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| Bótons de pronomes. Foto tirada em 13 de setembro de 2024, 21:25:41. |
Na linguística, os pronomes são um conjunto fechado de palavras de uma língua que podem substituir, modificar ou retomar substantivos variados ou frases derivadas deles, na formação de sentenças, tratando-se de um tipo particular de proforma. Há vários tipos de pronomes como o Pronome Interrogativo e Pronomes Indefinidos. Em geral, os empregos de cada pronome podem depender da natureza gramatical ou semântica do substantivo representado, de sua função gramatical na sentença, e das palavras próximas. A associação (dêixis) entre o pronome e a entidade que ele representa é geralmente definida pelo contexto e pode mudar ao longo do discurso.
Na língua portuguesa, em particular, há algumas dezenas de pronomes, como "eu", "lhe", "que", "cujo" e "isto", que podem substituir substantivos ou frases preposicionais derivadas deles. Pronomes podem portanto ter as funções típicas de substantivos (sujeito, objeto e complemento), de adjetivos (modificadores de substantivos) e de advérbios (modificadores de verbos e adjetivos). A escolha do pronome depende do número (singular ou plural) do substantivo representado e às vezes do seu gênero (masculino ou feminino); bem como de sua pessoa verbal (primeira, segunda, terceira) e sua função gramatical.
A classe dos pronomes é presente na maior parte das gramáticas das línguas portuguesa e indo-europeias desde pelo menos o século II AEC, quando apareceu no tratado grego A Arte da Gramática. No entanto, devido à grande heterogeneidade na classe, alguns autores preferem desmembrá-la em classes menores.
CLASSES
Os pronomes do português são tradicionalmente divididos em seis classes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. O filólogo Marcos Bagno, por exemplo, classifica como índices pessoais os pronomes pessoais de primeira e segunda pessoa e os possessivos, cuja principal função é a dêitica, e como mostrativos os pessoais de terceira pessoa (não-pessoa), os demonstrativos e as demais classes, cuja principal função é retomada anafórica.
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são pronomes que são associados primariamente a uma pessoa gramatical em particular - primeira pessoa (como eu), segunda pessoa (como tu) ou terceira pessoa (como ele, ela, eles). Os pronomes pessoais podem também assumir diferentes formas, dependendo de número gramatical (geralmente singular ou plural), gênero gramatical, caso gramatical e formalidade. O termo "pessoal" é usado aqui apenas para significar o sentido gramatical; Pronomes pessoais não se limitam a pessoas e também podem se referir a animais e objetos (como em inglês o pronome pessoal IT geralmente faz).
A reutilização em algumas línguas de um pronome pessoal para indicar um segundo pronome pessoal com formalidade ou distância social - comumente uma segunda pessoa plural para significar segunda pessoa singular formal - é conhecida como distinção t-v, dos pronomes de latim tu e vos. Exemplos são o plural majestático em língua inglesa e o uso de vous em vez de tu em francês, e o voseo, em espanhol.
Pessoas e números: As línguas geralmente têm pronomes pessoais para cada uma das três pessoas gramaticais:
Os pronomes de primeira pessoa referem-se normalmente ao orador, no caso do singular (como o português eu), ou ao orador e outros, no caso do plural (como o português nós).
Pronomes de segunda pessoa normalmente se referem à pessoa ou pessoas a quem está sendo direcionado o discurso (como o português tu). No plural, podem também referir-se à pessoa ou pessoas que se dirigem em conjunto com terceiros.
Os pronomes de terceira pessoa referem-se normalmente a terceiros que não sejam o orador ou a pessoa a quem se dirige (como ele, ela, ele, eles, elas).
Dentro de cada pessoa há muitas vezes formas diferentes para diferentes números gramaticais, especialmente singular e plural. As línguas que têm outros números, tais como dual (por exemplo na língua eslovena), podem também ter pronomes distintos para estes.
Algumas línguas distinguem entre os pronomes de plural da primeira pessoa, inclusivos e exclusivos, aqueles que fazem e não incluem seu público. Por exemplo, a língua tok pisin tem sete pronomes de primeira pessoa de acordo com o número (singular, dual, julgamento, plural) e clusividade, como mitripela (eles dois e eu) e yumitripela (vocês dois e eu).
