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terça-feira, 29 de setembro de 2026

MORTAL KOMBAT 11 (JOGO ELETRÔNICO DE 2019)

  • DESENVOLVEDORA(S): NetherRealm Studios
  • PUBLICADORA(S): Warner Bros. Interactive Entertainment
  • DIRETOR(ES): Ed Boon
  • PRODUTOR(ES): Graeme Bayless
  • DESIGNER(S): John Edwards
  • PROGRAMADOR(ES): Gavin Freyberg
  • ESCRITOR(ES): Dominic Cianciolo e Shawn Kittelsen
  • ARTISTA(S): Steve Beran
  • COMPOSITOR(ES): Wilbert Roget II
  • ELENCO:
    • Ike Amadi — Shao Kahn e Cyrax
    • Linden Ashby — Johnny Cage (1995 movie skin)
    • Troy Baker — Erron Black e Shinnok
    • JB Blanc — Kano
    • Steve Blum — Sub-Zero e Baraka
    • Ed Boon — Diretor de Filme (Johnny Cage fatality) (não creditado)
    • Andrew Bowen — Johnny Cage
    • Jonathan Cahill — Kabal
    • Sean Chiplock — Noob Saibot e Kharon
    • Chris Cox — O Exterminador
    • Sara Cravens — Frost
    • Ronald Conner
    • Keith David — Spawn
    • Megalyn Echikunwoke — Jacqui Briggs
    • Richard Epcar — Raiden e O Coringa
    • Jennifer Hale — Kronika
    • Kelly Hu — D'Vorah
    • Mara Junot — Sindel
    • Phil LaMarr — Kotal Kahn
    • Christopher Lambert — Raiden (1995 Movie Skin)
    • Mela Lee — Jade
    • Daniel Lujan — Nightwolf
    • Erica Lindbeck - Cassie Cage
    • Sunil Malhotra - Kung Lao, The Great Kung Lao
    • Vanessa Marshall — Sheeva
    • Mary Elizabeth McGlynn - Cetrion
    • David B. Mitchell - Geras e Sektor
    • Andrew Morgado - Kollector
    • Dempsey Pappion - Rain
    • Beata Pozniak - Skarlet
    • Jamieson Price - Locutor
    • Kathleen Puls Andrade — Sonya Blade (fight efforts)
    • Ronda Rousey — Sonya Blade
    • Sylvester Stallone — John Rambo
    • William Stephens - Jax Briggs
    • Cary Tagawa — Shang Tsung
    • Dimitri Vegas - Sub-Zero (DLC skin)
    • Kari Wahlgren – Kitana e Mileena
    • Dr. Peter Weller — RoboCop
    • Bridgette Wilson-Sampras - Sonya Blade (1995 Movie Skin)
    • Matt Yang King — Liu Kang e Fujin
    • Ron Yuan — Scorpion
  • MOTOR: UE3
  • PLATAFORMA(S):
  • LANÇAMENTO:
    • PS4, Windows, Xbox One: 23 de abril de 2019
    • Nintendo Switch: 23 de abril de 2019 (América do Norte), 10 de maio de 2019 (Europa)
    • Stadia: 19 de novembro de 2019
    • PS5, Xbox Series X/S: 17 de novembro de 2020
  • GÊNERO(S):
  • MODOS DE JOGO: 1–2 jogadores, multijogador on-line
  • PREQUÊNCIA:
    • Sequência:
  • ONDE JOGAR:
Mortal Kombat 11 é um jogo de luta de 2019 desenvolvido pela NetherRealm Studios e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment. É o décimo primeiro título principal da franquia Mortal Kombat e uma sequência de Mortal Kombat X (2015). O jogo foi anunciado no The Game Awards 2018 e lançado na América do Norte e na Europa em 23 de abril de 2019 para Nintendo Switch, PlayStation 4, Windows e Xbox One — com exceção da versão para Switch na Europa, que foi lançada em 10 de maio de 2019. O jogo foi lançado para Stadia em 19 de novembro de 2019.

SINOPSE

Algum tempo depois da derrota de Shinnok, Raiden é visto torturando o Deus Ancião caído na Câmara Jinsei danificada. O Deus do Trovão, agora com uma personalidade mais sombria devido à corrupção do Jinsei, anuncia a Shinnok que não terá mais misericórdia e destruirá os inimigos da Terra antes que eles possam atacar o reino. Embora Shinnok o lembre de que não pode matar um Deus Ancião, Raiden retruca que "Há destinos piores que a morte" e o decapita. Raiden decide entregá-lo a Liu Kang no Plano Inferior como um aviso, antes de se teletransportar para longe.

A Guardiã do Tempo, Kronika, aparece na câmara, furiosa com Raiden por ter perturbado o equilíbrio temporal após os eventos de Mortal Kombat X. Ela confronta Shinnok e diz que o Arco do Tempo se curva à sua vontade e que "é apenas uma questão de tempo". 

Cansada da rebeldia do Plano Terreno, Kronika trará ordem ao universo por quaisquer meios necessários.

PERSONAGENS

Tela de seleção de personagens de Mortal Kombat 11.

O elenco do jogo consiste em um total de 37 personagens jogáveis: 25 personagens no jogo base (2 dos quais são desbloqueáveis) e 12 personagens disponíveis via DLC (5 dos quais são personagens convidados).

Personagens Inédito:
  1. Cetrion
  2. Geras
  3. Kollector
Personagens Retornáveis:
  1. Baraka
  2. Cassie Cage
  3. D'Vorah
  4. Erron Black
  5. Frost (Desbloqueável ao concluir o Capítulo 4 no Modo História ou via compra online.)
  6. Jacqui Briggs
  7. Jade
  8. Jax Briggs
  9. Johnny Cage
  10. Kabal
  11. Kano
  12. Kitana
  13. Kotal Kahn
  14. Kung Lao
  15. Liu Kang
  16. Noob Saibot
  17. Raiden
  18. Scorpion
  19. Shao Kahn (Disponível como bônus de pré-venda e, posteriormente, para compra online.)
  20. Skarlet
  21. Sonya Blade
  22. Sub-Zero
  23. Triborg
DLC Kombat Pack 1:
  1. O Coringa
  2. Nightwolf
  3. Shang Tsung
  4. Sindel
  5. Spawn
  6. O Exterminador
DLC Aftermath:
  1. Fujin
  2. RoboCop
  3. Sheeva
DLC Kombat Pack 2:
  1. John Rambo
  2. Mileena
  3. Rain
Juntamente com veteranos da série como Kano, Raiden, Scorpion, Sonya Blade e Sub-Zero, e outros como Skarlet, que retorna do reboot de 2011, quatro novos lutadores foram introduzidos, três dos quais são jogáveis. Triborg, que era apenas um personagem DLC em Mortal Kombat X, retornou ao elenco base do jogo após 2011. Primeiramente, Kronika serve como a primeira chefe feminina da série, que tem poderes sobre o fluxo do tempo e supervisiona os eventos das linhas do tempo desde o início da história geral de Mortal Kombat. Ela não está entre os personagens jogáveis do jogo. Novos lutadores jogáveis incluem Geras, um constructo de Kronika que, como ela, tem poderes que lhe permitem controlar o fluxo do tempo e produzir ataques baseados em areia; Cetrion, uma Deusa Anciã que é irmã de Shinnok e filha de Kronika e tem controle sobre as forças elementais; e Kollector, um Naknadan de seis braços que serve como coletor de tributos para o império de Outworld.

Personagens não jogáveis que aparecem no jogo incluem Shinnok, que aparece na introdução do modo história e em uma das fases (embora apenas sua cabeça); Sektor e Cyrax, que também aparecem no modo história como oponentes controlados pelo computador. No entanto, os jogadores podem acessar as variações de Cyrax, Sektor e Smoke através de Triborg por meio de personalizações e desbloquear algumas de suas habilidades; Ermac, Reptile e Smoke, que aparecem na jogabilidade como parte do moveset de Shang Tsung, bem como em um dos fatalities de Rain; e Kintaro, que aparece em um dos fatalities de Shang Tsung.

