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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

A IDADE DA INOCÊNCIA (FILME CANADENSE-BRITÂNICO DE 1977)

  • OUTROS TÍTULOS: Summer Rain (Título Alternativo), Ragtime Summer (Canadá), Edad de inocencia (Espanha), Hiljaiselon aika (Finlândia), Wiek niewinności (Polônia)
  • GÊNERO(S): Drama,
  • ORÇAMENTO: US$850.000
  • DURAÇÃO: 1 Hora, 41 Minutos
  • DIREÇÃO: Alan Bridges
  • ROTEIRO: Ratch Wallace
  • CINEMATOGRAFIA: Brian West
  • EDIÇÃO: Michael MacLaverty
  • MÚSICA: Max Urban
  • ELENCO:
    • David Warner — Henry Buchanan
    • Honor Blackman — Sra. Boswell
    • Trudy Young — Clarissa
    • Lois Maxwell — Sra. Hogarth
    • Cec Linder — Dr. Hogarth
  • PRODUÇÃO: Deanne Judson e George Willoughby; Judson Pictures Incorporated e The Rank Organisation
  • DISTRIBUIÇÃO:
  • DATA DE LANÇAMENTO: 28 de Abril de 1977 (Canadá), 1 de Julho de 1977 (Reino Unido), 5 de janeiro de 1992 (Finlândia; estreia na TV), 6 de novembro de 1992 (Portugal; estreia na TV)
  • ONDE ASSISTIR:
Age of Innocence, também conhecido como Ragtime Summer, é um filme canadense-britânico de 1977 dirigido por Alan Bridges e estrelado por David Warner, Honor Blackman e Trudy Young. Não é baseado no romance The Age of Innocence.

SINOPSE

No Canadá de 1921, um jovem britânico, Henry Buchanan, é professor em uma escola local para meninos; contudo, suas visões pacifistas — e seu histórico como objetor de consciência durante a Primeira Guerra Mundial — geram controvérsia.

RECEPÇÃO
  • IMDb: 5.7/10
Em Directors in British and Irish Cinema: A Reference Companion (2006), Robert Murphy afirmou que o filme explorava a sensibilidade romântica e a repressão sexual.

A Filmink descreveu o filme como "uma história de amor com Honor Blackman e… David Warner (quem iria assistir a isso? Ninguém, pelo que se viu)".

DESENVOLVIMENTO

O filme foi uma coprodução canadense-britânica, com roteirista canadense e diretor britânico. Entre os investidores estavam a Canadian Film Development Corporation, a Odeon Theatres (Canadá), a Rank Film Distributors e investidores de ambos os países.

Filmado em película de 35 mm nos meses de julho e agosto de 1976. As locações incluíram o Lang Pioneer Village Museum, Burleigh Falls, a Lakefield College School e a localidade de Lakefield, em Ontário.

FONTES: Lerner, Loren R. (January 1, 1997). Canadian Film and Video: A Bibliography and Guide to the Literature. University of Toronto Press. ISBN 9780802029881 – via Google Books.

 Allon, Yoram; Cullen, Del; Patterson, Hannah (January 8, 2001). Contemporary British and Irish Film Directors: A Wallflower Critical Guide. Wallflower Press. ISBN 9781903364215 – via Google Books.

 Roberts, Jerry (June 5, 2009). Encyclopedia of Television Film Directors. Scarecrow Press. ISBN 9780810863781 – via Google Books.

 Walsh, Michael. "Bringing an era alive: Conscience in conflict with reputation". reelingback.com.

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 "Age of Innocence (1977)". BFI. Archived from the original on March 11, 2017.

 "Ragtime Summer opens". The Ottawa Journal. 23 April 1977. p. 67.

 "1977 Ragtime Summer On DVD Signed By Trudy Young NEW ! | #439604981". Worthpoint.

 Murphy, Robert (July 25, 2019). Directors in British and Irish Cinema: A Reference Companion. Bloomsbury Publishing. ISBN 9781838715335 – via Google Books.

 Vagg, Stephen (22 August 2025). "Forgotten British Film Studios: The Rank Organisation 1968-1977". Filmink. Retrieved 22 August 2025.

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ÉDIPO (HERÓI TRÁGICO DA MITOLOGIA GREGA)

Édipo decifra o enigma da esfinge - Jean-Auguste Dominique Ingres (1808) - Museu do Louvre, Pinturas RF 218. Técnica: óleo sobre tela; Altura: 189 cm (74,4 pol.); largura: 144 cm (56,6 pol.).
  • PAIS: Laio e Jocasta (biológicos); Pólibo e Mérope (adotivos)
  • IRMÃOS: Alcinoë (adotivo)
  • CONSORTE: Jocasta, Euríganeia e Astimedusa
  • FILHOS: Antígona, Ismene, Etéocles e Polinices
Édipo (RU: /ˈiːdɪpəs/, também EUA: /ˈɛdɪ-/; grego antigo: Οἰδίπους Oidípous, lit. "pé inchado") foi um rei mítico de Tebas na mitologia grega. Herói trágico, Édipo cumpriu involuntariamente uma profecia que o levaria a matar o próprio pai e casar-se com a própria mãe, trazendo desgraça à sua cidade e família. A história de Édipo é o tema da Édipo Rei de Sófocles, seguida, na sequência narrativa, por Édipo em Colono e, posteriormente, por Antígona. Juntas, essas peças compõem as três peças tebanas. Édipo representa dois temas perenes do mito e do drama gregos: a natureza falha da humanidade e o papel do indivíduo no curso do destino em um universo implacável.

NOÇÕES BÁSICAS DO MITO

Variações da lenda de Édipo são mencionadas em fragmentos por diversos poetas da Grécia Antiga, incluindo Homero, Hesíodo, Píndaro, Ésquilo e Eurípides. No entanto, a versão mais popular da lenda provém do conjunto de peças tebanas de Sófocles: Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona.

Édipo era filho de Laio e Jocasta, rei e rainha de Tebas. Como Laio não tinha filhos há algum tempo, consultou o Oráculo de Apolo em Delfos. O Oráculo profetizou que qualquer filho que Laio tivesse o mataria. Numa tentativa de impedir o cumprimento da profecia, quando Jocasta de fato deu à luz um filho, Laio mandou perfurar os tornozelos do menino e amarrá-los para que ele não pudesse engatinhar; Jocasta então entregou o menino a um servo para que o abandonasse ("expondo-o") numa montanha próxima. Contudo, em vez de deixar a criança morrer de frio, como Laio pretendia, o servo entregou o bebê a um pastor de Corinto, que por sua vez o entregou a outro pastor.

O pequeno Édipo acabou sendo adotado por Pólibo e Mérope, rei e rainha de Corinto, que não tinham filhos. O pequeno Édipo recebeu esse nome devido ao inchaço causado pelos ferimentos em seus pés e tornozelos ("pé inchado"). Após muitos anos, Édipo foi informado por um bêbado de que era um "bastardo", ou seja, um filho ilegítimo. Édipo confrontou seus pais adotivos com a notícia, mas eles negaram. Édipo então foi ao mesmo oráculo em Delfos que seus pais biológicos haviam consultado. O oráculo informou-lhe que ele estava destinado a assassinar seu pai e casar-se com sua mãe. Na tentativa de evitar tal destino, ele decidiu não retornar para Corinto, mas viajar para Tebas, que ficava mais perto de Delfos.

No caminho, Édipo chegou a Daulia, onde três estradas se cruzavam. Lá, encontrou uma carruagem conduzida por seu pai biológico, o rei Laio. Eles lutaram para ver quem tinha o direito de ir primeiro, e Édipo matou Laio quando o cocheiro tentou atropelá-lo. A única testemunha da morte do rei foi um escravo que fugiu de uma caravana de escravos que também viajava pela estrada naquele momento.

Continuando sua jornada para Tebas, Édipo encontrou uma Esfinge, que detinha todos os viajantes que chegavam à cidade e lhes propunha um enigma. Se os viajantes não conseguissem respondê-lo corretamente, seriam mortos e devorados; se acertassem, poderiam prosseguir viagem. O enigma era: "O que anda sobre quatro patas pela manhã, duas à tarde e três à noite?", e Édipo respondeu: "O homem: quando bebê, engatinha; quando adulto, anda sobre duas pernas; e na velhice, usa uma bengala." Édipo foi o primeiro a responder corretamente ao enigma; a Esfinge, então, cometeu suicídio por vergonha (em algumas versões, porém, Édipo a mata).

Pintura "A Esfinge e Édipo". 1992. Óleo sobre tela. Artista S. P. Panasenko ("Site de Heráldica de Sergey Panasenko (Mikhalkin)").

O irmão da rainha Jocasta, Creonte, havia anunciado que qualquer homem que conseguisse livrar a cidade da Esfinge seria coroado rei de Tebas e receberia a mão da rainha, recentemente viúva, em casamento. Esse casamento de Édipo com Jocasta cumpriu o restante da profecia. Quatro filhos nasceriam desse casamento incestuoso: os filhos Etéocles e Polinices (cujos destinos são detalhados em Sete Contra Tebas) e as filhas Antígona e Ismene.
  • Título: Rei
  • Predecessor: Laio
  • Sucessor: Etéocles
  • Região: Tebas
Muitos anos depois, uma praga de infertilidade assolou a cidade de Tebas, afetando todos os seres vivos. Édipo afirmou que acabaria com a pestilência. Enviou Creonte ao Oráculo de Delfos em busca de orientação. Quando Creonte retornou, Édipo soube que o assassino do rei Laio deveria ser levado à justiça, e o próprio Édipo amaldiçoou o assassino do falecido marido de sua esposa, dizendo que ele seria exilado. Creonte também sugeriu que tentassem encontrar o profeta cego Tirésias, que era amplamente respeitado. Édipo mandou chamar Tirésias, que o advertiu para não procurar o assassino de Laio. Em uma acalorada discussão, Tirésias foi levado a expor Édipo como o assassino e o fato de Édipo estar vivendo em vergonha por não saber quem eram seus verdadeiros pais. Édipo, furioso, culpou Creonte pelas falsas acusações, e os dois discutiram. Jocasta entrou e tentou acalmar Édipo contando-lhe a história de seu primogênito e sua suposta morte. Édipo ficou nervoso ao perceber que poderia ter assassinado Laio e, assim, provocado a peste. De repente, chegou um mensageiro de Corinto com a notícia da morte do rei Pólibo. Édipo ficou aliviado, pois a profecia não poderia mais se cumprir se Pólibo, a quem ele acreditava ser seu pai biológico, estivesse morto.

Ainda assim, ele sabia que sua mãe estava viva e recusou-se a comparecer ao funeral em Corinto. Para aliviar a tensão, o mensageiro disse então que Édipo era, na verdade, adotado. Jocasta, finalmente percebendo que ele era seu filho, implorou-lhe que parasse de procurar o assassino de Laio. Édipo interpretou mal sua motivação, pensando que ela tinha vergonha dele por ele poder ter nascido de origem humilde. Jocasta, em grande angústia, entrou no palácio, onde se enforcou. Édipo buscou confirmação da história do mensageiro com o mesmo pastor que supostamente o havia abandonado para morrer quando bebê. Com o pastor, Édipo descobriu que o menino que fora criado como filho adotivo de Pólibo e Mérope era, na verdade, filho de Laio e Jocasta. Assim, Édipo finalmente percebeu que o homem que matara tantos anos antes era seu pai e que ele havia se casado com sua mãe.

Os eventos após a revelação dependem da fonte. Nas peças de Sófocles, Édipo foi em busca de Jocasta e descobriu que ela havia se suicidado. Usando o alfinete de um broche que tirou do vestido de Jocasta, Édipo cegou a si mesmo e foi exilado. Sua filha Antígona serviu de guia enquanto ele vagava pelo país, morrendo finalmente em Colono, onde foram acolhidos pelo rei Teseu de Atenas. No entanto, nas peças de Eurípides sobre o assunto, Jocasta não se suicidou ao saber do nascimento de Édipo, e Édipo foi cegado por um servo de Laio. O cegamento de Édipo não aparece em fontes anteriores a Ésquilo. Algumas fontes mais antigas do mito, incluindo Homero, afirmam que Édipo continuou a governar Tebas após as revelações e a morte de Jocasta.

Os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, combinaram de dividir o reino, alternando o reinado entre eles por um ano. Contudo, Etéocles recusou-se a ceder o trono após o seu ano como rei. Polinices então reuniu um exército para depor Etéocles, e uma batalha se seguiu. Ao final do conflito, os irmãos se mataram, e Creonte, irmão de Jocasta, ascendeu ao trono. Ele decidiu que Polinices era um "traidor" e que não deveria receber ritos funerários. Antígona tentou enterrar o irmão em desafio ao édito. Na Antígona de Sófocles, Creonte a enterrou em uma caverna rochosa por desafiá-lo, e ela acabou se enforcando. Entretanto, na versão perdida da história de Eurípides, Antígona parece sobreviver ao exílio imposto.

Édipo e Antígona (entre 1825 e 1828) de Aleksander Kokular.

FONTES ANTIGAS

A lenda de Édipo foi transmitida oralmente pela primeira vez, sendo Homero o primeiro indivíduo a quem se atribui o seu relato. A menção escrita de Édipo começa no século V a.C. De acordo com fontes posteriores, Édipo morreu lutando num ataque a gado contra Argos enquanto era rei de Tebas. Embora essas histórias tratem principalmente da sua queda, vários detalhes ainda aparecem sobre como Édipo ascendeu ao poder.

O rei Laio de Tebas ouve uma profecia de que seu filho pequeno um dia o matará. Ele perfura os pés de Édipo e o deixa para morrer, mas um pastor o encontra e o leva embora. Anos depois, Édipo, sem saber que foi adotado, sai de casa com medo da mesma profecia de que matará seu pai e se casará com sua mãe. Laio viaja para buscar uma solução para o misterioso enigma da Esfinge ou para obter notícias de seu filho. Como profetizado, Édipo e Laio se cruzam, mas não se reconhecem. Uma luta se segue, e Édipo mata Laio e a maioria de seus guardas. Édipo derrota a Esfinge resolvendo um enigma para se tornar rei. Ele se casa com a rainha viúva Jocasta, sem saber que ela é sua mãe. Uma peste assola o povo de Tebas. Ao descobrir a verdade, Édipo cega-se e Jocasta se enforca. Depois que Édipo deixa de ser rei, seus irmãos se matam uns aos outros.

Algumas diferenças em relação às histórias mais antigas surgem. A maldição dos filhos de Édipo foi retroativamente elaborada para incluir Édipo e seu pai, Laio. Édipo agora abdica do trono em vez de morrer em batalha. Além disso, em vez de seus filhos serem de um segundo casamento, os filhos de Édipo agora são de Jocasta (portanto, também são seus irmãos).

Odisseu no Inferno: Na Odisseia, Odisseu encontra a mãe de Édipo no Mundo Inferior, recordando:

E vi a mãe de Édipo, a bela Epicaste,
que cometeu um ato monstruoso por ignorância,
ao casar-se com o próprio filho, e este, após matar o próprio pai,
casou-se com ela, e imediatamente os deuses revelaram esses fatos aos homens.
Mas ele, apesar de toda a sua dor,
continuou a governar os cadmeus na amada Tebas, por influência dos conselhos nefastos dos deuses,
enquanto ela desceu à casa de Hades, o poderoso guardião.
Ela forjou um laço no alto de uma viga imponente,
dominada pela dor, mas deixou para trás inúmeros sofrimentos, tão grandes quanto as Fúrias de uma mãe podem infligir.

Em contraste com o relato de Sófocles, não há ainda menção de Édipo no exílio, nem menção de uma investigação extensa sobre o assassino de Laio e as circunstâncias do nascimento de Édipo resolvidas pelos mortais; em vez disso, os deuses revelam a verdade "imediatamente" (ἄφαρ).

Segunda Ode Olímpica de Píndaro: Em sua segunda Ode Olímpica (476 a.C.), Píndaro escreve:

“O filho trágico de Laio, cruzando o caminho do pai, matou-o e cumpriu o antigo oráculo proferido em Pito. E a perspicaz Erínia viu e matou seus filhos guerreiros uns contra os outros. Contudo, Tersandro sobreviveu à queda de Polinices e conquistou a honra em competições juvenis e resistiu ao impacto da guerra, um herdeiro que auxiliou a casa de Adrasto.”

—  Linhas 35-40.

Trilogia dos Sete Contra Tebas de Ésquilo: Em 467 a.C., o dramaturgo ateniense Ésquilo escreveu, principalmente, uma trilogia baseada no mito de Édipo, que lhe rendeu o primeiro prêmio nas Dionísias Urbanas. Das peças, Laio foi a primeira, Édipo a segunda, e Os Sete Contra Tebas foi a terceira e a única que sobreviveu.

Em Os Sete Contra Tebas, os filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, matam-se mutuamente numa guerra pelo trono. Tal como na sua Orestéia, a trilogia teria detalhado as tribulações de uma Casa ao longo de três gerações sucessivas. A peça satírica que se seguiu à trilogia chamava-se A Esfinge.

As peças tebanas de Sófocles: As três obras sobreviventes das "peças tebanas" de Sófocles consistem em: Édipo Rei (também chamado Édipo Tirano ou Édipo o Rei), Édipo em Colono e Antígona. Todas as três peças tratam do destino da cidade de Tebas, durante e após o reinado do rei Édipo, e frequentemente foram publicadas em um único volume. Originalmente, Sófocles escreveu as peças para três festivais distintos, com muitos anos de intervalo. As peças tebanas não constituem uma verdadeira trilogia (três peças apresentadas como uma narrativa contínua), nem mesmo uma série intencional, apresentando algumas inconsistências entre si. Sófocles também escreveu outras peças focadas em Tebas, principalmente os Epígonos, dos quais apenas fragmentos sobreviveram.

Édipo Rei: No início de Édipo Rei, de Sófocles, o povo de Tebas implora ao rei por ajuda, suplicando que ele descubra a causa da peste. Édipo se coloca diante deles e jura encontrar a raiz de seu sofrimento e pôr fim a ele. Nesse instante, Creonte retorna a Tebas após uma visita ao oráculo. Apolo revelou que Tebas abriga uma terrível abominação e que a peste só será dissipada quando o verdadeiro assassino do velho rei Laio for descoberto e punido por seu crime. Édipo jura fazer isso, sem perceber que ele próprio é o culpado. A dura verdade emerge lentamente ao longo da peça, à medida que Édipo confronta o vidente cego Tirésias, que pressente a verdade. Édipo, contudo, permanece em profunda negação, convencido de que Tirésias está de alguma forma conspirando com Creonte para usurpar o trono.

Na Cena II da peça, a compreensão começa a surgir lentamente quando Jocasta menciona, de repente, que Laio foi morto num cruzamento de três estradas. Isso desperta algo na memória de Édipo, que se lembra subitamente dos homens com quem lutou e matou há muito tempo, naquele mesmo cruzamento. Horrorizado, ele percebe que talvez seja o homem que procura. Um criado da casa sobreviveu ao ataque e agora vive seus últimos anos num bairro periférico de Tebas. Édipo manda chamar imediatamente o homem para confirmar ou negar sua culpa. Na pior das hipóteses, porém, ele espera se descobrir o assassino involuntário de um homem desconhecido. A verdade ainda não foi revelada.

O momento da epifania ocorre no final da peça. No início da Cena III, Édipo ainda aguarda a chegada do servo à cidade, quando um mensageiro de Corinto anuncia a morte do rei Pólibo. Ao ouvir a notícia, Édipo sente um grande alívio, pois acreditava que Pólibo era o pai que o oráculo o havia destinado a assassinar, e por um instante acredita ter escapado do destino. Ele conta tudo isso aos presentes, incluindo o mensageiro, mas este sabe que não é verdade. Ele é o homem que encontrou Édipo ainda bebê no desfiladeiro de Citerão e o entregou ao rei Pólibo para que o criasse. Revela, ainda, que o servo que está sendo trazido à cidade naquele momento é o mesmo homem que levou Édipo para as montanhas quando bebê. Jocasta então compreende tudo o que aconteceu. Ela implora a Édipo que não insista no assunto. Ele se recusa, e ela se retira para o palácio enquanto o servo chega. O velho chega, e fica claro de imediato que ele sabe de tudo. A pedido de Édipo, ele conta tudo.

Dominado pela consciência de todos os seus crimes, Édipo invade o palácio onde encontra sua mãe, esposa, morta por suicídio. Arrancando um broche de seu vestido, Édipo cega-se com ele. Sangrando pelos olhos, implora a seu tio e cunhado Creonte, que acaba de chegar, que o exile para sempre de Tebas. Creonte concorda com o pedido. Édipo implora para segurar suas duas filhas, Antígona e Ismene, mais uma vez, para que seus olhos se encham de lágrimas, e Creonte, com pena, envia as meninas para ver Édipo mais uma vez.