Algumas línguas não têm pronomes pessoais de terceira pessoa, usando demonstrativos (por exemplo, macedônio) ou frases nominais completas. O latim usa demonstrativos em vez de pronomes de terceira pessoa - na verdade, os pronomes de terceira pessoa nas línguas românicas são descendentes dos demonstrativos latinos.
Em alguns casos, os pronomes pessoais podem ser usados no lugar do pronome indefinido, referindo-se a alguém não especificado ou a pessoas em geral. Em inglês e em outras línguas, o pronome da segunda pessoa pode ser usado desta maneira: em vez do formal "deve-se manter o remo em ambas as mãos" (usando o pronome indefinido um), é mais comum que se diga "você deve segurar o seu remo em ambas as mãos".
Gênero: Os pronomes pessoais, particularmente os da terceira pessoa, podem diferir dependendo do gênero gramatical ou gênero natural de seu antecedente ou referente. Isso ocorre em inglês com os pronomes de terceira pessoa do singular, onde (simplesmente colocado) he é usado quando se refere a um macho, she a uma fêmea, e it a algo inanimado ou um animal de sexo não específico. Este é um exemplo de seleção de pronome baseado em gênero natural; muitas línguas também têm seleção baseada no gênero gramatical (como no francês, onde os pronomes "il" e "elle" são usados com antecedentes masculinos e femininos respectivamente, assim como os plurais Ils e elles). Às vezes o gênero natural e o gênero gramatical não coincidem, como com o substantivo alemão Mädchen ("menina"), que é gramaticalmente neutro mas naturalmente feminino. Isso ocorre pois a palavra Mädchen deriva da palavra Magd ("donzela"), onde é adicionado um trema, (se transformando em Mäd, sem o "g") e o sufixo -chen, que indica o diminutivo. Uma palavra diminutiva sempre será do gênero neutro em alemão.
Portanto, a palavra Mädchen é gramaticamente neutra, embora seja naturalmente feminina (pois se refere a uma coisa feminina).
Podem surgir problemas quando o referente é alguém de sexo não especificado ou desconhecido. Em uma língua como o inglês, é depreciativo usar o pronome inanimado it para se referir a uma pessoa (exceto em alguns casos a uma criança pequena), e embora seja tradicional usar o masculino he para se referir a uma pessoa de sexo não especificado, o movimento em direção a linguagem neutra de gênero exige que outro método seja encontrado, como dizer he ou she. Uma solução comum, particularmente em linguagem informal, é usar o singular they.
Problemas semelhantes surgem em algumas línguas quando se refere a um grupo de gênero misto; estes são tratados de acordo com as convenções da língua em questão - em francês, por exemplo, o masculino ils é usado para um grupo que contém tanto homens como mulheres ou antecedentes de ambos gênero masculino e feminino.
Um pronome ainda pode levar o gênero, mesmo que não seja inflexível; por exemplo, na sentença francesa "je suis petit" ("eu sou pequeno"), o falante é masculino e, portanto, o pronome je é masculino, enquanto que em "je suis petite" o falante é feminino e o pronome é tratado como feminino, sendo a terminação feminina -e adicionada ao adjetivo predicado.
Por outro lado, muitas línguas não distinguem o feminino e o masculino no pronome da terceira pessoa.
Algumas línguas têm ou tiveram um pronome da terceira pessoa não-gênero-específico:
- Indonésio, malaio, malgaxe, línguas filipinas, maori, rapanui, havaiano e outras línguas austronésias
- Chinês, birmanês, e outras línguas sino-tibetanas
- O vietnamita e outras línguas mom-quemeres
- Ibo, iorubá, e outras línguas volta-níger
- Suaíli, e outras línguas bantu
- Crioulo haitiano
- Turco e outras línguas turcas
- Luo e outras línguas nilo-saarianas
- Húngaro, finlandês, estônio, e outras línguas urálicas
- Hindi-urdu
- Georgiano
- Japonês
- Armênio
- Coreano
- Mapudungun
- Basco
- Persa
Algumas dessas línguas começaram a distinguir gênero no pronome da terceira pessoa devido à influência das línguas europeias. O mandarim, por exemplo, introduziu, no início do século 20 um personagem diferente para "ela" (她), que é pronunciado de forma idêntica a "ele" (他) e assim é ainda indistinguível na fala (tā).
