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sábado, 18 de julho de 2026

MILEENA (VILÃ DE JOGOS ELETRÔNICOS)

Arte conceitual oficial de John Tobias para Ultimate Mortal Kombat 3
  • NASCIMENTO: Poços de Carne de Shang Tsung, Exoterra
  • ARMAS: Sai, Espada Longa (MKG), Manoplas com Garras (MK11) e Lâminas Tarkatanas (MK1)
  • ESTILO(S) DE LUTA: Saijutsu, Ying Yeung (MK:D, MK:U, MK 2011, MKX, MK11, MK1) e Mian Chuan (MK:D, MK:U, MK:A, MK 2011, MKX, MK11, MK1)
  • ESPÉCIE: Experimento Genético Feminino (Fisiologia Tarkatanêa-Edeniana)
  • FAMÍLIA: Kitana ("irmã"), Sindel (Figura materna), Baraka e Reiko (Amantes), Shao Kahn (Figura Paterna)
  • AFILIAÇÃO: Shao Kahn, Shang Tsung, Baraka, Noob Saibot, Goro, Kintaro, Sindel, Sheeva, Motaro, Rain, Tanya, Kano, Dragão Vermelho, Dragão Negro, Mavado, Cyrax e Sektor
  • CRIADOR(ES): Ed Boon e John Tobias
  • PRIMEIRA APARIÇÃO: Mortal Kombat II (1993)
Mileena (/məˈliːnə/ mə-LEE-nə) é uma personagem fictícia da série de jogos Mortal Kombat, introduzida no segundo jogo da série, Mortal Kombat II (1993). Uma assassina brandindo um par de Sai, Mileena é a gêmea má da princesa Kitana, vestindo um traje similar ao dela na cor magenta. O fato de Mileena ser uma bela mulher com uma boca monstruosa acabou por ser explorado pela série transformando-a num símbolo sexual irônico, com trajes cada vez mais reveladores.

PODERES E HABILIDADES

Mileena, meio edeniana, meio tarkatana, provou ser uma combinação mortal de beleza e fera. Ela demonstrou ser capaz de lutar com uma força bruta que rivaliza com a de um shokan, senão a supera, e exibiu uma agilidade e proeza acrobática incríveis. Além disso, possui uma velocidade incrível, tornando-a uma das kombatentes mais letais de toda a série. Mileena empunha um par de sais e é capaz de se teletransportar, rolar e morder o oponente com seus dentes tarkatanos mortais. Por ser um clone de Kitana, ela é quase tão forte quanto ela. Em Mortal Kombat (2011), Mileena não possui o mesmo conhecimento de artes marciais de sua versão anterior, mas o substitui por ataques mais selvagens e ferozes que a tornam exatamente igual ou até mais letal em termos de ferocidade, embora seja mais instável mentalmente.

Por ser um clone de Kitana, Mileena possui força de combate, aptidão e agilidade incríveis, assim como sua irmã. O que a diferencia de Kitana, no entanto, é sua arma de escolha: o sai. Ela demonstra uma proficiência com o sai equivalente à de Kitana com seus leques. Aliado ao sangue Tarkatan que corre em suas veias e à sua constituição física que lhe confere uma agilidade excepcional, isso faz de Mileena uma das personagens mais cruéis e letais de toda a série.

Como mostrado em Mortal Kombat (2011), Mileena fica envolta em uma aura rosa, semelhante a chamas, ao executar suas técnicas características, incluindo o Rolling Thunder, o Soaring Sai e o Kick From Above.

Em Mortal Kombat X, seus poderes foram ainda mais desenvolvidos, concedendo-lhe a habilidade de se teletransportar instantaneamente em direção aos sais que ela jogou no chão através de uma variação chamada Etérea.

Mortal Kombat 11 expande ainda mais suas habilidades, trazendo de volta golpes clássicos com novas nuances e adicionando poderes completamente novos ao seu arsenal. Alguns de seus golpes, normalmente envoltos em sua aura rosa característica nos jogos modernos, agora possuem uma segunda camada de aura azul. Embora a história por trás dessa mudança seja desconhecida, provavelmente se refere à sua natureza híbrida. Ela ganhou novas maneiras de atacar oponentes com seus projéteis de sai, como colocá-los no chão para que irrompam de baixo do inimigo e invocar magicamente adagas de sai do nada, que atingem os oponentes de múltiplos ângulos. Complementando sua personalidade de assassina, Mileena tem a habilidade de se tornar completamente invisível, embora esteja envolta em uma aura mágica que revela sua posição. Essa desvantagem é compensada pelo fato de seu corpo ser completamente invisível mesmo durante os ataques, tornando seus inimigos alheios ao que ela fará em seguida.
  • Sai Ascendente: Mileena arremessa dois sais, carregados com energia roxa, contra seu oponente. Nos jogos mais antigos e em MK 2011, era um golpe carregado e podia ser executado no ar. Em MK 2011, MKX e MK11, este ataque é chamado de Explosão de Sai e ainda pode ser executado no ar, sendo chamado de Explosão Aérea de Sai, respectivamente. Em MKX, ela arremessa apenas um sai. Em MK11, Mileena só pode executar o ataque no ar se a Habilidade de Equipamento Explosão Aérea de Sai estiver equipada. Além disso, em MK11, Mileena não arremessa seus sais contra o oponente, mas sim envia energia azul no formato de seus sais para causar dano. Em MK1, o golpe é chamado de Sai Reto.
  • Chute de Cima: Mileena se teletransporta e atinge rapidamente seu oponente de cima com um chute voador. Em MK 2011, esse ataque é chamado de Queda Teletransportada e em MKX é chamado de Chute Teletransportado, enquanto em MK11 o ataque é chamado de Queda Teletransportada e em MK1 é conhecido como Teletransporte para Baixo. O ataque também pode ser executado no ar, sendo chamado de Chute Teletransportado Aéreo. Em MK11, Mileena só pode executar o ataque no ar se a Habilidade de Equipamento Queda Teletransportada (Aérea) estiver equipada.
  • Rolling Thunder: Mileena se enrola em forma de bola e rola em direção ao oponente, derrubando-o. Em MK 2011, MKX e MK11, este ataque é chamado de Rolamento de Bola e, em MK 2011 e MKX, o ataque lança o oponente ao ar para um combo. Em MK1, este movimento é conhecido como Rolamento.
  • Mordida Saltitante no Pescoço: Mileena salta sobre o peito do oponente e começa a devorar seu rosto ou pescoço. Além disso, se o oponente tiver um Sai cravado no pescoço antes de Mileena executar este golpe, ela o puxará e o esfaqueará repetidamente. Em MKX, pode ser executado em um combo chamado Sabor Rápido, que termina com ela chutando o oponente para longe e também pode ser estendido para que ela morda o inimigo mais vezes.
  • Rajada de Sai Baixa: Mileena abre as pernas e arremessa um de seus sais na canela do oponente. Ao arremessar seu sai dessa forma, Mileena pode desviar de projéteis se o tempo estiver correto. Em MK11, este ataque é significativamente mais lento e Mileena dispara energia azul de seu sai em vez de arremessá-lo no oponente. Este ataque substitui a Rajada de Sai quando equipado. Em MK1, este ataque é chamado de Sai Baixo, e Mileena realiza uma torção espinhal sentada para arremessar ambos os sais no oponente.
  • Desvanecer: Ao lançar um Sai no chão, Mileena desaparecerá e reaparecerá onde o Sai foi lançado, seja no mesmo lugar, para frente ou para trás. Isso também pode ser atrasado, fazendo com que Mileena desapareça por mais tempo.
  • Deslize de Sai: Mileena dá um passo para trás e lança um de seus sais através da linha de luta em direção ao oponente, arremessando-o para o alto para causar dano e lançando-o para o ar antes que ele caia no chão. O ataque pode ser atrasado, aumentando a distância percorrida pelo sai. O sai pode viajar até a metade da arena. Apesar de ser invocado embaixo do oponente, este ataque não é um ataque baixo, mas sim um projétil.
  • Desaparecer: Mileena se envolve em uma aura azul e se torna invisível por um curto período. Apesar de não estar visivelmente presente, uma aura azul revela a localização de Mileena, porém não há indicação de seus ataques, com exceção dos ataques com garras. Usar Desaparecer consome uma barra de Medidor de Defesa. Enquanto estiver invisível, todo o dano causado por Mileena é reduzido em 20%. Quando Mileena sofre dano, com exceção de efeitos de dano contínuo, o efeito termina imediatamente. Além disso, o ataque que interrompe o Desaparecer de Mileena causa 20% a mais de dano a ela. Acertar ou ser atingido por um Golpe Esmagador ou Golpe Fatal, além de acertar qualquer um dos Arremessos de Mileena, encerra este efeito prematuramente.
  • Stabyscotch: Mileena agarra o oponente, girando-o na direção oposta, forçando-o ao chão e colocando a mão em seu rosto. Ela começa a executar um golpe de cinco dedos, rapidamente estocando entre os dedos e rolando para trás após terminar. Este ataque possui propriedades de quebra de armadura, ignorando a armadura concedida por habilidades específicas e Golpes Fatais. Ao quebrar a armadura de um oponente em Movimento de Desarme, o ataque causa dano aumentado, porém esse aumento é extremamente pequeno. Este ataque é capaz de atingir um oponente durante uma Rolagem de Levantamento, similar a um Arremesso padrão.
  • Investida Kahnum: Mileena corre em direção ao oponente e por baixo dele, derrubando-o ao agarrar seus pés. Ela pode correr a distância total da tela. A duração da corrida é determinada pelo tempo de atraso do ataque. Esta habilidade substitui Rolamento de Bola e entra em conflito com Trovão Rolante quando equipada, desativando a opção de selecionar Trovão Rolante.
  • Trovão Rolante: Mileena executa um Rolamento de Bola, porém ela rola no ar antes de rolar em direção às pernas do oponente para jogá-lo para o ar, atingindo-o várias vezes no processo. Mileena pode cancelar a rolagem no ar, o que transforma o ataque em um Rolamento de Bola normal, porém isso reduz o dano total do ataque. Este ataque substitui o Rolamento de Bola e entra em conflito com o Impulso de Kahnum quando equipado, desativando a opção de selecionar o Impulso de Kahnum.
  • Teleporte Ascendente: Mileena se teletransporta para trás do oponente e o lança ao ar com um chute ascendente.
  • Bola (de ar): Mileena se enrola em uma bola e gira no ar, disparando três projéteis de energia em forma de sai.
  • Tarkatanêa Enlouquecida: Mileena remove seu véu e usa sua barra de Golpe Fatal para se fortalecer, ganhando a habilidade de cancelar seus ataques normais e certos ataques especiais em outros ataques normais e especiais por alguns segundos antes de tossir sangue, encerrando o efeito. Este ataque só pode ser executado quando o Golpe Fatal estiver disponível e apenas uma vez por partida.
CARACTERIZAÇÃO

Em nítido contraste com Kitana, Mileena é uma oportunista maligna, sádica, cruel, perversa, temperamental, egoísta e psicologicamente desequilibrada, cujo maior desejo é matar sua "irmã" e reivindicar sua existência para si. Ela luta usando um par de sais e uma boca Tarkatanêa horrenda e afiada como uma navalha, que usa para arrancar pedaços de carne humana e esmagar ossos.