Édipo em Colono:

Em Édipo em Colono, de Sófocles, Édipo torna-se um andarilho, perseguido por Creonte e seus homens. Ele finalmente encontra refúgio no deserto sagrado nos arredores de Atenas, onde se diz que Teseu cuidou de Édipo e de sua filha, Antígona. Creonte eventualmente alcança Édipo. Ele pede a Édipo que retorne de Colono para abençoar seu filho, Etéocles. Irritado por seu filho não o amar o suficiente para cuidar dele, Creonte amaldiçoa tanto Etéocles quanto seu irmão, condenando-os a se matarem em batalha. Édipo morre em paz; seu túmulo é considerado sagrado para os deuses.

Antigone:

Na peça Antígona, de Sófocles, quando Édipo abdicou do trono de Tebas, entregou o reino a seus dois filhos, Etéocles e Polinices, que concordaram em alternar o poder anualmente. Contudo, eles não demonstraram qualquer preocupação com o pai, que os amaldiçoou por sua negligência. Após o primeiro ano, Etéocles recusou-se a abdicar e Polinices atacou Tebas com seus partidários (como retratado em Os Sete Contra Tebas, de Ésquilo, e As Fenícias, de Eurípides). Os dois irmãos se mataram em batalha. O rei Creonte, que ascendeu ao trono de Tebas, decretou que Polinices não deveria ser sepultado. Antígona, irmã de Polinices, desobedeceu à ordem, mas foi capturada.

Creonte decretou que ela fosse sepultada num caixão de pedra, apesar de seu noivado com seu filho Hémon. A irmã de Antígona, Ismene, declarou então que a ajudara e desejava o mesmo destino, mas Creonte acabou por recusar-se a executá-la. Os deuses, através do profeta cego Tirésias, expressaram sua desaprovação à decisão de Creonte, o que o convenceu a revogar sua ordem, e ele foi sepultar Polinices pessoalmente. Contudo, Antígona já havia se enforcado em seu túmulo, em vez de sofrer a morte lenta de ser enterrada viva. Quando Creonte chegou ao túmulo onde ela fora sepultada, seu filho Hémon o atacou ao ver o corpo de sua noiva falecida, mas, não conseguindo matar Creonte, suicidou-se. Quando a esposa de Creonte, Eurídice, foi informada da morte de Hémon, ela também tirou a própria vida.

Fenissas, Crisipo e Édipo de Eurípides: No início de Fenissas, de Eurípides, Jocasta relembra a história de Édipo. De modo geral, a peça entrelaça os enredos de Os Sete Contra Tebas e Antígona. A peça difere das outras histórias em dois aspectos principais. Primeiro, descreve em detalhes o motivo da rixa entre Laio e Édipo: Laio ordenou que Édipo saísse da estrada para que sua carruagem pudesse passar, mas o orgulhoso Édipo se recusou a ceder. Segundo, na peça, Jocasta não se suicida ao descobrir o incesto – caso contrário, não poderia representar o prólogo, por razões incompreensíveis – nem Édipo foge para o exílio, mas ambos permanecem em Tebas apenas para adiar seu destino até o duelo fatal de seus filhos/irmãos/sobrinhos Etéocles e Polinices: Jocasta comete suicídio sobre os corpos dos dois homens, e Antígona segue Édipo para o exílio.

Em Crisipo, Eurípides desenvolve a história pregressa da maldição: o pecado de Laio foi ter sequestrado Crisipo, filho de Pélops, para violá-lo, e isso provocou a vingança dos deuses sobre toda a sua família. Laio era o tutor de Crisipo, e estuprar seu aluno foi uma grave violação de sua posição como hóspede e tutor na casa da família real que o hospedava na época. Vasos existentes mostram uma fúria pairando sobre o lascivo Laio enquanto ele sequestra a vítima de estupro. As Fúrias vingavam as violações da boa ordem nos lares, como pode ser visto mais claramente em textos como As Coéforas de Ésquilo.

Eurípides também escreveu um Édipo, do qual apenas alguns fragmentos sobreviveram. O primeiro verso do prólogo relembrava a ação arrogante de Laio ao conceber um filho contra a ordem de Apolo. Em algum momento da peça, um personagem se dedica a uma descrição longa e detalhada da Esfinge e seu enigma – preservada em cinco fragmentos de Oxirrinco, P.Oxy. 2459 (publicado por Eric Gardner Turner em 1962). A tragédia também apresenta muitas máximas morais sobre o tema do casamento, preservadas no Anthologio de Estobeu. Os versos mais marcantes, no entanto, afirmam que, nesta peça, Édipo foi cegado pelos assistentes de Laio e que isso aconteceu antes de sua identidade como filho de Laio ser descoberta, marcando, portanto, diferenças importantes em relação à versão sofocliana do mito, que agora é considerada a versão "padrão". Muitas tentativas foram feitas para reconstruir o enredo da peça, mas nenhuma delas é mais do que hipotética, devido aos escassos vestígios que sobreviveram do seu texto e à total ausência de descrições ou resumos antigos – embora tenha sido sugerido que uma parte da narração de Higino sobre o mito de Édipo possa, de fato, derivar da peça de Eurípides. Alguns ecos do Édipo euripidiano foram também encontrados numa cena do Édipo de Sêneca, na qual o próprio Édipo descreve a Jocasta a sua aventura com a Esfinge.

Outros dramaturgos: Pelo menos três outros autores do século V a.C., mais jovens que Sófocles, escreveram peças sobre Édipo. Entre eles estão Aqueu de Erétria, Nicômaco e o Velho Xenocles.

ADIÇÕES POSTERIORES

A Bibliotheca , um manual mitológico da época romana, inclui um enigma para a Esfinge, tomando emprestado a poesia de Hesíodo: "O que é aquilo que tem uma voz e, no entanto, se torna quadrúpede, bípede e trípede?"

Acréscimo posterior aos Sete contra Tebas de Ésquilo: Devido à popularidade da Antígona de Sófocles (c. 442 a.C.), o final (linhas 1005–78) de Os Sete contra Tebas foi adicionado cerca de cinquenta anos após a morte de Ésquilo. Enquanto a peça (e a trilogia da qual é a última peça) deveria terminar com um luto sombrio pelos irmãos mortos, o final espúrio apresenta um arauto anunciando a proibição de enterrar Polinices e a declaração de Antígona de que ela desafiará esse decreto.

COMPLEXO DE ÉDIPO

Sigmund Freud usou o nome "complexo de Édipo" para explicar a origem de certas neuroses na infância. É definido como o desejo inconsciente de um menino pelo amor exclusivo de sua mãe. Esse desejo inclui ciúme do pai e o desejo inconsciente pela morte desse genitor, bem como o desejo inconsciente de ter relações sexuais com a mãe. O próprio Édipo, como retratado no mito, não tinha essa neurose – pelo menos não em relação a Jocasta, a quem só conheceu na idade adulta (se houvesse algum sentimento, seria direcionado a Mérope – mas não há indícios disso). Freud argumentou que o público da Grécia Antiga, que ouvia a história ou assistia às peças baseadas nela, sabia que Édipo estava, na verdade, matando o pai e casando-se com a mãe; a história, sendo continuamente contada e encenada, refletia, portanto, uma preocupação com o tema.

FONTES: Brown, A.L. "The End of the Seven against Thebes" The Classical Quarterly 26.2 (1976) 206–19.

Carloni, Glauco and Nobili, Daniela. La Mamma Cattiva: fenomenologia, antropologia e clinica del figlicidio (Rimini, 2004).

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Graves, Robert, The Greek Myths.

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Gaillard, T. Tony, Transgenerational Healing of Oedipus at Colonus, Genesis Editions (2020), Geneva, ISBN 9782940540358, Excerpt on academia.edu Archived 18 August 2022 at the Wayback Machine.

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Post № 1.011 ✓

domingo, 1 de novembro de 2026

RAÍ (FUTEBOLISTA BRASILEIRO)

Retrato do jogador brasileiro Raí antes do jogo Brasil x Rússia, no Stanford Stadium, São Francisco em 20 de junho de 1994. Foto de Tony Marshall/EMPICS via Getty Images.
  • NOME COMPLETO: Raí Souza Vieira de Oliveira
  • NASCIMENTO: 15 de maio de 1965; Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
  • APELIDOS: Terror do Morumbi, Beranco
  • FAMÍLIA: Sócrates (Irmão)
  • POSIÇÃO: meio-campista
  • ANOS DE ATIVIDADE: 1984–2000 (16 anos)
  • PÉ: destro
  • TORCEDOR: SE Palmeiras
Raí Souza Vieira (1965—) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. Um dos grandes jogadores da década de 90, é considerado o maior camisa 10 da história do São Paulo, clube onde foi ídolo e campeão do mundo em 1992, marcando os dois gols do título na final contra o Barcelona.

BIOGRAFIA

Infância: Nascido em Ribeirão Preto, é irmão do também ex-jogador Sócrates. Grande admirador dos filósofos gregos, o pai de Raí deu a seus três filhos mais velhos os nomes de Sócrates, Sófocles e Sóstenes. Seu Raimundo queria que Raí se chamasse Xenofonte, mas sua mulher, Dona Guiomar, conseguiu dissuadi-lo da ideia.

Em entrevista ao Museu da Pessoa, concedida em 2009, Raí conta que, durante a infância e pré-adolescente, o futebol já era presente e foi muito importante para ajudá-lo a combater sua timidez, uma vez que era uma prática esportiva que o permitia se expressar e estar em contato com amigos.

Botafogo-SP:

Raí no início da década de 1980, jogando na base do Botafogo-SP.

Iniciou sua carreira no Botafogo de Ribeirão Preto, aos 15 anos, omitindo o parentesco com o irmão famoso. Em 1984 foi lançado no time principal, mas só se firmou com a chegada do técnico Pedro Rocha, no segundo turno do Campeonato Paulista do ano seguinte. "O Pedro deu muita força", contou o jogador, em 1986. "Ele foi um grande meia-esquerda e passou-me vários ensinamentos."

AA Ponte Preta: Passou pela Ponte Preta por empréstimo durante o Campeonato Brasileiro de 1986 e no ano seguinte voltou, durante o Campeonato Paulista, ao Botafogo.

Em 1986, Raí foi emprestado para a Ponte Preta, onde fez dez jogos e marcou um gol.

Foi convocado para a Seleção Brasileira e disputou a Copa América daquele ano. Chegou a ser cobiçado pelo Corinthians, especialmente depois de marcar três gols contra o Alvinegro, em abril de 1986, mas foi contratado pelo São Paulo ainda em 1987, para o Campeonato Brasileiro.

São Paulo FC: Sua estreia foi apenas na última rodada do primeiro turno, em 18 de outubro, na derrota por 1 a 0 para o Grêmio, por causa de uma contusão na coxa direita que o deixara três meses fora dos gramados. O seu primeiro gol pelo clube viria no terceiro jogo, na vitória por 2 a 0 sobre o Goiás.

Em 1989 foi campeão pela primeira vez ao conquistar o Campeonato Paulista.

Antes da chegada do técnico Telê Santana, em outubro de 1990, o jogador tinha marcado apenas 26 gols em mais de três anos. Porém, depois que Telê passou a comandar o time, Raí marcou muitos gols: foram 28 em 1991, sendo 20 no Campeonato Paulista, quando conquistou a artilharia do Paulistão.

Foi o capitão do time no Campeonato Brasileiro de 1991 e ajudou o São Paulo a conquistar seu terceiro título, em cima do Bragantino de Carlos Alberto Parreira. Nessa campanha, Raí foi o artilheiro do time, com sete gols, fato que se repetiria no Brasileirão seguinte, no título do bicampeonato consecutivo da Libertadores, em 1993, e nos Campeonatos Paulistas de 1992 e 1993.

Como campeão brasileiro, conquistou a Libertadores de 1992 contra o Newell's Old Boys, da Argentina. Foi decisivo ao marcar o gol que levou a final à decisão por pênaltis. Acertou a sua cobrança na disputa e, com a vitória tricolor, como capitão do time levantou o troféu diante de 120 mil torcedores no Estádio do Morumbi.

Na disputa da Copa Intercontinental de 1992, no Japão, Raí marcou dois gols — sendo o primeiro com a barriga e o segundo em uma cobrança de falta — e o São Paulo venceu o jogo contra o Barcelona, conquistando o título. Raí foi eleito o melhor jogador do torneio.

Na volta ao Brasil, o São Paulo ainda venceu a final do Paulistão, batendo o Palmeiras por 2 a 1. Nesse campeonato, Raí chegou a marcar cinco gols em um mesmo jogo, na vitória por 6 a 0 sobre o Noroeste, de Bauru, em 15 de outubro.

No começo de 1993, foi vendido ao Paris Saint-Germain, da França, por 4,6 milhões de dólares, mas ficou no Brasil até o meio do ano e conquistou ainda a Libertadores de 1993, marcando um gol de peito no primeiro jogo da final e novamente levantando o troféu. No Paulista, o time ficou em terceiro lugar, e a despedida do meia foi em uma vitória por 6 a 1 sobre o Santos, em 3 de junho.

PSG:

Raí atuando pelo PSG no segundo semestre de 1994.

Chegou e transformou-se em um dos principais ídolos do clube. Na sua primeira temporada, quando o PSG conquistou a Ligue 1 (Campeonato Francês) de 1993–94, foi substituído na maioria de seus jogos e chegou até a frequentar o banco de reservas. No entanto, seria um dos principais jogadores do time na conquista dos títulos da Recopa Europeia de 1996 (finalista em 1997), da Ligue 1 de 1995–96, da Copa da França de 1994–95 e de 1997–98, e da Copa da Liga Francesa de 1994–95 e 1997–98.

Raí defendeu o Paris Saint-Germain entre 1993 e 1998. Foi capitão da equipe e o cérebro do time durante toda sua estadia. Em sua cinco temporadas jogou 204 partidas e marcou 71 gols.

Em 2020, Raí foi eleito o maior jogador da história do clube francês. A votação foi promovida pelo Paris Saint-Germain em comemoração aos seus 50 anos, e contou com 2,5 mil votantes, dos quais 30% foram ex-jogadores, técnicos e dirigentes, 30% foram jornalistas e 40% foram sócios. Raí foi o primeiro em todos os grupos.

Retorno ao São Paulo: Raí ainda voltou ao São Paulo em 1998, e sua reestreia foi contra o Corinthians, já na final do Campeonato Paulista daquele ano: ele fez um gol de cabeça e foi campeão no mesmo dia em que desembarcou no país. Mas em um jogo contra o Cruzeiro, em 9 de agosto, pelo Campeonato Brasileiro, Raí rompeu os ligamentos no tornozelo após uma entrada de Wilson Gottardo e teve de ficar mais de um ano parado.

O meio-campista Raí em 2000, logo após voltar de contusão no joelho e pouco antes do título do Campeonato Paulista.

Enquanto se recuperava, separou-se da esposa Cristina, depois de quinze anos de casamento. Nessa mesma época, depois de ser pai com apenas 17 anos, Raí foi avô aos 33. Quando voltou, ficou na reserva durante boa parte do Campeonato Brasileiro de 1999, recuperando-se gradativamente ao longo da competição.

O último gol de Raí como profissional foi em 27 de junho de 2000, diante do Palmeiras, no Palestra Itália. Sua última partida antes de se retirar dos gramados foi pouco menos de um mês depois, em 22 de julho, em uma derrota por 3 a 1 para o Sport em João Pessoa, pela Copa dos Campeões. Ele é considerado um dos jogadores mais importantes da história do clube.

SELEÇÃO NACIONAL

Pela Seleção Brasileira, entretanto, não teve tanto destaque como no São Paulo. Jogou 51 partidas pelo Brasil, marcando dezesseis gols, incluindo um de pênalti no jogo contra a Rússia pela primeira fase da Copa do Mundo FIFA de 1994, torneio em que jogou com a camisa 10. Nessa Copa, foi titular nos três primeiros jogos do time, quando também era seu capitão, posto que passou para Dunga quando saiu do time titular. Além disso, entrou no segundo tempo contra os Países Baixos, nas quartas de final, e atuou na vitória por 1 a 0 contra a Suécia, nas semifinais.

PÓS-APOSENTADORIA

Em 2005, foi um dos convidados de honra do São Paulo para acompanhar o time na disputa do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA. Raí chegou a tempo de acompanhar o jogo do tricolor na semifinal do Mundial, realizado no Japão. O atraso deveu-se a um compromisso do ex-jogador com o governo francês, para discutir projetos da Fundação Gol de Letra. Para a surpresa de Raí, ele ainda reviveu a sua época de jogador ao participar do penúltimo treino (que também seria o último rachão do ano) do São Paulo antes da final do Mundial.

Raí em 22 de Maio de 2009, no Feirão Caixa da Casa Própria.

Atualmente, dirige uma entidade filantrópica de ajuda às crianças chamada Fundação Gol de Letra, ao lado de seu ex-companheiro de São Paulo e Paris Saint-Germain, Leonardo. Em sua entrevista ao Museu da Pessoa, comentou sobre as origens do projeto e sua participação ativa em toda a estruturação da fundação, que tem como missão promover a educação integral de crianças, adolescentes e jovens por meio do esporte e cultura.

“Eles [pessoas atendidas pela fundação] têm uma quantidade de atividades que sempre foi o nosso desejo e que a gente mantém até hoje. (...) Existe uma biblioteca comunitária, existe uma cultura de teatro, mudanças de hábito de leitura, atividades esportivas que são uma coisa saudável, uma coisa positiva socialmente. Ali, o esporte existe não só como formador de talento, mas como direito de todo cidadão.”

— Raí, Entrevista ao Museu da Pessoa

Em 2006, junto com outros atletas, criou a organização Atletas pela Cidadania, que se dedica a defender causas sociais.

No dia 7 de dezembro de 2017, foi anunciado como novo executivo de futebol do São Paulo. Deixou o cargo em 1 de fevereiro de 2021, após a demissão do treinador Fernando Diniz.

Em junho de 2024, Raí concluiu do seu mestrado em Política Pública no Instituto SciencesPo, em Paris.

no dia 12 de Julho de 2024, Raí anunciou que seria um dos condutores da tocha olímpica nas aberturas dos Jogos olímpicos de Verão 2024, que acontece em Paris.

Atividades cívico-políticas: Em 14 de novembro de 2022, Raí foi um dos especialistas designados para integrar o Grupo Técnico de Esporte do Gabinete de Transição Governamental, grupo responsável por avaliar a situação das políticas públicas no país e, então, propor soluções para eventuais problemas identificados e aperfeiçoamentos das ações existentes ao subsidiar o relatório final da Equipe de Transição Governamental 2022–2023.

ESTATÍSTICAS
  • Botafogo-SP (1984–1987) 
    • Partidas: 38
    • Gols: 17
  • AA Ponte Preta (empréstimo) (1986): 10 partidas e apenas 1 gol
  • São Paulo FC (1987–1993) 
    • Partidas: 313
    • Gols: 113
  • Paris Saint-Germain (1993–1998)
    • Partidas: 223
    • Gols: 79
  • São Paulo FC (2) (1998–2000)
    • Partidas: 82
    • Gols: 15
Seleção Nacional: De 1987–1998, Raí jogou 54 partidas e marcou 17 gols.

Total: Raí jogou 666 partidas e marcou 225 Gols.

TÍTULOS

São Paulo FC:
  1. Campeonato Brasileiro: 1991
  2. Campeonato Paulista:
    1. 1989
    2. 1991
    3. 1992
    4. 1998
    5. 2000
  3. Copa Libertadores da América: 1992 e 1993
  4. Copa Intercontinental: 1992
PSG:
  1. Ligue 1: 1993–94
  2. Copa da França: 1994–95 e 1997–98
  3. Copa da Liga Francesa: 1994–95 e 1997–98
  4. Supercopa da França: 1995
  5. Recopa Europeia: 1995–96
Seleção Brasileira (CBF):
  1. Jogos Pan-Americanos: 1987 (Ouro)
  2. Copa do Mundo FIFA: 1994 (EUA)
Prêmios individuais:
  1. Artilheiro do Campeonato Paulista: 1991
  2. Seleção do Campeonato Paulista: 1993
  3. Maior Artilheiro Internacional do Mundo pela IFFHS: 1992 (12 gols)
  4. Meio-campista da "equipe ideal" do Brasil (O Estado de S.Paulo): 1992
  5. Melhor jogador da Copa Intercontinental: 1992
  6. Melhor jogador brasileiro (O Estado de S. Paulo): 1992
  7. Melhor jogador da América do Sul (El País): 1992
  8. Equipe da Europa (European Sports Media): 1995–96
  9. 5.º Maior jogador do mundo: 1992 (RSSF)
  10. 3.º Maior artilheiro do mundo: 1992 (IFFHS)
  11. 10.º Melhor Jogador do Mundo pela FIFA: 1993 (FIFA)
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"A aposta na tradição", Placar número 908, 26/10/1987, Editora Abril, pág. 29.