O geunyeo coreano (그녀) é encontrado por escrito para traduzir "ela" de línguas europeias. Na língua falada ainda soa estranho e muitas vezes não natural, porque traduz literalmente a "essa fêmea".
Formalidade: Muitas línguas têm pronomes diferentes, particularmente na segunda pessoa, dependendo do grau de formalidade ou familiaridade. É comum que diferentes pronomes sejam usados quando se fala de amigos, família, crianças e animais do que quando se fala de superiores e adultos com quem o orador é menos familiar. Exemplos dessas línguas incluem o francês, onde o singular tu é usado apenas para familiares, o plural vous sendo usado como um singular em outros casos (russo segue um padrão semelhante); Alemão, onde a terceira pessoa do plural sie (capitalizada como Sie) é usada como singular e plural na segunda pessoa em usos não familiares; E polonês, onde o substantivo pan ("cavalheiro") e seus equivalentes femininos e plurais são usados como polidos pronomes de segunda pessoa.
Algumas línguas, como japonês e coreano, têm os pronomes que refletem as categorias sociais profundamente assentadas. Nestas línguas há um pequeno conjunto de substantivos que se referem aos participantes do discurso, mas esses substantivos referenciais não costumam ser usados, com nomes próprios, deícticos e títulos sendo usados em vez disso - e uma vez que o tópico é compreendido, geralmente nenhuma referência explícita é feita em tudo. Um palestrante escolhe qual palavra usar dependendo do posto, cargo, idade, sexo, etc. do orador e do destinatário. Por exemplo, em situações formais, os adultos costumam se referir a si mesmos como watashi (私 ou わたし) ou watakushi (私 ou わたくし) ainda mais educado, enquanto os jovens podem usar o boku (僕 ou ぼく). Em situações informais, as mulheres podem usar o atashi (あたし) coloquial, e os homens podem usar o termo ore (俺 ou おれ), mais áspero.
Caso: Os pronomes também freqüentemente assumem formas diferentes baseadas em sua função sintática, e em particular em seu caso gramatical. O inglês distingue a forma nominativa (eu, você, ele, ela, eles, elas, nós), usado principalmente como sujeito (gramática) de um verbo, a partir da forma oblíqua ("eu", "você", "ele", ela, nós, eles), usada principalmente como o objeto de um verbo ou preposição. As línguas cujos substantivos se flexionam para o caso muitas vezes flexionam seus pronomes de acordo com o mesmo sistema de casos. Por exemplo, os pronomes pessoais têm formas distintas nominativas, genitivas, dativas e acusativas (p. ex. Alemã ich, meiner, mir, mich), etc. Os pronomes costumam reter mais distinções de casos do que substantivos - isto é verdade tanto para o alemão como para o inglês, e também para as linguas românicas que, com a exceção do romeno, perderam a gramática latina.
Outros tipos sintáticos de pronomes que podem adotar formas distintas são o pronome disjuntivo, usado isoladamente e em determinadas posições distintas (como depois de uma conjunção como "e") e pronome preposicional, usado como o complemento de uma preposição.
Formas fortes e fracas: Algumas línguas têm formas fortes e fracas de pronomes pessoais, sendo o primeiro usado em posições com estresse mais elevado (linguística). Alguns autores ainda distinguem pronomes fracos de pronomes clíticos, que são foneticamente menos independentes. Em português, os pronomes oblíquos me e mim, te e ti são exemplos de formas fracas e fortes, respectivamente.
Outros exemplos são encontrados em polonês, onde o masculino de terceira pessoa acusativo e dativo são jego e jemu (forte) e go e mu (fraco). O inglês tem formas fracas e fortes em pronunciamentos fortes e fracos para alguns pronomes, tais como "eles" (pronunciado /ðɛm/ quando strong, mas /ðəm/, /əm/ ou ainda /m/ quando fraco).
