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domingo, 15 de fevereiro de 2026

AYRTON SENNA (PILOTO BRASILEIRO)


  • NOME COMPLETO: Ayrton Senna da Silva ONM • ComRB • CvMA • OME
  • NASCIMENTO:  21 de março de 1960; São Paulo, Brasil
  • FALECIMENTO: 1 de maio de 1994 (34 anos); Bolonha, Emília-Romanha, Itália (acidente automobilístico)
  • APELIDO(S): Beco, O Chefe, O Rei de Mônaco, Magic Senna, Rei da Chuva, Ayrton Senna do Brasil
  • OCUPAÇÃO: Piloto de Fórmula 1, piloto de automóveis de corrida, empresário e filantropo
  • FAMÍLIA: Viviane Senna (irmã), Leonardo Senna (irmão), Bruno Senna (sobrinho), Lilian de Vasconcellos (c. 1981; div. 1982)
  • ALTURA:
  • RELIGIÃO: Catolicismo com Devoção
Ayrton Senna (1960 – 1994) foi um piloto de Fórmula 1, empresário e filantropo brasileiro. Senna foi campeão da categoria de piloto três vezes, em 1988, 1990 e 1991. Começou sua carreira competindo no kart em 1973 e em "carros de fórmula" em 1981, quando venceu as Fórmulas Ford 1600 e 2000. Em 1983 alcançou o título de campeão do Campeonato Britânico de Fórmula 3 batendo vários recordes. Seu desempenho impulsionou sua ascensão à Fórmula 1, fazendo sua primeira aparição na categoria no Grande Prêmio do Brasil de 1984 pela equipe Toleman-Hart. Em sua primeira temporada, Senna pontuou em cinco corridas, fechando o ano com treze pontos e a nona posição na classificação geral dos pilotos. No ano seguinte, ingressou na Lotus-Renault, pela qual venceu seis grandes prêmios ao longo de três temporadas.

Além das corridas de carros, Senna dedicava-se a jet skis, motos, aeromodelos e principalmente helicópteros. Também administrava diversas marcas e empreendimentos, além de ter patrocinado vários programas de assistência filantrópica, principalmente os ligados a crianças carentes. Depois de morrer, sua irmã, Viviane Senna, fundou o Instituto Ayrton Senna, uma organização não governamental que oferece oportunidades de desenvolvimento humano a crianças e jovens de baixa renda. Além disso, o personagem Senninha foi criado com a intenção de atingir o público infantil com os ideais do piloto, como a superação, dedicação e o gosto pela vitória.

BIOGRAFIA

Primeiros anos: Filho do empresário Milton da Silva e de Neyde Joanna Senna, Ayrton Senna nasceu em 21 de março de 1960, na Maternidade de São Paulo, no bairro de Cerqueira César, São Paulo. A mãe de Senna era neta de imigrantes italianos e o seu pai era filho de uma espanhola (de Tíjola, em Almeria) com um paulista.

Ayrton Senna aos três anos. © Instituto Ayrton Senna.

Passou sua infância e adolescência na Zona Norte de São Paulo, cresceu no bairro onde seu pai, Milton da Silva e seu avô paterno, Antônio Teodoro da Silva nasceram, Santana. Morou no centro do bairro nos primeiros quatro anos de vida, na casa que pertencia seu avô, nas imediações do Aeroporto Campo de Marte. Já no Jardim São Paulo viveu dos quatro aos doze anos, entre as décadas de 1960 e 1970, mudando-se posteriormente para o distrito do Tremembé. Durante sua formação escolar, estudou em instituições tradicionais da região, como o Colégio Jardim São Paulo, onde estudou no pré-escolar, e no extinto Colégio Santana (1º ao 4º ano), saindo pois a instituição católica não possuia turmas masculinas no ginásio. Concluiu seus estudos no Colégio Rio Branco em Higienópolis.

Desde novo ele se interessava por automóveis. Foi incentivado pelo pai, um entusiasta das competições automobilísticas e dono da Universal metalúrgica — a maior fábrica de autopeças de São Paulo na época, que montou o primeiro kart de Senna quando este tinha quatro anos, e que tinha um motor de máquina de cortar grama. Aos nove anos, já conduzia jipes pelas estradas dentro das propriedades rurais de Milton. Praticava kart nas imediações da rua Aviador Gil Guilherme e avenida Santos Dumont, segundo o livro "Ayrton – O Herói Revelado" de Ernesto Rodrigues, e na área alta do bairro de Parque Palmas do Tremembé.

Na televisão, gostava de assistir o anime Speed Racer, sobre um piloto de corridas.

Início no kart: Começou a competir oficialmente nas provas de kart aos treze anos. A sua primeira vitória oficial aconteceu na primeira prova oficial no kart de que participou, em julho de 1973. Tal fato teve lugar no Kartódromo de Interlagos, que hoje leva seu nome. Em 1977 ganhou o seu primeiro "Campeonato Sul-Americano de Kart", repetindo o feito em 1980. Foi campeão brasileiro de kart em 1978, 1979 e 1980. Foi campeão paulista em duas ocasiões, em 1974 (na categoria júnior) e 1976. Foi duas vezes vice-campeão mundial de kart, em 1979 - empatou com o campeão nos pontos, mas perdeu no desempate - e em 1980.

Ayrton Senna dirigindo um kart durante sua infância em 1973. © Instituto Ayrton Senna.

A conquista do seu primeiro título de campeão brasileiro de kart ocorreu em 16 de julho de 1978 no Kartódromo de Tarumã, em Viamão, na Grande Porto Alegre. Ayrton, com 18 anos na época, competiu pela equipe "Sulam" e venceu todas as provas, derrotando assim o seu maior rival Walter Travaglini. A competição teve mais de 150 pilotos inscritos e contou com cinco categorias diferentes. Ayrton competiu na categoria de "100 cc" em três baterias, todas realizadas no domingo em um total de 21 voltas. Ainda em 1978, Ayrton conseguiu um recorde dentro do kartismo, quatro vitórias em um mesmo dia. O feito aconteceu em Uberlândia na inauguração do kartódromo da cidade. Foram duas vitórias pela categoria 100 cilindradas e outras duas pela 125 cc. Das quatro vitórias, a que mais chamou a atenção foi a da segunda bateria, na qual ele largou em 18º e venceu com apenas nove voltas. Senna também quebrou o recorde da pista até então com a marca de 1min08s36 no traçado de 1.200 metros.

No mundial de kart realizado em 1979 em Estoril, Ayrton usou pela primeira vez o capacete amarelo que se tornou sua marca registrada nas pistas. A pintura foi feita por Sid Mosca. No entanto, como cada país tinha sua própria pintura, todos os competidores do Brasil usaram o mesmo layout, conforme exigia o regulamento da competição. Senna terminou empatado com o holandês Peter Koene em primeiro lugar. Segundo a equipe brasileira, em caso de igualdade de pontos, seria levado em consideração o confronto direto na última das três finais, prova que Ayrton venceu com boa margem em relação aos concorrentes. A organização do Mundial, por outro lado, teve uma interpretação diferente do regulamento: o título seria de Koene graças ao resultado das semifinais, onde ele havia terminado em quarto lugar, enquanto Senna foi o oitavo. Na prova, o brasileiro era o segundo colocado até perto das voltas finais, quando o líder teve um problema com o kart na frente de Ayrton, que não teve tempo de desviar da colisão e ambos rodaram. Ao retornar ao Brasil, o brasileiro conversou com Sid Mosca para que fizesse daquela pintura sua marca própria dentro das pistas.

Em 1981, começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 (12 vitórias em 20 corridas), pela equipe de Ralf Firman. Ao final da temporada, Ayrton encontrava-se em um dilema: apesar do sucesso na temporada, não conseguiu novos patrocinadores, razão pela qual não conseguiria se sustentar na Europa. Sua família não o apoiava integralmente, com receio dos perigos das pistas de corrida. Por tudo isso, decidiu abandonar o automobilismo e administrar uma loja de material de construção montada pelo pai no bairro Parque Novo Mundo, na Zona Norte da capital paulista. Porém, em fevereiro de 1982, decidiu voltar à Europa e continuar sua carreira.

Ayrton Senna em seu carro Van Diemen Fórmula Ford em 1981. © Instituto Ayrton Senna.

Em 1982, foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000 (22 vitórias em 27 corridas), pela equipe de Dennis Rushen. Deste campeonato, destaca-se a histórica vitória no Circuito de Snetterton (Inglaterra), quando Ayrton correu a prova inteira com problemas nos freios dianteiros.

Nessa época adotou o nome de solteira da mãe, Senna, pois Silva é um nome bastante comum no Brasil. No mesmo ano, no dia 30 de maio, o brasileiro participou de uma "corrida das celebridades" denominada "Shell Super Sunbeam for Celebrities", realizada no circuito de Oulton Park, Inglaterra. Senna venceu e fez a melhor volta a bordo de um TalbotSunbeam T1. Já em 13 novembro, fez sua estreia na Fórmula 3 Britânica em Thruxton, venceu, fez a pole position e a volta mais rápida, com um "Ralt Toyota RT3". No início de outubro de 1982, mesmo com a pouca visibilidade que a categoria possuía, Senna já era um nome de destaque do esporte brasileiro, refletindo na sua chegada ao Brasil depois da conquista do título da Formula Ford, que contou com a presença maciça de jornalistas e até mesmo de admiradores. Em dezembro de 1982 Ayrton foi convidado para participar de uma corrida especial de encerramento da temporada da recém-criada categoria de superkart. Mesmo sem nunca ter pilotado aquele novo tipo de kart, Ayrton fez a pole marcando 46s43, batendo o recorde do Kartódromo de Interlagos até então. Os outros pilotos - 41 no total - ficaram um segundo ou mais atrás de Senna. Na primeira bateria, o tricampeão se envolveu em um acidente na largada com outros 20 karts, caindo para a 11ª posição. Porém, fez uma prova de recuperação e conseguiu terminar em terceiro. Na segunda bateria, Senna assumiu a ponta na primeira volta e manteve o primeiro lugar até o final. Na bateria final, que contou com 30 karts, Senna largou em quarto e também conseguiu a liderança logo no início. Dali em diante ele manteve a ponta e venceu com 15 segundos de vantagem para o segundo colocado.

Em 1983, Senna venceu o campeonato inglês de Fórmula 3 Inglesa (treze vitórias em 21 corridas, sendo 9 delas consecutivas), pela equipe de Dick Bennetts, depois de uma disputa com o inglês Martin Brundle, que corria pela equipe de Eddie Jordan. O campeonato inglês de Fórmula 3 Inglesa dessa temporada gerou uma controvérsia envolvendo o piloto inglês, que acabou por ficar com o vice-campeonato. Foi acusado por todos os pilotos de ter utilizado um carro fora das especificações do regulamento, conseguindo assim se aproximar de Ayrton na segunda metade do campeonato. O recurso impetrado pelos pilotos foi julgado em novembro de 1983 pelo tribunal do 'Royal Automobile Club' e o inglês foi condenado por unanimidade. A referida condenação refere-se a uma corrida, a única em que a equipe foi apanhada, quando o carro tinha uma abertura maior na admissão do motor e menor altura das "minissaias", proporcionando ao piloto fazer menores tempos nos treinos e corridas.

Por conta dessa inferioridade em relação ao carro do piloto inglês, Ayrton usou uma tática curiosa no GP de Thruxton, no qual venceu de ponta a ponta. A equipe colocou uma fita adesiva para fechar a saída de ar do radiador do óleo, assim o óleo atingiria a temperatura ideal com mais rapidez. Com a temperatura da água aumentando, Senna precisou afrouxar o cinto e retirar o adesivo com a mão após algumas voltas em uma manobra bastante arriscada, mas que valeu o título ao final da prova.

A conquista da Fórmula 3 lhe valeu o cumprimento do então presidente João Figueiredo através de um telegrama. Neste último campeonato, após várias vitórias em Silverstone, a imprensa inglesa especializada chegou a chamar o circuito de Silvastone, em homenagem a Ayrton. Também em 1983 triunfou no prestigioso Grande Prêmio de Macau pela Teddy Yip's Theodore Racing Team, diretamente relacionado à equipe que o conduziu à F3 britânica.

Ainda em 1983 realizou seus primeiros testes com um carro de Fórmula 1. Primeiro com a Williams, o piloto bateu o recorde da pista de Donington Park até então. Em poucas voltas, Senna já tinha igualado o tempo de Jonathan Palmer, piloto de testes da Williams, em 1min01s7. Nas 83 voltas que deu, atingiu o recorde de 1m00s5. Também realizou testes para a McLaren, onde Senna impressionou o chefe da equipe Ron Dennis. Mesmo com a concorrência de outros dois pilotos convidados para os testes, o inglês Martin Brundle e o alemão Stefan Bellof, Senna foi o mais rápido dos três em Silverstone. A outra equipe pela qual Senna treinou foi a Toleman, treinos estes realizados em Silverstone, Senna foi mais rápido que o titular da equipe, o inglês Derek Warwick, tanto com pista seca como com pista molhada. Em sua melhor passagem, o brasileiro registrou 1min11s05, tempo que daria o quinto lugar numa corrida. No final de 1983, mesmo antes de sua estreia na F1, Ayrton já GOZAVA de grande prestígio, como pode ser conferido no especial denominado: Ayrton Senna Especial - Do Kart à Fórmula 1, que a Rede Globo produziu em outubro do referido ano, contando sua trajetória no automobilismo até então.

