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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DEMÉTER (DEUSA DA AGRICULTURA NA MITOLOGIA GREGA)

Retrato de uma dama da nobreza como Ceres, de François de Troy. "A identidade da modelo do nosso retrato é desconhecida, mas sua representação com os traços da deusa Ceres, bem como suas dimensões e qualidade de execução, parecem indicar uma origem aristocrática. Este retrato, que pode ser datado de cerca de 1724..." (Artcurial). Óleo sobre tela; altura: 130 cm (51,1 pol.); largura: 97 cm (38,1 pol.).
  • OUTROS NOMES: Deo, Sito, Tesmorforos
  • RESIDÊNCIA: Monte Olimo
  • ANIMAIS: porco, serpente, lagartixa, rolinha-comum, grou e coruja de gritos
  • SÍMBOLO(S): cornucópia, trigo, maçarico, papoula e pão
  • FESTIVAL(IS): Tesmoforia, Mistérios de Elêusis, Litobolia
  • MONTARIA: Serpentes Aladas ou dragões
  • OCUPAÇÃO: Membro dos Doze Olimpianos; deusa da colheita, agricultura, fertilidade, lei sagrada, estaçao, trigo e natureza
  • PAIS: Cronos e Reia
  • IRMÃO(S): Héstia, Hera, Hades, Poseidon e Zeus
  • FILHO(S): Perséfone, Dionísio, Despoina, Eubuleus, Arion, Plutão, Filomelo, Iacchus e Hécate (Órfico) e Êubuleu
  • EQUIVALENTE EGPICIO: Isis, Serapis
  • EQUIVALENTE ROMANO: Cerce
Na religião e na mitologia da Grécia Antiga, Deméter (em ático: Δημήτηρ Dēmḗtēr; em dórico: Δαμάτηρ Dāmā́tēr) é a deusa olímpica da colheita e da agricultura, que preside as culturas, os grãos, os alimentos e a fertilidade da terra. Embora seja conhecida principalmente como deusa dos grãos, Deméter também surgia como deusa da saúde, do nascimento e do casamento, além de possuir vínculos com o Submundo. Ela também é chamada de Deo (Δηώ Dēṓ).

ICONOGRAFIA

Deméter era frequentemente associada a imagens da colheita, incluindo flores, frutas e grãos. Ela também era, às vezes, retratada com sua filha Perséfone. No entanto, Deméter geralmente não é representada com nenhum de seus consortes; a exceção é Iásion, o jovem de Creta que se deitou com ela em um campo arado três vezes e foi morto posteriormente por um Zeus ciumento com um raio.

Deméter é associada à constelação zodiacal de Virgem, a Virgem, por Marcus Manilius em sua obra romana do século I, o Astronomicon. Na arte, a constelação de Virgem segura Spica, um feixe de trigo, em sua mão e está sentada ao lado da constelação de Leão.

Na Arcádia, ela era conhecida como "Deméter Negra". Dizia-se que ela havia assumido a forma de uma égua para escapar da perseguição de seu irmão mais novo, Poseidon, e tendo sido estuprada por ele apesar de seu disfarce, ela se vestiu toda de preto e se refugiou em uma caverna para lamentar e se purificar. Consequentemente, ela era representada com cabeça de cavalo nesta região.

Uma escultura da Deméter Negra foi feita por Onatas.

DESCRIÇÃO

Nas concepções mais antigas de Deméter, ela é a deusa dos grãos e da debulha; contudo, suas funções se estenderam para além dos campos, e ela era frequentemente identificada com a deusa da terra (Gaia). Alguns dos epítetos de Gaia e Deméter são semelhantes, demonstrando a identidade de suas naturezas. Na maioria de seus mitos e cultos, Deméter é a "Mãe dos Grãos" ou a "Mãe da Terra". Nos antigos cultos ctônicos, a deusa da terra estava relacionada ao submundo, e nos ritos secretos (mistérios), Deméter e Perséfone compartilham a dupla função de morte e fertilidade. Deméter é a doadora dos ritos secretos e das leis da agricultura de cereais. Ela era ocasionalmente identificada com a Grande Mãe Reia - Cibele, que era cultuada em Creta e na Ásia Menor com música de címbalos e ritos violentos. Parece que as papoulas estavam ligadas ao culto da Grande Mãe.

Como uma deusa da agricultura:

Na poesia épica e na Teogonia de Hesíodo, Deméter é a Mãe dos Grãos, a deusa dos cereais que fornece grãos para o pão e abençoa os ceifadores. Na Ilíada de Homero, a Deméter de CABELOS CLAROS, com a ajuda do vento, separa o grão da palha. Homero menciona a Talísia, um festival grego da colheita dos primeiros frutos em honra a Deméter. Em Hesíodo, orações a Zeus-Ctônico e Deméter ajudam as colheitas a crescerem viçosas e fortes. Essa era sua principal função em Elêusis, e ela se tornou pan-helênica. Em Chipre, a "colheita de grãos" era damatrizein. Deméter era a zeidoros arοura , a "Mãe Terra arοura" homérica que dava o dom dos cereais (zeai ou deai).

A maioria dos epítetos de Deméter a descreve como uma deusa dos grãos. Seu nome Deo na literatura provavelmente a relaciona com deai, uma palavra cretense para cereais. Na Ática, ela era chamada de Haloas (da eira), de acordo com a concepção mais antiga de Deméter como a Mãe dos Grãos. Às vezes, era chamada de Chloe (grão maduro ou verde fresco) e, outras vezes, de Ioulo (ioulos: feixe de grãos). Chloe era a deusa do milho jovem e da vegetação jovem, e "Iouloi" eram canções de colheita em honra à deusa. Os ceifadores chamavam Deméter de Amallophoros (portadora de feixes) e Amaia (ceifadora). A deusa era a provedora de abundância de alimentos e era conhecida como Sito (do grão) e Himalis (da abundância). O pão feito com os primeiros frutos da colheita era chamado de pão talisiano (Thalysia) em honra a Deméter. Os bolos sacrificiais queimados no altar eram chamados de "ompniai" e na Ática a deusa era conhecida como Ompnia (relacionada aos grãos). Esses bolos eram oferecidos a todos os deuses.

Em algumas festas, grandes pães (artoi) eram oferecidos à deusa e na Beócia ela era conhecida como Megalartos (do grande pão) e Megalomazos (da grande massa ou grande mingau). Sua função se estendia à vegetação em geral e a todos os frutos, e ela tinha os epítetos eukarpos (da boa colheita), karpophoros (portadora de frutos), malophoros (portadora de maçãs) e às vezes Oria (todos os frutos da estação). Esses epítetos mostram uma identidade na natureza com a deusa da terra.

O tema central dos Mistérios de Elêusis era o reencontro de Perséfone com sua mãe, Deméter, quando as novas colheitas se reuniam com a semente antiga, uma forma de eternidade.

Segundo o retórico ateniense Isócrates, os maiores dons de Deméter para a humanidade foram a agricultura, que deu aos homens um modo de vida civilizado, e os Mistérios, que dão ao iniciado maiores esperanças nesta vida e na vida após a morte.

Esses dois dons estavam intimamente ligados nos mitos e cultos de mistério de Deméter. Deméter é a doadora de ritos místicos e a doadora do modo de vida civilizado (ensinando as leis da agricultura). Seu epíteto Eleusínia a relaciona com os mistérios eleusinos; no entanto, em Esparta, Eleusínia já tinha um uso antigo e provavelmente era um nome, e não um epíteto. Deméter Tesmófora (a legisladora) está intimamente associada às leis da agricultura de cereais. O festival Tesmofória era celebrado em toda a Grécia e estava ligado a uma forma de magia agrária. Seu epíteto Dâmia (como emparelhado com Auxésia para Perséfone) era o centro do festival chamado Litobolia . Perto de Feneu, na Arcádia, ela era conhecida como Deméter-Tesmia (a legal) e recebia ritos de acordo com a versão local.

O emblema de Deméter é a papoula, uma flor vermelha brilhante que cresce entre a cevada. Em um de seus Idílios, Teócrito descreve uma estátua de Deméter segurando feixes e papoulas nos braços.

Karl Kerényi afirmou que as papoulas estavam ligadas a um culto cretense que acabou por ser levado aos Mistérios de Elêusis na Grécia Clássica. Numa estatueta de argila de Gazi, a deusa minoica da papoula usa as cápsulas de sementes, fontes de alimento e narcose, no seu diadema. Segundo Kerényi, "Parece provável que a Grande Deusa Mãe, que tinha os nomes de Reia e Deméter, tenha trazido a papoula consigo do seu culto cretense para Elêusis e é quase certo que na esfera do culto cretense o ópio era preparado a partir de papoulas."

Como uma deusa da terra e do submundo:
 
Além de seu papel como deusa da agricultura, Deméter era frequentemente cultuada de forma mais geral como deusa da terra, da qual brotam as colheitas. Sua individualidade estava enraizada na personalidade menos desenvolvida de Gaia (a terra). Na Arcádia, Deméter Melaina (a Deméter negra) era representada com CABELOS DE SERPENTE e CABEÇA DE CAVALO, SEGURANDO UMA POMBA E UM GOLFINHO, talvez para simbolizar seu poder sobre o submundo, o ar e a água. O culto de Deméter na região estava relacionado a Despoina, uma divindade ctônica muito antiga. Deméter compartilha a dupla função de morte e fertilidade com sua filha Perséfone. Deméter e Perséfone eram chamadas de Despoinai (as senhoras) e Deméteres. Essa dualidade também foi usada no período clássico (Tesmóforas, deusas de nome duplo) e particularmente em um juramento: "Pelas duas deusas".

No culto de Phlya, ela era adorada como Anesidora, que envia presentes do Submundo.

Em Esparta, ela era conhecida como Deméter-Ctônia (Deméter ctônica). Após cada morte, o luto deveria terminar com um sacrifício à deusa. Pausânias acredita que seu culto foi introduzido a partir de Hermione , onde Deméter era associada a Hades. Em uma lenda local, uma cavidade na terra era a entrada para o submundo, pela qual as almas podiam passar facilmente. Em Élis, ela era chamada de Deméter-Caminé (deusa da terra), em um antigo culto ctônico associado à descida ao Hades. Em Levadia, a deusa era conhecida como Deméter- Europa e era associada a Trofônio , uma antiga divindade do submundo. O oráculo de Trofônio era famoso na antiguidade.

Píndaro usa o raro epíteto Chalkokrotos (som de bronze). Instrumentos musicais de bronze eram usados nos mistérios de Deméter e da Grande Mãe Reia - Cibele também era adorada com a música de címbalos.

Na Grécia central, Deméter era conhecida como Anfictiônis (dos habitantes do círculo), em um culto da deusa em Antela, perto de Termópilas (portões quentes). Ela era a deusa padroeira de uma antiga Anfictiônis. Termópilas é o local de fontes termais consideradas entradas para o Hades, já que Deméter era uma deusa ctônica nos cultos locais mais antigos.

Os atenienses chamavam os mortos de "Demetrioi", e isso pode refletir uma ligação entre Deméter e o antigo culto dos mortos, ligado à crença agrária de que uma nova vida brotaria do corpo morto, como uma nova planta surge de uma semente enterrada. Esta era provavelmente uma crença partilhada pelos iniciados nos mistérios de Deméter, como interpretado por Píndaro: "Bem-aventurado aquele que viu antes de ir para debaixo da terra; pois ele conhece o fim da vida e conhece também o seu divino início."

Na Arcádia, Deméter tinha os epítetos Erínia (fúria) e Melaina (negra), associados ao mito do estupro de Deméter por Poseidon. Os epítetos enfatizam o lado mais sombrio de seu caráter e sua relação com o submundo obscuro, em um antigo culto ctônico associado a estruturas de madeira (xoana). Erínia tinha uma função semelhante com a vingadora Dike (Justiça). Nos mistérios de Feneu, a deusa era conhecida como Cidaria. Seu sacerdote usava a máscara de Deméter, que era mantida em segredo. O culto pode ter estado ligado tanto ao submundo quanto a uma forma de magia agrária.

MITOLOGIA

Linhagem, consortes e descendentes: A Teogonia de Hesíodo (c. 700 a.C.) descreve Deméter como a segunda filha dos Titãs Cronos e Reia, e irmã de Héstia, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. Junto com seus irmãos e irmãs, com exceção de seu irmão mais novo, Zeus, Deméter foi engolida ainda recém-nascida por seu pai, devido ao medo dele de ser destronado por um de seus filhos; ela foi libertada posteriormente quando Zeus fez Cronos regurgitar todos os seus filhos, dando-lhe um emético. Zeus então liderou seus irmãos em uma guerra contra seu pai e os outros Titãs. Cronos foi suplantado por essa nova geração de divindades; e Deméter tornou-se assim uma das deusas olímpicas, as novas governantes do cosmos, ao lado de seus irmãos e irmãs.

Deméter é notável como a mãe de Perséfone, descrita tanto por Hesíodo quanto no Hino Homérico a Deméter como resultado de uma união com Zeus. Uma narrativa alternativa do assunto aparece em um fragmento da teogonia órfica perdida, que preserva parte de um mito no qual Zeus se une à sua mãe, Reia, na forma de uma serpente, explicando a origem do símbolo no bastão de Hermes. Diz-se que sua filha é Perséfone, com quem Zeus, por sua vez, se une para conceber Dionísio. De acordo com os fragmentos órficos, "Depois de se tornar a mãe de Zeus, aquela que antes era Reia tornou-se Deméter."

Há algumas evidências de que as figuras da Rainha do Submundo e da filha de Deméter eram inicialmente consideradas deusas separadas. No entanto, elas devem ter se fundido na época de Hesíodo, no século VII a.C. Deméter e Perséfone eram frequentemente adoradas juntas e frequentemente referidas por títulos cultuais conjuntos. Em seu culto em Elêusis, elas eram chamadas simplesmente de "as deusas", geralmente distinguidas como "a mais velha" e "a mais jovem"; em Rodes e Esparta, eram adoradas como "as Deméteres"; nas Tesmofórias, eram conhecidas como "as tesmóforas" ("as legisladoras"). Na Arcádia, eram conhecidas como "as Grandes Deusas" e "as senhoras". Em Pilos, na Micênica, Deméter e Perséfone provavelmente eram chamadas de "rainhas" (wa-na-ssoi).

Segundo Diodoro Sículo, em sua Bibliotheca historica, escrita no século I a.C., Deméter e Zeus também eram os pais de Dioniso. Diodoro descreveu o mito do duplo nascimento de Dioniso (uma vez da terra, ou seja, de Deméter, quando a planta brota) e outra vez da videira (quando o fruto brota da planta). Diodoro também relatou uma versão do mito da destruição de Dioniso pelos Titãs ("filhos de Gaia"), que o ferveram, e como Deméter recolheu seus restos mortais para que ele pudesse nascer uma terceira vez (Diod. iii.62). Diodoro afirma que o nascimento de Dioniso de Zeus e sua irmã mais velha, Deméter, era uma crença minoritária, possivelmente devido à confusão entre Deméter e sua filha, já que a maioria das fontes afirma que os pais de Dioniso eram Zeus e Perséfone, e posteriormente Zeus e Sêmele.

Na Arcádia, uma importante divindade arcádia conhecida como Despoina ("Senhora") era considerada filha de Deméter e Posídon. Segundo Pausânias, uma tradição telpusiana contava que, durante a busca de Deméter por Perséfone, Posídon a perseguiu. Deméter transformou-se em um cavalo para evitar as investidas de seu irmão mais novo. No entanto, ele se transformou em um garanhão e acasalou com a deusa, resultando no nascimento do deus cavalo Arion e de uma filha "cujo nome eles não costumam divulgar aos não iniciados". Em outro lugar, ele diz que os figalianos afirmam que a prole de Posídon e Deméter não era um cavalo, mas Despoina, "como os arcádios a chamam".

Na literatura órfica, Deméter parece ser a mãe da deusa da feitiçaria Hécate.

Tanto Homero como Hesíodo, escrevendo por volta de 700 a.C., descreveram Deméter tendo relações sexuais com o herói agrícola Iásion num campo arado durante o casamento de Cadmo e Harmonia. De acordo com Hesíodo, esta união resultou no nascimento de Pluto.