Formas reflexivas: As línguas também podem ter pronome reflexivos (e às vezes pronome recíprocos) intimamente ligadas aos pronomes pessoais. O português tem as formas reflexivas "me", "mim", "te", "ti", "nos", "vos", "se", "si" e "consigo". Estes são utilizados principalmente para substituir a forma oblíqua quando se refere à mesma entidade que o sujeito da cláusula.
Algumas línguas, como as línguas eslavas, também têm possessivos reflexivos (que significam "meu", "o seu", etc.). Estes podem ser usados para fazer uma distinção de possessives ordinária de terceira pessoa. Por exemplo, em esloveno:
Eva je dala Maji 'svojo' knjigo ("Eva deu Maja [livro reflexivo]", isto é, o próprio livro de Eva)
"Eva je dala Maji" 'njeno' knjigo ("Eva deu Maja [não-reflexivo] livro", isto é, o livro de Maja)
O mesmo fenômeno ocorre nas línguas germânicas do norte, por exemplo língua dinamarquesa, que pode produzir as sentenças Anna gav Maria 'sin' 'bog' 'e' 'Anna gav Maria 'hendes' bog, sendo a distinção análoga à do exemplo esloveno acima.
Capitalização: Os pronomes pessoais não são normalmente escritos em letra maiúscula, exceto em casos particulares. Em inglês, o pronome pessoal em primeira pessoa I (eu) está sempre em maiúscula. Em português, em alguns textos cristãos, são capitalizados os pronomes que se referem a Jesus ou Deus (Ele, Tu, Vosso, etc).
Em muitas línguas europeias, os pronomes da segunda pessoa são muitas vezes capitalizados por cortesia quando se referem à pessoa que está escrevendo (como em uma carta).
Grupos: Na língua portuguesa, as fontes e autores divergem quanto à subdivisão dos pronomes pessoais. Alguns citam que há apenas dois grupos: reto e oblíquo. Já outros mencionam três: reto, oblíquo e de tratamento.
Caso reto: No português, os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de sujeito ou predicativo do sujeito. Apresentam flexão de número, género (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal flexão porque marca a pessoa do discurso.
- Eu: 1.ª Singular
- Tu: 2.ª Pessoa no Singular
- Ele/Ela: 3.ª Pessoa no Singular
- Nós: 1.ª Pessoa no Plural
- Vós: 2.ª Pessoa no Plural
- Eles/Elas: 3ª Pessoa no Plural
Os pronomes do caso reto são diferentes do pronome pessoal do caso oblíquo pelo uso. Enquanto aqueles são usados somente como sujeito, esses são usados como complemento (repare que nós, vós, eles e elas podem ser tanto do caso reto quanto do oblíquo). O fato de certas construções permitirem o pronome pessoal do caso reto após preposição muitas vezes torna seu uso confuso.
Exemplo: Ele emprestou o livro para mim.
Nesse caso, apesar de o pronome estar após uma preposição, ele não é complemento, e sim sujeito do verbo ler. Nesse caso, deve ser usado o pronome pessoal do caso reto:
Exemplo: Ele emprestou o livro para eu ler.
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exerce a função de sujeito. Sendo um pronome ele carrega consigo as características próprias a essa classe gramatical, ou seja, é uma palavra que pode determinar a pessoa do discurso ou substituir e/ou qualificar um nome.
Frequentemente se observa a omissão do pronome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as formas verbais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto (ex.: Dormi cedo ontem; Fizemos boa viagem).
É importante conhecer algumas outras particularidades dos pronomes retos, tais como:
Outra dúvida freqüente é a contração do pronome com a preposição de quando esta rege o verbo:
Exemplo: Está na hora dela ir embora, já são oito horas.
Embora na linguagem coloquial,essa construção seja comum, a norma padrão recomenda que não haja a contração, visto que o pronome em questão é o sujeito da oração.
Exemplo: Está na hora de ela ir embora, já são oito horas.