JOGABILIDADE

Assim como os três jogos anteriores da série, incluindo Mortal Kombat Mobile, Mortal Kombat 11 é um jogo de luta em 2.5D. Além dos Fatalities, Brutalities, Stage Fatalities, Friendships e Quitalities que retornam, novos recursos de jogabilidade são introduzidos, como Fatal Blows e Krushing Blows. Fatal Blows são golpes especiais semelhantes aos movimentos de Raio-X do reboot de 2011 e de Mortal Kombat X. Assim como os movimentos de Raio-X, os Fatal Blows causam uma grande quantidade de dano, mas, diferentemente deles, só ficam disponíveis quando a saúde do jogador cai abaixo de 30% e só podem ser executados uma vez por partida. Ao contrário de Mortal Kombat X e Mortal Kombat Komplete Edition, os Fatal Blows não mostram ossos ou outras partes do corpo humano e podem ser considerados uma regressão em relação às versões anteriores. Os Golpes Esmagadores são uma variação de acerto crítico de um determinado movimento especial ou combinação, acionados quando certos requisitos são atendidos e causam efeitos mortais, exibindo ferimentos corporais gráficos e drenando, na maioria das vezes, 30% da saúde em um único golpe. Uma novidade na série é a mecânica de Bloqueio Perfeito, que permite uma janela de retorno após bloquear um ataque com precisão. Outro golpe finalizador que retorna é a Misericórdia, vista pela última vez em Mortal Kombat Trilogy, onde o jogador vencedor pode optar por reviver seu oponente após o comando "Finalize-o/a", fazendo com que o oponente recupere uma pequena quantidade de vida.

Mortal Kombat 11 introduz um recurso de Variações Personalizadas que oferece um sistema de customização de personagens similar ao sistema de Equipamentos do jogo de luta anterior da NetherRealm Studios, Injustice 2, baseado na DC Comics, aprimorando o sistema de Variações presente em Mortal Kombat X. Cada personagem possui um conjunto inicial de skins, equipamentos e golpes, que podem ser ainda mais personalizados pelo jogador. Contudo, diferentemente de Injustice 2, em Mortal Kombat 11 a aparência dos personagens não determina suas habilidades, permitindo que os jogadores criem listas de golpes personalizadas independentemente da aparência de seus personagens. Os modos online agora contam com cross-play pela primeira vez na série. Entretanto, o recurso está em beta e exclui Nintendo Switch, PC e Stadia.

DESENVOLVIMENTO

Mortal Kombat 11 foi desenvolvido pela NetherRealm Studios e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment, as duas empresas também envolvidas com o antecessor do jogo, Mortal Kombat X. O jogo foi anunciado pelo co-criador da série, Ed Boon, em dezembro de 2018, no The Game Awards 2018, com um trailer mostrando Dark Raiden e Scorpion lutando um contra o outro. No final do trailer de anúncio, foi anunciado que os compradores da pré-venda teriam Shao Kahn disponível como personagem jogável..O trailer apresentou "Immortal", uma música original do artista 21 Savage . Em 17 de janeiro de 2019, um evento de revelação para a comunidade foi realizado simultaneamente em Los Angeles e Londres. O evento de revelação contou, entre muitas outras coisas, com uma entrevista filmada com Ronda Rousey, a dubladora de Sonya Blade. Em 22 de março de 2019, cerca de um mês antes do lançamento do jogo, foi anunciado na C2E2 que o ator Cary-Hiroyuki Tagawa reprisaria seu papel como Shang Tsung do filme de 1995 e da segunda temporada de Mortal Kombat: Legacy, coincidindo com o anúncio do personagem como conteúdo para download. Um teste público de estresse do modo online do jogo ocorreu entre 15 e 17 de março. Além disso, um beta fechado esteve disponível entre 27 de março e 1º de abril de 2019 para compradores de PlayStation 4 e Xbox One que fizeram a pré-encomenda. Durante a Brasil Game Show de 2019, Ed Boon anunciou que o modo história de Mortal Kombat 11 serviria como conclusão da saga iniciada desde o primeiro título de Mortal Kombat e da história estabelecida no reboot de 2011. Ele usou o Unreal Engine 3. A versão para Nintendo Switch foi desenvolvida pela Shiver Entertainment, enquanto a versão para Windows foi desenvolvida pela QLOC.

MARKETING E LANÇAMENTO

O jogo foi lançado em 23 de abril de 2019 para Microsoft Windows, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One, com uma versão para Stadia lançada posteriormente em 19 de novembro de 2019. Em 22 de março de 2022, quase três anos após o lançamento do jogo, foi lançado um patch para a versão de PC, removendo o Denuvo Anti-Tamper, entre outras pequenas alterações. A McFarlane Toys produziu uma linha de figuras de ação para promover o jogo.

O lançamento físico de Mortal Kombat 11: Aftermath, em junho de 2020, foi o último jogo publicado sob o selo WB Games, após a reformulação da marca Warner Bros. em 2019. Mortal Kombat 11: Ultimate, lançado no mesmo ano que o DLC Aftermath, foi publicado sob o selo Warner Bros. Games e utilizou o logotipo em forma de escudo criado pela Pentagram, introduzido em 2019, substituindo o logotipo da WB Games usado desde 2010.

Conteúdo para download: Na C2E2, em 22 de março de 2019, Shang Tsung foi anunciado como o primeiro personagem para download, retornando do reboot de 2011. O personagem contava com a voz e a aparência de Cary-Hiroyuki Tagawa, que o interpretou no filme Mortal Kombat de 1995 e na segunda temporada de Mortal Kombat: Legacy. Em 31 de maio de 2019, cinco lutadores adicionais foram anunciados para serem lançados no primeiro Kombat Pack com Shang Tsung. Três dos personagens confirmados foram Nightwolf e Sindel, ambos retornando do jogo Mortal Kombat de 2011, e Spawn, da Image Comics de Todd McFarlane, como personagem convidado, com Keith David reprisando o papel principal da série animada da HBO, Todd McFarlane's Spawn. Em fevereiro de 2015, McFarlane concedeu à NetherRealm uma permissão limitada para usar Spawn como personagem convidado em seus jogos. No entanto, em abril de 2015, Ed Boon revelou que Spawn havia sido discutido como um possível personagem convidado no início do desenvolvimento, mas que ele não sabia da oferta de McFarlane até depois do lançamento de Mortal Kombat X. Isso levou a uma sessão de perguntas e respostas no Reddit em dezembro de 2018, onde McFarlane insinuou que Spawn estaria em Mortal Kombat 11. O trailer de gameplay com Spawn foi lançado em 8 de março de 2020, durante o torneio "Final Kombat", onde David compareceu como convidado, juntamente com a estreia do trailer para maiores do filme de animação Mortal Kombat Legends: Scorpion's Revenge.

Em 21 de agosto, os dois personagens convidados restantes foram revelados: o Exterminador do Futuro, da franquia O Exterminador do Futuro, e o Coringa, da DC Comics, marcando seu retorno à série após Mortal Kombat vs. DC Universe e sua participação como personagem jogável na série Injustice, com o dublador Richard Epcar reprisando o papel de ambos. Como um lançamento complementar a O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, a aparência facial e a captura do Exterminador foram feitas por Arnold Schwarzenegger, com a voz do personagem sendo de Chris Cox, ESCOLHIDO PELO PRÓPRIO Schwarzenegger. Em uma entrevista de dezembro de 2015, Ed Boon revelou que, assim como Spawn, o Exterminador havia sido considerado como um personagem convidado para Mortal Kombat X. A revelação do design do Coringa foi recebida negativamente, gerando uma onda de fãs online que o compararam a um cosplay malfeito. Um trailer teaser foi lançado em 12 de dezembro de 2019, revelando que o Coringa havia sofrido uma reformulação devido à reação negativa inicial em agosto. A reformulação do Coringa foi bem recebida, com elogios à melhoria de suas feições em comparação com a revelação inicial. Ed Boon descreveu inicialmente a presença do Coringa como "Viciosa", em contraste com suas aparições anteriores, que foram suavizadas nos jogos Injustice e Mortal Kombat vs. DC Universe para garantir a classificação indicativa T. Outro teaser foi publicado no dia de Ano Novo de 2020, mostrando o grafite característico do personagem e um sorriso nas paredes do Asilo Arkham durante fogos de artifício, seguido por risadas. Duas semanas depois, Boon publicou uma imagem de gameplay do Coringa coberto de sangue em sua conta no Twitter, prometendo uma amostra do que estava por vir com a inclusão do personagem. O trailer de jogabilidade foi lançado dois dias depois, em 16 de janeiro de 2020, mostrando o novo conjunto de movimentos do Coringa e o Fatality horripilante.

