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domingo, 12 de julho de 2026

CERRADO (BIOMA BRASILEIRO COM CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DA SAVANA)

Jardim de Maitreya; Entrada da Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Foto tirada por Teoneto em 20 de dezembro de 2012, 08:31:58.
  • BIOMA: Savana
  • ÁREA: 2.045 064 km²
  • PAÍS(ES): Brasil
  • CONTINENTE: América do Sul
Cerrado é bioma brasileiro de savanas, sendo o segundo maior em extensão territorial depois da Amazônia, ocupando uma área de mais de dois milhões de quilômetros quadrados. O termo "cerrado" pode ser utiilizado em três sentidos: O primeiro, a "fisionomia do cerrado sensu stricto" é uma das fisionomias do bioma savana e parte da província florística cerrado sensu lato.

Em segundo, a "província do cerrado sensu lato" é uma província florística ou fitogeográfica — também chamada tipo vegetacional ou fitocório, que é um conceito florístico, que leva em conta a composição dos grupos taxonômicos das plantas de uma comunidade, (isto é, a flora) e biogeográfica (ao se incluir também a fauna). Corresponde à província Oreades de Martius. É composto por três biomas (que é um conceito fisionômico-funcional, e que apesar de englobar tanto as plantas quanto os animais e microrganismos de uma comunidade, na prática, se define pelo clima e pela fisionomia ou aparência geral das plantas da comunidade, isto é, pelo "tipo de formação vegetacional" - não confundir com o conceito florístico de "tipo vegetacional" - embora certos autores usem esta expressão para se referir a fisionomias) e seis fisionomias (subtipos de bioma ou de formação vegetacional): o bioma campo tropical (fisionomia campo limpo), o bioma savana (fisionomias campo sujo, campo cerrado e cerrado sensu stricto) e o bioma floresta estacional (fisionomia cerradão).

Em terceiro, o "domínio do cerrado" se refere a um domínio morfoclimático e fitogeográfico (área do espaço geográfico, com dimensões subcontinentais, em que predominam características morfoclimáticas - de clima e relevo - semelhantes, além de uma província florística (tipo vegetacional) predominante, podendo, entretanto, conter vários tipos de formações (como a floresta ripícola, o campo rupícola, o Cerradão, a floresta estacional decídua, o campo úmido, a mata ciliar, mata de galeria, mata seca, palmeiral, vereda e campo rupestre), algumas pertencentes a outras províncias florísticas (como a Mata Atlântica).

CARACTERÍSTICAS

Hidrografia do Cerrado. Imagem feita por Leovigildo Santos em 7 de maio de 2015.

O domínio apresenta variações fitofisionômicas ao longo de sua extensão. É uma área zonal, como as savanas da África, e predomina, majoritariamente, no Planalto Central.

Trata-se do segundo maios domínio fitogeográfico em extensão, estendendo-se, em sua área core ou nuclear, por um território de 1,5 milhão de km², abrangendo quatro estados do Brasil Central (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), além de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí. Incluindo-se as áreas periféricas/disjuntas, este valor pode ultrapassar 2 milhões de km². Essas áreas disjuntas podem ser encontradas em meio a outros domínios, tais como Amazônia, nos estados de Amapá, Roraima e Pará, e Caatinga, em alguns locais do Ceará, Paraíba e Pernambuco. Além disso, há manchas de Cerrado no estado do Paraná, um pouco abaixo do trópico de Capricórnio.

É cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, tem índices pluviométricos regulares que lhe propiciam sua grande biodiversidade. O Cerrado possui duas classificações principais: o Cerrado stricto sensu, que abrange as formações savânicas; e o Cerrado lato sensu, que engloba formações florestais e campestres. O Cerrado stricto sensu cobre a maior parte do domínio, e está representado pelas formações de cerrado ralo, típico e denso, parque de cerrado, palmeiral e vereda. Por outro lado, as formações florestais engloba os cerradões, as matas ciliares e de galeria, e as matas secas; enquanto as campestres exibem campos sujos e limpos e os campos rupestres.

Clima: O clima do Cerrado é classificado predominantemente como Aw (tropical chuvoso) na Classificação climática de Köppen-Geiger, com áreas de clima Cwa ao sul do bioma, condicionado não somente por sua localização no centro da América do Sul, mas pela dinâmica dos sistemas atmosféricos que atuam no continente sul-americano e que podem ser positivos, como os centros de alta pressão subtropicais do Atlântico Norte, do Atlântico Sul e do Pacífico Sul, das altas pressões polares, ou negativos, como as depressões amazônicas e do Chaco. A dinâmica positiva manifesta-se através de anticiclones, que são massas de ar de origem oceânica e que se deslocam sobre o continente; estas massas sofrem influência dos centros negativos, que se formam no continente.

O anticiclone do Atlântico Sul é impulsionado pelos ventos alísios, do oceano para o interior do continente, de leste para oeste; também conhecido como Zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), é um dos principais responsáveis pela determinação do regime de chuvas do Cerrado, e alcança sua máxima intensidade durante o verão. Em conjunção com a Zona de convergência intertropical (originada na região amazônica) ou com a Alta da Bolívia, forma uma faixa contínua de nebulosidade que se estende no sentido noroeste-sudeste e provoca períodos prolongados de precipitação pluviométrica nos meses de novembro a março, com o auge sendo atingido de dezembro a fevereiro.

Sistemas frontais, também chamados de frentes frias, atravessam a região ao longo de todo o ano, mas com maior frequência no inverno. Tem sua origem no oceano Pacífico (atravessando a Argentina e os Andes e interagindo com a convecção tropical à altura do equador) ou no polo sul (massa polar atlântica), o que favorece a estiagem no inverno e chuvas frontais na primavera-verão.

A ação destes sistemas dá ao Cerrado suas características climáticas peculiares, com duas estações bem definidas: a chuvosa, que vai de setembro ou outubro e se estende até março ou abril, e a seca, que dura de abril ou maio até setembro ou outubro, nos quais as chuvas são drasticamente reduzidas. Este déficit hídrico é importante do ponto de vista da atividade agrícola, visto que o Cerrado não oferece muitas opções para suprir o uso intensivo de irrigação. Em relação à precipitação média anual, os índices variam de 400 mm a 600 mm no centro-sul do Piauí e no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais), podendo atingir 2.000 mm a 2.200 mm ao avançar de leste para oeste, com regiões do Tocantins atingindo até 2.400 mm. Todavia, mesmo durante a estação chuvosa, o Cerrado pode ser atingido pelo fenômeno do "veranico", o qual, se ocorrer no mês de janeiro, causa impacto negativo nas culturas de grãos (por estarem em época de floração).

Em relação às temperaturas, estas são mais altas no sentido sul-norte do bioma, atingindo médias anuais entre 23° C e 27° C no sul do Maranhão e Piauí, e no sudoeste da Bahia. Na parte centro-sul do Cerrado (Goiás, Minas e Mato Grosso do Sul), as temperaturas mínimas variam entre 18° C e 22° C. As temperaturas médias máximas estão entre 24° C e 33° C, e as mínimas entre 16° C e 20° C.

Recursos hídricos: Segundo maior bioma do Brasil, ocupando cerca de 204 milhões de hectares e 24% do território nacional, o Cerrado é o local de origem de grandes bacias hidrográficas brasileiras e da América do Sul. Recebem contribuição das águas do Cerrado, os rios Xingu, Madeira e Trombetas na Bacia Amazônica, ao norte; os rios Araguaia e Tocantins, na Bacia do Tocantins; os rios Parnaíba e Itapecuru, na Bacia Atlântico Norte/Nordeste; os rios São Francisco, Pará, Paraopeba, das Velhas, Jequitaí, Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande, na Bacia do São Francisco; rios Paranaíba, Grande, Sucuriú, Verde, Pardo, Cuiabá, São Lourenço, Taquari e Aquidauana, na Bacia Paraná/Paraguai. O bioma contribui assim para a produção hídrica de seis das oito principais bacias brasileiras (ficando de fora apenas as bacias do Atlântico Sul/Sudeste e do rio Uruguai), conforme definição do extinto Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE). No caso específico da Bacia do São Francisco, Minas Gerais responde por cerca de 70% da vazão gerada ao longo do seu curso e por 94% da vazão em sua foz.

De acordo com a nova Divisão Hidrográfica Nacional, aprovada pela Resolução n° 32 de 15 de outubro de 2003, o Brasil conta agora com 12 regiões hidrográficas, estando o Cerrado presente em oito delas. As principais mudanças em relação à divisão feita pelo DNAEE, estão na separação das bacias do Paraná, Paraguai e Parnaíba, bem como nas bacias que desaguam diretamente no oceano Atlântico.

Gestão dos recursos hídricos: Embora seja uma área de nascentes (ou talvez exatamente por isso), a concentração de atividades agrícolas em determinadas regiões do Cerrado tem provocado conflitos pelo uso da água: uma área de 100 hectares irrigados pode consumir tanta água quanto uma cidade de 10 mil habitantes. Num estado como Rondônia, por exemplo, a área irrigada cresceu 115,06% ao ano em fins do século passado, passando de 100 hectares em 1996 para 4.600 hectares em 2001. Todavia, apesar desse incremento impressionante, a área irrigada ainda era considerada irrisória em comparação com estados como Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí, onde a agricultura irrigada cresceu a um ritmo duas vezes maior do que a média nacional entre 1996 e 2002, indicando o rápido desenvolvimento desta fronteira agrícola.

O baixo preço das terras no Centro-Oeste foi um dos principais fatores de atração para produtores rurais, principalmente do Sul do Brasil, a partir da década de 1970. Políticas públicas do governo federal transformaram uma região antes dominada pela pecuária de baixa produtividade em peça-chave da produção de commodities, a nível nacional e internacional. Um dos programas que viabilizaram essa transformação foi o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polocentro), vigente entre 1975 e 1984, e que centrava sua ação no financiamento de infraestrutura (estradas, armazéns etc), pesquisa agropecuária e crédito rural. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), funcionando no âmbito do Polocentro, modernizaram a agricultura brasileira e a tornaram competitiva internacionalmente.

Toda essa rápida expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste (a densidade demográfica passou de 2,88 habitante por km² para 8,75 hab/km² entre 1970 e 2010) também impactou negativamente os recursos hídricos do Cerrado, com poluição de cursos d'água (como na Região Metropolitana de Belo Horizonte), baixos índices de coleta e tratamento de esgoto e assoreamento de rios. Antes mesmo da assinatura do Acordo de Paris em 2015 e do compromisso em reduzir suas emissões de GEE em 43% até 2030, o Brasil já havia implementado o Plano ABC, que vigorou entre 2010 e 2020 e foi continuado pelo ABC+, e que entre seus objetivos inclui a redução dos impactos ambientais e do desmatamento, bem como a adoção de estratégias que permitam aumentar a produção agropecuária otimizando o uso dos recursos naturais.

Do ponto de vista da gestão de recursos hídricos, o Brasil passou do Código de Águas de 1934 para a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, a Lei das Águas do Brasil, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e motivou a criação de leis federais e estaduais para a gestão das águas em território nacional. Segundo o PNRH, a água é "um bem de domínio público, limitado e dotado de valor econômico", o qual, em situações de escassez, deve ser direcionado prioritamente para o "consumo humano e a dessedentação animal". No âmbito estadual, há leis que impactam a utilização dos recursos hídricos no bioma Cerrado, como a Lei das Águas de Minas Gerais de 1999, a Lei Estadual de Recursos Hídricos da Bahia (1995), a Política de Recursos Hídricos do Estado de Goiás (1997), o Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (2001), a Lei das Águas do Mato Grosso (1997), o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Mato Grosso do Sul (2002), a Política Estadual de Recursos Hídricos do Tocantins (2002), o Sistema de Gerenciamento e do Fundo de Recursos Hídricos do Estado de Rondônia (2002), o Sistema de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Maranhão (2004) e o Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Piauí (2000).

Solos: Do ponto de vista da pedologia, os latossolos, altamente permeáveis, compõe cerca de 48,66% das terras do Cerrado, ostentando topografia plana a suave-ondulada. Por ser predominante, apresenta maior biodiversidade, o que justifica a criação neles de unidades de conservação, não somente para evitar o risco de extinção de espécies nativas, mas também pela preservação de vegetais que podem possuir valor alimentício, medicinal e comercial. Os latossolos devem ter um manejo adequado, pois quando expostos à chuva pelo desmatamento indiscriminado, podem provocar o surgimento de sulcos e voçorocas, além de assorear os cursos d'água.

