor II (filha), Conner Kent (clone parcial), Jimmy Olsen (primo distante), Julian Olsen (primo distante), Janie Olsen (prima distante)
  • OCUPAÇÃO: Empresário, Cientista, Criminoso, ex-Presidente dos Estados Unidos
  • AFILIAÇÃO: LexCorp Incorporated; Gangue da Injustiça; Sexteto Secreto; Sociedade Secreta dos Super-vilões.
  • STATUS: Estadunidense, Vivo, Solteiro
  • CRIADOR(ES): Jerry Siegel & Joe Shuster
  • PRIMEIRA APARIÇÃO: Action Comics #23 (10 de Abril de 1940)
Alexander "Lex" Luthor é um supervilão fictício que aparece em histórias em quadrinhos publicadas pela editora americana DC Comics. Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, Lex Luthor apareceu pela primeira vez na Action Comics #23 (Abril de 1940) e desde então tem sido o arqui-inimigo do Superman.

O personagem é um poderoso bilionário corrupto, magnata, cientista, inventor, filantropo para a cidade de Metrópolis e uma das pessoas mais inteligentes do mundo. Uma figura pública carismática e bem conhecida, ele tem a intenção de livrar o mundo do super-herói alienígena Superman, que Lex Luthor vê como um obstáculo aos seus planos megalomaníacos e como uma ameaça à própria existência da humanidade. Como um supervilão de alto status, ele também entra em conflito com o Batman e outros super-heróis do Universo DC.

CURIOSIDADES PESSOAIS
  1. Lex Luthor se autoidentifica como Ateu;
  2. Lex Luthor é avesso ao hábito de fumar;
  3. Ele tem um grande respeito por Albert Einstein;
  4. O cabelo ruivo característico de Luthors vem de Hannah Alexandria Luthor engravidar do filho de Jimberly Jimmington Olsen, depois que os dois se envolveram em um relacionamento, apesar da desaprovação de ambas as famílias. Isso faz de Lex um primo distante de Jimmy Olsen;
  5. Lex é dono do quadro Gioconda, Monna Lisa (1503–1506), de Leonardo da Vinci;
  6. Após uma aventura de viagem no tempo com o Superman, Lex Luthor inadvertidamente causou o infame terremoto de São Francisco em 1906;
  7. Lex certa vez estuprou sua secretária, a Srta. Rhodes.
PODERES E HABILIDADES
  • Intelecto Genial;
  • Excelente Empresário;
  • Memória Fotográfica;
  • Engenheiro Perito com capacidade tecnológica excepcional;
  • Armadura tecnológica que lhe proporciona força, resistência, análise tática, várias armas e capacidades de vôo;
  • Perito em Bioquímica;
  • Perito em Informática;
  • Perito em Genética;
  • Gênio estrategista;
  • Manipulador;
  • Conhecimentos grandes e aprofundados nos mais diversos campos da ciência.
The Man of Steel 04 (1986), Página 08. Ilustração e Argumentos de John Byrne.



segunda-feira, 2 de setembro de 2024

VÍRGULA (MARCA DE PONTUAÇÃO)


 A vírgula é um sinal de pontuação. Seu nome vem do latim "virgûla-", significando varinha, pequeno traço ou linha, tendo o termo sido dicionarizado pela primeira vez em Morais (2.ª ed., 1813) (Cunha, Antônio Geraldo da (1986). Dicionário Etmológico Nova Fronteira. Rio de Janeiro: Nova Froteira).

Ao contrário do que se costuma pensar, a vírgula não possui a função de representar pausas na oralidade (pois isso pode ser feito sem o uso da vírgula), mas a função de separar elementos que possuem a mesma função sintática em uma oração ou elementos sintáticos entre diferentes orações, de modo a evitar ambiguidades. Por exemplo, alguém pode realizar uma pausa na seguinte situação: "Eu estava correndo (pausa) e a vi". Esse elemento de pausa na oralidade não permite o uso da vírgula (sendo mais adequado o uso das reticências, neste último caso), pois ela não ocorre antes da conjunção "e", salvo em alguns outros casos.