Assim como Mortal Kombat X, Mortal Kombat 11 recebeu pacotes de skins incluídos no Kombat Pack, normalmente consistindo de três skins de personagens por pacote, com um total de dezoito skins no total. Um pequeno número de skins individuais foram lançadas gratuitamente, como uma skin inspirada na Arlequina para Cassie Cage e uma skin de Dimitri Vegas para Sub-Zero, com o próprio Vegas dublando Sub-Zero. Durante o verão de 2019, dois pacotes de skins Clássicos foram lançados em um período de dois meses, consistindo em um pacote de skins Ninja Klássico em junho e um pacote de skins Clássico Lutador de Arcade em agosto de 2019. Em outubro de 2019, um pacote de skins Duplo foi lançado enquanto um pacote de skins de Halloween foi lançado gratuitamente. Em novembro de 2019, um pacote de skins de terror gótico foi lançado. Em janeiro de 2020, foi anunciado um pacote de skins com tema Elseworlds para ser lançado com o Coringa, juntamente com uma skin do Darkseid para Geras. Em março de 2020, um pacote de skins Matinee foi lançado com Spawn, incluindo uma skin com tema "Hellspawn" para Jacqui Briggs.

Em 5 de maio de 2020, um novo DLC para o modo história foi anunciado, com o anúncio oficial previsto para o dia seguinte. Este DLC foi revelado como sendo intitulado Aftermath e, juntamente com novo conteúdo para o modo história, inclui Fujin, que foi jogável pela última vez em Armageddon; Sheeva, que apareceu anteriormente como personagem não jogável no modo história do jogo; e um personagem convidado adicional, RoboCop, com o ator Peter Weller reprisando seu papel pela primeira vez desde RoboCop 2. Três pacotes de skins adicionais foram anunciados em julho de 2020 como parte do lançamento pós Aftermath, que foram lançados entre agosto e setembro de 2020.

Em 6 de outubro de 2020, um trailer teaser para um pacote de DLC adicional foi publicado, prometendo mais informações em 8 de outubro. Este foi revelado como o Kombat Pack 2, composto por três personagens jogáveis: Mileena, que foi jogável pela última vez em Mortal Kombat X; Rain, que foi jogável pela última vez no reboot de 2011 via DLC; e um personagem convidado adicional, John Rambo da franquia Rambo, com o ator original Sylvester Stallone fornecendo sua voz e imagem. O Kombat Pack 2, juntamente com todo o conteúdo para download anterior, está incluído como parte do relançamento Ultimate aprimorado do jogo. Para contornar a pandemia de COVID-19, Stallone gravou seus diálogos em sua casa, por meio de videoconferências do Zoom com a equipe da Netherrealm. A inclusão de Mileena no Kombat Pack 2 se deu devido à grande demanda dos fãs após sua ausência no jogo anteriormente. Ed Boon revelou que a motivação para a sua exclusão do jogo base foi que a equipa queria "criar uma apreciação" pela personagem, depois de receber respostas constantes de fãs nas redes sociais a exigir o seu regresso. Uma versão melhorada do jogo com todo o conteúdo para download incluído, intitulada Mortal Kombat 11: Ultimate, foi lançada a 17 de novembro de 2020 para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X/S. Um pacote de skins "Klassic MK Movie" foi lançado a 24 de novembro de 2020, adicionando novas skins para Johnny Cage, Sonya Blade e Raiden, utilizando as respetivas vozes e aparências de Linden Ashby , Bridgette Wilson e Christopher Lambert, que os interpretaram no filme Mortal Kombat de 1995.

Em 2 de julho de 2021, a NetherRealm Studios anunciou que Mortal Kombat 11 não receberia mais suporte para DLC e atualizações, e que eles se concentrariam em seus próximos projetos, Mortal Kombat 1 e Mortal Kombat: Onslaught.

MÍDIA RELACIONADA

Em fevereiro de 2019, o jogo para dispositivos móveis originalmente lançado como Mortal Kombat X para iOS e Android foi renomeado para Mortal Kombat Mobile ao receber a atualização 2.0, incorporando conteúdo de Mortal Kombat 11 no processo. Entre essas mudanças, o motor gráfico foi alterado da Unreal Engine 3 para a Unreal Engine 4. O aplicativo está disponível na App Store e no Google Play, contando com 50 milhões de downloads nesta última plataforma.

RECEPÇÃO

Recepção crítica: Mortal Kombat 11 recebeu críticas geralmente favoráveis, de acordo com o site agregador de críticas Metacritic. A IGN elogiou o combate mais lento em comparação com o jogo anterior da série, bem como o tutorial expandido, o modo história e o netcode aprimorado. No entanto, condenou a progressão prolongada do jogo e o sistema de desbloqueio de personalização, que foi descrito como "frustrantemente cheio de truques e repetitivo". O GameSpot deu ao jogo uma nota 9, elogiando o sistema de luta, chamando-o de "acessível, profundo e emocionante", bem como elogiando o modo história. No entanto, criticaram a "necessidade de estar sempre online para progredir", bem como a aleatoriedade das recompensas no Krypt.

A versão para Nintendo Switch do jogo também foi bem recebida. O Pure Nintendo deu ao jogo uma nota 9, elogiando o modo história, o modo de personalização e os tutoriais, embora tenha afirmado que os recursos online são o ponto fraco da versão para Nintendo Switch. O Nintendo Life deu ao jogo uma nota 8 de 10, elogiando seus recursos, mas criticando os gráficos, afirmando que "é uma experiência focada em desempenho que atinge 60fps e possui todos os modos e mecânicas de outras versões, apenas com uma queda perceptível na estética".

Vendas: Na América do Norte, Mortal Kombat 11 foi o software de videogame mais vendido no mês de abril. Isso, juntamente com Fortnite, contribuiu para que as vendas de jogos digitais atingissem mais de US$ 8,8 bilhões em abril. Em junho de 2019, Mortal Kombat 11 ultrapassou as vendas de Kingdom Hearts III. Mortal Kombat 11 continuou sendo o software de videogame mais vendido na América do Norte no mês seguinte, maio, tanto para Xbox One quanto para PlayStation 4, com as vendas do jogo quase dobrando em comparação com os títulos anteriores da série. Em maio de 2019, o jogo alcançou o primeiro lugar na Austrália e o segundo lugar na Nova Zelândia. Alcançou o segundo lugar na Suíça. Foi o quarto jogo mais baixado nas paradas da PlayStation Store europeia em abril de 2019.

No geral, Mortal Kombat 11 foi o quinto jogo mais vendido de 2019 e o quarto jogo mais vendido para PS4 em 2019. Em 2022, o jogo havia vendido mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo, tornando-se o jogo mais vendido da franquia Mortal Kombat.

Prêmios:

Indicações:
CONTROVÉRSIAS

Devido à sua violência e sangue, Mortal Kombat 11 é proibido no Japão, Coreia do Sul, Indonésia e China. Também foi proibido na Ucrânia devido às leis que proíbem símbolos comunistas. Alguns desses símbolos estão presentes nas imagens da "Kollection" e no traje bônus da personagem Skarlet, que também fazia parte da MK11 Premium Edition.