CARREIRA NA FÓRMULA 1

Um Toleman TG184 de Fórmula 1, ex-Ayrton Senna (1984). No museu Donington Grand Prix Collection, Leicestershire, Reino Unido.

Toleman (1984): Senna atraiu a atenção de diversas equipes de Fórmula 1 como Williams, McLaren, Brabham e Toleman. Ao contrário do que se imagina, seu compatriota Nelson Piquet não se opôs à sua contratação pela Brabham. A patrocinadora da equipe, a Parmalat, tinha mais interesse em ter um piloto italiano na equipe do que ter dois brasileiros, influenciando na decisão da equipe em contratar o piloto italiano Teo Fabi para a temporada. Senna, imaginando que Piquet tinha mais influência na equipe, ficou ressentido, declarando em uma entrevista que "Ele (Piquet) não ajudou e nem atrapalhou", dando a entender que sua ida à Brabham foi vetada pelo então bicampeão mundial. Assim, das três remanescentes, apenas a equipe Toleman ofereceu a ele um carro para disputar o campeonato do ano de 1984.

Senna marcou seu primeiro ponto no campeonato mundial de pilotos logo no segundo grande prêmio que disputou, em Kyalami na África do Sul. Ele repetiu o resultado duas semanas depois, no Grande Prêmio da Bélgica, disputado no circuito de Zolder. Uma semana depois, o piloto brasileiro não conseguiu tempo para o Grande Prêmio de San Marino, em Imola. Tal fato aconteceu devido a um desentendimento entre a equipe Toleman e a fábrica italiana de pneus Pirelli, Ayrton e seu companheiro de equipe, Johnny Cecotto, não puderam participar dos treinos de sexta-feira. No sábado, sob chuva intensa, Ayrton Senna foi o piloto mais rápido na pista molhada, mas longe das marcas obtidas pelos seus adversários no dia anterior na pista seca. Depois, porém, com a pista seca, com muitos problemas no motor turbo Hart de seu Toleman, Senna se viu impedido de fazer um bom tempo.

Uma semana antes do GP de Mônaco de 1984, ele participou do evento promocional Corrida dos Campeões de Nurburgring, ao lado de ex-campeões da F-1, como Sir Stirling Moss, Jack Brabham, John Surtees, Phil Hill, Niki Lauda e o futuro campeão Alain Prost. Todos correram com o mesmo carro de rua - um Mercedes 190 E 2,3 - 16 - e Senna chegou em primeiro, logo à frente de Niki Lauda.

A corrida inaugural do novo circuito de Nürburgring, em 12 de maio de 1984, foi uma exibição com pilotos de Fórmula 1, incluindo ex-pilotos como Stirling Moss e campeões mundiais como Jack Brabham. Todos pilotavam Mercedes-Benz 190E 2.3-16 idênticos, com Alain Prost na pole position e Ayrton Senna em segundo. Senna assumiu a liderança na primeira volta, na primeira curva.

No GP de Mônaco, seu desempenho trouxe-lhe todas as atenções das demais equipes. Classificou-se em 13º no grid de largada, e fez um rápido progresso através das estreitas ruas de Monte Carlo. Na volta 19, passou Niki Lauda, que estava em segundo, e começou a ameaçar o líder Alain Prost, e continuou por várias voltas lutando pelo primeiro lugar com seu limitado Toleman. A esta altura já chovia muito no circuito e a corrida foi interrompida na volta 31 por razões de segurança. Senna chegou a comemorar a vitória ultrapassando Alain Prost a poucos metros da linha de chegada, mas, nesses casos, o regulamento mandava considerar as colocações da volta anterior e, ainda, por ter sido interrompida com menos da metade da corrida, os pontos deveriam ser computados pela metade. Senna ainda ganharia dois pódios naquele ano - terceiro no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em Brands Hatch, e no GP de Portugal, em Estoril. Isso o deixou empatado com Nigel Mansell com treze pontos, apesar de ter perdido o GP da Itália quando a Toleman o suspendeu de correr por quebra de contrato, depois de ele ter assinado com a Lotus para a temporada seguinte. Suas atuações fizeram-no a revelação da temporada, segundo revistas especializadas.

Ainda em 1984, Senna tomou parte nos 1000 km de Nürburgring, onde pilotou o Porsche 956, correndo em parceria com Henri Pescarolo e Stefan Johansson. Apesar de ser sua estreia nesse tipo de competição, Ayrton Senna conseguiu fazer a melhor volta em três oportunidades durante a corrida, tanto em pista seca como em condições de chuva, além de marcar o sétimo melhor tempo, embaixo de chuva. Somados os tempos dos três pilotos, a equipe largou em nono lugar. No final, a equipe de Ayrton terminou em oitavo lugar sendo prejudicada por um problema que obrigou o carro a ficar parado durante 17 minutos, aproximadamente oito voltas. A equipe acreditava na época que sem o referido problema, o carro chegaria em terceiro lugar. Esta corrida, juntamente com a Corrida dos Campeões de Nurburgring, foram as únicas que Senna realizou correndo em carros com cockpit fechado.

Em novembro de 1984, Ayrton sofreu uma paralisia facial, que a princípio se pensou ser um derrame. Na verdade, era uma paralisia facial periférica, resultado de uma mastoidite, inflamação do nervo mastoide, responsável pelos comandos do cérebro à musculatura facial. No princípio, Senna tratou a doença com altas doses de cortisona, porém, com medo de efeitos colaterais, experimentou um tratamento alternativo com o médico Haruo Nishimura. No entanto, o tratamento não surtiu efeito, tendo assim que voltar ao tratamento convencional. O problema foi resolvido quando o preparador físico Nuno Cobra começou a tratar do piloto.

Lotus (1985-1987): Na Lotus, em 1985, tinha como parceiro o italiano Elio De Angelis. Senna largou em quarto na sua primeira corrida pela nova equipe na abertura da temporada no Brasil, no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, mas abandonou a prova devido a problemas elétricos. Na segunda corrida do ano, o GP de Portugal, disputado no Autódromo do Estoril, em 21 de abril de 1985, conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1, largando na pole position sob pesada chuva. Alain Prost, em segundo, abandonou depois de bater no muro. Ayrton Senna conseguiu sua segunda vitória, também sob chuva, no GP da Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps. Graças ao seu excelente desempenho nos treinos e ao motor Renault, Senna passaria a ser o "rei das pole positions". Encerraria o ano com uma corrida marcante no GP da Austrália, quando repetiu um feito de seu ídolo Gilles Villeneuve e pilotou um bom tempo sem o bico do carro, saindo várias vezes da pista, mas mantendo a segunda posição. O carro mais uma vez não aguentou o esforço e Senna abandonou a corrida. Senna terminou a temporada em 4º lugar no Campeonato Mundial de Pilotos com 38 pontos e seis pódios (duas vitórias, dois segundos e dois terceiros lugares), além de sete pole positions. Devido ao seu desempenho, foi eleito o mais popular e o melhor piloto da temporada segundo a revista Autosprint.

Em 1986, a Lotus escolheu o escocês Johnny Dumfries como parceiro, com o aval de Senna, que vetou o inglês Derek Warwick sob a alegação de que a Lotus não tinha condições de manter carros competitivos para dois pilotos de ponta ao mesmo tempo. A nova Lotus 98T mostrou ser mais confiável em 1986 e a temporada começou bem para Senna, que terminou em segundo na corrida vencida pelo também brasileiro Nelson Piquet, no GP do Brasil em Jacarepaguá. Reconhecendo estar com um carro inferior aos da Williams e McLaren, Senna passou a adotar uma estratégia de não parar para trocar pneus, buscando ficar na frente dos adversários o maior tempo possível. Com essa tática, ele passou a liderar o campeonato pela primeira vez na carreira, depois de vencer o GP da Espanha, em Jerez de la Frontera, no qual bateu a Williams de Nigel Mansell por 0,014s - uma das menores diferenças de chegada da história da F1.

Todavia, a liderança do campeonato não foi mantida por muito tempo, já que Senna abandonou diversas outras corridas por problemas mecânicos. A caça ao primeiro título mundial acabou sendo uma luta entre Prost e sua McLaren-TAG e a dupla Piquet e Mansell da Williams-Honda. Na Hungria, um circuito ainda mais travado (onde as ultrapassagens são mais difíceis), repetiu uma vez mais a estratégia, mas foi ultrapassado por Nelson Piquet. Ainda nesse ano, Senna se tornaria definitivamente um ídolo no Brasil ao conquistar sua segunda vitória na temporada no GP dos Estados Unidos, disputado em Detroit, e terminou o campeonato novamente na quarta colocação, com 55 pontos, oito poles e seis pódios.

Sobre a experiência, Senna fez a seguinte declaração: Não sei nada sobre rali e não quis perguntar nada a ninguém sobre a pilotagem. Quero descobrir sozinho. (...) Em um carro de corridas, você conhece exatamente todas as curvas, porque você faz aquilo, sei lá, cem vezes em um dia de testes. Você sabe como é o asfalto, qual o melhor traçado, e você tem que ser preciso. Você conhece a área de escape e você tem mais… mais feeling sobre tudo. Aqui é tudo muito mais natural, porque você precisa improvisar o tempo todo. Você precisa fazer muitas decisões e não há espaço para erros, senão você sai da pista. É difícil comparar com a F1 porque aqui há muito mais empolgação. Você não tem a velocidade máxima, mas tem uma tremenda aceleração. É uma emoção muito mais instantânea do que em um carro de F1. No carro de Fórmula 1 você vai, vai vai vai vai e aí freia. Você chega a um pico e depois freia, vai ao pico e freia. É algo muito diferente.

Ainda em 1986, a convite da revista britânica Cars and Car Conversions, Senna fez testes em carros de rally (ele dirigiu um Vauxhall Nova 1.3, um Golf GTi do Grupo A, um Ford Sierra Cosworth RS, um Ford Escort V6 3.4 de tração integral e um Austin Metro 6R4 do Grupo B - com o mesmo V6 que acabou no Jaguar XJ220), porém com apenas 250 cv. A matéria rendeu oito páginas. Mais tarde, esta edição tornar-se-ia artigo de colecionador e um dos raríssimos exemplares chegou a custar £ 100 no eBay.uk. Os testes foram realizados no País de Gales e o trajeto escolhido tinha 2,4 km e fazia parte de uma região de florestas, usado em etapas especiais de ralis britânicos. Os testes também serviram de tema da capa da revista italiana Autosprint, sob o título de "Senna Rallista!"

O ano de 1987 veio com muitas promessas de dias melhores. A Lotus tinha um novo patrocinador, o Camel, e o mesmo poder dos motores Honda das Williams depois que a Renault decidira se retirar do esporte. Depois de um começo lento, Senna ganhou duas corridas em seguida: o prestigioso GP de Mônaco (a primeira do recorde de seis vitórias no principado) e o GP dos Estados Unidos em Detroit (nesse sem trocar os pneus, sendo o único piloto da zona de pontuação que não fez pit stops), também pelo segundo ano seguido, e mais uma vez chegou à liderança do campeonato. Nesse momento, a Lotus 99T Honda parecia ser mais ou menos igual aos ótimos Williams-Honda, mais uma vez pilotados por Piquet e Mansell. Mas, apesar da performance do 99T, que usava a tecnologia da suspensão ativa, as Williams FW11B de Nelson Piquet e Nigel Mansell eram ainda carros a serem batidos. A diferença entre as duas equipes nunca foi tão evidente quanto no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, onde Mansell e Piquet voaram sobre as Lotus de Senna e seu parceiro Satoru Nakajima. Depois de rodar na pista devido a uma falha na embreagem a três voltas do final no GP do México, Senna ficou fora da luta pelo campeonato, deixando Piquet e Mansell brigando por ele nas últimas duas corridas.

Mansell feriu-se nas costas em um grave acidente durante os treinos para o GP do Japão de 1987, em Suzuka, deixando o campeonato nas mãos de Piquet. Entretanto, isso significava que Senna poderia terminar a temporada em segundo lugar se ele terminasse a corrida entre os três primeiros nas duas corridas que faltavam - Japão e Austrália. Terminou as duas em segundo, mas as medições feitas no carro depois do GP da Austrália constataram que os dutos dos freios eram mais largos do que o permitido pelo regulamento e Senna foi desclassificado, dando à Lotus a sua última temporada bem-sucedida. Ele acabou classificado em terceiro na colocação final, com 57 pontos, uma pole e oito pódios (duas vitórias, quatro segundos e dois terceiros). Essa temporada marcou uma reviravolta na carreira de Senna depois de ele ter construído uma profunda relação com a Honda, que lhe rendeu grandes dividendos. Ayrton foi contratado pela McLaren, que acertou com a Honda o fornecimento de motores V6 Turbo para 1988.

Ayrton Senna saindo dos boxes no Grande Prêmio de Ímola de 1988.

McLaren (1988-1993): Em 1988, as McLaren-Honda ostentavam os números 11 e 12, desta vez com a dupla Alain Prost e Ayrton Senna. Um dos principais momentos da temporada de 1988 aconteceu em Mônaco. Durante os treinos oficiais, Ayrton fez a pole position com uma vantagem de 1:427 para Alain Prost. Nos treinos, segundo o brasileiro, ele estava guiando em outra dimensão e, de certa forma, não tinha uma total consciência do que estava acontecendo. Na corrida, Ayrton liderava com uma margem de quase 1 minuto para o segundo colocado, o francês Alain Prost. No entanto, o tricampeão mundial acabou batendo na 66ª volta, dando a vitória ao adversário francês.