USO

A utilização da vírgula não obedece as regras absolutas (existem casos debatidos entre os especialistas em gramática) pelo qual as regras aqui expostas são um resumo do que o uso geral vem carregando a frase do verbo nominal (formal):

  1. Para separar as coordenadas sindéticas conclusivas (logo, pois, portanto). A conjunção pois com valor conclusivo (portanto) deve geralmente vir entre vírgulas. (Ex.: Não era alfabetizado, logo, não podia ter carta de habilitação).
  2. Para separar as coordenadas sindéticas explicativas (Ex.: Não fale assim, porque estamos ouvindo você).
  3. Para separar as adverbiais reduzidas e as adverbiais antepostas ou intercaladas na principal.
  4. Para separar as orações consecutivas.
  5. Para isolar as subordinadas adjetivas explicativas. Geralmente, as restritivas não se separam por vírgula. Podem terminar com vírgula no caso de ter certa extensão ou quando os verbos se sucedem. Porém, nunca devem começar por vírgula. (Ex.: O rapaz, que tinha o passo firme, resolveu o problema. / O aluno que estuda, aprende).
  6. Usa-se quando vier em [polissíndeto] (Ex.: Fala, resmunga, chora e pede socorro).
  7. Para separar elementos com a mesma função sintática (exceto se estiverem ligados pela conjunção e). (Ex.: O João, o Antônio, a Maria e o Joaquim foram passear. / Comprei um livro e um caderno. / Fui ao supermercado e à farmácia).
  8. Para separar orações com sujeitos diferentes (Ex.: Eles explicam seus pontos de vista, e a imprensa deturpa-os).
  9. Para assumir outros valores que não o aditivo Ex.: Responderam à mãe, e não foram repreendidos) (valor adversativo). O filme é tão romântico e eu assisti na TV. (valor consecutivo). Eles gritaram, e pularam, e sorriram. (valor enfático)
  10. Quando a conjunção pois é explicativa e equivale a porque, a vírgula coloca-se antes. (Ex.: João não foi à escola, pois estava doente);
  11. Quando a conjunção pois é conclusiva e equivale a portanto, a vírgula coloca-se antes e depois (Ex.: A seleção brasileira venceu as eliminatórias sul-americanas. O Brasil é, pois, um dos favoritos a ganhar a copa).
ALTERAÇÃO DE SIGNIFICADO

Uma vírgula (ou a falta dela) pode alterar completamente o significado da frase.
  • José, Maria e o cãozinho Sweetie foram passear.
  • José Maria e o cãozinho Sweetie foram passear.
A primeira frase implica que Maria, José e o Sweetie foram passear, e a segunda que José Maria saiu sozinho com o Sweetie para passear.
  • Não, espere.
  • Não espere.
  • Este, juiz, é corrupto.
  • Este juiz é corrupto.
  • Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, ficaria de joelhos à sua frente.
  • Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher ficaria de joelhos à sua frente.
  • Não queremos saber.
  • Não, queremos saber.
  • Não escolha o Blim Blim, o Cafajeste.
  • Não, escolha o Blim Blim, o Cafajeste.
COMPUTAÇÃO

Nos sistemas comuns de codificação de caracteres Unicode e ASCII , o caractere 44 (0x2C) corresponde ao símbolo de vírgula. A referência de caractere numérico HTML é . ,

Em muitas linguagens de computador, as vírgulas são usadas como delimitador de campo para separar argumentos de uma função, para separar elementos em uma lista e para executar a designação de dados em várias variáveis ao mesmo tempo.

Na linguagem de programação C, o símbolo de vírgula é um operador que avalia seu primeiro argumento (o que pode ter efeitos colaterais) e então retorna o valor de seu segundo argumento avaliado. Isso é útil em instruções for e macros .

Em Smalltalk e APL , o operador vírgula é usado para concatenar coleções, incluindo strings. Em APL, ele também é usado monadicamente para reorganizar os itens de um array em uma lista.

Em Prolog , a vírgula é usada para denotar Conjunção Lógica ("e").

O formato de valores separados por vírgula (CSV) é muito comumente usado na troca de dados de texto entre formatos de banco de dados e planilhas.