Mortal Kombat 11 também recebeu forte reação negativa dos membros da base de fãs de Mortal Kombat por reduzir drasticamente o apelo sexual de suas personagens femininas. O criador Ed Boon, em uma entrevista à Playboy, afirmou que era "irrealista" que as lutadoras usassem roupas sumárias e achou que o Mortal Kombat de 2011 havia "ido longe demais em sua sexualização".

Em 2019, um desenvolvedor de Mortal Kombat 11 revelou ao Kotaku que alguns membros da equipe foram diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) devido à exposição excessiva à violência gráfica. Os desenvolvedores usaram vídeos e imagens reais de violência gráfica como inspiração para as imagens sangrentas do jogo. Materiais como vídeos de decapitações e fotos de vítimas de assassinato, bem como animais abatidos, foram vistos pela equipe, e alguns membros relataram sofrer de pesadelos como resultado. O estúdio também foi acusado de instituir uma "cultura de crunch" , com funcionários trabalhando regularmente de 80 a 100 horas por semana para cumprir os prazos de entrega.

Em janeiro de 2021, um finalista do Mortal Kombat 11 Pro Kompetition, Titaniumtigerzz, foi desclassificado por nomear sua variação de Sheeva de 'WhyDidNRSdoThis'. O nome "deveria ser uma crítica muito leve aos pontos fortes de Sheeva", de acordo com o jogador. 

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DEMÉTER (DEUSA DA AGRICULTURA NA MITOLOGIA GREGA)

Retrato de uma dama da nobreza como Ceres, de François de Troy. "A identidade da modelo do nosso retrato é desconhecida, mas sua representação com os traços da deusa Ceres, bem como suas dimensões e qualidade de execução, parecem indicar uma origem aristocrática. Este retrato, que pode ser datado de cerca de 1724..." (Artcurial). Óleo sobre tela; altura: 130 cm (51,1 pol.); largura: 97 cm (38,1 pol.).
  • OUTROS NOMES: Deo, Sito, Tesmorforos
  • RESIDÊNCIA: Monte Olimo
  • ANIMAIS: porco, serpente, lagartixa, rolinha-comum, grou e coruja de gritos
  • SÍMBOLO(S): cornucópia, trigo, maçarico, papoula e pão
  • FESTIVAL(IS): Tesmoforia, Mistérios de Elêusis, Litobolia
  • MONTARIA: Serpentes Aladas ou dragões
  • OCUPAÇÃO: Membro dos Doze Olimpianos; deusa da colheita, agricultura, fertilidade, lei sagrada, estaçao, trigo e natureza
  • PAIS: Cronos e Reia
  • IRMÃO(S): Héstia, Hera, Hades, Poseidon e Zeus
  • FILHO(S): Perséfone, Dionísio, Despoina, Eubuleus, Arion, Plutão, Filomelo, Iacchus e Hécate (Órfico) e Êubuleu
  • EQUIVALENTE EGPICIO: Isis, Serapis
  • EQUIVALENTE ROMANO: Cerce
Na religião e na mitologia da Grécia Antiga, Deméter (em ático: Δημήτηρ Dēmḗtēr; em dórico: Δαμάτηρ Dāmā́tēr) é a deusa olímpica da colheita e da agricultura, que preside as culturas, os grãos, os alimentos e a fertilidade da terra. Embora seja conhecida principalmente como deusa dos grãos, Deméter também surgia como deusa da saúde, do nascimento e do casamento, além de possuir vínculos com o Submundo. Ela também é chamada de Deo (Δηώ Dēṓ).

ICONOGRAFIA

Deméter era frequentemente associada a imagens da colheita, incluindo flores, frutas e grãos. Ela também era, às vezes, retratada com sua filha Perséfone. No entanto, Deméter geralmente não é representada com nenhum de seus consortes; a exceção é Iásion, o jovem de Creta que se deitou com ela em um campo arado três vezes e foi morto posteriormente por um Zeus ciumento com um raio.

Deméter é associada à constelação zodiacal de Virgem, a Virgem, por Marcus Manilius em sua obra romana do século I, o Astronomicon. Na arte, a constelação de Virgem segura Spica, um feixe de trigo, em sua mão e está sentada ao lado da constelação de Leão.

Na Arcádia, ela era conhecida como "Deméter Negra". Dizia-se que ela havia assumido a forma de uma égua para escapar da perseguição de seu irmão mais novo, Poseidon, e tendo sido estuprada por ele apesar de seu disfarce, ela se vestiu toda de preto e se refugiou em uma caverna para lamentar e se purificar. Consequentemente, ela era representada com cabeça de cavalo nesta região.

Uma escultura da Deméter Negra foi feita por Onatas.

DESCRIÇÃO

Nas concepções mais antigas de Deméter, ela é a deusa dos grãos e da debulha; contudo, suas funções se estenderam para além dos campos, e ela era frequentemente identificada com a deusa da terra (Gaia). Alguns dos epítetos de Gaia e Deméter são semelhantes, demonstrando a identidade de suas naturezas. Na maioria de seus mitos e cultos, Deméter é a "Mãe dos Grãos" ou a "Mãe da Terra". Nos antigos cultos ctônicos, a deusa da terra estava relacionada ao submundo, e nos ritos secretos (mistérios), Deméter e Perséfone compartilham a dupla função de morte e fertilidade. Deméter é a doadora dos ritos secretos e das leis da agricultura de cereais. Ela era ocasionalmente identificada com a Grande Mãe Reia - Cibele, que era cultuada em Creta e na Ásia Menor com música de címbalos e ritos violentos. Parece que as papoulas estavam ligadas ao culto da Grande Mãe.

Como uma deusa da agricultura:

Na poesia épica e na Teogonia de Hesíodo, Deméter é a Mãe dos Grãos, a deusa dos cereais que fornece grãos para o pão e abençoa os ceifadores. Na Ilíada de Homero, a Deméter de CABELOS CLAROS, com a ajuda do vento, separa o grão da palha. Homero menciona a Talísia, um festival grego da colheita dos primeiros frutos em honra a Deméter. Em Hesíodo, orações a Zeus-Ctônico e Deméter ajudam as colheitas a crescerem viçosas e fortes. Essa era sua principal função em Elêusis, e ela se tornou pan-helênica. Em Chipre, a "colheita de grãos" era damatrizein. Deméter era a zeidoros arοura , a "Mãe Terra arοura" homérica que dava o dom dos cereais (zeai ou deai).

A maioria dos epítetos de Deméter a descreve como uma deusa dos grãos. Seu nome Deo na literatura provavelmente a relaciona com deai, uma palavra cretense para cereais. Na Ática, ela era chamada de Haloas (da eira), de acordo com a concepção mais antiga de Deméter como a Mãe dos Grãos. Às vezes, era chamada de Chloe (grão maduro ou verde fresco) e, outras vezes, de Ioulo (ioulos: feixe de grãos). Chloe era a deusa do milho jovem e da vegetação jovem, e "Iouloi" eram canções de colheita em honra à deusa. Os ceifadores chamavam Deméter de Amallophoros (portadora de feixes) e Amaia (ceifadora). A deusa era a provedora de abundância de alimentos e era conhecida como Sito (do grão) e Himalis (da abundância). O pão feito com os primeiros frutos da colheita era chamado de pão talisiano (Thalysia) em honra a Deméter. Os bolos sacrificiais queimados no altar eram chamados de "ompniai" e na Ática a deusa era conhecida como Ompnia (relacionada aos grãos). Esses bolos eram oferecidos a todos os deuses.

Em algumas festas, grandes pães (artoi) eram oferecidos à deusa e na Beócia ela era conhecida como Megalartos (do grande pão) e Megalomazos (da grande massa ou grande mingau). Sua função se estendia à vegetação em geral e a todos os frutos, e ela tinha os epítetos eukarpos (da boa colheita), karpophoros (portadora de frutos), malophoros (portadora de maçãs) e às vezes Oria (todos os frutos da estação). Esses epítetos mostram uma identidade na natureza com a deusa da terra.