Deméter tomou Mecon, um jovem ateniense, como amante; ele foi transformado em uma flor de papoula em algum momento.

O rapto de Perséfone: Deméter procurou incessantemente por sua filha desaparecida, Perséfone, durante nove dias, consumida por sua dor. Hécate então se aproximou dela e disse que, embora não tivesse visto o que acontecera com Perséfone, ouvira seus gritos. Juntas, as duas deusas foram até Hélio, o deus do Sol, que testemunhava tudo o que acontecia na Terra graças à sua elevada posição. Hélio então revelou a Deméter que seu irmão Hades, deus do Submundo, havia raptado Perséfone, que gritava, para torná-la sua esposa com a permissão de Zeus, o pai da jovem. Deméter ficou então tomada por uma dor "ainda mais terrível do que antes", e assim as estações pararam e todos os seres vivos cessaram seu crescimento e começaram a morrer.

Diante da perda das oferendas sacrificiais para o Olimpo, Zeus enviou seu mensageiro Hermes ao Submundo para trazer Perséfone de volta para sua mãe. Mas antes de libertá-la, Hades a enganou ou a forçou a comer um pequeno número de sementes de romã . Esse ato a prendeu ao Submundo por certos meses de cada ano, por razões muitas vezes inexplicáveis, mas às vezes chamadas de decreto das Parcas.

Os meses que Perséfone passou no submundo provavelmente ocorreram durante o verão seco do Mediterrâneo, quando a vida vegetal é ameaçada pela seca, apesar da crença popular de que seja outono ou inverno. Existem várias variações do mito básico; o relato mais antigo, o Hino Homérico a Deméter, conta que Hades secretamente deu a Perséfone uma semente de romã e na versão de Ovídio, Perséfone secretamente comeu as sementes de romã, pensando em enganar Hades, mas foi descoberta e obrigada a ficar. Ao contrário da percepção popular, o tempo de Perséfone no submundo não corresponde às estações infrutíferas do antigo calendário grego, nem seu retorno ao mundo superior com a primavera. A descida de Deméter para resgatar Perséfone do submundo está ligada aos Mistérios de Elêusis.

Estas histórias da Grécia Antiga começam com mitos e lendas de deuses e heróis e terminam com as conquistas de Alexandre, o Grande. O livro é acessível e bem organizado, mas consideravelmente mais detalhado do que algumas outras obras introdutórias. Ele abrange a história grega desde a era da mitologia até a ascensão de Alexandre; no entanto, devido à sua extensão, não o recomendamos para alunos do 5º ano ou mais novos. É uma excelente obra de referência, extremamente envolvente e uma ótima opção para o primeiro contato de um estudante um pouco mais velho com a história da Grécia.

O mito do rapto de Perséfone parece ser pré-grego. Na versão grega, Pluto (πλούτος, riqueza) representa a riqueza do trigo que era armazenado em silos subterrâneos ou jarros de cerâmica (pithoi). Pithoi subterrâneos semelhantes eram usados na antiguidade para práticas funerárias. No início do outono, quando o trigo da colheita antiga é depositado nos campos, ela ascende e se reúne com sua mãe, Deméter, pois nessa época, a colheita antiga e a nova se encontram. 

Na tradição órfica, enquanto procurava por sua filha, uma mortal chamada Baubo recebeu Deméter como hóspede e ofereceu-lhe comida e vinho. Deméter recusou ambos, pois lamentava a perda de Perséfone. Baubo, então, pensando ter desagradado a deusa, levantou a saia e mostrou-lhe os genitais, revelando simultaneamente Iaco, filho de Deméter. Deméter ficou muito satisfeita com a visão e, encantada, aceitou a comida e o vinho. Essa história sobrevive no relato de Clemente de Alexandria, um dos primeiros escritores cristãos que escreveu sobre práticas pagãs e mitologia. Diversas estatuetas de Baubo (estatuetas de mulheres revelando suas vulvas) foram descobertas, corroborando a história.

Deméter em Elêusis: A busca de Deméter por sua filha Perséfone a levou ao palácio de Celeu , o rei de Elêusis, na Ática. Ela assumiu a forma de uma velha e pediu-lhe abrigo. Ele a acolheu para amamentar Demofonte e Triptólemo, seus filhos com Metanira. Para recompensar sua bondade, ela planejou tornar Demofonte imortal; ela ungiu secretamente o menino com ambrosia e o colocou nas chamas da lareira para que gradualmente consumisse sua mortalidade. Mas Metanira entrou, viu seu filho no fogo e gritou de medo. Deméter abandonou a tentativa. Em vez disso, quando Perséfone retornou do submundo, ela e Deméter ensinaram a Triptólemo os segredos da agricultura, e ele, por sua vez, os ensinou a todos que desejassem aprendê-los. Assim, a humanidade aprendeu a plantar, cultivar e colher grãos. O mito tem várias versões; algumas estão ligadas a figuras como Elêusis, Raro e Tróquilo. O elemento Demophon pode ser baseado num conto popular anterior.

Deméter e Iásion: A Odisseia de Homero (c. final do século VIII a.C.) contém talvez as primeiras referências diretas ao mito de Deméter e seu consorte Iásion, um herói samotrácio cujo nome pode se referir à trepadeira, uma pequena flor branca que cresce frequentemente em campos de trigo. Na Odisseia, Calipso descreve como Deméter, "sem disfarce", teve relações sexuais com Iásion. "Assim foi quando Deméter, de tranças, seguiu seu coração e se apaixonou por Iásion no campo de três sulcos; Zeus percebeu isso logo e lançou o raio brilhante e o matou." No entanto, Ovídio afirma que Iásion viveu até a velhice como marido de Deméter. Na cultura grega antiga, parte da abertura de cada ano agrícola envolvia o corte de três sulcos no campo para garantir sua fertilidade.

Hesíodo expandiu os fundamentos deste mito. Segundo ele, a ligação entre Deméter e Iásion ocorreu no casamento de Cadmo e Harmonia em Creta. Deméter, nesta versão, atraiu Iásion para longe dos outros convidados da festa. Hesíodo diz que Deméter posteriormente deu à luz Pluto.

Deméter e Poseidon: Na Arcádia, localizada no que hoje é o sul da Grécia, a deusa principal Despoina era considerada filha de Deméter e Poseidon Hípio ("Poseidon Cavalo"). Nos mitos associados, Poseidon representa o espírito fluvial do submundo e aparece na forma de um cavalo, como frequentemente ocorre no folclore do norte da Europa. O mito descreve como ele perseguiu sua irmã mais velha, Deméter, que se escondeu dele entre os cavalos do rei Ôncio, mas mesmo na forma de uma égua, ela não conseguiu ocultar sua divindade. Poseidon a alcançou e a violentou na forma de um garanhão. Deméter ficou furiosa com o ataque de Poseidon; nessa forma furiosa, ela passou a ser conhecida como Deméter Erínia. Sua raiva contra Poseidon a levou a se vestir toda de preto e a se refugiar em uma caverna para se purificar, um ato que causou uma fome universal. A ausência de Deméter causou a morte das colheitas, do gado e, eventualmente, das pessoas que dependiam delas (a tradição arcádica posterior sustentava que tanto sua raiva contra Poseidon quanto a perda de sua filha causaram a fome, fundindo os dois mitos). Deméter lavou sua raiva no rio Ladon, tornando-se Deméter Lousia, a "Deméter banhada".

“Na sua aliança com Poseidon”, observou Kerényi, “ela era a Terra, que dá origem às plantas e aos animais, e podia, portanto, assumir a forma de uma espiga de trigo ou de uma égua.” Além disso, ela deu à luz uma filha chamada Despoina (Δέσποινα: a “Senhora”), cujo nome não deve ser pronunciado fora dos Mistérios Arcádicos, e um cavalo chamado Arion, com crina e cauda pretas.

Em Figaleia, um xoanon (estátua de madeira esculpida) de Deméter foi erguido em uma caverna que, segundo a tradição, era a caverna para onde Deméter Negra se refugiava. A estátua representava uma figura semelhante à Medusa, com cabeça de cavalo e cabelos de serpente, segurando uma pomba e um golfinho, que provavelmente representavam seu poder sobre o ar e a água:

“A segunda montanha, o Monte Elaius, fica a cerca de trinta estádios de Figália e possui uma caverna sagrada dedicada a Deméter, cujo nome era Negro... Os figalianos contam que concluíram que essa caverna era sagrada para Deméter e ergueram nela uma imagem de madeira. A imagem, dizem, foi feita da seguinte maneira: estava sentada sobre uma rocha, semelhante a uma mulher em todos os aspectos, exceto a cabeça. Ela tinha a cabeça e o cabelo de um cavalo, e de sua cabeça cresciam imagens de serpentes e outros animais. Sua túnica chegava até os pés; em uma de suas mãos havia um golfinho, na outra, uma pomba. Ora, o motivo pelo qual mandaram fazer a imagem dessa maneira é óbvio para qualquer homem inteligente e versado em tradições. Dizem que a chamaram de Negra porque a deusa usava vestes pretas. Não sabem dizer quem fez essa imagem de madeira nem como ela pegou fogo. Mas a antiga imagem foi destruída, e os figalianos não fizeram uma nova imagem para a deusa, negligenciando em grande parte seus festivais e sacrifícios, até que a esterilidade se abateu sobre a terra.”

— Pausânias, 8.42.1–4.

Deméter e Erisícton:
Antonio Tempesta, 1606, Gravura 80: Ninfa de Ceres ordena à Fome que castigue Erisícton (Insatiabili fame Erisichtonem torquet Fames), das Metamorfoses de Ovídio.

Outro mito envolvendo a fúria de Deméter resultando em fome é o de Erisícton , rei da Tessália. O mito conta que Erisícton ordenou que todas as árvores de um dos bosques sagrados de Deméter fossem cortadas, pois queria construir uma extensão de seu palácio e realizar festas ali. Uma árvore, um enorme carvalho, estava coberta de grinaldas votivas, símbolos das orações que Deméter havia atendido, então os homens de Erisícton se recusaram a cortá-la. O rei usou um machado para derrubá-la, matando uma dríade no processo. As últimas palavras da dríade foram uma maldição sobre Erisícton. Deméter puniu o rei invocando Limos, o espírito da fome implacável e insaciável, para entrar em seu estômago. Quanto mais o rei comia, mais fome sentia. Erisícton vendeu todos os seus bens para comprar comida, mas ainda estava com fome. Finalmente, ele vendeu sua filha, Mestra, como escrava. Mestra foi libertada da escravidão por seu antigo amante, Poseidon, que lhe deu o dom de se transformar em qualquer criatura para escapar de seus grilhões. Erysichthon usou sua habilidade de metamorfose para vendê-la inúmeras vezes para ganhar mais dinheiro para se alimentar, mas nenhuma quantidade de comida era suficiente. Eventualmente, Erysichthon se devorou.

Em uma variação, Erisícton derrubou um templo de Deméter, desejando construir um telhado para sua casa; ela o puniu da mesma maneira e, perto do fim de sua vida, enviou uma serpente para atormentá-lo. Depois, Deméter o colocou entre as estrelas (a constelação de Ofiúco), como fez com a serpente, para continuar a infligir seu castigo a Erisícton.

No Altar de Pérgamo, que retrata a batalha dos deuses contra os Gigantes (Gigantomaquia), sobreviveram restos do que parece ter sido Deméter lutando contra um Gigante identificado como "Erisícton". Deméter também é retratada lutando contra os Gigantes ao lado de Hermes no vaso da Gigantomaquia de Suessula, agora no Museu do Louvre. Normalmente, as representações antigas da Gigantomaquia tendem a excluir Deméter devido à sua natureza não marcial.

Mitos da ira: Segundo Ovídio, Deméter deu asas às Sereias, companheiras de Perséfone, para procurarem sua filha quando esta foi raptada por Hades. No entanto, as Fábulas de Higino mostram Deméter amaldiçoando as sereias por não terem intervido no rapto de Perséfone.

Após viajar por terras distantes em busca de sua filha, Deméter chegou exausta à Ática. Uma mulher chamada Misme a acolheu e ofereceu-lhe uma xícara de água com poejo e grãos de cevada, pois era um dia quente. Deméter, com sede, engoliu a bebida desajeitadamente. Ao presenciar isso, Ascalabus, filho de Misme, riu, zombou dela e perguntou se ela gostaria de um jarro cheio daquela bebida. Deméter então derramou sua bebida sobre ele e o transformou em uma lagartixa, odiada tanto pelos homens quanto pelos deuses. Dizia-se que Deméter demonstrava favor àqueles que matavam lagartixas.

Deméter prendeu Ascálafo sob uma rocha por ter relatado, como única testemunha, a Hades que Perséfone havia consumido algumas sementes de romã. Mais tarde, depois que Hércules rolou a pedra para longe de Ascálafo, Deméter o transformou em uma coruja-orelhuda. Em outras versões, foi Perséfone quem transformou Ascálafo na ave, aspergindo-o com água do rio Flegetonte.

Antes de Hades raptar Perséfone, ele mantinha Minthe como sua amante. Mas depois de se casar com Perséfone, ele a rejeitou. Minthe costumava se gabar de ser mais bela e majestosa do que Perséfone e dizia que Hades logo voltaria para ela e a expulsaria de seus aposentos. Deméter, ao ouvir esse insulto contra sua filha, ficou furiosa e pisoteou Minthe; da terra então brotou uma erva de aroma agradável , batizada em homenagem à ninfa. Em outras versões, a própria Perséfone é quem mata e transforma Minthe em uma planta.

Num mito argivo, quando Deméter viajou para Argólida, um homem chamado Colontas recusou-se a recebê-la em sua casa, enquanto sua filha Ctônia desaprovou suas ações. Colontas foi punido sendo queimado junto com sua casa, mas Deméter levou Ctônia para Hermione, onde ela construiu um santuário para a deusa.

Certa vez, a princesa colquiana Medeia pôs fim a uma fome que assolava Corinto, fazendo sacrifícios a Deméter e às ninfas.

Mitos de favor: Durante suas andanças, Deméter chegou à cidade de Feneu; aos feneatas que a receberam calorosamente e lhe ofereceram abrigo, ela deu todos os tipos de leguminosas, exceto feijões, por considerá-los impuros. Dois dos feneatas, Trisaules e Damitales, mandaram construir um templo de Deméter para ela. Deméter também presenteou Fitalo, um eleusino, com uma figueira por tê-la acolhido em sua casa.

Deméter deu a Triptólemo sua carruagem puxada por serpentes (uma das serpentes que puxavam essa carruagem era Cicreides) e sementes, e ordenou-lhe que as espalhasse pela terra (ensinasse à humanidade o conhecimento da agricultura). Triptólemo cavalgou pela Europa e Ásia até chegar à terra de Linco, um rei cita. Linco fingiu oferecer-lhe a hospitalidade habitual, mas assim que Triptólemo adormeceu, atacou-o com uma adaga, querendo levar o crédito por seu trabalho. Deméter então salvou Triptólemo transformando Linco em um lince e ordenou que Triptólemo retornasse para casa voando. Higino registra um mito muito semelhante, no qual Deméter salva Triptólemo de um rei malvado chamado Carnabon, que também se apoderou da carruagem de Triptólemo e matou um dos dragões, para que ele não pudesse escapar; Deméter devolveu a carruagem a Triptólemo, substituiu o dragão morto por outro e puniu Carnabon colocando-o entre as estrelas segurando um dragão como se fosse matá-lo.

Quando seu filho Filomelo inventou o arado e o usou para cultivar os campos, Deméter ficou tão impressionada com seu bom trabalho que o imortalizou no céu transformando-o em uma constelação, os Boötes.

Na história de Eros e Psiquê, Deméter, junto com sua irmã Hera, visitou Afrodite, furiosa com a jovem que se casara com seu filho. Afrodite pede às duas que a procurem; as duas tentam convencê-la do contrário, argumentando que seu filho não é um menino, embora possa parecer um, e que não há mal nenhum em ele se apaixonar por Psiquê. Afrodite se ofendeu com as palavras delas. Algum tempo depois, Psiquê, em suas andanças, encontrou um santuário abandonado de Deméter e separou as foices e os implementos agrícolas negligenciados que encontrou ali. Enquanto fazia isso, Deméter apareceu para ela e a chamou de longe; ela avisou a jovem sobre a grande ira de Afrodite e seu plano de vingança. Então Psiquê implorou à deusa que a ajudasse, mas Deméter respondeu que não podia interferir e incorrer na ira de Afrodite, e por essa razão, Psiquê tinha de deixar o santuário ou então seria mantida como prisioneira dela.