USO DIACRITICO

A vírgula é usada como um sinal diacrítico em romeno sob ⟨s⟩ ( ⟨Ș⟩ , ⟨ș⟩ ), e sob ⟨t⟩ ( ⟨Ț⟩ , ⟨ț⟩ ). Uma cedilha é ocasionalmente usada em vez dela, mas isso é tecnicamente incorreto. O símbolo ⟨d̦⟩ (' d com vírgula abaixo ') foi usado como parte do alfabeto transicional romeno (século XIX) para indicar os sons denotados pela letra latina ⟨z⟩ ou letras ⟨dz⟩ , onde derivada de um cirílico ѕ ( ⟨ѕ⟩ , /dz/ ). A vírgula e a cedilha são ambas derivadas de ⟨ʒ⟩ (uma pequena letra cursiva ⟨z⟩ ) colocada abaixo da letra. Somente desse ponto de vista, ⟨ș⟩ , ⟨ț⟩ e ⟨d̦⟩ poderiam ser potencialmente considerados substitutos de /sz/, /tz/ e /dz/, respectivamente.

Em letão , a vírgula é usada nas letras ⟨ģ⟩ , ⟨ķ⟩ , ⟨ļ⟩ , ⟨ņ⟩ e historicamente também ⟨ŗ⟩ , para indicar palatalização . Como a letra minúscula ⟨g⟩ tem um descendente , a vírgula é girada 180° e colocada sobre a letra. Embora seus nomes de glifo Adobe sejam 'letra com vírgula', seus nomes no Padrão Unicode são 'letra com uma cedilha'. Eles foram introduzidos no padrão Unicode antes de 1992 e, de acordo com a política do Consórcio Unicode, seus nomes não podem ser alterados. No final da década de 1920 e na década de 1930, a ortografia latgaliana usada na Sibéria usava letras adicionais com vírgula ⟨ ç ⟩ , ⟨ ḑ ⟩ , ⟨ m̧ ⟩ , ⟨ p̧ ⟩ , ⟨ ş ⟩ , ⟨ ţ ⟩ , ⟨ v̧ ⟩ , ⟨ z̧ ⟩.

Em livônio , cujo alfabeto é baseado em uma mistura dos alfabetos letão e estoniano , a vírgula é usada nas letras ⟨ḑ⟩ , ⟨ļ⟩ , ⟨ņ⟩ , ⟨ŗ⟩ , ⟨ț⟩ para indicar palatalização da mesma forma que o letão, exceto que o livônio usa ⟨ḑ⟩ e ⟨ț⟩ para representar os mesmos fonemas plosivos palatais que o letão escreve como ⟨ģ⟩ e ⟨ķ⟩ , respectivamente.

Em tcheco e eslovaco , o diacrítico nos caracteres ⟨ď⟩ , ⟨ť⟩ e ⟨ľ⟩ se assemelha a uma vírgula sobrescrita, mas é usado em vez de um caron porque a letra tem um ascendente . Outras letras ascendentes com carons, como as letras ⟨ȟ⟩ (usadas em finlandês Romani e Lakota ) e ⟨ǩ⟩ (usadas em Skolt Sami ), não modificaram seus carons para vírgulas sobrescritas.

Na Guatemala do século XVI , a letra arcaica cuatrillo com uma vírgula ( ⟨Ꜯ⟩ e ⟨ꜯ⟩ ) era usada para escrever as línguas maias.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

MACHADO DE ASSIS (ESCRITOR BRASILEIRO)

Machado aos 57 anos, 1896. Foto colorida.

  • NOME COMPLETO: Joaquim Maria Machado de Assis
  • NASCIMENTO: 21 de junho de 1839; Rio de Janeiro, Município Neutro, Império do Brasil
  • MORTE: 29 de setembro de 1908 (69 anos); Rio de Janeiro, Distrito Federal, Estados Unidos do Brasil
  • NACIONALIDADE: brasileiro
  • FAMÍLIA: Carolina Augusta Xavier de Novais (cônjuge de 1869–1904)
  • OCUPAÇÃO: escritor, jornalista, contista, cronista, dramaturgo e poeta
  • MOVIMENTO LITERÁRIO: Romantismo/Realismo
  • MAGNUM OPUS: Entre os críticos e o público, destacam-se Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A crítica considera que suas melhores obras são as da Trilogia Realista.
  • RELIGIÃO: Supostamente Ateísmo
Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente reconhecido por críticos, estudiosos, escritores e leitores como o maior expoente da literatura brasileira. Sua produção literária abrangeu praticamente todos os gêneros, incluindo poesia, romance, crônica, dramaturgia, conto, folhetim, jornalismo e crítica literária.