Caso oblíquo:
- Caso reto: Eu
- Oblíquo átono: me
- Oblíquo tônico: mim/comigo
- Caso reto: Tu
- Oblíquo átono: te
- Oblíquo tônico: ti/contigo
- Caso reto: Ele
- Oblíquo átono: o/lhe/se
- Oblíquo tônico: ele/consigo/si
- Caso reto: Ela
- Oblíquo átono: a/lhe/se
- Oblíquo tônico: ela/consigo/si
- Caso reto: Nós
- Oblíquo átono: nos
- Oblíquo tônico: nós/conosco
- Caso reto: Vós
- Oblíquo átono: vos
- Oblíquo tônico: vós/convosco
- Caso reto: Eles
- Oblíquo átono: os/lhes/se
- Oblíquo tônico: eles/consigo/si
- Caso reto: Elas
- Oblíquo átono: as/lhes/se
- Oblíquo tônico: elas/consigo/si
- Função:
- Oblíquo átono: Objeto direto e indireto
- Oblíquo tônico: Objeto indireto e Comitativo
PRONOME POSSESSIVO
Os pronomes possessivos são os tipos de pronomes que fazem uma referência às pessoas do discurso indicando uma relação de posse. Os pronomes possessivos mantêm uma estreita relação com os pronomes pessoais pois indicam aquilo que cabe ou pertence aos seres indicados pelos pronomes pessoais. Pronomes possessivos normalmente indicam posse, como por exemplo: meu, minha, teu, tua, seu, sua, etc. Indicando para algo ou alguém.
Normalmente, o pronome possessivo antecede o substantivo a que se refere; nada impede, porém, que ele venha após o substantivo:
Exemplo:
- Não durma na minha cama.
- O teu cachorro me mordeu
- A sua televisão quebrou novamente.
Os pronomes possessivos concordam:
- Em pessoa com o possuidor: eu peguei o meu caderno.
- Em gênero e número com a coisa possuída: você já pegou o seu caderno?
- pronome pessoal: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas.
- pronome possessivo:
- meu, minha, meus, minhas.
- teu, tua, teus, tuas.
- seu, sua, seus, suas.
- nosso, nossa, nossos, nossas.
- vós vosso, vossa, vossos, vossas
- seu, sua, seus, suas.
Os pronomes possessivos, em certas ocasiões, podem ser substituídos por pronomes oblíquos equivalentes:
- Minha(s) » me
- Tua(s) » te
- Dele(s) » lhe(s)
Exemplo:
- O sangue manchou-me a calça. (O sangue manchou a minha calça.)
PRONOME MOSTRATIVO
Em linguística e gramática, os mostrativos ou demonstrativos são palavras que indicam ou especificam, de forma dêitica ou anafórica, a que entidades o falante se refere em seu discurso.
A classe, proposta pela primeira vez na gramática da língua portuguesa por Ataliba de Castilho em 1993, agrupa as palavras tradicionalmente classificadas como pronomes demonstrativos, pronomes pessoais de terceira pessoa e artigos definidos. Dentre as motivações para agrupá-las em uma única classe gramatical estão, além das funções afins no discurso, o fato de elas não concorrerem (uma não pode estar onde já está a outra) e o fato de se originarem da mesma classe gramatical do latim, a dos demonstrativos.
Funções: Os mostrativos têm a função primordial de "mostrar", em partes do discurso, objetos pertinentes ao mesmo, quer estejam no ambiente que envolve o falante e/ou o ouvinte, apontando para um objeto do mundo (Esta casa é muito bonita!) ou no próprio universo do discurso, apontando para um termo citado em outra parte do texto (ao comprar a casa, foi fundamental que esta fosse bem localizada). A primeira função, para fora do texto, é chamada dêixis; a segunda, anáfora.
Além disso, eles podem funcionar como determinantes, com função adjetiva:
quando ele dá uma definição, depende se a definição / essa definição / aquela definição / tal definição é mera cópia ou se é uma elaboração própria.
ou como pronomes, com função substantiva:
quando ele dá uma definição, depende se ela/essa/aquela/a mesma é mera cópia ou se é uma elaboração própria.
Por fim, os mostrativos podem exercer os papéis sintáticos de sujeito, objeto direto, objeto indireto ou complemento oblíquo.