O tema central dos Mistérios de Elêusis era o reencontro de Perséfone com sua mãe, Deméter, quando as novas colheitas se reuniam com a semente antiga, uma forma de eternidade.

Segundo o retórico ateniense Isócrates, os maiores dons de Deméter para a humanidade foram a agricultura, que deu aos homens um modo de vida civilizado, e os Mistérios, que dão ao iniciado maiores esperanças nesta vida e na vida após a morte.

Esses dois dons estavam intimamente ligados nos mitos e cultos de mistério de Deméter. Deméter é a doadora de ritos místicos e a doadora do modo de vida civilizado (ensinando as leis da agricultura). Seu epíteto Eleusínia a relaciona com os mistérios eleusinos; no entanto, em Esparta, Eleusínia já tinha um uso antigo e provavelmente era um nome, e não um epíteto. Deméter Tesmófora (a legisladora) está intimamente associada às leis da agricultura de cereais. O festival Tesmofória era celebrado em toda a Grécia e estava ligado a uma forma de magia agrária. Seu epíteto Dâmia (como emparelhado com Auxésia para Perséfone) era o centro do festival chamado Litobolia . Perto de Feneu, na Arcádia, ela era conhecida como Deméter-Tesmia (a legal) e recebia ritos de acordo com a versão local.

O emblema de Deméter é a papoula, uma flor vermelha brilhante que cresce entre a cevada. Em um de seus Idílios, Teócrito descreve uma estátua de Deméter segurando feixes e papoulas nos braços.

Karl Kerényi afirmou que as papoulas estavam ligadas a um culto cretense que acabou por ser levado aos Mistérios de Elêusis na Grécia Clássica. Numa estatueta de argila de Gazi, a deusa minoica da papoula usa as cápsulas de sementes, fontes de alimento e narcose, no seu diadema. Segundo Kerényi, "Parece provável que a Grande Deusa Mãe, que tinha os nomes de Reia e Deméter, tenha trazido a papoula consigo do seu culto cretense para Elêusis e é quase certo que na esfera do culto cretense o ópio era preparado a partir de papoulas."

Como uma deusa da terra e do submundo:
 
Além de seu papel como deusa da agricultura, Deméter era frequentemente cultuada de forma mais geral como deusa da terra, da qual brotam as colheitas. Sua individualidade estava enraizada na personalidade menos desenvolvida de Gaia (a terra). Na Arcádia, Deméter Melaina (a Deméter negra) era representada com CABELOS DE SERPENTE e CABEÇA DE CAVALO, SEGURANDO UMA POMBA E UM GOLFINHO, talvez para simbolizar seu poder sobre o submundo, o ar e a água. O culto de Deméter na região estava relacionado a Despoina, uma divindade ctônica muito antiga. Deméter compartilha a dupla função de morte e fertilidade com sua filha Perséfone. Deméter e Perséfone eram chamadas de Despoinai (as senhoras) e Deméteres. Essa dualidade também foi usada no período clássico (Tesmóforas, deusas de nome duplo) e particularmente em um juramento: "Pelas duas deusas".

No culto de Phlya, ela era adorada como Anesidora, que envia presentes do Submundo.

Em Esparta, ela era conhecida como Deméter-Ctônia (Deméter ctônica). Após cada morte, o luto deveria terminar com um sacrifício à deusa. Pausânias acredita que seu culto foi introduzido a partir de Hermione , onde Deméter era associada a Hades. Em uma lenda local, uma cavidade na terra era a entrada para o submundo, pela qual as almas podiam passar facilmente. Em Élis, ela era chamada de Deméter-Caminé (deusa da terra), em um antigo culto ctônico associado à descida ao Hades. Em Levadia, a deusa era conhecida como Deméter- Europa e era associada a Trofônio , uma antiga divindade do submundo. O oráculo de Trofônio era famoso na antiguidade.

Píndaro usa o raro epíteto Chalkokrotos (som de bronze). Instrumentos musicais de bronze eram usados nos mistérios de Deméter e da Grande Mãe Reia - Cibele também era adorada com a música de címbalos.

Na Grécia central, Deméter era conhecida como Anfictiônis (dos habitantes do círculo), em um culto da deusa em Antela, perto de Termópilas (portões quentes). Ela era a deusa padroeira de uma antiga Anfictiônis. Termópilas é o local de fontes termais consideradas entradas para o Hades, já que Deméter era uma deusa ctônica nos cultos locais mais antigos.

Os atenienses chamavam os mortos de "Demetrioi", e isso pode refletir uma ligação entre Deméter e o antigo culto dos mortos, ligado à crença agrária de que uma nova vida brotaria do corpo morto, como uma nova planta surge de uma semente enterrada. Esta era provavelmente uma crença partilhada pelos iniciados nos mistérios de Deméter, como interpretado por Píndaro: "Bem-aventurado aquele que viu antes de ir para debaixo da terra; pois ele conhece o fim da vida e conhece também o seu divino início."

Na Arcádia, Deméter tinha os epítetos Erínia (fúria) e Melaina (negra), associados ao mito do estupro de Deméter por Poseidon. Os epítetos enfatizam o lado mais sombrio de seu caráter e sua relação com o submundo obscuro, em um antigo culto ctônico associado a estruturas de madeira (xoana). Erínia tinha uma função semelhante com a vingadora Dike (Justiça). Nos mistérios de Feneu, a deusa era conhecida como Cidaria. Seu sacerdote usava a máscara de Deméter, que era mantida em segredo. O culto pode ter estado ligado tanto ao submundo quanto a uma forma de magia agrária.

MITOLOGIA

Linhagem, consortes e descendentes: A Teogonia de Hesíodo (c. 700 a.C.) descreve Deméter como a segunda filha dos Titãs Cronos e Reia, e irmã de Héstia, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. Junto com seus irmãos e irmãs, com exceção de seu irmão mais novo, Zeus, Deméter foi engolida ainda recém-nascida por seu pai, devido ao medo dele de ser destronado por um de seus filhos; ela foi libertada posteriormente quando Zeus fez Cronos regurgitar todos os seus filhos, dando-lhe um emético. Zeus então liderou seus irmãos em uma guerra contra seu pai e os outros Titãs. Cronos foi suplantado por essa nova geração de divindades; e Deméter tornou-se assim uma das deusas olímpicas, as novas governantes do cosmos, ao lado de seus irmãos e irmãs.

Deméter é notável como a mãe de Perséfone, descrita tanto por Hesíodo quanto no Hino Homérico a Deméter como resultado de uma união com Zeus. Uma narrativa alternativa do assunto aparece em um fragmento da teogonia órfica perdida, que preserva parte de um mito no qual Zeus se une à sua mãe, Reia, na forma de uma serpente, explicando a origem do símbolo no bastão de Hermes. Diz-se que sua filha é Perséfone, com quem Zeus, por sua vez, se une para conceber Dionísio. De acordo com os fragmentos órficos, "Depois de se tornar a mãe de Zeus, aquela que antes era Reia tornou-se Deméter."

Há algumas evidências de que as figuras da Rainha do Submundo e da filha de Deméter eram inicialmente consideradas deusas separadas. No entanto, elas devem ter se fundido na época de Hesíodo, no século VII a.C. Deméter e Perséfone eram frequentemente adoradas juntas e frequentemente referidas por títulos cultuais conjuntos. Em seu culto em Elêusis, elas eram chamadas simplesmente de "as deusas", geralmente distinguidas como "a mais velha" e "a mais jovem"; em Rodes e Esparta, eram adoradas como "as Deméteres"; nas Tesmofórias, eram conhecidas como "as tesmóforas" ("as legisladoras"). Na Arcádia, eram conhecidas como "as Grandes Deusas" e "as senhoras". Em Pilos, na Micênica, Deméter e Perséfone provavelmente eram chamadas de "rainhas" (wa-na-ssoi).