BIOGRAFIA

Morro do Livramento em fotografia antiga. A seta no canto superior direito mostra a casa onde Machado provavelmente nasceu e passou a infância.

Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, então capital do Império, em pleno Período Regencial. Seu pai foi Francisco José de Assis, mulato que pintava paredes, filho de Francisco de Assis e Inácia Maria Rosa, ambos pardos. A mãe foi a portuguesa Maria Leopoldina Machado da Câmara, branca, filha de Estêvão José Machado e Ana Rosa. Os Machado haviam emigrado para o Brasil em 1815, oriundos da Ilha de São Miguel, no arquipélago português dos Açores. Ambos os pais de Machado de Assis sabiam ler e escrever, fato incomum na sua época e classe social. Ambos eram agregados da Dona Maria José de Mendonça Barroso Pereira, esposa do falecido senador Bento Barroso Pereira, que abrigou seus pais e os permitiu morar junto com ela.

As terras do Livramento eram ocupadas pela chácara da família de Maria José e já em 1818 o terreno começou a ser loteado de tão imenso que era, dando origem à rua Nova do Livramento. Maria José tornou-se madrinha do bebê e Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, seu cunhado, tornou-se o padrinho, de modo que os pais de Machado resolveram homenagear os dois nomeando-o com seus nomes. Nascera junto a ele uma irmã, que morreu jovem, aos 4 anos, em 1845. Iniciou seus estudos numa escola pública da região, mas não se mostrou interessado por ela. Ocupava-se também em celebrar missas, o que lhe fez conhecer o Padre Silveira Sarmento, que, segundo certos biógrafos, se tornou seu mentor de latim e amigo.

Em seu folhetim Casa Velha, publicado de janeiro de 1885 a fevereiro de 1886 na revista carioca A Estação, e publicado pela primeira vez em livro em 1943 graças à Lúcia Miguel Pereira, Machado fornece descrição do que seria a casa principal e a capela da chácara do Livramento: "A casa, cujo lugar e direção não é preciso dizer, tinha entre o povo o nome de Casa Velha, e era-o realmente: datava dos fins do outro século. Era uma edificação sólida e vasta, gosto severo, nua de adornos. Eu, desde criança, conhecia-lhe a parte exterior, a grande varanda da frente, os dois portões enormes, um especial às pessoas da família e às visitas, e outro destinado ao serviço, às cargas que iam e vinham, às seges, ao gado que saía a pastar. Além dessas duas entradas, havia, do lado oposto, onde ficava a capela, um caminho que dava acesso às pessoas da vizinhança, que ali iam ouvir missa aos domingos, ou rezar a ladainha aos sábados". A vizinhança, de forte influência católica, frequentava a missa na capela; a casa era "uma espécie de vila ou fazenda", onde Machado passou sua infância.

Ao completar 10 anos, Machado tornou-se órfão de mãe. Mudou-se com seu pai para São Cristóvão, na Rua São Luís de Gonzaga nº 48. Seu pai viria a casar em segundas núpcias, em 18 de junho de 1854, com Maria Inês da Silva, mulata e lavadeira, mulher de grande coração que viria a ser o amparo da sua infância. Maria Inês cuidaria do menino após a morte de Francisco, algum tempo depois. Segundo escrevem alguns biógrafos, a madrasta confeccionava doces numa escola reservada para meninas e Machado teve aulas no mesmo prédio, enquanto à noite estudava língua francesa com um padeiro imigrante. Certos biógrafos notam seu imenso e precoce interesse e abstração por livros.

JORNAIS, POEMAS E ÓPERAS

Rio de Janeiro (Brasil). Imprensa Nacional onde Machado de Assis começou trabalhando. Foto Tirada cerca de 1886.