Ela também se mostra extremamente sedutora, utilizando sua "beleza" para manipular homens a seu favor, embora todos os personagens com quem ela tentou isso, particularmente Reiko, a tenham achado repulsiva. O guerreiro Tarkatan Baraka às vezes é retratado como seu interesse amoroso.

HISTÓRIA DE ORIGEM

Mileena é um clone híbrido mutante de Kitana, criada nos poços de carne de Shang Tsung a mando de Shao Kahn, que se tornara cada vez mais paranoico com a possibilidade de Kitana um dia descobrir a verdade e traí-lo. Como uma fusão de sangue Tarkatan e fisiologia Edeniana, Mileena combina e utiliza plenamente os atributos de ambas as raças em combate, ostentando velocidade incrível, força bruta, agilidade acrobática e uma selvageria carnívora assustadora, comparável apenas à de Baraka.

Linha do Tempo do Liu Kang deus do Fogo: A partir da linha temporal da "Nova Era" de Liu Kang em Mortal Kombat 1, Mileena é agora a irmã gêmea mais velha de Kitana e filha de Sindel, infectada com a letal doença "Tarkat". Como primogênita de Sindel, Mileena é a herdeira do trono de Outworld e trabalha com Kitana para garantir que ela seja a melhor imperatriz possível.

DESENVOLVIMENTO

Projeto: Ed Boon, co-criador e produtor de Mortal Kombat, descreveu Mileena e Kitana como a "versão feminina de Scorpion e Sub-Zero", dois personagens ninja do jogo original de 1992. Mileena foi criada para a sequência de 1993, Mortal Kombat II, como um complemento de Kitana com paleta de cores alterada, a fim de preservar a memória. Ela era fisicamente idêntica a Kitana, exceto por sua roupa rosa e grandes dentes afiados, que foram criados para se conectar com o personagem Baraka, também estreante no jogo, simbolizando o mal. Os dentes foram adicionados digitalmente ao rosto de Mileena para um de seus Fatalities (golpes finais que executam os oponentes derrotados), no qual ela consome o oponente derrotado e cospe seus ossos. O designer de personagens John Tobias escolheu o nome "Mileena" porque achou que "tinha um som agradável, que ajudava a esconder sua aparência grotesca ou revelava uma beleza interior oculta", enquanto as histórias dela e de Kitana em Mortal Kombat II nasceram dos "conflitos de rivalidade entre irmãs e rebeldia contra a autoridade". Sua arma característica é um par de sais, juntamente com movimentos recorrentes de teletransporte -chute e ataque com rolamento no chão, pelos quais ela foi considerada uma das principais personagens de Mortal Kombat II. Kitana recebeu originalmente os sais até que eles foram transferidos para Mileena após sua criação, com Kitana recebendo leques de guerra. Mileena foi omitida de Mortal Kombat 3 devido ao que Tobias considerou uma QUANTIDADE EXCESSIVA de personagens ninja usados em MKII, mas ela e os ninjas retornaram para a atualização Ultimate Mortal Kombat 3, na qual ela era uma personagem secreta desbloqueável.

Para os títulos tridimensionais da série, começando com Mortal Kombat: Deadly Alliance, Mileena e os personagens anteriormente com paletas de cores alteradas receberam redesenhos distintos por Steve Beran, o designer de personagens principal e diretor de arte da série. Beran explicou que seu objetivo ao refazer os personagens antigos era dar-lhes uma aparência renovada em relação às suas encarnações anteriores, mantendo elementos que ainda os tornavam reconhecíveis para os jogadores. Seu traje alternativo no reboot da série em 2011 era composto de bandagens enroladas em seu corpo nu. Para Mortal Kombat X, a aparência facial de Mileena foi redesenhada com uma boca semelhante à humana e suas deformidades foram realocadas para as bochechas. Essa mudança foi revertida para o design original de sua boca em sua próxima aparição em Mortal Kombat 11.

Mileena e as outras personagens femininas jogáveis em MK11 foram intencionalmente projetadas por Beran e pelo designer de personagens principal, Brendan George, para minimizar sua sexualidade. Beran comentou: "Acho que é exatamente disso que se trata o jogo: você vai lutar pela sua vida e não vai usar roupas tão reveladoras." George projetou as personagens em geral para enfatizar paletas de cores mais claras que se destacassem contra os fundos escuros do jogo, ao mesmo tempo que realçassem seus pontos fortes individuais. O design de Mileena em MK11 foi finalizado pelos artistas Manuel Robles e Julian Wolf. No segundo reboot, Mortal Kombat 1, Mileena recebeu uma quantidade maior de dentes, inspirada em sua arte conceitual de Mortal Kombat X.

Representações com atores reais e dublagem: Mileena foi interpretada pela artista marcial Katalin Zamiar em Mortal Kombat II (1993), mas ela e vários outros atores dos jogos digitais de Mortal Kombat posteriormente entraram com um processo sem sucesso contra a Midway por royalties não pagos das versões domésticas do jogo e pelo uso não autorizado de suas imagens. Zamiar foi substituída por Becky Gable em Ultimate Mortal Kombat 3 (1995). Sua atriz de captura de movimento para os jogos tridimensionais Mortal Kombat: Deception (2004) e Mortal Kombat: Armageddon (2006) foi o artista gráfico da Midway, Carlos Pesina, mas ela foi interpretada por uma atriz no reboot do jogo Mortal Kombat (2011).

Os gritos de batalha da personagem foram dublados por Peg Burr nos jogos digitais de Mortal Kombat. Para os lançamentos tridimensionais da série, Mileena foi dublada por Rosalind Dugas (Mortal Kombat Gold) e Johanna Añonuevo (Mortal Kombat: Deception e Mortal Kombat: Armageddon). Lita Lopez dublou Mileena no jogo derivado de luta de 2005, Mortal Kombat: Shaolin Monks. Para os lançamentos de MK da NetherRealm Studios, Karen Strassman dublou Mileena no reboot de 2011 e em Mortal Kombat X, e Kari Wahlgren dubla Mileena desde Mortal Kombat 11.

RECEPÇÃO

Uma cosplayer da Mileena, de Mortal Kombat, em Rimini, Itália. Foto da Martino Photos tirada em 17 de julho de 2021, às 19:25.

A estreia de Mileena como personagem jogável em Mortal Kombat II, combinada com sua personalidade maligna e roupas reveladoras, foi recebida com críticas favoráveis e a tornou uma das personagens mais reconhecidas da franquia. Ela também é conhecida por seu apelo sexual, apesar de seu rosto desfigurado. Briana Lawrence, do The Mary Sue, considerou Mileena sua personagem favorita da série devido à sua "ferocidade" e apelo sexual. "Eu esperava que todo o seu arco fosse algum tipo de narrativa do tipo 'Eu odeio quem eu sou, eu gostaria de ter uma aparência normal como a minha irmã', mas não, ela se ama sem pedir desculpas." No entanto, Alexander Sliwinski, do Joystiq, escreveu que, em vez de "focar em seu estilo de luta ou atributos", ele perguntou: "como ela pronuncia a letra P sem encostar os lábios?"

Embora a sexualização de Mileena tenha sido considerada um aspecto positivo de sua estreia em MKII, alguns críticos a consideraram impraticável ou inadequada em suas aparições posteriores na série. Gavin Jasper, do Den of Geek, opinou em janeiro de 2015 que os jogos Mortal Kombat receberam críticas legítimas por suas personagens femininas "hipersexualizadas", "mas eu sempre achei engraçado eles focarem o olhar masculino na mulher com rosto de monstro". Três meses depois, em sua análise de Mortal Kombat X, ele escreveu que ficou "chocado" com o progressismo percebido do jogo, "a ponto de Mileena realmente usar calças!" Mileena e Kitana foram tema de um artigo da pesquisadora Jane Felstead, que comentou que, embora as personagens femininas tivessem a intenção de agradar jogadores de ambos os sexos, possuindo capacidades físicas iguais, elas foram criadas para satisfazer o olhar masculino. Ela elogiou a aparência física da atriz de MKII, Katalin Zamiar, dizendo que "em nenhum aspecto ela era irrealista", mas com o advento da animação tridimensional, personagens femininas como Mileena foram "idealizadas de forma impossível". Felstead, no entanto, sugeriu que Mileena e Kitana "executam suas tarefas macabras com tanta sutileza quanto seus colegas masculinos", enquanto a ação no jogo é "tradicionalmente vista como comportamento codificado como masculino, e ainda assim, neste caso, infiltrada por uma série de mulheres fortes e capazes".

Seu canibalismo é exibido regularmente em seus golpes finais Fatality e, consequentemente, tem sido um tópico de discussão. A X360 o incluiu em sua seleção de "crimes notórios de videogames". O golpe final "Devoradora de Homens" de MKII foi comparado por autores à tradição folclórica da vagina dentata. A socióloga Dina Khapaeva escreveu que os jogadores "são realmente encorajados a agir como canibais" por meio de ações como executar os golpes finais de Mileena. Kate Robertson, da Universidade de Sydney, comparou personagens femininas canibais da mídia popular, como Mileena, às Sereias da mitologia grega, afirmando que "a conexão entre mulheres e canibalismo reflete o tropo comum do perigo inerente ao corpo feminino" em relação à "atração, medo e repulsa provocados por tal demonstração de poder feminino".

Mileena foi analisada como uma personagem afetada por estereótipos raciais nos jogos Mortal Kombat. Ela estava entre as personagens da série apontadas pelo ativista Guy Aoki como supostamente perpetuando estereótipos existentes de asiáticos como especialistas em artes marciais. O autor Christopher B. Patterson a citou como um exemplo de personagens femininas asiáticas em jogos ocidentais sendo "sinônimo de beleza". Em seu livro Interacting With Video (1996), que condenava a violência dos videogames por supostamente afetar o comportamento social e causar violência na vida real, Patricia Marks Greenfield e Rodney R. Cocking usaram as "duas irmãs gêmeas asiáticas, Mileena e Kitana" como um exemplo de um tropo de "Dama Dragão altamente erotizado". Os autores acreditavam que o aumento da diversidade nos jogos devido à inclusão de "personagens de cor" como as duas e Jax não representava necessariamente um aumento nas políticas de identidade progressistas, mas sim "o potencial racista e sexista de lutas individuais". No entanto, o autor David Church incluiu Mileena em seu elogio aos personagens jogáveis de nível superior "femininos ou não brancos" de Mortal Kombat, observando "a pura diversidade de personagens jogáveis minando o potencial para estereótipos raciais e de gênero".