Hierax, um homem de justiça e distinção, estabeleceu santuários para Deméter e recebeu dela colheitas abundantes. Quando a tribo negligenciou Poseidon em favor de Deméter, o deus do mar destruiu todas as suas plantações, então Hierax enviou-lhes sua própria comida e foi transformado em um falcão por Poseidon.

Além de dar presentes àqueles que a acolhiam, Deméter também era uma deusa que amamentava os jovens; todos os filhos de Plemeu, nascidos de seu primeiro casamento, morreram em um berço; Deméter teve piedade dele e criou seu filho Ortópolis. Plemeu construiu um templo para ela em agradecimento. Deméter também criou Trofônio, o filho profético de Apolo ou Ergino.

Outras contos: Deméter parece ter acompanhado Dioniso quando ele desceu ao Mundo Inferior para buscar sua mãe Sêmele, a fim de visitar sua filha, agora casada, e talvez conduzi-la de volta ao mundo dos vivos pelo resto do ano. Em muitos vasos de Atenas, Dioniso é visto na companhia de mãe e filha.

Certa vez, Tântalo, filho de Zeus, convidou os deuses para jantar. Tântalo, querendo testá-los, cortou seu filho Pélops, cozinhou-o e ofereceu-o como refeição a eles. Todos perceberam o crime de Tântalo, exceto Deméter, que comeu o ombro de Pélops antes que os deuses o trouxessem de volta à vida.

ADORAÇÃO

Em Creta: Numa tradição mais antiga em Creta, o culto da vegetação estava relacionado com a divindade da caverna. Durante a Idade do Bronze, uma deusa da natureza dominava tanto os cultos minoicos como os micênicos. Nas inscrições em Linear B, po-ti-ni-ja (potnia) refere-se à deusa da natureza que se preocupava com o nascimento e a vegetação e tinha certos aspetos ctónicos. Alguns estudiosos acreditam que ela era a deusa-mãe universal. Uma inscrição em Linear B em Cnossos menciona a potnia do labirinto da-pu-ri-to-jo po-ti-ni-ja. Posídon era frequentemente chamado de wa-na-ka (wanax) nas inscrições em Linear B, no seu papel de Rei do Submundo, e o seu título E-ne-si-da-o-ne indica a sua natureza ctónica. Ele era o companheiro masculino (paredros) da deusa no culto minoico e provavelmente no micênico. Na caverna de Amnisos, Enesidaon está associado ao culto de Ilítia, a deusa do parto, que estava envolvida com o nascimento anual da criança divina. Elementos desta forma primitiva de culto sobreviveram no culto eleusino, onde as seguintes palavras foram proferidas: "a poderosa Potnia deu à luz um filho forte".

Na Grécia continental:

ETIMOLOGIA

Deméter pode aparecer na escrita Linear A como da-ma-te em três documentos (AR Zf 1 e 2, e KY Za 2), todos relacionados a contextos religiosos e contendo apenas esse nome (i-da-ma-te em AR Zf 1 e 2). É pouco provável que Deméter apareça como da-ma-te em uma inscrição em Linear B (grego micênico) (PY En 609); a palavra 𐀅𐀔𐀳 (da-ma-te) provavelmente refere-se a "unidades domésticas" ou "lares". Por outro lado, 𐀯𐀵𐀡𐀴𐀛𐀊 (si-to-po-ti-ni-ja), "Potnia do Grão", é considerada uma referência à sua predecessora da Idade do Bronze ou a um de seus epítetos.

A natureza de Deméter como deusa-mãe é identificada no segundo elemento de seu nome, meter (μήτηρ), derivado do proto-indo-europeu (PIE)\méh₂tēr* (mãe). Na Antiguidade, já se propunham diferentes explicações para o primeiro elemento de seu nome. É possível que Da (Δᾶ), palavra que corresponde a Gē (Γῆ) no dialeto ático, seja a forma dórica de De (Δῆ) — "terra", o antigo nome da deusa ctônica da terra — e que Deméter signifique "Mãe-Terra". Liddell e Scott consideram isso "improvável", e Beekes escreve: "não há indicação de que [da] signifique 'terra'", embora essa associação também tenha sido feita no nome de Poseidon encontrado na inscrição em Linear B E-ne-si-da-o-ne, que significa "aquele que faz a terra tremer". John Chadwick também argumenta que o elemento dā no nome de Deméter não pode ser tão simplesmente equiparado a "terra". M. L. West propôs que a palavra Demeter — inicialmente Damater — poderia ser um empréstimo de uma divindade ilíria, atestada na deusa messápia Damatura; nela, a forma dā- ("terra", do PIE *\*dʰǵʰ(e)m-*) estaria ligada a *-matura* ("mãe"), de modo análogo ao deus ilírio Dei-paturos (*dei-*, "céu", ligado a *-paturos*, "pai"). A forma lésbia *Dō-* pode simplesmente refletir uma pronúncia coloquial diferente do nome não grego.[20]

Outra teoria sugere que o elemento *De-* poderia estar relacionado a *Deo*, um epíteto de Deméter[21], e derivar da palavra cretense *dea* (δηά) ou iônica *zeia* (ζειά) — identificadas de diversas formas por estudiosos modernos como trigo-emmer, espelta, centeio ou outros grãos —, fazendo dela a mãe e a provedora de alimentos em geral.[22][23] Essa visão é compartilhada pela estudiosa britânica Jane Ellen Harrison, que sugere que o nome de Deméter significa "Mãe dos Grãos", em vez de "Mãe Terra".

Uma etimologia alternativa, de origem proto-indo-europeia, baseia-se em *Potnia* e *Despoina*; nela, Des- representa um derivado da raiz PIE *\*dem* (casa, domicílio), sendo Deméter a "mãe da casa" (do PIE\dems-méh₂tēr). R. S. P. Beekes rejeita uma interpretação grega, mas não necessariamente uma de origem indo-europeia.

ROMÁRIO (FUTEBOLISTA BRASILEIRO)

Stanford, Califórnia – 24 de junho: Retrato do atacante brasileiro Romário, feito em 24 de junho de 1994 em Stanford, antes da partida da primeira fase da Copa do Mundo entre Brasil e Camarões. AFP PHOTO (O crédito da foto deve constar como STAFF/AFP via Getty Images).
  • NOME COMPLETO: Romário de Souza Faria
  • NASCIMENTO: 29 de janeiro de 1966; Rio de Janeiro, Guanabara, Brasil
  • APELIDOS: Baixinho, Gênio da Grande Área, O Rei do Gol, Reimário, Gomez
  • FAMÍLIA: Edevair Faria (pai), Manuela Ladislau (mãe),
  • POSIÇÃO: centroavante
  • NÚMERO: 11
  • ANOS DE ATIVIDADE: 1985–2008; 2009; 2024–atualmente
  • ALTURA: 1,67 m
  • PÉ: destro
  • TORCEDOR: América-RJ
Romário Faria (1966–) é um político, empresário e futebolista brasileiro. Em sua carreira no futebol, jogou primariamente como centroavante. É um dos maiores centroavantes brasileiros, do futebol mundial e de todos os tempos, sendo amplamente reconhecido por muitos jogadores nacionais e estrangeiros.

BIOGRAFIA

Filho do capixaba Edevair de Souza Faria e da carioca Manuela Ladislau Faria, morou na comunidade do Jacarezinho até os três anos de idade, quando mudou-se para a Vila da Penha. Lá jogou no time de futebol do Estrelinha, fundado por seu pai, o que era uma maneira de incentivá-lo à prática dos esportes. Foi no asfalto e nas quadras de futebol de salão que aprendeu a jogar. Com pouco tempo já era destaque entre os garotos, e já jogava entre os mais velhos.

Em 1979, um olheiro o levou para fazer testes no infantil do Olaria. De cara ele foi artilheiro e campeão carioca na categoria infantil em 1979. Destaque entre os jogadores da equipe, foi levado depois ao Vasco da Gama, foi obrigado a fazer um "estágio" de um ano, pois o jogador não tinha condições legais de ingressar no clube por causa de sua idade. Já na categoria juvenil e juniores do Vasco, conseguiu por três anos seguidos ser artilheiro do Campeonato Carioca: em 1982,1983 e 1984, além de ser bicampeão em 1983 e 1984, mostrando assim que estava surgindo um dos maiores artilheiros de todos os tempos do futebol.

CARREIRA FUTEBOLÍSTICA

Início no Vasco da Gama: No Vasco, Romário iniciou a sua carreira profissional em 1985, promovido ao time principal por Antônio Lopes. Sua estreia em jogos oficiais ocorreu em 6 de fevereiro, na vitória vascaína por 3–0 sobre o Coritiba, partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Romário entrou no segundo tempo, no lugar de Mário Tilico. Já seu primeiro gol foi marcado no dia 18 de agosto, em um amistoso contra o time do Nova Venécia, marcando duas vezes em uma goleada de 6–0 sobre a equipe capixaba.

Começou a chamar a atenção de torcedores e jornalistas já no Campeonato Carioca de 1985, onde foi vice-artilheiro. Considerado uma grande revelação, assinou seu primeiro contrato profissional em 1986, ano em que fez dupla de ataque com o consagrado jogador Roberto Dinamite, em um elenco vascaíno que ficaria marcado por contar com os dois maiores ídolos da história recente do clube, mesclando também outros veteranos consagrados e jovens talentos. Dinamite diria, mais tarde: "Você sabe o que é jogar ao lado do Romário de 20 anos de idade? Era só jogar a bola para ele. Das três que chegavam no pé, duas ele colocava dentro do gol".

Romário, naquele ano, venceu a Taça Guanabara de 1986, seu primeiro título como profissional, marcando duas vezes na final contra o Flamengo. Mesmo ao lado de Dinamite, foi o garoto o artilheiro do Campeonato Carioca do mesmo ano, com um gol a mais que o veterano ídolo. Porém, os rubro-negros venceriam o segundo turno e acabariam derrotando o Vasco nas finalíssimas. O desempenho no Estadual chegaria a cotar a jovem revelação para a Copa do Mundo do México, também naquele 1986.

Em 1987 e 1988, o Baixinho marca época no Vasco, faturando o bicampeonato carioca, em ambas as vezes contra o Flamengo, devolvendo a perda do título de 1986. Na decisão de 1988, marca um gol histórico contra o arquirrival, aplicando um lençol no goleiro Zé Carlos e quase entrando no gol junto com a bola. Na segunda partida da final, Romário acabou expulso após se envolver em uma briga com Renato Gaúcho, mesmo assim o Vasco venceu. Naquele ano, já declara sua ambição de fazer mil gols, tal como Pelé: "Tenho 22 anos e garanto que ainda vou impressionar muita gente. Podem me cobrar. Vou chegar ao milésimo gol".

Em 1988, além do título do Campeonato Carioca, integra a Seleção Brasileira que vai às Olimpíadas de Seul. Romário termina os Jogos Olímpicos como artilheiro com sete gols, um deles na final. O PSV Eindhoven, recém-campeão da Copa dos Campeões da UEFA, aparece e contrata duas estrelas daquelas Olimpíadas: ele e o zambiano Kalusha Bwalya.

PSV Eindhoven:

Durante o ano de 1988, Romário chegou a ser negociado para jogar no São Paulo, mas isso não se concretizou porque o PSV levou primeiro o jogador.

Romário transferiu-se para o PSV por US$ 6 milhões de dólares estadunidenses, sendo na época a mais cara contratação brasileira por um clube estrangeiro ultrapassando a que era até então a maior que havia sido a de Zico que foi vendido para a Udinese, da Itália, por US$ 4 milhões de dólares em 1983. Romário teve realmente um mega contrato; além do salário de US$ 1 milhão de dólares por temporada com mordomia, US$ 1 milhão de dólares de luvas, uma casa com vários quartos e todos os empregados necessários, equipamento de som e vídeo da Philips, um carro Opel GSI, 10 passagens aéreas por ano entre Holanda e Brasil, liberdade para fazer qualquer publicidade no mundo inteiro, contrato publicitário com a Philips do Brasil, curso de inglês e holandês para ele e sua esposa Mônica Santoro, um intérprete, cursos em faculdades locais e se seu passe fosse vendido por mais de US$ 3,7 milhões de dólares para outro clube, ele teria direito a 15% de tudo que excedesse a esse valor. O técnico da equipe neerlandesa, Guus Hiddink, veio pessoalmente ao Brasil para participar das negociações.

Estreou pelo clube em 30 de outubro de 1988 na partida PSV 3–0 Twente. Na sua primeira temporada no clube foi artilheiro, campeão do Campeonato Holandês e da Copa dos Países Baixos. Na Copa dos Campeões da UEFA, encarou pela primeira vez um futuro rival, o Real Madrid. Marca nas duas partidas, mas são os espanhóis quem avançam, na prorrogação, para as semifinais. Ele perde o Mundial Interclubes, em que ele empata a partida contra os uruguaios do Nacional a quinze minutos do fim; o jogo vai para a prorrogação, com virada do PSV, que sofre o empate no último minuto do tempo extra. Ele converte a sua cobrança na decisão por pênaltis, mas o adversário vence nela por 7–6. Já na Supercopa Europeia, o título é perdido após a equipe vencer os belgas do Mechelen por apenas 1–0 em casa, após perder por 0–3 fora.

Na temporada de 1989-90, Romário é novamente artilheiro da Eredivisie e volta a ganhar a Copa nacional e torna-se ainda o primeiro brasileiro chamado para uma Copa do Mundo atuando por uma equipe dos Países Baixos — todavia, uma lesão no tornozelo ocorrida a três meses do torneio pelo próprio PSV praticamente o priva de jogar o mundial. Sem ele nas rodadas finais, o PSV perdeu o campeonato por um ponto para o Ajax, dando certa razão a uma declaração de seu principal atacante: "O PSV depende de mim. Todos sabem que a equipe não tem condições de jogar sem Romário" De fato, sua importância era tal que a diretoria o perdoou mesmo após um pequeno escândalo, em que fotos suas disputando animadas partidas de futebol de areia no Rio de Janeiro chegaram ao clube — Romário havia conseguido ser liberado pelo PSV com a desculpa de tratar o problema no tornozelo.

O Baixinho recupera-se bem da lesão e, na temporada de 1990–91, é novamente artilheiro e campeão da Eredivisie, com um sabor especial para a torcida: o PSV, até então a terceira força do futebol neerlandês iguala, em número de títulos no campeonato, o Feyenoord, ultrapassado na de 1991–92, com um bicampeonato seguido da equipe de Eindhoven. A temporada de 1992–93, em que o Feyenoord ganha e se iguala momentaneamente ao PSV, é a primeira de Romário na Holanda em que ele não fatura títulos; ainda assim, sua artilharia na Copa dos Campeões da UEFA, mesmo com o PSV caindo em último na fase de grupos, impressiona os grandes clubes da Espanha, Valência tenta contratar o jogador a pedido de Guus Hiddink que nesse momento estava como treinador do clube espanhol, porém, um holandês em especial: JOHAN CRUIJFF, que na época treinava com sucesso o Barcelona conseguiu com que a diretoria do clube contratasse o artilheiro.

O clube espanhol é convencido a comprar Romário, fazendo-o por US$ 5 milhões de dólares estadunidenses. Romário despediu-se do PSV com um total de 165 gols marcados em 167 jogos, sendo o terceiro maior artilheiro da história do clube com 128 gols em 145 partidas considerando apenas os jogos oficiais. Embora sua passagem por ele geralmente seja pouco lembrada, o clube de Eindhoven foi o que Romário mais conquistou títulos oficiais, sua fama foi tão grande que é considerado por muitos como o maior jogador da história do clube. Ao longo dos anos tiveram alguns documentários dele sobre sua história no PSV, em destaque para o de 2013, com o título: "Romário, samba in Eindhoven". Também teve desfile de carnaval em sua homenagem por ter sido eleito o embaixador do clube. Em 2022 colocou definitivamente seus pés na calçada da fama no estádio do PSV. Guus Hiddink, seu treinador, declararia:

“O jogador mais interessante com quem já trabalhei foi Romário. Era o tipo de cara que fazia gols com facilidade. Antes de partidas cruciais, quando se está um pouco nervoso, ele chegava para mim e dizia "coach, tranquilo, Romário vai marcar e nós vamos ganhar". E ele realmente marcava. Nem todas as vezes, mas em oito de dez jogos como aqueles ele marcaria o gol da vitória.”