Tudo indica que Machado evitou o subúrbio carioca e procurou a subsistência no centro da cidade. Com muitos planos e espírito aventureiro, fez algumas amizades e relacionamentos. Em 1854, publicou seu primeiro soneto, dedicado à "Ilustríssima Senhora D.P.J.A", assinando como "J. M. M. Assis", no Periódico dos Pobres. No ano seguinte, passou a frequentar a livraria do jornalista e tipógrafo Francisco de Paula Brito. Paula Brito era um humanista e sua livraria, além de vender remédios, chás, fumo de rolo, porcas e parafusos, também servia como ponto de encontro da sua Sociedade Petalógica (peta=(ê), s. f. 1. Mentira, patranha). Um tempo mais tarde, Machado se referiria à Sociedade da seguinte forma: "Lá se discutia de tudo, desde a retirada de um ministro até a pirueta da dançarina da moda, desde o dó do peito de Tamberlick até os discursos do Marquês do Paraná".

No dia 12 de janeiro de 1855, Brito publicou os poemas "Ela" e "A Palmeira" na Marmota Fluminense, revista bimensal do livreiro. Estes dois versos, reunidos junto àquele soneto para a Dona Patronilha, fazem parte da primeira produção literária de Machado de Assis. Aos dezessete anos, foi contratado como aprendiz de tipógrafo e revisor de imprensa na Imprensa Nacional, onde foi protegido e ajudado por Manuel Antônio de Almeida (que anos antes havia publicado sua magnum opus Memórias de um Sargento de Milícias), que o incentivou a seguir a carreira literária. Machado trabalhou na Imprensa Oficial de 1856 a 1858. No fim deste período, a convite do poeta Francisco Otaviano, passou a colaborar para o Correio Mercantil, importante jornal da época, escrevendo crônicas e revisando textos. Durante esta época o jovem já frequentava teatros e outros meios artísticos. Em novembro de 1859, estreava Pipelet, ópera com libreto de sua autoria baseada em Os Mistérios de Paris de Eugène Sue e com música de Ferrari. Escreveu ele sobre a apresentação:

"Abre-se segunda-feira, a Ópera Nacional com o Pipelet, ópera em actos, música de Ferrari, e poesia do Sr. Machado de Assis, meu íntimo amigo,
meu alter ego, a quem tenho muito affecto, mas sobre quem não posso dar opinião nenhuma."

— Texto raro de Machado de Assis, publicado no livro Minoridade Crítica. Época. Consultado em 4 de agosto de 2010. Arquivado do original em 16 de fevereiro de 2011.

Pipelet não agrada consideravelmente o público e os folhetinistas ignoram-na. Gioacchino Giannini, que dirigiu a orquestra da ópera, sentiu-se contrariado com a orquestra e escreveu num artigo: "Não falaremos do desempenho de Pipelet. Isso seria enfadonho, horrível e espantoso para quem o viu tão regularmente no Teatro de São Pedro". O final da ópera era melancólico, com o enterro agonizante do personagem Pipelet. Machado de Assis, em 1859, escreveu que "o desempenho da mesma maneira que o primeiro, fez nutrir esperança de uma boa companhia de canto". De fato, o jovem nutria interesse na campanha de construção da Ópera Nacional. No ano seguinte a de Pipelet, produziu um libreto chamado As Bodas de Joaninha, entretanto sua repercussão foi nula. Anos mais tarde, registraria a nostalgia do folhetinismo de sua juventude.

CRISÁLIDAS, TEATROS E POLÍTICA

Aos 21 anos de idade Machado já era uma personalidade considerada entre as rodas intelectuais cariocas. A esta altura já era conhecido por Quintino Bocaiúva, que o convidou para o Diário do Rio de Janeiro, onde Machado trabalhou intensamente como repórter e jornalista de 1860 a 1867, com Saldanha Marinho supervisionando-o. Colaborou para o Jornal das Famílias sob pseudônimos: Job, Vitor de Paula, Lara, Max, e para a Semana Ilustrada, assinando seu nome ou pseudônimos. Bocaiúva admirava o gosto de Machado pelo teatro, mas considerava suas obras destinadas à leitura e não à encenação. Com a morte do pai, Machado lhe dedica a coletânea de poesias “Crisálidas: “À Memória de Francisco José de Assis e Maria Leopoldina Machado de Assis, meus Pais.