"Raí e Telê, um casamento cheio de gols e títulos", Placar número 1088, outubro de 1993, Editora Abril, pág. 58.

 Alexandre da Costa, Almanaque do São Paulo Placar, Editora Abril, 2005, pág. 430.

Valmir Storti e André Fontenelle, A História do Campeonato Paulista, Publifolha, 1996, pág. 196.

 "Presente em cada decisão", Placar número 1079, janeiro de 1993, Editora Abril, pág. 7.

"Mantendo a velha tradição", Placar número 1086, agosto de 1993, Editora Abril, pág. 8.

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sábado, 31 de outubro de 2026

FREUD (NEUROLOGISTA AUSTRÍACO)

Retrato fotográfico de Sigmund Freud, assinado pelo retratado ("Prof. Sigmund Freud") de Max Halberstadt (1882–1940) tirada por volta de 1941.
  • NOME COMPLETO: Sigmund Freud (nascido Sigismund Schlomo Freud)
  • NASCIMENTO: 6 de maio de 1856; Freiberg na Morávia, Império Austríaco (atual Příbor, República Tcheca)
  • FALECIMENTO: 23 de setembro de 1939 (83 anos); Hampstead, Londres, Inglaterra
  • OCUPAÇÃO: psicanalista, neurologista e ensaísta
  • ALMA MATER: Universidade de Viena (MD)
  • FAMÍLIA: Amalia Nathanson (mãe), Jakob Freud (pai), Martha Bernays (Cônjuge; c. 1886), Ernst Freud (4º Filho), Anna Freud (Filha Caçula), Sete irmãos caçulas
  • ETNIA: asquenazim
  • RELIGIÃO: Ateísmo (Nenhuma)
  • ÁREAS: Neurologia, psicoterapia e psicanálise
  • LOCAIS DE TRABALHO: Universidade de Viena e Associação Psicanalítica Internacional
  • ORIENTADORES ACADÊMICOS: Franz Brentano, Ernst Brücke, Carl Claus
“O que não conseguimos lembrar, retornará como ação.”

— Recordar, repetir e elaborar (Erinnern, Wiederholen und Durcharbeiten, 1914).

Sigmund Freud (/frɔɪd/ FROYD; Alemão austríaco: [ˈziːgmʊnd ˈfrɔʏd]; 1856 – 1939) foi um médico e neurologista austríaco e o fundador da psicanálise — um método clínico para avaliar e tratar patologias decorrentes de conflitos na psique, por meio do diálogo entre paciente e psicanalista, bem como a teoria específica da mente e da agência humana que ela propõe.  A influência de Freud pode ser observada ainda em diversos outros campos do conhecimento e até mesmo na cultura popular, inclusive no uso cotidiano de palavras que se tornaram recorrentes, mas que surgiram a partir de suas teorias. Expressões como "neurose", "repressões", "projeções" popularizaram-se a partir de seus escritos.

BIOGRAFIA

Primeiros anos de vida e educação: Sigmund Freud nasceu em Freiberg, cidade morávia de pais judeus asquenazes, no Império Austríaco, filho de pais judeus asquenazes, sendo o primeiro de oito irmãos. Seus pais eram ambos da Galícia. Seu pai, Jakob Freud, comerciante de lã, teve dois filhos, Emanuel e Philipp, de seu primeiro casamento. A família de Jakob era de judeus hassídicos e, embora o próprio Jakob tivesse se afastado da tradição, ele ficou conhecido por seus estudos da Torá. Ele e a mãe de Freud, Amalia Nathansohn, 20 anos mais jovem e sua terceira esposa, casaram-se em 29 de julho de 1855, em uma cerimônia oficiada pelo rabino Isaac Noah Mannheimer. Eles enfrentavam dificuldades financeiras e moravam em um quarto alugado na casa de um chaveiro, no número 117 da Schlossergasse, quando seu filho Sigmund nasceu. Ele nasceu com uma membrana amniótica, o que sua mãe viu como um presságio positivo para o futuro do menino.

Em 1859, a família Freud deixou Freiberg. Os meio-irmãos de Freud emigraram para Manchester, Inglaterra, separando-o do companheiro de brincadeiras "inseparável" de sua infância, o filho de Emanuel, John. Jakob Freud levou sua esposa e dois filhos (a irmã de Freud, Anna, nasceu em 1858; um irmão, Julius, nascido em 1857, havia morrido na infância) primeiro para Leipzig e depois, em 1860, para Viena , onde nasceram quatro irmãs e um irmão: Rosa (n. 1860), Marie (n. 1861), Adolfine (n. 1862), Paula (n. 1864), Alexander (n. 1866). Em 1865, a reputação da família foi prejudicada quando o irmão de Jakob Freud, Josef, foi preso sob suspeita de negociar rublos falsificados; Ele foi condenado no ano seguinte e sentenciado a dez anos de prisão. As investigações policiais apontaram para Manchester, onde os filhos mais velhos de Jakob, Emanuel e Philipp, moravam, embora os dois não tenham sido mencionados no processo. Freud lembrou mais tarde que o caso fez com que o cabelo de seu pai ficasse grisalho em poucos dias. Em 1865, Freud, com nove anos, ingressou no Leopoldstädter Kommunal-Realgymnasium (mais tarde conhecido como Sperlgymnasium), um renomado colégio de Viena. Ele se mostrou um aluno excepcional e se formou com louvor em 1873, ingressando na Universidade de Viena naquele mesmo ano, aos 17 anos. Ele ADORAVA LITERATURA e era fluente em ALEMÃO, FRANCÊS, ITALIANO, ESPANHOL, INGLÊS, HEBRAICO, LATIM e GREGO. Até pouco antes de se formar no ensino médio, Freud planejava estudar direito. Não fosse por ter assistido a uma palestra pública onde o ensaio de Goethe "A Natureza" (Die Natur) foi lido em voz alta, Freud jamais teria inicialmente se dedicado à medicina ao se matricular na Universidade de Viena.

Na universidade, seus estudos incluíram filosofia com Franz Brentano, fisiologia com Ernst Brücke e zoologia com o professor darwinista Carl Claus. Em uma carta a um amigo escrita em 1874, Freud escreve: "sob a influência de Brentano, especialmente (que teve um efeito amadurecido), tomei a decisão de prestar o doutorado em filosofia e estudarei filosofia e zoologia". Fiel à sua palavra, Freud passou quatro semanas na estação de pesquisa zoológica de Claus em Trieste, dissecando centenas de enguias em uma busca inconclusiva por seus órgãos reprodutores masculinos em 1876. Em 1877, Freud mudou-se para o laboratório de fisiologia de Ernst Brücke, onde passou seis anos comparando os cérebros de humanos com os de outros vertebrados, como rãs, lampreias, bem como invertebrados, como lagostins. Na verdade, o trabalho de pesquisa de Freud sobre a biologia do tecido nervoso provou ser fundamental para a descoberta subsequente do neurônio na década de 1890. O trabalho de pesquisa de Freud foi interrompido em 1879 pela obrigação de cumprir um ano de serviço militar obrigatório. Os longos períodos de inatividade permitiram que ele concluísse a encomenda de Brentano e Theodor Gomperz para traduzir o décimo segundo volume das Obras Completas de John Stuart Mill, que continha "Sobre a Emancipação da Mulher", "Platão", "A Questão Social" e "Socialismo". Finalmente, Freud se formou em medicina em março de 1881.

Início da carreira e casamento: Em 1882, Freud iniciou sua carreira médica como pesquisador médico e assistente clínico no Hospital Geral de Viena . Durante sua permanência no Hospital Geral de Viena, Freud trabalhou em vários departamentos. Mais importante ainda, seu tempo na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert e como médico substituto em um asilo local levou a um maior interesse pelo trabalho clínico. Seu trabalho de pesquisa em anatomia cerebral levou à publicação, em 1884, de um influente artigo sobre os efeitos paliativos da cocaína, e seu trabalho sobre afasia formaria a base de seu primeiro livro, Sobre a Afasia: Um Estudo Crítico, publicado em 1891. O substancial conjunto de pesquisas publicadas por Freud entre 1882 e 1885 também o levou à nomeação como professor universitário ou docente em neuropatologia em 1885, um cargo não remunerado, mas que lhe dava o direito de ministrar aulas na Universidade de Viena.

Em 1886, Freud renunciou ao seu cargo no hospital e iniciou a prática privada, especializando-se em "distúrbios nervosos". No mesmo ano, casou-se com Martha Bernays , neta de Isaac Bernays, rabino-chefe em Hamburgo. Freud, COMO ATEU, ficou consternado com a exigência na Áustria de uma cerimônia religiosa judaica e considerou brevemente, antes de descartar, a possibilidade de aderir à "Confissão" protestante para evitá-la. Uma cerimônia civil para Bernays e Freud ocorreu em 13 de setembro, e uma cerimônia religiosa ocorreu no dia seguinte, tendo Freud recebido instruções apressadas sobre as orações hebraicas. Os Freuds tiveram seis filhos: Mathilde (n. 1887), Jean-Martin (n. 1889), Oliver (n. 1891), Ernst (n. 1892), Sophie (n. 1893) e Anna (n. 1895). De 1891 até deixarem Viena em 1938, Freud e sua família viveram em um apartamento na Berggasse 19, perto de Innere Stadt.

Em 8 de dezembro de 1897, Freud foi iniciado na associação cultural judaica alemã B'nai B'rith, à qual permaneceu ligado por toda a vida. Freud fez um discurso sobre a interpretação dos sonhos, que teve uma recepção entusiástica. Antecipou o livro de mesmo nome, que foi publicado dois anos depois.

As origens judaicas de Freud e sua lealdade à sua identidade judaica secular foram significativas na formação de sua visão intelectual e moral, especialmente no que diz respeito ao seu inconformismo intelectual, como ele apontou em seu Estudo Autobiográfico. Elas também teriam um efeito substancial no conteúdo das ideias psicanalíticas, particularmente no que se refere às suas preocupações comuns com a interpretação profunda e “a limitação do desejo pela lei”.

Em 1896, Minna Bernays, irmã de Martha Freud, tornou-se membro permanente da casa de Freud após a morte de seu noivo. "[Um] artigo publicado em 1969 por John M. Billinsky continha a transcrição de uma conversa que ele teve com [Carl] Jung em 1957, na qual Jung confidenciou que... a própria Minna lhe havia contado sobre seu caso com Freud". Peter J. Swales escreve que Jung confidenciou sobre seu caso "não apenas a John Billinsky, mas também... a seu confidente Carl Meier e à sua própria amante Antonia Wolff". Swales também argumenta que Freud engravidou Minna e providenciou um aborto para ela.

Além disso, Franz Maciejewski apresenta como prova do caso a descoberta de uma entrada no livro de hóspedes de um hotel suíço, datada de 13 de agosto de 1898, assinada por Freud "Dr. Sigm. Freud e esposa", enquanto viajava com sua cunhada. Em Freud: A Criação de uma Ilusão, no entanto, Frederick Crews, embora concorde com Swales que Freud e Minna mantinham relações sexuais e que resultaram em uma gravidez e um aborto, desconsidera a importância do fato de Freud ter assinado o livro de hóspedes do hotel como Dr. e esposa, porque "os hotéis suíços da época teriam se recusado a hospedar um casal assumidamente não casado".

Freud começou a FUMAR tabaco AOS 24 ANOS; inicialmente fumante de cigarros, passou a fumar charutos. Ele acreditava que fumar aumentava sua capacidade de trabalho e que poderia moderar o consumo exercendo autocontrole. Apesar dos alertas de saúde de seu colega Wilhelm Fliess, ele continuou fumando, eventualmente desenvolvendo câncer bucal. Em novembro de 1923, na esperança de impedir a recorrência do câncer e restaurar seu vigor, Freud se submeteu a uma operação de Steinach, uma vasoligadura que na época era amplamente considerada como tendo efeitos rejuvenescedores. Freud sugeriu a Fliess em 1897 que os vícios, incluindo o tabaco, eram substitutos para a MASTURBAÇÃO, "o único grande hábito".

Freud admirava muito seu tutor de filosofia, Franz Brentano, conhecido por suas teorias da percepção e da introspecção. Brentano discutiu a possível existência do inconsciente em sua obra Psicologia de um Ponto de Vista Empírico (1874). Embora Brentano negasse sua existência, sua discussão sobre o inconsciente provavelmente ajudou a introduzir Freud ao conceito. Freud possuía e utilizava os principais escritos evolucionistas de Charles Darwin e também foi influenciado por A Filosofia do Inconsciente (1869), de Eduard von Hartmann. Outros textos importantes para Freud foram os de Fechner e Herbart, sendo que a obra deste último, Psicologia como Ciência, talvez tenha uma importância subestimada nesse aspecto. Freud também se baseou na obra de Theodor Lipps, um dos principais teóricos contemporâneos dos conceitos de inconsciente e empatia.

Embora Freud relutasse em associar suas percepções psicanalíticas a teorias filosóficas anteriores, foram observadas semelhanças entre seu trabalho e o de Schopenhauer e Nietzsche. Em 1908, Freud afirmou que lia Nietzsche ocasionalmente e que era profundamente fascinado por seus escritos, mas não o estudava, pois considerava que as "percepções intuitivas" de Nietzsche se assemelhavam demais ao seu próprio trabalho na época, e também porque se sentia sobrecarregado pela "riqueza de ideias" que encontrava ao ler Nietzsche. Freud por vezes negava a influência das ideias de Nietzsche. O historiador Paul Roazen cita Peter L. Rudnytsky, que escreveu que, com base na correspondência de Freud com seu amigo adolescente Eduard Silberstein, Freud leu O Nascimento da Tragédia de Nietzsche e provavelmente os dois primeiros volumes das Meditações Intempestivas quando tinha dezessete anos. Freud comprou as obras completas de Nietzsche em 1900, dizendo a Wilhelm Fliess que esperava encontrar nas obras de Nietzsche "as palavras para muito do que permanece mudo em mim". Mais tarde, porém, disse que ainda não as tinha aberto. Freud passou a tratar os escritos de Nietzsche, segundo Peter Gay, "como textos a serem resistidos muito mais do que estudados". Seu interesse pela filosofia diminuiu depois que decidiu seguir carreira em neurologia.

Freud LEU William Shakespeare em inglês; sua compreensão da psicologia humana pode ter sido influenciada pelas peças de Shakespeare.

Relação com Fliess: Durante o período formativo de seu trabalho, Freud valorizou e passou a depender do apoio intelectual e emocional de seu amigo Wilhelm Fliess , um otorrinolaringologista radicado em Berlim, que ele conhecera em 1887. Ambos se viam isolados da corrente clínica e teórica dominante devido às suas ambições de desenvolver novas teorias radicais sobre a sexualidade. Fliess desenvolveu teorias altamente excêntricas sobre biorritmos humanos e uma conexão nasogenital, que hoje são consideradas pseudocientíficas. Ele compartilhava das opiniões de Freud sobre a importância de certos aspectos da sexualidade – masturbação, coito interrompido e o uso de preservativos – na etiologia do que era então chamado de "neuroses reais", principalmente neurastenia e certos sintomas de ansiedade manifestados fisicamente. Eles mantiveram uma extensa correspondência, da qual Freud se baseou nas especulações de Fliess sobre sexualidade infantil e bissexualidade para elaborar e revisar suas próprias ideias. Sua primeira tentativa de uma teoria sistemática da mente, seu Projeto para uma Psicologia Científica, foi desenvolvida como uma metapsicologia com Fliess como interlocutor. No entanto, os esforços de Freud para construir uma ponte entre a neurologia e a psicologia foram eventualmente abandonados depois de terem chegado a um impasse, como revelam suas cartas a Fliess, embora algumas ideias do Projeto tenham sido retomadas no capítulo final de A Interpretação dos Sonhos.

Freud submeteu Fliess a repetidas cirurgias no nariz e seios nasais para tratar a "neurose reflexa nasal" e, posteriormente, encaminhou sua paciente Emma Eckstein a ele. Segundo Freud, o histórico de sintomas dela incluía fortes dores nas pernas com consequente restrição de movimento, além de dores de estômago e menstruais. Essas dores eram, de acordo com as teorias de Fliess, causadas pela masturbação habitual, que, como o tecido do nariz e dos genitais estavam interligados, era curável pela remoção de parte da concha nasal média. A cirurgia de Fliess provou ser desastrosa, resultando em sangramento nasal profuso e recorrente; ele deixou meio metro de gaze na cavidade nasal de Eckstein e sua remoção subsequente a deixou permanentemente desfigurada. Inicialmente, embora ciente da culpabilidade de Fliess e encarando a cirurgia corretiva com horror, Freud só conseguiu insinuar delicadamente, em sua correspondência com Fliess, a natureza de seu papel desastroso, e em cartas subsequentes manteve um silêncio diplomático sobre o assunto ou então retornou ao tópico da histeria de Eckstein, para evitar constrangimentos. Freud, por fim, à luz do histórico de automutilação na adolescência e sangramentos nasais (e menstruais) irregulares de Eckstein, concluiu que Fliess era "completamente inocente", já que as hemorragias pós-operatórias de Eckstein eram "sangramentos por desejo" histéricos, ligados a "um antigo desejo de ser amada em sua doença" e desencadeados como um meio de "reavivar o afeto [de Freud]". Eckstein, no entanto, continuou sua análise com Freud. Ela recuperou totalmente a mobilidade e passou a praticar psicanálise.

Freud, que havia chamado Fliess de "o Kepler da biologia", concluiu mais tarde que uma combinação de um apego homoerótico e o resíduo de seu "misticismo especificamente judaico" estavam por trás de sua lealdade ao amigo judeu e sua consequente superestimação tanto de seu trabalho teórico quanto clínico. A amizade entre eles terminou de forma acrimoniosa, com Fliess irritado com a relutância de Freud em endossar sua teoria geral da periodicidade sexual e acusando-o de conluio no plágio de sua obra. Depois que Fliess não respondeu à oferta de Freud de colaboração na publicação de seus Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade em 1906, o relacionamento entre eles chegou ao fim.

Desenvolvimento da psicanálise: Em outubro de 1885, Freud foi a Paris com uma bolsa de estudos de três meses para estudar com Jean-Martin Charcot , um renomado neurologista que conduzia pesquisas científicas sobre hipnose . Mais tarde, ele recordaria a experiência dessa estadia como catalisadora para direcioná-lo à prática da psicopatologia médica e afastá-lo de uma carreira menos promissora financeiramente na pesquisa neurológica. Charcot especializou-se no estudo da histeria e da suscetibilidade à hipnose, que ele frequentemente demonstrava com pacientes no palco diante de uma plateia.

Após estabelecer seu consultório particular em Viena, em 1886, Freud começou a usar a hipnose em sua prática clínica. Ele adotou a abordagem de seu amigo e colaborador, Josef Breuer, em um tipo de hipnose diferente dos métodos franceses que havia estudado, pois não utilizava sugestão. O tratamento de uma paciente específica de Breuer provou ser transformador para a prática clínica de Freud. Descrita como Anna O., ela foi convidada a falar sobre seus sintomas enquanto estava sob hipnose (ela cunharia a expressão "cura pela fala"). Seus sintomas diminuíram em intensidade à medida que ela recuperava memórias de incidentes traumáticos associados ao seu início.

Os resultados inconsistentes do trabalho clínico inicial de Freud acabaram por levá-lo a abandonar a hipnose, tendo concluído que um alívio dos sintomas mais consistente e eficaz poderia ser alcançado encorajando os pacientes a falar livremente, sem censura ou inibição, sobre quaisquer ideias ou memórias que lhes viessem à mente. Ele chamou esse procedimento de "associação livre". Em conjunto com isso, Freud descobriu que os sonhos dos pacientes podiam ser analisados de forma proveitosa para revelar a estruturação complexa do material inconsciente e demonstrar a ação psíquica da repressão que, ele havia concluído, estava na base da formação dos sintomas. Em 1896, ele já usava o termo "psicanálise" para se referir ao seu novo método clínico e às teorias em que se baseava.

O desenvolvimento dessas novas teorias por Freud ocorreu durante um período em que ele experimentou irregularidades cardíacas, sonhos perturbadores e períodos de depressão — uma "neurastenia" que ele ligou à morte de seu pai em 1896 e que provocou uma "autoanálise" de seus próprios sonhos e memórias da infância. Suas explorações de seus sentimentos de hostilidade em relação ao pai e ciúme rival em relação ao afeto de sua mãe o levaram a revisar fundamentalmente sua teoria da origem das neuroses.