FC Barcelona:

Romário atuando pelo FC Barcelona. Foto tirada por Graham Chadwick em 20 de novembro de 1993.

Romário chega ao Barcelona como o jogador brasileiro mais bem pago do mundo com um salário de US$ 1,4 milhões de dólares por temporada e tem um início arrasador no clube catalão. Na pré-temporada, marca quatorze gols em oito partidas, seu primeiro título veio em cima do São Paulo no Torneio Tereza Herrera, em que o Romário faz o gol do título de cabeça na final. Logo após conquista outro torneio Troféu FORTA em Marbella sendo o artilheiro e também é artilheiro do Troféu Isla de Tenerife. Conseguiu também, para a surpresa geral, a amizade do temperamental Hristo Stoichkov, que não escondera da imprensa seu descontentamento inicial com a chegada de um quarto estrangeiro — na época, as regras só permitiam três em campo, e o Barcelona já reunia, além do búlgaro, o neerlandês Ronald Koeman (ex-colega de PSV) e o dinamarquês Michael Laudrup, todos já consagrados no clube. De fato, Cruijff teve de revezar os quatro em um rodízio que pouco os agradava, mas logo Romário se destaca e é eleito o segundo melhor jogador do mundo pela FIFA em 1993.

A temporada de 1993–94 desenrola-se com o Barcelona em busca de um tetracampeonato seguido. O ápice dá-se em um El Clásico, em que Romário marca três vezes e dá uma assistência em um 5 a 0 contra o Real Madrid, o primeiro gol marcaria história sendo eleito em uma pesquisa feita em 2008 pelo jornal El Mundo Deportivo, como o gol mais bonito da história do Barcelona, onde Romário dá um drible chamado pelos espanhóis de Cola de Vaca em cima do zagueiro do Real Madrid e da seleção espanhola, Alkorta. O outro time da capital espanhola também não se livra do Baixinho: nos dois duelos contra o Atlético de Madrid, Romário marca também três vezes, em cada um — 3 a 4 no primeiro turno e 5 a 3 no segundo. Mas a partida contra o Real é o marco: a partir dela, o Barcelona soma 28 pontos em 30 possíveis nas partidas restantes e consegue, na última rodada, faturar um título que parecia perdido para o Deportivo A Coruña de Bebeto e Mauro Silva.

Em 1994, em uma partida realizada no Camp Nou contra o Sevilla, Romário levou uma cotovelada do volante Diego Simeone. IRRITADO, o baixinho revidou com um soco, sendo expulso imediatamente da partida e suspenso por cinco jogos.

Romário emenda o título no Campeonato Espanhol com nova artilharia, recebendo a alcunha de Matador de Porteros, além de alcançar um recorde de fazer cinco hat-tricks em apenas uma edição do Campeonato Espanhol na temporada 1993–94, recorde que pertencia apenas a dois jogadores: Isidro Lángara, na temporada 1935–36 pelo Real Ovideo, e Telmo Zarra na temporada 1946–47 pelo Athletic Bilbao; ambos também fizeram cinco hat-tricks em uma edição do Campeonato Espanhol. O recorde do Romário só foi quebrado pelo português Cristiano Ronaldo na temporada 2010–11 pelo Real Madrid, fazendo SEIS HAT TRICKS. Cruijff se rende ao brasileiro, que vinha se permitindo até a apostar com o técnico liberações para ir ao Brasil caso marcasse dois gols em um jogo — aposta que ele frequentemente ganhava. Todavia, ele não consegue o mesmo sucesso na Liga dos Campeões da UEFA: o time chega à final, mas ele marca apenas duas vezes, ambas na primeira fase, ambas em cada duelo contra o Spartak Moscou. Na final, os favoritos blaugranas são goleados por 0 a 4 para o Milan.

A temporada de 1994–95, apesar da saída de Laudrup para o arquirrival Real Madrid, começa inspiradora: Romário volta a Barcelona com alguns dias de atraso como campeão e grande destaque da Copa do Mundo de 1994, torneio onde Stoichkov também destacara-se como artilheiro e condutor de uma campanha histórica da Bulgária a um quarto lugar. O Barcelona havia contratado ainda outra estrela da Copa, Gheorghe Hagi, respondendo ao Real (onde o romeno havia jogado). Barcelona sem ele ainda ganha o Troféu da Cidade de Salamanca e mesmo ele já estando no clube não participa da conquista da Supercopa da Espanha visto estar se recuperando de uma lesão. E é justamente na Liga dos Campeões que Romário teria uma última noite de gala no Camp Nou, em que a dupla com Stoichkov marca três vezes em um 4 a 0 sobre o Manchester United. "Não pudemos com a velocidade de Stoichkov e Romário. A rapidez com que atacavam era algo totalmente novo", declararia o técnico britânico, Alex Ferguson.

Porém, Romário não duraria mais do que aquele semestre na Espanha: desejando voltar ao Brasil, força sua saída do Barcelona, mesmo seu passe sendo avaliado em US$ 12 milhões de dólares. Na época, grandes clubes da Europa queriam o jogador, em destaque para a Juventus, que estava sondando sua contratação o ano inteiro. Enquanto isso, Romário foi multado muitas vezes por atrasos aos treinos da manhã no Barcelona e a uma viagem do time, o que incomodou o técnico Cruyff e alguns companheiros. "Romário nunca voltou de fato depois da Copa do Mundo. Seu corpo estava em Barcelona, mas sua mente estava no Rio", declararia Stoichkov, de quem o brasileiro chegara a se distanciar. O Barcelona teve de aceitar e reduzir o valor do contrato, mesmo abaixando para US$ 9 milhões de dólares, acabou o vendendo por US$ 4,5 milhões, porém, depois o Flamengo deu mais US$ 2,5 milhões parcelados, fechando a compra em US$ 7 milhões de dólares.

No Barcelona, Romário viveu o período mais brilhante tido pelo clube até então, momento bastante acompanhado por telespectadores do mundo inteiro, com muitos deles passando a torcer pelo Barça a partir dali. Ele também acabaria responsável por reiniciar a trajetória de sucesso de jogadores brasileiros na equipe. Até então, o único que fora ídolo havia sido Evaristo de Macedo, na década de 1950. Entre ambos, passaram pelo clube outros seis brasileiros, incluindo Marinho Peres e Roberto Dinamite, todos sem êxito. Depois da passagem fugaz, mas brilhante, de Romário, o Barça teria sucesso particular com outros brasileiros de nomes iniciados em R — Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, além também de Giovanni, Thiago Motta, Edmílson, Belletti, Daniel Alves, Neymar e Deco (este último, após naturalizar-se português). A última lembrança vitoriosa do Romário com a camisa catalã ocorreu em 21 de dezembro de 1994, quando ele ao lado do búlgaro Stoichkov levantou o prêmio Onze d'Or de melhor jogador da temporada na Europa em 1994 para a torcida do Barcelona em pleno Camp Nou.

CR Flamengo:


No início de 1995 o Flamengo contrata o jogador, em uma inusitada jogada de marketing, após cerca de três a quatro meses de negociações com o Barcelona, facilitadas com a colaboração do próprio Romário. O negócio foi feito graças a uma mobilização de empresas desejosas em ter, em contrapartida, a imagem do craque. Em agosto de 2019, em uma enquete realizada pelo site GloboEsporte.com com 100 pessoas, entre jornalistas e ex-jogadores, essa contratação foi eleita a maior da história do futebol brasileiro.

Romário foi o 1º jogador jogando fora da Europa (e o único até hoje, já que no anúncio da FIFA, na época feito no dia 30 de janeiro de 1995 em Lisboa, ele já estava oficialmente contratado pelo Flamengo, onde já tinha inclusive estreado) a ser eleito o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA em 1994, devido ao seu bom desempenho pelo Barcelona e papel decisivo no tetracampeonato mundial brasileiro: para isso, Brahma, Banco Real, Rede Bandeirantes e Multiplan forneceram os recursos para a contratação do Baixinho que chegou como o jogador mais bem pago do Brasil com salário de R$ 62,5 mil mensais. Como grande contratação do ano em que o Flamengo festejava seu centenário, Romário chegou festejado pelos flamenguistas, fazendo desfile, em carreata, para 1 milhão de pessoas. Ofusca a chegada de outro tetracampeão, curiosamente também consagrado em um rival, o Fluminense: Branco.

Romário começou bem, conseguindo o título da Taça Guanabara de 1995 marcando três vezes na final contra o Botafogo. O título estadual, todavia, ficaria com o time de melhor campanha em um octogonal final. Na véspera da partida decisiva, contra o Fluminense, Romário desentende-se com o técnico Vanderlei Luxemburgo, que era contra alguns privilégios que o jogador recebia da diretoria. Chega a marcar na partida mas não termina o campeonato com a artilharia, que seria de Túlio Maravilha, do Botafogo, e o título fica com o Fluminense, em uma das partidas mais lembradas do clássico: com a vantagem do empate, o Flamengo chegou a alcançar a igualdade após estar perdendo por 0–2, mas o Tricolor consegue a vitória no final, no famoso gol de barriga de Renato Gaúcho (que assim fica também com o título simbólico de Rei do Rio). Com a perda do título estadual e a briga com Romário, o técnico Luxemburgo decide sair do Flamengo, sendo substituído primeiro por Edinho e, depois, pelo radialista Washington Rodrigues, conhecido como "Apolinho".

Para o Campeonato Brasileiro de 1995, a diretoria flamenguista tenta superar a decepção pela perda do título estadual contratando Edmundo para formar com Romário e Sávio o "melhor ataque do mundo". Além do Animal, credenciado com uma passagem vitoriosa pelo Palmeiras e ex-ídolo também do rival Vasco, chegam ainda Ronaldão (outro tetracampeão), Djair e Luís Carlos Winck. A amizade com Edmundo, que resulta até em um rap de ambos, apresentado na chegada do reforço, porém, não resulta em gols suficientes para levar o Flamengo às fases decisivas do Brasileirão e o Flamengo acaba nas últimas posições da tabela, sendo salvo do rebaixamento por desempenho pior de Paysandu e União São João, que foram os dois últimos colocados gerais. Para completar, em um amistoso no Japão, Romário discutiu com Sávio, o que causou uma crise no time. Paralelamente, a equipe vinha bem na Supercopa Libertadores 1995, chegando à final contra o Independiente. Após perder por 0 a 2 na Argentina, o Flamengo venceu, com um gol de Romário, na volta, mas por apenas 1 a 0, perdendo a última oportunidade de conseguir uma taça no centenário. A participação de Romário na Supercopa Libertadores deste ano ficou marcada também pela voadora que acertou no zagueiro Flavio Zandoná em partida contra o Vélez Sarsfield. Zandoná havia dado um soco em Edmundo.

Durante o ano, Romário recebeu regalias no Flamengo, como flexibilidade na rotina dos treinos, autorização para dormir na maca antes do aquecimento, ficar na primeira classe nos voos do time, permissão para ir a festas noturnas mesmo com a agenda de jogos, entre outros privilégios, o que gerou algumas críticas internas e externas ao clube.

No ano de 1995, fica em 4º lugar na eleição de Melhor do Mundo da FIFA pelo seu desempenho, um grande feito para um jogador que atuou a temporada inteira no Brasil. Em 1996 o Flamengo conquista o Campeonato Carioca de forma invicta. Romário, mais uma vez, é artilheiro do estadual. O Flamengo conquista também a Copa Ouro Sul-Americana. Nesse período, Romário também acabou sua briga com Zico, ídolo do Flamengo. No ano anterior, quando Romário veio jogar no clube, Zico fez algumas críticas ao jogador por querer privilégios no time. Criticou também a diretoria do Flamengo por dar privilégios a ele. O jogador não gostou e respondeu: "Quem gosta de coisa velha é museu. O que ele ganhou na vida? Perdeu todas as Copas que disputou", o que incomodou Zico. Em 1996, os dois fizeram as pazes, mas voltariam a ter um atrito em 1998, quando Romário foi cortado da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Apesar dos títulos do estadual e da Copa Ouro Sul-Americana, Romário não fica para o Campeonato Brasileiro de 1996; no dia 10 de junho de 1996 ele se envolve em uma transação mal sucedida que trouxe de volta o atacante Bebeto, e o Baixinho acaba vendido ao Valencia que demonstrava interesse desde 1993 em ter o jogador.

Valencia CF:

Em 10 de junho de 1996, foi anunciado pelo Valencia. Romário chega no Valencia como o jogador mais bem pago do mundo com um salário de US$ 3,6 milhões de dólares por temporada, mas pouco dura no Valencia, por coincidência tem sua estreia em um amistoso contra seu anterior clube o PSV e marca seu primeiro gol pelo Valencia em outro amistoso contra o time Colônia (ALE) e acaba ganhando apenas dois torneios, Torneio Naranja em cima do próprio Flamengo, porém, não disputa esse jogo e durante o torneio marca apenas um gol contra o Perugia na competição e também ganha o Troféu de la Generalitat Valenciana no qual ele também marca apenas um gol contra o Feyenoord e ganha o título em cima do time espanhol Hércules. Logo após desentende-se com o técnico Luis Aragonés e vê-se isolado no elenco, que apoia o treinador.

Apesar do interesse de Vasco, São Paulo e até do Boca Juniors, onde atuaria com Diego Maradona e Claudio Caniggia, o jogador programou, ainda antes do fim do ano, sua volta ao Flamengo, após lesionar-se no final de setembro, mesmo assim ainda fica em 10º lugar na eleição de Melhor do Mundo da FIFA pelo seu desempenho no ano de 1996.

Retorno ao Flamengo: No dia 26 de outubro de 1996, retorna ao Flamengo em um período de empréstimo até 25 de julho de 1997 e vai com o Flamengo a três decisões, mas duas são perdidas em empates por 2 a 2: o Torneio Rio-São Paulo, contra o Santos, e a Copa do Brasil, contra o Grêmio, em que ele chega a marcar, mas o Grêmio fica com o título pelo critério do gol fora de casa. O único título conquistado é o da Copa dos Campeões Mundiais de 1997, mas Romário não jogou nenhuma partida do torneio porque o técnico Sebastião Rocha e a equipe decidiram poupá-lo para usá-lo em outras competições, como a Copa do Brasil e o Torneio Rio-São Paulo. No Cariocão, o jogador fica com a artilharia pela segunda vez seguida. Tornou-se também o segundo jogador a marcar gols contra os 4 grandes paulistas no mesmo ano. Em uma partida contra o Madureira pelo estadual, Romário marcou o seu centésimo gol pelo Flamengo. Na mesma partida, porém, se envolveu em uma briga com o lateral Cafezinho, do Madureira.

Joga apenas quatro partidas no Campeonato Brasileiro de 1997, marcando seus três gols em um único jogo, em um 4 a 1 contra o Goiás. Chega a ser pedido por Ronaldo para a Inter de Milão contratá-lo para jogarem juntos no time italiano. Em 25 de julho de 1997, o contrato de empréstimo de Romário com o Flamengo acaba e, com isso, ele retorna ao Valencia. Sem ele, o Flamengo até consegue chegar às fases finais do Brasileirão, mas é eliminado pelo Vasco – futuro campeão.