No GP do Japão, Senna, que largava na pole, não conseguiu largar e caiu para 17ª posição. Entretanto, já nas primeiras voltas, Ayrton ultrapassou oito adversários. Na 28ª volta, Senna ultrapassou Prost e terminou ao final da prova com 13 segundos de vantagem para o francês, conquistando o título.

Logo após o primeiro título mundial, Senna participou do especial de Roberto Carlos na TV Globo afirmando que, nas últimas voltas do GP do Japão, o qual lhe garantiu o título com uma vitória, ele teve uma visão do que ele achava ser Deus. Senna pilotou a McLaren MP4/5 em 1989. Nesse ano, a rivalidade entre ele e Alain Prost se intensificou, notadamente a partir do GP do Japão, mantendo-se entre as temporadas de 1990 e 1991.

No GP de Mônaco de 1989, Ayrton novamente abriu uma vantagem sobre o francês acima de 50 segundos, alcançando a vitória desta vez. Senna disse, logo após a prova, que seu carro tinha perdido as duas primeiras marchas e, por conta disso, precisou mudar sua forma de pilotagem. Algo parecido aconteceria no GP Brasil de 1991.

Prost conquistou o tricampeonato em 1989, depois de uma colisão com Senna durante o GP do Japão, em Suzuka, penúltima corrida da temporada, e que Senna precisava vencer para ter chances de conquistar o campeonato mundial na última etapa. Senna tentou ultrapassar Prost na chicane, os dois "tocaram" os pneus e foram para fora da pista com os carros entrelaçados, Senna retornou à pista auxiliado pelos fiscais, que empurraram seu carro pois o motor havia apagado e ele foi direto aos boxes para reparar o bico do carro danificado na manobra. Voltando à pista, tirou a liderança de Alessandro Nannini, da Benetton, e chegou em primeiro, sendo desclassificado pela FIA por cortar a chicane depois da colisão com Prost. A penalização e a suspensão temporária de sua superlicença - que é a habilitação de um indivíduo para pilotar carros de F1 - fez com que Senna travasse uma batalha de palavras com a FIA e seu presidente Jean-Marie Balestre. Anos mais tarde, em 1996, já fora da presidência da FIA, Balestre admitiu que beneficiara o compatriota naquele final de campeonato.

Em 1990, no mesmo circuito e com os dois pilotos novamente disputando o título mundial, Senna tirou a pole de Prost. A Ferrari de Prost fez uma largada melhor e pulou à frente da McLaren de Senna, que antes mesmo da largada havia declarado que não permitiria uma ultrapassagem de Prost. Na primeira curva, Senna tocou a roda traseira de sua McLaren na Ferrari de Alain Prost a 270 km/h, levando os dois carros para fora da pista. Ao contrário do ano anterior, desta vez o abandono dos pilotos deu a Senna o seu segundo título mundial. Neste ano, Senna conquistou o título mesmo com um equipamento inferior ao da Ferrari, notadamente a partir do meio da temporada.

A temporada de 1990 reservou um momento inusitado na história da Fórmula 1. Em setembro daquele ano, durante o GP de Monza, na Itália, Senna fez uma aposta com o chefe de equipe Ron Dennis. O chefe da McLaren não acreditava na vitória de Ayrton dentro da casa da Ferrari. O brasileiro decidiu propor uma aposta com Ron: caso conseguisse a vitória, ele ganharia o carro do triunfo de presente. Além de ter vencido a corrida, Senna fez a pole position, marcou a volta mais rápida da prova e liderou de ponta a ponta, sem dar chances para a Ferrari de Alain Prost, seu rival na disputa pelo título daquela temporada, que terminou na segunda colocação. A McLaren foi recebida pela família do piloto e hoje faz parte do acervo do Instituto Ayrton Senna.

Ayrton Senna saindo dos boxes no Grande Prêmio de Ímola de 1988. © Instituto Ayrton Senna 14 de Maio de 2010, 13:47:04.

O GP Brasil de 1991 marcou a primeira vitória de Ayrton Senna em sua terra natal pilotando um Fórmula 1. Aliado a isso, o fato de a corrida ter possuído um final dramático, com a perda de quase todas as marchas de sua McLaren e o consequente desgaste físico acima do normal, fazendo com que ele não conseguisse sair do carro sozinho, fez dessa corrida uma das mais lembradas da carreira do piloto brasileiro.

Logo após a bandeirada final, a comunicação de rádio da equipe foi aberta na TV, no exato momento em que Ayrton gritava, em parte pela vitória inédita como também pelas dores que sentia devido ao desgaste da corrida. Ainda na pista, em seguida à conquista inédita de Senna, os fiscais de pista comemoravam a vitória do brasileiro com pulos e abraços. Mais tarde, Ayrton retornou a sua mansão na Zona Norte da cidade de São Paulo escoltado por policiais, devido à presença maciça de público em frente a sua residência. Em seguida, já em cima do muro que cerca a mansão, Senna acenou para o público presente.

No dia seguinte à conquista em Interlagos, Senna concedeu uma entrevista coletiva no Aeroporto Campo de Marte, no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo. Além da grande presença de integrantes da imprensa e de público, o que chamou a atenção foi a história de Francisco Lins Silva, o "Chiquinho", então com doze anos, que caminhou cerca de cinco quilômetros da Freguesia do Ó até o Campo de Marte para conhecer o tricampeão mundial. Por volta de quatro meses depois, Chiquinho acabou por conhecer a mansão de Ayrton, além de visitar o quarto do seu ídolo.

Em 1991, depois de conquistar seu terceiro título mundial, mesmo com um equipamento inferior em relação à Williams, Senna explicou à imprensa o que acontecera no ano anterior em Suzuka. Tinha como prioridade conseguir a pole, pois havia recebido informações seguras de que esta mudaria de lado, passando para a esquerda, o lado limpo da pista, somente para descobrir que essa decisão havia sido revertida por Balestre depois que ele conquistara a pole. Ao explicar a colisão com Alain Prost, Ayrton Senna disse que queria deixar claro que ele nunca iria aceitar as decisões injustas de Balestre, incluindo a sua desclassificação em 1989 e a pole de 1990.

Eu acho que o que aconteceu em 1989 foi imperdoável e eu nunca irei esquecer isso. Eu me empenho em lutar até hoje. Você sabe o que aconteceu aqui: Prost e eu batemos na chicane, quando ele virou sobre mim. Apesar disso, eu voltei à pista, ganhei, e eles decidiram contra mim, o que não foi justo. E o que aconteceu depois foi "teatro", mas eu não sei o que pensei. Se você faz isso, você será penalizado, multado e talvez perca sua licença. Essa é a forma correta de trabalhar? Não… Em Suzuka no ano passado eu pedi aos organizadores para trocar o lado da pole. Não foi justo, porque o lado direito é sempre o sujo. Você se esforça pela pole e é penalizado por isso. E eles dizem: "Sim, sem problema." E depois o que acontece? Balestre dá a ordem para não mudar nada. Eu sei como o sistema funciona e eu pensei que foi mesmo uma m****. Então eu disse a mim mesmo: "Ok, aconteça o que acontecer, eu vou entrar na primeira curva antes - Eu não estava preparado para deixar o outro (Alain Prost) chegar na curva antes de mim. Se eu estou perto o suficiente dele, ele não poderá virar na minha frente - e ele será obrigado a me deixar seguir." Eu não me importo em bater; eu fui para isso. E ele não quis perder a chance, virou e batemos. Foi inevitável. Tinha que acontecer. "Então você deixou isso acontecer", alguém diria. "Por que eu causaria isso?". Se você se ferrar cada vez que estiver fazendo o seu trabalho limpo, conforme o sistema, o que você faz? Volta para trás e diz "Obrigado"? De jeito nenhum! Você deve lutar para o que você acha que é certo. Se a pole estivesse colocada na esquerda, eu teria chegado na frente na primeira curva, sem problemas. Que foi uma péssima decisão manter a pole na direita, e isso foi influenciado pelo Balestre, isso foi. E o resultado foi que aconteceu na primeira curva. Eu posso ter contribuído, mas não foi minha responsabilidade.

— Ayrton Senna.

Logo após a conquista do tricampeonato mundial de Fórmula 1 em 1991, Senna foi recebido com honras militares e de estadista na sua chegada na capital paulista. Primeiro, o avião no qual ele aportou em São Paulo foi acompanhado, no trecho final da viagem, por caças da Força Aérea Brasileira. Logo após, recebeu da então prefeita Luiza Erundina, a chave da cidade. Em seguida, desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade. A princípio, a carreata seria feita em um caminhão do Corpo de Bombeiros, porém, com a negativa do próprio Ayrton, ele terminou desfilando em um carro conversível particular. A enorme quantidade de pessoas e automóveis aglomerados acabou por prejudicar o trânsito da cidade, além de ocasionar um acidente envolvendo cinco carros.

Ainda em 1991, no Autódromo do Estoril, em Portugal, Ayrton participou de um desafio inusitado. Ele, com seu McLaren MP4/6, além de Gareth Rees, piloto que conquistaria o título da Fórmula 2 britânica em 1996, com um Honda Concerto, e Allan McNish, futuro tricampeão das 24 Horas de Le Mans, em 1998, 2008 e 2013, com um Porsche 911 Turbo, disputaram uma volta no autódromo português para constatar quão rápido era um carro de Fórmula 1. O primeiro a largar foi o Honda, 19,5 segundos depois foi a vez do Porsche e, 1 min 15s após o Honda e 55,5 segundos após o Porsche, foi a vez da McLaren. Ao final da volta, Ayrton chegou à frente no desafio, com um tempo total de disputa de 2 min 28s, sendo que 1 min 13 s foi o tempo marcado por Ayrton para completar a volta no circuito.

Em 1992, Senna chegou até a cogitar correr na Fórmula Indy. O primeiro incidente aconteceu durante treino no GP da Bélgica. Naquele treino, o piloto francês Erik Comas bateu violentamente contra o muro e ficou desacordado, com seu carro parado no meio da pista. Ao passar pelo local segundos após o acidente, Senna parou sua McLaren e correu em direção à Ligier/Renault, que vazava combustível e estava prestes a explodir. Percebendo que Comas estava desacordado no cockpit, Senna desligou a ignição do carro do companheiro e evitou o risco de um incêndio.

Briga com Michael Schumacher: Já o segundo acontecimento foi o abalroamento que o piloto brasileiro teve com o então jovem Michael Schumacher, na oitava etapa, o GP da França em Magny-Cours. Após a largada, ocupando a 4ª posição, Senna ia contornar a curva Adelaide, quando de repente foi atingido por trás pelo Benetton número 19; sem condições de sair do local, Senna abandonou a corrida prematuramente. Antes de começar a segunda largada, o brasileiro foi até Schumacher e disse: "Você fez uma cagada do tamanho de um bonde e me jogou para fora da pista". O piloto alemão não respondeu e Senna deixou o local.

Senna demorou muito a decidir o que fazer em 1993 e chegou ao final do ano sem ser contratado por nenhuma equipe. Ele sentiu que os carros da McLaren não seriam competitivos, especialmente depois que a Honda resolveu se retirar da F1 no final de 1992, e não poderia ir para a Williams enquanto Prost estivesse por lá, pois o contrato dele proibia a equipe de ter Senna como seu parceiro. Ron Dennis, chefe da McLaren, estava tentando assegurar um fornecimento de motores Renault V10 para 1993. Com a recusa da Renault, a McLaren foi obrigada a pegar os motores Ford V8 como um cliente comum. Dessa forma, a McLaren recebeu versões de motores mais velhas do que os clientes preferenciais da Ford, como a Benetton, e tentou compensar essa deficiência de potência com mais tecnologia e sofisticação, inclusive um sistema efetivo de suspensão ativa. Dennis finalmente persuadiu Senna a voltar para a McLaren, mas o brasileiro concordou somente em assinar para a primeira corrida da temporada, na África do Sul, onde ele iria verificar se os carros da McLaren eram competitivos o bastante para lhe proporcionar uma boa temporada. Senna concluiu que esse novo carro tinha um surpreendente potencial, mas ainda estava abaixo da potência, e não seria páreo para a Williams-Renault de Prost. Senna decidiu não assinar por uma temporada e sim por cada corrida a ser disputada. Eventualmente ele poderia permanecer por um ano, apesar de algumas fontes afirmarem que isso foi mais um jogo de marketing entre Dennis e Senna.

Depois de terminar em segundo lugar na corrida de abertura da temporada na África do Sul, Senna ganhou os GPs do Brasil e da Europa, em Donington Park, na chuva. Esta última é frequentemente lembrada como "a corrida da volta perfeita" e como sendo uma de suas maiores vitórias na F1. Ele largou em quarto e caiu para quinto na primeira curva, mas já estava liderando antes de a primeira volta ser completada. Alguns pilotos precisaram de sete pit stops para trocar os pneus de chuva/lisos, dependendo das mudanças climáticas ao longo da corrida.

Sobre esta corrida, Galvão Bueno fez o seguinte depoimento:

Não tive dúvida nenhuma de que estava vendo algo histórico, porque tive uma corrida inteira para raciocinar sobre isso. Só Ayrton Senna seria capaz de uma primeira volta, a mais fantástica que um piloto fez na história, e de uma vitória assim naquela circunstância. Eu disse ao engenheiro dele no fim da corrida "definitivamente, desse planeta ele não é". E o cara falou: "disso eu nunca tive dúvida!"