Mileena chamou a atenção dos jornalistas por seu final em Mortal Kombat 11, que a mostrava em um relacionamento com Tanya, o qual teve continuidade em Mortal Kombat 1. Lauren Beeler-Baistad, do Game Rant, elogiou o jogo por "ter sucesso na representação LGBT porque não há nenhum estigma em torno de Mileena e Tanya serem ambas mulheres". Por outro lado, Ariel Litwak, do The Michigan Daily, considerou que Mileena se encaixava no estereótipo de "bissexual tarada", em que a atração de personagens femininas por outras mulheres é vista como um ato de fanservice e não como bissexualidade verdadeira. Renaldo Matadeen, do Comic Book Resources, elogiou o relacionamento delas, mas criticou os "fracassos anteriores" dos jogos em relação à inclusão, como a "narrativa queer mal conduzida" de Kung Jin, um personagem LGBT introduzido em Mortal Kombat X que não fez nenhuma outra aparição jogável na série. Lindsay Cooper, da Universidade Capilano, descreveu relacionamentos lésbicos em jogos, como Mileena e Tanya, como implicitamente retratados em contraste com a estereotipagem explícita da homossexualidade masculina, citando o personagem Ash de Streets of Rage 3 como exemplo. O professor de história Leonardo Dallacqua de Carvalho observou que o enredo reiniciado de MK1 incluía "questões de identidade", como o relacionamento de Mileena e a subtrama "empática" dela e de Baraka vivendo com a doença Tarkat, que ele comparou à lepra.

EM OUTROS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Mileena faz uma breve aparição em Mortal Kombat Annihilation, interpretada pela artista marcial Dana Hee e identificada apenas pelo nome nos créditos finais. A atriz australiana Sisi Stringer interpretou Mileena no filme reboot de 2021, Mortal Kombat. Stringer, que passou por quatro meses de treinamento em artes marciais em preparação para o papel, não buscou ativamente o papel, mas se sentiu atraída pela personagem após uma prova de figurino e um teste de tela. Megan Brown interpretou Mileena em um episódio da série de televisão de 1998, Mortal Kombat: Conquest, na qual a personagem não está diretamente relacionada a Kitana. Na websérie Mortal Kombat Legacy, Mileena mata o pai de Kitana, o Imperador Jerrod, a mando de Shao Kahn, e derrota Johnny Cage durante o torneio Mortal Kombat antes de ser morta por Kitana. Ela foi interpretada pela artista marcial Jolene Tran na primeira temporada de 2011, e por Michelle Lee na segunda temporada de 2013.

Mileena faz breves aparições na novelização de Mortal Kombat Annihilation e em uma história em quadrinhos prelúdio de Mortal Kombat II escrita e ilustrada pelo co-criador de Mortal Kombat, John Tobias. Ela e os outros personagens de MKII apareceram na minissérie da Malibu Comics Goro: Prince of Pain (1994) e Battlewave (1995), enquanto ela foi destaque na edição única Kitana and Mileena: Sister Act (1995). Sua rivalidade com Kotal Kahn é expandida na minissérie prelúdio da DC Comics Mortal Kombat X: Blood Ties (2015). De acordo com o roteirista da série, Shawn Kittelsen, "Kotal não derrubou Mileena em uma demonstração de poder machista; ele a derrubou por genuína preocupação com a segurança e o bem-estar de Outworld e seus cidadãos".

Mileena foi licenciada para figuras de ação, fantasias de Halloween, estatuetas colecionáveis da Syco Collectibles e da Pop Culture Shock Collectibles, e uma figura da Funko. O álbum de compilação Mortal Kombat: Songs Inspired by the Warriors (2011) incluiu uma faixa do músico eletrônico Tokimonsta intitulada "Mileena's Theme". Em novembro de 2020, a rapper Megan Thee Stallion se vestiu de Mileena para promover a adição da personagem ao Mortal Kombat 11. Mileena fez diversas aparições em mídias alternativas que homenageavam e parodiavam os jogos Mortal Kombat.

FONTES: Robertson, Kate (2015-06-01). "Ladies who lunch: Man-eating femmes fatales in contemporary visual culture". Australasian Journal of Popular Culture. 4 (2): 161–175. doi:10.1386/ajpc.4.2-3.161_1.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

PIPOCA (PRATO À BASE DE MILHO ESTOURADO)


Pipoca em Pennington, Condado de Mercer, Nova Jersey, EUA. Foto tirada em 2 de novembro de 2024, 18:16:54
  • OUTROS NOMES: pororoca (Pará, Brasil)
  • REINO: Plantae
  • CLADO: Embriófitas
  • CLADO: Traqueófitas
  • CLADO: Espermatófitas
  • CLADO: Angiospermas
  • CLADO: Monocotiledôneas
  • CLADO: Comelinídeas
  • ORDEM: Poales
  • FAMÍLIA: Poaceae
  • SUBFAMÍLIA: Panicoideae
  • GÊNERO: Zea
  • ESPÉCIE: Z. mays
  • SUBESPÉCIE: Z. m. everta
  • NOME TRINOMIAL: Zea mays everta
Pipoca ou popoca (em inglês: popped corn, popcorns, ou pop-corn) é um prato feito a partir de uma variedade especial de milho, o milho-pipoca (Zea mays everta), que estoura quando aquecido. Ao se aquecer os grãos desse milho de maneira rápida, a sua humidade interna é convertida em vapor. Num determinado ponto, a pressão estoura a casca externa, transformando a parte interna numa massa pouco consistente de amidos e fibras.

A casca resistente de um grão de pipoca contém o endosperma duro e rico em amido da semente, com 14–20% de umidade, que se transforma em vapor quando o grão é aquecido. A pressão do vapor continua a aumentar até que a casca se rompa, permitindo que o grão se expanda com força, de 20 a 50 vezes o seu tamanho original, e depois esfrie.

CONSUMO

A pipoca é um petisco popular em eventos esportivos e em cinemas, onde é servida desde a década de 1930. Os cinemas têm sido criticados devido à sua alta margem de lucro sobre a pipoca; Stuart Hanson, um historiador de cinema da Universidade De Montfort em Leicester, disse certa vez: "Uma das grandes piadas da indústria é que a pipoca só perde para a cocaína ou a heroína em termos de lucro."

As tradições divergem quanto ao consumo da pipoca: se como um petisco substancioso com sal (predominante nos Estados Unidos) ou como um petisco doce com açúcar caramelizado (predominante na Alemanha).

Os costumes relacionados aos sabores salgados, doces e salgados da pipoca variam de acordo com a região e o grupo demográfico, mas nos EUA, as preferências são diversas e estão em constante evolução:

O cheiro de pipoca tem uma qualidade excepcionalmente atraente para os seres humanos. Isso se deve, em grande parte, aos altos níveis das substâncias químicas 6-acetil-2,3,4,5-tetraidropiridina e 2-acetil-1-pirrolina, compostos aromáticos muito potentes que também são utilizados pelas indústrias alimentícia e de outros setores, seja para fabricar produtos com cheiro de pipoca, pão ou outros alimentos que contenham esses compostos na natureza, seja para outros fins.

A pipoca como cereal matinal era consumida pelos americanos no século XIX e geralmente consistia em pipoca com leite e um adoçante.

As bolas de pipoca (grãos de pipoca estourados unidos por uma "cola" açucarada) eram extremamente populares na virada do século XX, mas sua popularidade diminuiu desde então. As bolas de pipoca ainda são servidas em alguns lugares como uma guloseima tradicional de Halloween.

Cracker Jack é um doce popular, produzido comercialmente, que consiste em amendoim misturado com pipoca caramelizada. A pipoca doce é uma variação da pipoca normal, cozida com açúcar branco e sal, tradicionalmente em uma grande panela de cobre. Antes reservada para lojas especializadas e feiras agropecuárias, a pipoca doce tornou-se popular recentemente, especialmente no mercado de pipoca de micro-ondas. A pipoqueira é um eletrodoméstico relativamente novo e sua popularidade está aumentando porque oferece a oportunidade de adicionar sabores de escolha do consumidor e de optar por pipocas mais saudáveis.

O sorgo estourado é um petisco popular na Índia. Ele é semelhante à pipoca, mas os grãos são menores. Receitas para estourar sorgo no micro-ondas, em uma panela, etc., são facilmente encontradas online.

Valor nutricional: 
  • Energia: 1.598 kJ (382 kcal)
  • Carboidratos: 78 g
  • Fibra alimentar: 15 g
  • Gorduras: 4 g
  • Proteínas: 12 g
  • Água: 4 g
A pipoca estourada no ar (sem sal ou outros aditivos) é composta por 4% de água, 78% de carboidratos (incluindo 15% de fibras alimentares), 12% de proteínas e 4% de gorduras (tabela). Em uma porção de referência de 100 gramas, a pipoca fornece 382 calorias e é uma rica fonte (20% ou mais do Valor Diário, VD) de riboflavina (25% do VD) e diversos minerais , principalmente manganês, fósforo e zinco (36–45% do VD). Vitaminas do complexo B e outros minerais estão presentes em quantidades apreciáveis (tabela).

Gordura saturada: Os cinemas costumam usar óleo de coco para estourar a pipoca e depois cobri-la com manteiga ou margarina. A pipoca de cinema contém grandes quantidades de gorduras saturadas e sódio devido ao seu método de preparação.

Fitoquímicos: Os grãos de sorgo podem ser estourados para formar pipoca. Todos os sorgos contêm ácidos fenólicos e a maioria contém flavonoides. Os grãos de sorgo são uma das maiores fontes alimentares do flavonoide proantocianidina.

Riscos para a saúde: A pipoca está incluída na lista de alimentos que a Academia Americana de Pediatria recomenda não servir a crianças menores de quatro anos, devido ao risco de engasgamento.

A pipoca de micro-ondas representa um caso especial, uma vez que é concebida para ser cozinhada juntamente com os seus vários agentes aromatizantes. Um destes aromatizantes artificiais de manteiga, outrora comuns, o diacetil, foi implicado na causa de doenças respiratórias em trabalhadores de fábricas de pipocas de micro-ondas, também conhecidas como "pulmão de pipoca". Os principais fabricantes nos Estados Unidos deixaram de utilizar este produto químico, incluindo a Orville Redenbacher's, Act II, Pop Secret e Jolly Time.