Outro importante solo do Cerrado, é o neossolo quartzarênico, que ocupa cerca de 15% do bioma. São solos arenosos, e portanto, muito suscetíveis à erosão. Se estiverem adjacentes a mananciais, devem ser necessariamente isolados e preservados.

Os argissolos vêm em terceiro lugar, com cerca de 13,66% das terras do bioma. São fortemente atingidos pela remoção da cobertura vegetal, o que pode acarretar em sérios problemas de erosão.

Outros tipos de solo, com menor participação na área total, são o nitossolo vermelho, cambissolo, plintossolo, neossolo litólico e gleissolo háplico e melânico.

Vegetação: Martius (1824), embora não tenha proposto um sistema formal, descreve vários tipos de vegetação presentes no atual domínio do Cerrado.

Warming (1892), em seu trabalho em Lagoa Santa, usa uma terminologia que seria formalizada por Löfgren (1898). Este é creditado como o primeiro a usar formalmente o termo "cerrado" no sentido fisionômico atual (cerrado sensu stricto), além de elaborar um sistema de tipos de vegetação para a Oreades (futuro cerrado sensu lato).
  1. Cerradão ou Caatanduva
  2. Cerrado propriamente dito
  3. Campo cerrado ou Caatininga
  4. Campo Limpo
Formações (subtipos de vegetação) do cerrado (sensu lato), segundo Coutinho (1978):
  • Formação campestres: Campos limpos
  • Formações savânicas ecotonais (de transição): Campos sujos, Campos cerrados e Cerrados sensu stricto
  • Formação florestal: Cerradões
Fitofisionomias presentes no "bioma" (domínio) cerrado, segundo Ribeiro & Walter (1998):
  • Florestas:
    • Mata Ciliar
    • Mata de Galeria (não Inundável, Inundável)
    • Mata Seca (Sempre-Verde, Semidecídua, Decídua)
    • Cerradão (Mesotrófico, Distrófico)
  • Savanas:
    • Cerrado sentido restrito (Denso, Típico, Ralo, Rupestre)
    • Parque de Cerrado
    • Palmeiral (Babaçual, Buritizal, Guerobal, Macaubal)
    • Vereda
  • Campos:
    • Campo Sujo (Seco, Úmido, com Murundus)
    • Campo Limpo (Seco, Úmido, com Murundus)
    • Campo Rupestre
Entretanto, deve-se notar que alguns autores (ex., Ribeiro & Walter, 1998) não incluem o campo limpo no cerrado enquanto área fitogeográfica (cerrado sensu lato).

Arruda et al. (2008) identificaram 22 ecorregiões no bioma Cerrado, de acordo com aspectos biogeográficos e ecológicos, a fim de servir como referência para o planejamento ambiental: Alto Parnaíba, Araguaia Tocantins, Bananal, Bico do Papagaio, Chapadão do São Francisco, Chiquitania, Complexo Bodoquena, Depressão Cuiabana, Depressão do Parnaguá, Grão-Mogol, Jequitinhonha, Paracatu, Paraná- Guimarães, Paranaíba, Paranapanema Grande, Parecis, Planalto Central Goiano, Província Serrana, São Francisco-Velhas, Serra da Canastra, Serra do Cipó e Vão do Paranã.

Tipos de vegetação presentes na "região florística do Brasil central" (província do cerrado), segundo o IBGE (2012):

savana
floresta estacional semidecidual
floresta estacional decidual
Tipos de "savana" (entendida neste esquema como sinônimo de cerrado sensu lato) de acordo com o IBGE (2012), com nomes regionais entre parênteses:[32]

Subgrupo de formação: Savana (Cerrado)
Formação: Savana Florestada (Cerradão)
Formação: Savana Arborizada (Campo Cerrado, Cerrado Ralo, Cerrado Típico e Cerrado Denso)
Formação: Savana Parque (Campo-Sujo-de-Cerrado, Cerrado-de-Pantanal, Campo-de-Murundus ou Covoal e Campo Rupestre)
Formação: Savana Gramíneo-Lenhosa (Campo-Limpo-de-Cerrado)

Flora: Até o momento, a flora conhecida do Cerrado revela uma elevada riqueza e diversidade, com altos índices de endemismo. Atualmente, estão catalogadas 14.129 espécies de angiospermas, das quais 7.578 são endêmicas (aprox. 53% do total). Esse alto número de espécies endêmicas, associado a intensas e constantes ameaças, permite a classificação do Cerrado como hotspot de biodiversidade.

A composição florística dos cerrados, com seus respectivos hábitos e formas de vida predominantes, também variam segundo a fitofisionomia. Nas formações florestais, por exemplo, predominam espécies lenhosas, de forma de vida fanerofítica, que mantêm suas gemas de crescimento acima de 50 cm do solo. Já em áreas de Cerrado stricto sensu prevalecem hemicriptófitos, representados por ervas e subarbustos cujas gemas estão próximas ao nível do solo.

A distribuição dessa flora tem sido amplamente estudada. Pesquisas com pólen indicam que, durante o período glacial, o domínio funcionou como um corredor ecológico entre as florestas Amazônica e Atlântica. Outros estudos revelam uma mistura de plantas típicas da Amazônia e da Mata Atlântica com espécies do Cerrado nas zonas de Mata Ciliar e Mata Seca, além de um gradiente florístico atlântico-amazônico na direção sudeste-noroeste do Cerrado, onde a similaridade entre as espécies diminui conforme se afasta da região central.

A partir da flora, foi possível identificar três supercentros de diversidade para o Cerrado: Sudeste Meridional, Planalto Central e Nordeste. Cada um desses supercentros apresenta identidade florística própria. Entretanto, é possível notar a presença de espécies vegetais comuns, amplamente distribuídas por toda a extensão do domínio. Trata-me das espécies "oligárquicas" ou "dominantes", que são utilizadas para identificar a influência do Cerrado numa determinada área e auxiliam na identificação de áreas disjuntas.

Provavelmente, cerca de 800 espécies de árvores são encontradas no Cerrado. Entre as famílias de árvores mais diversas no Cerrado estão as Leguminosae (153 spp.), Malpighiaceae (46), Myrtaceae (43), Melastomataceae (32) e Rubiaceae (30). Grande parte do Cerrado é dominada pela família Vochysiaceae (23 espécies no Cerrado) devido à abundância de três espécies do gênero Qualea. A camada herbácea atinge geralmente cerca de 60 cm de altura e é composta principalmente pelas Poaceae, Cyperaceae, Leguminosae, Compositae, Myrtaceae e Rubiaceae. Grande parte da vegetação nas matas de galeria é semelhante à floresta tropical próxima; no entanto, existem algumas espécies endêmicas encontradas apenas nas matas de galeria do Cerrado.

A fertilidade do solo, o regime de incêndios e a hidrologia são considerados os fatores mais influentes na determinação da vegetação do Cerrado. Os solos do Cerrado são sempre bem drenados e a maioria são oxissolos com baixo pH e baixo teor de cálcio e magnésio. A quantidade de potássio, nitrogênio e fósforo tem se mostrado positivamente correlacionada com a área basal do tronco das árvores em habitats do Cerrado. Assim como em outros campos e savanas, o fogo é importante para a manutenção e a formação da paisagem do Cerrado; muitas plantas do Cerrado são adaptadas ao fogo, exibindo características como casca grossa e suberosa para suportar o calor.

Acredita-se que a vegetação do Cerrado seja ancestral, remontando talvez ao Cretáceo, antes da separação entre a África e a América do Sul, em sua forma prototípica. Uma dinâmica de expansão e contração entre o Cerrado e a floresta amazônica provavelmente ocorreu historicamente, com a expansão do Cerrado durante períodos glaciais como o Pleistoceno. Esses processos e a consequente fragmentação em múltiplos refúgios provavelmente contribuíram para a alta riqueza de espécies tanto do Cerrado quanto da floresta amazônica.

Espécies comuns no Cerrado: A vegetação do Cerrado apresenta diversas paisagens florísticas diferenciadas, como os brejos, os campos alagados, os campos altos, os remanescentes de mata atlântica. Mas as fitopaisagens predominantes são aquelas dos Cerrados, como o cerrado típico, o cerradão e as veredas. Nestas, há desde palmeiras, como:
babaçu (Orbignya phalerata), bacuri (Platonia insignis), brejaúba (Toxophoenix aculeatissima), buriti (Mauritia flexuosa), guariroba (Syagrus oleracea), jussara (Euterpe edulis) e macaúba (Acrocomia aculeata).

Até plantas frutíferas como: 

araticum-do-cerrado (Annona crassiflora), araçá (Psidium cattleianum), araçá-boi (Eugenia stipitata), araçá-da-mata (Myrcia glabra), araçá-roxo (Psidium myrtoides), bacuri (Scheelea phalerata), bacupari (Rheedia gardneriana), baru (Dipteryx alata), café-de-bugre (Cordia ecalyculata), figueira (Ficus guaranítica), lobeira (Solanum lycocarpum), jabuticaba (Myrciaria trunciflora), jatobá (Hymenaea courbaril), marmelinho (Diospyros inconstans), pequi (Caryocar brasiliense), goiaba (Psidium guajava), gravatá (Bromeliaceae), marmeleiro (Croton alagoensis), jenipapo (Genipa americana), ingá (Inga sp), mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), mangaba (Hancornia speciosa), cajuzinho-do-cerrado (Anacardium humile), pitanga-do-cerrado (Eugenia calycina), guapeva (Fervillea trilobata), veludo-branco (Gochnatia polymorpha); madeiras, tais quais angico-branco (Anadenanthera colubrina), angico (Anadenanthera spp), aroeira-branca (Lithraea molleoides), aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva), cedro-rosa (Cedrela fissilis), monjoleiro (Acacia polyphylla), vinhático (Plathymenia reticulata), bálsamo-do-cerrado (Styrax pohlii), pau-ferro (Libidibia ferrea), ipês (Tabebuia spp.), além de plantas características dos cerrados, como amendoim-do-campo (Pterogyne nitens), araticum-cagão (Annona cacans), aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius), capitão-do-campo (Terminalia spp.), embaúba (Cecropia spp), guatambu-de-sapo (Chrysophyllum gonocarpum), maria-pobre (Dilodendron bipinnatum), mulungu (Erythrina spp), paineira (Ceiba speciosa), pororoca (Rapanea guianensis), quaresmeira roxa (Tibouchina granulosa), tamboril (Enterolobium spp), pata-de-vaca (Bauhinia longifólia), algodão-do-cerrado (Cocholospermum regium), assa-peixe (Vernonia polyanthes), pau-terra (Qualea grandiflora), pimenta-de-macaco (Xylopia aromatica), gameleira (Ficus rufa), sem falar em uma grande variedade de gramíneas, bromeliáceas, orquidáceas e outras plantas de menor porte.

Fauna: O Cerrado apresenta uma alta diversidade de vertebrados, com 150 espécies de anfíbios, 120 espécies de répteis, 837 espécies de aves e 161 espécies de mamíferos registradas. A diversidade de lagartos é geralmente considerada relativamente baixa no Cerrado em comparação com outras áreas como a caatinga ou a floresta tropical de planície, embora um estudo recente tenha encontrado 57 espécies em uma área de Cerrado, com a alta diversidade sendo impulsionada pela disponibilidade de habitat aberto. O Ameiva ameiva está entre os maiores lagartos encontrados no Cerrado e é o predador de lagartos mais importante da região onde ocorre. Há uma diversidade relativamente alta de serpentes no Cerrado (22–61 espécies, dependendo do local), sendo a família Colubridae a mais rica. A natureza aberta da vegetação do Cerrado provavelmente contribui para a alta diversidade de serpentes. As informações sobre anfíbios do Cerrado são extremamente limitadas, embora o Cerrado provavelmente possua um conjunto único de espécies, algumas endêmicas da região.