— Galvão Bueno

Outra curiosidade sobre esta corrida é que ele cravou a volta mais rápida da prova passando por dentro do box (à época não tinha limite de velocidade passar pelos boxes), sendo primeira e única vez na história da Fórmula 1 que isso aconteceu.

“Eu sabia que por ali era mais rápido, eu fiz para experimentar. Quando me informaram que era a melhor volta da corrida, eu falei ‘OK, se o Prost passar à minha frente, eu vou passar ele por dentro do box’. Só isso!”

— Ayrton Senna

Depois do histórico GP da Europa de 93, Senna foi 2º na Espanha e quebrou o recorde de seis vitórias em Mônaco, o que lhe fez jus ao antigo apelido de Graham Hill: "Mister Mônaco". Depois de Mônaco, a sexta corrida da temporada, Senna liderou o campeonato à frente da Williams-Renault de Alain Prost e da Benetton de Michael Schumacher, apesar da inferioridade do equipamento da McLaren em relação às duas equipes. A cada corrida, as Williams de Prost e Damon Hill mostravam a superioridade, com Prost caminhando para o campeonato enquanto Hill mantinha os segundos lugares. Senna concluiu a temporada e sua carreira na McLaren com cinco vitórias (Brasil, Europa, Mônaco, Japão e Austrália) e ficou com o vice na classificação geral. A penúltima corrida da temporada foi marcada por um incidente entre o estreante norte-irlandês Eddie Irvine e Senna, iniciado numa manobra do atrevido piloto. Após a prova, o brasileiro, inflamado, foi aos boxes da equipe Jordan e socou o estreante na categoria.

Williams (1994): Senna já havia tentado entrar para a Williams em 1993, mas foi impedido por Prost, que vetou seu nome. Ayrton Senna se ofereceu para pilotar por nada, pois seu desejo era fazer parte da vencedora equipe Williams-Renault, mas foi impedido por uma cláusula no contrato do francês que impedia o brasileiro de entrar para a equipe (Ato declarado no Filme "Senna"). Porém, essa cláusula não se estenderia até 1994, o que fez Prost se retirar das corridas um ano antes de vencer seu contrato, preferindo isso a ter seu principal rival como companheiro de equipe. Em 1994, Senna finalmente assinou com a equipe Williams-Renault. Senna agora estava na equipe que havia ganho os dois campeonatos anteriores com um veículo muito superior aos demais. Prost, Senna e Damon Hill haviam ganho todas as corridas exceto uma, vencida por Michael Schumacher.

A pré-temporada de testes mostrou que o carro era rápido, mas difícil de dirigir. A FIA havia banido os sistemas eletrônicos, incluindo a suspensão ativa, o controle de tração e os freios ABS para fazer o esporte mais "humano". A Williams não se mostrou um carro equilibrado no início da temporada. O próprio Senna fez várias declarações de que o carro era instável e desajeitado, indicando que o FW16, depois de perder a suspensão ativa, os ABS e o controle de tração, entre outras coisas, já não oferecia a mesma superioridade mostrada pelos FW15C e FW14B dos anos anteriores. Apesar de menor potência, a equipe Benetton pilotada por Schumacher apontou como maior rival.

A primeira corrida da temporada 1994 foi no Brasil, disputada em Interlagos, quando Senna fez a pole. Na corrida, Senna assumiu a ponta, mas Michael Schumacher com a Benetton tomou a liderança depois de passar Ayrton Senna nos boxes na volta 21. Senna, determinado a vencer no Brasil, perdeu o controle de sua Williams, rodou na curva da Junção, ficando parado na zebra e abandonando a prova na volta 55. Durante os treinos para o Grande Prêmio do Brasil, algo muito raro aconteceu quando Senna narrou sua própria volta a bordo da Williams em transmissão ao vivo pela TV Globo.

A segunda prova foi no GP do Pacífico, disputado em Aida, no Japão, onde Senna novamente ganhou a pole, porém envolveu-se numa colisão já na primeira curva. Foi tocado atrás por Mika Häkkinen e sua corrida acabou definitivamente quando a Ferrari de Nicola Larini também bateu na sua Williams. Gerhard Berger, da Ferrari, terminou em segundo enquanto Schumacher venceu novamente.

Luca Di Montezemolo, diretor da Ferrari naquela ocasião, informou que Senna veio até ele na quinta-feira anterior à prova de Ímola e elogiou a Ferrari pela batalha contra os eletrônicos na F1. Senna disse também que gostaria de encerrar sua carreira correndo pela Ferrari.

OUTRAS ATIVIDADES

Além das corridas de carros, Ayrton dedicava-se a tudo que apresentasse algum nível de velocidade, como por exemplo: jet-skis, motos, aeromodelos e principalmente helicópteros.

Ayrton tinha o seu próprio helicóptero – um Esquilo – e acabou por tornar-se piloto privado, conseguindo o seu brevê em 1993. No dia 10 de outubro de 1993, Ayrton realizou o "check final" do brevê. Depois de uma hora e 40 minutos de voo, o coronel Fiúza – oficial da Força Aérea Brasileira – que ficou incumbido de "brevetar" Senna para helicópteros, ficou impressionado com a qualidade do novo "brevetado".

Ayrton teve três helicópteros "Esquilos", pilotando dois deles, o HYO e o HNY. No total, voou pouco mais de 100 horas, registradas na CIV (Caderneta de Informações de Voo). Sua última decolagem aconteceu no dia 3 de abril de 1994, partindo de sua fazenda em Tatuí – interior de São Paulo – para o Campo de Marte – zona norte da capital paulista.

Aeromodelismo: Em sua fazenda em Tatuí, Ayrton cuidava de seus pequenos aviões, além de helicópteros. Construía e fazia a manutenção das máquinas, bem como praticava o esporte. Sua relação com o aeromodelismo começou quando Senna era criança e vivia no distrito de Santana, zona norte da capital paulista, mais precisamente no "Mirante de Santana". Ele pilotava um avião que não tinha controle de aceleração. Controlava o avião planando pelas ruas do bairro, no meio do trânsito, enquanto achava um lugar para descer.

Um dos principais parceiros do tricampeão na pratica da modalidade era seu primo Fábio da Silva. Nas décadas de 1980 e 1990, eles realizavam disputas entre eles em máquinas que chegavam a 150 km/h. No final de 1991, em uma visita feita ao presidente Fernando Collor, Senna, junto com o deputado Wigberto Tartuce, praticou o esporte em Brasília, na L2 Sul, na maior pista de aeromodelismo da cidade.

Empresário: Apesar de a carreira de piloto estar em plena atividade, no início da década de 1990, Ayrton começou a se dedicar com mais afinco aos negócios e a administrar um patrimônio de centenas de milhões de dólares. Uma holding, a Ayrton Senna Promoções e Empreendimentos (Aspe), dirigida pelo pai Milton da Silva, o irmão Leonardo e o primo Fábio, controlava as empresas do grupo. A primeira e principal é a Ayrton Senna Licensing (ASL), criada para comercializar a imagem do piloto. A marca "Senna - Driven to Perfection", simbolizada por um "S" estilizado, foi criada em 1990 para administrar a concessão do uso da marca dos produtos associados ao piloto.

Em 1992, uma lancha, criada a seu gosto e que seria vendida em larga escala, sob o nome de "Senna 417 Sport Cruiser", estava à venda por 200 mil dólares. Motos e bicicletas também estavam no espectro dos negócios do piloto. O grupo italiano Cagiva/Ducati planejava para o segundo semestre de 1994 o lançamento de uma supermoto de 1000 cilindradas. Uma linha de bicicletas com a sua marca foi lançada, criada pela fábrica italiana Carraro. Em 1993, o piloto se associou à italiana DeLonghi em um negócio de importação de eletrodomésticos.

Criou a empresa Senna Import, que teve como primeiro grande contrato a importação e divulgação da marca Audi no Brasil. A assinatura aconteceu no final de 1993 na Alemanha. Poucos dias antes do acidente em Ímola, uma grande festa, no hangar da Varig no Aeroporto de Congonhas, foi feita para apresentar a marca ao mercado e público brasileiros. Era de sua propriedade uma concessionária da Ford, a Frei Caneca, em São Paulo. Em fevereiro de 1994 o personagem Senninha foi apresentado à imprensa. A intenção era atingir o público infantil com os ideais do piloto, como a superação, dedicação e o gosto pela vitória. A primeira edição teve uma tiragem de 150 mil exemplares e foi lançada em março daquele ano.

Ayrton planejava criar uma espécie de Instituto ou Fundação para auxílio às crianças, além de, de alguma forma, melhorar a qualidade da educação dada ao público mais jovem. No começo de 1994, quando estava de férias, Ayrton procurou a irmã, Viviane Senna, para conversar sobre a ideia de fazer algo mais estruturado, de ajudar de forma mais eficaz. O projeto foi criado e lançado no final de 1994 pela sua irmã com o nome de Instituto Ayrton Senna. O seu escritório no Brasil se localizava primeiramente no bairro de Vila Maria Alta, na Zona Norte da capital paulista. O local abrigou a Ayrton Senna Promoções e Empreendimentos LTDA e a Torcida Ayrton Senna. Após alguns anos foi mudado para o "Centro Empresarial Vari", no bairro de Santana. Um prédio luxuoso e com um visual moderno para a época de sua construção, o edifício conta com um heliponto, elevador panorâmico, além de ser todo espelhado. Senna ajudou a construí-lo no início da década de 1990, sendo que parte do edifício - sete andares - eram de sua propriedade.

Filantropia: Em vida, Ayrton ajudou inúmeras vezes programas de assistência a carentes, principalmente os ligados a crianças. A única condição para isso era o total sigilo. Se a imprensa descobrisse, ele negaria. Até mesmo a família e amigos mais próximos não tinham conhecimento da maioria de suas doações. Ayrton não desejava que seus gestos fossem interpretados apenas como promoção pessoal.

Senna demonstrava publicamente preocupação com a pobreza generalizada no Brasil, especialmente em relação aos mais jovens. Em março de 1994 doou 45 mil dólares para um programa de assistência a crianças, filhos de seringueiros do Acre – "Saúde sem limites" – gerido pelo seu amigo professor Sid Watkins. Ele doava largas somas para a creche do "Espaço Santa Terezinha", direcionada às crianças pobres, gerenciada por Maria José Magalhães Pinto. Julian Jakobi, empresário de Ayrton, confirmou que o piloto costumava ligar de algum lugar do planeta para pedir que ele fizesse doações a instituições ou pessoas. Certa vez, no início da década de 1990, durante os conflitos na Bósnia, Senna ajudou crianças vitimas da guerra. Em certa ocasião, Ayrton visitou uma entidade de assistência a crianças portadoras de graves deficiências. Um caso em específico chocou o tricampeão, três irmãos portadores de graves deformações fizeram com que ele passasse mal durante a visita.

Pouco antes de sua morte, ele criou a estrutura de uma organização dedicada às crianças pobres brasileiras, que mais tarde se tornou o Instituto Ayrton Senna. Após sua morte, foi descoberto que ele havia doado em segredo uma porção muito grande de sua fortuna pessoal (estimada em cerca de US$ 400 milhões) para ajudar crianças pobres.

VIDA PESSOAL

Ayrton Senna era devoto do catolicismo e costumava ler a Bíblia durante os voos que fazia entre São Paulo e Europa. Em Senna, documentário sobre sua carreira de piloto (lançado em 2010), Viviane Senna revelou que pouco antes de sua morte ele abriu a Bíblia em uma página: "Naquela manhã quando ele acordou, pediu a Deus para falar com ele. Abriu a Bíblia e leu um texto que falava que Deus ia dar para ele o maior presente de todos os presentes. Que era Ele mesmo".

Em relação à política, Ayrton Senna nunca gostou de dar declarações a respeito, evitando revelar votos em eleições, elencar candidatos de sua estima e opinar sobre questões ideológicas específicas. Porém, em 1986, Ayrton apoiou o empresário Antonio Ermírio de Moraes ao governo do estado de São Paulo.

No futebol, Ayrton Senna se declarava torcedor do Corinthians, fato muito celebrado pela torcida do clube por sua própria condição de ídolo nacional. Em 1988, logo após o primeiro título mundial, Ayrton tornou-se sócio do clube português Os Belenenses. A adesão do piloto se deu através de uma ação de marketing do então presidente, Miguel Pardal.

Além de Nelson Piquet, o francês Alain Prost, que foi companheiro de Senna por duas temporadas na McLaren-Honda, fez uma das rivalidades mais acirradas da história da F-1. Desde o final do campeonato de 1988, havia tensão no relacionamento entre ambos, com o francês acusando a McLaren de dar tratamento preferencial a Senna. A relação se deteriorou durante a temporada de 1989, quando ambos já não se falavam. A colisão dos pilotos durante o GP do Japão daquele ano selou o auge da inimizade. Na temporada de 1990, Prost trocou a equipe pela Ferrari, e Senna daria o troco no rival, em mais um campeonato decidido em uma batida - desta vez favorável ao brasileiro. Mas a relação entre os dois pilotos melhorou após a aposentadoria do francês, e Senna e Prost se aproximaram em 1994. Antes do anúncio da morte de Ayrton Senna, Prost imediatamente havia se solidarizado após o acidente. O francês participou do funeral do piloto. "O Ayrton e eu tínhamos uma ligação. A sua morte foi o final da minha história com a Fórmula 1. Ninguém pode falar do Ayrton sem falar de mim e ninguém pode falar de mim sem falar dele", declarou Prost. O piloto francês chegou a fazer parte do conselho consultivo do Instituto Ayrton Senna.