OUTROS USOS

Pipoca, enfiada em um barbante, é usada como decoração de parede ou árvore de Natal em algumas partes da América do Norte, bem como na península Balcânica.

Algumas empresas de transporte marítimo experimentaram o uso de pipoca como substituto biodegradável para o material de embalagem de poliestireno expandido. No entanto, a pipoca apresenta inúmeras propriedades indesejáveis como material de embalagem, incluindo atração de pragas , inflamabilidade e um custo e densidade maiores do que o poliestireno expandido. Uma forma mais processada de espuma de milho expandido foi desenvolvida para superar algumas dessas limitações, formando flocos de espuma à base de amido.

TERMINOLOGIA

Na indústria de pipoca, um grão de milho estourado é conhecido como "floco". Dois formatos de flocos são comercialmente importantes. Os flocos "borboleta" (ou "floco de neve") têm formato irregular e várias "asas" salientes. Os flocos "cogumelo" têm formato predominantemente esférico, com poucas asas. Os flocos borboleta são considerados mais agradáveis ao paladar, com maior maciez e cascas menos perceptíveis. Os flocos cogumelo são menos frágeis que os flocos borboleta e, portanto, são frequentemente usados em pipoca embalada ou confeitaria, como pipoca caramelizada. Os grãos de uma única espiga de pipoca podem formar flocos borboleta e cogumelos; existem híbridos que produzem 100% de flocos borboleta ou 100% de flocos cogumelo, este último desenvolvido apenas recentemente, em 1998.

MECANISMO DE ESTALO

Cada grão de pipoca contém umidade e óleo. Ao contrário da maioria dos outros grãos, a casca externa do grão de pipoca é forte e impermeável à umidade, e o amido em seu interior consiste quase inteiramente de um tipo duro.

À medida que o óleo e a água no grão são aquecidos, transformam-se em vapor. Nessas condições, o amido dentro do grão gelatiniza e amolece. A pressão do vapor aumenta até atingir o ponto de ruptura da casca: uma pressão de aproximadamente 930 kPa (135 psi) e uma temperatura de 180 °C (356 °F). A casca rompe-se, causando uma queda repentina na pressão dentro do grão e uma correspondente expansão rápida do vapor, que expande o amido e as proteínas do endosperma em uma espuma aerada. À medida que a espuma esfria rapidamente, os polímeros de amido e proteína solidificam-se no conhecido puff crocante.

Variedades especiais são cultivadas para melhorar o rendimento da pipoca. Embora os grãos de alguns outros tipos estourem, a variedade cultivada para pipoca é Zea mays everta, que é uma variedade de milho duro.

MÉTODOS DE COZIMENTO

A pipoca pode ser preparada com manteiga ou óleo. Embora pequenas quantidades possam ser estouradas em uma chaleira ou panela no fogão em uma cozinha doméstica, a venda comercial emprega máquinas de pipoca especialmente projetadas, que foram inventadas em Chicago, Illinois, por Charles Cretors em 1885. Cretors apresentou sua invenção na Exposição Colombiana em 1893. Nessa feira, F. W.  Rueckheim apresentou uma "Pipoca Caramelizada" com sabor de melaço, a primeira pipoca caramelizada; seu irmão, Louis Ruekheim, alterou ligeiramente a receita e a lançou como Cracker Jack em 1896.

A invenção de Cretors foi a primeira máquina a vapor patenteada para estourar pipoca em óleo. Anteriormente, os vendedores estouravam a pipoca segurando uma cesta de arame sobre uma chama aberta. Na melhor das hipóteses, o resultado era uma pipoca quente, seca e cozida de forma irregular. A máquina de Cretors estourava a pipoca em uma mistura de um terço de manteiga clarificada , dois terços de banha e sal. Essa mistura suporta a temperatura de 232 °C (450 °F) necessária para estourar a pipoca e produz pouca fumaça. O fogo sob uma caldeira criava vapor que acionava um pequeno motor, que por sua vez acionava engrenagens, um eixo e o agitador que mexia a pipoca, além de alimentar um pequeno boneco, "O Homem Torrado", uma atração para chamar a atenção e atrair clientes. Um fio conectado à parte superior da panela permitia que o operador desengatasse o mecanismo de acionamento, levantasse a tampa e despejasse a pipoca estourada no recipiente de armazenamento abaixo. Os gases de escape do motor a vapor eram canalizados para uma bandeja abaixo do recipiente de armazenamento de pipoca, mantendo a pipoca recém-estourada aquecida. O excesso de vapor também era usado para operar um pequeno apito estridente para chamar a atenção.

Um método diferente de fazer pipoca envolve o "martelo de pipoca", um grande recipiente de ferro fundido que é selado com uma tampa pesada e girado lentamente sobre o fogo, como em um espeto giratório.

Expansão e rendimento: Os resultados do estouro são sensíveis à velocidade com que os grãos são aquecidos. Se aquecidos muito rapidamente, o vapor nas camadas externas do grão pode atingir altas pressões e romper a casca antes que o amido no centro do grão possa gelatinizar completamente, levando a grãos parcialmente estourados com centros duros. O aquecimento muito lento leva a grãos totalmente intactos: a ponta do grão, onde se prende à espiga, não é totalmente impermeável à umidade e, quando aquecida lentamente, o vapor pode escapar da ponta com rapidez suficiente para impedir que a pressão aumente o suficiente para romper a casca e causar o estouro.

Produtores e vendedores de pipoca consideram dois fatores principais na avaliação da qualidade da pipoca: a porcentagem de grãos que estouram e o quanto cada grão estourado se expande. A expansão é um fator importante tanto para o consumidor quanto para o vendedor. Para o consumidor, grãos maiores de pipoca tendem a ser mais macios e são associados a uma qualidade superior. Para o produtor, distribuidor e vendedor, a expansão está intimamente ligada ao lucro: vendedores como cinemas compram pipoca por peso e vendem por volume. Por esses motivos, pipoca com maior expansão gera um lucro maior por unidade de peso.

A pipoca estoura quando recém-colhida, mas não bem; seu alto teor de umidade resulta em má expansão e grãos de pipoca borrachudos. Grãos com alto teor de umidade também são suscetíveis ao mofo quando armazenados. Por esses motivos, os produtores e distribuidores de pipoca secam os grãos até que atinjam o nível de umidade ideal para a máxima expansão. Esse nível varia de acordo com a variedade e as condições, mas geralmente fica entre 14% e 15% de umidade em peso. Se os grãos forem secos em excesso, a taxa de expansão será prejudicada e a porcentagem de grãos que estouram diminuirá. A pipoca velha tende a ressecar, reduzindo a produção.

Quando a pipoca termina de estourar, às vezes restam grãos não estourados. Conhecidos na indústria de pipoca como "solteironas", esses grãos não estouram porque não têm umidade suficiente para criar vapor suficiente para uma explosão. A reidratação antes de estourar geralmente resulta na eliminação dos grãos não estourados.

As variedades de pipoca são amplamente categorizadas pelo formato dos grãos, pela cor dos grãos ou pelo formato da pipoca estourada. Embora os grãos possam apresentar diversas cores, a pipoca estourada é sempre amarela ou branca, pois apenas a casca (ou pericarpo) é colorida. A pipoca do tipo "arroz" tem um grão longo e pontiagudo nas duas extremidades; os grãos do tipo "pérola" são arredondados na parte superior. A produção comercial de pipoca migrou principalmente para os tipos pérola. Historicamente, a pipoca pérola era geralmente amarela e a pipoca arroz, geralmente branca. Hoje, ambos os formatos estão disponíveis em ambas as cores, bem como em outras, incluindo preto, vermelho, malva, roxo e variegado. A pipoca malva e roxa geralmente tem grãos menores e com sabor de noz. A produção comercial é dominada pelas variedades branca e amarela.

HISTÓRIA

O milho foi domesticado há cerca de 9.000 anos, no que é hoje o Vale do Rio Balsas, no México Central. Arqueólogos descobriram que as pessoas conhecem a pipoca há milênios. Evidências fósseis do Peru sugerem que o milho estava presente lá já em 4.700 a.C. e que a pipoca era consumida lá há mais de 1.000 anos. Entre 2007 e 2011, evidências de pipoca datadas de 4.700 a.C. foram descobertas na forma de espigas macrofósseis nos sítios arqueológicos de Paredones e Huaca Prieta, na costa norte do Peru. O cultivo do milho estava presente nas práticas agrícolas da bacia amazônica, como evidenciado pelo cultivo de milho na bacia amazônica há 6.000 anos.

Em 1948 e 1950, evidências de pipoca datando de 3600 a.C., na forma de espigas de milho, foram descobertas pelo estudante de pós-graduação em antropologia de Harvard, Herbert W. Dick e pelo estudante de pós-graduação em botânica de Harvard, Claude Earle Smith, Junior (1922–1987), em um complexo de abrigos rochosos, apelidado de "Caverna dos Morcegos", no Condado de Catron, centro-oeste do Novo México, e atribuídas aos povos ancestrais Pueblo, que mantinham redes comerciais com povos do México tropical.

Durante o século XIX, o estouro dos grãos era feito manualmente, em fogões sobre a chama. Os grãos eram vendidos na Costa Leste dos Estados Unidos com nomes como Pearls ou Nonpareil. O termo pipoca estourada apareceu pela primeira vez no Dicionário de Americanismos de John Russell Bartlett, de 1848. A pipoca é um ingrediente do Cracker Jack e, nos primeiros anos do produto, era estourada manualmente.

Carrinho "No. 2" Aprimorado, da C. Cretors & Co. "Uma máquina durável, prática e atraente, que certamente proporcionará satisfação e se mostrará um investimento lucrativo, seja como uma atividade complementar ao seu negócio atual ou como um empreendimento independente. Esta máquina é maior e possui construção mais robusta do que o nosso Carrinho No. 2 apresentado na página 24." A imagem provém da página 23 do catálogo da Cretor's de 1917. Embora esta seja uma digitalização diferente, o mesmo desenho pode ser visto em — uma digitalização do catálogo da Cretor's de 1917. Como foi publicada nos EUA antes de 1923, encontra-se em domínio público.

A acessibilidade da pipoca aumentou rapidamente na década de 1890 com a invenção da pipoqueira por Charles Cretors. Cretors, dono de uma loja de doces em Chicago, havia criado diversas máquinas a vapor para torrar nozes e aplicou a tecnologia aos grãos de milho.

Na virada do século, os Cretors criaram e implantaram carroças de rua equipadas com máquinas de pipoca movidas a vapor.