Pronomes demonstrativos: Trata-se do principal grupo de mostrativos, usados tanto como índices dêiticos quanto como proformas anafóricas (deste uso vem sua classificação tradicional como 'pronome'). Classicamente se classificam em três níveis de distância:
- Proximais ou de Primeira Pessoa: este(s), esta(s), isto
- Mediais ou de Segunda Pessoa: esse(s), essa(s), isso
- Distais ou de Terceira Pessoa: aquele(s), aquela(s), aquilo
Essas três classes derivaram dos demonstrativos latinos – respectivamente, dos demonstrativos mediais (iste, ista, istud), reflexivos (ipse, ipsa, ipsum) e distais (accu-ille, accu-illa, accu-illud).
Hoje em dia, é consensual que tais distinções de pessoa se enfraqueceram em português e, portanto, não são mais seguidas à risca. No entanto, os três níveis de distância sobreviveram nos advérbios de lugar (aqui / aí / lá), que passaram a ser usados junto com os demonstrativos, para indicar a distância: Esse carro aí é seu? ; Essa aqui é a minha casa!.
Artigos: Também fazem parte da classe dos mostrativos os artigos definidos e pronomes oblíquos de terceira pessoa: o(s), a(s). Eles derivaram dos demonstrativos latinos distais no acusativo (illum, illam → lo, la).
Os artigos definidos são marcadores necessariamente associados aos substantivos, que exercem principalmente uma função identificatória (para referir-se a nomes já mencionados ou a nomes universalmente conhecidos) ou classificatória (pois qualquer palavra, precedida de artigo, torna-se substantivo: o bem, o três, o porquê, etc.).Quando identificadores, eles atuam de forma dêitica, apontando para objetos conhecidos (o Brasil, a Lua, etc.), ou de forma anafórica, retomando nomes já mencionados (Era uma vez uma bela rainha. Certo dia, a rainha / aquela rainha / tal rainha ficou muito doente).
Os pronomes oblíquos de terceira pessoa possuem a mesma origem que os artigos definidos, assumindo a função substantiva de substituir um nome já mencionado (pronome): O rei se chamava João; um dia um dragão devorou o rei / devorou-o.
Pronomes de Terceira Pessoa: Os pronomes de terceira pessoa são ele (eles), ela (elas), lhe, além dos mencionados o (os), a (as). Ao contrário dos pronomes retos de primeira e segunda pessoa, já existentes na língua latina como índices dêiticos específicos, os pronomes de terceira pessoa derivaram todos dos demonstrativos distais latinos no nominativo (ille, illa → ele, ela), acusativo (illum, illa → o, a) e dativo (ille → lhe). Além disso, diferente dos índices de primeira e segunda pessoa, os de terceira pessoa atuam de forma principalmente anafórica e substantiva, substituindo termos já citados.
PRONOME INDEFINIDO
"Chamam-se indefinidos os pronomes que se aplicam a terceira pessoa gramatical, quando considerada de um modo vago e indeterminado".
Pronomes indefinidos variáveis: algum, nenhum, todo, outro, certo, bastante, qualquer, quanto, qual, vários, muito, etc.
Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, quem, que, etc.
Locuções: Têm valor de pronome indefinido: cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, seja quem for, seja qual for, qualquer um, etc.
PRONOME RELATIVO
Pronome relativo é um pronome que, no período composto, retoma um antepassado (palavra ou expressão anterior a ele), representando-o no início de uma nova oração. Normalmente vem depois de um adjunto adnominal, o termo acessório da oração que tem a função de caracterizar ou determinar um substantivo, o que pode ser feito através de verbos, adjetivos e outros elementos que desempenhem a função adjetiva - o antecedente o substitui.
Formas e valores: No português contemporâneo, as formas tradicionalmente listadas incluem que, quem, qual/o qual (e flexões), cujo (e flexões), quanto (e flexões, em construções partitivas) e onde (de valor locativo). Cada forma pode exercer diferentes funções sintáticas na relativa (sujeito, objeto, complemento regido por preposição, adjunto etc.), a depender da regência no interior da oração.
- Que: É o relativizador mais frequente e polifuncional; pode ocorrer sem preposição (o livro que li) ou com preposição (o assunto de que tratamos). Em registros formais, alterna com o qual para evitar ambiguidades ou quando se exige preposição complexa.
- Quem: Refere-se preferencialmente a antecedentes [+humanos] e tende a ocorrer com preposição (a pessoa a quem me dirigi), embora haja variação estilística.