Ayrton não teve filhos, até sua morte teve três sobrinhos, o piloto Bruno Senna, Bianca Senna e Paula Senna - filhos de Viviane Senna. Sobre Bruno, Ayrton declarou em 1993: "Se vocês acham que eu sou rápido, esperem para ver meu sobrinho Bruno."

Relacionamentos: Na vida afetiva, Ayrton Senna – sempre muito focado em sua carreira – teve cinco namoros sérios: Lílian de Vasconcellos Souza, Adriane Yamin, Xuxa Meneghel, Cristine Ferracciu e Adriane Galisteu.

Casou-se oficialmente com Lílian em fevereiro de 1981.[152] Após o casamento, Lílian passou a assinar Lílian Senna da Silva. Passaram a lua de mel em Chicago, na casa de Fábio Machado, o primo de Senna, e chegaram a viver juntos em uma casa em Londres, na época em que o piloto competia pela Fórmula Ford 1600. A união durou apenas oito meses.

Após o divórcio com Lílian, Senna assumiu seu caso com Adriane Yamin, à época uma adolescente de quinze anos, herdeira da empresa Duchas Corona. O relacionamento foi bastante comentado, pelo fato de a menina ser menor de idade e bem mais jovem que o piloto, que foi o primeiro namorado dela. O relacionamento durou até o final de 1988. Entre 1990 e 1991, Senna teve um relacionamento com a carioca Cristine Ferracciu.

A falta de apego de Senna a suas namoradas rendeu fofocas de que teria pouco interesse pelo sexo oposto. Em 1988, Nelson Piquet, em entrevista ao Jornal do Brasil, sugeriu que Senna não gostava do sexo oposto ao pedir que a imprensa perguntasse a Senna por que é que ele não gostava de mulher. A revista italiana Panorama (a de maior circulação do país) dedicou reportagem às dúvidas levantadas por Piquet e a questão foi parar na Justiça. Piquet preferiu se retratar, mas o estrago estava feito. Senna passou a conviver com os boatos e se tornou desafeto de Piquet. Em agosto de 1990, em uma entrevista para a revista Playboy, Senna afirmou que Piquet não poderia ter feito a insinuação, sugerindo que tinha tido um caso com Catherine Valentim, então mulher do rival.

Após a separação com Adriane Yamin, Senna teve um relacionamento com a apresentadora Xuxa que durou do final de dezembro de 1988 a 1990 e rápidos casos com diversas mulheres, especialmente modelos, como Patrícia Machado, Vanusa Spindler e Marcella Praddo, que engravidou, mas Senna disse que não assumiria o bebê, por desconfiar da paternidade. A jovem entrou na justiça para provar a paternidade da filha, Vitória, mas comprovou-se, através de exame DNA, que Senna não era o pai da criança.

Ayrton iniciou um namoro com Adriane Galisteu após o GP do Brasil de 1993, em festa em uma danceteria de São Paulo. O relacionamento durou 13 meses, até a morte do piloto.

MORTE

A morte de Ayrton Senna ocorreu em 1 de maio de 1994, como resultado de uma colisão entre o carro do piloto brasileiro Ayrton Senna e uma barreira de concreto, enquanto participava do Grande Prêmio de San Marino, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália.

Antecedentes: Na terceira corrida da temporada, o GP de San Marino, em Ímola, Senna declarou que esta deveria ser a corrida de início da temporada para ele, pois não havia terminado as anteriores e agora faltavam apenas quatorze corridas. Senna mais uma vez conquistou a pole, mas o fim de semana não seria tão fácil. Ele estava particularmente preocupado com dois eventos. Um deles, na sexta-feira, durante a sessão de qualificação da tarde, o piloto brasileiro Rubens Barrichello, envolveu-se em um grave acidente perdendo o controle de sua Jordan nº14, passou por cima de uma zebra e voou da pista, chocando-se violentamente contra uma barreira de pneus. Barrichello saiu desse acidente com pequenas escoriações e o nariz quebrado, ferimento suficiente para impedi-lo de correr no domingo. Senna visitou seu amigo no hospital - ele pulou o muro depois que foi impedido de visitá-lo pelos médicos - e ficou convencido de que as normas de segurança deveriam ser revisadas.

O segundo ocorreu no sábado, durante os treinos livres, quando o austríaco Roland Ratzenberger, correndo pela Simtek, bateu violentamente na curva Villeneuve num acidente que começou a se formar na fatídica curva Tamburello, quando a asa dianteira de seu carro se soltou fazendo-o perder o controle do veículo. Levado ao Hospital Maggiore de Bolonha, ele faleceu 8 minutos depois. Essa foi a primeira morte de um piloto na pista em oito anos - desde que a FIA adotara sérias medidas de segurança. Senna convenceu os oficiais de pista a levá-lo ao local do acidente para ver ele mesmo o que poderia ter acontecido e essa ousadia lhe custou mais uma advertência e algum desgaste na sua atribulada relação com a FIA.

Senna passou o final da manhã reunido com outros pilotos, determinado a recriar a antiga Comissão de Segurança dos Pilotos, a fim de melhorar a segurança na F1. Como um dos pilotos mais velhos, ele se ofereceu para liderar esses esforços. Apesar de tudo, Senna e todos os outros pilotos concordaram em correr. Ele saiu em primeiro, mas J.J. Lehto deixou "morrer" sua Benetton, fazendo os outros pilotos desviarem dele. Porém, Pedro Lamy, da Lotus-Mugen-Honda, bateu na parte traseira de Lehto, o que levou um carro de segurança à pista por cinco voltas. Esse acidente também acabou ferindo 4 espectadores que foram atingidos pelos destroços.

Acidente: Na sexta volta a corrida foi reiniciada, e na abertura da sétima volta Senna rapidamente fez a melhor volta da corrida então abrindo em relação a Schumacher. Senna iniciara o que seria a sua última volta na F1; ele entrou na curva Tamburello (a mesma onde bateu Nelson Piquet com a Williams em 1987 e Berger com a Ferrari em 1989) e perdeu o controle do carro, seguindo reto e chocando-se violentamente contra o muro de concreto. A telemetria mostrou que Senna, ao notar o descontrole do carro, ainda conseguiu, nessa fração de segundo, reduzir a velocidade de cerca de 300 km/h (195 mph) para cerca de 200 km/h (135 mph). Os oficiais de pista chegaram à cena do acidente e, ao perceber a gravidade, só puderam esperar a equipe médica. Por um momento a cabeça de Senna se mexeu levemente, e o mundo, que assistia pela TV, imaginou que ele estivesse bem, mas esse movimento havia sido causado por um profundo dano cerebral. Senna foi removido de seu carro pelo Professor Sid Watkins, neurocirurgião de renome mundial pertencente aos quadros da Comissão Médica e de Segurança da Fórmula e chefe da equipe médica da corrida, e recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado de seu carro destruído, antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha onde, poucas horas depois, foi declarado morto.

Mais tarde o Professor Watkins declarou:

“Ele estava sereno. Eu levantei suas pálpebras e estava claro, por suas pupilas, que ele teve um ferimento maciço no cérebro. Nós o tiramos do cockpit e o pusemos no chão. Embora eu seja totalmente agnóstico, eu senti sua alma partir nesse momento.”

Foi encontrado no carro de Senna uma bandeira austríaca que, em caso de uma possível vitória, o tricampeão a empunharia em homenagem ao austríaco Roland Ratzenberger, morto um dia antes.

Foi um GP trágico. Além do acidente de Barrichello e das mortes de Senna e Ratzenberger, o acidente entre J.J. Lehto e Pedro Lamy fez arremessar dois pneus para a arquibancada, ferindo vários torcedores. O italiano Michele Alboreto, da Minardi, perdeu um pneu na saída dos boxes e se chocou contra os mecânicos da Ferrari, ferindo também um mecânico da Lotus. Logo após o acidente de Senna, durante alguns minutos, as comunicações no circuito entraram em colapso, permitindo que o piloto Érik Comas, da equipe Larrousse, deixasse o pit-stop e retornasse à corrida quando ela já havia sido interrompida. Comas somente entendeu o que estava acontecendo quando os fiscais de pista mais próximos ao acidente tremularam nervosamente suas bandeiras vermelhas indicando-lhe a situação. Se não fosse por essa atitude, ele poderia ter se chocado com o helicóptero que se encontrava pousado no asfalto da pista aguardando para levar Senna ao hospital.

A imagem de Ayrton apoiado na sua Williams, flagrado pelas tevês, com o olhar distante e perdido, pouco antes do início do GP, ficaria marcada para sempre entre seus fãs. No Brasil, ficou muito difundida uma frase dita pelo jornalista Roberto Cabrini ao Plantão da Globo, boletim de notícias extraordinário da Rede Globo. Logo após a confirmação da morte de Ayrton, pelo hospital, Cabrini noticiou dizendo, por telefone:

“Morreu Ayrton Senna da Silva... Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar.”

Investigações: De acordo com a perícia, Senna perdeu o controle do carro devido à quebra da coluna de direção do seu Williams. O documento sugere que houve negligência dos técnicos da equipe numa reparação feita na coluna de direção. Em novembro de 1996, a denúncia do promotor Maurizio Passarini foi acolhida pelo juiz Diego Di Marco. Frank Williams, Patrick Head, Adrian Newey, Federico Bondinelli (um dos responsáveis pela empresa que administrava o autódromo de Ímola), Giorgio Poggi (o responsável pela pista), Roland Bruinseraed (o diretor da prova), e o mecânico que soldou a coluna de direção do Williams foram indiciados por homicídio culposo, por negligência e imprudência. Porém, em dezembro de 97, o juiz Antonio Constanzo absolveu os acusados.

Em 2004, o programa "Seismic Seconds" ("Seconds From Disaster") da National Geographic produziu um episódio denominado "A morte de Ayrton Senna", transmitido para o mundo inteiro. A produção considerou os dados disponíveis do carro do brasileiro para reconstituir a sequência de eventos que o conduziu ao acidente fatal. O programa concluiu que o longo período que o carro de de segurança permaneceu na pista, fez reduzir as pressões nos pneus de Senna, abaixando o carro. Com o carro mais baixo, o chassi tocou o solo, fazendo o carro saltar e tornando a direção incontrolável. Senna teria reagido, mas, com os pneus travados, ele foi arremessado para fora da curva. Segundo a conclusão do programa, se as reações do piloto tivessem sido mais lentas, ele talvez pudesse ter sobrevivido. Pilotos e especialistas em Fórmula 1 consideram parte dessa teoria como improvável, pois os pneus de Fórmula 1 se aquecem até a temperatura ideal, depois de percorrer apenas 2 km, meia volta no circuito de San Marino, assim na volta 7 os pneus do carro de Ayrton Senna já estariam aquecidos.

Em abril de 2002, o FW16 pilotado por Senna foi devolvido para a Williams. A equipe informou que o carro estava em avançado estado de deterioração e foi posteriormente destruído. O capacete de Senna foi devolvido à Bell, e foi incinerado. O motor do carro foi devolvido para a Renault, e seu destino é desconhecido.

Discussões: Senna tinha 34 anos quando morreu. Sua morte aconteceu porque com o impacto da batida no muro, um pedaço da suspensão dianteira direita se partiu, transformando-se em uma espécie de lança que penetrou o visor do capacete e adentrou a órbita acima do olho direito, danificando irreversivelmente o lobo frontal.

Na análise dos médicos na pista, no hospital e na autópsia, depois de constatada a morte cerebral, foram percebidos três graves traumas: além do dano no lobo frontal, um grande choque que provocou fraturas na têmpora e rompeu a artéria temporal e uma fratura na base do crânio, devido à potência do impacto. Tanto a FIA quanto as autoridades italianas mantiveram a versão de que Senna não morreu instantaneamente, e sim no hospital, para onde fora levado rapidamente de helicóptero. Existe uma interminável discussão entre as autoridades a esse respeito.

Ainda se discute por que Senna não foi declarado morto na pista. Especula-se que isso se deve à lei italiana que diz que, quando uma pessoa morre em um evento desportivo, essa morte deve ser investigada, fazendo com que o evento seja cancelado. O diretor do Instituto de Medicina Legal do Porto (Portugal), o professor José Eduardo Pinto da Costa, informa o seguinte:

“Do ponto de vista ético, o tratamento dado a Senna foi errado. Isso se chama distanásia, que significa que uma pessoa esteve mantida viva impropriamente depois que a morte biológica devido aos ferimentos de cérebro tão sérios que o paciente nunca poderia permanecer vivo sem meios mecânicos da sustentação. Não haveria nenhuma perspectiva de vida normal. Mesmo se ele tivesse sido removido do carro quando seu coração ainda estava batendo é irrelevante à determinação de quando morreu. A autópsia mostrou que Senna sofreu fraturas múltiplas na base do crânio, esmagando a testa e rompendo a artéria temporal com hemorragia nas vias respiratórias.
É possível reanimar uma pessoa depois que o coração para de bater com os procedimentos cardiorrespiratórios. No caso de Ayrton, há um ponto sutil: as medidas da ressuscitação foram executadas.