A maioria das aves encontradas no Cerrado se reproduz ali, embora haja também algumas aves migratórias austrais (que se reproduzem na América do Sul temperada e passam o inverno na bacia amazônica) e neárticas (que se reproduzem na América do Norte temperada e passam o inverno nos neotrópicos) que passam pela região. A maioria das aves que se reproduzem no Cerrado é encontrada em áreas de dossel mais fechado, como matas ciliares, embora 27% das aves se reproduzam apenas em habitats abertos e 21% em habitats abertos ou fechados. Muitas das aves do Cerrado, especialmente as encontradas em florestas fechadas, são aparentadas a espécies da Mata Atlântica e também da Amazônia. A águia-cinzenta, a arara-azul-grande, o tucano-toco, o curicaca, a codorna-carapé e o pato-mergulhão são exemplos de aves encontradas no Cerrado.

As matas ciliares servem como habitat primário para a maioria dos mamíferos do Cerrado, por possuírem mais água, serem protegidas dos incêndios que devastam a região e apresentarem um habitat mais estruturado. Onze espécies de mamíferos são endêmicas do Cerrado. Entre as espécies notáveis, encontram-se grandes herbívoros como a anta e o veado-campeiro, e grandes predadores como o lobo-guará, a onça-parda, a onça-pintada, a ariranha, a jaguatirica e o jaguarundi. Embora a diversidade seja muito menor do que na Amazônia e na Mata Atlântica adjacentes, várias espécies de macacos estão presentes, incluindo o macaco-prego-amarelo, o bugio-preto e o sagui-de-tufos-pretos.

Os insetos do Cerrado são relativamente pouco estudados. Um levantamento realizado durante um ano em uma reserva no Cerrado brasileiro constatou que as ordens Coleoptera, Hymenoptera, Diptera e Isoptera representavam 89,5% de todas as capturas. O Cerrado também abriga uma alta densidade (até 4000 por hectare) de ninhos de formigas cortadeiras (saúvas), que também são muito diversas. Juntamente com os cupins, as formigas cortadeiras são os principais herbívoros do Cerrado e desempenham um papel importante no consumo e decomposição da matéria orgânica, além de constituírem uma importante fonte de alimento para muitas outras espécies animais.A maior diversidade de insetos galhadores (insetos que constroem galhas) do mundo também é encontrada no Cerrado, com o maior número de espécies (46) na base da Serra do Cipó, em Minas Gerais.

Mastofauna: Especificamente no que tange à fauna de mamíferos do cerrado, em que pesem as áreas devastadas para a agropecuária e a mineração, ela é ainda bastante diversificada, com representantes de:

Marsupiais – gambá (Didelphis ssp.), cuíca (Gracilinanus microtarsus), cuíca-d'água (Chironectes minimus) e jaritataca (Conepatus semistriatus)
Mustelídeos – ariranha (Pteronura brasiliensis), irara (Eira barbara), lontra (Lontra longicaudis),
Xenartros – tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), preguiça (Bradypus sp), tatus (Dasypodidae)
Felídeos – gato-palheiro (Oncifelis colocolo), jaguatirica (Leopardus pardalis), jaguarundi (Herpailurus yaguarondi), onça-pintada (Panthera onca) e onça-parda (Puma concolor),
Canídeos – cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)
Cervídeos – veado-mateiro (Mazama americana), veado-campeiro (Mazama gouazoupira)
Primatas – macaco-prego (Cebus apella), macaco-aranha (Ateles paniscus), saguis (Callitrichinae)
Procionídeos - quati (Nasua spp.), mão-pelada (Procyon cancrivorus)
Ungulados- anta (Tapirus terrestris), queixada (Tayassu pecari), caititu (Pecari tajacu), veado-catingueiro (Mazama gouazoubira), veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus)
Roedores – preá (Cavia spp), porco-espinho (fam. Erethizontidae, Hystricidae), capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), cutia (Dasyprocta spp), paca (Agouti paca), ratos (Cricetidae)
Leporídeos – tapiti (Sylvilagus brasiliensis)
Quirópteros – morcegos (Chiroptera)
Avifauna
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Em relação à avifauna, são inúmeras as aves do Cerrado, e entre elas destacam-se:

Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta),
Codorna-pequena (Taoniscus nanus),
Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus),
Andarilho (Geositta poeciloptera),
Anhuma (Anhima cornuta),
Marreca-ananaí (Anas braziliensis),
Marreca-cabocla (Dendrocygna autumnalis),
Marreca-caneleira (Dendrocygna bicolor),
Irerê (Dendrocygna viduata),
Pato-mergulhão (Mergus octosetaceus),
Pato-corredor (Neochen jubata),
Marreca-caucau (Nomonyx dominicus),
pato-de-carúncula (Sarkidiornis melanotos),
Gralha (Cyanocorax cristatellus),
Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi),
Guaxo (Icterus jamacaii),
Tucano (Ramphastos toco),
Urubu (Coragyps atratus),
Seriema (Cariama cristata),
Sabiá-do-campo (Mimus saturninus),
Beija-flor (Colibri serrirostris),
Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura),
Garça campeira (Casmerodius albus)
Garça do banhado (Egretta thula),
Anu-preto (Crotophaga ani),
Anu-branco (Guira guira),
Caga-sebo (Coereba flaveola),
Vivi (Euphonia chlorotica),
Saí-azul (Dacnis cayana),
Sanhaço (Thraupis sp.),
Príncipe (Pyrocephalus rubinus),
Suriri (Tyrannus melancholicus),
Quero-quero (Vanellus chilensis),
Curicaca (Theristicus caudatus),
Garrincha (Synallaxis frontalis),
Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva),
Saracura (Aramides cajanea),
Piriquito (Brotogeris chiriri),
Pomba-asa-branca (Columba picazuro),
João-de-barro (Furnarius rufus),
Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus),
Canário (Sicalis flaveola),
Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)
Ictiofauna
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Piau, peixe típico dos rios do Cerrado
Sobretudo pelo fato de ser em áreas de Cerrado que nascem rios das mais importantes bacias hidrográficas brasileiras, como as bacias Amazônica, Tocantínea, Platina e São-Franciscana, a ictiofauna é extremamente rica e diversificada. Nos rios do Cerrado, há um número bastante relevante de espécies de mariscos,e uma grande variedade de peixes, desde aqueles que são comuns até em pequenos córregos, como piabas (Astyanax spp.); lambaris (Deuterodon spp., Moenkhausia spp), Cará (Aequidens spp, Mesonauta spp), bagres e mandis (Pimelodus spp.), Mussum (Synbranchus marmoratus), tuvira (Eigenmannia spp), até aqueles que são encontrados quase que apenas em rios e ribeirões, tais como caranha (Piaractus spp., Pygocentrus spp.); pacu (Colossoma spp.; Mylossoma spp.; Chaetobranchopsis spp.), piau (Leporinus spp.), traíra (Hoplias spp.), piranha (Catoprion spp.), curimbatá (Cyphocharax spp.), dourado (Salminus spp.), cascudo (Hypostomus spp.; Pterygoplichthys spp), peixe-cachorro (Roeboides spp.), além de cachorra (Hydrolycus scomberoides), peixe-cadela (Oligosarcus hepsetus), pirapitinga (Brycon microlepis), abotoado (Pterodoras granulosus), timburé (Schizodon borellii), taguara ou sardinha-de-água-doce (Triportheus angulatus), e espécies maiores, de couro, como cachara (Pseudoplatystoma fasciatum), jaú (Paulicea luetkeni), barbado (Pinirampus pinirampus), pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e surubi (Sorubimichthys planiceps). Há outras espécies menos significativas numericamente, inclusive a muito rara e quase extinta piracanjuba (Brycon orbignyanus).

HISTÓRICO E POVOAMENTO

Visão geral: A história ambiental do Cerrado brasileiro no século XVII se deu com a corrida para a região interiorana no Brasil. Contudo, a região remonta ao contexto do pleistoceno, com a corrida do ouro seu lugar da natureza aliado ao papel na vida humana, os valores, relações ambientais com um mundo natural para a sociedade como um todo no que diz respeito as concepções do território sendo a fronteira elemento fundamental.

O primeiro relato europeu detalhado sobre o Cerrado brasileiro foi fornecido pelo botânico dinamarquês Eugenius Warming (1892) no livro Lagoa Santa, no qual ele descreve as principais características da vegetação do Cerrado no estado de Minas Gerais. O botânico Johannes Eugenius Bülow Warming (1841-1924) professor de botânica na Universidade de Copenhague e na Universidade de Estocolmo, além de decano nas duas instituições e diretor do Jardim Botânico de Copenhague. Fez expedições científicas e palestras em eventos, em diversos países incluindo o Brasil. Warming esteve no Brasil, mais precisamente em Lagoa Santa, Minas Gerais, de 1863 a 1866.

Aproveitando o brotamento da vegetação herbácea que se segue a uma queimada no Cerrado, os habitantes indígenas dessas regiões aprenderam a usar o fogo como ferramenta para aumentar o alimento disponível para seus animais domésticos.

Xavantes, tapuias, carajás, avá-canoeiros, craós, xerentes e xacriabás foram alguns dos primeiros povos indígenas a ocupar diferentes regiões do Cerrado. Muitos grupos indígenas eram nômades e exploravam o Cerrado caçando e coletando. Outros praticavam a agricultura de coivara, um tipo itinerante de agricultura de corte e queima. A mistura de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas, geraizeiros (que viviam nas regiões mais secas), ribeirinhos e vazanteiros (que viviam nas planícies aluviais) moldou uma população local diversificada que depende fortemente dos recursos do seu meio ambiente.

Até meados da década de 1960, as atividades agrícolas no Cerrado eram muito limitadas, visto que os solos naturais do Cerrado não são suficientemente férteis para o cultivo de lavouras, sendo direcionadas principalmente para a produção extensiva de gado bovino para subsistência do mercado local. Após esse período, porém, o desenvolvimento urbano e industrial da Região Sudeste forçou a migração da agricultura para a Região Centro-Oeste. A transferência da capital do país para Brasília foi outro fator de atração populacional para a região central: de 1975 até o início da década de 1980, muitos programas governamentais de subsídios foram lançados para promover a agricultura, com o intuito de estimular o desenvolvimento do Cerrado. Como resultado, houve um aumento significativo na produção agrícola e pecuária.

Por outro lado, a pressão urbana e o rápido estabelecimento de atividades agrícolas na região têm reduzido rapidamente a biodiversidade dos ecossistemas, e a população na região do Cerrado mais que dobrou de 1970 a 2010, passando de 35,8 para 76 milhões.

Ocupação indígena do Cerrado: Os primeiros povoadores do Cerrado parecem ter provindo de um núcleo ocupacional estabelecido entre 12 e 11 mil anos antes do presente (AP), no entorno do vale do rio Guaporé, importante afluente do Mamoré. Desta forma, o povoamento do Cerrado (grosso modo, da região central do continente sul-americano) teria sido iniciado por volta de 11.000 anos AP com o estabelecimento da Tradição Itaparica, uma cultura que desenvolveu formas características de produzir ferramentas de pedra (silexito, arenito, quartzito e quartzo, dentre outras). Há 10 mil anos AP, as populações constituintes desta "tradição" já teriam colonizado uma área com cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, a qual se estendia pelos atuais Mato Grosso, Goiás, Tocantins, além de áreas da Caatinga, em Pernambuco e Piauí. Em torno de 9 mil anos AP, a Tradição Itaparica perde suas características básicas, sendo substituída pelo uso de instrumentos de pedra mais refinados e por uma "indústria de lascas".

Mudanças climáticas ocorridas entre o fim do Pleistoceno e o início do Holoceno, marcadas pelo recuo das geleiras, parecem ter pesado na decisão das populações do oeste da América do Sul em se deslocarem para leste e adentrar o Cerrado. Além disso, o modo de vida destes povos, baseado em caça e coleta, foi afetado pela extinção de animais de grande porte (megafauna), obrigando-os a emigrar em busca de regiões de fauna mais abundante. O Cerrado, mesmo que em sua maior parte contivesse apenas animais de médio e pequeno porte, oferecia uma grande variedade de frutos comestíveis, uma das mais ricas da América do Sul. Ainda que a fase de maturação estivesse relacionada à estação das chuvas (atualmente, de outubro a janeiro), permitia não obstante substituir uma espécie por outra, dependendo da época do ano. Ademais, o Cerrado oferecia um clima sem grandes variações e a possibilidade do uso de abrigos naturais.