Retorno ao Valencia: No Valencia, ele tem novas frustrações: o técnico Jorge Valdano, que pedira pela sua volta, demonstra tolerar o comportamento boêmio do atacante, declarando posteriormente que, de fato, o contrato do astro previa em uma cláusula essa liberdade para o Baixinho. O Valencia inicia ganhando a Copa Fuji sem ele, pois Jorge Valdano prefere poupá-lo para os jogos seguintes. A reestreia de Romário acontece em um amistoso contra o Atlético de Madrid, onde ele marca um golaço de fora da área, gol esse que foi escolhido pelo próprio Romário entre um dos gols mais bonitos da carreira dele. Alguns dias depois, Romário ganha o Troféu Agrupación de Peñas Valencianistas, com ele dando o passe para o gol durante a partida, sendo capitão e marcando um gol na decisão por pênaltis em cima do Racing Santander. Pouco tempo depois, Romário machuca-se. Valdano cai logo após a terceira rodada do Campeonato Espanhol, e Romário desentendeu-se com o novo treinador, Claudio Ranieri. Em outubro de 1997, o Valencia deu um período de descanso a Romário visando uma recuperação física dele e para ele tratar uma laringite. No entanto, nesse período, ele foi para uma boate e ficou lá durante a madrugada, o que incomodou o novo técnico e a direção do clube. Por isso, Romário foi barrado pelo clube de jogar uma partida contra o Celta. Posteriormente, Romário criticou o esquema tático do técnico Ranieri, acusando-o de ser defensivo demais, o que estaria não lhe ajudando a fazer gols. Devido a todos esses problemas, o jogador, mesmo após recuperar-se da lesão e da laringite, perdeu espaço no Valencia.

Romário acabou sendo deixado na reserva de Marcelinho Carioca, e mesmo com o interesse de mais um clube italiano em tê-lo, dessa vez o Napoli, o atacante preferiu voltar para o Brasil e logo acertou um novo retorno ao Flamengo, em definitivo, no dia 18 de dezembro de 1997.

Terceira passagem pelo Flamengo: No entanto, o ano de 1998 não se mostrou muito melhor: no Campeonato Carioca, onde foi pela terceira vez consecutiva o artilheiro, o título ficou com o Vasco. Já no Campeonato Brasileiro, o time não encontrou um padrão de jogo e acabou ficando de fora das fases finais. Mais do que isso, Romário acabou cortado da Copa do Mundo FIFA de 1998. Em 1999, o título estadual foi, sobre o favorito Vasco de Edmundo, reconquistado, e Romário emendou sua quarta artilharia seguida no torneio. Ele destacou-se também no Torneio Rio-São Paulo, mesmo com o time não chegando às fases finais. Ao driblar o volante Amaral com um elástico e completar a jogada com um gol sem ângulo, ele foi aplaudido pela torcida adversária, em um 3 a 0 sobre o Corinthians em pleno Pacaembu.

No Brasileirão, o Flamengo chega a fazer uma boa campanha, mas perde uma série de jogos na reta final e fica novamente eliminado das fases finais. A maior decepção fica na Copa do Brasil: o time vencia o Palmeiras no Parque Antártica por 2 a 1 no jogo de volta da quartas de final, até os últimos dez minutos da partida, quando os alviverdes marcaram justamente os três gols que necessitavam e venceram o jogo por 4 a 2.

O maior alento rubro-negro em 1999 é a Copa Mercosul. O time vai avançando, com Romário obtendo nova artilharia. Porém, antes da segunda partida da semifinal — contra o Peñarol, em Montevidéu —, Romário e outros jogadores do Flamengo festejam em uma boate de Caxias do Sul horas depois de derrota para o Juventude, válida pelo Brasileiro. A despeito de ter marcado o gol do Flamengo no jogo (1 a 3), apenas o Baixinho acaba punido, tendo seu contrato rescindido por decisão do presidente Edmundo dos Santos Silva. Sem ele, o Flamengo consegue ser campeão da Mercosul.

Sem clube, Romário acertou seu retorno ao Vasco da Gama depois de onze anos. O Botafogo também demonstrou interesse no jogador. Os dois clubes chegaram a tentar fazer um acordo, em que Romário jogaria três meses no Vasco em 2000, principalmente para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA, e depois iria para o Botafogo. Mas as negociações com o Botafogo não avançaram e o jogador acertou sua ida apenas para o Vasco. Deixou o Flamengo como o quarto maior artilheiro do clube ao lado de Pirillo, com 204 gols em 240 jogos, atrás apenas de Henrique Frade, Dida e do desafeto Zico. Tendo marcado 46 gols naquele ano, recebeu a primeira Chuteira de Ouro da Revista Placar.

O Flamengo ficou com uma dívida milionária com Romário por encargos não recolhidos e direitos de imagem do jogador enquanto ele jogou no clube. A dívida só foi paga em 2015 e 2016, cerca de 20 anos depois da primeira chegada de Romário ao Flamengo.

Primeiro retorno ao Vasco: Ainda em 1999, chega ao Vasco sendo o jogador mais bem pago do Brasil com um salário de R$ 460 mil reais mensais pela diretoria do Vasco, joga amistosos na volta à equipe em que o revelou, marcando contra o Santa Cruz e o Raja Casablanca. Nesse período, o Palmeiras quis trazer Romário para a disputa da Copa Européia/Sul-Americana de 1999 contra o Manchester United, mas o clube paulista e o jogador não chegaram a um acerto. Com o Vasco, Romário disputa o primeiro Mundial de Clubes da FIFA, reeditando na equipe a dupla com Edmundo — abalada fora de campo anos antes, quando o Animal não concordou com as provocações de Romário a Zagallo e Zico na casa noturna que o Baixinho inaugurara pouco tempo após seu corte na Copa do Mundo FIFA de 1998, o Café do Gol. Romário marca três vezes no mundial: duas contra o Manchester United e uma contra o Necaxa, ambos na primeira fase do torneio e termina como artilheiro do mundial. Na final, em pleno Maracanã, o Vasco acaba perdendo para o Corinthians nos pênaltis e Romário EXPERIMENTA VAIAS. Depois, Romário criticou Edmundo pela perda do Mundial.

A decepção é temporariamente esquecida na final da Taça Guanabara de 2000: Romário, em sua primeira partida contra o Flamengo desde que deixou a equipe rubro-negra, marca impiedosamente três vezes em uma goleada de 5 a 1 que dá o título aos cruzmaltinos, em um domingo de Páscoa em que faz a torcida vascaína bradar: "É chocolate!". O título também ofusca na memória dos torcedores as rusgas com Edmundo: um mês antes da decisão, após jogo contra o Olaria, Romário voltou a atacar o antigo amigo, depois de marcar três gols no jogo (vitória por 4 a 1), declarando implicitamente que na "corte vascaína", ele seria o príncipe, o presidente Eurico Miranda seria o rei e Edmundo, o bobo.

A crise só volta a tona após a perda do título estadual: o Flamengo vence o segundo turno e leva a melhor nas finalíssimas contra o Vasco, que perde também o Rio-São Paulo, para o Palmeiras. Mas o respaldo de Romário junto a diretoria faz com que ela prefira se livrar não dele, mas de Edmundo, emprestado ao Santos.

Os títulos perdidos no primeiro semestre são compensados no segundo: em dezembro, o Vasco fatura a Copa Mercosul em uma virada histórica contra o Palmeiras, em pleno Parque Antártica: perdendo de 0 a 3, os cariocas reagem e viram a partida, com Romário marcando três vezes. Ele também leva o Vasco à final da Copa João Havelange, contra o surpreendente São Caetano. Marca um gol em cada partida da decisão (a segunda precisou ser remarcada para janeiro do ano seguinte) e consegue levantar pela primeira vez um Brasileirão, do qual termina como um dos artilheiros dentre as equipes do módulo Azul (ao lado de Dill e Magno Alves). Romário também fatura nova Chuteira de Ouro, após marcar incríveis 73 gols no ano, e a sua primeira (e única) Bola de Ouro da mesma publicação, como melhor jogador da competição, e duas Bolas de Prata: uma por ter sido o melhor atacante, e outra por ser um dos artilheiros da João Havelange, com vinte gols (dois a menos que Adhemar). Outra premiação foi concedida pelo jornal uruguaio El País: Romário, aos 34 anos, foi eleito oficialmente o melhor jogador da América. Devido ao ano brilhante que Romário veio tendo no ano de 2000, acabou despertando grande interesse de clubes de fora, em destaque para a Internazionale, que ofereceu ao Vasco R$ 13,6 milhões de reais e um salário de US$ 4 milhões de dólares por temporada, ou seja, o dobro que o Romário ganhava no Vasco na época, mas Romário de início acabou descartando sua ida devido o fato do técnico do time o italiano Marco Tardelli não querer o jogador por achá-lo indisciplinado e com a idade de 34 anos avançada para jogar o Campeonato Italiano.

O ano de 2001 acaba não sendo tão bom, embora os gols não parassem de sair. Romário continua sendo sondado pela Inter de Milão chegando a ser novamente pedido por Ronaldo para fazer dupla de ataque com ele na equipe, porém, Marco Tardelli continua brecando a sua chegada ao time, após a saída o técnico italiano do clube, chega o técnico argentino Hector Cúper e isso deixa Romário interessado em fazer parte da equipe italiana mas a diretoria do Vasco acaba querendo continuar com o jogador e por fim a grande esperança da Internazionale de ter o craque acaba sendo encerrada. Romário segue no Vasco sendo artilheiro do Brasileirão, recebendo nova Bola de Prata. Com 42 gols na temporada, o Baixinho é até hoje o único jogador vascaíno a ter ultrapassado a barreira dos 30 gols numa temporada pelo Vasco no Século XXI. Contudo, apesar dos gols, o Vasco fica sem títulos — com destaque para a terceira perda seguida do Campeonato Carioca para o Flamengo, sofrendo o gol da perda nos minutos finais; Romário não jogou a decisão, estremecendo a relação com a torcida. O jogador alegou lesão, mas os torcedores do Vasco alimentavam suspeitas de que Romário seria flamenguista e a ausência dele na final foi usada para reforçar essa suspeita, provocando a ira dos vascaínos contra Romário. Na primeira (e única) vez em que disputa a Taça Libertadores da América, Romário marca apenas três vezes, e o Vasco, após terminar a primeira fase com seis vitórias em seis jogos, cai nas quartas-de-final após perder as duas partidas contra o Boca Juniors (detentor do título e futuramente bicampeão seguido). É também o ano em que Romário desentende-se com o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari: o Baixinho pedira dispensa da Copa América de 2001 para uma cirurgia nos olhos, mas em seguida seguiu com o Vasco para disputar amistosos no México, irritando o treinador. Romário ainda assim, continua sendo sondado por grandes clubes europeus, sendo dessa vez, mais um grande clube da Itália, o Milan, mas a diretoria do Vasco não abre mão de deixar o jogador ir embora e o baixinho continua jogando pelo clube carioca.

No primeiro semestre de 2002, ainda marcou 26 gols pelo Vasco, mas arranjou atritos com a torcida, respondendo a insultos com gestos obscenos. Sem clima, especialmente após não ser chamado por Scolari para a Copa do Mundo FIFA de 2002, o atacante deixou o Vasco mais uma vez.

Fluminense e breve passagem pelo Catar: Romário reapareceu no segundo semestre de 2002 como jogador do Fluminense, o terceiro grande carioca a defender — curiosamente, experimentando outra vez a sensação de ser a grande contratação de uma equipe que completava o centenário. Romário já chegou causando incômodo aos jogadores do clube devido ao fato de ser contratado para receber o maior salário do time, cerca de 170 mil reais por mês, sendo que o restante do elenco já estava com meses de salários atrasados. Em sua estreia, num jogo contra o Cruzeiro válido pelo Campeonato Brasileiro de 2002, o atacante levou mais de 70 mil pessoas ao Maracanã e correspondeu às expectativas, marcando duas vezes na goleada por 5 a 1.

A boa campanha inicial é seguida de tropeços — como na goleada por 2 a 5 para o Flamengo, em que Romário perde pênalti, uma derrota por 0 a 3 para o Palmeiras, em pleno Maracanã, e o pior vexame, um 0 a 6 para o São Paulo. Neste jogo, ainda antes dos gols, Romário deu um tapa no rosto de Andrei, companheiro de equipe do baixinho na ocasião, após uma falha do zagueiro tricolor. Posteriormente, Romário foi suspenso por um jogo pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A popularidade do Baixinho com a torcida é visível na reapresentação do time nas Laranjeiras: "Valeu Romário. Faltam agora o César, o Flávio e companhia", dizia uma faixa, em alusão a outros jogadores tricolores em má fase na época. Mesmo na comissão técnica, sua ascendência é grande, a ponto de se mostrar mais comandante do time do que o próprio técnico Renato Gaúcho e de impor a escalação do amigo Beto, fora de forma.

Ainda assim, o Fluminense consegue se classificar com um gol decisivo de sua maior estrela: a dez minutos do fim, na última rodada da primeira fase, contra a Ponte Preta, ele rouba a bola do zagueiro Marinho na área adversária e sedimenta uma grande virada — até dez minutos antes, o Fluminense perdia por 0 a 2. O Flu elimina o São Caetano e chega às semifinais, contra o Corinthians. O Tricolor vence no Maracanã por 1 a 0 com gol de Romário, mas acaba eliminado ao perder em São Paulo por 2 a 3 — os paulistas se classificam pela melhor campanha na primeira fase. Ainda assim, o desempenho do Fluminense é considerado satisfatório, ainda mais pelo fato de os três rivais terem brigado contra o rebaixamento naquele ano — em que o Botafogo caiu. E Romário fatura nova Chuteira de Ouro. Ainda em 2002, torna-se o primeiro jogador a, por 2 vezes, marcar gols nos quatro grandes paulistas no mesmo ano.

Assim como fizeram com Luxemburgo no Flamengo e com Edmundo no Vasco, as regalias e popularidade de Romário acabam fazendo com que um ídolo do time saia irritado. No caso do Fluminense, a irritação com tais favorecimentos — que incluíam até uma comissão técnica própria para Romário, com fisioterapeuta e preparador físico particulares — ocorre com dois no início de 2003: Roni e Magno Alves.

Porém, o próprio Baixinho acaba deixando o Flu, em março, seduzido pela proposta de 1,5 milhões de dólares estadunidenses do Qatar por três meses de contrato com o Al-Sadd. Esportivamente, a aventura não dá certo: Romário machuca-se, joga apenas três partidas, não marca e vê o Al-Sadd ganhar alguns títulos sem contar com ele que acabou ficando no banco de reservas. "É um craque, de talento indiscutível, mas só de vê-lo no treino já dá para sentir que não tem mais condição de ser profissional", afirma o treinador da equipe, o croata Luka Peruzović.

Volta ao Fluminense motivado pela busca ao milésimo gol, beirando na época o 900º segundo as suas contas. Tem uma exibição de gala contra o Guarani, no Maracanã, marcando três vezes, um deles de bicicleta, na vitória por 5 a 2 (gol de bicicleta, este, que foi seu único na carreira). Mesmo aos 37 anos, termina o ano com treze gols em 21 jogos, sendo o artilheiro do clube tricolor, salvando-o do rebaixamento ao garantir uma série de vitórias. Isso ameniza seu conflito com a torcida. No Returno do brasileirão, após sua equipe perder de 6x1, para o Goiás, no Serra Dourada, um tricolor protestou contra a má fase, atirando seis galinhas no campo de treinamento, Romário agrediu o torcedor, que denunciou o baixinho, e seis anos após a ocorrência recebeu uma indenização de 60 salários mínimos. No dia do incidente, torcedores insatisfeitos com a campanha do time no Campeonato Brasileiro compareceram ao treino da equipe no Estádio das Laranjeiras a fim de xingarem os atletas. Ao final do treino, Romário discutiu e brigou com um dos torcedores presentes na arquibancada do estádio, episódio que envolveu agressões físicas. Assim como em 2003, quando pedira pela contratação de Léo Inácio, volta a exigir a vinda de um amigo, Leonardo Moura. Tais regalias eram fundamentadas na alta expectativa de que Romário se aposentasse ao final do ano. No Carioca; o Fluminense chega à final, da Taça Guanabara, mas perde o título para o Rubro Negro. Na Taça Rio nada foi diferente, apesar da chegada do técnico Ricardo Gomes, querido pela torcida. No returno do campeonato novamente foi vice, perdendo para o Vasco de 2–1, o baixinho marcou de pênalti para o tricolor.