Ainda sob o ponto de vista ético isto pode bem ser condenado, porque as medidas não foram em benefício do paciente, mas um pouco porque serviriam ao interesse comercial da organização. A ressuscitação ocorreu de fato, com a traqueostomia e quando a atividade do coração foi restaurada com o auxílio dos procedimentos cardiorrespiratórios. A atitude na pergunta era certamente controversa. Qualquer médico saberia que não havia nenhuma possibilidade de sucesso em restaurar a vida na circunstância em que o Senna tinha sido encontrado.”

O professor José Pratas Vital, diretor do Hospital de Egas Moniz em Lisboa, um neurocirurgião e chefe da equipe médica no GP português, oferece uma opinião diferente:

“As pessoas que conduziram a autópsia indicam que, na evidência de seus ferimentos, o Senna estava morto. Mas eles não poderiam dizer isso. Ele realmente teve os ferimentos que o conduziram à morte, mas nesse ponto o coração pode ainda ter funcionado. Os médicos que atendem a uma pessoa ferida, e que percebem que o coração ainda está batendo, têm apenas duas atitudes a tomar: uma é assegurar-se de que as vias respiratórias do paciente permaneçam livres, o que significa que ele pode respirar. No caso de Senna, eles realizaram uma traqueostomia, liberando as vias respiratórias. Com oxigênio e a batida do coração, passamos à segunda atitude: a perda de sangue. Estas são as etapas a ser seguidas em todo caso envolvendo ferimento sério, se na rua ou em uma pista. A equipe de salvamento não pode pensar de nada mais nesse momento exceto imobilizar a coluna cervical do paciente. Então a pessoa ferida deve ser levada imediatamente à unidade de cuidados intensivos do hospital o mais próximo.”

Rogério Morais Martins:

“De acordo com o primeiro boletim clínico emitido pela Dra. Maria Teresa Fiandri às 16:30, o paciente Ayrton Senna teve dano de cérebro com choque hemorrágico e encontrava-se em coma profundo. Entretanto, a equipe de médica não notou nenhuma ferida na caixa torácica ou no abdômen. A hemorragia foi causada pela ruptura da artéria temporal. O neurocirurgião que examinou o Senna no hospital mencionou que as circunstâncias não exigiam uma cirurgia porque a ferida foi generalizada no crânio.
Às 18:05, a Dra. Fiandri leu um outro comunicado, com a voz agitada, anunciando que Senna estava morto. Nesse momento ele ainda estava ligado aos equipamentos que mantiveram sua pulsação. A liberação pelas autoridades italianas dos resultados da autópsia de Senna que revelaram que o piloto tinha morrido instantaneamente durante a corrida em Imola, inflamou ainda mais controvérsia. Agora havia perguntas a serem respondidas pelo diretor da corrida e pelas autoridades médicas. Embora os porta-vozes do hospital indicassem que Senna ainda estava respirando na chegada a Bolonha, a autópsia em Roland Ratzenberger [que morreu um dia antes] indicou que a morte tinha sido instantânea. Sob a lei italiana, uma morte dentro do circuito exigiria o cancelamento da corrida e toda a área deveria ser mantida intacta para a investigação.”

Estima-se que as forças envolvidas no acidente de Ayrton sugerem uma taxa de desaceleração equivalente a uma queda vertical de 30 metros. A autópsia revelou que o impacto a 200 km/h causou os ferimentos múltiplos na base do crânio, tendo por resultado a insuficiência respiratória. Havia um esmagamento do cérebro (que foi arremessado junto à parede do crânio que causa o edema, a hemorragia e o aumento de pressão intracraniana) junto com a ruptura da artéria temporal que causou a hemorragia nas vias respiratórias e a consequente parada cardíaca.

Quanto à possibilidade de os pilotos estarem ainda vivos quando foram postos nos helicópteros que os levaram ao hospital, os experts acreditam que os organizadores da corrida atrasaram o anúncio das mortes a fim de evitar o cancelamento e assim proteger seus interesses financeiros. A Sagis, organização que administra o circuito de Ímola, chegou a cancelar a prova mesmo com um prejuízo estimado em US$ 6,5 milhões. A FIA desmente essa informação.

Teorias alternativas e conspiratórias: O ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet disse que Senna estava sobre pressão, sofrimento e stress emocional em seus últimos dias. Em 1994, Senna estava namorando a modelo Adriane Galisteu por quase um ano. No fim de semana do GP, ela estava em Portugal e sua antiga namorada, Xuxa, foi até Imola tentar quebrar o relacionamento de Senna com Adriane e convencê-lo a voltar para ela. A fita-cassete dada a Senna por seu irmão Leonardo dias antes do acidente supostamente continha uma conversa de Adriane com seu ex-namorado. Isto, mais o acidente de Rubens Barrichello e a morte de Roland Ratzenberger poderiam ter estressado Senna, como visto em sua última aparição no grid, minutos antes do acidente. O ex-piloto Alain Prost disse no documentário Senna que havia algo de errado com Senna quando se viram duas semanas antes e no GP. Teorias sobre um POSSÍVEL SUICÍDIO também surgiram na imprensa internacional.

Ao longo dos anos a morte de Ayrton Senna foi sendo alvo de algumas teorias conspiratórias, entre elas podemos destacar; que a Williams pilotada por Senna teria sido sabotada a mando da FIA. Em 2015 começou a propagar pela Internet a teoria de que Ayrton Senna tinha sido assassinado com um tiro. Outra teoria afirma que o brasileiro teria sofrido um desmaio ou um colapso como um infarto. Além dessas, outras teorias como a que o piloto teria se suicidado ou até mesmo que ele não teria morrido, são as principais histórias criadas em torno do assunto.

Seguro de Vida: Ayrton tinha uma apólice de seguro de vida, imposição da FIA, paga pelo piloto na Inglaterra. O seguro contratado por Senna foi no valor de 35 milhões de dólares e previa indenização por morte, invalidez, acidentes pessoais, sequestro e lucros cessantes (prejuízos causados pela interrupção de atividade profissional). A indenização a ser paga para a família, girava em torno de 100 a 145 milhões de dólares, segundo especialistas ouvidos na época.

REPERCUSSÃO NO BRASIL

Quando a morte de Ayrton foi declarada oficialmente pela equipe médica do "Hospital Maggiore" de Bolonha, os plantões de notícias das principais emissoras do Brasil anunciaram o fato. Tanto a Globo, como o SBT, a Record, a Bandeirantes e a Manchete, interromperam a suas respectivas programações para informar a morte do tricampeão mundial.

No dia de sua morte, no clássico entre Palmeiras e São Paulo pelo Campeonato Paulista, foi respeitado um minuto de silêncio, além de uma homenagem ao piloto no placar do estádio do Morumbi. As torcidas de ambos os times gritavam; "Ole, ole, ole, ole, Senna, Senna". Já no clássico carioca, entre Vasco e Flamengo, pelo torneio estadual, houve igualmente um minuto de silêncio e gritos das torcidas em homenagem ao piloto. Igualmente no clássico mineiro, entre Atlético e Cruzeiro, houve homenagens por parte de ambas as torcidas.

No Brasil, todas as emissoras transmitiram o cortejo e velório do piloto. Somadas todas as emissoras, o Ibope marcou uma marca histórica de 73 pontos em São Paulo no dia de seu enterro, número semelhante ao dia anterior, quando da chegada de seu corpo.

Compareceram ao velório do piloto várias autoridades, entre outras, o presidente da República Itamar Franco, o governador de São Paulo Luís Antônio Fleury Filho, o prefeito da cidade de São Paulo Paulo Maluf e o ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Leonel Brizola.

O SBT adiou em uma semana a estreia da telenovela Éramos Seis por causa da morte de Ayrton Senna. Prevista para ser lançada em 2 de maio, a produção do canal de Silvio Santos estreou somente no dia 9. No horário inicialmente anunciado para a estreia, Irene Ravache deu um depoimento dizendo que a novela não poderia ir ao ar num momento tão triste para a população brasileira.

Repercussão Mundial: Em 1º de maio, a etapa da Nascar, Winston Select 500, é realizada, e durante a transmissão pela ESPN americana, a notícia da morte de Ayrton é divulgada em várias ocasiões. Uma homenagem ao brasileiro é exibida pelo canal durante a prova.

A sua morte repercutiu no mundo inteiro, sendo capa de diversas publicações, desde revistas até jornais. A revista Time, em sua versão internacional, estampou Senna na capa com o título; "The Last Lap". Já na versão americana da revista, uma reportagem, com o mesmo título, foi destaque na publicação. Entre os jornais, o suíço Le Matin publicou em sua capa o seguinte título; "Magic Senna para sempre". O El País da Espanha, igualmente noticiou a morte do piloto em sua capa. Já o Daily Mail da Inglaterra estampou em sua capa o título; "A morte do Campeão". O francês Libération escreveu; "Fórmula 1, morte na curva". Na Alemanha, o Bild também destacou em sua primeira página o acontecido em Ímola. Nos Estados Unidos, o The New York Times, bem como o "Sports Monday", igualmente noticiaram a morte de Senna em sua capa. Pela televisão, o seu funeral foi transmitido para o mundo todo através da rede CNN e pela Eurosport e Eurovision, especificamente para a Europa. No Japão, os principais jornais do país deram grande atenção ao assunto, sendo capa em boa parte dos periódicos japoneses. Repórteres que transmitiam o Grande Prêmio de San Marino pela televisão japonesa, choraram ao anunciar a morte do piloto brasileiro.

Cerca de 2000 jornalistas do mundo inteiro, incluídos brasileiros, foram credenciados para cobrir o velório e o enterro do piloto tricampeão mundial.

Os presidentes da Argentina, Itália e Portugal, dentre outros, mandaram mensagens de pêsames ao Governo Brasileiro.

FUNERAL

A morte do piloto foi considerada pelos brasileiros como uma tragédia nacional e o governo brasileiro declarou três dias de luto oficial. O governo brasileiro também lhe concedeu honras de chefe de Estado, com a característica salva de tiros. Entre o cortejo do caixão com o corpo do piloto desde o Aeroporto de Guarulhos até a Assembleia Legislativa, o velório, que durou aproximadamente 24 horas, e o cortejo final desde a Assembleia até o Cemitério do Morumbi, aproximadamente dois milhões de pessoas estiveram presentes. O corpo de Senna foi sepultado no jazigo 11, quadra 15, setor 7, do Cemitério do Morumbi, em São Paulo na quinta-feira dia 5 de maio.

A maioria dos pilotos de Fórmula 1 esteve presente no funeral de Senna. Porém o então presidente da FIA, Max Mosley, não compareceu, alegando que estava nos funerais de Ratzenberger no dia 7 de maio, em Salzburgo, na Áustria. Mosley disse à imprensa, dez anos depois: "Fui a esse funeral porque todos estavam no de Senna. Achei que era importante alguém ir a esse".

Várias coroas de flores foram entregues na Assembleia Legislativa de São Paulo durante o velório do corpo do tricampeão mundial. O presidente Itamar Franco, a Shell, os fã-clubes de Ayrton na Irlanda do Norte e França, a Honda Motors, o Banco Nacional, as equipes Williams e McLaren, além de Pirelli, Audi, Autolatina e Volkswagen foram algumas das personalidades e empresas que enviaram coroas. Até países como Cuba, que não tinha nenhuma tradição no automobilismo, além de sofrer com uma grave crise econômica, enviou uma coroa de flores em respeito a memória de Senna.

Patrocínios
Legado e homenagens
Estilo de Pilotagem

Senna tinha um estilo de pilotagem conhecido como "agressivo": Freava muito pouco na entrada das curvas; utilizando o freio motor para fazer reduções fortíssimas. Além disso, ele tangenciava mais tarde nas curvas, esterçando bastante o volante, e carregando mais velocidade à curva.[226]

Ayrton Senna era um excelente acertador de carros. Numa época em que a telemetria ou não existia, ou engatinhava, os engenheiros que trabalhavam com o Ayrton afirmam que ele passava horas conversando com eles em busca das melhores soluções, que sempre funcionavam e os ganhos eram sentidos na pista.

Na época em que Senna conduzia, os carros da F-1 possuíam câmbios manuais e três pedais. Com isso, Senna fazia como ninguém o uso de uma técnica de frenagem conhecida como "punta-taco",[228] cujo objetivo era manter a rotação do motor mais alta nas reduções e evitar os "trancos".

Além disso, Senna foi um dos primeiros a entender a importância da preparação física para os pilotos. Conforme dito por Gerhard Berger em seu livro, Senna "havia atingido um nível inteiramente novo em preparação física no mundo do automobilismo. Para conseguir fazer o melhor, é necessário treinar tão duro quanto qualquer atleta profissional. E Senna foi o primeiro a fazer isso". Consultado em 9 de dezembro de 2025 Texto "Blog Voando Baixo" ignorado (ajuda)</ref> Quando as primeiras gotas de chuva começavam a cair, Ayrton preparava o seu equipamento e partia rumo ao Kartódromo de Interlagos.

Exemplos de grandes corridas do Ayrton nestas condições são: GP de Mônaco de 1984, GP de Portugal em 1985, GP da Bélgica 1985, GP da Inglaterra 1988, GP da Alemanha 1988, GP do Japão 1988, GP da Bélgica 1989, GP do Canadá 1990, GP do Brasil 1991, GP de San Marino 1991, GP da Austrália 1991, GP do Brasil 1993, GP da Europa 1993 e GP do Japão 1993.