O jovem Machado aos 25 anos, 1864, gostava de teatro e lutava para subir socialmente. Foto: Insley Pacheco, 1864.

Em 1865, Machado havia fundado uma sociedade artístico-literária chamada Arcádia Fluminense, onde tivera a oportunidade de promover saraus com leitura de suas poesias e estreitar contato com poetas e intelectuais da região. Com José Zapata y Amat, produziu o hino "Cantada da Arcádia", especialmente para a sociedade. Em 1866, escreveu no Diário do Rio de Janeiro: "A fundação da Arcádia Fluminense foi excelente num sentido: não cremos que ela se propusesse a dirigir o gosto, mas o seu fim decerto que foi estabelecer a convivência literária, como trabalho preliminar para obra de maior extensão". Neste ano, Machado escrevia crítica teatral e, segundo Almir Guilhermino, aprendeu a língua grega para se familiarizar cedo com Platão, Sócrates e o teatro grego. De acordo com Valdemar de Oliveira, Machado era "rato de coxia" e frequentador de rodas teatrais junto com José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, e outros.

No ano seguinte, 1867, subiu a escala funcional como burocrata, e no mesmo ano foi nomeado diretor-assistente do Diário Oficial por D. Pedro II. Com a ascensão do Partido Liberal pelo país, Machado acreditava que seria lembrado por seus amigos e que receberia um cargo público que melhoraria sua qualidade de vida, contudo foi em vão. À época de seu serviço no Diário do Rio de Janeiro, teve seus ideais combativos com ideias progressivas; por conta disso seu nome foi anunciado como candidato a deputado pelo Partido Liberal do Império — candidatura que logo retirou por querer comprometer sua vida somente às letras. Para sua surpresa, a ajuda veio novamente de um ato de Pedro II, com a nomeação para o cargo de assistente do diretor, e que, mais tarde, em 1888, lhe condecoraria como oficial da Ordem Da Rosa.

A esta altura já era amigo de José de Alencar, que lhe ensinou um pouco de língua inglesa. Ambos os autores, no mesmo ano, recepcionaram o ambicioso e famoso poeta Castro Alves, vindo da Bahia, na imprensa da Corte do Rio de Janeiro. Machado diria sobre o poeta baiano: "Achei uma vocação literária cheia de vida e robustez, deixando antever nas magnificências do presente as promessas do futuro". Os direitos autorais por suas publicações e crônicas em jornais e revistas, acrescido da promoção que recebera da Princesa Isabel em 7 de dezembro de 1876 como chefe de seção, rendeu-lhe 5.400$000 anuais. O menino nascido no morro havia subido de vida. Graças à sua nova posição, mudou do centro da cidade para o Bairro do Catete, na Rua do Catete nº 206, onde morou durante 6 anos, dos 37 até seus 43.

NOIVADO, CARTAS E RELACIONAMENTO

No mesmo ano ao da reunião com o poeta, Machado teria um outro encontro que mudou de vez a sua vida. Um de seus amigos, Faustino Xavier de Novaes (1820–1869), poeta residente em Petrópolis, e jornalista da revista O Futuro, estava mantendo sua irmã, a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, desde 1866 em sua casa, quando ela chegou ao Rio de Janeiro do Porto. Segundo os biógrafos, veio a fim de cuidar de seu irmão que estava enfermo, enquanto outros dizem que foi para esquecer uma frustração amorosa. Carolina despertara a atenção de muitos cariocas; muitos homens que a conheciam achavam-na atraente, e extremamente simpática. Com o poeta, jornalista e dramaturgo Machado de Assis não fora diferente. Tão logo conhecera a irmã do amigo, logo apaixonou-se. Até essa data o único livro publicado de Machado era o poético Crisálidas (1864) e também havia escrito a peça Hoje Avental, Amanhã Luva (1860), ambos sem muita repercussão. Carolina era cinco anos mais velha que ele; deveria ter uns trinta e dois anos na época do noivado. Os irmãos de Carolina, Miguel e Adelaíde (Faustino já havia morrido devido a uma doença que o levou à insanidade) não concordaram que ela se envolvesse com um mulato. Contudo, Machado de Assis e Carolina Augusta se casaram no dia 12 de Novembro de 1869.