No início do Holoceno, os atuais Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil já haviam sido povoados. No Cerrado, uma indústria lítica caracterizada por pontas de projéteis pedunculadas indica a presença de uma economia baseada na caça e na coleta, com uma dieta que incluía apenas representantes da fauna holocênica: cervos, veados, capivaras, macacos, tamanduás, tatus, tartarugas, lagartos, emas (e seus ovos) e outras aves, além de peixes pequenos. Os moluscos ainda estavam ausentes da alimentação cotidiana. Dentre os frutos, foram localizados caroços, provenientes principalmente de palmeiras. Havia lenha em abundância e abrigos naturais eram utilizados sempre que dispusessem de fontes de água nas proximidades (caso contrário, acampava-se ao ar livre). Infere-se que os grupos migrantes eram constituídos por um número reduzido de indivíduos, provavelmente famílias agrupadas de modo frouxo.

Em algum momento, ainda não claramente definido pela arqueologia, ocorreu a transição entre os caçadores/coletores e os horticultores/ceramistas. O que se sabe, a partir dos dados existentes, é que por volta do século 5 a.C., a cerâmica já era usada no Médio-Norte do Tocantins, e cerca de 500 anos depois, em Minas Gerais (Tradição Una). Os horticultores da Fase Jataí, cujas ocupações foram localizadas em Serranópolis e Caiapônia, Goiás, podem ter invadido a região por volta de 1.100 anos AP. Cultavam inúmeras plantas, dentre elas o milho. Outro grupo, que construiu grandes aldeias a céu aberto próximas a matas de galeria ou contínuas, é responsável por três grandes tradições tecnológicas e possivelmente culturais:

Tradição Aratu/Sapucaí, com centros populacionais no centro-leste do estado de Goiás e no centro-oeste de Minas Gerais, provavelmente remonta ao início da era atual. Não cultivavam mandioca, mas outros tubérculos e talvez milho;
Tradição Uru, que parece ser mais recente do que a Aratu/Sapucaí, e cuja economia era possivelmente baseada no cultivo da mandioca e da pesca;
Tradição Tupi-Guarani, encontrada em alguns sítios na Bacia do Paranaíba e do Araguaia. Sua expansão deve ter sido detida pela presença dos dois grupos anteriores, que já estavam há mais tempo na região. Provavelmente, também tinham uma economia baseada no cultivo da mandioca.
Embora contatos com os colonizadores europeus já viessem ocorrendo desde pelo menos o século XVII, quase sempre marcados pela violência (inicialmente contra os bandeirantes, que procuravam escravos, e depois contra os garimpeiros), a fixação do homem branco no Cerrado só veio a se concretizar em tempos relativamente recentes, o que deu aos habitantes autóctones condições de estender a sua sobrevivência e, para alguns grupos, até mesmo de chegar aos dias atuais. Não foi esse o caso dos caiapós do sul da região de Mossâmedes, em Goiás, supostos representantes da Tradição Aratu, cuja população foi drasticamente reduzida após serem aldeados em 1781, e que em 1813 contavam com apenas 129 sobreviventes. Pouco menos de um século depois, em 1910, seu número decaiu para 30 ou 40 indivíduos, dos quais nada se soube posteriormente.

No território da Tradição Uru, viviam índios como os goiás, acuém-xavante e acroá, que cultivavam a mandioca (diferentemente dos caiapós do sul). Ao menos a princípio, os goiás do rio Vermelho não ofereceram grande resistência à chegada dos brancos; quando estes continuaram a avançar para o interior, houve confronto e os goiás foram exterminados. Mais ao norte, os acuéns-xavantes foram aldeados em 1788 próximo a Crixás (GO), totalizando cerca de 5.000 indivíduos, o que demonstra não ter havido grande resistência; aqueles que dentro deles se opuseram à capitulação, deslocaram-se a princípio para a margem esquerda do Tocantins (1824), depois para o Araguaia (1859), de onde finalmente ocuparam os campos do rio das Mortes, quando passam a ser conhecidos como xavantes.

Ainda representando a Tradição Uru, os carajás originalmente habitavam o Baixo Rio Vermelho e o Araguaia, concentrando-se atualmente próximo de Aruanã (GO). A Bacia Araguaia-Tocantins registra ainda a presença de antigos acampamentos associados aos tupis (canoeiros), conhecidos atualmente como avás-canoeiros. Estes tupis, cuja presença na região foi registrada a partir de 1780, provavelmente são descendentes dos tupis da costa que fugiram das bandeiras e se miscigenaram com negros quilombolas. Os avás-canoeiros opuseram forte resistência aos colonizadores portugueses e chegaram mesmo a destruir arraiais como o de Amaro Leite (atual Mara Rosa, Goiás).