CONTROVÉRSIAS

Em 1989, Senna concedeu uma entrevista ao programa Jô Soares Onze e Meia no SBT. Senna foi questionado pelo apresentador sobre a compra de uma mansão em Miami e se já estaria rico. Senna respondeu: "Comprei a casa em várias parcelas. Rico mesmo é o filho do governador do Maranhão, que comprou uma mansão ao lado, maior que a minha, à vista e em dinheiro vivo". Senna estava se referindo a Edinho Lobão, filho do então governador do Maranhão Edison Lobão, que nunca desmentiu a história. Na época, Edinho ganhou o apelido de "Edinho 30", por causa dos percentuais que supostamente levava "por fora" em negócios feitos com o governo do estado.

Em abril de 1993, logo após uma sessão de cinema, no "Liberts" na Avenida Paulista, o repórter Otavio Cabral do Notícias Populares teria sido agredido por Senna. Ayrton tentou de início argumentar com os repórteres presentes no local, para que não tirassem fotos ou fizessem uma bateria de perguntas, afinal ele estava em um momento de lazer. Porém, o momento que desencadeou a fúria de Ayrton foi quando o já citado repórter perguntou; "Essa história da gravidez da Marcella Praddo. Afinal, a filha é sua ou não é?". Na sequência, Ayrton teria dado um TAPA NA ORELHA do repórter, arrancado-lhe a máquina fotográfica e a arremessado contra o vidro do cinema.

Resultados na carreira

VITÓRIAS POR EQUIPE NA F1

McLaren Racing Limited: 35

Lotus Grand Prix: 6

OBRAS ESCRITAS POR SENNA

Ayrton Senna escreveu um livro em 1991 sobre as técnicas de pilotagem de um carro de corrida. A obra foi publicada na Itália e posteriormente lançada em outras línguas, como o inglês e português.
  1. "Guidare in Pista", Editora La Mille Miglia Editrice (1991).
  2. "Ayrton Senna's Principles of Race Driving", Editora Hazleton Pub (1993).
  3. "A Arte de Pilotar", Editora Globo (1993).

sábado, 14 de fevereiro de 2026

MORTAL KOMBAT 3 (JOGO DE FLIPERAMA DE 1995)

Arte da capa para a versão doméstica.
  • DESENVOLVEDORA(S): Midway Manufacturing
  • PUBLICADORA(S): Midway Manufacturing
    • Game Boy, Genesis/Mega Drive, Super NES: Williams Entertainment (América do Norte), Acclaim Entertainment (Europa)
    • MS-DOS, Windows: GT Interactive
    • PlayStation: Sony Computer Entertainment
    • Game Gear: Acclaim Entertainment
    • Master System: Tec Toy
  • DESIGNER(S): Ed Boon e John Tobias
  • PROGRAMADOR(ES): Ed Boon
  • ARTISTA(S): John Tobias, Steve Beran e Tony Goskie
  • COMPOSITOR(ES): Dan Forden
  • ELENCO:
    • John Parrish — Jax Briggs
    • Richard Divizio — Kano, Noob Saibot e Kabal
    • Anthony Marquez — Kung Lao
    • Eddie Wong — Liu Kang
    • John Turk — Shang Tsung e Sub-Zero
    • Sal Divita — Smoke, Cyrax, Nightwolf e Sektor
    • Kerri Hoskins — Sonya Blade
    • Lia Montelongo — Sindel 
    • Michael O'Brien — Stryker
    • Brian Glynn — Shao Kahn
    • Stop Motion — Sheeva
    • Stop Motion — Motaro
  • PLATAFORMA(S): Fliperama
    • Conversões: Game Boy, Genesis/Mega Drive, Super NES, MS-DOS, PlayStation, Windows, Game Gear, R-Zone e Master System
  • LANÇAMENTO: 15 de abril de 1995
    • Genesis/mega drive, super nes: 13 de Outubro de 1995 (América do Norte), 20 Outubro de 1995 (Europa)
    • MS-DOS, Windows: 13 de Outubro de 1995
    • Game Boy: 13 de Outubro de 1995
    • PlayStation: 13 de Outubro de 1995 (América do Norte), 8 de Dezembro de 1995 (Europa)
    • Game Gear: 1995 (Europa)
    • Master System: 1996 (Aqui no Brasil)
  • GÊNERO(S): Luta, Dark Fantasy,
  • MODOS DE JOGO: Um jogador, multijogador
  • PREQUÊNCIA: Mortal Kombat II (1993)/ Mortal Kombat: Shaolin Monks (2005)
  • SEQUÊNCIA: Mortal Kombat 4
  • ONDE JOGAR: Internet Archive (Versão para PC)Internet Archive (Versão para Fliperama)
Mortal Kombat 3 é um jogo de luta de 1995 desenvolvido e publicado pela Midway para arcades. Posteriormente, foi adaptado para diversos consoles domésticos, incluindo Sega Genesis, Super Nintendo Entertainment System, Game Boy e PlayStation. É o terceiro título principal da franquia Mortal Kombat e uma sequência de Mortal Kombat II, de 1993. Assim como nos jogos anteriores, apresenta um elenco de personagens que os jogadores escolhem e controlam em uma série de batalhas contra outros oponentes.

Mortal Kombat 3 foi um sucesso comercial e recebeu críticas geralmente positivas, mas foi alvo de críticas por omitir vários personagens populares de jogos anteriores. É o único título principal da série a não apresentar o mascote da franquia, Scorpion. Personagens omitidos deste jogo foram incluídos em dois títulos lançados como atualização: Ultimate Mortal Kombat 3 (1995) e Mortal Kombat Trilogy (1996).

SINOPSE

Cansado das derrotas contínuas em torneios, Shao Kahn, que perdeu para Liu Kang no torneio de Outworld no jogo anterior, coloca em prática um plano de 10.000 anos. Ele ordenaria que seus Sacerdotes das Sombras, liderados por Shang Tsung, revivessem sua antiga Rainha Sindel, que morreu inesperadamente jovem. No entanto, ela não seria revivida em Outworld, mas sim no Plano Terreno. Isso permitiria que Shao Kahn cruzasse as fronteiras e recuperasse sua rainha. Quando Sindel reencarna no Plano Terreno, Shao Kahn estende seu alcance através das dimensões para recuperá-la e, como resultado, o Plano Terreno gradualmente se torna parte de Outworld, roubando bilhões de suas almas. Apenas alguns são poupados, protegidos por Raiden. Ele lhes diz que Shao Kahn precisa ser detido, mas não pode interferir; devido ao seu status, ele não tem poder em Outworld, e o Plano Terreno está parcialmente fundido com Outworld. Shao Kahn enviou esquadrões de extermínio para matar qualquer sobrevivente do Plano Terreno. Além disso, a proteção de Raiden se estende apenas à alma, não ao corpo, então seus guerreiros escolhidos precisam lutar contra os esquadrões de extermínio e repelir Shao Kahn. Com sua derrota final, todos os humanos na Terra são restaurados.

JOGABILIDADE

Mortal Kombat 3 expande ainda mais a jogabilidade do jogo anterior. Um botão "Correr", acompanhado de uma barra correspondente, foi introduzido. Isso ocorreu principalmente para atender às preocupações dos fãs que achavam que os jogos anteriores davam muita vantagem ao jogador que se defendia. A barra de corrida é consumida tanto correndo (o personagem não pode correr para trás, apenas para frente) quanto executando combos.

Os "combos em cadeia", também conhecidos como combos pré-programados (rotulados como "combos predefinidos"), também foram introduzidos. Os combos em cadeia são sequências de botões que não podem ser interrompidas após um golpe acertar; alguns combos em cadeia terminam com um gancho ou outro movimento que lança o oponente ao ar para que mais dano possa ser causado por meio de um combo de malabarismo tradicional. Para agradar jogadores de vários níveis de habilidade, uma tela "Escolha Seu Destino" aparece no modo para um jogador, permitindo que o jogador selecione a dificuldade.

Pela primeira vez, certos níveis eram interativos, permitindo que os personagens desferissem um uppercut um no outro através do teto, onde ambos continuariam a batalha em um cenário diferente. Isso podia alterar o ciclo de níveis do jogo. Tanto uppercuts normais quanto uppercuts que faziam parte de um combo no chão resultavam em uma mudança de nível. O golpe "Giro Turbilhão" de Kung Lao também tinha o mesmo efeito. No entanto, se o personagem fosse derrotado por um uppercut, não haveria mudança de nível.

Todos os diferentes estilos de golpes finais presentes em Mortal Kombat II (Fatalities, incluindo os golpes não letais Babality e Friendship) retornam em MK3. Além disso, os Animalities, onde o personagem se transforma em um animal para matar o oponente, são apresentados pela primeira vez. Para executar um Animality, o jogador deve primeiro realizar um Mercy, outra novidade que permite ao personagem restaurar uma pequena quantidade da barra de vida do oponente após vencer duas rodadas. Se o oponente for derrotado novamente, um Animality pode ser executado. Por fim, três novos Stage Fatalities podem ser executados no Metrô, na Torre do Sino e no Poço 3.

Outro conceito introduzido neste jogo foi o "Kombat Kode", um código de seis símbolos inserido na tela VS em um jogo para dois jogadores para modificar a jogabilidade, lutar contra personagens secretos ou exibir certas mensagens. Também foi introduzido neste jogo o "Ultimate Kombat Kode", um código de 10 caracteres usando símbolos, que podia ser inserido na tela de fim de jogo após o desaparecimento da tela de continuar no modo para um jogador. Ele era usado para desbloquear uma versão robótica do personagem Smoke; isso podia ser feito tanto pelo jogador quanto pelo operador do fliperama. O dono do fliperama podia redefinir esse código acessando o menu de diagnóstico do jogo e restaurando as configurações de fábrica dentro do gabinete do MK3 (exceto na versão 2.1, que só podia ser redefinida acessando o menu EJB). Os códigos foram revelados por meio de revistas de jogos, material promocional e outras mídias de Mortal Kombat. Três máquinas de pinball lançadas nessa época pela Williams/Bally/Midway, Jack-Bot, No Fear: Dangerous Sports e Theatre of Magic, também forneciam códigos, e algumas das mensagens de texto neste jogo tinham o objetivo de levar os jogadores aos códigos ocultos nesses jogos.

DESENVOLVIMENTO

A equipe de desenvolvimento considerou fazer Mortal Kombat 3 usando gráficos 3D, mas optou por manter os gráficos de sprite dos jogos anteriores.

O jogo tem um tom geral diferente dos seus antecessores e utiliza uma paleta de cores visivelmente mais sóbria. Os personagens foram amplamente digitalizados, em contraste com o estilo híbrido digital/desenhado à mão de MKII. Muitos dos cenários do jogo foram criados usando gráficos 3D pré-renderizados pela primeira vez. Seu estilo geral também se diferenciou dos jogos anteriores de Mortal Kombat; em vez das fortes influências da Ásia Oriental antiga presentes nos dois primeiros jogos, a estética de MK3 é mais ocidental e contemporânea: os cenários do jogo se passam em locais modernos, como rodovias urbanas, prédios de bancos e telhados; três dos personagens são ciborgues; e os designs tradicionais de roupas de artes marciais, como o traje de Sub-Zero, foram substituídos por roupas modernas. Essa mudança também se reflete na trilha sonora, na qual todos os temas asiáticos foram abandonados em favor de instrumentação eletrônica.

Alguns dos personagens de jogos anteriores de Mortal Kombat que retornaram em Mortal Kombat 3 foram interpretados por novos atores, já que seus intérpretes originais deixaram a Midway devido a disputas de direitos autorais sobre o uso de suas imagens nas versões para consoles. Ho Sung Pak (Liu Kang nos dois primeiros jogos, bem como Shang Tsung no primeiro Mortal Kombat), Phillip Ahn (Shang Tsung em Mortal Kombat II), Elizabeth Malecki (Sonya Blade), Katalin Zamiar (Kitana/Mileena/ Jade) e Daniel Pesina (Johnny Cage e Scorpion/Sub-Zero/Reptile/Smoke/Noob Saibot) não estiveram envolvidos na produção de MK3. Antes do lançamento de Mortal Kombat 3, Daniel apareceu em um anúncio para outro jogo de luta, BloodStorm, o que resultou em um boato falso de que ele teria sido demitido pela Midway. Tudo isso levou à utilização de novos atores para Liu Kang (Eddie Wong), Sonya Blade (Kerri Hoskins) e Shang Tsung e Sub-Zero (ambos interpretados por John Turk) em MK3. Richard Divizio (Kano) também assumiu o papel de Noob Saibot (já que o personagem era uma versão recolorida de Kano nesta versão). Carlos Pesina, que interpretou Raiden nos dois primeiros jogos, não apareceu em MK3 como PUNIÇÃO por seu envolvimento no jogo rival BloodStorm, mas ainda era empregado pela Midway e seu personagem retornaria em Mortal Kombat Trilogy, embora através do uso de sprites reciclados de MKII e novos sprites interpretados por Sal Divita.

LANÇAMENTO

P: O abandono de ícones como Scorpion e Kitana acabou provocando revisões no jogo MK3. Qual foi o motivo para deixá-los de fora, e você achou que foi a decisão certa adicioná-los de volta?
R: Na verdade, deixá-los de fora não teve nada a ver com a criação do UMK3. O UMK3 foi feito para agradar os operadores de fliperama e compensar o lançamento antecipado da versão para consoles do MK3, mantendo a versão de fliperama atualizada.