Durante a Grande Depressão, a pipoca era bastante barata, custando de 5 a 10 centavos o saco, e tornou-se popular. Assim, enquanto outros negócios faliram, o negócio da pipoca prosperou e tornou-se uma fonte de renda para muitos agricultores e empreendedores em dificuldades, incluindo a família Redenbacher, que deu nome à marca de pipoca Orville Redenbacher's. Durante a Segunda Guerra Mundial, o racionamento de açúcar diminuiu a produção de doces, e os americanos compensaram comendo três vezes mais pipoca do que antes. O lanche era popular nos cinemas, para o desgosto inicial de muitos proprietários de cinemas, que achavam que isso distraía dos filmes. Suas opiniões eventualmente mudaram, no entanto, e em 1938 um proprietário de cinema do Meio-Oeste chamado Glen W. Dickinson Sr. instalou máquinas de pipoca nos saguões de seus cinemas Dickinson. A pipoca era mais lucrativa do que os ingressos de cinema e, por sugestão de seu consultor de produção, R. Ray Aden, Dickinson comprou fazendas de milho para pipoca e conseguiu manter os preços dos ingressos baixos. O empreendimento foi um sucesso e a pipoca logo se espalhou. O surgimento da televisão na década de 1940 trouxe um menor consumo de pipoca, pois a frequência ao cinema diminuiu. O Popcorn Institute, uma associação comercial de processadores de pipoca, promoveu o consumo de pipoca em casa, trazendo-o de volta aos níveis anteriores.

Em 1970, foi lançada a marca de pipoca homônima de Orville Redenbacher. Em 1981, a General Mills recebeu a primeira patente para um saco de pipoca para forno de micro-ondas; o consumo de pipoca aumentou.

Pelo menos seis localidades (todas no Centro-Oeste dos Estados Unidos) reivindicam ser a "Capital Mundial da Pipoca": Ridgway, Illinois; Valparaíso, Indiana; Van Buren, Indiana; Schaller, Iowa; Marion, Ohio; e North Loup, Nebraska. De acordo com o USDA, o milho específico para pipoca é cultivado principalmente em Nebraska e Indiana, e cada vez mais no Texas. Como resultado de um projeto escolar do ensino fundamental, a pipoca tornou-se o lanche oficial do estado de Illinois.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

BAMERINDUS (EXTINTA INSTITUIÇÃO BANCÁRIA BRASILEIRA)

A logomarca do Bamerindus.
  • RAZÃO SOCIAL: Banco Bamerindus do Brasil S/A
  • SIGNIFICADO DA SIGLA: Banco Mercantil e Industrial do Paraná
  • TIPOS ANTERIORES: Empresa de capital aberto
  • ATIVIDADE: Serviços financeiros
  • FUNDAÇÃO: 1929; Tomazina
  • FUNDADOR(ES): Avelino Antônio Vieira
  • ENCERRAMENTO: 1997
  • DESTINO: Liquidado; ativos de clientes vendidos ao HSBC e a parte ruim foram vendidos ao BTG Pactual
  • SEDE: Curitiba, Capital do Paraná
  • PROPRIETÁRIO(S): Família Andrade Vieira (1929-1997) e HSBC (até 1997)
  • PRESIDENTE: José Eduardo de Andrade Vieira
  • PRODUTOS: Banco e Banco de varejo
  • SUCESSORA(S): HSBC Bamerindus (1997-2016)
Bamerindus foi um banco brasileiro com sede na cidade de Curitiba. O grupo empresarial era de propriedade da família Andrade Vieira (fundado por Avelino Antônio Vieira) que, em 1994, passou a ter dificuldades e acabou entrando no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER). O programa de recuperação não obteve resultados e em 1997 houve a intervenção da instituição pelo Banco Central e parte do banco foi incorporada pelo HSBC, e a outra parte, pelo Banco Central. Seu último presidente foi José Eduardo de Andrade Vieira.

HISTÓRIA

Avelino Antônio Vieira, nascido em Tomazina, interior do Paraná e ex-vendedor e ex-escriturário de seção bancaria (representação de bancos em pequenas cidades), após concluir o curso de contabilidade na capital paranaense, retorna para sua cidade e abre sua seção bancária.

Em 1929, em plena crise mundial, Avelino resolveu fundar, em Tomazina, uma empresa bancária, e para isto associa-se a alguns amigos e cria a Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná (BPA). Em 1944 o BPA foi incorporado ao Banco Comercial do Paraná, do qual Avelino tornou-se diretor comercial. Em 1951 Avelino Vieira assumiu o controle do Banco Meridional da Produção (com apenas quatro agências) e mudou sua razão social para Banco Mercantil e Industrial do Paraná SA. Em abril de 1971 esta denominação foi alterada e assim o Banco Mercantil e Industrial do Paraná SA transformou-se no Banco Bamerindus do Brasil SA, uma das maiores instituições bancárias da América do Sul durante as décadas de 1970 e 1980, entrando em crise e colapso nos anos 1990.

O Bamerindus chegou a ser o segundo maior banco maior privado em número de agências do Brasil. Desde 1995, o Bamerindus enfrentava um crise, com seguidos empréstimos de outros bancos e ao próprio Banco Central. No dia 26 de março de 1997, o Bamerindus sofreu uma intervenção do Banco Central. Os ativos considerados saudáveis do banco, como o controle das agências, a marca e administração das contas correntes foram repassados ao HSBC e, na semana seguinte, a instituição passou a operar como HSBC Bamerindus. Os ativos considerados ruins ficaram com a massa falida do Bamerindus, fazendo com que os antigos acionistas do Bamerindus passarem a ser sócios que uma instituição quebrada sob intervenção do Banco Central.

A sede do HSBC Brasil. Este edifício fica na Avenida Luís Xavier. Foto tirada em 3 de janeiro de 2006; Curitiba, Paraná, Brasil.

Em março de 1998 foi decretada a liquidação extrajudicial do antigo Bamerindus. A liquidação só foi cessada em 2014, em um ato assinado por Alexandre Tombini, presidente do Banco Central à época. Isso aconteceu porque o BTG Pactual aceitou pagar R$ 418 milhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ficando com os direitos creditórios e ativos detidos pela instituição. O BTG Pactual passou a deter de controle de 98% do capital social do antigo Bamerindus.

A antiga massa falida Bamerindus teve o nome alterado para Banco Sistema, tendo sido transferido para ela a área de crédito. Curiosamente, no primeiro semestre de 2015, o Banco Sistema obteve um lucro de R$ 488 milhões, enquanto que o HSBC Brasil teve um lucro de R$ 31,8 milhões. Nessa época, o HSBC já havia decidido vender sua unidade brasileira para o Bradesco.

JINGLE

O banco foi imortalizado pela propaganda de sua caderneta de poupança com o ator Toni Lopes no início da década de 1990, exibida principalmente na Rede Globo durante o programa Domingão do Faustão. O jingle era: 
O tempo passa, o tempo voa; e a 'Poupança Bamerindus' continua numa boa... é a 'Poupança Bamerindus'!
A criação do jingle é atribuída a Milce Junqueira, Fernando Rodrigues e Fernando Leite, Colucci.

FONTES: Biografia do Homenageado Site da Cohab - Londrina – acessado em 14 de junho de 2010.

Acordo encerra batalha de minoritários do Bamerindus Site Gazeto do Povo - edição de 9 de março de 2011

A Solução Site do Sinprorp/SP – acessado em 13 de junho de 2010

Justificativa Site da Câmara Municipal de Curitiba – acessado em 11 de junho de 2010

«Banco Bamerindus sofre intervenção e é vendido ao HSBC». www.otempo.com.br. Consultado em 24 de abril de 2025

 (19 de dezembro de 2014). «Após 16 anos, chega ao fim liquidação do Bamerindus». Acervo. Consultado em 24 de abril de 2025

«UOL - Brasil Online - Ação do Bamerindus "vira pó" na bolsa - 30/03/97 23h39». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 24 de abril de 2025

«Antiga massa falida do Bamerindus lucra mais do que "banco bom"». www.gazetadopovo.com.br. Consultado em 24 de abril de 2025

«Assista a 25 propagandas que entraram para a história». G1. Consultado em 25 de março de 2023

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GUERRA GEORGIANO-ARMÊNIA (GUERRA FRONTEIRIÇA EUROPEIA TRAVADA EM 1918)

Um mapa da Guerra Armênio-Georgiana.
  • DATA: 7 a 31 de dezembro de 1918 (3 semanas e 3 dias)
  • LOCAL: Distritos de Borchaly (Lori) e Akhalkalaki
  • RESULTADO: Inconclusivo
  • ALTERAÇÕES: territoriais Estabelecimento da zona neutra de Lori; Armênia anexa uma área insignificante em Borchaly
  • BELIGERANTES: Primeira República da Armênia CONTRA República Democrática da Geórgia
A Guerra Armeno-Georgiana, ou guerra georgiano-armênia, foi uma breve disputa de fronteira travada em dezembro de 1918 entre a recém-independente República Democrática da Geórgia e a Primeira República da Armênia, em grande parte pelo controle dos antigos distritos da província de Tbilisi, em Borchaly (Lori) e Akhalkalaki.

CONTEXTO

Revolução Russa: Após a Revolução de Fevereiro, o Governo Provisório Russo instalou o Comitê Especial Transcaucasiano para governar a área. No entanto, após a Revolução de Outubro, o Comitê Especial Transcaucasiano foi substituído em 11 de novembro de 1917 pelo Comissariado Transcaucasiano, com sede em Tbilisi. O Comissariado concluiu o Armistício de Erzincan com o Império Otomano em 5 de dezembro de 1917, que pôs fim a um conflito armado localizado com o Império Otomano. O Comissariado procurou ativamente suprimir a influência bolchevique e, ao mesmo tempo, trilhar um caminho rumo à independência da Transcaucásia em relação à Rússia Soviética. Isso incluiu o estabelecimento de um órgão legislativo, o Sejm Transcaucasiano, ao qual o Comissariado cedeu sua autoridade em 23 de janeiro de 1918, após a dissolução da Assembleia Constituinte Russa pelos bolcheviques. A agenda secessionista e antibolchevique acabou por colocar o Sejm da Transcaucásia em conflito com o governo central. Em 3 de março, os russos assinaram o Tratado de Brest-Litovsk, marcando a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial. No tratado, a Rússia concordou em devolver o território conquistado durante a Guerra Russo-Turca de 1877-1878, apesar de o território estar sob o controle efetivo das forças armênias e georgianas. A Conferência de Paz de Trebizonda entre o Império Otomano e o Sejm começou em 4 de março e continuou até abril. Os otomanos ofereceram-se para renunciar a todas as suas ambições no Cáucaso em troca do reconhecimento da reaquisição das províncias da Anatólia Oriental, concedida em Brest-Litovsk.