Com base em seu trabalho clínico inicial, Freud postulou que memórias inconscientes de abuso sexual na primeira infância eram uma condição necessária para psiconeuroses (histeria e neurose obsessiva), uma formulação agora conhecida como teoria da sedução de Freud. À luz de sua autoanálise, Freud abandonou a teoria de que toda neurose pode ser rastreada até os efeitos do abuso sexual infantil, argumentando agora que cenários sexuais infantis ainda tinham uma função causal. Não importava se eram reais ou imaginados e, em ambos os casos, tornavam-se patogênicos apenas quando atuavam como memórias reprimidas.

Esta transição da teoria do trauma sexual infantil como uma explicação geral de como todas as neuroses se originam para uma que pressupõe a sexualidade infantil autônoma forneceu a base para a formulação subsequente de Freud da teoria do complexo de Édipo.

Freud descreveu a evolução de seu método clínico e apresentou sua teoria sobre as origens psicogenéticas da histeria, demonstrada em diversos relatos de casos, em Estudos sobre a Histeria, publicado em 1895 (em coautoria com Josef Breuer). Em 1899, publicou A Interpretação dos Sonhos, no qual, após uma revisão crítica da teoria existente, Freud oferece interpretações detalhadas de seus próprios sonhos e dos sonhos de seus pacientes em termos de desejos realizados, sujeitos à repressão e à censura do "trabalho onírico". Em seguida, ele estabelece o modelo teórico da estrutura mental (inconsciente, pré-consciente e consciente) no qual essa explicação se baseia. Uma versão abreviada, Sobre os Sonhos , foi publicada em 1901. Em obras que lhe renderiam um público mais amplo, Freud aplicou suas teorias fora do contexto clínico em A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901) e Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente (1905). Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, publicado em 1905, Freud elabora sua teoria da sexualidade infantil, descrevendo suas formas “polimorfas perversas” e o funcionamento das “pulsões” que ela origina na formação da IDENTIDADE SEXUAL. No mesmo ano, ele publicou Fragmento de uma Análise de um Caso de Histeria, que se tornou um de seus estudos de caso mais famosos e controversos. Conhecido como o estudo de caso “Dora”, para Freud, ele ilustrava a histeria como sintoma e contribuiu para sua compreensão da importância da transferência como fenômeno clínico. Em outros estudos de caso iniciais, Freud descreveu a sintomatologia da neurose obsessiva no caso do Homem dos Ratos e da fobia no caso do Pequeno Hans.

Primeiros seguidores: Em 1902, Freud finalmente realizou sua antiga ambição de se tornar professor universitário. O título de "professor extraordinário" era importante para Freud pelo reconhecimento e prestígio que conferia, já que não havia salário nem obrigações de ensino atreladas ao cargo (ele receberia o status superior de "professor ordinário" em 1920). Apesar do apoio da universidade, sua nomeação como professor extraordinário foi bloqueada em anos sucessivos pelas autoridades políticas e só foi garantida com a intervenção de uma ex-paciente influente, a Baronesa Marie Ferstel, que (supostamente) teve que subornar o ministro da educação com uma pintura valiosa.

Freud continuou com a série regular de palestras sobre seu trabalho, que, desde meados da década de 1880, como docente da Universidade de Viena, ele vinha apresentando para pequenos públicos todos os sábados à noite no auditório da clínica psiquiátrica da universidade. A partir do outono de 1902, quatro médicos vienenses que haviam demonstrado interesse pelo trabalho de Freud foram convidados a se reunir em seu apartamento TODAS AS QUARTAS-FEIRAS À TARDE para discutir questões relacionadas à psicologia e à neuropatologia. Esse grupo foi chamado de Sociedade Psicológica das Quartas-feiras (Psychologische Mittwochs-Gesellschaft) e marcou o início do movimento psicanalítico mundial.

Freud fundou este grupo de discussão por sugestão do médico Wilhelm Stekel, um dos cinco membros originais. Stekel havia estudado medicina; sua conversão à psicanálise é atribuída, ora ao tratamento bem-sucedido que recebeu de Freud para um problema sexual, ora como resultado da leitura de A Interpretação dos Sonhos, obra que posteriormente resenhou positivamente no jornal vienense Neues Wiener Tagblatt, em 1902. Outro membro original, Alfred Adler, é frequentemente considerado o intelecto mais formidável do círculo inicial de Freud. Adler era socialista e, em 1898, escreveu um manual de saúde para alfaiates. Ele estava particularmente interessado no potencial impacto social da psiquiatria.

Os outros dois membros originais que Freud convidou para participar, Max Kahane e Rudolf Reitler, também eram médicos e todos os cinco membros eram judeus de nascimento. Tanto Kahane quanto Reitler eram amigos de infância de Freud, tendo estudado com ele na universidade e se mantido atualizados sobre o desenvolvimento das ideias de Freud, assistindo às suas palestras de sábado à noite. Em 1901, Kahane, que apresentou Stekel ao trabalho de Freud, abriu um instituto de psicoterapia ambulatorial do qual era diretor em Viena. No mesmo ano, foi publicado o livro didático de medicina de Kahane, Esboço de Medicina Interna para Estudantes e Médicos Praticantes. Nele, ele forneceu um esboço do método psicanalítico de Freud. Kahane rompeu com Freud e deixou a Sociedade Psicológica das Quartas-feiras em 1907 por razões desconhecidas e, em 1923, COMETEU SUICÍDIO. Reitler, por outro lado, era o diretor de um estabelecimento que oferecia tratamentos termais em Dorotheergasse, fundado em 1901. Ele é descrito como "tendo se tornado o segundo psicanalista do mundo, depois do próprio Freud". Infelizmente, "a carreira médica e científica de Reitler foi interrompida por uma grave doença em 1914, forçando-o a se aposentar. Ele morreu em um sanatório em Viena em 1917".

Max Graf, musicólogo vienense e pai de "Pequeno Hans", que conheceu Freud pela primeira vez em 1900 e se juntou ao grupo das quartas-feiras logo após sua criação inicial, descreveu o ritual e a atmosfera das primeiras reuniões da sociedade:

“As reuniões seguiam um ritual definido. Primeiro, um dos membros apresentava um artigo. Em seguida, era servido café preto e bolos; charutos e cigarros ficavam sobre a mesa e eram consumidos em grandes quantidades. Após um quarto de hora de conversa informal, a discussão começava. A última e decisiva palavra era sempre proferida pelo próprio Freud. Havia naquela sala a atmosfera da fundação de uma religião. O próprio Freud era o seu novo profeta, que fazia com que os métodos de investigação psicológica até então predominantes parecessem superficiais.”

Em 1906, o grupo havia crescido para dezesseis membros, incluindo Otto Rank, que era empregado como secretário remunerado do grupo. No mesmo ano, Freud iniciou uma correspondência com Carl Gustav Jung, que já era então um pesquisador academicamente aclamado em associação de palavras e na Resposta Galvânica da Pele, e professor na Universidade de Zurique, embora ainda fosse apenas assistente de Eugen Bleuler no Hospital Psiquiátrico Burghölzli em Zurique. Em março de 1907, Jung e Ludwig Binswanger, também um psiquiatra suíço, viajaram para Viena para visitar Freud e participar do grupo de discussão. Posteriormente, eles estabeleceram um pequeno grupo psicanalítico em Zurique. Em 1908, refletindo seu crescente status institucional, o grupo de quarta-feira foi reconstituído como a Sociedade Psicanalítica de Viena com Freud como presidente, cargo que ele abandonou em 1910 em favor de Adler na esperança de neutralizar seu ponto de vista cada vez mais crítico.

A primeira mulher a integrar a Sociedade, Margarete Hilferding, juntou-se a ela em 1910, e no ano seguinte juntaram-se a ela Tatiana Rosenthal e Sabina Spielrein, ambas psiquiatras russas e graduadas da faculdade de medicina da Universidade de Zurique. Antes de concluir seus estudos, Spielrein foi paciente de Jung no Burghölzli, e os detalhes clínicos e pessoais de seu relacionamento tornaram-se objeto de uma extensa correspondência entre Freud e Jung. Ambas as mulheres dariam importantes contribuições ao trabalho da Sociedade Psicanalítica Russa, fundada em 1910.

Os primeiros seguidores de Freud reuniram-se formalmente pela primeira vez no Hotel Bristol, em Salzburgo, em 27 de abril de 1908. Este encontro, que retrospectivamente foi considerado o primeiro Congresso Internacional de Psicanálise, foi convocado por sugestão de Ernest Jones, então um neurologista radicado em Londres que havia descoberto os escritos de Freud e começado a aplicar métodos psicanalíticos em seu trabalho clínico. Jones havia conhecido Jung em uma conferência no ano anterior, e eles se encontraram novamente em Zurique para organizar o Congresso. Havia, como Jones registra, "quarenta e dois presentes, metade dos quais eram ou se tornaram analistas praticantes". Além de Jones e dos contingentes vienenses e zuriqueses que acompanhavam Freud e Jung, também estavam presentes e se destacaram por sua importância posterior no movimento psicanalítico: Karl Abraham e Max Eitingon, de Berlim; Sándor Ferenczi, de Budapeste; e Abraham Brill, radicado em Nova York.

Decisões importantes foram tomadas no Congresso para ampliar o impacto da obra de Freud. Um periódico, o Jahrbuch für psychoanalytische und psychopathologische Forschungen, foi lançado em 1909 sob a direção de Jung. Seguiu-se, em 1910, o periódico mensal Zentralblatt für Psychoanalyse, editado por Adler e Stekel; em 1911, a revista Imago, dedicada à aplicação da psicanálise no campo dos estudos culturais e literários, editada por Rank; e, em 1913, a Internationale Zeitschrift für Psychoanalyse, também editada por Rank. Planos para uma associação internacional de psicanalistas foram elaborados e implementados no Congresso de Nuremberg de 1910, onde Jung foi eleito, com o apoio de Freud, como seu primeiro presidente.

Freud recorreu a Brill e Jones para promover sua ambição de difundir a causa psicanalítica no mundo anglófono. Ambos foram convidados a Viena após o Congresso de Salzburgo e uma divisão de trabalho foi acordada, com Brill recebendo os direitos de tradução das obras de Freud, e Jones, que assumiria um cargo na Universidade de Toronto ainda naquele ano, encarregado de estabelecer uma plataforma para as ideias freudianas na vida acadêmica e médica norte-americana. A defesa de Jones preparou o terreno para a visita de Freud aos Estados Unidos, acompanhado por Jung e Ferenczi, em setembro de 1909, a convite de Stanley Hall, presidente da Universidade Clark, em Worcester, Massachusetts, onde ele proferiu cinco palestras sobre psicanálise. Essa visita foi interrompida quando Freud contraiu intoxicação alimentar, resultando nessas palestras sendo as únicas que ele proferiu na América do Norte.

O evento, no qual Freud recebeu um doutorado honorário, marcou o primeiro reconhecimento público do trabalho de Freud e atraiu amplo interesse da mídia. A plateia de Freud incluía o distinto neurologista e psiquiatra James Jackson Putnam, professor de Doenças do Sistema Nervoso em Harvard, que convidou Freud para seu retiro no campo, onde mantiveram extensas discussões durante quatro dias. O subsequente endosso público de Putnam ao trabalho de Freud representou um avanço significativo para a causa psicanalítica nos Estados Unidos. Quando Putnam e Jones organizaram a fundação da Associação Psicanalítica Americana em maio de 1911, foram eleitos presidente e secretário, respectivamente. Brill fundou a Sociedade Psicanalítica de Nova York no mesmo ano. Suas traduções para o inglês da obra de Freud começaram a aparecer em 1909.

Renúncias do IPA: Alguns dos seguidores de Freud posteriormente se retiraram da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) e fundaram suas próprias escolas.

A partir de 1909, as opiniões de Adler sobre temas como a neurose começaram a divergir marcadamente das de Freud. À medida que a posição de Adler se tornava cada vez mais incompatível com o freudismo, uma série de confrontos entre os seus respectivos pontos de vista ocorreu nas reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena, em janeiro e fevereiro de 1911. Em fevereiro de 1911, Adler, então presidente da sociedade, renunciou ao cargo. Nessa época, Stekel também renunciou ao cargo de vice-presidente da sociedade. Adler finalmente deixou o grupo freudiano em junho de 1911 para formar a sua própria organização com outros nove membros que também haviam renunciado ao grupo. Essa nova formação foi inicialmente chamada de Sociedade para a Psicanálise Livre , mas logo foi renomeada para Sociedade para a Psicologia Individual. No período posterior à Primeira Guerra Mundial, Adler tornou-se cada vez mais associado a uma posição psicológica que ele próprio desenvolveu, denominada psicologia individual.

Em 1912, Jung publicou Wandlungen und Symbole der Libido (publicado em inglês em 1916 como Psychology of the Unconscious), deixando claro que suas ideias estavam tomando uma direção bastante diferente da de Freud. Para distinguir seu sistema da psicanálise, Jung o chamou de psicologia analítica. Antecipando o rompimento definitivo da relação entre Freud e Jung, Ernest Jones iniciou a formação de um Comitê Secreto de lealistas encarregado de salvaguardar a coerência teórica e o legado institucional do movimento psicanalítico. Formado no outono de 1912, o Comitê era composto por Freud, Jones, Abraham, Ferenczi, Rank e Hanns Sachs. Max Eitingon juntou-se ao Comitê em 1919. Cada membro se comprometeu a não se desviar publicamente dos princípios fundamentais da teoria psicanalítica antes de discutir suas ideias com os demais. Após esse desenvolvimento, Jung reconheceu que sua posição era insustentável e renunciou ao cargo de editor do Jahrbuch e, em seguida, ao de presidente da IPA em abril de 1914. A filial de Zurique da IPA retirou-se da associação em julho do ano seguinte.

Mais tarde, naquele mesmo ano, Freud publicou um artigo intitulado "A História do Movimento Psicanalítico", cujo original em alemão foi publicado pela primeira vez no Jahrbuch, apresentando sua visão sobre o nascimento e a evolução do movimento psicanalítico e a saída de Adler e Jung do mesmo.

A deserção final do círculo íntimo de Freud ocorreu após a publicação, em 1924, de A Trauma do Nascimento, de Rank, que outros membros do Comitê interpretaram como, na prática, um abandono do Complexo de Édipo como princípio central da teoria psicanalítica. Abraham e Jones tornaram-se críticos cada vez mais veementes de Rank. Embora ele e Freud relutassem em encerrar seu relacionamento próximo e de longa data, a ruptura finalmente aconteceu em 1926, quando Rank renunciou aos seus cargos oficiais na IPA e deixou Viena rumo a Paris. Seu lugar no comitê foi ocupado por Anna Freud. Rank acabou se estabelecendo nos Estados Unidos, onde suas revisões da teoria freudiana influenciariam uma nova geração de terapeutas incomodados com as ortodoxias da IPA.

Movimento psicanalítico inicial: Após a fundação da IPA em 1910, uma rede internacional de sociedades psicanalíticas, institutos de formação e clínicas tornou-se bem estabelecida e um calendário regular de congressos bianuais teve início após o fim da Primeira Guerra Mundial para coordenar as suas atividades e como fórum para apresentação de trabalhos sobre tópicos clínicos e teóricos.

Abraham e Eitingon fundaram a Sociedade Psicanalítica de Berlim em 1910 e, posteriormente, o Instituto Psicanalítico de Berlim e a Policlínica em 1920. As inovações da Policlínica no tratamento gratuito, na análise infantil e a padronização do treinamento psicanalítico pelo Instituto de Berlim tiveram uma grande influência no movimento psicanalítico em geral. Em 1927, Ernst Simmel fundou o Sanatório Schloss Tegel nos arredores de Berlim, o primeiro estabelecimento desse tipo a fornecer tratamento psicanalítico em um contexto institucional. Freud organizou um fundo para ajudar a financiar suas atividades, e seu filho arquiteto, Ernst, foi contratado para reformar o prédio. O sanatório foi forçado a fechar em 1931 por razões econômicas.

A Sociedade Psicanalítica de Moscou de 1910 tornou-se a Sociedade e Instituto Psicanalítico Russo em 1922. Os seguidores russos de Freud foram os primeiros a se beneficiarem das traduções de sua obra, sendo a tradução russa de A Interpretação dos Sonhos, de 1904, publicada nove anos antes da edição inglesa de Brill. O Instituto Russo foi o único a receber apoio estatal para suas atividades, incluindo a publicação de traduções das obras de Freud. O apoio foi abruptamente anulado em 1924, quando Josef Stalin chegou ao poder, após o que a psicanálise foi denunciada por motivos ideológicos.

Após ajudar a fundar a Associação Psicanalítica Americana em 1911, Ernest Jones retornou da Canadá para a Grã-Bretanha em 1913 e fundou a Sociedade Psicanalítica de Londres. Em 1919, ele dissolveu essa organização e, com sua membresia principal expurgada de adeptos junguianos, fundou a Sociedade Psicanalítica Britânica, servindo como seu presidente até 1944. O Instituto de Psicanálise foi estabelecido em 1924 e a Clínica de Psicanálise de Londres foi estabelecida em 1926, ambos sob a direção de Jones.

O Ambulatório de Viena (Clínica) foi estabelecido em 1922 e o Instituto Psicanalítico de Viena foi fundado em 1924 sob a direção de Helene Deutsch. Ferenczi fundou o Instituto Psicanalítico de Budapeste em 1913 e uma clínica em 1929.

Sociedades e institutos psicanalíticos foram estabelecidos na Suíça (1919), França (1926), Itália (1932), Holanda (1933), Noruega (1933) e na Palestina sob Mandato Britânico (Jerusalém, 1933) por Eitingon, que fugiu de Berlim após a ascensão de Adolf Hitler ao poder. O Instituto Psicanalítico de Nova York foi fundado em 1931.

O Congresso de Berlim de 1922 foi o último a que Freud assistiu. Nessa altura, a sua fala tinha ficado seriamente prejudicada pelo dispositivo protético de que necessitava devido a uma série de operações no seu maxilar canceroso. Mantinha-se a par dos desenvolvimentos através de correspondência regular com os seus principais seguidores e através das cartas circulares e reuniões do Comité Secreto, às quais continuou a assistir.

O Comitê continuou a funcionar até 1927, altura em que os desenvolvimentos institucionais dentro da IPA, como o estabelecimento da Comissão Internacional de Formação, abordaram as preocupações sobre a transmissão da teoria e prática psicanalíticas. Permaneceram, contudo, diferenças significativas sobre a questão da análise leiga – isto é, a aceitação de candidatos sem formação médica para a formação psicanalítica. Freud apresentou os seus argumentos a favor em 1926, na sua obra A Questão da Análise Leiga . Foi resolutamente contestado pelas sociedades americanas, que expressaram preocupações sobre os padrões profissionais e o risco de litígios (embora os analistas de crianças fossem isentos). Alguns dos seus colegas europeus partilharam estas preocupações. Finalmente, chegou-se a um acordo que permitia às sociedades autonomia na definição dos critérios de candidatura.

Em 1930, Freud recebeu o Prêmio Goethe em reconhecimento às suas contribuições para a psicologia e a cultura literária alemã. Em meados da década de 1920, Freud já era uma figura reconhecida internacionalmente. Em 1925, o produtor de Hollywood Samuel Goldwyn viajou a Viena com a intenção de lhe oferecer US$ 100.000 para assessorá-lo em um filme sobre as grandes histórias de amor da história; Freud recusou-se até mesmo a encontrá-lo, o que levou o New York Times a publicar a manchete "Freud rejeita Goldwyn". Seu sobrinho Edward Bernays, pioneiro das relações públicas nos Estados Unidos, baseou-se em ideias psicanalíticas para desenvolver sua teoria da propaganda e ajudou a popularizar o trabalho de seu tio naquele país. Freud foi repetidamente indicado ao Prêmio Nobel — nomeado em diversas ocasiões para o prêmio de Fisiologia ou Medicina e apoiado por admiradores literários, incluindo Thomas Mann e Romain Rolland — mas nunca o recebeu. Por ocasião do octogésimo aniversário de Freud, em 1936, Mann proferiu um discurso intitulado "Freud e o Futuro" (Freud und die Zukunft), em sua homenagem. Em 1932, a convite do Instituto Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações, Freud trocou correspondência aberta com Albert Einstein sobre as causas da guerra e as perspectivas de evitá-la. Publicada em 1933 como Por que a Guerra? (Warum Krieg?), a contribuição de Freud relacionava a agressividade humana à sua teoria da pulsão de morte, ao mesmo tempo que expressava uma esperança cautelosa de que o avanço da cultura pudesse combater a guerra.