No Brasileiro, suas regalias continuam e enfim ele alcança o gol de número 900 contra o Paysandu em 22 de abril. Seu pouco respeito aos técnicos que se seguem na equipe continua: ao ouvir que Alexandre Gama reclamava das frequentes ausências do Baixinho nos treinamentos, solta que "o cara mal chegou no ônibus e já quer sentar na janelinha". Pressionada pelos patrocinadores da Unimed, que pagam a maior parte do alto salário da estrela, a diretoria impõe a escalação de Romário. Sem tanta participação dele, o clube consegue um nono lugar, em campanha melhor que a do ano anterior. Suas ausências não comprometeram a equipe, o Fluminense estava com excelentes jovens atacantes e meias, que com Roger fazendo a diferença, estavam tendo a oportunidade de brilharem fazendo gols no torneio. Em sua última partida, é vaiado ao ser substituído após pouco fazer em campo em uma derrota de 1 a 4 para o Goiás, no Maracanã.

Sem um bom ambiente, seu contrato não se renova.

Terceira passagem pelo Vasco: No início de 2005 há uma indefinição sobre a continuação de sua carreira profissional. Fontes no início do ano chegam a afirmar que ele encerraria de fato a carreira, mas o jogador desconfirma: no dia 23 de janeiro ele faz sua primeira partida do ano, com a camisa do Vasco. Romário surpreende outra vez, ficando na vice-artilharia do Carioca, embora o clube não chegue às finais.

Pela terceira vez no Vasco, Romário mantém suas características: os gols e sua imposição sobre os técnicos. Pelo Campeonato Brasileiro de 2005, chega a fazer a preleção, na presença do treinador Dário Lourenço. O técnico cai após derrota para o Flamengo. Romário também se desentende com Pelé, que lhe sugerira aposentar-se: "O Pelé calado é um poeta. Tinha era que colocar um sapato na boca".No Brasileirão, ele consegue na reta final chegar à artilharia, superando Robgol, do Paysandu. Torna-se, aos 39 anos de idade, o mais velho jogador a terminar o campeonato como artilheiro, o que lhe premia com sua quarta Bola de Prata, a terceira delas como prêmio pela artilharia.

Próximo ao milésimo gol, Romário motiva-se a continuar jogando, recebendo total apoio do Vasco: o clube oficialmente anuncia o Projeto Romário 1000 Gols, que gera polêmica por transformar jogos-treino contra equipes fracas em amistosos com súmula e uniforme oficial, para facilitar o desejo de Romário.

Estados Unidos e Austrália: Em meio ao baixo rendimento e desconforto que suas regalias geravam nos colegas, acaba saindo no início de 2006; quando surge a proposta do Miami, Vasco e Romário decidem aceitá-la: em uma liga menos forte, ele teria melhores condições de se aproximar do milésimo gol, havendo o compromisso moral de retornar ao Vasco para marcá-lo.

No Miami, Romário joga na United League Soccer, uma liga paralela, em nível técnico, do futebol estadunidense, uma vez que as equipes principais integram a Major League Soccer. Ali, ao invés de ter colegas enciumados, convive com um elenco cheio de fãs, e recebe tratamento de celebridade da pouca mídia local focada no futebol, ao invés de críticas. Também era poupado de algumas viagens mais longas.

Mesmo com Romário sagrando-se artilheiro da USL, o Miami não conseguiu chegar às fases finais. Com isso, ele, parado nos 985 gols, resolve procurar uma nova equipe. Em outubro, chega a se apresentar como reforço do Tupi, de Juiz de Fora. Porém, acabou impedido de atuar por determinação da CBF, já que acertou seu contrato com o clube mineiro após o término do prazo para transferências internacionais para o futebol brasileiro. Assim, ele acaba indo para o Adelaide United, da Austrália, para receber 250 mil dólares estadunidenses por seis partidas: dois amistosos, um contra o próprio Miami e outro contra um combinado de jogadores da Austrália Meridional, e as quatro primeiras partidas da A-League.

A passagem pelo Adelaide não é boa, com apenas um gol marcado. Em janeiro de 2007, volta ao Vasco da Gama, acertando sua quarta passagem pelo time.

Quarta passagem pelo Vasco: Romário defende a equipe no Carioca, onde alcança o gol 998 antes de um clássico contra o Flamengo. No jogo contra o Fla, o Vasco vinha vencendo por 2 a 0 e Romário marca o 999º gol da carreira a dez minutos do fim. Aos 42 minutos do segundo tempo, ele tem a chance de fazer o milésimo, mas o goleiro Bruno impede com a ponta do pé direito. Romário tem duas chances em outros dois clássicos, ambos contra o Botafogo, mas passa em branco nos dois. Em um deles, o time é eliminado nos pênaltis da decisão, sem que ele cobrasse.

Em 4 de maio de 2007, cria-se nova expectativa, em jogo contra o Gama, pela Copa do Brasil. Prevista para São Januário, a partida é "deslocada" para o Maracanã a pedido do atacante, desejoso em fazer seu milésimo gol oficial no estádio. Todavia, ele não marca e o Vasco é eliminado naquele dia pela equipe brasiliense. A marca histórica finalmente vem no dia 20 de maio, em São Januário mesmo, já pelo Brasileirão. Ele, assim como Pelé, atingiu o milésimo cobrando pênalti. O adversário foi o Sport.

Com a sua última ambição como jogador finalmente alcançada, Romário jogou poucas vezes depois, contra Fluminense (1–1), Grêmio (em que marcou o 1001º e o 1002º na vitória por 4–0) e Botafogo (0–4). Nove dias após o jogo contra o Botafogo, sentiu dores no tornozelo direito. O atacante se revezava entre o tratamento e homenagens: saudado no Palácio Guanabara pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, recebeu dele o convite para ser embaixador da cidade visando a Copa do Mundo FIFA de 2014. Em agosto, recebeu em Monte Carlo, Mônaco, um prêmio Golden Foot para jogadores acima de 29 anos, chegando a pôr os pés em uma calçada da fama.

No mesmo mês, teve sua estátua em São Januário inaugurada, no dia em que o Vasco enfrentou o América de Natal, atrás das mesmas balizas onde marcara seu milésimo gol oficial. Ele voltou a ser relacionado em um clássico contra o Flamengo, mas não entrou em campo, mesmo com o time sendo derrotado, resultado que provocou a demissão do técnico Celso Roth. Romário acabou assumindo como jogador-treinador interino para a partida seguinte, o jogo de volta contra o América-MEX pela Copa Sul-Americana (vitória por 1–0), atuando na mesma partida como técnico e, no decorrer dela, como jogador.

Em dezembro de 2007, Romário foi pego em exame antidoping realizado após uma partida realizada pelo Campeonato Brasileiro. A substância encontrada no organismo do futebolista foi a finasterida, utilizada na composição de tônicos capilares e considerada como proibida. Em coletiva de imprensa, Romário afirmou que tomava na época um tônico capilar para evitar queda de cabelo.

Segundo Dr. Eduardo de Rose, a Agência Mundial Antidoping (WADA) classificava a finasterida como agente mascarante por tornar difícil a um laboratório detectar a presença de esteroides anabolizantes no organismo e por isso consta na lista de substância proibidas da agência. No dia 14 de fevereiro de 2008, Romário foi absolvido da acusação de doping por unanimidade pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Anteriormente, em 18 de dezembro de 2007, o atacante havia sido condenado a 120 dias de suspensão pela Segunda Comissão Disciplinar do STJD, ficando impedido de atuar como jogador e como treinador neste período.

Ficou efetivado como treinador do Vasco até o dia 6 de fevereiro, já pelo Campeonato Carioca de 2008, quando pede demissão do cargo. Segundo ele, por interferência do presidente Eurico Miranda, que o teria obrigado a escalar Alan Kardec, para vendê-lo ao exterior, enquanto Romário preferia utilizar Abuda. Em fevereiro de 2008, Romário anunciou que se aposentaria no dia 30 de março. Rumores chegaram a surgir ligando-o a uma volta ao Flamengo para um jogo de despedida, o que enfureceu Eurico Miranda, que ameaçou tirar a estátua de Romário. Nos últimos meses, Romário vinha ficando no banco, atuando apenas como técnico - sua última partida como jogador pelo Vasco foi exatamente contra o América do México pela Copa Sul-Americana em 24 de outubro de 2007. O Baixinho chegou a divulgar que pensava em fazer um jogo de despedida no Maracanã. Segundo o próprio Romário, deveria ser algo bem organizado, em grande estilo, em conjunto com a CBF, a Seleção Brasileira e os três grandes clubes que defendeu no Rio de Janeiro.

Em 14 de abril de 2008, em um evento realizado no Rio de Janeiro, organizado para o anúncio do lançamento de um DVD sobre sua carreira, Romário anunciou oficialmente sua aposentadoria do futebol.

“Pensei, repensei e decidi parar. Depois de seis meses sem jogar, era difícil voltar para jogos oficiais. É hora de dizer "Parei". (...) Oficialmente não jogo mais. Parei. Minha fase passou. Tenho consciência de que tudo foi muito divertido.”

America-RJ: America campeão do Campeonato Carioca da Série B de 2009, capitaneado por Romário.
Em 12 de agosto de 2009, Romário surpreendeu o Brasil ao anunciar sua volta aos gramados para defender o America, na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Segundo o Baixinho, era para realizar um sonho de seu pai Edevair, notório torcedor americano, falecido em 2008. Romário já havia prometido ao pai, anos antes, que encerraria a carreira no clube.

Curiosamente, ele já havia disputado um jogo vestindo a camisa rubra do America, enquanto seu pai ainda estava vivo. Fora em 23 de dezembro de 1993, no amistoso festivo que marcou a despedida do ídolo americano Luisinho Lemos, tendo marcado quatro gols contra a equipe dos Amigos do Luisinho, em uma das partidas que ele oficialmente registrava em suas contas de gols, mas que eram contestadas por parte da mídia esportiva. Posteriormente, se declararia ele também, torcedor do clube rubro. Ainda antes, em 19 de dezembro de 1987, fez dois gols pelo Combinado do America, que venceu a Seleção Carioca por 6 a 4; tal combinado estava formado por jogadores do America, ex-atletas do clube e Romário.

Já sua estreia profissional pelo clube carioca ocorreu em 25 de novembro de 2009, na vitória sobre o Artsul, que deu ao America o título do Campeonato Carioca da segunda divisão e marcou o retorno à elite em 2010. Mas esse retorno acabou sendo breve. Após a primeira e única partida oficial com a camisa do America, o Baixinho acabou assumindo a função de dirigente do clube e encerrou sua vitoriosa carreira de jogador.

1.000 gols: Segundo pesquisa da Revista Placar, Romário é o jogador com maior número de gols em jogos oficiais da história do futebol, superando o próprio Pelé. Isto se deve ao fato de Pelé ter feito muitos gols nas excursões do Santos mundo afora pelos anos 1960, além do número muito menor de jogos oficiais no calendário futebolístico da época. A mesma publicação, todavia, questionou a marca do milésimo gol; quando o Baixinho somava, de acordo com as próprias contas, 955 gols, a Placar mostrou um levantamento questionando a validade de 101 deles — dentre os quais, partidas pelos juvenis do Olaria e do Vasco, jogos festivos que contaram com jogadores aposentados ou não profissionais e até em partidas pelo PSV Eindhoven não registradas pelo próprio clube. De acordo com a revista, uma contagem mais séria ainda o deixava, naquele momento, com 854. Para o jornalista Severino Filho, autor do livro Fried versus Pelé, "Em jogos de competição, o Pelé marcou 720 gols, enquanto o Romário fica próximo dos 700".

A polêmica em torno do milésimo prosseguiria com o Projeto Romário 1000 Gols, pelo qual o Vasco transformara jogos-treino em amistosos, gerando crítica de setores da imprensa e de ex-jogadores; Roberto Dinamite, Cláudio Adão e Dario mostraram-se contra as medidas do Vasco, afirmando que também teriam feito mais de mil gols se seus jogos-treinos e partidas de categorias infantis também fossem contabilizadas. Romário retrucou: "Pelé já marcou gol contra o Exército, bateu pênalti de terno e gravata quando Wembley foi demolido e valeu. Por que não posso contar meus gols contra times de segunda e terceira divisão?".

O então milésimo gol da carreira de Romário teria acontecido no dia 20 de maio de 2007. O gol foi marcado em um jogo do Vasco, sob comando do técnico Celso Roth, contra o Sport, em São Januário. O jogo foi válido pela 2ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol foi de pênalti: após o cruzamento de Thiago Maciel, o zagueiro Durval cortou a bola com a mão e o árbitro Giuliano Bozzano assinalou a penalidade máxima. O goleiro Magrão sofreu o gol. Romário foi homenageado pelo Vasco após o milésimo com a inauguração de sua estátua em São Januário, atrás das balizas onde o milésimo foi marcado, além da imortalização de sua camisa 11 no clube. O GloboEsporte também teria achado três gols que Romário não havia contabilizado, o que o faz ter 1005 gols.

Romário voltou a campo no último domingo de junho de 2008. O ex-atacante participou de um jogo festivo nas Ilhas Cayman pela Seleção do Resto do Mundo, contra a seleção local. A partida foi para celebrar o encerramento da carreira do melhor jogador das Ilhas, Lee Ramoon, que jogou 25 anos pela seleção do país. Romário, aos 27 minutos da etapa final, cobrando pênalti sofrido pelo jamaicano Kevin "Pelé" Wilson, fez 2 a 1 para os visitantes, contabilizando o então gol 1003. A TV Globo também achou em 2007 três gols que não foram contados na carreira do baixinho: um pela seleção do tetra de 1994 (um amistoso no qual reuniu craques do torneio, como Bebeto) e outros dois de jogos que o Vasco da Gama havia feito ainda antes de Romário ir para a Europa, nos anos 1980. Logo, se forem contados esses três gols, a sua conta chega a 1006. Já para a Placar, os gols válidos da carreira de Romário seriam 925.

Entretanto, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) não reconhece oficialmente os 1000 gols de Romário, a FIFA exaltou o feito do centroavante brasileiro no dia do acontecimento mas ressaltou que esses gols seriam da conta pessoal do jogador que incluiria jogos não-oficias, sendo assim, gols não reconhecidos pela federação.

Retorno pelo America-RJ - Presidente e jogador: Em novembro de 2023, Romário concorreu ao cargo de presidente do América-RJ para o biênio de 2024-2026. Sendo o único candidato ao pleito, foi eleito com 54 votos e assumiu o cargo em janeiro de 2024. Seu maior objetivo no clube seria fazê-lo subir, novamente, à primeira divisão do Campeonato Carioca.

Em 16 de abril de 2024, aos 58 anos, Romário saiu de sua aposentadoria de 15 anos ao ser inscrito no Boletim Informativo de Registro de Atletas (BIRA) como jogador do América. De acordo com ele, realizaria poucas partidas nesse retorno, pois a motivação do retorno aos gramados seria realizar o sonho de jogar ao lado de seu filho, Romarinho, também contratado pelo América em sua gestão. Romário garantiu que seu salário seria convertido como doação ao clube e que manteria conversas com o técnico Marcus Alexandre sobre seu papel no time.

Foi relacionado pela primeira vez na estreia do América na Série A2 do Carioca, um duelo contra o Petrópolis, em 18 de maio de 2024, mas passou os dois tempos da partida no banco de reservas. Mesmo sem entrar em campo, recebeu cartão amarelo por reclamação alguns jogos depois, por discutir à beira do gramado com a arbitragem durante o duelo contra o Araruama, em 15 de junho de 2024. O retorno de Romário aos gramados, projetado para a partida em questão, precisou ser adiado graças às dificuldades sentidas pelo América, que terminou o jogo perdendo por 1x0. Durante o correr da temporada, Romário afirmou que em "todos os jogos em casa, enquanto eu me sentir bem e não tiver nenhum tipo de lesão, você pode ter certeza que eu estarei aqui no banco".

O objetivo de Romário em elevar o América novamente à primeira divisão do Carioca mostrou-se infrutífero em 2024. O clube terminou o Carioca A2 tendo disputado 11 jogos, com 3 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, e somando um total de 13 pontos - 6 a menos que o Audax, time que conquistou a 4ª posição na disputa pelas semifinais valendo o acesso à primeira divisão do estadual. Apesar de ter sido relacionado em múltiplos jogos, Romário efetivamente não entrou em campo pelo América durante o campeonato.