Título do Comissariado Transcaucasiano, 1918, 10 rublos, verso. A cédula foi fornecida por um colecionador que quis permanecer anônimo.

Naquela altura, os principais políticos georgianos consideravam uma aliança com a Alemanha como a única forma de impedir a ocupação da Geórgia pelo Império Otomano. Consequentemente, o Conselho Nacional da Geórgia declarou a independência da República Democrática da Geórgia em 26 de maio e, dois dias depois, assinou o Tratado de Poti com a Alemanha para se colocar sob proteção alemã. No dia seguinte, o Conselho Nacional Muçulmano anunciou a criação da República Democrática do Azerbaijão. Tendo sido em grande parte abandonado pelos seus aliados, o Conselho Nacional Arménio declarou a sua independência em 28 de maio. Em 4 de junho, o Império Otomano assinou o Tratado de Batum com cada um dos três estados transcaucasianos, o que pôs fim ao conflito com o Império Otomano. O tratado atribuiu aos otomanos a metade sul do subdistrito (uchastok) de Lori, de maioria étnica arménia, e o distrito de Akhalkalaki, mas não delimitou firmemente as fronteiras entre os novos estados transcaucasianos. Para negar aos otomanos uma rota direta para Tbilisi, unidades georgianas, apoiadas por oficiais alemães, tomaram posse do norte de Lori e estabeleceram postos avançados ao longo do rio Dzoraget. O primeiro-ministro georgiano, Noe Zhordania, assegurou ao Conselho Nacional Armênio que a ocupação era uma medida temporária. No entanto, em uma reunião subsequente, representantes georgianos reivindicaram todos os distritos da província de Tiflis, bem como o subdistrito de Pambak, na província de Erivan, provocando protestos do lado armênio.

No início de outubro de 1918, os otomanos recuaram do sul de Lori, eliminando a zona tampão territorial entre a Armênia e a Geórgia. O exército armênio rapidamente preencheu o vácuo, assumindo o controle de grande parte do sul de Lori em 18 de outubro e, na ausência de resistência, avançou mais para o norte. O primeiro incidente entre a Armênia e a Geórgia ocorreu no mesmo dia, quando um destacamento do exército armênio tomou a estação ferroviária da vila de Kober, perto da atual Tumanyan, e recusou uma exigência subsequente dos alemães para se retirar. Outra vila, Korinj, também foi tomada. Os armênios recuaram quando a Geórgia enviou um destacamento para confrontá-los, mas mais tarde retornaram a Korinj e ocuparam Tsater. O embaixador da Armênia em Tbilisi, Arshak Djamalian, insistiu que as reivindicações armênias sobre Lori eram indiscutíveis, mas que seu governo desejava prosseguir com suas reivindicações exclusivamente por meios diplomáticos. O parlamento armênio enviou uma mensagem ao seu homólogo georgiano, declarando que apelava a uma solução amigável "em nome das relações fraternas seculares entre os dois povos". O governo georgiano concordou, em princípio, com uma solução pacífica. No entanto, as tropas armênias tiveram de abandonar as aldeias recentemente ocupadas e quaisquer outras operações dentro da província de Tiflis seriam consideradas um ato de guerra. O comandante da expedição militar alemã lembrou Djamalian de que a Alemanha estava obrigada a defender o seu protetorado. Em 24 de outubro, o governo georgiano declarou lei marcial em Lori, destacou o General Tsulukidze e ordenou-lhe que lidasse com as formações armadas atrás das linhas georgianas. No entanto, foi-lhe instruído que evitasse o confronto direto com as tropas armênias, que ocupavam Korinj e Tsater. Em 26 de outubro, as forças armênias invasoras receberam ordens para regressar e abandonaram as duas aldeias, apesar do destacamento de um contingente georgiano na área.

Em novembro e início de dezembro, os armênios de Lori protestaram contra o fato de as tropas georgianas, sob o pretexto de "conduzir investigações", terem roubado alimentos e suprimentos das casas de camponeses armênios e molestado mulheres. As tropas georgianas foram acusadas de crimes semelhantes em Akhalkalaki. O historiador Christopher J. Walker comparou a ocupação georgiana de Lori a uma "burocracia militar ao estilo czarista". O historiador Leo escreveu:

“A nossa história dos últimos dois mil anos leva-nos à conclusão de que não poderíamos imaginar a Arménia ao longo dos séculos sem Lori. Isto seria considerado ainda mais inimaginável hoje, porque separar Lori do corpo da Arménia significa desmembrar todo o seu passado e os seus tesouros culturais – significar ceder ao saque das magníficas conquistas de centenas de gerações ao longo dos séculos.”

O governo armênio tentou resolver a disputa diplomaticamente em 9 e 12 de dezembro, termos que o governo georgiano rejeitou. Em 12 de dezembro, o primeiro-ministro armênio, Hovhannes Kajaznuni, enviou a seguinte mensagem ao seu homólogo georgiano, Noe Zhordania:

“A conduta das tropas georgianas em Borchalu, na parte da Armênia ocupada à força pela Geórgia, criou uma situação intolerável. Somente a retirada imediata das tropas georgianas dessa região pode impedir novo derramamento de sangue e levar à restauração de relações amistosas e duradouras entre a Geórgia e a Armênia. Com isso em mente, o governo da Armênia tem a honra de propor ao governo da Geórgia que retire suas tropas, sem mais demora, da parte da Armênia que se encontra dentro do uezd de Borchalu. Em caso de recusa ou evasão de sua parte, o governo armênio será obrigado a tomar as medidas necessárias para proteger os cidadãos da Armênia da violência e da ilegalidade das tropas georgianas.”

A Geórgia começou a impedir que as ferrovias transportassem suprimentos estrangeiros para a Armênia, o que resultou em fome.

Região de Lori: O historiador armênio-americano Richard G. Hovannisian, em seu livro "A República da Armênia", descreve a história política da região de Lori:

“O uchastok (distrito) de Lori, localizado entre Pambak e o rio Khram, na região norte do planalto vulcânico armênio, foi desmembrado da gubernia de Erivan em 1862 e incorporado à gubernia de Tiflis. Historicamente, sob a dinastia Arsácida (Arshakuni), do século I ao V d.C., Lori constituiu o condado de Dashir e, sob a dinastia Bagrátida (Bagratuni), do século IX ao XI, formou o núcleo do sub-reino armênio de Gugark. Posteriormente, após um período de vassalagem aos turcos seljúcidas, Lori foi incluída nos domínios do ramo georgiano dos Bagrátidas, mas acabou caindo sob o domínio dos mongóis e da Pérsia safávida . No final do século XVIII, o rei Iraklii II restaurou a soberania georgiana sobre o distrito por alguns anos, até que toda a Geórgia oriental fosse anexada pela Rússia em 1801. Sob o domínio Romanov, a maior parte da Lori histórica foi organizada como o uchastok de Lori, enquanto o restante foi distribuído entre os outros três uchastoks do uezd de Borchalu. A população do uchastok de Lori era basicamente armênia: 41.000 em 1914, em comparação com 8.500 russos, 3.350 gregos, 3.300 tártaros e menos de 100 georgianos. Outros 5.000 armênios viviam em distritos vizinhos do uezd de Borchalu, e o elemento armênio era igualmente predominante no setor sul adjacente do uezd de Tiflis.”

GUERRA

Ordem de batalha da Armênia: Para a Armênia, a principal ameaça regional eram o Império Otomano e outras facções turcas. Para eles, um avanço otomano na Frente Caucasiana equivalia ao desaparecimento da nação armênia. Nesse contexto, e no temor de incursões estrangeiras, estava a base para a criação de um corpo militar nacional, mesmo antes da independência em 1918. Tal proposta foi aprovada em 11 de julho de 1917 pelo governo provisório e pelo Alto Comando. O corpo armênio planejado foi estruturado de forma não muito diferente de seu posterior equivalente georgiano, também parcialmente inspirado pelas doutrinas e organização militar russas. Os planos já haviam sido elaborados em 1917 e suas raízes estavam nas unidades armênias que lutaram pelo Império Russo desde 1914. A maior delas (com 1.500 homens) era liderada por Andranik. Em 1917, cerca de 80.000 armênios serviam nas fileiras do Exército Imperial Russo. Quase o mesmo número no Cáucaso. No TDFR, o corpo deveria consistir em duas divisões de infantaria, uma "divisão especial", uma divisão de artilharia, uma brigada de cavalaria e um regimento de engenharia, complementados por seis regimentos separados, destacados para diferentes áreas, incluindo a província de Tiflis. Um deles seria designado para a proteção das ferrovias. A divisão especial deveria recrutar mão de obra de armênios que fugiram do Império Otomano. De acordo com os planos da liderança, cada divisão seria composta por quatro regimentos de infantaria com seus próprios destacamentos de artilharia e cavalaria. A brigada de cavalaria deveria consistir em dois regimentos de cavalaria e duas baterias de artilharia. Além disso, várias unidades de reserva seriam solicitadas e algumas formadas. Se implementado, o exército armênio teria um tamanho considerável. Por fim, os armênios conseguiram criar uma força de combate geral maior. Em 1 de janeiro de 1918, o Exército Armênio era composto por cerca de 40.000 homens e consistia em duas divisões de fuzileiros, três brigadas de voluntários, uma brigada de cavalaria e vários batalhões de milícia. Seus principais quadros eram formados por pessoas que haviam servido no período de 1914 a 1916. As formações estavam bem equipadas com metralhadoras, mas careciam de artilharia devido à falta de pessoal experiente e treinado nessa área específica. As divisões de fuzileiros estavam equipadas com seis baterias de artilharia pesada cada, enquanto as armas leves foram transferidas para as forças de voluntários. De acordo com DenikinDurante o verão de 1918, a força em tempos de paz era de 22.000 homens e mais de 44.000 soldados podiam ser reunidos em tempos de guerra. No entanto, esses números flutuavam bastante e provavelmente ficavam na escala de 10.000 a 15.000. Jones menciona três divisões armênias no final de janeiro e sua disposição em detalhes. Um fator problemático eram os conflitos em curso, como com o Azerbaijão, que atraíam milhares de soldados do continente.

Em junho de 1918, após a conquista da independência, o exército armênio contava com cerca de 12.000 homens e cresceu gradualmente para 40.000. Seu corpo de oficiais era composto por armênios e russos. No entanto, Allen e Muratoff observam que as forças armênias se tornaram mais fracas e menos eficazes. Seus 24 batalhões de fuzileiros e oito batalhões de voluntários não ultrapassavam 16.000 fuzileiros, 1.000 cavaleiros e 4.000 milicianos. O tamanho dos batalhões variava de 400 a 600 homens. Devido ao Tratado de Batum, o tamanho do corpo armênio foi ainda mais reduzido no final de julho de 1918, para apenas uma divisão. Essa restrição, contudo, não afetou formações separadas não integradas ao corpo e subordinadas ao governo, como a brigada de voluntários liderada por Andronik. Apesar desses contratempos, a Armênia conseguiu criar um corpo totalmente estruturado, superando a Geórgia em muitos meses e no início da guerra iminente.