Machado de Assis (1839–1908), aos 57 anos. Foto Tirada cerca de 1896.

Diz-se que Machado não era um homem bonito, mas era culto e elegante. Estava apaixonado por sua "Carola", apelido dado pelo marido. Entusiasmava a esposa com cartas românticas e que previam o destino dos dois; durante o noivado, em 2 de março de 1869, Machado havia escrito uma carta íntima que dizia: "...depois, querida, ganharemos o mundo, porque só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambições estéreis". Suas cartas endereçadas a Carolina são todas assinadas como "Machadinho". Outra carta justifica uma certa complexidade no começo de seu relacionamento: "Sofreste tanto que até perdeste a consciência do teu império; estás pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida", o que é um mistério para os recentes estudiosos das correspondências do autor. A carta do primeiro trecho aqui transposto traz uma alusão às flores que a esposa lhe teria mandado e ele, agradecido, teria as beijado duas vezes como se beijasse a própria Carolina.

Noutro parágrafo, diz: "Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar". De fato, Carolina era extremamente culta. Apresentou a Machado os grandes clássicos portugueses e diversos autores da língua inglesa. A sobrinha-bisneta de Carolina, Ruth Leitão de Carvalho Lima, sua única herdeira, revelou numa entrevista de 2008 que, frequentemente, a esposa retificava os textos do marido durante sua ausência. Conta-se que muito provavelmente tenha influenciado no modo de Machado escrever e, consecutivamente, tenha contribuído para a transição de sua narrativa convencional à realista. Não tiveram filhos. Tinham, no entanto, uma cadela tenerife (também conhecidos como bichon frisé) chamada Graziela e que certa vez se perdeu entre as ruas do bairro e, atônitos, foram achá-la dias depois na rua Bento Lisboa, no Catete.

CASAMENTO, HISTÓRIAS E LENDAS

Depois do Catete, foram morar na casa nº 18 da Rua Cosme Velho (a residência mais famosa do casal), onde ficariam até a morte. Do nome da rua surgira o apelido Bruxo do Cosme Velho, dado por conta de um episódio onde Machado queimava suas cartas em um caldeirão, no sobrado da casa, quando a vizinhança certa vez o viu e gritou: "Olha o Bruxo do Cosme Velho!". Essa história acrescida à da cachorra, para alguns biógrafos, não passa de lenda. Machado de Assis e Carolina Augusta teriam vivido uma "vida conjugal perfeita" por 35 anos. Quando os amigos certa vez desconfiaram de uma traição por parte de Machado, seguiram-no e acabaram por descobrir que ele ia todas as tardes avistar a moça do quadro de A Dama do Livro (1882), de Roberto Fontana. Ao saberem que Machado não podia comprá-lo, deram-lhe de presente, o que o deixou particularmente feliz e grato.

No entanto, talvez a "única nuvem negra a toldar a sua paz doméstica" tenha sido um possível caso extraconjugal que tivera durante a circulação de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Em 18 de novembro de 1902, reverte a atividade na Secretaria da Indústria do Ministério da Viação, Indústria e Obras Públicas, como diretor-geral de Contabilidade, por decisão do ministro da Viação, Lauro Severiano Müller. Em 20 de outubro de 1904, Carolina morre aos 70 anos de idade. Foi um baque na vida de Machado, que passou uma temporada em Nova Friburgo. Segundo o biógrafo Daniel Piza, Carolina comentava com amigas que Machado deveria morrer antes para não sofrer caso ela partisse cedo. Seu casamento com Carolina fez com que ela estimulasse seu lado intelectual deficiente pelos poucos estudos a que tinha realizado na juventude e trouxe-lhe a serenidade emocional que ele tanto precisava por ter saúde frágil. As três heroínas de Memorial de Ayres chamam-se Carmo, Rita e Fidélia, o que estudiosos creem representar três aspectos da Carolina, a "mãe", "irmã" e "esposa". Machado também lhe dedicou seu último soneto, "A Carolina", em que Manuel Bandeira afirmaria, anos mais tarde, que é uma das peças mais comoventes da literatura brasileira. De acordo com alguns biógrafos o túmulo de Carolina era visitado todos os domingos por Machado.

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