Pacientes: Freud usou pseudônimos em seus históricos de casos. Alguns pseudônimos que ele usou para os pacientes foram Cäcilie M. (Anna von Lieben); Dora (Ida Bauer, 1882–1945); Frau Emmy von N. (Fanny Moser); Fräulein Elisabeth von R. (Ilona Weiss); Fräulein Katharina (Aurelia Kronich); Sra. Lucy R.; Pequeno Hans (Herbert Graf, 1903–1973); Homem Rato (Ernst Lanzer); Enos Fingy (Joshua Wild); e Homem Lobo (Sergei Pankejeff). Outros pacientes famosos incluíram o príncipe Pedro Augusto DO BRASIL; HD; Emma Eckstein; Gustav Mahler, com quem Freud teve apenas uma única e prolongada consulta; Bruno Valter; Princesa Marie Bonaparte; Edith Banfield Jackson; e Albert Hirst.

Câncer: Em 1917, Freud notou uma lesão dolorosa no céu da boca, mas como ela regrediu, ele não procurou atendimento médico. Em fevereiro de 1923, o crescimento havia se espalhado, e foi então que Freud o identificou como leucoplasia ou epitelioma, causados pelo seu hábito de fumar. Relutante em parar de fumar, ele inicialmente manteve seus sintomas em segredo. Mais tarde, Freud consultou o dermatologista Maximilian Steiner, que o aconselhou a parar de fumar, mas minimizou as implicações da lesão. Pouco depois, Freud encontrou-se com Felix Deutsch, que também relutou em dizer a Freud que o crescimento era cancerígeno. Ele também o descreveu como um caso de leucoplasia. Ambos disseram a Freud para parar de fumar, e Deutsch disse-lhe para procurar tratamento cirúrgico. Freud foi tratado por Marcus Hajek, um rinologista cuja competência ele havia questionado anteriormente. Hajek realizou uma cirurgia estética desnecessária no ambulatório de sua clínica. Freud sangrou durante e após a operação e pode ter escapado da morte por pouco. Numa visita subsequente, Deutsch viu que seria necessária mais cirurgia, mas não contou a Freud que tinha cancro porque estava preocupado que Freud pudesse tentar o suicídio.

Fuga dos nazistas: Em janeiro de 1933, o Partido Nazista assumiu o controle da Alemanha, e os livros de Freud estavam entre os mais queimados. Freud comentou com Ernest Jones: "Que progresso estamos fazendo. Na Idade Média, eles teriam me queimado. Agora, contentam-se em queimar meus livros." Freud subestimou a crescente ameaça nazista e permaneceu determinado a ficar em Viena, mesmo após o Anschluss de 13 de março de 1938 e os surtos de antissemitismo violento que se seguiram. Jones, então presidente da Associação Psicanalítica Internacional (IPA), voou para Viena em 15 de março, determinado a fazer Freud mudar de ideia e buscar exílio na Grã-Bretanha. Essa perspectiva e o choque da prisão e interrogatório de Anna Freud em 22 de março pela Gestapo finalmente convenceram Freud de que era hora de partir. Jones partiu para Londres na semana seguinte com uma lista fornecida por Freud do grupo de emigrados para os quais seriam necessárias autorizações de imigração. De volta a Londres, Jones usou seu conhecimento pessoal do Ministro do Interior, Sir Samuel Hoare, para agilizar a concessão de autorizações. Foram dezessete no total, e autorizações de trabalho foram concedidas quando relevantes. Jones também usou sua influência em círculos científicos, persuadindo o presidente da Royal Society, Sir William Bragg, a escrever ao Ministro das Relações Exteriores, Lord Halifax, solicitando, com sucesso, que fosse exercida pressão diplomática em Berlim e Viena em nome de Freud. Freud também contou com o apoio de diplomatas americanos, notadamente seu ex-paciente e embaixador americano na França, William Bullitt. Bullitt alertou o presidente dos EUA, Roosevelt, sobre os crescentes perigos que os Freud enfrentavam, resultando na organização, pelo cônsul-geral americano em Viena, John Cooper Wiley, de um monitoramento regular da Berggasse 19. Ele também interveio por telefone durante o interrogatório da Gestapo contra Anna Freud.

A partida de Viena ocorreu em etapas ao longo do final de abril e início de maio de 1938. O neto de Freud, Ernst Halberstadt, e a esposa e os filhos do filho de Freud, Martin, partiram para Paris em abril. A cunhada de Freud, Minna Bernays, partiu para Londres em 5 de maio, Martin Freud na semana seguinte, e a filha de Freud, Mathilde, e seu marido, Robert Hollitscher, em 24 de maio.

No final do mês, os preparativos para a partida de Freud para Londres estavam paralisados, atolados num processo de negociação juridicamente tortuoso e financeiramente extorsivo com as autoridades nazistas. De acordo com os regulamentos impostos à população judaica pelos nazistas, um Comissário foi nomeado para administrar os bens de Freud e os da IPA. Era Anton Sauerwald, que havia estudado química na Universidade de Viena com o Professor Josef Herzig, um antigo amigo de Freud. Sauerwald leu os livros de Freud para aprender mais sobre ele e simpatizou com ele. Embora fosse obrigado a divulgar detalhes de todas as contas bancárias de Freud aos seus superiores e a providenciar a destruição da biblioteca histórica de livros abrigada na IPA, Sauerwald não fez nenhuma das duas coisas. Em vez disso, removeu as provas das contas bancárias estrangeiras de Freud para sua própria guarda e providenciou o armazenamento da biblioteca da IPA na Biblioteca Nacional Austríaca, onde permaneceu até o final da guerra.

Embora a intervenção de Sauerwald tenha atenuado o peso financeiro do Imposto de Fuga do Reich sobre os bens declarados de Freud, outras taxas substanciais foram cobradas em relação às dívidas do IPA e à valiosa coleção de antiguidades que Freud possuía. Incapaz de acessar suas próprias contas, Freud recorreu à princesa Maria Bonaparte, a mais eminente e rica de suas seguidoras francesas, que havia viajado a Viena para oferecer seu apoio, e foi ela quem disponibilizou os fundos necessários. Isso permitiu que Sauerwald assinasse os vistos de saída necessários para Freud, sua esposa Martha e sua filha Anna. Eles partiram de Viena no Expresso do Oriente em 4 de junho, acompanhados por sua governanta e um médico, chegando a Paris no dia seguinte, onde se hospedaram na casa de Maria Bonaparte, antes de viajarem durante a noite para Londres, chegando à estação Victoria em 6 de junho.

Entre aqueles que em breve visitariam Freud em Londres para prestar suas homenagens estavam Salvador Dalí, Stefan Zweig, Leonard e Virginia Woolf e H.G. Wells. Representantes da Royal Society compareceram com a Carta da Sociedade para Freud, que havia sido eleito Membro Estrangeiro em 1936, para que ele se tornasse membro. Marie Bonaparte chegou perto do final de junho para discutir o destino das quatro irmãs idosas de Freud em Viena. Suas tentativas subsequentes de conseguir vistos de saída para elas falharam; todas foram assassinadas em campos de concentração nazistas.

No início de 1939, Sauerwald chegou a Londres em circunstâncias misteriosas, onde conheceu Alexander, irmão de Freud. Ele foi julgado e preso em 1945 por um tribunal austríaco por suas atividades como funcionário do Partido Nazista. Respondendo a um apelo de sua esposa, Anna Freud escreveu para confirmar que Sauerwald "usou seu cargo como nosso comissário nomeado de forma a proteger meu pai". Sua intervenção ajudou a garantir sua libertação em 1947.

A nova casa da família de Freud foi estabelecida em Hampstead, no número 20 da Maresfield Gardens, em setembro de 1938. O filho de Freud, Ernst, que era arquiteto, projetou modificações no edifício, incluindo a instalação de um elevador elétrico. As áreas de estudo e biblioteca foram organizadas para criar a atmosfera e a impressão visual dos consultórios de Freud em Viena. Ele continuou a atender pacientes lá até os estágios terminais de sua doença. Ele também trabalhou em seus últimos livros, Moisés e o Monoteísmo, publicado em alemão em 1938 e em inglês no ano seguinte e o inacabado Esboço de Psicanálise, que foi publicado postumamente.

MORTE

Em meados de setembro de 1939, o câncer na mandíbula de Freud causava-lhe dores cada vez mais intensas e fora considerado inoperável. O último livro que lera, A Pele de Desgosto, de Balzac, provocou reflexões sobre sua crescente fragilidade. Alguns dias depois, dirigiu-se ao seu médico, amigo e companheiro refugiado, Max Schur, lembrando-o de que já haviam discutido os estágios terminais de sua doença: "Schur, você se lembra do nosso 'acordo' de não me abandonar quando chegasse a hora? Agora, isso não passa de tortura e não faz sentido algum." Quando Schur respondeu que não havia esquecido, Freud disse: "Agradeço", e então: "Converse com Anna, e se ela achar que é o certo, então ponha um fim nisso." Anna Freud queria ADIAR A MORTE DO PAI, mas Schur a convenceu de que era inútil mantê-lo vivo; Nos dias 21 e 22 de setembro, ele administrou doses de morfina que resultaram na morte de Freud por volta das 3h da manhã do dia 23 de setembro de 1939. No entanto, discrepâncias nos relatos que Schur deu sobre seu papel nas últimas horas de Freud levaram a inconsistências entre os principais biógrafos de Freud. Um relato revisado propõe que Schur estava ausente do leito de morte de Freud quando uma terceira e última dose de morfina foi administrada por Josephine Stross, uma colega de Anna Freud, levando à morte de Freud por volta da meia-noite do dia 23 de setembro de 1939.

Três dias após sua morte, o corpo de Freud foi cremado no Crematório de Golders Green, com a Harrods atuando como agente funerário, por instruções de seu filho, Ernst. Orações fúnebres foram proferidas por Ernest Jones e pelo escritor austríaco Stefan Zweig. As cinzas de Freud foram posteriormente colocadas em um canto do Columbário Ernest George do crematório, sobre um pedestal projetado por seu filho, Ernst, em uma cratera de sino grega antiga lacrada pintada com cenas dionisíacas que Freud havia recebido como presente de Maria Bonaparte e mantido em seu escritório em Viena por muitos anos. Após a morte de sua esposa, Martha, em 1951, suas cinzas também foram colocadas na urna.

IDEIAS

Trabalho inicial: Sigmund Freud começou a estudar medicina na Universidade de Viena em 1873. Levou quase nove anos para concluir o curso devido ao seu interesse em pesquisa neurofisiológica, especificamente a investigação da anatomia sexual das enguias e a fisiologia do sistema nervoso dos peixes, e também devido ao seu interesse em estudar filosofia com Franz Brentano. Ele iniciou sua prática privada em neurologia por razões financeiras, recebendo seu doutorado em medicina em 1881, aos 25 anos. Entre suas principais preocupações na década de 1880 estava a anatomia do cérebro, especificamente o bulbo raquidiano. Ele interveio nos importantes debates sobre afasia em 1891 com sua monografia Zur Auffassung der Aphasien, na qual cunhou o termo agnosia e desaconselhou uma visão excessivamente locacionista da explicação dos déficits neurológicos. Assim como seu contemporâneo Eugen Bleuler, ele enfatizou a função cerebral em vez da estrutura do cérebro.

Freud também foi um dos primeiros pesquisadores na área da paralisia cerebral, então conhecida como "paralisia cerebral". Ele publicou diversos artigos médicos sobre o tema e demonstrou que a doença existia muito antes de outros pesquisadores da época começarem a estudá-la. Ele sugeriu que William John Little, o homem que primeiro identificou a paralisia cerebral, estava errado ao afirmar que a falta de oxigênio durante o parto era uma causa. Em vez disso, ele sugeriu que as complicações no parto eram um sintoma.

As origens dos primeiros trabalhos de Freud em psicanálise remontam a Josef Breuer. Freud atribuiu a Breuer o mérito de ter aberto caminho para a descoberta do método psicanalítico por meio de seu tratamento de Anna O., o primeiro estudo de caso em Estudos sobre a Histeria (1895), de Freud e Breuer. Em novembro de 1880, Breuer foi chamado para tratar uma jovem de 21 anos, Bertha Pappenheim, de grande inteligência, que apresentava tosse persistente e alucinações, diagnosticadas por ele como histéricas. Ele constatou que, enquanto cuidava de seu pai moribundo, ela havia desenvolvido alguns sintomas transitórios, incluindo distúrbios visuais, paralisia e contraturas dos membros, também diagnosticados como histéricos. Breuer passou a atender sua paciente quase diariamente, à medida que os sintomas se intensificavam e se tornavam mais persistentes, e observou que ela entrava em estados de ausência. Ele descobriu que, quando, com seu incentivo, ela contava histórias de fantasia em seus estados de ausência noturnos , seu quadro melhorava e a maioria de seus sintomas havia desaparecido em abril de 1881. Após a morte de seu pai naquele mês, seu quadro se deteriorou. Breuer registrou que alguns dos sintomas eventualmente remitiram espontaneamente e que a recuperação completa foi alcançada induzindo-a a recordar eventos que haviam precipitado a ocorrência de um sintoma específico. Nos anos imediatamente posteriores ao tratamento de Breuer, Anna O. passou três breves períodos em sanatórios com o diagnóstico de "histeria" com "sintomas somáticos", e alguns autores contestaram o relato publicado por Breuer sobre uma cura. Richard Skues rejeita as afirmações desses autores de que Anna O. não foi curada, que ele vê como provenientes tanto de admiradores quanto de detratores de Freud, ambos os quais Skues mostra que "difamaram injustamente a veracidade e a integridade de Josef Breuer".

A teoria da sedução: No início da década de 1890, Freud utilizou uma forma de tratamento baseada na que Breuer lhe havia descrito, modificada pelo que ele chamou de sua "técnica de pressão" e por sua técnica analítica recém-desenvolvida de interpretação e reconstrução. De acordo com os relatos posteriores de Freud sobre esse período, como resultado do uso desse procedimento, a maioria de seus pacientes em meados da década de 1890 relatou abuso sexual na primeira infância. Ele usou esses relatos como base para sua teoria da sedução, mas depois passou a acreditar que alguns deles eram fantasias. Inicialmente, explicou-as como tendo a função de "afastar" memórias de masturbação infantil. Mais tarde, escreveu que representavam fantasias edipianas, derivadas de impulsos inatos de natureza sexual e destrutiva.

Outra versão dos acontecimentos centra-se na proposta de Freud de que memórias inconscientes de abuso sexual infantil estavam na raiz das psiconeuroses, em cartas a Fliess em outubro de 1895, antes de relatar que de fato havia descoberto tal abuso entre seus pacientes. No primeiro semestre de 1896, Freud publicou três artigos, que levaram à sua teoria da sedução, afirmando que havia descoberto, em todos os seus pacientes atuais, memórias profundamente reprimidas de abuso sexual na primeira infância. Nesses artigos, Freud registrou que seus pacientes não estavam conscientes dessas memórias e, portanto, deviam estar presentes como memórias inconscientes para que resultassem em sintomas histéricos ou neurose obsessiva. Os pacientes foram submetidos a uma pressão considerável para "reproduzir" "cenas" de abuso sexual infantil que Freud estava convencido de terem sido reprimidas no inconsciente. Os pacientes geralmente não estavam convencidos de que suas experiências com os procedimentos clínicos de Freud indicassem abuso sexual real. Ele relatou que mesmo após uma suposta "reprodução" de cenas sexuais, os pacientes asseguraram-lhe enfaticamente a sua descrença.

Além da técnica de pressão, os procedimentos clínicos de Freud envolviam inferência analítica e a interpretação simbólica dos sintomas para rastrear memórias de abuso sexual infantil. Sua alegação de confirmação de cem por cento de sua teoria apenas serviu para reforçar as reservas expressas anteriormente por seus colegas sobre a validade das descobertas obtidas por meio de suas técnicas sugestivas. Posteriormente, Freud mostrou inconsistência quanto à compatibilidade de sua teoria da sedução com suas descobertas posteriores. Em um adendo à Etiologia da Histeria, ele afirmou: "Deve-se lembrar que, na época em que a escrevi, eu ainda não havia me libertado da minha supervalorização da realidade e da minha baixa valorização da fantasia". Alguns anos depois, Freud rejeitou explicitamente a alegação de seu colega Ferenczi de que os relatos de abuso sexual de seus pacientes eram memórias reais em vez de fantasias, e tentou dissuadir Ferenczi de tornar públicas suas opiniões. Karin Ahbel-Rappe conclui que “Freud traçou e iniciou uma trilha de investigação sobre a natureza da experiência do incesto infantil e seu impacto na psique humana, e depois abandonou essa direção em grande parte.”

Cocaína: Como pesquisador médico, Freud foi um dos primeiros usuários e defensores da cocaína como estimulante e analgésico. Ele acreditava que a cocaína era uma cura para muitos problemas mentais e físicos e, em seu artigo de 1884, "Sobre a Coca", exaltou suas virtudes. Entre 1883 e 1887, escreveu diversos artigos recomendando aplicações médicas, incluindo seu uso como antidepressivo. Ele quase obteve a prioridade científica pela descoberta de suas propriedades anestésicas, das quais tinha conhecimento, mas que havia mencionado apenas de passagem. (Karl Koller, um colega de Freud em Viena, recebeu essa distinção em 1884 após relatar a uma sociedade médica as maneiras pelas quais a cocaína poderia ser usada em cirurgias oculares delicadas.) Freud também recomendou a cocaína COMO CURA para o VÍCIO EM MORFINA. Ele havia apresentado a cocaína ao seu amigo Ernst von Fleischl-Marxow, que se tornara viciado em morfina, tomada para aliviar anos de dores nervosas excruciantes resultantes de uma infecção adquirida após se ferir durante a realização de uma autópsia. Sua afirmação de que Fleischl-Marxow estava curado de seu vício foi prematura. Fleischl-Marxow desenvolveu um caso agudo de "psicose por cocaína" e logo voltou a usar morfina, morrendo alguns anos depois, ainda sofrendo de dores intoleráveis.

A aplicação como anestésico revelou-se um dos poucos usos seguros da cocaína. À medida que relatos de dependência e overdose começaram a surgir de vários lugares do mundo, a reputação médica de Freud ficou um tanto manchada. Após o "Episódio da Cocaína" Freud deixou de recomendar publicamente o uso da droga, mas continuou a tomá-la ocasionalmente para depressão, enxaquecas e inflamação nasal no início da década de 1890, antes de interromper seu uso em 1896.

Mente inconsciente: O conceito de inconsciente, que Freud considerava já bem conhecido entre os poetas, era importante para as suas teorias e ideias; ele também acreditava ser sua responsabilidade garantir que recebesse reconhecimento científico no campo da psicologia.

Freud afirma explicitamente que seu conceito de inconsciente, tal como o formulou inicialmente, baseava-se na teoria da repressão. Em suas formulações do conceito de repressão em seu artigo de 1915 "Repressão" (Edição Standard XIV), Freud introduz a distinção no inconsciente entre repressão primária ligada ao tabu universal do incesto ("inatamente presente originalmente") e repressão ("após expulsão") que era produto da história de vida de um indivíduo ("adquirida no curso do desenvolvimento do ego"), na qual algo que em algum momento foi consciente é rejeitado ou eliminado da consciência.

Em seu relato sobre o desenvolvimento e a modificação de sua teoria dos processos mentais inconscientes, apresentado em seu artigo de 1915 "O Inconsciente" (Edição Standard XIV), Freud identifica as três perspectivas que emprega: a dinâmica, a econômica e a topográfica.

A perspectiva dinâmica aborda, em primeiro lugar, a constituição do inconsciente pela repressão e, em segundo lugar, o processo de "censura", que mantém os pensamentos indesejados e ansiogênicos como tais. Aqui, Freud baseou-se em observações de seu trabalho clínico inicial no tratamento da histeria.

Do ponto de vista econômico, o foco recai sobre as trajetórias dos conteúdos reprimidos ("as vicissitudes dos impulsos sexuais") à medida que estes sofrem transformações complexas no processo tanto de formação de sintomas quanto de pensamento inconsciente normal, como sonhos e lapsos de língua. Esses foram temas que Freud explorou detalhadamente em A Interpretação dos Sonhos e A Psicopatologia da Vida Cotidiana.

Enquanto essas duas perspectivas anteriores se concentram no inconsciente prestes a entrar na consciência, a perspectiva topográfica representa uma mudança na qual as propriedades sistêmicas do inconsciente, seus processos característicos e modos de operação, como condensação e deslocamento , são colocados em primeiro plano.