Grupos indígenas remanescentes: Povos indígenas que ainda se mantém na região do Cerrado, incluem:
  1. Apinayê: fazem parte do grupo dos timbira ocidentais e historicamente vivem na microrregião do Bico do Papagaio, entre os rios Araguaia e Tocantins. Sofreram com depopulação e desestruturação social, particularmente na segunda metade do século XX, quando suas terras foram cortadas pelas rodovias Belém-Brasília e Transamazônica (BR-230), e invadidas por centenas de migrantes. Apenas em meados da década de 1970 iniciou-se o processo de demarcação de suas terra, o que, embora não tenha satisfeito as reivindicações dos apinajés, resultou na Terra Indígena Apinayé, homologada em 1997. Em 2022, sua população era de 2.731 pessoas.
  2. Avá-Canoeiro: na segunda metade do século XVIII habitavam as matas de galeria nas cabeceiras do rio Tocantins, quando foram contatados pelos colonizadores. Expostos a toda sorte de violência e massacres constantes, acabaram por se dividir em dois grupos: o maior deles deslocou-se para o norte da Bacia Araguaia-Tocantins, até chegar à ilha do Bananal, em Tocantins. Ali foi criada a Terra Indígena Taego Ãwa, onde em 2022 havia 210 indígenas; um grupo reduzido sobreviveu no alto rio Tocantins, onde foi criada a Terra Indígena Avá-Canoeiro e onde vivem 11 indivíduos (dados de 2022), havendo a presença de indígenas isolados.
  3. Bakairi: originários da região de Paranatinga, MT, ocupam atualmente duas terras indígenas: a Bakairi (população de 794 indígenas em 2022) e Santana (população de 206 indígenas em 2014), nos municípios de Paranatinga e Nobres (MT).
  4. Bororó: povo do tronco linguístico macro-jê, cujo território originalmente se estendia da Bolívia ao centro-sul de Goiás, e das cabeceiras do rio Xingu ao rio Miranda. Especula-se que podem ter vivido nesta região por cerca de sete mil anos. Os primeiros contatos com os colonizadores datam do século XVII; no século XVIII, por conta da pressão dos garimpeiros, dividiram-se em bororo ocidentais (considerados extintos em meados do século XX) e bororo orientais, que se mantiveram afastados da civilização até meados do século XIX, quando a abertura de uma estrada no vale do rio São Lourenço os fez iniciar um conflito que durou mais de 50 anos. Ocupam atualmente seis terras indígenas (Jarudore, Merure, Sangradouro/Volta Grande, Tadarimana, Tereza Cristina, Perigara) no Mato Grosso, com uma população superior a 2.000 indígenas.
  5. Camba: os camba (ou kamba, do guarani boliviano: "os de fora") constituem um grupo sui generis no indigenismo brasileiro, pois na verdade são descendentes de indígenas bolivianos (chiquitanos, mojeños e outros) que migraram para o Brasil ao longo do século XX, em busca de trabalho nas fazendas do Mato Grosso do Sul (MS). Falam espanhol e chiquitano. Apenas em 2007 foram reconhecidos como povo indígena pela FUNAI, mas esse reconhecimento está sendo contestado juridicamente e ainda não implicou em demarcação de terras. Vivem na fronteira Bolívia–Brasil, nos municípios de Corumbá e Porto Murtinho, com uma população estimada em 300 pessoas.
  6. Canela Apaniekrá: grupo timbira remanescente dos timbiras orientais, que foram praticamente exterminados por volta de 1913. Atualmente, vivem em Barra do Corda, MA, na Terra Indígena Kanela. Em 2022, a população atual local era de 2.552 indígenas.
  7. Canela Rankokamekra: outro grupo remanescente dos timbiras orientais, residem na Terra Indígena Kanela Memortumré, entre os municípios de Barra do Corda e Fernando Falcão (MA). Em 2004, sua população era de 1.961 indígenas.
  8. Gavião Pykopjê: os pykopjê são um povo de língua timbira. Entraram em contato com os colonizadores em fins do século XVIII, quando estes começaram a invadir suas terras, localizadas no sul do Maranhão e norte do Tocantins, para fins de agricultura e pecuária. Houve resistência, que se estendeu até meados dos século XIX, quando foram "pacificados". Depois de quase um século de relativa tranquilidade, suas terras voltaram a ser ameaçadas por "paulistas" (fazendeiros do sul da Bahia, Minas Gerais e São Paulo). Foi somente depois de um ataque dos "paulistas" em 1976, que a FUNAI iniciou o processo de demarcação das terras dos pykopjê. Em 2022, sua população era de 1360 indígenas (incluindo povos guajajara e tabajaras), vivendo na Terra Indígena Governador, em Amarante do Maranhão.
  9. Guajá: também denominados awa ou awa-guajá, habitavam o leste do Pará de onde teriam se deslocado para o atual Maranhão, fugindo de guerras e da expansão do povoamento. Desde o início do século XX habitavam nas imediações do rio Pindaré, e procuraram manter distância da civilização. Contudo, na década de 1960, a construção da BR-222 impactou negativamente seu tradicional território, o que foi agravado pela inauguração da Estrada de Ferro Carajás em 1985. Nessa época, a FUNAI iniciou os trabalhos de demarcação das Terras Indígenas Caru e Alto Turiaçu, para onde eram levados os indígenas contatados. Foi necessário ainda criar uma terceira TI, a Awá, interligando as duas primeiras e cortada pela ferrovia. Há ainda guajás isolados na TI Araribóia. Em 2018, a população estimada era de 520 indígenas.
  10. Guajajara: ou tenetehára, constituem um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil e habitam onze terras indígenas, todas no estado do Maranhão. As TI Araribóia, Bacurizinho e Cana-Brava concentram 85% dos guajajaras. Em 2000, sua população era estimada em mais de 13.000 indígenas.
  11. Guarani: os guarani englobam um grande número de povos, conhecidos por vários nomes, embora entre si se denominem avá ("pessoa"). Na região do Cerrado, há aproximadamente onze povos guaranis, concentrados principalmente em Mato Grosso do Sul. No Tocantins, há um pequeno contingente do subgrupo Mbya, sobreviventes de perseguições em outros locais, convivendo com os Karajá do Norte na Terra Indígena Xambioá.[93] A população total (incluindo os karajá) nesta TI, era de 421 indígenas em 2022.
  12. Javaé: são um dos poucos povos indígenas da antiga Capitania de Goiás a sobreviver dentro do seu território. Constituiriam uma das três etnias que formam os karajá, juntamente com os xambioá (karajá do Norte) e os karajá propriamente ditos, embora os javaé contestem essa afirmação. Dos três grupos, os javaés sempre foram os mais arredios ao contato com os "civilizados", e até pelo menos o fim do século XIX, os karajá agiam como seus intermediários. Sua região originária era o vale do rio Araguaia e a ilha do Bananal. Em 2009, estavam distribuídos por 13 aldeias, todas localizadas na margem esquerda do rio Javaés, com exceção da Imotxi, que está localizada na Ilha do Bananal. Sua população era de cerca de 1.510 indígenas em 2020.
  13. Ka'apor: os ka'apor, falantes da língua homônima, habitavam a bacia do Guamá, Pará, e atacavam quem tentasse invadir o seu território. Sucessivas tentativas de contatos pacíficos, no início do século XX, foram rechaçadas. Finalmente, em 1928 estabeleceu-se a paz com a sociedade brasileira, embora conflitos com madeirereiros e fazendeiros que invadem suas terras persistam até a atualidade. A maior parte dos ka'apor vive na Terra Indígena Alto Turiaçu, Maranhão, a qual dividem com grupos awa guajá e tembé. A população em Alto Turiaçu era de 4.183 indígenas em 2022 (contabilizando os três povos residentes).
  14. Kadiwéu: últimos remanescentes dos guaicurus, uma tribo guerreira, participaram da Guerra do Paraguai ao lado dos brasileiros, e por isso desde 1900 tiveram suas terras reconhecidas no estado do Mato Grosso. Habitam na Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul, a qual dividem com outros povos indígenas, como os terenas. Em 2014, sua população era de 1.413 indígenas.
  15. Karajá: os primeiros contatos dos karajá com os colonizadores datam de meados do século XVII, no baixo Araguaia, e a partir daí, este povo foi obrigado a manter um contato próximo com os "civilizados", o que impactou negativamente a sua cultura. Em 2020, ocupavam 14 aldeias em Goiás (Aruanã), Mato Grosso, Tocantins e Pará, e tinham uma população de 4.373 indígenas.
  16. Karajá do Norte: também conhecidos como xambioá, habitavam o baixo Araguaia e durante todo o século XIX impuseram resistência à presença de militares do Exército Brasileiro na região. Exposição à doenças contras as quais não possuíam defesas naturais, contribuiu grandemente para a redução populacional deste grupo. Na década de 1960, os karajá do norte estavam reduzidos a cerca de 40 indivíduos. Na década seguinte, com a ampliação da assistência fornecida pela FUNAI, os karajá do norte experimentaram um gradual crescimento populacional e em 2014 já somavam 287 indígenas, distribuídos por cinco aldeias (Xambioá, Kurehê, Wary-Lyty, Hawa-Tymyra e Manoel Achurê) na margem direita do Araguaia.
  17. Krahô: os contatos iniciais com os "civilizados" datam do início do século XIX, quando viviam próximos ao rio das Balsas, afluente do rio Parnaíba, sul do Maranhão. Alternando entre confrontos e alianças pontuais com fazendeiros, terminaram sendo deslocados para o nordeste do Tocantins, onde hoje vivem na Terra Indígena Kraolândia, situada nos municípios de Goiatins e Itacajá. Em 2022, sua população era de 3.691 indígenas.
  18. Krikati: povo do grupo timbira, historicamente habitavam as cabeceiras do rio Tocantins, nos "Campos do Grajaú", e ofereceram forte resistência às tentativas de colonização dos cupen ("civilizados"). Apenas em 1854, por intermédio do padre Manuel Procópio, aceitaram um assentamento oferecido pelos brancos. A convivência pacífica, contudo, não durou muitos anos, e os krikati começaram a ser perseguidos como ladrões de gado, pelos colonos que arrendavam suas terras (e que, no século XX, passariam a se considerar proprietários das mesmas). Por volta de 1930, os krikati estavam reduzidos a poucas centenas de indivíduos, vivendo no sudoeste do Maranhão. O Serviço de Proteção ao Índio, no intuito de evitar a continuidade dos confrontos (e viabilizar a ocupação do território pelos colonos) realocou os sobreviventes próximos ao ribeirão São José, onde posteriormente surgiria a aldeia homônima na Terra Indígena Krikati, e onde hoje vivem a maior parte dos membros desta etnia. Em 2022, sua população era de 1.670 indígenas.
  19. Tapirapé: este povo, que se denomina Apyãwa, viveu no baixo curso dos rios Tocantins e Xingu até o século XVII, de onde se deslocaram para o médio Araguaia em meados do século XVIII, quando sua presença passa a ser registrada ao norte do rio Tapirapé. Historicamente, tem mantido relações de confronto/aproximação com os karajá. Por volta do século XIX, seu território estava situado na margem esquerda do Araguaia, no estado do Pará, próximo à divisa com o Mato Grosso. Pressionados por ataques dos kayapó, abandonam suas terras e se concentram nas serras e matas do médio curso do Tapirapé, no Mato Grosso. Durante o século XX, doenças trazidas pelos brancos, alcoolismo e ataques dos kayapó reduziram os tapirapé a dois grupos de poucas dezenas de indivíduos que só se reencontraram após décadas. Em 1983, a Terra Indígena Tapirapé/Karajá (Mato Grosso) foi formalmente demarcada, embora a homologação tenha tardado mais de uma década; em 2022, viviam ali 550 indígenas, entre tapirapé e carajá.[108] Na Terra Indígena Urubu Branco (Mato Grosso), homologada em 1998, sua população era de 941 indígenas em 2022.
  20. Tembé: os tembé, falantes do teneteara como os guajajara, habitavam o sul do Maranhão, de onde migraram para a região do rio Guamá no Pará, em fins do século XIX. Atualmente, vivem em três terras indígenas: Alto Turiaçu (Maranhão), Alto Rio Guamá e Turé-Mariquita (Pará). Há uma quarta terra indígenas, a Tembé, na bacia do rio Acará, mas cuja população foi identificada como turiwara. Em 2020, a população tembé era de 2.096 indígenas.
  21. Terena: os terena são uma das maiores populações indígenas do Mato Grosso do Sul (no estado, eram cerca de 26.065 em 2014), e sua presença habitual em grandes centros como Campo Grande os estereotiparam como "aculturados" e "índios urbanos". O fato de conseguirem conviver com a civilização contudo, só demonstra a sua resistência como povo às seguidas tentativas de sua destruição física e cultural. Originários da região do Chaco, desde 1760 por pressão dos espanhóis começaram um processo de migração para a margem oriental do rio Paraguai que se estenderia até as primeiras décadas do século XIX. Aliados dos brasileiros, sofreram com a invasão paraguaia durante a guerra (1864-1870). Após o conflito, não tiveram seus direitos reconhecidos pelo governo brasileiro e suas terras foram invadidas por posseiros. Os terena passaram boa parte do século XX sendo explorados por fazendeiros, que os empregavam em regime de semi-escravidão, funcionários do SPI e depois deste, pela FUNAI. Os conflitos continuaram pelo século XXI, sem solução permanente à vista.
  22. Xavante: autodenominados A'uwe, seus antepassados habitavam em Goiás no século XVIII e no fim deste século ou no início do século XIX, cruzaram o rio Araguaia rumo ao oeste, separando-se dos xerente. Estabeleceram-se na Serra do Roncador, atual Mato Grosso, onde viveram praticamente isolados até os anos 1930, período em que a "Marcha para o Oeste" de Getúlio Vargas os recolocou em contato com a sociedade brasileira. Após a sua "pacificação", as terras que ocupavam foram abertas à colonização, e quando os xavante opuseram resistência aos invasores, viram-se vítimas de violência. Todavia, o prolongado contato com os brancos não trouxe somente miséria e doenças para este povo, mas os habilitou para estender sua luta ao campo político, onde obtiveram vitórias a partir de 1981, como a demarcação de seis terras xavante: Areões, Pimentel Barbosa, São Marcos, Sangradouro, Marechal Rondon e Parabubure. A luta porém, continua, pois muitas destas terras indígenas continuam ocupadas por grande número de invasores. Em 2020, sua população era estimada em 22.256 indígenas.
  23. Xerente: autodenominados Akwe, os xerente habitavam as terras da Capitania de Goiás e seus primeiros contatos com os colonizadores datam do século XVII. Guerreiros, resistiram às tentativas de aldeamento e migraram para o norte, estabelecendo-se às margens do rio Tocantins. O século XX foi marcado por conflitos com fazendeiros e pela demarcação de suas terras pela FUNAI, o que só veio a ocorrer em 1972 com a "Área Grande", e duas décadas depois com o "Funil". Em 2022, a população na Terra Indígena Xerente, era de 3.336 indígenas (aí inclusos os Mbya, com quem dividem a área), e de 533 xerente na Terra Indígena do Funil, ambas em Tocantínia, Tocantins.
HIDROGRAFIA

O bioma Cerrado é estratégico para os recursos hídricos do Brasil e da América do Sul. O bioma contém as nascentes e oito das principais regiões hidrográficas brasileiras:
  • Amazônica: rios Xingu, Madeira e Trombetas;
  • Tocantins-Araguaia: rios Araguaia e Tocantins;
  • Atlântico Nordeste Oriental: rio Itapecuru;
  • Parnaíba: rios Parnaíba, Poti e Longá;
  • São Francisco: rios São Francisco, Pará, Paraopeba, das Velhas, Jequitaí, Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande;
  • Atlântico Leste: rios Pardo e Jequitinhonha;
  • Paraná: rios Paranaíba, Grande, Sucuriú, Verde e Pardo;
  • Paraguai: rios Cuiabá, São Lourenço, Taquari e Aquidauana.
O bioma contém 78% da área da bacia do Araguaia-Tocantins, 48% do Paraná e 47% da área do São Francisco. Além disso, fornece a maior parte da água que abastece estas bacias: 94% do São Francisco (o que impacta diretamente no semiárido brasileiro), 71% do Araguaia/Tocantins e o mesmo percentual para o Paraná/Paraguai. Durante as últimas quatro décadas, as bacias hidrográficas do Cerrado foram fortemente impactadas pelo desmatamento extremo, pela expansão da fronteira agrícola e pecuária, pela construção de barragens e pela extração de água para irrigação.

ATIVIDADE COMERCIAL

Agricultura: O solo do Cerrado historicamente representou um desafio para a agricultura até que pesquisadores da Embrapa, a agência brasileira de pesquisa agropecuária, descobriram que ele poderia ser adaptado para o cultivo industrial com a adição adequada de fósforo e calcário. No final da década de 1990, entre 14 e 16 milhões de toneladas de calcário eram aplicadas anualmente nos campos brasileiros. Essa quantidade subiu para 25 milhões de toneladas em 2003 e 2004, o que equivale a cerca de cinco toneladas de calcário por hectare. Esse manejo do solo permitiu que a agricultura industrial crescesse exponencialmente na região. Os pesquisadores também desenvolveram variedades tropicais de soja, até então uma cultura de clima temperado, e atualmente o Brasil é o principal exportador mundial de soja devido ao aumento na produção de ração animal causado pela crescente demanda global por carne.

Atualmente, a região do Cerrado responde por mais de 70% da produção de carne bovina do país, sendo também um importante polo produtor de grãos, principalmente soja, feijão, milho e arroz. Grandes extensões do Cerrado também são utilizadas para a produção de celulose para a indústria papeleira, com o cultivo de diversas espécies de eucalipto e pinheiros, porém como atividade secundária. O café produzido no Cerrado é hoje um importante produto de exportação.

Nos últimos 25 anos, esse bioma tem sido cada vez mais ameaçado pela monocultura industrial, particularmente da soja, pela expansão desregulamentada da agricultura industrial, pela queima de vegetação para produção de carvão e pela construção de barragens para irrigação, fatores que vêm gerando críticas e sendo identificados como ameaças potenciais a diversos rios brasileiros. Com a remoção das florestas nativas, as secas tornam-se mais persistentes na região, reduzindo a produtividade da agricultura local devido à diminuição da evapotranspiração, o que afeta os ciclos hídricos regionais.

Essa agricultura industrial do Cerrado, com o desmatamento para plantações de eucalipto e soja, cresceu tanto devido a diversas formas de subsídio, incluindo incentivos fiscais muito generosos e empréstimos com juros baixos. Isso resultou no estabelecimento de um sistema agrícola altamente mecanizado e com uso intensivo de capital. Existe também um forte lobby do agronegócio no Brasil e, em particular, a produção de soja no Cerrado é influenciada por grandes corporações como ADM, Cargill e Bunge, sendo estas duas últimas diretamente associadas ao desmatamento em massa desse bioma. Na fronteira agrícola do Cerrado/MATOPIBA, a Conservation International Brazil atuou como parceira implementadora do projeto PNUD-GEF Taking Deforestation Out of the Soy Supply Chain ("Retirando o Desmatamento da Cadeia de Suprimentos da Soja"), que visa reduzir as pressões de desmatamento associadas à expansão da soja e promover uma produção mais sustentável em escala de paisagem.

Produção de carvão vegetal: A produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica brasileira é uma importante atividade geradora de renda no Cerrado. Ela está intimamente ligada à agricultura. Quando terras são desmatadas para uso agrícola, os troncos e raízes das árvores são frequentemente utilizados na produção de carvão vegetal, financiando o desmatamento. Tradicionalmente, a indústria siderúrgica brasileira utiliza troncos e raízes do Cerrado para a produção de carvão vegetal, mas, com as siderúrgicas do estado de Minas Gerais entre as maiores do mundo, o impacto sobre o Cerrado aumentou consideravelmente. Devido aos esforços de conservação e à diminuição da vegetação, o carvão vegetal tem sido cada vez mais extraído de plantações de eucalipto.