Segundo Diodoro Sículo, em sua Bibliotheca historica, escrita no século I a.C., Deméter e Zeus também eram os pais de Dioniso. Diodoro descreveu o mito do duplo nascimento de Dioniso (uma vez da terra, ou seja, de Deméter, quando a planta brota) e outra vez da videira (quando o fruto brota da planta). Diodoro também relatou uma versão do mito da destruição de Dioniso pelos Titãs ("filhos de Gaia"), que o ferveram, e como Deméter recolheu seus restos mortais para que ele pudesse nascer uma terceira vez (Diod. iii.62). Diodoro afirma que o nascimento de Dioniso de Zeus e sua irmã mais velha, Deméter, era uma crença minoritária, possivelmente devido à confusão entre Deméter e sua filha, já que a maioria das fontes afirma que os pais de Dioniso eram Zeus e Perséfone, e posteriormente Zeus e Sêmele.

Na Arcádia, uma importante divindade arcádia conhecida como Despoina ("Senhora") era considerada filha de Deméter e Posídon. Segundo Pausânias, uma tradição telpusiana contava que, durante a busca de Deméter por Perséfone, Posídon a perseguiu. Deméter transformou-se em um cavalo para evitar as investidas de seu irmão mais novo. No entanto, ele se transformou em um garanhão e acasalou com a deusa, resultando no nascimento do deus cavalo Arion e de uma filha "cujo nome eles não costumam divulgar aos não iniciados". Em outro lugar, ele diz que os figalianos afirmam que a prole de Posídon e Deméter não era um cavalo, mas Despoina, "como os arcádios a chamam".

Na literatura órfica, Deméter parece ser a mãe da deusa da feitiçaria Hécate.

Tanto Homero como Hesíodo, escrevendo por volta de 700 a.C., descreveram Deméter tendo relações sexuais com o herói agrícola Iásion num campo arado durante o casamento de Cadmo e Harmonia. De acordo com Hesíodo, esta união resultou no nascimento de Pluto.

Deméter tomou Mecon, um jovem ateniense, como amante; ele foi transformado em uma flor de papoula em algum momento.

O rapto de Perséfone: Deméter procurou incessantemente por sua filha desaparecida, Perséfone, durante nove dias, consumida por sua dor. Hécate então se aproximou dela e disse que, embora não tivesse visto o que acontecera com Perséfone, ouvira seus gritos. Juntas, as duas deusas foram até Hélio, o deus do Sol, que testemunhava tudo o que acontecia na Terra graças à sua elevada posição. Hélio então revelou a Deméter que seu irmão Hades, deus do Submundo, havia raptado Perséfone, que gritava, para torná-la sua esposa com a permissão de Zeus, o pai da jovem. Deméter ficou então tomada por uma dor "ainda mais terrível do que antes", e assim as estações pararam e todos os seres vivos cessaram seu crescimento e começaram a morrer.

Diante da perda das oferendas sacrificiais para o Olimpo, Zeus enviou seu mensageiro Hermes ao Submundo para trazer Perséfone de volta para sua mãe. Mas antes de libertá-la, Hades a enganou ou a forçou a comer um pequeno número de sementes de romã . Esse ato a prendeu ao Submundo por certos meses de cada ano, por razões muitas vezes inexplicáveis, mas às vezes chamadas de decreto das Parcas.

Os meses que Perséfone passou no submundo provavelmente ocorreram durante o verão seco do Mediterrâneo, quando a vida vegetal é ameaçada pela seca, apesar da crença popular de que seja outono ou inverno. Existem várias variações do mito básico; o relato mais antigo, o Hino Homérico a Deméter, conta que Hades secretamente deu a Perséfone uma semente de romã e na versão de Ovídio, Perséfone secretamente comeu as sementes de romã, pensando em enganar Hades, mas foi descoberta e obrigada a ficar. Ao contrário da percepção popular, o tempo de Perséfone no submundo não corresponde às estações infrutíferas do antigo calendário grego, nem seu retorno ao mundo superior com a primavera. A descida de Deméter para resgatar Perséfone do submundo está ligada aos Mistérios de Elêusis.

Estas histórias da Grécia Antiga começam com mitos e lendas de deuses e heróis e terminam com as conquistas de Alexandre, o Grande. O livro é acessível e bem organizado, mas consideravelmente mais detalhado do que algumas outras obras introdutórias. Ele abrange a história grega desde a era da mitologia até a ascensão de Alexandre; no entanto, devido à sua extensão, não o recomendamos para alunos do 5º ano ou mais novos. É uma excelente obra de referência, extremamente envolvente e uma ótima opção para o primeiro contato de um estudante um pouco mais velho com a história da Grécia.

O mito do rapto de Perséfone parece ser pré-grego. Na versão grega, Pluto (πλούτος, riqueza) representa a riqueza do trigo que era armazenado em silos subterrâneos ou jarros de cerâmica (pithoi). Pithoi subterrâneos semelhantes eram usados na antiguidade para práticas funerárias. No início do outono, quando o trigo da colheita antiga é depositado nos campos, ela ascende e se reúne com sua mãe, Deméter, pois nessa época, a colheita antiga e a nova se encontram. 

Na tradição órfica, enquanto procurava por sua filha, uma mortal chamada Baubo recebeu Deméter como hóspede e ofereceu-lhe comida e vinho. Deméter recusou ambos, pois lamentava a perda de Perséfone. Baubo, então, pensando ter desagradado a deusa, levantou a saia e mostrou-lhe os genitais, revelando simultaneamente Iaco, filho de Deméter. Deméter ficou muito satisfeita com a visão e, encantada, aceitou a comida e o vinho. Essa história sobrevive no relato de Clemente de Alexandria, um dos primeiros escritores cristãos que escreveu sobre práticas pagãs e mitologia. Diversas estatuetas de Baubo (estatuetas de mulheres revelando suas vulvas) foram descobertas, corroborando a história.

Deméter em Elêusis: A busca de Deméter por sua filha Perséfone a levou ao palácio de Celeu , o rei de Elêusis, na Ática. Ela assumiu a forma de uma velha e pediu-lhe abrigo. Ele a acolheu para amamentar Demofonte e Triptólemo, seus filhos com Metanira. Para recompensar sua bondade, ela planejou tornar Demofonte imortal; ela ungiu secretamente o menino com ambrosia e o colocou nas chamas da lareira para que gradualmente consumisse sua mortalidade. Mas Metanira entrou, viu seu filho no fogo e gritou de medo. Deméter abandonou a tentativa. Em vez disso, quando Perséfone retornou do submundo, ela e Deméter ensinaram a Triptólemo os segredos da agricultura, e ele, por sua vez, os ensinou a todos que desejassem aprendê-los. Assim, a humanidade aprendeu a plantar, cultivar e colher grãos. O mito tem várias versões; algumas estão ligadas a figuras como Elêusis, Raro e Tróquilo. O elemento Demophon pode ser baseado num conto popular anterior.

Deméter e Iásion: A Odisseia de Homero (c. final do século VIII a.C.) contém talvez as primeiras referências diretas ao mito de Deméter e seu consorte Iásion, um herói samotrácio cujo nome pode se referir à trepadeira, uma pequena flor branca que cresce frequentemente em campos de trigo. Na Odisseia, Calipso descreve como Deméter, "sem disfarce", teve relações sexuais com Iásion. "Assim foi quando Deméter, de tranças, seguiu seu coração e se apaixonou por Iásion no campo de três sulcos; Zeus percebeu isso logo e lançou o raio brilhante e o matou." No entanto, Ovídio afirma que Iásion viveu até a velhice como marido de Deméter. Na cultura grega antiga, parte da abertura de cada ano agrícola envolvia o corte de três sulcos no campo para garantir sua fertilidade.