Esta "primeira topografia" apresenta um modelo de estrutura psíquica que compreende três sistemas:
  1. O Sistema Ucs—o inconsciente: “processo primário” da mente governado pelo princípio do prazer, caracterizado por “isenção de contradição mútua, ...mobilidade de catexias, atemporalidade e substituição da realidade externa pela realidade psíquica.” (“O Inconsciente” (1915) Edição Padrão XIV).
  2. O Sistema PCS: o pré-consciente no qual as representações inconscientes das coisas, provenientes do processo primário, são vinculadas pelos processos secundários da linguagem (representações das palavras), um pré-requisito para que se tornem disponíveis à consciência.
  3. O Sistema Nervoso Central (SNC) — pensamento consciente governado pelo princípio da realidade.
Em sua obra posterior — notadamente em O Ego e o Id (1923) — uma segunda topografia é introduzida, compreendendo id, ego e superego, que se sobrepõe à primeira sem substituí-la. Nesta formulação posterior do conceito de inconsciente, o id compreende um reservatório de instintos ou impulsos — uma parte deles hereditários ou inatos e outra parte reprimida ou adquirida. Como tal, da perspectiva econômica, o id é a principal fonte de energia psíquica; da perspectiva dinâmica, ele entra em conflito com o ego e o superego que, geneticamente falando, são diversificações do id.

A Interpretação dos Sonhos: Na teoria de Freud, os sonhos são inspirados pelos acontecimentos e pensamentos do dia a dia. Naquilo que Freud chamou de "trabalho do sonho", esses pensamentos do "processo secundário" ("apresentações verbais"), regidos pelas regras da linguagem e pelo princípio da realidade, ficam sujeitos ao "processo primário" do pensamento inconsciente ("apresentações de coisas"), regido pelo princípio do prazer, pela gratificação de desejos e pelos cenários sexuais reprimidos da infância. Devido à natureza perturbadora destes últimos e de outros pensamentos e desejos reprimidos que podem ter se ligado a eles, o trabalho do sonho opera uma função de censura, disfarçando, por meio de distorção, deslocamento e condensação, os pensamentos reprimidos para preservar o sono.

No contexto clínico, Freud incentivou a livre associação ao conteúdo manifesto do sonho, conforme relatado na narrativa onírica, para facilitar o trabalho interpretativo sobre seu conteúdo latente — os pensamentos e fantasias reprimidos — e também sobre os mecanismos e estruturas subjacentes que operam no trabalho do sonho. À medida que Freud desenvolvia seu trabalho teórico sobre os sonhos, ele foi além de sua teoria dos sonhos como realizações de desejos para chegar a uma ênfase nos sonhos como "nada mais do que uma forma particular de pensar. ...É o trabalho do sonho que cria essa forma, e somente ele é a essência do sonhar".

Desenvolvimento psicossexual: A teoria do desenvolvimento psicossexual de Freud propõe que, após a perversidade polimorfa inicial da sexualidade infantil, os "impulsos" sexuais passam por três fases de desenvolvimento distintas: a fase oral, a fase anal e a fase fálica. Embora essas fases deem lugar a uma fase de latência de interesse e atividade sexual reduzidos (aproximadamente dos cinco anos de idade até a puberdade), elas deixam um resíduo "perverso" e bissexual que persiste durante a formação da sexualidade genital adulta. Freud argumentou que a neurose e a perversão poderiam ser explicadas em termos de fixação ou regressão a essas fases, enquanto o caráter adulto e a criatividade cultural poderiam alcançar uma sublimação de seu resíduo perverso.

Após o desenvolvimento posterior da teoria do complexo de Édipo por Freud, essa trajetória normativa de desenvolvimento é formulada em termos da renúncia da criança aos desejos incestuosos sob a ameaça fantasiada (ou o fato fantasiado, no caso da menina) de castração. A “dissolução” do complexo de Édipo é então alcançada quando a identificação rival da criança com a figura parental se transforma nas identificações pacificadoras do ideal do ego, que assumem tanto semelhança quanto diferença e reconhecem a separação e a autonomia do outro.

Freud esperava provar que seu modelo era universalmente válido e recorreu à mitologia antiga e à etnografia contemporânea para obter material comparativo, argumentando que o totemismo refletia uma encenação ritualizada de um conflito edipiano tribal.

Id, ego e superego: Freud propôs que a psique humana poderia ser dividida em três partes: o Id, o Ego e o Superego. Freud discutiu esse modelo no ensaio de 1920, Além do Princípio do Prazer, e o elaborou completamente em O Ego e o Id (1923), no qual o desenvolveu como uma alternativa ao seu esquema topográfico anterior (isto é, consciente, inconsciente e pré-consciente). O id é a porção inconsciente da psique que opera segundo o "princípio do prazer" e é a fonte dos impulsos e desejos básicos; busca prazer e gratificação imediatos. Freud reconheceu que seu uso do termo Id (das Es, "o Isso") deriva dos escritos de Georg Groddeck.

O superego é o componente moral da psique. O ego racional tenta estabelecer um equilíbrio entre o hedonismo impraticável do id e o moralismo igualmente impraticável do superego; é a parte da psique que geralmente se reflete mais diretamente nas ações de uma pessoa. Quando sobrecarregado ou ameaçado por suas tarefas, pode empregar mecanismos de defesa, incluindo negação, repressão, anulação, racionalização e deslocamento. Esse conceito geralmente é representado pelo "Modelo do Iceberg". Esse modelo representa os papéis que o id, o ego e o superego desempenham em relação ao pensamento consciente e inconsciente.

Freud comparou a relação entre o ego e o id àquela entre um cocheiro e seus cavalos: os cavalos fornecem a energia e o impulso, enquanto o cocheiro fornece a direção.

Libido, Impulso de morte e Compulsão à repetição: Freud acreditava que a psique humana está sujeita a duas pulsões conflitantes: a pulsão de vida ou libido e a pulsão de morte. A pulsão de vida também era chamada de "Eros" e a pulsão de morte de "Thanatos", embora Freud não tenha usado este último termo; "Thanatos" foi introduzido neste contexto por Paul Federn. Freud hipotetizou que a libido é uma forma de energia mental com a qual processos, estruturas e representações de objetos são investidos.

Em Além do Princípio do Prazer (1920), Freud inferiu a existência de uma pulsão de morte. Sua premissa era um princípio regulador descrito como "o princípio da inércia psíquica", "o princípio do Nirvana" e "o conservadorismo do instinto". Seu pano de fundo era o Projeto para uma Psicologia Científica anterior de Freud, onde ele havia definido o princípio que governava o aparelho mental como sua tendência a se despojar de quantidade ou a reduzir a tensão a zero. Freud fora obrigado a abandonar essa definição, uma vez que ela se mostrou adequada apenas aos tipos mais rudimentares de funcionamento mental, e substituiu a ideia de que o aparelho tende a um nível de tensão zero pela ideia de que ele tende a um nível mínimo de tensão.

Freud, na verdade, readotou a definição original em Além do Princípio do Prazer, desta vez aplicando-a a um princípio diferente. Ele afirmou que, em certas ocasiões, a mente age como se pudesse eliminar a tensão ou, na prática, reduzir-se a um estado de extinção; sua principal evidência para isso era a existência da compulsão à repetição. Exemplos dessa repetição incluíam a vida onírica de neuróticos traumáticos e as brincadeiras infantis. No fenômeno da repetição, Freud via uma tendência psíquica de reelaborar impressões anteriores, dominá-las e extrair prazer delas, uma tendência que precedia o princípio do prazer, mas não se opunha a ele. Além dessa tendência, havia também um princípio em ação que se opunha a, e, portanto, estava "além" do princípio do prazer. Se a repetição é um elemento necessário na consolidação da energia ou na adaptação, quando levada a extremos, torna-se um meio de abandonar adaptações e restabelecer posições psíquicas anteriores ou menos evoluídas. Combinando essa ideia com a hipótese de que toda repetição é uma forma de descarga, Freud concluiu que a compulsão à repetição é um esforço para restaurar um estado que é historicamente primitivo e marcado pelo esgotamento total da energia: a morte. Alguns estudiosos descreveram isso como "biologia metafísica".

Melancolia: Em seu ensaio de 1917, "Luto e Melancolia", Freud distinguiu o luto, uma parte dolorosa, porém inevitável da vida, da "melancolia", seu termo para a recusa patológica do enlutado em se "desvincular" da pessoa falecida. Freud afirmou que, no luto normal, o ego era responsável por desvincular narcisisticamente a libido da pessoa falecida como meio de autopreservação, mas que, na "melancolia", a ambivalência prévia em relação à pessoa falecida impedia que isso ocorresse. O suicídio, hipotetizou Freud, poderia ocorrer em casos extremos, quando sentimentos inconscientes de conflito se voltassem contra o próprio ego do enlutado.

Feminilidade e sexualidade feminina: A explicação de Freud sobre a feminilidade está fundamentada em sua teoria do desenvolvimento psíquico, que traça a transição desigual desde os estágios iniciais da sexualidade infantil e da infância, caracterizados pela perversidade polimorfa e uma disposição bissexual, passando pelos cenários fantasiosos e identificações rivais do complexo de Édipo, até o grau em que esses aspectos são modificados na sexualidade adulta. Existem trajetórias diferentes para o menino e a menina, que surgem como efeitos do complexo de castração. A diferença anatômica, a posse de um pênis, induz a ansiedade de castração no menino, enquanto a menina experimenta uma sensação de privação. No caso do menino, o complexo de castração conclui a fase edipiana, enquanto no caso da menina, ele a precipita.

A contenção dos sentimentos e fantasias eróticas da menina e seu afastamento da mãe para o pai é um processo irregular e precário que acarreta "ondas de repressão". O resultado normal era, segundo Freud, a vagina tornar-se "a nova zona dominante" da sensibilidade sexual, deslocando o clitóris anteriormente dominante, cujas propriedades fálicas o tornavam indistinguível do pênis na vida sexual inicial da criança. Isso deixa um legado de inveja do pênis e ambivalência emocional para a menina, que estava "intimamente relacionado à essência da feminilidade" e leva a "uma maior propensão das mulheres à neurose e especialmente à histeria". Em seu último artigo sobre o tema, Freud conclui igualmente que "o desenvolvimento da feminilidade permanece exposto a perturbações pelos fenômenos residuais do início do período masculino... Parte do que nós, homens, chamamos de 'enigma da mulher' pode talvez derivar dessa expressão da bissexualidade na vida das mulheres".

Iniciando o que se tornou o primeiro debate dentro da psicanálise sobre feminilidade, Karen Horney, do Instituto Psicanalítico de Berlim, propôs-se a desafiar a concepção freudiana de feminilidade. Rejeitando as teorias de Freud sobre o complexo de castração feminino e a inveja do pênis, Horney argumentou em favor de uma feminilidade primária e da inveja do pênis como uma formação defensiva, em vez de surgir do fato, ou "lesão", da assimetria biológica, como Freud sustentava. Horney contou com o apoio influente de Melanie Klein e Ernest Jones, que cunhou o termo "falocentrismo" em sua crítica à posição de Freud.

Ao defender Freud contra essa crítica, a acadêmica feminista Jacqueline Rose argumentou que ela pressupõe uma visão mais normativa do desenvolvimento sexual feminino do que a de Freud. Ela constata que Freud passou de uma descrição da menina presa à sua 'inferioridade' ou 'ferimento' diante da anatomia do menino para uma descrição em sua obra posterior que descreve explicitamente o processo de tornar-se 'feminina' como um 'ferimento' ou 'catástrofe' para a complexidade de sua vida psíquica e sexual anterior.

Ao longo de suas reflexões sobre o que descreveu como o "continente obscuro" da sexualidade feminina e o "enigma" da feminilidade, Freud teve o cuidado de enfatizar a "validade média" e a natureza provisória de suas descobertas. Ele, no entanto, em resposta aos seus críticos, manteve uma objeção firme "a todos vocês... na medida em que não distinguem mais claramente entre o que é psíquico e o que é biológico..."

Ocultismo: Como outros cientistas de sua época, Freud manteve uma relação complexa com o oculto, impulsionada por uma perspectiva racionalista estrita, mas por um interesse persistente e documentado em fenômenos como parapsicologia, mediunidade e transmissão de pensamentos, que ele abordou apesar de um ocultismo extremo inicial.

Este tema foi uma das causas de sua ruptura com Jung, cuja teoria da precognição ele contestou em 1909, considerando-a um completo absurdo. Depois disso, porém, Freud aproximou-se do paranormal para melhor compreender a dinâmica do inconsciente, não por razões místicas ou espirituais, mas porque o considerava digno de atenção científica, a ponto de se tornar membro da Sociedade Britânica de Pesquisa Psíquica em 1911. Ele chegou a afirmar:

“Não sou daqueles que descartam a priori o estudo dos chamados fenômenos psíquicos ocultos como anticientífico, desonroso ou mesmo perigoso. Se eu estivesse no início, e não no fim, de uma carreira científica, como estou hoje, talvez escolhesse justamente este campo de pesquisa, apesar de todas as dificuldades.”

—  Sigmund Freud, de uma carta a Hereward Carrington datada de 24 de julho de 1921.

Um episódio ocorrido em 1919, envolvendo um de seus pacientes, o convenceu particularmente da existência da telepatia, que ele acreditava poder se manifestar no fenômeno da transferência — isto é, quando o forte vínculo emocional entre paciente e analista podia amplificar sua sensibilidade inconsciente, permitindo que uma pessoa captasse os pensamentos não expressos da outra. Essa forma de telepatia, em todo caso, não era para ele um evento mágico ou sobrenatural, mas era considerada o resquício de um método arcaico de comunicação entre seres humanos, posteriormente substituído pela linguagem verbal, e talvez ainda presente no vínculo íntimo entre mãe e filho.

Ele discutiu o assunto em obras como Sonhos e Telepatia (1922) e Sonhos e Ocultismo (1932). No entanto, essas obras, assim como Psicanálise e Telepatia (1921), que só foi publicada vinte anos depois, foram pouco divulgadas, pois seus colegas, principalmente seu colaborador próximo e futuro biógrafo Ernest Jones, pressionaram Freud para manter esses interesses em segredo. A psicanálise era uma ciência jovem, já duramente atacada pela medicina oficial por suas teorias sobre sexualidade, e Jones e outros temiam que, se a psicanálise se revelasse como crente na telepatia, a comunidade científica a submergiria na "maré negra" do ocultismo, destruindo sua credibilidade.

Em Freud: A Criação de uma Ilusão, Frederick Crews escreve sobre a “afinidade gradualmente emergente de Freud pelo paranormal” e afirma que Freud passou a acreditar “que a própria entrevista psicanalítica era um processo de transferência de pensamento paranormal...”

VISÕES SOBRE RELIGIÃO

As visões de Sigmund Freud sobre a religião são descritas em vários de seus livros e ensaios. Freud considerava Deus uma fantasia, baseada na necessidade infantil de uma figura paterna dominante. Ele afirmava que, durante o desenvolvimento da civilização primitiva, Deus e a religião eram necessidades para ajudar a conter nossos impulsos violentos, mas que nos tempos modernos podem ser descartados em favor da ciência e da razão.

A formação religiosa de Freud: Em Um Estudo Autobiográfico, publicado originalmente em 1925, Freud relata que "Meus pais eram judeus e eu permaneci judeu". A familiaridade com histórias bíblicas, desde uma idade anterior mesmo a aprender a ler, teve "um efeito duradouro na direção dos meus interesses". Em 1873, ao ingressar na Universidade de Viena, ele se deparou pela primeira vez com o antissemitismo: "Descobri que esperavam que eu me sentisse inferior e um estrangeiro por ser judeu". Antes de seu casamento, Freud desejou se converter ao protestantismo para evitar uma cerimônia judaica, mas acabou sendo dissuadido.

Numa nota introdutória à tradução hebraica de Totem e Tabu (1930), Freud descreve-se como "um autor que desconhece a linguagem das escrituras sagradas, que está completamente afastado da religião dos seus pais — bem como de todas as outras religiões", mas que permanece "na sua essência um judeu e que não tem qualquer desejo de alterar essa natureza".

Ações obsessivas e práticas religiosas: Em Ações Obsessivas e Práticas Religiosas (1907), seu primeiro escrito sobre religião, Freud sugere que a religião e a neurose são produtos semelhantes da mente humana: a neurose, com seu comportamento compulsivo, é "uma religiosidade individual", e a religião, com seus rituais repetitivos, é uma "neurose obsessiva universal".

Totem e Tabu: Em Totem e Tabu, publicado em 1913, Freud analisa a tendência de tribos primitivas de promulgar regras contra o incesto dentro de grupos nomeados em homenagem a animais e objetos totêmicos , e de criar tabus relativos a ações, pessoas e coisas. Ele observa que os tabus (como o relativo ao incesto) ainda desempenham um papel significativo na sociedade moderna, mas que o totemismo "há muito foi abandonado como realidade e substituído por formas mais recentes". Freud acredita que um ato original de parricídio — o assassinato e o devoramento do "pai primordial violento" — foi lembrado e reencenado como uma "refeição totêmica... o festival mais antigo da humanidade", que foi "o início de tantas coisas — da organização social, das restrições morais e da religião". Freud desenvolve essa ideia ainda mais em Moisés e o Monoteísmo, seu último livro, discutido adiante. Para Freud, o totem é uma figura paterna que substitui o pai real que foi morto, o que atenua a intensa culpa dos filhos e impede que um deles assuma a posição de pai e domine os outros. Inicialmente representado por um animal ou outra característica natural, o totem desenvolve-se posteriormente na forma humana como Deus à medida que as sociedades evoluem. Freud chega ainda a atribuir a criação dos deuses aos humanos: "...sabemos que, tal como os deuses, [os demônios] são apenas produto dos poderes psíquicos do homem; foram criados a partir de algo e a partir de algo."

Em Um Estudo Autobiográfico, Freud elaborou sobre a ideia central de Totem e Tabu: “Esta visão da religião lança uma luz particularmente clara sobre a base psicológica do Cristianismo, na qual, pode-se acrescentar, a cerimônia da festa totêmica ainda sobrevive com pouca distorção na forma de Comunhão.”

O Futuro de uma Ilusão: Em O Futuro de uma Ilusão (1927), Freud se refere à religião como uma ilusão que é “talvez o item mais importante no inventário psíquico de uma civilização”. Em sua avaliação, a religião fornece defesa contra “a força esmagadoramente superior da natureza” e “o impulso de retificar as deficiências da civilização que se faziam sentir dolorosamente”. Ele conclui que todas as crenças religiosas são “ilusões e insuscetíveis de prova”.

Freud examina então a questão de saber se, sem religião, as pessoas se sentirão "isentas de toda obrigação de obedecer aos preceitos da civilização". Ele observa que "a civilização tem pouco a temer das pessoas instruídas e dos trabalhadores intelectuais" nos quais os motivos seculares para a moralidade substituem os religiosos, mas reconhece a existência da "grande massa de incultos e oprimidos" que podem cometer assassinato se não lhes for dito que Deus o proíbe, e que devem ser "reprimidos com a maior severidade" a menos que "a relação entre civilização e religião" passe por "uma revisão fundamental".

Freud afirma que a formação religiosa dogmática contribui para a fraqueza do intelecto ao bloquear linhas de investigação. Ele argumenta que "a longo prazo, nada pode resistir à razão e à experiência, e a contradição que a religião oferece a ambas é demasiado palpável". O livro expressava a "esperança de Freud de que, no futuro, a ciência irá além da religião e a razão substituirá a fé em Deus".

Num posfácio de Um Estudo Autobiográfico (1925, revisto em 1935), Freud afirma que a sua visão "essencialmente negativa" da religião mudou um pouco depois de O Futuro de uma Ilusão; enquanto o "poder da religião reside na verdade que contém, mostrei que essa verdade não era uma verdade material, mas sim histórica."

Harold Bloom chama O Futuro de uma Ilusão de "um dos grandes fracassos da crítica religiosa". Bloom acredita que Freud subestimou a religião e que, como resultado, suas críticas a ela não foram mais convincentes do que as críticas de T.S. Eliot à psicanálise. Bloom sugere que a psicanálise e o cristianismo são ambos interpretações do mundo e da natureza humana e que, embora Freud acreditasse que as crenças religiosas são ilusões e delírios, o mesmo pode ser dito da teoria psicanalítica. Em sua visão, nada se conquista em relação ao cristianismo ou à psicanálise listando suas ilusões e delírios.

A civilização e seus descontentamentos: Em O Mal-Estar na Civilização, publicado em 1930, Freud afirma que a necessidade de religião do homem poderia ser explicada por "uma sensação de 'eternidade', um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras — por assim dizer, 'oceânico'", e acrescenta: "Não consigo descobrir esse sentimento 'oceânico' em mim mesmo". Freud sugere que o "sentimento oceânico", que seu amigo Romain Rolland lhe descreveu em uma carta, é a realização de um desejo, relacionado à necessidade egoísta de proteção da criança.