CONSERVAÇÃO

TENDÊNCIAS E DESAFIOS ECOLÓGICOS

FONTES: ALVARENGA, L. J. (2013). A conservação do bioma Cerrado: o Direito ante a fragmentação de ciências e ecossistemas. São Paulo: Annablume. ISBN 978-85-391-0510-6.
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Post № 901

sábado, 11 de julho de 2026

VUOBMA (PERSONAGEM LITERÁRIA)

Uma capa alemã do livro "Icebreaker" com arte de Michael Gillette.
  • NOME COMPLETO: Paula Vacker
  • NASCIMENTO: Suécia
  • PSEUDÔNIMOS: Vuobma
  • CABELO: Loira
  • OLHOS: Cinza Salpicado
  • OCUPAÇÃO: Agente de inteligência SUPO, Bond Girl
  • FAMÍLIA: DESCONHECIDA
  • AFILIAÇÃO: SUPO, 007
  • STATUS: Finlandesa, Ativa
  • CRIADOR(ES): John Gardner
  • PRIMEIRA APARIÇÃO: Icebreaker (1983)
Paula Vacker, cujo codinome é Vuobma, é uma agente da SUPO — a agência de inteligência finlandesa — no romance de James Bond de 1983 intitulado Icebreaker, sendo o principal interesse amoroso de Bond na obra.

HISTÓRIA DE FUNDO

Antes dos eventos do romance, James Bond conhecia Paula Vacker há cinco anos, tendo-a conhecido em Londres durante a primavera. Após concluir seu treinamento no Círculo Polar Ártico, Bond recebeu ordens para retornar ao MI6, mas, em vez disso, decide visitar Vacker em Helsinque, na Finlândia. Ao chegar ao apartamento dela, Bond é confrontado por dois homens russos armados com facas e, após a luta, é gravemente ferido no ombro. Quando Bond pergunta a Vacker se ela conversou com alguém antes de sua chegada, Vacker responde que discutiu assuntos de trabalho durante um jantar com uma colega chamada Anni Tudeer. Pouco depois, Bond e Vacker desfrutaram de um jantar com salmão antes de ele retornar a Londres.

Quando M é informado dos acontecimentos, Bond também o informa sobre o parceiro de Vacker, e uma investigação revela que Vacker é de origem sueca, mas possui cidadania finlandesa. Mesmo assim, M repreende Bond por não retornar diretamente a Londres e o informa sobre uma operação conjunta contra o Exército de Ação Nacional Socialista, codinome Operação Quebra-Gelo.

CARACTERIZAÇÃO

Aparência: Paula é descrita como esbelta e bronzeada, com cabelo loiro e grosso e grandes olhos com manchas cinzentas.

Personalidade: Paula é muito perspicaz e sabe esconder suas verdadeiras intenções. Ela é excelente em manter sua cobertura e analisar situações antes de agir. Raramente revela seus pensamentos ou emoções por completo, o que faz com que até James Bond desconfie dela durante boa parte da história.

Enfrenta situações de extremo perigo sem hesitar e demonstra grande sangue-frio em operações de espionagem. Embora pareça mudar de lado diversas vezes, sua verdadeira lealdade é ao serviço secreto finlandês (SUPO), para o qual atua infiltrada. Ela toma decisões próprias e frequentemente conduz os acontecimentos por iniciativa própria.

Mantém o controle mesmo sob pressão e não demonstra medo diante de adversários perigosos.

CURIOSIDADE

O sobrenome de Paula, "Vacker", traduz-se do sueco como "Bonita", tornando seu nome "Paula Bonita". Por razões históricas, existem muitos sobrenomes de origem sueca na Finlândia.

Post № 900 ✓

quinta-feira, 9 de julho de 2026

007 - OPERAÇÃO SKYFALL (FILME BRITÂNICO-ESTADUNIDENSE DE 2012)

Este é um Pôster britânico de Skyfall. Acredita-se que os direitos autorais da arte do pôster pertençam ao distribuidor do filme, à editora do filme ou ao artista gráfico.
  • GÊNERO:
  • ORÇAMENTO: U$150-200.000.000
  • BILHETERIA: U$1.108.594.137
  • DURAÇÃO:
  • DIREÇÃO: Sam Mendes
  • ROTEIRO: Neal Purvis, Robert Wade e John Logan
  • CINEMATOGRAFIA: Roger Deakins
  • EDIÇÃO: Stuart Baird e Kate Baird
  • DIREÇÃO DE ARTE: Dennis Gassner
  • FIGURINO: Jany Temime
  • MÚSICA: Thomas Newman
  • ELENCO:
    • Daniel Craig — James Bond
    • Judi Dench — M
    • Javier Bardem — Raoul Silva
    • Ralph Fiennes — Gareth Mallory
    • Naomie Harris — Moneypenny
    • Bérénice Marlohe — Sévérine
    • Albert Finney — Kincade
    • Ben Whishaw — Q
    • Rory Kinnear — Bill Tanner
    • Ola Rapace — Patrice
    • Helen McCrory — Clair Dowar
  • PRODUÇÃO: Michael G. Wilson, Barbara Broccoli, Eon Productions Limited, Metro-Goldwyn-Mayer Studios Inc., Columbia Pictures Industries, Inc. e a B23
  • DISTRIBUIÇÃO: Sony Pictures Releasing Corporation
  • DATA DE LANÇAMENTO: 26 de outubro de 2012 (Reino Unido Brasil e Portugal), 9 de novembro de 2012 (EUA)
  • PREQUÊNCIA: 007 - Quantum of Solace (2008)
  • SEQUÊNCIA: 007 contra Spectre (2015)
  • ONDE ASSISTIR:
Skyfall é um filme de espionagem de 2012 e o vigésimo terceiro da série James Bond, produzido pela Eon Productions. O filme é o terceiro a ter Daniel Craig como o agentefictício do MI6, James Bond, e conta com Javier Bardem como o vilão. O filme foi dirigido por Sam Mendes e escrito por Neal Purvis, Robert Wade e John Logan. O filme marca o retorno de dois personagens recorrentes, Miss Moneypenny e Q, após dois filmes de ausência. Ralph Fiennes, Bérénice Marlohe e Albert Finney estão entre os atores coadjuvantes.

SINOPSE

Após uma missão mal sucedida de James Bond, a identidade de agentes secretos é revelada e o M16, atacado. Ajudado por um agente de campo, Bond deverá seguir a trilha de Silva, um homem que habita o passado de M e que tem contas a acertar.

LIBERAÇÃO E RECEPÇÃO

A estreia de Skyfall ocorreu em 23 de outubro de 2012 no Royal Albert Hall, em Londres. O evento contou com a presença de Charles, Príncipe de Gales, e sua esposa Camilla, Duquesa da Cornualha. Charles pediu que o dinheiro arrecadado na estreia fosse doado a instituições de caridade que atendessem ex-membros ou membros em serviço das agências de inteligência britânicas. O filme foi lançado no Reino Unido três dias depois, em 26 de outubro, e nos cinemas dos EUA em 8 de novembro. Skyfall foi o primeiro filme de Bond a ser exibido em salas IMAX  e foi lançado em cinemas IMAX na América do Norte um dia antes do lançamento nos cinemas convencionais.

Skyfall atraiu algumas críticas do Centro de Recursos de Violência Sexual dos EUA que, sem ter assistido ao filme, expressou preocupação com o fato de Bond "abusar de seu poder e autoridade" em uma cena que sugere que Bond inicia relações sexuais com Sévérine, uma ex-vítima de tráfico sexual.

Bilheteria: Skyfall arrecadou US$ 1,109 bilhão em todo o mundo e, na época de seu lançamento, foi o filme de maior bilheteria mundial da Sony Pictures e o segundo filme de maior bilheteria de 2012. Em seu fim de semana de estreia, arrecadou US$ 80,6 milhões em 25 mercados. No Reino Unido, o filme arrecadou £ 20,1 milhões em seu fim de semana de estreia, tornando-se a segunda maior estreia de sexta a domingo de todos os tempos, atrás de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. Também alcançou a segunda maior estreia em IMAX de todos os tempos, atrás de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O filme estabeleceu um recorde de maior bilheteria em sete dias, com £ 37,2 milhões, superando o recordista anterior, Relíquias da Morte – Parte 2 (£ 35,7 milhões). Em 9 de novembro de 2012, o filme tinha arrecadado mais de 57 milhões de libras, ultrapassando The Dark Knight Rises como o filme de maior bilheteria de 2012 e o filme de James Bond de maior bilheteria de todos os tempos no Reino Unido.

Após 40 dias de lançamento, a bilheteria total no Reino Unido atingiu £94,28 milhões, tornando Skyfall o filme de maior bilheteria no Reino Unido, superando os £94,03 milhões de Avatar. Em 30 de dezembro de 2012, tornou-se o primeiro filme a arrecadar mais de £100 milhões (US$ 161,6 milhões) no Reino Unido. Nesse mesmo dia, o filme também ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em todo o mundo, tornando-se apenas o décimo quarto filme e o primeiro filme de Bond a fazê-lo. Foi também o sétimo filme de maior bilheteria de todos os tempos na época, ultrapassando o valor ajustado pela inflação de US$ 1,047 bilhão arrecadado por Thunderball.

Skyfall estabeleceu um recorde de fim de semana de estreia na Suíça (US$ 5,3 milhões) e registrou a segunda maior bilheteria de estreia do ano para um filme de Hollywood na Índia (US$ 5,1 milhões), além de arrecadar US$ 14,3 milhões em seu fim de semana de estreia na França. Na Áustria, alcançou a segunda maior bilheteria de estreia de todos os tempos (US$ 3,4 milhões), atrás de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, enquanto na Finlândia, obteve a maior bilheteria de estreia, excluindo as pré-estreias (US$ 1,47 milhão).

Na América do Norte, o filme estreou em 3.505 cinemas, a maior estreia para um filme de Bond. O filme arrecadou US$ 2,4 milhões em sessões da meia-noite no dia da estreia e mais US$ 2,2 milhões em cinemas IMAX e de grande formato. Skyfall arrecadou US$ 30,8 milhões no dia da estreia nos EUA e Canadá, e US$ 88,4 milhões no fim de semana de estreia, a maior estreia até então para um filme de Bond. Ao final de sua exibição nos cinemas, o filme arrecadou US$ 304,4 milhões nos Estados Unidos e Canadá, tornando-se o quarto filme de maior bilheteria de 2012 nessas regiões.

Resposta crítica:
  • Cinemascore: A
Skyfall recebeu "críticas geralmente positivas de críticos e fãs", de acordo com o GlobalPost.

Vários críticos, incluindo Kate Muir, em sua crítica para o The Times, Philip French, escrevendo no The Observer, Daniel Krupa, da IGN, e os críticos do Irish Independent e do Daily Record, questionaram se Skyfall era o melhor filme de Bond. O crítico de cinema do The Daily Telegraph, Robbie Collin, considerou Skyfall "frequentemente deslumbrante, sempre audacioso", com excelentes sequências de ação em um filme que continha humor e emoção. Todd McCarthy, do The Hollywood Reporter, achou que Skyfall era "dramaticamente envolvente, ao mesmo tempo que ostentava uma corrente subterrânea de humor irônico", acrescentando que era um filme que tinha "algum peso e complexidade". Peter DeBruge, da Variety, sugeriu que o maior trunfo do filme residia na sua vontade de dar tanta ênfase à caracterização como às cenas de ação, permitindo que as duas coexistissem em vez de competirem pela atenção do público, enquanto Manohla Dargis, na crítica para o The New York Times, considerou Skyfall como "uma continuação superior a Casino Royale" que é "opulento em vez de extravagante e insistentemente, progressivamente discreto".