Da Geórgia: Do ponto de vista georgiano, os avanços das forças otomanas no nordeste e leste constituíam uma ameaça iminente não só a Akhaltsikhe e Akhalkalaki, mas também a Tiflis. Durante a sua breve independência, a Rússia e a Turquia permaneceram as principais ameaças à República. Numa sessão de 25 de maio de 1918, o governo menchevique decidiu que todas as leis e resoluções estabelecidas durante a efémera República Democrática do Povo do Texas (RDPT) seriam temporariamente transferidas para a recém-formada República. Batumi foi declarada ocupada. Em junho, um exército georgiano foi enviado para a Abcásia a pedido do Conselho Abcásio, a fim de sufocar as revoltas bolcheviques e, nesse processo, tomou Sochi e Tuapse do Exército Vermelho. Quando o conflito de Sochi se intensificou, a Geórgia estava efetivamente sujeita à agressão tanto dos bolcheviques russos como do Império Otomano, que durou até 1919. As ambições destes dois levaram à criação de uma força armada coesa. Um esboço, que delineava a estrutura organizacional, foi apresentado pelo General Kvinitadze em 2 de junho de 1918. Três dias depois, em 5 de junho, o alistamento oficial começou com base nessa nova instituição. Na época, apenas pessoas aptas, com idades entre 19 e 23 anos, podiam servir. Em junho, seu protetor alemão enviou tropas para auxiliar no treinamento. As memórias do general alemão von Kressenstein falam de um governo georgiano obstinado, que inicialmente se recusou a implementar um exército regular de acordo com suas exigências. A pressão os forçou a ceder a um modelo com recrutamento obrigatório. A intenção original do governo era formar duas divisões de infantaria, uma divisão da Guarda de Fronteira, três regimentos de cavalaria e uma brigada de artilharia, seguindo as estruturas do Exército Vermelho. A força em tempos de paz seria de 30 a 40 mil soldados. Kvinitadze queria criar três divisões, para que pelo menos uma pudesse defender-se contra potenciais investidas otomanas em direção a Batumi, Artvin, Ardahan e Akhaltsikhe. A discordância entre oficiais alemães e georgianos atrasou a aprovação de um modelo inspirado nos alemães até 20 de agosto de 1918. O primeiro exército regular, de acordo com a nova lei, deveria ser composto por duas divisões de infantaria, uma brigada de cavalaria, uma brigada de artilharia, uma companhia de apoio, uma companhia de engenharia, uma companhia motorizada, uma companhia blindada e um grupo de combatentes. No entanto, nunca atingiu o tamanho ou a qualidade previstos durante a existência da Primeira República. Em novembro de 1918, a escassez de efetivos militares georgianos era de cerca de 60%, enquanto o exército ainda carecia de 80% dos cavalos necessários. Apesar de estar em péssimo estado, as tropas georgianas, com a ajuda da Guarda Popular, conseguiram conter e repelir novas incursões otomanas e bolcheviques.

Ao longo de 1918, a maioria das forças georgianas consistia em formações do tipo milícia e somente em eventos críticos, como a guerra armeno-georgiana, uma grande força ad hoc era reunida para responder. Instrumentos vitais, como a inteligência militar, estavam praticamente ausentes. As unidades existentes da Guarda Popular (também chamada de Guarda Operária) eram assoladas por desorganização e indisciplina, às vezes até mesmo desobediência. Elas eram frequentemente acusadas de comportamento irresponsável e estavam sendo reformadas. Seu pessoal era composto por membros do partido menchevique, movidos pela ideologia, e a Guarda, em geral, não era uma força de combate coesa. Era constituída por batalhões territoriais que eram consolidados e recebiam liderança militar competente apenas em caso de guerra. A relação entre a Guarda e o exército regular foi descrita como "não ideal". A Guarda GOZAVA de maiores privilégios e era fortemente politizada, como protetora de fato e "espada" do governo menchevique. Enquanto o exército regular estava subordinado ao Ministério da Defesa, a totalidade da Guarda era controlada diretamente pelo parlamento dominado pelos mencheviques. A 2ª Divisão do exército regular só concluiu sua formação no final de dezembro de 1918, quando a guerra estava em seus últimos dias. A brigada de cavalaria sequer chegou a ser formada. As citações de oficiais frequentemente incluíam observações sobre a baixa qualidade da maioria dos soldados rasos, que eram convocados apenas por alguns dias, ao recompensar os poucos que se destacavam em ações louváveis. As exceções eram o 5º e o 6º Regimentos de Infantaria da 1ª Divisão, que gozavam de um nível superior de organização.

Tumulto em Lori: Após a retirada turca do sul de Lori em outubro de 1918, as forças armênias assumiram o controle da região, resultando em uma fronteira entre a Armênia e a Geórgia. Em resposta, o lado georgiano reforçou sua guarnição nas partes do norte. A população local foi obrigada a fornecer alojamento e suprimentos para as tropas georgianas e ficou sujeita a buscas e comportamento indisciplinado por parte dos soldados. Em Uzunlar, os camponeses armênios resistiram às operações de busca excessivas. Em resposta, as tropas georgianas espancaram o comissário da aldeia e mataram um oficial. Uma investigação militar georgiana confirmou que os soldados georgianos haviam sido os instigadores e solicitou a substituição das tropas, mas concluiu que, devido à natureza organizada da resistência, Uzunlar deveria ser revistada e neutralizada.

No início de dezembro, a rebelião parecia iminente no norte de Lori. Emissários armênios de Uzunlar viajaram até o quartel-general georgiano perto de Sanahin para protestar contra a violência. O general Tsulukidze mandou prender os emissários e enviou um destacamento para lidar com os distúrbios. Suas tropas teriam sido atacadas, enquanto os armênios de Uzunlar alegaram que sua aldeia foi bombardeada por dois dias, e os georgianos afirmaram que os aldeões abriram fogo. Segundo Tsulikidze, tropas armênias do 4º Regimento de Infantaria, operando disfarçadas, estavam instigando uma insurreição. Eles haviam desarmado uma unidade de cavalaria e a guarnição em Uzunlar. Posteriormente, uma força de socorro foi recebida com uma saraivada de tiros. No dia seguinte, uma força armênia de 350 homens atacou duas unidades georgianas e guerrilheiros esmagaram vários soldados com pedras roladas montanha abaixo. Tsulukidze estava convencido de que lidava com unidades regulares do exército armênio porque as ordens eram enviadas em russo, que era a língua usada pelo comando militar armênio. Em sua opinião, a própria Sanahin estava em perigo. O lado armênio sustentava que não havia tropas regulares envolvidas até meados de dezembro, quando a opressão do campesinato local se tornou severa demais para continuar tolerando. O general Goguadze, que estava encarregado dos trens blindados, informou ao governo georgiano que os trilhos entre Sanahin e Alaverdi haviam sido sabotados, enquanto Tsulukidze alegava que suas forças foram reprimidas pelas tropas armênias em Alaverdi. O lado georgiano acusava aldeias armênias de abrigarem unidades do exército armênio.

Ofensiva armênia:

Soldados voluntários armênios em 1918, defendendo a fronteira armênia contra os planos turcos de continuidade do genocídio.

Em 13 de dezembro, com o fracasso das negociações pacíficas, o governo da Armênia ordenou ao General Drastamat Kanayan que expulsasse as tropas georgianas de Lori. Documentos capturados revelaram que Yerevan havia feito planos detalhados para tomar territórios até o rio Khrami, dentro da Geórgia propriamente dita. Esses planos pareciam ser confirmados pelos movimentos e atividades subsequentes das tropas armênias. Kanayan comandava uma força de 28 companhias de infantaria, quatro esquadrões de cavalaria, incluindo reservas, e estava equipado com 26 metralhadoras e sete canhões de montanha. A Armênia tinha menos homens, provisões e munição do que a Geórgia; no entanto, suas tropas detinham a vantagem decisiva da surpresa e da penetração em território amigo, contando com o apoio da população armênia local e de guerrilheiros. As forças armênias rapidamente obtiveram ganhos substanciais. Os 4º, 5º e 6º Regimentos avançaram em três colunas sob o comando dos Coronéis Ter-Nikoghosian, Nesterovskii e Korolkov, em direção à linha de aldeias Vorontsovka-Privolnoye-Opret-Hairum. Naquela tarde, os armênios haviam capturado Haghpat, e o General Varden Tsulukidze fora forçado a evacuar do quartel-general georgiano em Sanahin. Em 15 de dezembro, o exército armênio capturou Vorontsovka, Privolnoye, Sanahin, Mikhayelovka, Alaverdi e as alturas entre Haghpat e Akhova. Os georgianos deixaram para trás seus mortos e feridos. Os armênios já haviam capturado quase uma centena de soldados georgianos, bem como muitos cavalos de cavalaria, cinquenta vagões de carga, uma locomotiva e várias metralhadoras e canhões de montanha.

Em 16 de dezembro, o flanco esquerdo armênio, comandado por Ter-Nikoghosian, avançou de Lori para a Geórgia propriamente dita, em Bolnis-Khachen e Katharinenfeld, enquanto o flanco direito de Korolkov capturou Hairum. As forças georgianas, que consistiam principalmente em unidades da Guarda Popular, ofereceram pouca resistência em Katharinenfeld e, posteriormente, em Shulaver, o que colocou outras forças em perigo. O ataque surpresa em Hairum custou aos georgianos mais 500 homens mortos, feridos ou feitos prisioneiros. Em 17 de dezembro, o 5º e o 6º Regimentos de Infantaria georgianos foram apanhados num movimento de pinça pelas duas ofensivas armênias e conseguiram escapar, mas sofreram sessenta baixas adicionais, além de terem que abandonar dois canhões de campanha e vinte e cinco metralhadoras. Os armênios também capturaram dois trens blindados georgianos totalmente equipados e o vagão ferroviário pessoal de Tsulukidze na estação de Akhtala. Tsulukidze havia fugido de volta para Sadakhlu e, em 18 de dezembro, a coluna sob o comando de Ter-Nikoghosian havia tomado Bolnis-Khachen. De volta a Tiflis, foi declarado estado de emergência.