James Strachey, editor e tradutor desta e de outras obras de Freud, descreve o tema principal da obra como "o antagonismo irremediável entre as exigências do instinto e as restrições da civilização". Freud também trata de dois outros temas, o desenvolvimento da civilização recapitulando o desenvolvimento individual e a luta pessoal e social entre "Eros" e "Thanatos", os impulsos de vida e morte.

Freud expressa profundo pessimismo quanto às chances de a razão da humanidade triunfar sobre suas forças destrutivas. Ele acrescentou uma frase final ao livro em uma edição de 1931, quando a ameaça de Hitler já se tornava aparente: "Mas quem pode prever com que sucesso e com que resultado?"

O comentarista político e autor ateu Christopher Hitchens citou este livro como uma razão pela qual Freud é uma de suas figuras mais influentes. Hitchens descreveu o livro como um "conto pessimista e desiludido de realismo", observando que Freud "não perdeu tempo em identificar [a necessidade de religião] como infantil" e apontando um resumo do biógrafo de Freud, Ernest Jones, de que "A felicidade humana, portanto, não parece ser o propósito do universo."

Moisés e o Monoteísmo:

Moisés e o Monoteísmo foi o último livro de Freud, publicado em 1939, ano de sua morte. Nele, Freud faz certas suposições e conjecturas sobre Moisés como figura histórica, particularmente que ele não nasceu judeu, mas foi adotado por judeus (o oposto da história bíblica) e que foi assassinado por seus seguidores, que então, por meio da formação reativa, o reverenciaram e se tornaram irrevogavelmente comprometidos com a ideia monoteísta que ele representava.

Mark Edmundson comenta que, ao escrever Moisés e o Monoteísmo, Freud, embora não tenha abandonado seu ateísmo, percebeu pela primeira vez um valor na forma abstrata do monoteísmo — a adoração de um Deus invisível, sem Jesus ou santos — praticada pelos judeus.

“Assim, o trabalho mental do monoteísmo preparou os judeus — como eventualmente prepararia outros no Ocidente — para alcançar distinção no direito, na matemática, na ciência e na arte literária. Deu-lhes uma vantagem em todas as atividades que envolviam a criação de um modelo abstrato da experiência, em palavras, números ou linhas, e o trabalho com essa abstração para obter controle sobre a natureza ou para trazer ordem humana à vida. Freud chama esse processo de internalização de "avanço na intelectualidade" e o atribui diretamente à religião.”

Em Moisés e o Monoteísmo, Freud propôs que Moisés tinha sido um sacerdote de Akhenaton que fugiu do Egito após a morte do faraó e perpetuou o monoteísmo através de uma religião diferente.

Segundo Jay Geller, Moisés e o Monoteísmo está cheio de "falsos começos, conclusões adiadas, repetições, racionalizações, autojustificativas defensivas, métodos questionáveis e argumentos fracos que são prontamente reconhecidos como tal por Freud".

A questão de uma Weltanschauung: Os desenvolvimentos posteriores das ideias de Freud sobre religião são resumidos em sua palestra sobre a Questão de uma Visão de Mundo, em Viena, em 1932. Nela, ele descreve as lutas da ciência em suas relações com três outros poderes: a arte, a filosofia e a religião.

A arte é uma espécie de ilusão e uma longa história. A filosofia se desvia em seu método. A religião construiu uma visão de mundo consistente e autossuficiente em um grau incomparável. Em comparação, a ciência é marcada por certas características negativas. Entre elas, afirma que não existem fontes de conhecimento do universo além do processamento intelectual de observações cuidadosamente analisadas, e nenhuma que derive de revelação, intuição ou adivinhação.

Sobre as relações entre ciência e filosofia, e entre ciência e religião, Freud resume em uma frase: “Não é permitido declarar que a ciência é um campo da atividade mental humana e que a religião e a filosofia são outros, pelo menos de igual valor, e que a ciência não tem o direito de interferir nos outros dois: que todos têm o mesmo direito à verdade e que cada um tem a liberdade de escolher de qual deles extrairá suas convicções e em qual depositará sua crença”. Em seguida, ele afirma que tal visão inadmissível é considerada superior e tolerante, mas que não é sustentável, que compartilha todas as características perniciosas de uma visão de mundo totalmente anticientífica e que, na prática, equivale a ela.

Com relação à religião em particular, ele explica que uma pessoa religiosa já foi frágil e indefesa. Um dos pais a protegeu. Mais tarde, essa pessoa adquire maior compreensão dos perigos da vida e conclui, acertadamente, que, fundamentalmente, continua tão indefesa quanto era na infância.

Então ele retoma a imagem mnemônica.

Respostas e críticas: Num ensaio de 1949 na revista Commentary, Irving Kristol diz que Freud expôs o que ele acreditava ser a irracionalidade da religião sem provas, mas não substituiu nada além de "uma mitologia de desespero racional".

Num livro de 1949 intitulado Cristianismo depois de Freud, Benjamin Gilbert Sanders traça paralelos entre a teoria da psicanálise e a religião cristã, referindo-se a Jesus Cristo como "o Grande Psiquiatra" e ao amor dos cristãos por Cristo como "uma forma mais positiva da Transferência".

Karen Armstrong observa em A History of God que “nem todos os psicanalistas concordavam com a visão de Freud sobre Deus”, citando Alfred Adler, que acreditava que Deus era uma projeção que tinha sido “útil para a humanidade”, e CG Jung, que, quando questionado se acreditava em Deus, disse: “Difícil de responder, eu sei. Não preciso acreditar. Eu sei.”

Tony Campolo, fundador da Associação Evangélica para a Promoção da Educação, observa que "Com Freud, Deus e a necessidade de restrições ditadas por Deus foram abolidas", resultando em um aumento do caos social e da infelicidade que poderiam ter sido evitados pela adesão à religião.

Vários críticos traçam o paralelo entre as crenças religiosas e as teorias de Freud, que nenhuma delas pode ser comprovada cientificamente, mas apenas experimentada subjetivamente. Lee Siegel escreve que "ou você compreende a realidade da noção dinâmica de Freud sobre o subconsciente intuitivamente – da mesma forma que, aliás, você compreende ou não a veracidade do Eclesiastes – ou você não pode aceitar que ela exista."

LEGADO

O legado de Freud, embora controverso, foi avaliado como "uma das influências mais fortes no pensamento do século XX, cujo impacto é comparável apenas ao do darwinismo e do marxismo", com o seu alcance de influência permeando "todos os campos da cultura... a ponto de mudar o nosso modo de vida e o nosso conceito de homem".

Psicoterapia: A prática de Freud de ajudar pacientes por meio de uma "cura pela fala", como um dos primeiros pacientes psicanalíticos a descreveu, forneceu o formato básico para todas as formas de psicoterapia posteriores. Embora a grande variedade de psicoterapias posteriores tenha adotado diferentes teorias e técnicas, todas seguiram Freud ao tentar alcançar mudanças psíquicas e comportamentais fazendo com que os pacientes falassem sobre suas dificuldades. A psicanálise não é tão influente quanto já foi na Europa e nos Estados Unidos, embora em algumas partes do mundo, notadamente na América Latina, sua influência tenha se expandido substancialmente no final do século XX. A psicanálise também permanece influente em muitas escolas contemporâneas de psicoterapia e levou a trabalhos terapêuticos inovadores em escolas, famílias e grupos. Existe um corpo substancial de pesquisas que demonstra a eficácia dos métodos clínicos da psicanálise e de terapias psicodinâmicas relacionadas no tratamento de uma ampla gama de transtornos psicológicos.

Os neofreudianos, um grupo que incluía Alfred Adler, Otto Rank, Karen Horney, Harry Stack Sullivan e Erich Fromm, rejeitaram a teoria freudiana do impulso instintivo, enfatizaram as relações interpessoais e a autoafirmação e fizeram modificações na prática terapêutica que refletiam essas mudanças teóricas. A análise neofreudiana coloca mais ênfase na relação do paciente com o analista e menos na exploração do inconsciente.

Jacques Lacan abordou a psicanálise através da linguística e da literatura. Lacan acreditava que a maior parte do trabalho essencial de Freud havia sido feita antes de 1905 e que a psicologia do ego e a teoria das relações objetais eram baseadas em interpretações errôneas da obra de Freud. Lacan via o desejo como mais importante do que a necessidade.

Wilhelm Reich desenvolveu algumas das ideias de Freud, como a neurose real. Freud aplicou essa ideia tanto a bebês quanto a adultos. No primeiro caso, as seduções eram vistas como a causa de neuroses posteriores e, no segundo, como a liberação sexual incompleta. Ao contrário de Freud, Reich manteve a ideia de que a experiência real, especialmente a experiência sexual, era de importância fundamental. Na década de 1920, Reich havia "levado as ideias originais de Freud sobre a liberação sexual ao ponto de especificar o orgasmo como critério de funcionamento saudável". Reich também estava "desenvolvendo suas ideias sobre caráter em uma forma que mais tarde tomaria forma, primeiro como 'armadura muscular' e, eventualmente, como um transdutor de energia biológica universal, o 'orgônio'".

Fritz Perls, que ajudou a desenvolver a terapia Gestalt, foi influenciado por Reich, Jung e Freud. A ideia central da terapia Gestalt é que Freud negligenciou a estrutura da consciência, "um processo ativo que se move em direção à construção de totalidades significativas organizadas ... entre um organismo e seu ambiente". Essas totalidades, chamadas gestalts, são "padrões que envolvem todas as camadas da função orgânica – pensamento, sentimento e atividade", cuja formação inadequada, na visão de Perls, dá origem a neuroses e ansiedades. A terapia Gestalt busca curar os pacientes colocando-os em contato com as "necessidades orgânicas imediatas". Perls rejeitou a abordagem verbal da psicanálise clássica, preferindo uma abordagem em formato de oficina.

A terapia primal de Arthur Janov, que tem sido influente na psicoterapia pós-freudiana, compartilha a ênfase da terapia psicanalítica na experiência da primeira infância, mas difere significativamente dela. Embora a teoria de Janov seja semelhante à ideia inicial de Freud de neurose atual, ele não possui uma psicologia dinâmica, mas uma psicologia da natureza como a de Reich ou Perls, na qual a necessidade é primária enquanto o desejo é derivado e dispensável quando a necessidade é satisfeita. Apesar de sua semelhança superficial com as ideias de Freud, a teoria de Janov carece de uma explicação estritamente psicológica do inconsciente e da crença na sexualidade infantil. Enquanto para Freud havia uma hierarquia de situações perigosas, para Janov, o evento chave na vida da criança é a consciência de que os pais não a amam. Janov escreve em O Grito Primal (1970) que a terapia primal, de certa forma, retornou às ideias e técnicas iniciais de Freud.

Ellen Bass e Laura Davis, coautoras de A Coragem de Curar (1988), são descritas como "campeãs da sobrevivência" por Frederick Crews, que considera Freud a principal influência sobre elas, embora, em sua visão, elas devam muito não à psicanálise clássica, mas ao "Freud pré-psicanalítico ... que supostamente teve pena de suas pacientes histéricas, descobriu que todas elas abrigavam memórias de abusos da infância ... e as curou desfazendo seus nós de repressão". Crews vê Freud como alguém que antecipou o movimento da memória recuperada ao enfatizar "relações mecânicas de causa e efeito entre a sintomatologia e a estimulação prematura de uma ou outra zona do corpo" e por ter sido pioneiro em sua "técnica de correspondência temática entre o sintoma de um paciente e uma 'memória' sexualmente simétrica". Crews acredita que a confiança inicial de Freud na recordação precisa de memórias da infância antecipou as teorias de terapeutas da memória recuperada, como Lenore Terr, que, em sua opinião, levaram pessoas a serem presas injustamente.

Ciência: Projetos de pesquisa concebidos para testar empiricamente as teorias de Freud levaram a uma vasta literatura sobre o tema. Psicólogos americanos começaram a tentar estudar a repressão em laboratório experimental por volta de 1930. Em 1934, quando o psicólogo Saul Rosenzweig enviou a Freud reimpressões de suas tentativas de estudar a repressão, Freud respondeu com uma carta desdenhosa afirmando que "a riqueza de observações confiáveis" nas quais as afirmações psicanalíticas se baseavam as tornavam "independentes da verificação experimental". Seymour Fisher e Roger P. Greenberg concluíram em 1977 que alguns dos conceitos de Freud eram apoiados por evidências empíricas. Sua análise da literatura de pesquisa apoiou os conceitos de Freud sobre constelações de personalidade oral e anal, sua descrição do papel dos fatores edipianos em certos aspectos do funcionamento da personalidade masculina, suas formulações sobre a preocupação relativamente maior com a perda do amor na economia da personalidade feminina em comparação com a masculina e suas opiniões sobre os efeitos instigadores das ansiedades homossexuais na formação de delírios paranoicos. Eles também encontraram apoio limitado e equívoco para as teorias de Freud sobre o desenvolvimento da homossexualidade. Descobriram que várias outras teorias de Freud, incluindo sua descrição dos sonhos como recipientes primários de desejos secretos e inconscientes, bem como algumas de suas visões sobre a psicodinâmica das mulheres, não eram apoiadas ou eram contraditas por pesquisas. Ao revisar as questões novamente em 1996, concluíram que muitos dados experimentais relevantes para o trabalho de Freud existem e apoiam algumas de suas principais ideias e teorias.

Outros pontos de vista incluem os do psicólogo e historiador da ciência Malcolm Macmillan, que conclui em Freud Evaluated (1991) que "o método de Freud não é capaz de produzir dados objetivos sobre processos mentais". Morris Eagle afirma que foi "demonstrado de forma bastante conclusiva que, devido ao status epistemologicamente contaminado dos dados clínicos derivados da situação clínica, tais dados têm valor probatório questionável no teste de hipóteses psicanalíticas". Richard Webster, em Why Freud Was Wrong (1995), descreveu a psicanálise como "talvez a pseudociência mais complexa e bem-sucedida" da história. Crews acredita que a psicanálise não tem mérito científico ou terapêutico. O pesquisador associado da Universidade de Chicago, Kurt Jacobsen, critica esses críticos por suas próprias visões supostamente dogmáticas e historicamente ingênuas tanto sobre a psicanálise quanto sobre a natureza da ciência.

I. Bernard Cohen considera a Interpretação dos Sonhos de Freud uma obra revolucionária da ciência, a última obra desse tipo a ser publicada em formato de livro. Em contraste, Allan Hobson acredita que Freud, ao desacreditar retoricamente investigadores dos sonhos do século XIX, como Alfred Maury e o Marquês de Hervey de Saint-Denis, numa época em que o estudo da fisiologia do cérebro estava apenas começando, interrompeu o desenvolvimento da teoria científica dos sonhos por meio século. O pesquisador de sonhos G. William Domhoff contestou as alegações de que a teoria freudiana dos sonhos foi validada.

Karl Popper afirmou que as teorias psicanalíticas de Freud eram infalsificáveis, ou seja, nenhum experimento poderia refutá-las. O filósofo Adolf Grünbaum argumentou em Fundamentos da Psicanálise (1984) que Popper estava enganado e que muitas das teorias de Freud são empiricamente testáveis, uma posição com a qual outros, como Eysenck, concordam. O filósofo Roger Scruton, escrevendo em Desejo Sexual (1986), também rejeitou os argumentos de Popper, apontando a teoria da repressão como um exemplo de uma teoria freudiana que tem consequências testáveis. Scruton, no entanto, concluiu que a psicanálise não é genuinamente científica, porque envolve uma dependência inaceitável da metáfora. O filósofo Donald Levy concorda com Grünbaum que as teorias de Freud são falseáveis, mas contesta a afirmação de Grünbaum de que o sucesso terapêutico é a única base empírica sobre a qual elas se sustentam ou caem, argumentando que uma gama muito mais ampla de evidências empíricas pode ser aduzida por meio de material de casos clínicos.

Em um estudo sobre psicanálise nos Estados Unidos, Nathan Hale relatou o "declínio da psicanálise na psiquiatria" de 1965 a 1985. A continuação dessa tendência foi observada por Alan Stone: "À medida que a psicologia acadêmica se torna mais 'científica' e a psiquiatria mais biológica, a psicanálise está sendo deixada de lado." Paul Stepansky, embora observe que a psicanálise permanece influente nas humanidades, registra o "número ínfimo de residentes de psiquiatria que optam por seguir formação psicanalítica" e a "formação não analítica dos chefes de departamento de psiquiatria nas principais universidades" como evidência para sua conclusão de que "Tais tendências históricas atestam a marginalização da psicanálise na psiquiatria americana." Mesmo assim, Freud foi classificado como o terceiro psicólogo mais citado do século XX. Afirma-se também que, ao ultrapassar a “ortodoxia de um passado não tão distante... novas ideias e novas pesquisas levaram a um intenso reavivamento do interesse pela psicanálise em disciplinas vizinhas, desde as humanidades à neurociência, incluindo as terapias não analíticas”.

A pesquisa no campo emergente da neuropsicanálise, fundada pelo neurocientista e psicanalista Mark Solms, tem se mostrado controversa, com alguns psicanalistas criticando o próprio conceito. Solms e seus colegas argumentaram que as descobertas neurocientíficas são "amplamente consistentes" com as teorias freudianas, apontando estruturas cerebrais relacionadas a conceitos freudianos como libido, impulsos, inconsciente e repressão. Neurocientistas que endossaram o trabalho de Freud incluem David Eagleman, que acredita que Freud "transformou a psiquiatria" ao fornecer "a primeira exploração da maneira como estados ocultos do cérebro participam da condução do pensamento e do comportamento", e o ganhador do Prêmio Nobel Eric Kandel, que argumenta que "a psicanálise ainda representa a visão mais coerente e intelectualmente satisfatória da mente".

Filosofia: A psicanálise foi interpretada tanto como radical quanto conservadora. Na década de 1940, passou a ser vista como conservadora pela comunidade intelectual europeia e americana. Críticos fora do movimento psicanalítico, tanto de esquerda quanto de direita, viam Freud como um conservador. Fromm argumentou que diversos aspectos da teoria psicanalítica serviam aos interesses da reação política em seu livro "O Medo da Liberdade" (1942), uma avaliação confirmada por escritores simpáticos à sua visão na direita. Em "Freud: A Mente do Moralista" (1959), Philip Rieff retratou Freud como um homem que incentivava os homens a tirar o melhor proveito de um destino inevitavelmente infeliz, sendo admirável por essa razão. Na década de 1950, Herbert Marcuse desafiou a interpretação então predominante de Freud como conservador em "Eros e Civilização" (1955), assim como Lionel Trilling em "Freud e a Crise de Nossa Cultura" e Norman O. Brown em "Vida Contra a Morte" (1959). Eros e Civilização ajudaram a tornar credível para a esquerda a ideia de que Freud e Karl Marx estavam a abordar questões semelhantes a partir de diferentes perspetivas. Marcuse criticou o revisionismo neofreudiano por descartar teorias aparentemente pessimistas como o instinto de morte, argumentando que estas poderiam ser direcionadas para uma direção utópica. As teorias de Freud também influenciaram a Escola de Frankfurt e a teoria crítica como um todo.

Freud foi comparado a Marx por Reich, que considerou a importância de Freud para a psiquiatria paralela à de Marx para a economia, e por Paul Robinson, que vê Freud como um revolucionário cujas contribuições para o pensamento do século XX são comparáveis em importância às contribuições de Marx para o pensamento do século XIX. Fromm chama Freud, Marx e Einstein de "arquitetos da era moderna", mas rejeita a ideia de que Marx e Freud foram igualmente importantes, argumentando que Marx foi muito mais importante historicamente e um pensador mais refinado. Fromm, no entanto, reconhece que Freud mudou permanentemente a forma como a natureza humana é compreendida. Gilles Deleuze e Félix Guattari escrevem em Anti-Édipo (1972) que a psicanálise se assemelha à Revolução Russa, pois se corrompeu quase desde o início. Eles acreditam que isso começou com o desenvolvimento, por Freud, da teoria do complexo de Édipo, que consideram idealista.

Jean-Paul Sartre critica a teoria do inconsciente de Freud em O Ser e o Nada (1943), afirmando que a consciência é essencialmente autoconsciente. Maurice Merleau-Ponty considera Freud um dos antecipadores da fenomenologia, enquanto Theodor W. Adorno considera Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, o oposto filosófico de Freud, escrevendo que a polêmica de Husserl contra o psicologismo poderia ter sido dirigida contra a psicanálise. Paul Ricœur vê Freud como um dos três "mestres da suspeita", ao lado de Marx e Nietzsche, por desmascararem "as mentiras e ilusões da consciência". Ricœur e Jürgen Habermas ajudaram a criar uma “versão hermenêutica de Freud”, que “o reivindicou como o progenitor mais significativo da mudança de uma compreensão objetificadora e empirista do domínio humano para uma que enfatiza a subjetividade e a interpretação”. Louis Althusser baseou-se no conceito freudiano de sobredeterminação para sua reinterpretação de O Capital de Marx. Jean-François Lyotard desenvolveu uma teoria do inconsciente que inverte a explicação freudiana do trabalho onírico.