- O qual / a qual / os quais / as quais: Série variável que concorre com que, especialmente após preposição longa ou quando se deseja clareza referencial (as medidas sobre as quais discutimos).
- Cujo / cuja / cujos / cujas: Marca relação genitiva entre antecedente e termo subsequente (a autora cujas obras…). Estudos de uso no português brasileiro apontam baixa produtividade fora do registro escolarizado.
- Quanto / quantos / quanta / quantas: Aparece em construções partitivas, sobretudo após quantificadores como tudo (tudo quanto disse).
- Onde (visão geral): Forma invariável de valor locativo, equivalente a em que/no qual quando retoma um antecedente que denota lugar (a cidade onde nasci). Na tradição descritiva, também é classificado como advérbio relativo, em razão de seu comportamento híbrido.
Onde sem antecedente expresso e usos ampliados: Descrições funcionalistas e variacionistas registram onde sem antecedente explícito (uso “indefinido/condensado”), quando a noção de lugar é inferida do contexto (O carro enguiçou onde não havia socorro). Pesquisas recentes apontam ainda extensões não locativas e processos de gramaticalização do item em variedades do PB, a depender de gênero textual, planejamento e monitoramento.
Perspectiva funcionalista sobre o relativo onde no português brasileiro: Em abordagem funcionalista, onde é descrito como um item originalmente locativo que, no uso real do português brasileiro (PB ou PT-BR), apresenta polifuncionalidade motivada por fatores discursivo-pragmáticos (coesão, acessibilidade referencial, economia de processamento) e por esquemas semânticos de âmbito/quadro (frame). Nessa perspectiva, além do valor canônico de localização (o bairro onde moro), registram-se extensões para domínios não estritamente espaciais, como tempo (o dia onde tudo mudou), razão (o motivo onde discordamos) e organização textual (o capítulo onde o autor explica), especialmente em fala espontânea e escrita menos monitorada.
Mudança e gramaticalização: Os estudos apontam um processo de reanálise/gramaticalização orientada ao uso: de advérbio/relativo locativo, onde adquire traço mais abstrato de [+domínio], ampliando seu escopo referencial em contextos de alta frequência e baixa vigilância normativa. Essa mudança é compatível com princípios funcionalistas de economia e esquematicidade, sem eliminar a variante canônica locativa, que permanece preferida em registros formais.
Relação com a norma tradicional: A gramática normativa descreve onde como relativo/advérbio de valor locativo, opondo-o a aonde (direção) e donde (proveniência). A pesquisa empírica, entretanto, mostra que falantes do PB expandem o uso de onde para além do espaço físico, gerando variação estável que a norma não reconhece plenamente; em contextos de maior formalidade, prevalecem em que e no qual para referentes não locativos.
Ligação com as estratégias de relativização do PB: As extensões de onde dialogam com o quadro mais amplo das estratégias de relativas no PB — padrão (com movimento e pied-piping), cortadora e resumptiva — descritas desde Tarallo e desenvolvidas por Kato & Nunes, entre outros.
PALAVRA INTERROGATIVA
Em linguística, uma palavra interrogativa é uma palavra-função usada para o item desconhecido em uma declaração de informação. Em Português, elas são usados em perguntas (Onde está o carro?), em orações de conteúdo interrogativo (Eu quero saber onde o carro está.); suas formas também são usados como pronomes relativos em determinadas orações relativas (o país onde ele nasceu) e em certas orações adverbiais (Eu vou aonde ele vai). Esses usos são encontrados em vários outros idiomas também.
Palavras interrogativas em português incluem:
- Pronomes adjetivos interrogativos
- que (que carro é aquele?), qual (qual bolsa você vai comprar? Esta, essa ou aquela?)
- quanto (quantidade incontável: quanta água bebeste?), quantos (quantidade contável: quantas maçãs comeste?)
- cujo (em português antigo: "cujo carro é aquele?" — hoje em dia diz-se: "de quem é aquele carro?")
- Pronomes substantivos interrogativos
- quem
- que ("o que" é uma forma átona, "o quê" é usado quando é tônico), qual
- quantos (quantos comeste?)