— John Tobias para Mortal Kombat Online

Acompanhado por uma enorme campanha promocional (que lhe rendeu o recorde mundial de "maior campanha promocional para um videogame" no Guinness World Records Gamer's Edition de 2011), Mortal Kombat 3 foi lançado originalmente para arcades na América do Norte em 15 de abril de 1995. O jogo logo foi portado para três consoles domésticos, a saber, Sega Genesis, Super NES e PlayStation. A versão para PlayStation foi descrita como idêntica à versão original de arcade por Ed Boon. Como parte de um acordo com a Midway, a Sony Computer Entertainment obteve os direitos exclusivos mundiais para a versão de 32 bits do jogo até o final do primeiro trimestre de 1996 (razão pela qual as versões para Sega Saturn, 3DO e Atari Jaguar estavam todas programadas para lançamento no segundo trimestre de 1996). De acordo com um porta-voz da Sega, a Sony pagou à Midway US$ 12 milhões por esses direitos de exclusividade temporária. Mantendo a tradição de lançamentos simultâneos de versões para consoles domésticos dos dois primeiros jogos da série, foi anunciado que as versões para Mega Drive, Super Nintendo, Game Boy e Game Gear seriam lançadas na "Sexta-feira Mortal", 13 de outubro de 1995; no entanto, a versão para Game Gear nunca foi lançada na América do Norte. A publicação das versões para consoles de 16 bits e portáteis na América do Norte ficou a cargo da Williams Entertainment, em vez da Acclaim Entertainment (que cuidou das versões para consoles dos títulos anteriores), embora a Acclaim ainda cuidasse da publicação de Mortal Kombat 3 na Europa. A Sculptured Software desenvolveu as versões para 16 bits e DOS, enquanto as versões para PlayStation e PC foram desenvolvidas por sua divisão de desenvolvimento em San Diego, a Leland Interactive Media, que a WMS Industries, proprietária da Midway, havia comprado no ano anterior.

No Game Boy, apenas nove dos 15 lutadores originais (Kano, Sonya, Sub-Zero, Cyrax, Sektor, Sheeva, Sindel, Kabal e Smoke) estão disponíveis, existem apenas cinco fases, não há combos de botões e nenhum golpe finalizador além dos Fatalities e Babalities. Shao Kahn usa seus golpes de Mortal Kombat II e Motaro não está incluído. Sendo o único jogo de Game Boy a receber a classificação M (para maiores de 17 anos) do ESRB, esta versão não inclui grande parte da violência explícita vista em seus consoles originais, mas manteve alguns dos Fatalities "queimando" (imolando um oponente derrotado até virar um esqueleto carbonizado).

Uma versão reduzida de Mortal Kombat 3 para Game Gear foi lançada apenas na Europa. Ela é muito semelhante à versão para Game Boy, embora seja colorida e apresente Noob Saibot como personagem secreto. É o único jogo de Mortal Kombat para Game Gear que não possui sangue e violência gráfica. Há também uma versão para Master System quase idêntica à versão para Game Gear, com a adição de sangue e um campo de visão mais amplo do cenário e dos lutadores, embora tenha sido lançada apenas no Brasil pela Tec Toy, distribuidora dos produtos da Sega naquele país.

Existem duas versões diferentes de Mortal Kombat 3 para computadores compatíveis com IBM PC . A primeira é uma versão para MS-DOS, que não se assemelha a nenhuma das outras versões. Esta versão contém uma faixa de áudio oculta (Faixa 47) com a narração de uma história ao contrário. A segunda é uma adaptação da versão de PlayStation para Microsoft Windows.

Mortal Kombat 3 estava originalmente previsto para ser lançado para o Atari Jaguar no segundo trimestre de 1996, de acordo com um comunicado de imprensa conjunto emitido pela Atari e pela Williams Entertainment em 13 de março de 1995, mas nunca foi lançado. Uma versão para o 3DO Interactive Multiplayer também foi anunciada para o início de 1996, divulgada em capas de revistas e supostamente completa, mas também nunca foi lançada. Uma versão para o Sega Saturn também foi anunciada para o início de 1996, mas foi cancelada em favor de uma versão de Ultimate Mortal Kombat 3.

Mortal Kombat 3 também está incluído em Midway Arcade Treasures 2 para GameCube, PlayStation 2 e Xbox; Midway Arcade Treasures Deluxe Edition para Windows (este título inclui um documentário sobre a produção do jogo); e Midway Arcade Treasures: Extended Play para PlayStation Portable.

Em 2021, Mortal Kombat 3 foi relançado pela Arcade1Up junto com Mortal Kombat, Mortal Kombat II e Ultimate Mortal Kombat 3 em um de seus Countercades.

Para comemorar o 30º aniversário do primeiro jogo Mortal Kombat, a Arcade1Up lançou em 2022 uma máquina de arcade com Mortal Kombat 3, juntamente com Mortal Kombat, Mortal Kombat II, Ultimate Mortal Kombat 3, Toobin', Rampage, Joust , Tapper, Wizard of Wor, Gauntlet, Defender, Bubbles, Paperboy e Klax.

RECEPÇÃO

Comercial: Nos Estados Unidos, a RePlay relatou que Mortal Kombat 3 foi o jogo de arcade mais popular de maio de 1995. Mortal Kombat 3 foi um dos três vencedores do prêmio Diamond Awards da American Amusement Machine Association em 1995 (que se baseia estritamente em conquistas de vendas), juntamente com Daytona USA da Sega e Neo Geo MVS da SNK. Foi o kit de conversão para arcade mais lucrativo de 1995 nos Estados Unidos.

A Williams Entertainment, que publicou as versões para Super NES e Mega Drive, relatou vendas combinadas de 250.000 cópias no primeiro fim de semana em que estiveram disponíveis, colocando-as entre os jogos mais vendidos de 1995. A versão para Super NES vendeu mais de um milhão de cópias até 23 de novembro de 1995. Tornou-se o videogame doméstico mais vendido de 1995 nos Estados Unidos. Mortal Kombat 3 foi indicado ao prêmio de "Videogame do Ano" de 1995 pela Video Software Dealers Association, perdendo para Donkey Kong Country 2.

Crítica: Embora Mortal Kombat 3 tenha sido um sucesso comercial, muitos não gostaram da inclusão de novos personagens, possivelmente menos atraentes (especialmente Stryker), no lugar de personagens consagrados como Scorpion e Kitana. O novo sistema de combos também foi frequentemente criticado, assim como, em menor grau, a mecânica de corrida e alguns golpes finais. De acordo com a PC Gamer em 1998, "Enquanto Mortal Kombat 2 conseguiu aprimorar a fórmula frenética e repleta de sangue do original, a terceira versão não se saiu tão bem. MK3 sofreu com uma jogabilidade confusa, golpes finais desnecessariamente estúpidos como 'Animalities' e designs de personagens insuportavelmente caricatos." A Next Generation analisou a versão arcade do jogo e afirmou que "em uma indústria que depende da inovação para se manter atual e interessante, MK III simplesmente não entrega o que promete." Um artigo da Retro Gamer sobre a história da série afirmou em 2007: "Embora muitos fãs hardcore declarem que o terceiro jogo Mortal Kombat da Midway é o melhor da série, muitos também sentiram que foi o começo do fim para a franquia ainda extremamente popular... Embora a Midway tenha adicionado constantemente ajustes sutis de jogabilidade à sua franquia desde o lançamento de Mortal Kombat, sua série, antes empolgante, de repente parecia bastante cansada."

Apesar disso, o jogo recebeu críticas amplamente positivas na época. A Electronic Gaming Monthly (EGM) concedeu à versão para PlayStation o prêmio de "Jogo do Mês". Tanto a EGM quanto a IGN criticaram o lag excessivo durante a transformação de Shang Tsung, embora tenham avaliado a conversão como uma replicação quase perfeita dos gráficos, conteúdo e controles do original de arcade. No entanto, a IGN fez uma avaliação negativa com base nas deficiências do próprio Mortal Kombat 3, recomendando jogos de luta 2D como Street Fighter em vez dele, a menos que o jogador seja um "fã incondicional de MK". De acordo com uma retrospectiva posterior da IGN, "Apesar das evoluções na jogabilidade, Mortal Kombat 3 simplesmente não foi recebido com o mesmo entusiasmo que seu antecessor. Embora os novos personagens 'ciberninja' fossem populares, a perda de tantos favoritos do elenco deixou muitos jogadores se sentindo excluídos. Um novo Mortal Kombat era impossível de ignorar, mas a resposta não foi exatamente o que a Midway esperava."

Ao analisar a versão para Mega Drive, um crítico da Next Generation observou que o jogo, na verdade, tem uma aparência melhor em um console da geração anterior, onde se compara a outros jogos 2D e é visualmente mais atraente do que a maioria deles, do que nos arcades, onde parecia ultrapassado em relação aos jogos baseados em polígonos cada vez mais comuns. Ele elogiou o jogo por apresentar os elementos mais importantes para os fãs de Mortal Kombat, mas acrescentou, como nota final, que "no geral, a série MK está ficando obsoleta e precisa urgentemente de uma grande reformulação". Em sua análise, a GamePro afirmou de forma semelhante que Mortal Kombat 3 "simplesmente não é original o suficiente (como Tekken) ou profundo o suficiente (como Street Fighter) para justificar um lugar na coleção do jogador casual de Mega Drive". Eles também criticaram a versão para Mega Drive por ser uma aproximação fraca da versão arcade, particularmente em relação aos sprites dos personagens e aos efeitos sonoros. Eles avaliaram a versão para PlayStation como uma conversão muito mais precisa, exceto pelo atraso durante a transformação de Shang Tsung, mas concluíram que era "Uma versão doméstica incrível de um jogo que não era tão bom para começar." A Next Generation sentiu de forma semelhante que a qualidade perfeita de arcade da versão para PlayStation era ofuscada pela falta de inovação do jogo: "Há pouco, além de alguns personagens novos e visivelmente sem inspiração, um recurso de corrida e um novo sistema de combos, que simplesmente espelha seus concorrentes, para diferenciar MK3 de seus antecessores." A Maximum elogiou a riqueza de opções de personalização e as "trilhas sonoras de combate assustadoras" da versão para PlayStation, mas observou que o jogo estava desatualizado, com Ultimate Mortal Kombat 3 já disponível nos arcades e com lançamento previsto para o Saturn. Eles também criticaram fortemente a falta de otimização PAL, dizendo que, como resultado, "os personagens se movem muito lentamente como se estivessem atravessando melaço, e isso prejudica a sensação geral do jogo, além de alterar o tempo dos movimentos especiais e combos."

Ao analisar a versão para SNES, os quatro analistas da Electronic Gaming Monthly concordaram que era de longe a melhor "versão de 16 bits" do jogo. Eles elogiaram especialmente a IA desafiadora dos inimigos, os gráficos precisos e o grande número de opções especiais. Embora tenham listado alguns problemas com a IA e o som, a GamePro teve uma reação semelhante, concluindo que "Converter um jogo de arcade gigantesco como MK 3 para o Super NES de 16 bits não é tarefa fácil, e a Williams fez um trabalho respeitável ao manter todos os elementos-chave intactos." A própria PC Gamer, apesar da opinião negativa posterior, deu à versão para PC de MK3 uma nota de 89% após o lançamento, chamando-a de "mais uma excelente experiência de arcade do rei dos jogos de luta." A Next Generation, na época, chamou-a de "um dos melhores jogos de luta já lançados para PC" e "um título indispensável" para os fãs do gênero, concedendo-lhe quatro de cinco estrelas. A GamePro criticou a versão para Game Boy em uma breve análise, afirmando que "mesmo os jogadores mais experientes em portáteis acharão os controles suaves e os gráficos cansativos para os olhos insuportáveis". Em 1996, a GamesMaster classificou a versão para Mega Drive como o melhor jogo para o sistema. Na mesma edição, a GamesMaster classificou a versão para SNES em 5º lugar em seu "Top 10 do SNES da GamesMaster".

LEGADO

Ultimate Mortal Kombat 3 foi lançado para arcades em 1995. É uma atualização de Mortal Kombat 3, apresentando jogabilidade alterada, personagens adicionais e novas arenas. Diversas versões para consoles domésticos foram lançadas logo em seguida, embora nenhuma delas fosse completamente idêntica à versão de arcade. Várias outras versões para consoles domésticos foram lançadas entre 2002 e 2010, incluindo Mortal Kombat Advance para Game Boy Advance e Ultimate Mortal Kombat para Nintendo DS. A versão para DS inclui o minigame "Puzzle Kombat", originalmente de Mortal Kombat: Deception.

O próprio Ultimate Mortal Kombat 3 foi atualizado para incluir conteúdo de jogos anteriores da série e serviu de base para o título exclusivo para consoles Mortal Kombat Trilogy em 1996. Ele também foi remasterizado e lançado como parte da Mortal Kombat Arcade Kollection em 2011.

Elementos da trama do jogo foram usados no filme Mortal Kombat Annihilation de 1997, a sequência da primeira adaptação cinematográfica de Mortal Kombat.

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AYRTON SENNA (PILOTO BRASILEIRO)

NOME COMPLETO: Ayrton Senna da Silva ONM • ComRB • CvMA • OME NASCIMENTO:   21 de março de 1960; São Paulo, Brasil FALECIMENTO: 1 de maio de...