Diversos estudiosos veem Freud como paralelo a Platão , escrevendo que ambos compartilham teorias quase idênticas sobre os sonhos e possuem teorias semelhantes sobre a estrutura tripartite da alma ou personalidade humana, ainda que a hierarquia entre as partes da alma seja quase invertida. Ernest Gellner argumenta que as teorias de Freud são uma inversão das de Platão. Enquanto Platão via uma hierarquia inerente à natureza da realidade e se apoiava nela para validar normas, Freud era um naturalista que não podia seguir tal abordagem. As teorias de ambos traçavam um paralelo entre a estrutura da mente humana e a da sociedade. Enquanto Platão buscava fortalecer o superego, que Gellner comparou à aristocracia, Freud buscava fortalecer o ego, que correspondia à classe média. Paul Vitz compara a psicanálise freudiana ao tomismo, observando a crença de São Tomás na existência de uma “consciência inconsciente” e seu “uso frequente da palavra e do conceito 'libido' – às vezes em um sentido mais específico do que Freud, mas sempre de uma maneira que concorda com o uso freudiano”. Vitz sugere que Freud pode não ter percebido que sua teoria do inconsciente lembrava a de Tomás de Aquino.

Literatura e crítica literária: O poema "Em memória de Sigmund Freud" foi publicado por W. H. Auden em sua coleção de 1940, Outro Tempo. Auden descreve Freud como tendo criado "todo um clima de opinião/sob o qual conduzimos nossas diferentes vidas".

Freud influenciou o crítico literário Harold Bloom. Camille Paglia também foi influenciada por Freud, a quem chama de "herdeiro de Nietzsche" e um dos maiores psicólogos sexuais da literatura, mas rejeitou o estatuto científico do seu trabalho em Sexual Personae (1990), escrevendo: "Freud não tem rivais entre os seus sucessores porque eles pensam que ele escreveu ciência, quando na verdade ele escreveu arte."

Feminismo: O declínio da reputação de Freud foi atribuído em parte ao ressurgimento do feminismo. Simone de Beauvoir critica a psicanálise de um ponto de vista existencialista em O Segundo Sexo (1949), argumentando que Freud via uma "superioridade original" no homem que, na realidade, é induzida socialmente. Betty Friedan critica Freud e o que ela considerava sua visão vitoriana das mulheres em A Mística Feminina (1963). O conceito freudiano de inveja do pênis foi atacado por Kate Millett, que em Política Sexual (1970) o acusou de confusão e descuidos. Em 1968, Anne Koedt escreveu em seu ensaio O Mito do Orgasmo Vaginal:

“Foram os sentimentos de Freud sobre a relação secundária e inferior das mulheres em relação aos homens que formaram a base de suas teorias sobre a sexualidade feminina. Uma vez estabelecida a lei sobre a natureza de nossa sexualidade, Freud descobriu, não tão estranhamente, um enorme problema de frigidez nas mulheres. A cura que ele recomendava para uma mulher frígida era o tratamento psiquiátrico. Ela sofria de incapacidade de se ajustar mentalmente ao seu papel 'natural' como mulher.”

Naomi Weisstein escreve que Freud e seus seguidores pensaram erroneamente que seus “anos de intensa experiência clínica” equivaliam a rigor científico.

Freud também é criticado por Shulamith Firestone e Eva Figes. Em A Dialética do Sexo (1970), Firestone argumenta que Freud era um "poeta" que produzia metáforas em vez de verdades literais; em sua visão, Freud, assim como as feministas, reconheceu que a sexualidade era o problema crucial da vida moderna, mas ignorou o contexto social. Firestone interpreta as "metáforas" de Freud em termos dos fatos do poder dentro da família. Figes tenta, em Atitudes Patriarcais (1970), situar Freud dentro de uma "história das ideias". Juliet Mitchell defende Freud contra suas críticas feministas em Psicanálise e Feminismo (1974), acusando-as de interpretá-lo mal e de não compreender as implicações da teoria psicanalítica para o feminismo. Mitchell ajudou a apresentar Lacan às feministas de língua inglesa. Mitchell é criticada por Jane Gallop em A Sedução da Filha (1982). Gallop elogia Mitchell por sua crítica às discussões feministas sobre Freud, mas considera sua abordagem da teoria lacaniana insuficiente. Algumas feministas francesas, entre elas Julia Kristeva e Luce Irigaray, foram influenciadas por Freud interpretado por Lacan.

A psicóloga Carol Gilligan escreve que "a tendência dos teóricos do desenvolvimento de projetar uma imagem masculina, e uma que parece assustadora para as mulheres, remonta pelo menos a Freud". Ela vê a crítica de Freud ao senso de justiça das mulheres reaparecendo na obra de Jean Piaget e Lawrence Kohlberg. Gilligan observa que Nancy Chodorow, em contraste com Freud, atribui a diferença sexual não à anatomia, mas ao fato de que meninos e meninas têm ambientes sociais iniciais diferentes. Chodorow, escrevendo contra o viés masculino da psicanálise, "substitui a descrição negativa e derivada de Freud sobre a psicologia feminina por um relato positivo e direto de sua própria autoria".

Em sua análise da obra de Freud sobre religião em relação ao gênero, Judith Van Herik observou que Freud associou a feminilidade e o conceito de fraqueza ao cristianismo e à realização de desejos, enquanto associava a masculinidade e a renúncia ao judaísmo.

Toril Moi desenvolveu uma perspectiva feminista sobre a psicanálise, propondo que ela é um discurso que "tenta compreender as consequências psíquicas de três traumas universais: o fato de existirem outros, o fato da diferença sexual e o fato da morte". Ela substitui o termo freudiano de castração pelo conceito de "vitimização" de Stanley Cavell, que é um termo mais universal que se aplica igualmente a ambos os sexos. Moi considera esse conceito de finitude humana como uma substituição adequada tanto para a castração quanto para a diferença sexual, como a traumática "descoberta de nossa existência separada, sexuada e mortal" e como homens e mulheres lidam com ela.

OBRAS
  1. 1884 Sobre Coca
  2. 1891 Sobre a Afasia
  3. 1892 Um Caso de Tratamento Bem-Sucedido por Hipnotismo
  4. 1893 Charcot
  5. 1893 Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos
  6. 1894 As Neuropsicoses de Defesa
  7. 1894 Obsessões e fobias
  8. 1894 Sobre os fundamentos para separar uma síndrome específica da neurastenia sob a descrição de “neurose de ansiedade”
  9. Projeto de 1895 para uma Psicologia Científica
  10. 1895 Estudos sobre Histeria ( alemão: Studien über Hysterie ; em coautoria com Josef Breuer )
  11. 1896 A Etiologia da Histeria
  12. 1896 Hereditariedade e a Etiologia das Neuroses
  13. 1896 Observações Adicionais sobre as Neuropsicoses de Defesa
  14. 1898 Sexualidade na Etiologia das Neuroses
  15. Memórias da Tela de 1899
  16. 1899 Uma Nota Autobiográfica
  17. 1899 A Interpretação dos Sonhos ( alemão: Die Traumdeutung )
  18. 1901 Sobre os Sonhos (versão abreviada de A Interpretação dos Sonhos )
  19. 1904 A psicopatologia da vida cotidiana ( alemão: Zur Psychopathologie des Alltagslebens )
  20. Piadas de 1905 e sua relação com o inconsciente
  21. 1905 Fragmento de uma Análise de um Caso de Histeria ( Dora )
  22. 1905 Três ensaios sobre a teoria da sexualidade ( alemão: Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie )
  23. 1905 Sobre Psicoterapia
  24. 1905 Personagens Psicopatas no Palco
  25. 1906 Minhas Opiniões sobre o Papel da Sexualidade na Etiologia das Neuroses
  26. 1906 Psicanálise e o estabelecimento dos fatos em processos judiciais
  27. 1907 Ações obsessivas e práticas religiosas
  28. 1907 Delírio e Sonho na Gradiva de Jensen (alemão: Der Wahn und die Träume em W. Jensens "Gradiva" )
  29. 1908 A Esclarecimento Sexual das Crianças
  30. 1908 Caráter e Erotismo Anal (alemão: Charakter und Analerotik )
  31. 1908 Sobre as Teorias Sexuais das Crianças
  32. 1908 Moralidade sexual "civilizada" e doença nervosa moderna (alemão: Die "kulturelle" Sexualmoral und die moderne Nervosität )
  33. 1908 Escritores Criativos e Devaneios
  34. 1908 Fantasias Histéricas e sua Relação com a Bissexualidade
  35. Romances familiares de 1909
  36. 1909 Algumas observações gerais sobre ataques histéricos
  37. Análise de 1909 de uma fobia em um menino de cinco anos ( Pequeno Hans )
  38. 1909 Notas sobre um caso de neurose obsessiva ( Homem dos Ratos )
  39. 1910 Cinco Palestras sobre Psicanálise
  40. 1910 Leonardo da Vinci, uma memória de sua infância (alemão: Eine Kindheitserinnerung des Leonardo da Vinci )
  41. 1910 O Significado Antitético das Palavras Primordiais
  42. 1910 As Perspectivas Futuras da Terapia Psicanalítica
  43. Psicanálise “selvagem” de 1910
  44. 1910 A visão psicanalítica da perturbação psicogênica da visão
  45. 1910 Um tipo especial de objeto escolhido pelos homens
  46. 1911 O tratamento da interpretação dos sonhos na psicanálise
  47. Formulações de 1911 sobre os dois princípios do funcionamento mental
  48. 1911 Notas Psicanalíticas sobre um Relato Autobiográfico de um Caso de Paranoia ( Schreber )
  49. 1912 Sobre a tendência universal à degradação na esfera do amor
  50. Recomendações de 1912 aos médicos que praticam a psicanálise
  51. 1912 Tipos de Início da Neurose
  52. 1912 A Dinâmica da Transferência
  53. Contribuições de 1912 para uma discussão sobre masturbação
  54. 1912 Uma Nota sobre o Inconsciente na Psicanálise
  55. 1913 Totem e Tabu: Semelhanças entre as vidas psíquicas de selvagens e neuróticos (alemão: Totem und Tabu: Einige Übereinstimmungen im Seelenleben der Wilden und der Neurotiker )
  56. 1913 As reivindicações da psicanálise ao interesse científico
  57. 1913 Sobre o Início do Tratamento (Recomendações adicionais sobre a técnica de psicanálise)
  58. 1913 A Disposição à Neurose Obsessiva
  59. Tema dos Três Caixões, 1913
  60. 1914 Recordar, Repetir e Elaborar (Recomendações adicionais sobre a técnica da psicanálise)
  61. 1914 Sobre o Narcisismo : uma Introdução
  62. 1914 O Moisés de Michelangelo
  63. 1914 A História do Movimento Psicanalítico (alemão: Zur Geschichte der psychoanalytischen Bewegung )
  64. 1915–17 Palestras Introdutórias sobre Psicanálise (alemão: Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse )
  65. 1915 Observações sobre o Amor de Transferência (Recomendações adicionais sobre a técnica da psicanálise)
  66. Reflexões para os tempos sobre a guerra e a morte de 1915 (alemão: Zeitgemäßes über Krieg und Tod)
  67. 1915 Instintos e suas Vicissitudes
  68. Repressão de 1915
  69. 1915 O Inconsciente
  70. 1915 Um Caso de Paranoia Contrariando a Teoria Psicanalítica da Doença
  71. 1915 Alguns tipos de personalidade encontrados em trabalhos psicanalíticos
  72. 1915 Sobre a Transitoriedade
  73. 1916 Um paralelo mitológico a uma obsessão visual
  74. 1917 Luto e Melancolia
  75. 1917 Uma dificuldade no caminho da psicanálise
  76. 1917 Sobre as transformações do instinto exemplificadas no erotismo anal
  77. 1917 Um suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos
  78. 1918 Da História de uma Neurose Infantil ( Wolfman )
  79. 1918 O Tabu da Virgindade
  80. 1918 Linhas de Avanço na Terapia Psicanalítica
  81. 1918 Introdução à Psicanálise e às Neuroses de Guerra
  82. 1918 Sobre o Ensino da Psicanálise nas Universidades
  83. 1918 James J. Putnam
  84. 1919 Uma criança está sendo espancada
  85. 1919 O Estranho (alemão: Das Unheimliche )
  86. 1920 A Psicogênese de um Caso de Homossexualidade em uma Mulher
  87. 1920 Além do Princípio do Prazer (em alemão: Jenseits des Lustprinzips )
  88. 1920 Uma nota sobre a pré-história da técnica de análise
  89. Suplementos de 1920 à Teoria dos Sonhos
  90. 1921 Psicanálise e Telepatia
  91. 1921 Psicologia de grupo e análise do ego (alemão: Massenpsychologie und Ich-Analyse )
  92. Cabeça de Medusa de 1922 (alemão: Das Medusenhaupt )
  93. 1922 Sonhos e Telepatia
  94. 1922 Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade
  95. 1923 O Ego e o Id (alemão: Das Ich und das Es )
  96. 1923 Uma Neurose Demonológica do Século XVII ( Christoph Haizmann )
  97. 1923 Organização Genital Infantil
  98. 1924 Neurose e Psicose
  99. 1924 A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose
  100. 1924 O Problema Econômico do Masoquismo
  101. 1924 A Dissolução do Complexo de Édipo
  102. 1925 As resistências à psicanálise
  103. 1925 Josef Breuer
  104. 1925 Uma nota sobre o 'Bloco de Escrita Místico'
  105. 1925 Um Estudo Autobiográfico (Posfácio de 1935)
  106. Negação de 1925
  107. 1925 Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos
  108. 1926 Karl Abraham
  109. 1926 Inibições, Sintomas e Ansiedade
  110. 1926 A questão da análise leiga (alemão: Die Frage der Laieanalyse )
  111. 1927 O Futuro de uma Ilusão (alemão: Die Zukunft einer Illusion )
  112. Fetichismo de 1927
  113. Humor de 1927
  114. 1928 Dostoiévski e o Parricídio
  115. Civilização de 1930 e seus descontentes (alemão: Das Unbehagen in der Kultur )
  116. 1931 Tipos Libidinais
  117. 1931 Sexualidade Feminina
  118. 1932 A Aquisição do Controle sobre o Fogo
  119. 1933 Sandor Ferenczi
  120. 1933 Novas Palestras Introdutórias sobre Psicanálise
  121. 1933 Por que guerra? (Alemão: Warum Krieg? em coautoria com Albert Einstein )
  122. 1936 Uma Perturbação da Memória na Acrópole
  123. 1937 Lou Andreas-Salomé
  124. Análise de 1937: Terminável e Interminável
  125. Construções em Análise de 1937
  126. 1938 Um Esboço de Psicanálise (alemão: Abriß der Psychoanalyse)
  127. 1938 Algumas Lições Elementares de Psicanálise
  128. 1938 A Cisão do Ego no Processo de Defesa
  129. 1938 Um Comentário sobre o Antissemitismo
  130. 1939 Moisés e o Monoteísmo (alemão: Der Mann Moses und die monotheistische Religion)
Edição padrão: A edição padrão das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Traduzida do alemão sob a direção geral de James Strachey, em colaboração com Anna Freud, com a assistência de Alix Strachey, Alan Tyson e Angela Richards. 24 volumes, Londres: Hogarth Press e Instituto de Psicanálise, 1953–1974.

Publicações pré-psicanalíticas e rascunhos inéditos (1886–1899):
  1. Estudos sobre a histeria (1893-1895). Por Josef Breuer e S. Freud
  2. Primeiras Publicações Psicanalíticas (1893–1899)
  3. A Interpretação dos Sonhos (I) (1900)
  4. A Interpretação dos Sonhos (II) e Sobre os Sonhos (1900–1901)
  5. A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)
  6. Um Caso de Histeria, Três Ensaios sobre Sexualidade e Outras Obras (1901–1905)
  7. Piadas e sua Relação com o Inconsciente (1905)
  8. 'Gradiva' de Jensen e Outras Obras (1906–1909)
  9. Os Casos de 'Pequeno Hans' e do 'Homem-Rato' (1909)
  10. Cinco Lições sobre Psicanálise, Leonardo e Outras Obras (1910)
  11. Histórico do Caso Schreber, Artigos sobre Técnica e Outras Obras (1911–1913)
  12. Totem e Tabu e Outras Obras (1913–1914)
  13. Sobre a História do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre Metapsicologia e Outras Obras (1914–1916)
  14. Palestras Introdutórias sobre Psicanálise (Partes I e II) (1915–1916)
  15. Palestras Introdutórias sobre Psicanálise (Parte III) (1916–1917)
  16. Uma Neurose Infantil e Outras Obras (1917–1919)
  17. Além do Princípio do Prazer, Psicologia de Grupo e Outras Obras (1920–1922)
  18. O Ego e o Id e Outras Obras (1923–1925)
  19. Um Estudo Autobiográfico, Inibições, Sintomas e Ansiedade, Análise Leiga e Outras Obras (1925–1926)
  20. O Futuro de uma Ilusão, O Mal-Estar na Civilização e Outras Obras (1927–1931)
  21. Novas Palestras Introdutórias sobre Psicanálise e Outras Obras (1932–1936)
  22. Moisés e o Monoteísmo, Um Esboço de Psicanálise e Outras Obras (1937–1939)
  23. Índices e Bibliografias (Compilado por Angela Richards, 1974)
A Edição Padrão Revisada das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: A Edição Padrão Revisada das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, editada por Mark Solms, foi publicada em 2024. Foi resenhada por Peter L. Rudnytsky.

CORRESPONDÊNCIA
  1. Cartas selecionadas de Sigmund Freud para Martha Bernays, editado por Ansh Mehta e Ankit Patel, CreateSpace Independent Publishing Platform, 2015. ISBN 978-1-5151-3703-0.
  2. Correspondência: Sigmund Freud, Anna Freud, Cambridge: Polity 2014. ISBN 978-0-7456-4149-2
  3. As cartas de Sigmund Freud e Otto Rank: Por dentro da psicanálise (orgs. EJ Lieberman e Robert Kramer). Johns Hopkins University Press, 2012.
  4. As Cartas Completas de Sigmund Freud a Wilhelm Fliess, 1887–1904, (editor e tradutor Jeffrey Moussaieff Masson), 1985, ISBN 978-0-674-15420-9.
  5. As Cartas Freud-Jung: A Correspondência entre Sigmund Freud e C.G. Jung, Hogarth Press, 1977, ISBN 9780710086648.
  6. A Correspondência Completa de Sigmund Freud e Karl Abraham, 1907–1925, Karnac Books, 2002, ISBN 978-1-85575-051-7.
  7. As cartas de Sigmund Freud para Jeanne Lampl-de Groot, 1921–1939: Psicanálise e política no período entre guerras. Editado por Gertie Bögels. Londres: Routledge, 2022.
  8. A Correspondência Completa de Sigmund Freud e Ernest Jones, 1908–1939., Belknap Press, Harvard University Press, 1995, ISBN 978-0-674-15424-7.
  9. A Correspondência entre Sigmund Freud e Ludwig Binswanger, 1908–1939, Londres: Other Press, 2003, ISBN 1-892746-32-8.
  10. A correspondência de Sigmund Freud e Sándor Ferenczi, Vol 1, 1908–1914, Belknap Press, Harvard University Press, 1994, ISBN 978-0-674-17418-4.
  11. A correspondência de Sigmund Freud e Sándor Ferenczi, Vol 2, 1914–1919, Belknap Press, Harvard University Press, 1996, ISBN 978-0-674-17419-1.
  12. A correspondência de Sigmund Freud e Sándor Ferenczi, Vol 3, 1920–1933, Belknap Press, Harvard University Press, 2000, ISBN 978-0-674-00297-5.
  13. As cartas de Sigmund Freud para Eduard Silberstein, 1871–1881, Belknap Press, Harvard University Press, ISBN 978-0-674-52828-4.
  14. Psicanálise e Fé: As Cartas de Sigmund Freud e Oskar Pfister. Tradução de Eric Mosbacher. Edição de Heinrich Meng e Ernst L. Freud. Londres: Hogarth Press e Instituto de Psicanálise, 1963.
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  17. Por que a guerra? Cartas abertas entre Einstein e Freud. Londres: New Commonwealth, 1934.
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Post № 1.009 ✓

A IDADE DA INOCÊNCIA (FILME CANADENSE-BRITÂNICO DE 1977)

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