Em 18 de dezembro, o Ministro da Guerra georgiano, Grigol Giorgadze, enviou reforços de mil soldados de infantaria, um esquadrão de cavalaria e seu último trem blindado para Sadakhlu. Mesmo assim, o flanco direito armênio continuou perseguindo a principal força georgiana em Sadakhlu e também capturou Shulaver em 20 de dezembro. Os armênios haviam se aproximado do rio Khrami. Outras unidades avançaram sobre Sadakhlu, mas foram alvejadas dentro do alcance do trem blindado e sofreram suas primeiras grandes perdas. No entanto, os trilhos na retaguarda georgiana haviam sido cortados e eles corriam o risco de serem cercados. Em 22 de dezembro, os armênios atacaram Sadakhlu novamente e capturaram sua estação e os arredores da vila, mas foram novamente repelidos pelas tropas georgianas e seu trem blindado. Kanayan reuniu doze companhias para uma ofensiva em grande escala. Em 23 de dezembro, após horas de intensos combates, os armênios ocuparam a vila estratégica. Os armênios capturaram 132 prisioneiros de guerra georgianos, mais de cem vagões de carga com alimentos e munições, 2 metralhadoras e 3 trens. As baixas do lado armênio foram de 7 MORTOS e 11 FERIDOS.

Após a captura de Sadakhlu, Tsulukidze foi destituído do comando e substituído pelo major-general Giorgi Mazniashvili. O exército armênio estava agora a 48 quilômetros da capital georgiana, Tiflis. As forças armênias continuaram a avançar em 24 de dezembro, mas no dia seguinte os georgianos foram reforçados com 1.000 novos soldados e aviões, que bombardearam Shulaver. Em 25 de dezembro, as delegações aliadas em Tiflis intervieram para exigir o fim da guerra.

Intervenção aliada: Uma comissão militar aliada liderada pelos tenentes-coronéis RP Jordan (Grã-Bretanha) e PA Chardigny (França) estava estacionada em Tiflis. O ministro das Relações Exteriores da Geórgia, Evgeni Gegechkori, apelou a eles por intervenção em 15 de dezembro. Jordan sugeriu que todas as forças armênias e georgianas se retirassem do território disputado, que seria policiado por tropas britânicas até que seu status fosse decidido na Conferência de Paz de Paris. Gegechkori era a favor de um status quo ante bellum.

Os representantes armênios em Tbilisi não foram incluídos nessas negociações iniciais. Os britânicos e franceses só haviam enviado uma mensagem ao primeiro-ministro Kajaznuni em 25 de dezembro, quando o diplomata Arshak Jamalyan foi enviado para negociar. Jamalyan protestou contra esse tratamento unilateral e se opôs à anexação de quaisquer territórios controlados pelos armênios. Os Aliados enviaram um telegrama com a decisão para Yerevan em 25 de dezembro. Nessa altura, toda a Lori e grande parte de Borchaly estavam sob o controle das forças de Kanayan:

“O major-general Rycroft, agora em Tbilisi, Chardigny, da Missão Francesa, acompanhado por Zhordania e na presença de Djamalian, decidiu que as atividades militares deveriam cessar e, apesar do protesto de Djamalian, resolveu criar uma comissão mista de representantes ingleses, franceses, armênios e georgianos para ir à frente de batalha e efetivar essa decisão. A comissão deverá determinar o número de guarnições georgianas que permanecerão no setor norte do uezd de Borchaly e o número de guarnições armênias no setor sul. Também decidirá sobre o número de guarnições que os georgianos manterão em Akhalkalak, ficando entendido que estas deverão ser mínimas. Os georgianos deverão manter sua linha atual, enquanto os armênios deverão recuar para o perímetro de Dsegh-Jalaloghli. Os britânicos tomarão posições entre as tropas georgianas e armênias e criarão uma administração mista naquele distrito, enquanto a administração georgiana em Akhalkalak será supervisionada pelos Aliados, com a garantia de que representantes armênios e muçulmanos serão incluídos na administração. Em breve, enviados georgianos e armênios partirão para a Europa, onde as fronteiras finais serão determinadas pelas Grandes Potências.”

A decisão foi assinada por Rycroft, Chardigny e Zhordania, que apelaram aos líderes militares arménios e georgianos para que cessassem as suas atividades. Os Aliados decidiram impor o plano com ou sem a aprovação do governo da Armênia. Os responsáveis arménios decidiram concordar com a trégua, sob a condição de lhes ser permitido enviar uma delegação a Tiflis para resolver quaisquer ambiguidades no acordo. O cessar-fogo deveria ocorrer a 31 de dezembro de 1918.

Contraofensivas georgianas e confrontos finais:

Cavalaria georgiana. Foto publicada pela AB Bild-Centralen, Estocolmo, capital da Suécia, 1918.

Ambos os lados tentaram manter posições favoráveis antes da entrada em vigor do cessar-fogo. Os soldados armênios marcharam por duas semanas sem descanso. O governo não pôde enviar reforços. Os suprimentos das tropas armênias consistiam agora principalmente em pão e munições capturadas dos georgianos. Um surto de tifo também ocorreu. Por outro lado, os georgianos puderam enviar reforços rapidamente e planejar operações agora que as hostilidades estavam tão perto de Tbilisi.

 Diversas escaramuças ocorreram de 25 a 27 de dezembro. Embora os esforços georgianos tivessem se tornado mais ousados, as posições mudaram pouco durante esses dias. Em 28 de dezembro, os georgianos conseguiram uma vitória quando uma força de 3.500 homens, instruída por Mazniashvili, tomou Shulaver, bem como várias aldeias menores. Os armênios sofreram 200 baixas. Nos dois dias seguintes, armênios e georgianos lutaram por Sadakhlu, que mudou de mãos várias vezes. Eventualmente, os dois exércitos se entrincheiraram em um impasse, com os armênios posicionados e os georgianos na cidade.

Os confrontos finais ocorreram em 31 de dezembro, antes que o cessar-fogo entrasse em vigor à meia-noite. Os armênios obtiveram ganhos estratégicos em suas colunas central e direita, mas a coluna esquerda, infectada por tifo, foi repelida. No final da tarde, os soldados armênios flanquearam os georgianos e tomaram as alturas orientais de Sadakhlu. Além disso, os armênios também cortaram a ferrovia que levava a Shulaver, em Mamai. Ao final do dia, ambos os exércitos estavam posicionados em linhas irregulares. O norte, o sul e o leste de Sadakhlu eram controlados pelos armênios, enquanto os georgianos haviam avançado uma distância considerável a sudoeste da vila.

PERSEGUIÇÃO AOS ARMÊNIOS NA GEÓRGIA

Durante toda a guerra, os armênios na Geórgia foram fortemente perseguidos e muitos foram presos sem motivo. Diversas organizações foram fechadas, incluindo instituições de caridade para refugiados e órfãos. Jornais armênios foram proibidos e membros do Conselho Municipal de Tbilisi com ascendência armênia foram presos. O governador de Tbilisi proclamou que todo civil armênio era tecnicamente um prisioneiro de guerra. Muitos dos armênios presos foram extorquidos e ameaçados de execução caso se recusassem. Os valores dos resgates variavam entre 50 e 50.000 rublos. Mesmo após a declaração do cessar-fogo, milhares de prisões foram efetuadas em 5 de janeiro de 1919.

Em janeiro de 1919, centenas de civis armênios presos foram levados a Kutaisi, onde foram exibidos como prisioneiros de guerra. A Geórgia, na verdade, capturou poucos soldados armênios durante a guerra. Os desfiles tinham como objetivo comprovar a narrativa oficial do governo georgiano sobre a guerra como uma vitória georgiana surpreendente.

As perseguições foram ainda mais severas em aldeias fora de Tiflis. Na aldeia de Bolnis-Khachen, milícias georgianas cometeram vários atos de assassinato, estupro e saque. Camponeses armênios foram roubados de grãos, colheitas, tecidos, gado e vários outros pertences. Várias casas também foram destruídas. Em Belyi-Kliuch, soldados georgianos foram a um orfanato exigindo mulheres. Como não encontraram nenhuma, os georgianos estupraram meninas pré-púberes. Eles retornaram ao mesmo orfanato alguns dias depois para cometer mais estupros. Apelos foram feitos às autoridades georgianas, que foram ignorados.

CONSEQUÊNCIAS E AVALIAÇÃO

“Os georgianos, por exemplo, cujo Estado faz fronteira com a Armênia ao norte, reivindicaram um território que, segundo todas as regras etnológicas, pertencia à Armênia. Os dois povos entraram em conflito em dezembro de 1918 e, para espanto daqueles que supunham que os armênios eram uma raça de comerciantes degradados, derrotaram os georgianos e talvez tivessem capturado Tbilisi, a capital georgiana, se os Aliados não tivessem intervido.”

— CE Bechhofer Roberts

Os oficiais aliados, georgianos e armênios reuniram-se para discutir um acordo final de 9 a 17 de janeiro de 1919. As relações diplomáticas e comerciais foram retomadas entre as duas repúblicas. Os prisioneiros também foram devolvidos em 23 de janeiro. Os britânicos criaram uma zona neutra, centrada no uezd de Borchaly e estendendo-se de Sadakhlu até a fronteira pré-guerra com a Armênia. Um comissário-geral, que acabou sendo escolhido como Capitão ASG Douglas, administraria a zona e teria autoridade final sobre o número de tropas armênias e georgianas estacionadas dentro dela. A zona neutra foi dividida nos distritos de Uzunlar, Vorontsovka e Alaverdi. Havia 41–43 aldeias dentro da zona neutra com grandes populações armênias.

A guerra fez com que a percepção dos Aliados sobre a Armênia e a Geórgia se tornasse mais negativa. Muitos argumentaram que a independência dos estados transcaucasianos resultaria em conflito e instabilidade para a região. Esse foi um momento crítico, pois seus destinos seriam decididos na Conferência de Paz de Paris algumas semanas após o cessar-fogo.

O resultado da guerra é contestado. Tanto os armênios quanto os georgianos reivindicaram a vitória. Ambos os lados também acreditavam que teriam obtido uma vitória decisiva se não fosse pelo cessar-fogo imposto pelos Aliados. Os armênios conseguiram expulsar os georgianos do norte de Lori, que se tornou uma zona neutra, eventualmente dividida entre as duas repúblicas. No entanto, seu objetivo era conquistar terras até o rio Khrami. Os armênios avançaram durante a maior parte da guerra. Embora os georgianos tenham iniciado um contra-ataque nos últimos dias, chegaram a um impasse antes do cessar-fogo. Contudo, a guerra ocorreu inteiramente em terras anteriormente controladas pela Geórgia. O exército armênio também sofreu menos baixas. O historiador Richard G. Hovannisian sugere que o resultado do conflito foi inconclusivo.

Na historiografia soviética, a guerra é retratada como sendo instigada por "imperialistas da Entente" e que a zona neutra de Lori era comandada por "imperialistas britânicos" e "mencheviques georgianos".

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