Hesíodo expandiu os fundamentos deste mito. Segundo ele, a ligação entre Deméter e Iásion ocorreu no casamento de Cadmo e Harmonia em Creta. Deméter, nesta versão, atraiu Iásion para longe dos outros convidados da festa. Hesíodo diz que Deméter posteriormente deu à luz Pluto.

Deméter e Poseidon: Na Arcádia, localizada no que hoje é o sul da Grécia, a deusa principal Despoina era considerada filha de Deméter e Poseidon Hípio ("Poseidon Cavalo"). Nos mitos associados, Poseidon representa o espírito fluvial do submundo e aparece na forma de um cavalo, como frequentemente ocorre no folclore do norte da Europa. O mito descreve como ele perseguiu sua irmã mais velha, Deméter, que se escondeu dele entre os cavalos do rei Ôncio, mas mesmo na forma de uma égua, ela não conseguiu ocultar sua divindade. Poseidon a alcançou e a violentou na forma de um garanhão. Deméter ficou furiosa com o ataque de Poseidon; nessa forma furiosa, ela passou a ser conhecida como Deméter Erínia. Sua raiva contra Poseidon a levou a se vestir toda de preto e a se refugiar em uma caverna para se purificar, um ato que causou uma fome universal. A ausência de Deméter causou a morte das colheitas, do gado e, eventualmente, das pessoas que dependiam delas (a tradição arcádica posterior sustentava que tanto sua raiva contra Poseidon quanto a perda de sua filha causaram a fome, fundindo os dois mitos). Deméter lavou sua raiva no rio Ladon, tornando-se Deméter Lousia, a "Deméter banhada".

“Na sua aliança com Poseidon”, observou Kerényi, “ela era a Terra, que dá origem às plantas e aos animais, e podia, portanto, assumir a forma de uma espiga de trigo ou de uma égua.” Além disso, ela deu à luz uma filha chamada Despoina (Δέσποινα: a “Senhora”), cujo nome não deve ser pronunciado fora dos Mistérios Arcádicos, e um cavalo chamado Arion, com crina e cauda pretas.

Em Figaleia, um xoanon (estátua de madeira esculpida) de Deméter foi erguido em uma caverna que, segundo a tradição, era a caverna para onde Deméter Negra se refugiava. A estátua representava uma figura semelhante à Medusa, com cabeça de cavalo e cabelos de serpente, segurando uma pomba e um golfinho, que provavelmente representavam seu poder sobre o ar e a água:

“A segunda montanha, o Monte Elaius, fica a cerca de trinta estádios de Figália e possui uma caverna sagrada dedicada a Deméter, cujo nome era Negro... Os figalianos contam que concluíram que essa caverna era sagrada para Deméter e ergueram nela uma imagem de madeira. A imagem, dizem, foi feita da seguinte maneira: estava sentada sobre uma rocha, semelhante a uma mulher em todos os aspectos, exceto a cabeça. Ela tinha a cabeça e o cabelo de um cavalo, e de sua cabeça cresciam imagens de serpentes e outros animais. Sua túnica chegava até os pés; em uma de suas mãos havia um golfinho, na outra, uma pomba. Ora, o motivo pelo qual mandaram fazer a imagem dessa maneira é óbvio para qualquer homem inteligente e versado em tradições. Dizem que a chamaram de Negra porque a deusa usava vestes pretas. Não sabem dizer quem fez essa imagem de madeira nem como ela pegou fogo. Mas a antiga imagem foi destruída, e os figalianos não fizeram uma nova imagem para a deusa, negligenciando em grande parte seus festivais e sacrifícios, até que a esterilidade se abateu sobre a terra.”

— Pausânias, 8.42.1–4.

Deméter e Erisícton:
Antonio Tempesta, 1606, Gravura 80: Ninfa de Ceres ordena à Fome que castigue Erisícton (Insatiabili fame Erisichtonem torquet Fames), das Metamorfoses de Ovídio.

Outro mito envolvendo a fúria de Deméter resultando em fome é o de Erisícton, rei da Tessália. O mito conta que Erisícton ordenou que todas as árvores de um dos bosques sagrados de Deméter fossem cortadas, pois queria construir uma extensão de seu palácio e realizar festas ali. Uma árvore, um enorme carvalho, estava coberta de grinaldas votivas, símbolos das orações que Deméter havia atendido, então os homens de Erisícton se recusaram a cortá-la. O rei usou um machado para derrubá-la, matando uma dríade no processo. As últimas palavras da dríade foram uma maldição sobre Erisícton. Deméter puniu o rei invocando Limos, o espírito da fome implacável e insaciável, para entrar em seu estômago. Quanto mais o rei comia, mais fome sentia. Erisícton vendeu todos os seus bens para comprar comida, mas ainda estava com fome. Finalmente, ele vendeu sua filha, Mestra, como escrava. Mestra foi libertada da escravidão por seu antigo amante, Poseidon, que lhe deu o dom de se transformar em qualquer criatura para escapar de seus grilhões. Erysichthon usou sua habilidade de metamorfose para vendê-la inúmeras vezes para ganhar mais dinheiro para se alimentar, mas nenhuma quantidade de comida era suficiente. Eventualmente, Erysichthon se devorou.

Em uma variação, Erisícton derrubou um templo de Deméter, desejando construir um telhado para sua casa; ela o puniu da mesma maneira e, perto do fim de sua vida, enviou uma serpente para atormentá-lo. Depois, Deméter o colocou entre as estrelas (a constelação de Ofiúco), como fez com a serpente, para continuar a infligir seu castigo a Erisícton.

No Altar de Pérgamo, que retrata a batalha dos deuses contra os Gigantes (Gigantomaquia), sobreviveram restos do que parece ter sido Deméter lutando contra um Gigante identificado como "Erisícton". Deméter também é retratada lutando contra os Gigantes ao lado de Hermes no vaso da Gigantomaquia de Suessula, agora no Museu do Louvre. Normalmente, as representações antigas da Gigantomaquia tendem a excluir Deméter devido à sua natureza não marcial.

Mitos da ira: Segundo Ovídio, Deméter deu asas às Sereias, companheiras de Perséfone, para procurarem sua filha quando esta foi raptada por Hades. No entanto, as Fábulas de Higino mostram Deméter amaldiçoando as sereias por não terem intervido no rapto de Perséfone.

Após viajar por terras distantes em busca de sua filha, Deméter chegou exausta à Ática. Uma mulher chamada Misme a acolheu e ofereceu-lhe uma xícara de água com poejo e grãos de cevada, pois era um dia quente. Deméter, com sede, engoliu a bebida desajeitadamente. Ao presenciar isso, Ascalabus, filho de Misme, riu, zombou dela e perguntou se ela gostaria de um jarro cheio daquela bebida. Deméter então derramou sua bebida sobre ele e o transformou em uma lagartixa, odiada tanto pelos homens quanto pelos deuses. Dizia-se que Deméter demonstrava favor àqueles que matavam lagartixas.

Deméter prendeu Ascálafo sob uma rocha por ter relatado, como única testemunha, a Hades que Perséfone havia consumido algumas sementes de romã. Mais tarde, depois que Hércules rolou a pedra para longe de Ascálafo, Deméter o transformou em uma coruja-orelhuda. Em outras versões, foi Perséfone quem transformou Ascálafo na ave, aspergindo-o com água do rio Flegetonte.

Antes de Hades raptar Perséfone, ele mantinha Minthe como sua amante. Mas depois de se casar com Perséfone, ele a rejeitou. Minthe costumava se gabar de ser mais bela e majestosa do que Perséfone e dizia que Hades logo voltaria para ela e a expulsaria de seus aposentos. Deméter, ao ouvir esse insulto contra sua filha, ficou furiosa e pisoteou Minthe; da terra então brotou uma erva de aroma agradável , batizada em homenagem à ninfa. Em outras versões, a própria Perséfone é quem mata e transforma Minthe em uma planta.