Kim Newman, em sua crítica para a revista Empire, concluiu: "Skyfall é praticamente tudo o que se pode desejar de um Bond do século XXI: descolado, mas não caricato; respeitoso com a tradição, mas atualizado; sério em suas emoções e relativamente complexo em seus personagens, mas com o senso de diversão que nem sempre foi evidente ultimamente". Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, deu ao filme 4 de 4 estrelas, descrevendo-o como "uma celebração vibrante, alegre e inteligente de um ícone cultural amado". Em sua crítica para o New Statesman , Ryan Gilbey observou que "a nostalgia permeia o filme", acrescentando que "às vezes, os métodos antigos são os melhores".

Diversos críticos elogiaram a atuação de Daniel Craig como protagonista. Roger Ebert acreditava que em Skyfall, "Daniel Craig [assume] a plena posse de um papel que já havia desempenhado bem em 'Casino Royale', mas não tão bem em 'Quantum'"; Philip French comentou que "Craig consegue sair da sombra de [Sean] Connery"; enquanto Daniel Krupa considerou que o Bond de Craig foi uma "atuação definitiva" para "um grande ator". Edward Porter, escrevendo no The Sunday Times, considerou que "Craig desenvolveu uma persona de Bond autoritária, seca e inteligente". Ryan Gilbey achou que Craig havia "se adaptado ao papel de Bond sem perder a firmeza".

O elenco de apoio também recebeu elogios. Roger Ebert refletiu que Skyfall "finalmente oferece um papel digno de Judi Dench, uma das melhores atrizes de sua geração. Ela é quase a co-estrela do filme, com muito tempo em tela, diálogos comoventes e uma personagem muito mais complexa e simpática do que esperamos nesta série". Jenny McCartney, escrevendo no The Sunday Telegraph , concordou, descrevendo Dench como "compelindo-se a brilhar" no filme, e aquela que "a câmera acaricia de forma mais significativa e frequente". McCartney achou que Javier Bardem interpretou Silva "com um ímpeto preocupante", enquanto Henry K Miller considerou seu personagem "o vilão Bond mais autenticamente Bondiano em décadas". Vários críticos destacaram a força do elenco de apoio; Kim Newman considerou o "calor e a gravidade" da atuação de Finney notáveis, enquanto outros críticos, incluindo Edward Porter, Daniel Krupa e Oliver Lyttelton do The Playlist, destacaram Ralph Fiennes como Mallory e Ben Whishaw como Q.

Ann Hornaday, escrevendo para o The Washington Post, achou que Sam Mendes revitalizou a série, com Skyfall sendo "elegante, nítido, sofisticado... exibindo a proporção certa de respeito pelo legado e abraço da novidade". Henry K. Miller, da Sight & Sound, concordou e elogiou Mendes, que ele considerava digno de dirigir mais filmes de Bond. Kim Newman também elogiou a direção de Mendes nas sequências de ação. O trabalho do diretor de fotografia Roger Deakins também recebeu elogios: Newman comentou que ele "oferece os visuais mais impressionantes que esta série teve desde a década de 1960", e Miller descreveu o filme como "fotografado de forma deslumbrante".

O filme não escapou às críticas, com resenhas apontando para sua duração de duas horas e meia e para o terço final do filme sendo "prolongado", e não conseguindo manter o ritmo dos dois primeiros terços como as principais falhas do filme. Xan Brooks, do The Guardian , em uma crítica geralmente positiva, criticou a "indulgência sentimental" da "decisão ousada de abrir Bond – de investigar o passado do personagem e brindar ao seu relacionamento com M". Daniel Krupa também destacou Naomie Harris como "desajeitada" e com "química praticamente inexistente" com Craig. Da mesma forma, Philip French, do The Observer, moderou seus elogios ao filme, destacando "algumas repetições preguiçosas" e argumentando que "as conversas são frequentemente superficiais e Bond, como de costume, é capturado com muita facilidade e escapa com muita facilidade". Edward Porter, escrevendo no The Sunday Times, considerou que, embora alguns aspectos do filme tenham sido "realizados com engenho e elegância", achou que o clímax do filme foi ligeiramente dececionante, embora "as fragilidades nas fases finais não sejam graves, e o breve epílogo do filme seja maravilhoso".

Em 2025, o The Hollywood Reporter listou Skyfall como tendo as melhores acrobacias de 2012.

Mídia doméstica:

Skyfall foi lançado em DVD, Blu-ray e HD digital nos EUA e Canadá em 12 de fevereiro de 2013, e no Reino Unido em 18 de fevereiro de 2013 pela 20th Century Fox Home Entertainment e MGM Home Entertainment. Posteriormente, foi lançado em Ultra HD Blu-ray em 22 de outubro de 2019 junto com os outros três filmes de Bond com Daniel Craig em um box set, e individualmente em 25 de fevereiro de 2020.

Prêmios:

Na 85ª edição dos Oscars, Skyfall recebeu indicações para Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Mixagem de Som; e ganhou Melhor Canção Original (o primeiro tema de Bond a ser homenageado dessa forma) e Melhor Edição de Som. As outras indicações do filme incluem oito prêmios BAFTA (ganhando dois), sete Critics' Choice Movie Awards (ganhando três), e um Globo de Ouro (que ganhou).

DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento de Bond 23 começou em 2009, mas foi suspenso ao longo de 2010 devido aos problemas financeiros da MGM. A pré-produção foi retomada após a saída da MGM da falência em 21 de dezembro de 2010 e, em janeiro de 2011, o filme recebeu oficialmente uma data de lançamento de 9 de novembro de 2012 pela MGM e pela família Broccoli, com a produção programada para começar no final de 2011. Posteriormente, a MGM e a Sony Pictures anunciaram que a data de lançamento no Reino Unido seria antecipada para 26 de outubro de 2012, duas semanas antes da data de lançamento nos EUA, que permaneceu programada para 9 de novembro de 2012. Estima-se que o orçamento do filme tenha ficado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, em comparação com os US$ 200 milhões gastos em Quantum of Solace. Skyfall fez parte das comemorações de um ano inteiro do 50º aniversário do primeiro filme de Bond, Dr. No.

Pré-produção: Após o lançamento de Quantum of Solace em 2008, a produtora Barbara Broccoli comentou que Skyfall, ainda sem título na época, poderia continuar a trama da organização Quantum, introduzida em Casino Royale e continuada em Quantum of Solace.

Em agosto de 2011, o jornal sérvio Blic afirmou que o Bond 23 se chamaria Carte Blanche e seria uma adaptação do recente romance de continuação de Jeffery Deaver. Em 30 de agosto, a Eon Productions negou oficialmente qualquer ligação entre o Bond 23 e Carte Blanche, afirmando que "o novo filme não se chamará Carte Blanche e não terá nada a ver com o livro de Jeffery Deaver". Em 3 de outubro de 2011, quinze nomes de domínio, incluindo jamesbond-skyfall.com e skyfallthefilm.com, foram registrados em nome da MGM e da Sony Pictures pelo serviço de proteção de marcas na Internet MarkMonitor. Skyfall foi confirmado como o título em uma coletiva de imprensa em 3 de novembro de 2011, durante a qual a co-produtora Barbara Broccoli disse que o título "tem um contexto emocional que será revelado no filme". O título se refere ao nome da casa de infância de Bond, "Skyfall", e ao cenário do final do filme.

Elenco: O elenco principal foi anunciado em uma coletiva de imprensa realizada no Hotel Corinthia em Londres em 3 de novembro de 2011, cinquenta anos depois de Sean Connery ter sido anunciado como James Bond no filme Dr. No. Daniel Craig retornou como James Bond pela terceira vez, dizendo que se sentia sortudo por ter a oportunidade. Mendes descreveu Bond como experimentando uma "combinação de lassidão, tédio, depressão [e] dificuldade com o que escolheu fazer para viver". Judi Dench retornou como M pela sétima e última vez.

Javier Bardem foi escalado como o principal vilão, Raoul Silva, um ciberterrorista em busca de vingança contra aqueles que ele considera responsáveis por tê-lo traído. Bardem descreveu Silva como "mais do que um vilão", enquanto Craig afirmou que Bond tem uma "relação muito importante" com Silva. Mendes admitiu que fez lobby pesado para que Bardem aceitasse o papel e viu o potencial para que o personagem fosse reconhecido como um dos mais memoráveis da série. Ele queria criar "algo que [o público] pudesse considerar ausente dos filmes de Bond há muito tempo" e sentiu que Bardem era um dos poucos atores capazes de se tornar "incolor" e existir como algo mais do que apenas uma função da trama. Ao se preparar para o papel, Bardem mandou traduzir o roteiro para seu espanhol nativo, o que Mendes citou como um sinal de seu comprometimento. Bardem pintou o cabelo de loiro para o papel, depois de discutir ideias para um visual distinto com Mendes, o que levou alguns comentadores a sugerir uma semelhança com Julian Assange. Bérénice Marlohe foi escalada como Séverine, salva do tráfico sexual em Macau por Silva e agora trabalhando como sua representante. Marlohe descreveu sua personagem como "glamourosa e enigmática", e que se inspirou na vilã de GoldenEye, Xenia Onatopp (interpretada por Famke Janssen).

Ralph Fiennes foi escalado como Gareth Mallory, [ 37 ] um ex-tenente-coronel do Exército Britânico e agora Presidente do Comitê de Inteligência e Segurança, que regulamenta o MI6. No final do filme, Mallory se torna o chefe do MI6, assumindo o título de 'M'. Durante a produção, Fiennes afirmou que não podia dizer nada específico sobre o papel, além de que era um "papel realmente interessante e muito divertido". [ 40 ] Fiennes já havia sido considerado para interpretar Bond durante a seleção de elenco de GoldenEye . [ 41 ] [ 42 ] Naomie Harris foi escalada como a personagem recorrente de Miss Moneypenny. [ 33 ] O papel de Harris foi inicialmente apresentado como o de Eve, uma agente de campo do MI6 que trabalha em estreita colaboração com Bond. Apesar da especulação da mídia de que Harris havia sido escalada como Miss Moneypenny, [ 43 ] [ 44 ] isso não foi confirmado por ninguém envolvido na produção, com a própria Harris rejeitando as alegações de que Eve era, na verdade, Moneypenny. [ 45 ] De acordo com Harris, Eve " [ acredita] ser igual a Bond, mas na verdade é sua subordinada". [ 46 ] Outro personagem que retornou foi Q, interpretado por Ben Whishaw . [ 47 ] Mendes inicialmente se recusou a confirmar qual papel Whishaw interpretaria, [ 20 ] e mais tarde disse que a ideia da reintrodução foi dele, dizendo: "Eu ofereci ideias sobre Moneypenny, Q e um vilão extravagante e eles disseram sim". Para interpretar o papel de Kincade, Mendes escalou Albert Finney . [ 48 ] Os produtores consideraram brevemente abordar Sean Connery para interpretar o papel numa homenagem ao 50.º aniversário da série, mas decidiram não o fazer, pois acharam que a presença de Connery seria vista como uma jogada publicitária e poderia afastar o público. Skyfall também marcou o último papel de Finney no cinema antes de sua morte em 2019.