Em 2025, o América, presidido por Romário, esteve ameaçado de cair para a terceira divisão do Campeonato Carioca, mas a vitória por 1 a 0 contra o Americano na última rodada da Série A2 estadual evitou a queda. Meses depois, o clube disputou a Copa Rio e fez uma boa participação, chegando à final, mas perdeu para a Portuguesa por 1 a 0, ficando com o vice-campeonato. Porém, com o vice, o América se classificou para a Copa do Brasil de 2026, a primeira vez em 15 anos que o clube garantiu vaga em um campeonato de nível nacional. Posteriormente, o clube também garantiu vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2026. Ainda em 2025, Romário voltou à campo e disputou com o América-RJ a primeira edição do Campeonato Carioca Master, um torneio estadual em que as equipes são formadas por ex-jogadores veteranos. O América foi campeão do torneio e Romário terminou com a vice-artilharia, com cinco gols marcados em três partidas.

Em 2026, o América chegou às semifinais do Carioca A2, mas perdeu por 4 a 1 para o Americano, acabando com o objetivo de Romário de levar o clube novamente à primeira divisão do estadual.

SELEÇÃO NACIONAL

1985 - Copa do Mundo de 1990: Romário começou a jogar pela Seleção Brasileira desde as categorias de base. Em 1985 foi campeão e artilheiro do campeonato Sul-Americano Sub-20, porém, já enfrentava problemas com treinadores, algo que o marcaria: irritado com a falta de foco de Romário, que gostava de passar o tempo paquerando as mulheres que via, além de outros atos de indisciplina, o técnico Gílson Nunes não o coloca na lista dos jogadores que vai disputar (e vencer) o Campeonato Mundial Sub-20, na União Soviética.

No ano seguinte, quando tem um começo de carreira profissional arrasador no Vasco da Gama, chega a ser pedido por parte da torcida brasileira para que fosse convocado por Telê Santana para a Copa do Mundo FIFA de 1986, mas o técnico sequer o cogita. É apenas em 1987 que Romário finalmente estreia com a seleção principal, recebendo a primeira chance com Carlos Alberto Silva em um amistoso contra a Irlanda. Depois, marcou seu primeiro gol pela Seleção em um amistoso contra a Finlândia. É chamado para a Copa América de 1987. COMO RESERVA, vê o Brasil cair ainda na primeira fase. A primeira vez que Romário utilizou a camisa 11 da Seleção foi em uma vitória do Brasil (1–0, gol dele) contra a Austrália, em Melbourne, pelo Torneio Bicentenário da Austrália de 1988.

Com o mesmo treinador, vai às Olimpíadas de 1988, em que é a grande figura. Em busca do único título futebolístico que lhe faltava, o Brasil chega à final embalado pelos gols de Romário: dois contra a Nigéria (4–0), os três da vitória por 3–0 sobre a Austrália, na primeira fase; e, a dez minutos do fim na semifinal, o gol de empate em 1–1 contra a Alemanha Ocidental de Jürgen Klinsmann, vencida nos pênaltis. Após escanteio cobrado por Neto, Romário inaugura o placar na decisão, contra a União Soviética, mas os adversários viram a partida na prorrogação e ficam com o ouro. Curiosamente, esta foi a única vez que Romário e Bebeto perderam uma partida jogando juntos com a camisa do Brasil, mas foi com o time olímpico. Pela seleção principal, os dois nunca perderiam jogando juntos: seriam 22 jogos, com 16 vitórias e 6 empates. Com isso, igualaram o feito de Pelé e Garrincha, que também nunca perderam jogando juntos pela seleção principal.

Em 1989, com o Brasil já comandado por Sebastião Lazaroni, Romário volta ao Maracanã para disputar a Copa América, sediada no Brasil. Os brasileiros, que não venciam o torneio continental há 40 anos, conseguem triunfar sobre os rivais. No quadrangular final que decide o torneio, o Brasil vence a Argentina de Diego Maradona, com Romário dando assistência para Bebeto, marcando gol e chegando a driblar de caneta o astro rival. A partida decisiva é contra o Uruguai de Enzo Francescoli e de vários jogadores do Nacional, que meses antes lhe tiraram o título mundial interclubes, disputada em circunstâncias similares da Copa do Mundo FIFA de 1950: no mesmo 16 de julho, no mesmo Maracanã, com o Brasil tendo a vantagem do empate na última rodada de um quadrangular. Romário marcou o único gol da partida e entrou de vez nas graças dos torcedores brasileiros.

Durante as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1990, na partida contra o Chile em Santiago, as duas equipes fizeram uma partida tensa, com violência e lances polêmicos. Romário deu um tapa em Ormeño (que pouco antes havia feito uma falta dura em Branco) e recebeu o cartão vermelho. Essa foi a única expulsão dele em uma partida pela Seleção.

Romário era um dos trunfos do Brasil para a Copa do Mundo FIFA de 1990. No entanto, a três meses do mundial, sofreu uma grave lesão, na fíbula, no Campeonato Holandês. O atacante tratou-se com o fisioterapeuta Nilton Petroni, o Filé — o mesmo que cuidaria de Ronaldo —, e recuperou-se a tempo de ir para a Copa. O médico da Seleção, Lídio Toledo, ficou incomodado por Romário não ter tratado a lesão com ele. O jogador não estava totalmente recuperado da lesão e Lídio recomendou que Romário fosse cortado do grupo, mas o técnico Sebastião Lazaroni decidiu mantê-lo, acreditando que ele se recuperaria por completo no decorrer da Copa. Ainda assim, Romário só entrou na partida contra a Escócia e não balançou as redes. No banco de reservas, o atacante viu a Seleção ser eliminada pela rival Argentina nas oitavas-de-final. Na volta ao Brasil, Romário declarou: "Pode anotar: foi a minha primeira e última Copa do Mundo".

Ficou dois anos sem jogar novamente pelo Brasil por ter se decepcionado muito no Mundial de 1990 e por algumas lesões que o tiraram das convocações. Até que, em agosto de 1992, Romário voltou em um amistoso contra a França, vencido por 2 a 0.

Copa do Mundo de 1994: No entanto, após questionar o técnico Carlos Alberto Parreira sobre ter sido chamado para um amistoso contra a Alemanha em 16 dezembro de 1992 e ficado no banco de reservas (ele só jogou os últimos 23 minutos e o Brasil venceu por 3 a 1), acabou sendo deixado de lado, a despeito da boa fase que mantinha no PSV e, posteriormente, no Barcelona. Apesar do clamor popular, devido à decepcionante campanha rumo à Copa do Mundo FIFA de 1994, que chegou a incluir a primeira derrota brasileira nas Eliminatórias (0 a 2 para a Bolívia, em La Paz), Romário só voltou a ser chamado na última partida, por conta da contusão do atacante Müller.

Assim como na Copa América de 1989, o jogo decisivo foi contra o Uruguai, no Maracanã. Se perdesse, o Brasil ficaria de fora, pela primeira vez, de uma Copa do Mundo FIFA. Romário não deu chances. Em uma das atuações mais inspiradas já vistas no estádio, ele marcou os dois gols da vitória e garantiu seu lugar no mundial dos Estados Unidos, prometendo o tetracampeonato.

Na Copa, em que o estilo pragmático imposto por Parreira marcou o estilo de jogo da Seleção Brasileira, Romário, apesar de suas finalizações minimalistas, foi o responsável pelos momentos de maior brilho do Brasil. Antes da estreia, contra a Rússia, ficou sabendo de provocação do goleiro adversário, Dmitriy Kharin, o mesmo que conseguira sobre ele a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1988. Respondeu completando para as redes, de primeira, um escanteio para inaugurar o placar e sofrendo o pênalti que seria convertido por Raí.

Na segunda partida, o Brasil enfrentaria a sensação da Copa anterior, Camarões. Venceu por 3 a 0 com ele marcando o primeiro gol, deixando para trás três camaroneses — Émile Mbouh, Rigobert Song e Raymond Kalla — antes de chutar de bico, sua jogada característica, para bater Jacques Songo'o. Na terceira, fez o gol de empate contra a Suécia, passando por dois jogadores e enganando Thomas Ravelli. Mostrou-se decisivo também nas oitavas de final, contra os determinados anfitriões estadunidenses, que jogavam no seu dia de independência e estavam com um jogador a mais após a expulsão de Leonardo, dando o passe para Bebeto fazer o único gol da partida.

O confronto das quartas de final foi contra uma rival que ele conhecia bem após cinco anos de PSV Eindhoven, a Holanda. Ali foi a vez do Baixinho receber assistência de Bebeto e completar de primeira para as redes de Ed de Goeij, inaugurando um placar que terminaria em 3 a 2 para os brasileiros. No terceiro gol, marcado por Branco em cobrança de falta, Romário acabou entrando na frente da bola, mas conseguiu desviar dela no último instante. Nas semifinais, os brasileiros voltariam a enfrentar os suecos. Em uma partida com muitos gols perdidos, ele marcou a dez minutos do fim o gol que recolocou o Brasil em uma final: recebeu cruzamento de Jorginho e, entre dois zagueiros suecos bem mais altos que ele, Roland Nilsson e Patrik Andersson, cabeceou de forma certeira, de cima para baixo, sem dar chances a Ravelli.

Na final, contra a Itália, Romário teria a chance de uma pequena vingança pessoal: cinco dos adversários eram jogadores do Milan que meses antes goleara o Barcelona na final da Liga dos Campeões da UEFA: Paolo Maldini, Franco Baresi, Demetrio Albertini, Roberto Donadoni e Daniele Massaro, além dos reservas Alessandro Costacurta e Mauro Tassotti. Foi inclusive sob a marcação de Baresi, "a mais implacável de toda a minha carreira" que ele acabou não produzindo tanto na final, chegando a errar para o gol vazio. O zero a zero nos tempos normal e extra encaminhou a disputa para os pênaltis, em que o Baixinho converteu colocada a sua cobrança, em que a bola acertou a trave de Gianluca Pagliuca antes de entrar.

Com os erros do próprio Baresi, de Massaro e da estrela Roberto Baggio, a Itália perderia nos penais o tetracampeonato para o Brasil. Romário, tido como o grande responsável pelo tetra brasileiro, foi o segundo jogador a receber a taça, depois do capitão Dunga. Seu papel decisivo na conquista voltou a ser simbolizado na volta ao Brasil, ao aparecer na janela do avião com a taça na mão, e foi bem lembrado pela FIFA ao final do ano, quando a entidade o escolheu o melhor jogador do mundo. Sobre a própria final, já chegou a declarar uma suposta tranquilidade antes da partida:

“As pessoas ficam me perguntando o que eu senti naquela hora do Baggio olhando para mim antes da final. Senti p... nenhuma! Eu ligava para o Baggio? Sabia que era um jogador importante da Itália e tal, mas meus conhecimentos sobre futebol são nulos! (...) Não sei escalação de nenhum time, não vejo futebol (...) Não assisto TV. Odeio novela, jornal, programa esportivo...”

O desempenho de Romário no título mundial de 1994 também encantou o holandês Johan Cruijff, técnico do jogador no Barcelona. Cruijff declarou:

“Para mim, os anos 1990 teve um só rei: Romário foi o maior jogador de futebol dessa década. Na verdade, eu estou convencido de que o Brasil não ganharia o Mundial dos Estados Unidos se ele não tivesse jogado. Isso já é muito.”

Olimpíadas e Copa do Mundo de 1998: Não jogou pelo Brasil nos anos de 1995 e 1996, quando a prioridade do técnico Zagallo era testar jogadores jovens, aceitáveis pelas regras do futebol nas Olimpíadas de 1996. Chegou a ser convocado por Zagallo algumas vezes em 1995, mas pediu dispensa, alegando que queria focar no Flamengo, mas que jogaria pela Seleção nas Olimpíadas. Romário pretendia se dedicar totalmente ao clube e só voltar à Seleção nas Olimpíadas de Atlanta, para ajudar o Brasil a conquistar o até então inédito ouro olímpico. Muitos torcedores pediam pela convocação do atacante para os jogos olímpicos. Porém, Zagallo optou por não convocar Romário para as Olimpíadas de 1996 e levou o meia Rivaldo em seu lugar, o que gerou críticas. O treinador disse que não convocou Romário porque o jogador não marcava os adversários e tinha problemas de disciplina. O fato de Romário não ter jogado pela Seleção durante a preparação para as Olimpíadas também incomodou Zagallo, que chegou a reclamar de "falta de amor à amarelinha". Sem Romário, o Brasil terminou aquelas Olimpíadas com a medalha de bronze.

Voltou para a Seleção Brasileira em 1997. Zagallo disse que decidiu convocar Romário novamente porque viu uma mudança de comportamento do jogador. Ao voltar para a Seleção, Romário também recuperou o patrocínio da Nike. A empresa havia deixado de patrocinar o jogador um ano antes. A primeira partida de Romário após a volta foi um amistoso contra a Polônia em Goiânia, vencido por 4 a 2. Já a primeira partida em que o atacante fez gol depois de voltar à Seleção foi um amistoso contra o Chile, com vitória brasileira por 4 a 0, dois gols do Baixinho. Ainda naquele ano, Romário disputou e venceu mais uma Copa América (na qual teve alguns problemas com o técnico Zagallo durante o torneio, tendo reclamado do treinador após ser substituído contra a Costa Rica e sido acusado pelo técnico de forjar uma lesão na semifinal, o que Romário negou) e uma Copa das Confederações FIFA da qual também foi artilheiro, fazendo elogiada dupla com Ronaldo, dez anos mais novo e que seguia seus passos no coração dos brasileiros ao ter trocado também o PSV pelo Barcelona.

Os dois deveriam ser a dupla de ataque titular do Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1998. Mas, em 6 de maio de 1998, durante uma partida do Flamengo com o Friburguense pelo Campeonato Carioca, Romário sentiu dores na perna direita, virando dúvida para a Copa. Ele havia sofrido uma contratura muscular, mas se recuperou dessa lesão. Porém, dias depois, já com a Seleção para disputar o mundial, Romário sofreu outra lesão, nos treinamentos, dessa vez um estiramento na panturrilha direita. Por causa dessa segunda lesão, a comissão técnica decidiu por cortá-lo, embora Romário garantisse que seria capaz de suportar as dores e de se recuperar a tempo de ter condições para disputar a segunda fase (o que ele provaria, ao marcar um gol pelo Flamengo em um amistoso contra o Internacional dois dias depois de Brasil e Dinamarca, pelas quartas de final). Num primeiro momento, a comissão técnica disse que a lesão na panturrilha de Romário era leve e que ele se recuperaria e jogaria a Copa, podendo estrear ainda na primeira fase. Dias depois, no entanto, a comissão mudou de posição, disse que a lesão de Romário não evoluiu como esperado, que ele não se recuperaria a tempo e anunciou o corte, uma semana antes da estreia do Brasil contra a Escócia. O volante Emerson foi chamado para ocupar seu lugar e recebeu a camisa 11. Mas o fato de Romário ter se recuperado e voltado a jogar normalmente pelo Flamengo depois da primeira fase gerou muitas críticas à comissão técnica por não ter mantido ele na Seleção. O próprio Romário reclamou pela comissão ter pedido para um médico francês analisar a lesão, sendo que esse médico não era, segundo o jogador, especialista em esportes. Apesar da decisão do corte ter sido de toda a comissão técnica, o Baixinho magoou-se principalmente com o coordenador Zico, encarregado de dar-lhe a notícia e que teria, segundo uma parte da imprensa, defendido o corte e influenciado para que o mesmo ocorresse (o que Zico posteriormente negou), e com o técnico Zagallo, que queria que Romário jogasse a primeira fase, não aceitando esperar até a segunda para que ele se recuperasse. Romário os "homenagearia" com caricaturas nos banheiros de sua casa noturna, o Café do Gol, em que o treinador estava sentando no vaso e Zico, à sua espera segurando o papel, o que lhe rende um processo de ambos. Apenas em 2009, pediria desculpas a Zico.