- Advérbios interrogativos
- onde (lugar)
- quando (tempo)
- como (modo)
- por que (razão / causa)
- para que (objectivo / finalidade)
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES
Pronomes podem também ser classificados em adjetivo ou adjunto, quando ele faz referência (através de concordância sintática) a um elemento que surge explícito na frase; e substantivo ou absoluto, quando ele substitui completamente o elemento referenciado.
PRONOMES EM OUTROS IDIOMAS
- Nas línguas indo-europeias, os pronomes formam uma classe gramatical presente em todos os idiomas, embora com algumas variações.
- Nas línguas urálicas, não existem pronomes pessoais nem possessivos. Apenas a flexão do verbo é suficiente para determinar a pessoa e a posse é designada pelo caso genitivo, que assume uma forma diferente para cada pessoa.
- Em espanhol há um pronome de terceira pessoa para indicar o gênero neutro ("ello").
- Em latim não há pronome pessoal de terceira pessoa, sendo substituídos por pronomes demonstrativos.
- Em inglês, todos os pronomes são declinados em caso (nominativo, acusativo e possessivo). Os pronomes demonstrativos não se flexionam em gênero.
- Na maioria das línguas indo-europeias, assim como em japonês, pode existir mais de um pronome de segunda pessoa, chamados "pronomes de tratamento", dependendo do grau de proximidade e respeito a que se dedica ao interlocutor.
- No espanhol europeu, existem os pronomes "tú" e "usted" (singular), "vosotros" e "ustedes" (plural).
- Em inglês, o pronome "they" é de uso genérico, mas no passado, em ocasiões solenes, usavam-se os pronomes "thou" (singular) e "ye" (plural), com os respectivos oblíquos "thee" e "you" e possessivos "thy/thine" e "your/yours" e reflexivos "thyself" e "yourself".
- Em francês, são usados os pronomes "tu" e "vous".
- Em alemão, são usados os pronomes "du" e "Sie".
- Em japonês, os pronomes de primeira pessoa variam de acordo com o sexo do falante e com a circunstância em que é usado, além de os pronomes de tratamento serem diferentes inclusive para pessoas próximas (quando se dirige a pessoas próximas ou pessoas que requerem um grau de formalidade mais específico). O pronome "watashi" significa "eu" quando falado pela maioria das pessoas, "atashi" quando usado por uma mulher, enquanto "boku" significa "eu" da mesma forma, mas dito geralmente por jovens homens. Os pronomes "watashi" e "watakushi" são usados por ambos, em circunstâncias formais.
- Em alemão, o pronome pessoal "sie" (minúsculo, podendo ser maiúsculo, quando no início de frases) significa: "ela", "elas", "eles". Por sua vez, "Sie" (sempre maiúsculo) significa: "você", "vocês" (tratamento mais formal em Portugal) ou "o senhor", "a senhora", "os senhores", "as senhoras" (usados tanto em Portugal como no Brasil como tratamento formal).
- Em sueco há quatro gêneros de pronomes pessoais para a terceira pessoa no singular: MASCULINO, FEMININO, COMUM E NEUTRO. O gênero comum serve para designar animais e plantas, e o gênero neutro serve para designar objetos inanimados.
- Em basco há um pronome de segunda pessoa neutro ("zu") e um pronome de segunda pessoa não formal mas familiar ("hira").
FONTES: Almeida, Napoleão Mendes de. «Cap. VIII, §156 - 38». Gramática Metódica da Língua Portuguesa. 1911 (1992?). São Paulo: Saraiva
Livro Bernoulli
Bagno, Marcos (2013). Gramática de Bolso do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola. ISBN 9788579340604
BECHARA, Evanildo. Editora Lucerna, ed. Moderna Gramática Portuguesa. 2001 37ª ed. Rio de Janeiro: [s.n.]
«Gramática V: Pronomes». Julio Battisti. Consultado em 10 de agosto de 2013
Catarino, Publicado por Dílson. «Pronomes possessivos – Gramática On-line». Consultado em 5 de janeiro de 2022
«Pronomes possessivos: conceito, emprego e exemplos». Clube do Português. 7 de julho de 2021. Consultado em 5 de janeiro de 2022
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