Equipe: Mendes aceitou dirigir o projeto logo após o lançamento de Quantum of Solace e permaneceu como consultor durante o período de incerteza em torno da situação financeira da MGM. Foi ideia de Craig que Mendes fosse o próximo diretor de Bond, já que Mendes havia trabalhado com Craig em Estrada para Perdição . Em 2009, Mendes assistiu à atuação de Craig na Broadway em A Steady Rain . [ 50 ] Mais tarde, na festa de Natal de Hugh Jackman , [ 51 ] Craig ficou bêbado, encontrou Mendes e ofereceu-lhe o trabalho. [ 50 ] Na manhã seguinte, Craig teve que explicar a Broccoli: "Acho que ofereci a Sam Mendes o próximo filme". [ 51 ] Mendes hesitou a princípio, pois o trabalho não o atraía muito, mas não rejeitou a oferta imediatamente devido ao envolvimento e entusiasmo de Craig; Mendes descreveu a escalação e a atuação de Craig em Casino Royale como exatamente o que ele sentia que a franquia Bond precisava. Ele concordou em dirigir depois de se encontrar com os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli e ver a direção inicial que o filme tomaria. [ 50 ] Especulou-se na mídia que Mendes havia encomendado reescritas do roteiro para "[remover] cenas de ação em favor de 'atuações marcantes'", na esperança de garantir um Oscar . [ 52 ] Mendes negou isso, dizendo que as cenas de ação eram uma parte importante do filme. [ 19 ]

Roger Deakins foi contratado como diretor de fotografia, tendo trabalhado anteriormente com Mendes em Jarhead e Revolutionary Road . [ 53 ] Dennis Gassner retornou como diretor de arte, a figurinista foi Jany Temime , Alexander Witt foi o diretor da segunda unidade , o coordenador de dublês foi Gary Powell e Chris Corbould supervisionou os efeitos especiais, enquanto o supervisor de efeitos visuais foi Steve Begg. Todos haviam trabalhado em filmes anteriores de Bond . [ 54 ] Daniel Kleinman retornou para desenhar a sequência de abertura depois de se afastar para permitir que o estúdio de design gráfico MK12 criasse a sequência de Quantum of Solace . [ 55 ]

Escrita
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Peter Morgan foi originalmente contratado para escrever um roteiro, mas deixou o projeto quando a MGM declarou falência e a produção do filme foi interrompida. Apesar de sua saída, Morgan afirmou posteriormente que o roteiro final era baseado em sua ideia original, mantendo o que ele descreveu como seu "grande gancho". [ 56 ] Mendes negou isso, dizendo que "simplesmente não é verdade", insistindo que a abordagem de Morgan havia sido descartada assim que ele concordou em dirigir. [ 57 ] Robert Wade disse mais tarde que "Neal e eu éramos bastante influenciados por Fleming . Acho que Peter estava mais interessado em Le Carré . Simplesmente não funcionou." [ 58 ] Morgan coescreveu o argumento de Era Uma Vez um Espião com Neal Purvis e Robert Wade , no qual M era chantageada por um oligarca russo , que seria um ex -agente da KGB com quem ela teve um caso enquanto estava estacionada em Berlim Ocidental durante a Guerra Fria . O roteiro terminaria com Bond sendo forçado a matar M. [ 59 ] [ 60 ] [ 42 ] Mendes não gostou da maior parte do roteiro, mas pediu para manter o final com a morte de M. [ 59 ]

Purvis e Wade então escreveram um novo roteiro baseado em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1964) e 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (1965), no qual Bond é dado como morto após um acidente e retorna a Londres para um MI6 incerto. O roteiro original teria seguido mais de perto o arco narrativo da série literária, com Bond se tornando um amnésico e engravidando sem saber sua amante Lily na Turquia, que o rastrearia até Londres após seu retorno ao MI6. A história mostraria Bond perseguindo um vilão no estilo de Francisco Scaramanga nos Andes e teria uma atmosfera de " Coração das Trevas ". [ 61 ] O roteiro foi atrasado devido aos problemas financeiros da MGM. No final de 2010, Purvis e Wade concluíram um rascunho intitulado Nada é Para Sempre, no qual um vilão chamado Raoul Sousa mata M com uma bomba no metrô de Barcelona e deixa um burocrata chamado Mallender como o novo M. Eles ainda não gostavam do terceiro ato e, portanto, o revisaram posteriormente para incluir o final na Escócia. [ 62 ] O roteiro final foi reescrito por John Logan , que manteve a maior parte da história básica de Purvis e Wade. [ 63 ] Logan relatou ter sido apresentado ao projeto por seu amigo de longa data Mendes, descrevendo o processo entre Mendes e os roteiristas como "muito colaborativo" e que escrever Skyfall foi uma das melhores experiências que teve em roteiro. [ 64 ] O dramaturgo britânico Jez Butterworth também contribuiu sem ser creditado. [ 65 ]

Busca de locações: Em abril de 2011, Mendes e Broccoli viajaram para a África do Sul para a busca de locações. Com o filme entrando em pré-produção em agosto, surgiram relatos de que as filmagens ocorreriam na Índia, [ 67 ] com cenas a serem filmadas no distrito de Sarojini Nagar , em Nova Delhi, [ 68 ] e em linhas férreas entre Goa e Ahmedabad . [ 69 ] A equipe de produção enfrentou complicações para obter permissão para fechar trechos da Ferrovia Konkan . [ 70 ] Problemas semelhantes na obtenção de permissões de filmagem foram enfrentados pelas equipes de produção de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e Missão: Impossível - Protocolo Fantasma. A permissão foi finalmente concedida à equipe de produção de Bond; a produção acabou não filmando na Índia. [ 72 ]

Filmagem: As filmagens principais estavam programadas para durar até 133 dias, [ 73 ] embora na verdade tenham levado 128. [ 74 ] Começaram em 7 de novembro de 2011 em Londres, [ 19 ] [ 75 ] com Deakins usando câmeras digitais Arri Alexa para filmar todo o filme. Foi o primeiro filme de Bond a ser filmado digitalmente. [ 76 ] As cenas foram filmadas em estações do metrô de Londres , [ 77 ] estacionamento de Smithfield em West Smithfield , [ 78 ] National Gallery , Southwark , [ 79 ] Whitehall , Parliament Square , [ 80 ] estação Charing Cross , [ 81 ] Old Royal Naval College em Greenwich , [ 82 ] Cadogan Square [ 78 ] e Tower Hill . [ 83 ] O Hospital St Bartholomew [ 79 ] foi usado para a cena em que Bond entra na sede subterrânea do MI6, enquanto os Túneis Old Vic sob a Estação Waterloo serviram como campo de treinamento do MI6. O encontro entre Q e Bond foi filmado quando a National Gallery estava fechada à noite.

Os escritórios do Departamento de Energia e Mudanças Climáticas foram usados para a cena perto do final, quando Bond está no telhado. [ 78 ] [ 84 ] A Ponte Vauxhall e Millbank foram fechadas ao tráfego para a filmagem da explosão na sede do MI6 em Vauxhall Cross . [ 84 ] Ao contrário de O Mundo Não É o Bastante , que apresentou uma explosão no prédio filmada em uma réplica em grande escala, esta explosão foi adicionada digitalmente durante a pós-produção. [ 85 ] O final foi planejado para o Castelo de Duntrune em Argyll , [ 86 ] mas pouco depois do início das filmagens [ 87 ] o local foi alterado para Glencoe . [ 84 ] Embora supostamente na Escócia, a casa da família de Bond foi construída em Hankley Common em Surrey [ 88 ] usando um modelo em escala real de madeira compensada e gesso do edifício.

A produção mudou-se para a Turquia em março de 2012, com as filmagens a continuarem até 6 de maio. [ 90 ] [ 91 ] Adana representa os arredores de Istambul . [ 92 ] Alguns adolescentes turcos infiltraram-se num set fechado em um pátio ferroviário em Adana, durante os ensaios da luta em cima de um trem, antes de serem detidos pela segurança. [ 93 ] A cena do trem mostrada nos trailers exibia o Viaduto Varda nos arredores de Adana, durante o qual o dublê de Bond, Andy Lister, mergulhou de costas de uma queda de 91 metros (300 pés ) , com um guindaste em um vagão de trem segurando um cabo de segurança. [ 84 ] 

Partes de Istambul — incluindo o Bazar de Especiarias , Yeni Camii , o Grande Correio , a Praça Sultanahmet e o Grande Bazar — foram fechadas para filmagens em abril. [ 90 ] Os proprietários das lojas afetadas foram supostamente autorizados a abrir suas lojas, mas não a exercer atividades comerciais, recebendo em vez disso 750 liras turcas ( US$ 418) por dia como compensação. [ 90 ] A produção foi criticada por supostamente danificar edifícios durante a filmagem de uma perseguição de motocicleta pelos telhados. Wilson negou isso, apontando que a equipe havia removido seções do telhado antes da filmagem e as substituído por réplicas temporárias. [ 94 ] A equipe de produção negociou com 613 coproprietários da Praia de Calis em Fethiye para filmar ao longo da costa. [ 84 ]

Mendes confirmou que a China estaria presente no filme, com filmagens programadas para Xangai e "outras partes" do país. [ 19 ] Logan afirmou que eles buscaram deliberadamente locais que fossem "em oposição" a Londres, com um toque exótico, como "lugares para Bond se sentir desconfortável". [ 84 ] As cenas com os atores principais não foram filmadas em Xangai, mas no Reino Unido. A piscina da Virgin Active em Canary Wharf , Londres, serviu como a piscina do hotel de Bond, o Hipódromo de Ascot representou o Aeroporto Internacional de Pudong, Xangai, e a Broadgate Tower, em Londres, foi usada como a entrada e o saguão do prédio de escritórios de Xangai. O cassino Golden Dragon, em Macau, foi construído em um estúdio de som nos Estúdios Pinewood , com 300 lanternas flutuantes e duas cabeças de dragão de 9 metros de altura iluminando o cenário. A produção recebeu permissão para filmar imagens aéreas de segunda unidade de Xangai a partir de um helicóptero emprestado pelo governo chinês. A primeira imagem oficial do filme foi divulgada em 1 de fevereiro de 2012, mostrando Craig no set em Pinewood dentro de uma recriação de um arranha-céu de Xangai.

O covil do vilão Silva foi inspirado em Hashima, uma ilha abandonada na costa de Nagasaki, Japão. No filme, a ilha fictícia está localizada perto de Macau. Mendes explicou que a sequência foi criada com uma combinação de grandes cenários das ruas da cidade e tomadas de estabelecimento geradas por computador. O cenário de Hashima foi incluído depois que Craig se encontrou com o cineasta sueco Thomas Nordanstad durante as filmagens de Os Homens que Não Amavam as Mulheres em Estocolmo. Nordanstad, que produziu um curta-documentário de 2002 sobre a ilha intitulado Hashima, lembrou-se de Craig fazendo anotações extensas durante a reunião, mas desconhecia seu interesse no assunto até o lançamento de Skyfall.

O filme foi posteriormente convertido para o formato IMAX para projeção em cinemas IMAX. Deakins não sabia que o filme seria lançado em IMAX até depois de ter decidido filmá-lo com as câmeras Arri Alexa, e ficou insatisfeito com os testes IMAX feitos com sua filmagem, pois as cores "não pareciam ótimas". Depois de explorar melhor o sistema IMAX e descobrir que a IMAX Corporation estava usando seu processo proprietário de remasterização, Deakins fez novos testes sem o processo e descobriu que "as imagens pareciam espetaculares na grande tela IMAX", dissipando suas dúvidas sobre o formato.

Música: Thomas Newman , que já havia trabalhado com Mendes como compositor de American Beauty, Road to Perdition, Jarhead e Revolutionary Road, substituiu David Arnold como compositor, tornando-se o nono compositor na história da série. Quando questionado sobre as circunstâncias de sua saída do cargo, David Arnold comentou que Newman havia sido escolhido por Mendes devido ao trabalho conjunto, e não por causa do compromisso de Arnold em trabalhar com o diretor Danny Boyle como compositor da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012. O álbum da trilha sonora foi lançado em 29 de outubro de 2012 no Reino Unido e em 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos.

Em outubro de 2012, a cantora e compositora britânica Adele confirmou que havia escrito e gravado a música tema do filme com seu compositor habitual, Paul Epworth. Mais tarde, ela publicou a capa da partitura de "Skyfall" no Twitter, creditando a composição a si mesma e a Epworth, com arranjos de Epworth e do orquestrador JAC Redford. A música foi lançada online às 0h07 BST de 5 de outubro de 2012, um dia apelidado de "Dia de James Bond" pelos produtores, pois marcava 50 anos do lançamento de Dr. No.

A canção foi indicada e ganhou o Oscar de Melhor Canção Original. Foi a primeira vez que uma canção de Bond ganhou e a quarta vez que foi indicada. ( Os outros três foram "Somente Para Seus Olhos" (1981), "Nobody Does It Better" (1977) e " Viva e Deixe Morrer " (1973).) "Skyfall" também ganhou o Brit Award de Melhor Single Britânico no BRIT Awards de 2013.

O filme também apresenta a canção "Boum!" de Charles Trenet, de 1938, durante as cenas em que Silva mostra a Bond a sua ilha abandonada, e a versão de 1964 da canção "Boom Boom" de John Lee Hooker, interpretada pelos The Animals, quando Silva ataca Skyfall no final do filme.

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CERRADO (BIOMA BRASILEIRO COM CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DA SAVANA)

Jardim de Maitreya; Entrada da Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Foto tirada por Teoneto em 20 de dezembro de 2012, 08:31:...