Anos 2000: Após a Copa, com a derrota brasileira na final contra a anfitriã França, o técnico escolhido foi seu desafeto Vanderlei Luxemburgo. O Baixinho foi utilizado pelo treinador em apenas dois jogos: no empate de 2 a 2 com o Barcelona num amistoso em 1999 por ocasião do centenário do clube; e na goleada por 5 a 0 contra a Bolívia pelas Eliminatórias da Copa de 2002 em que Romário marcou três vezes. No entanto, apesar dos pedidos de que ele fosse chamado para as Olimpíadas de 2000 como um dos jogadores acima dos 23 anos, Luxemburgo não o convocou. Após o fracasso olímpico do Brasil e a demissão de Vanderlei Luxemburgo, Romário voltou a ser convocado, dessa vez pelo técnico interino Candinho. O atacante teve uma grande atuação contra a Venezuela e marcou quatro vezes na goleada por 6 a 0, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2002. Logo após, sob o comando do novo treinador Emerson Leão, o atacante acabou sendo chamado para alguns amistosos e jogos das Eliminatórias. Leão, no entanto, abriu mão de Romário e de outros jogadores, levando virtualmente um elenco B para a Copa das Confederações FIFA de 2001. Com um desempenho insatisfatório na competição, em que o Brasil acabou sendo eliminado na semifinal e perdeu para a Austrália o terceiro lugar, Leão foi demitido e substituído por Luiz Felipe Scolari.

Com Scolari, Romário atuou pelas Eliminatórias contra o Uruguai, em Montevidéu, na derrota por 1 a 0. O treinador demonstrou interesse em chamá-lo para a Copa América de 2001, mas Romário pediu dispensa, alegando que realizaria uma cirurgia nos olhos. Todavia, em seguida, o atacante seguiu com o Vasco da Gama para amistosos no México, irritando profundamente Scolari, que o descartou de futuras convocações e não abriu mão de tal conduta mesmo com a campanha instável do Brasil nas Eliminatórias — a Seleção só se classificou no último jogo, contra a Venezuela. Chateado por não ser mais convocado, Romário fez uma declaração criticando Scolari, o que incomodou ainda mais o treinador e contribuiu para que o jogador continuasse sem ser convocado. Romário voltou a ter clamor público contra o treinador, mas Felipão, em março de 2002, insinuou que o veterano só fazia gols contra times fracos: "Não adianta fazer quatro gols no Bambala e no Arimateia. E quando jogar com a Argentina?".

Apoiado até pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, Romário pede desculpas e chega a chorar em uma entrevista coletiva, em abril de 2002, semanas antes da convocação, para sensibilizar o treinador, mas não tem sucesso; Scolari escolhe Ronaldo, Rivaldo, Luizão, Edílson e Denílson para o ataque. Romário acaba acompanhando o mundial, em que o Brasil, sem ele, consegue o pentacampeonato, como comentarista da TV Globo. Posteriormente, admitira que teria torcido para o Brasil não ganhar aquela Copa, tendo feito o mesmo em 1998.

Alguns anos depois, Romário disse que acredita que Felipão não o convocou para a Copa de 2002 por causa de um boato de que o jogador teria se envolvido com uma aeromoça antes da partida contra o Uruguai no ano anterior. Mas negou que essa história fosse verdadeira. Antônio Lopes, que era coordenador técnico da seleção, disse desconhecer essa história e que Felipão não convocou Romário por questões técnicas.

Depois que Felipão saiu da Seleção, parte dos torcedores brasileiros cogitou que Romário ainda poderia jogar a Copa do Mundo FIFA de 2006. Mas a nova comissão técnica logo descartou essa possibilidade, alegando que ele já estava velho demais para a Seleção.

Em 2004, voltou a vestir a camisa da Seleção em dois amistosos que reuniram veteranos de 1994. A CBF apoiou, cedendo uniformes oficiais e até o treinador, que era novamente Parreira. As duas partidas, contra o México, marcavam também a despedida do goleiro adversário, Jorge Campos. Ainda assim, faria mais uma partida para despedir-se, em 27 de abril de 2005, contra a Guatemala — partida esta que a Rede Globo transmitiria exatamente na semana em que comemorava 40 anos de operação. Ele marca o segundo gol da vitória por 3 a 0 — tento que ele dedicaria à recém-nascida filha Ivy, possuidora de síndrome de Down, ao exibir uma camisa que vestia por baixo do manto canarinho, com a frase "Tenho uma filhinha Down que é uma princesinha" — e chora ao sair para ser substituído, aplaudido de pé pelos torcedores. Ainda em 2005 joga mais um amistoso de veteranos da seleção contra o México e marca mais 3 gols, somando um total de 85 gols com a camisa da seleção brasileira contando com os 25 gols das categorias de base e seleção olímpica, 5 em jogos festivos, 55 em jogos oficiais e um gol que ele fez em 1997 pela Copa América que na súmula o juiz acabou dando contra para o jogador mexicano Camilo Romero, o que daria um total de 86 gols do baixinho com a camisa amarelinha.

FEITOS E RECORDES

POLÍTICA


VIDA PESSOAL

Filho de Edevair de Souza Faria e Manuela Ladislau Faria, Romário foi casado três vezes e tem seis filhos com quatro mulheres diferentes. Com a primeira esposa, Mônica Santoro, teve Moniquinha e Romarinho. Separado de Mônica devido a suas aventuras extraconjugais, Romário depois casou-se com Danielle Favatto, com quem teve Daniellinha. Danielle separou-se dele após a descoberta de que Romário tivera um relacionamento extraconjugal com a atriz Edna Velho, com quem teve Raphael. Sua terceira esposa foi Isabelle Bittencourt, com quem teve Isabellinha e Ivy.

Romário estudou no Colégio Dalila Gonçalves, no Rio de Janeiro, onde se formou em um curso técnico. Em 1996, quando estava no Flamengo, começou o curso superior de Educação Física na Universidade Castelo Branco, mas não o concluiu por ter ido jogar na Espanha. Também chegou a entrar e não concluir o curso de Moda em 1999 na Universidade Estácio de Sá.

Zurique (Suíça) - Presidente Lula, Dunga e Romário após anúncio da Fifa de que o Brasil sediará a Copa do Mundo de 2014. Foto tirada por Ricardo Stuckert em 30 de outubro de 2007.

Em 2001 foi satirizado no programa de Chico Anysio, Escolinha do Professor Raimundo, pela paródia Ramório.

Ele criou em 1998 o Café do Gol, que não deu certo em duas tentativas — na primeira, como casa noturna e, na segunda, como bingo. Ambas duraram dois anos cada. Posteriormente, a empresa responsável pelas obras processaria Romário, alegando falta de pagamento. Romário defendeu-se afirmando que o débito teria se extinguido em decisão judicial de 2005. Por causa dessas dívidas, alguns bens de Romário foram penhorados e ele chegou a ser condenado a pagar R$ 2 milhões de indenização.[304] Outras dívidas chegaram a colocá-lo uma noite na cadeia, em 2009, quando atrasou o pagamento da pensão dos filhos que tem com Mônica Santoro.

Ele posteriormente entraria com um processo contra a ex-esposa, sustentando que as pensões vinham sendo desviadas para familiares de Mônica, que teriam inclusive adquirido imóveis com o dinheiro. Romário já teve, anteriormente, de prestar depoimento em delegacia por conta de um desses parentes, seu ex-cunhado, que apresentara Romarinho para o traficante Bem-Te-Vi, descrito como um herói para o garoto.[305] Na época, garantira que desconhecia o que se passava; de fato, Romário resistia aos inúmeros convites do próprio Bem-Te-Vi para jogos na Rocinha, consciente de que teriam sua imagem usada pelo traficante, só tendo aceitado uma, em que havia a promessa de destinar os fundos para ajudar crianças que, assim como sua filha Ivy, têm Síndrome de Down.[305] Desde o nascimento dela, Romário vinha se interessando pela causa, tendo se tornado um grande ativista.

Em 1994, às vésperas da Copa do Mundo, o pai de Romário, Edevair de Souza Faria, foi sequestrado no Rio de Janeiro. Os sequestradores pediram US$ 7 milhões pelo resgate, valor mais alto do que o passe do jogador à época. Romário chegou a pensar em não jogar o mundial dos Estados Unidos por causa do abalo emocional, mas a polícia conseguiu resgatar o pai dele. Em 2008, Edevair veio a falecer. Já a mãe de Romário, Manuela, conhecida como Dona Lita e que ficou famosa durante a Copa de 1994 por quebrar garrafas para comemorar os gols do filho, faleceu em 2024.

Em 2009, foi condenado a pagar uma multa de R$ 391 mil e prestar serviços à comunidade por não ter declarado os rendimentos que recebia no Flamengo em 1996.

Famoso por colecionar desafetos no futebol, Romário teve desentendimentos com Pelé, Zico, Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari e outros. Chegou a tripudiar também sobre Diego Maradona, em 1999, em entrevista à revista Trip: "Fiz mais gols e ganhei mais do que ele. No futebol moderno dos últimos 15 anos, Maradona só perde para mim". Na mesma época, enquanto jogava no Flamengo, Romário teve uma desavença com Gilmar Rinaldi, que era superintendente do clube. Em 2004, foi a vez de Romário disparar contra Walter Casagrande, no programa televisivo de Jorge Kajuru: "Ele nunca foi campeão de p... nenhuma. Quem é ele para falar de mim? (...) Não sabe de nada!", declarando na mesma entrevista que fizera sexo na concentração brasileira durante a Copa do Mundo FIFA de 1994 e expondo seu rancor por quem não o apoiara em 1998. No mesmo ano, Ronaldo, seu ex-parceiro de Seleção Brasileira, também incomodou-se com Romário, após o Baixinho se declarar o melhor jogador que o Brasil já teve depois da geração de Pelé. "É muita pretensão alguém dizer que é o melhor", disse o Fenômeno.

Já declarou que não havia amizade verdadeira no futebol, já tendo rusgas com outros companheiros de ataque, como Bebeto e Edmundo. Chegou a ter uma relação distante com outro deles, Hristo Stoichkov, o amigo que lhe apoiara quando Seu Edevair fora sequestrado, pouco antes da Copa do Mundo de 1994, e que havia sido convidado para ser padrinho de Romarinho — não o pôde devido a um compromisso com o Zhelyu Zhelev, presidente da Bulgária, além de sofrer com falta de disponibilidade nos voos para o Brasil, na época da cerimônia. Teve também outros atritos com dois companheiros de Seleção, Dunga e Gilmar Rinaldi. No Flamengo, no Vasco e no Fluminense, Romário se sobrepôs a técnicos.

Teve também desavenças com alguns dirigentes, entre eles os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero. Segundo Romário, Teixeira havia lhe garantido que Felipão o convocaria para a Copa do Mundo de 2002. Como isso não ocorreu, o jogador acusou Teixeira de traição. Já com Del Nero, Romário foi processado por ter feito declarações ofensivas contra o dirigente. Como político, Romário foi muito crítico às gestões de Teixeira e Del Nero na CBF. Outro ex-presidente da entidade que brigou com Romário foi José Maria Marin.

Mesmo na Europa teve regalias, tendo sua boemia tolerada no PSV Eindhoven e no Barcelona; o Valencia foi um caso raro de clube onde ele acabou sendo preterido em favor dos treinadores. Por outro lado, foi justamente este o clube onde ele, ainda em sua melhor forma, menos se destacaria. Jorge Valdano foi o único técnico de Romário no Valencia que concordou com um tratamento diferenciado para o Baixinho, mandado embora duas vezes do clube após não entender-se com Luis Aragonés e, posteriormente, Claudio Ranieri: "Não dá para colocar os jogadores dentro do mesmo molde porque não são todos iguais. (...) Para mim valem os privilégios, mas é fundamental que o grupo seja maduro e possa aceitá-los". Renato Gaúcho, que o treinou no Fluminense, declarou no mesmo sentido que "Quando cheguei, eles [os privilégios] já existiam. Romário era o carro-chefe, trazia os patrocínios e a torcida, era quem fazia os gols. (...) Os gols dele garantiam o meu emprego e o bicho da rapaziada. Não adianta não dar privilégio para um astro e de repente ele ficar bravo e não render. (...) Só não pode extrapolar". Também atuou algumas partidas pela seleção brasileira de futebol de areia.

Declarou em diferentes ocasiões que não é um atleta porque não tem uma rotina rígida de treinos ou horário para comer: "Não sou atleta, sou um jogador de futebol". Também já admitiu que não gosta de treinar, mas que não deixou de fazê-lo, principalmente a partir dos 30 anos, quando passou a tomar mais cuidados para evitar lesões: "Nunca gostei de treinar. Agora isso não significa que eu nunca treinei".

Romário foi, em 2011, comentarista esportivo da Rede Record e do Portal R7 para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Em 2012, Romário também foi comentarista da Rede Record nas Olimpíadas de Londres. Na ocasião, o ex-jogador teve um atrito com Mano Menezes, então técnico da Seleção Brasileira. Depois da derrota do Brasil para o México na final do futebol masculino, Romário disse que a perda do ouro olímpico era "um fracasso". Mano não gostou dessa fala e criticou Romário, que rebateu e fez uma campanha no twitter para que Mano saísse da Seleção, o que ocorreu meses depois.

Em 2016, Romário realizou uma cirurgia bariátrica para auxiliar o controle da diabetes.

Entre 2021 e 2024, ele teve uma briga com Bebeto, seu amigo e companheiro na Seleção Brasileira, por motivos políticos. Na Eleição presidencial no Brasil em 2022, Romário apoiou Jair Bolsonaro, enquanto Bebeto apoiou Lula. Com os dois em lados opostos na eleição, acabaram brigando. Bebeto também ficou chateado por Romário ter saído do Podemos em 2021 sem lhe avisar, já que os dois eram do partido. Mas em 2024, numa festa de comemoração dos 30 anos do tetra, os dois fizeram as pazes.

Em 2025, Romário lançou seu próprio canal no Youtube, chamado Romário TV, no qual fala sobre futebol e entrevista personalidades. O primeiro episódio do canal foi uma entrevista dele com Neymar.

Em 2026, Romário viajou aos Estados Unidos e participou da cobertura da Copa do Mundo, o que gerou críticas de que ele deveria ter ficado trabalhando em Brasília porque ainda era senador. Romário rebateu às críticas dizendo que iria continuar trabalhando no Senado de forma online enquanto cobria a Copa e que abriu mão do salário de senador nesse período. O Senado informou que a ausência de Romário para cobrir a Copa estava de acordo com as normas da Casa.

Clubes que gostaria de ter jogado: Depois de se aposentar como jogador, Romário disse que gostaria de ter jogado no Botafogo, no São Paulo FC e no Corinthians.

Problemas com pensão alimentícia: No dia 14 de julho de 2009, Romário foi levado à 16ª DP, situada na Barra da Tijuca, por suspeita de não pagar pensão alimentícia à ex-mulher Mônica Santoro, com quem tem dois filhos, Moniquinha e Romarinho. O ex-jogador passou a noite detido na delegacia, onde dividiu uma cela com outros dois detentos. No dia seguinte, a Justiça do Rio de Janeiro expediu um alvará de soltura após a quitação da dívida de R$ 89.641,44, referentes a dois meses da pensão dos filhos. Antes de ser liberado, Romário prestou esclarecimentos em uma audiência ocorrida no Fórum da Barra da Tijuca.

Em agosto de 2004, quando atuava no Fluminense, Romário também teve que depor após Mônica Santoro ter reclamado que o jogador lhe devia cerca de R$ 140 mil de pensão alimentícia. Na ocasião, Romário ficou detido por cerca de seis horas.

ANCESTRALIDADE

Em 2022, Romário submeteu-se a exame de ancestralidade, onde descobriu que possui uma sopa genética, onde possui 30% de ancestralidade africana, Costa da Mina (dos países Nigéria, Gana, Togo e Benim), leste (da Tanzânia à África do Sul) e oeste africanos (que compreende de Camarões à República Democrática do Congo), além de etnias como mandê (do Mali à Costa do Marfim) e khoisan (de Angola a Botsuana), 56% de ancestralidade europeia (Península Ibérica, Itália e Sardenha), 2% de ancestralidade do Oriente Médio e 10% americana.

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