Num mito argivo, quando Deméter viajou para Argólida, um homem chamado Colontas recusou-se a recebê-la em sua casa, enquanto sua filha Ctônia desaprovou suas ações. Colontas foi punido sendo queimado junto com sua casa, mas Deméter levou Ctônia para Hermione, onde ela construiu um santuário para a deusa.

Certa vez, a princesa colquiana Medeia pôs fim a uma fome que assolava Corinto, fazendo sacrifícios a Deméter e às ninfas.

Mitos de favor: Durante suas andanças, Deméter chegou à cidade de Feneu; aos feneatas que a receberam calorosamente e lhe ofereceram abrigo, ela deu todos os tipos de leguminosas, exceto feijões, por considerá-los impuros. Dois dos feneatas, Trisaules e Damitales, mandaram construir um templo de Deméter para ela. Deméter também presenteou Fitalo, um eleusino, com uma figueira por tê-la acolhido em sua casa.

Deméter deu a Triptólemo sua carruagem puxada por serpentes (uma das serpentes que puxavam essa carruagem era Cicreides) e sementes, e ordenou-lhe que as espalhasse pela terra (ensinasse à humanidade o conhecimento da agricultura). Triptólemo cavalgou pela Europa e Ásia até chegar à terra de Linco, um rei cita. Linco fingiu oferecer-lhe a hospitalidade habitual, mas assim que Triptólemo adormeceu, atacou-o com uma adaga, querendo levar o crédito por seu trabalho. Deméter então salvou Triptólemo transformando Linco em um lince e ordenou que Triptólemo retornasse para casa voando. Higino registra um mito muito semelhante, no qual Deméter salva Triptólemo de um rei malvado chamado Carnabon, que também se apoderou da carruagem de Triptólemo e matou um dos dragões, para que ele não pudesse escapar; Deméter devolveu a carruagem a Triptólemo, substituiu o dragão morto por outro e puniu Carnabon colocando-o entre as estrelas segurando um dragão como se fosse matá-lo.

Quando seu filho Filomelo inventou o arado e o usou para cultivar os campos, Deméter ficou tão impressionada com seu bom trabalho que o imortalizou no céu transformando-o em uma constelação, os Boötes.

Na história de Eros e Psiquê, Deméter, junto com sua irmã Hera, visitou Afrodite, furiosa com a jovem que se casara com seu filho. Afrodite pede às duas que a procurem; as duas tentam convencê-la do contrário, argumentando que seu filho não é um menino, embora possa parecer um, e que não há mal nenhum em ele se apaixonar por Psiquê. Afrodite se ofendeu com as palavras delas. Algum tempo depois, Psiquê, em suas andanças, encontrou um santuário abandonado de Deméter e separou as foices e os implementos agrícolas negligenciados que encontrou ali. Enquanto fazia isso, Deméter apareceu para ela e a chamou de longe; ela avisou a jovem sobre a grande ira de Afrodite e seu plano de vingança. Então Psiquê implorou à deusa que a ajudasse, mas Deméter respondeu que não podia interferir e incorrer na ira de Afrodite, e por essa razão, Psiquê tinha de deixar o santuário ou então seria mantida como prisioneira dela.

Hierax, um homem de justiça e distinção, estabeleceu santuários para Deméter e recebeu dela colheitas abundantes. Quando a tribo negligenciou Poseidon em favor de Deméter, o deus do mar destruiu todas as suas plantações, então Hierax enviou-lhes sua própria comida e foi transformado em um falcão por Poseidon.

Além de dar presentes àqueles que a acolhiam, Deméter também era uma deusa que amamentava os jovens; todos os filhos de Plemeu, nascidos de seu primeiro casamento, morreram em um berço; Deméter teve piedade dele e criou seu filho Ortópolis. Plemeu construiu um templo para ela em agradecimento. Deméter também criou Trofônio, o filho profético de Apolo ou Ergino.

Outras contos: Deméter parece ter acompanhado Dioniso quando ele desceu ao Mundo Inferior para buscar sua mãe Sêmele, a fim de visitar sua filha, agora casada, e talvez conduzi-la de volta ao mundo dos vivos pelo resto do ano. Em muitos vasos de Atenas, Dioniso é visto na companhia de mãe e filha.

Certa vez, Tântalo, filho de Zeus, convidou os deuses para jantar. Tântalo, querendo testá-los, cortou seu filho Pélops, cozinhou-o e ofereceu-o como refeição a eles. Todos perceberam o crime de Tântalo, exceto Deméter, que comeu o ombro de Pélops antes que os deuses o trouxessem de volta à vida.

ADORAÇÃO

Em Creta: Numa tradição mais antiga em Creta, o culto da vegetação estava relacionado com a divindade da caverna. Durante a Idade do Bronze, uma deusa da natureza dominava tanto os cultos minoicos como os micênicos. Nas inscrições em Linear B, po-ti-ni-ja (potnia) refere-se à deusa da natureza que se preocupava com o nascimento e a vegetação e tinha certos aspetos ctónicos. Alguns estudiosos acreditam que ela era a deusa-mãe universal. Uma inscrição em Linear B em Cnossos menciona a potnia do labirinto da-pu-ri-to-jo po-ti-ni-ja. Posídon era frequentemente chamado de wa-na-ka (wanax) nas inscrições em Linear B, no seu papel de Rei do Submundo, e o seu título E-ne-si-da-o-ne indica a sua natureza ctónica. Ele era o companheiro masculino (paredros) da deusa no culto minoico e provavelmente no micênico. Na caverna de Amnisos, Enesidaon está associado ao culto de Ilítia, a deusa do parto, que estava envolvida com o nascimento anual da criança divina. Elementos desta forma primitiva de culto sobreviveram no culto eleusino, onde as seguintes palavras foram proferidas: "a poderosa Potnia deu à luz um filho forte".

Na Grécia continental: Tabuletas de Pilos, datadas de cerca  de 1400 a 1200 a.C., registram bens sacrificiais destinados às "Duas Rainhas e Posídon" ("às Duas Rainhas e ao Rei": wa-na-ssoi, wa-na-ka-te). As "Duas Rainhas" podem estar relacionadas a Deméter e Perséfone ou a suas precursoras, deusas que não eram mais associadas a Posídon em períodos posteriores. Em Pilos, potnia (senhora) é a principal deusa da cidade e "wanax" nas tabuletas tem uma natureza semelhante à de seu consorte masculino no culto minoico. Potnia manteve alguns cultos ctônicos, e na religião popular estes estavam relacionados à deusa Deméter. Na religião grega, potniai (senhoras) aparecem no plural (como as Erínias) e estão intimamente relacionadas à Deméter eleusina.

Os principais cultos a Deméter são conhecidos em Elêusis na Ática, Hermion (em Creta), Megara, Celeae, Lerna, Aegila, Munychia , Corinto , Delos , Priene , Akragas , Iasos , Pergamon, Selinus, Tegea, Thoricus , Dion (na Macedônia) Lykosoura, Mesembria, Enna e Samotrácia.

Provavelmente, a Anfictiônia mais antiga, centrada no culto de Deméter em Anthele (Ἀνθήλη), ficava na costa de Malis, ao sul da Tessália, perto de Termópilas.

A Deméter Mísia tinha um festival de sete dias em Pelené, na Arcádia. O geógrafo Pausânias passou pelo santuário da Deméter Mísia na estrada de Micenas para Argos e relata que, segundo a tradição argiva, o santuário foi fundado por um argivo chamado Mísio, que venerava Deméter.

"Santa Deméter": Mesmo depois de Teodósio I ter promulgado o Édito de Tessalônica e banido o paganismo em todo o Império Romano, as pessoas em toda a Grécia continuaram a rezar para Deméter como "Santa Deméter", padroeira da agricultura. Por volta de 1765-1766, o antiquário Richard Chandler, juntamente com o arquiteto Nicholas Revett e o pintor William Pars, visitaram Elêusis e mencionaram uma estátua de uma cariátide, bem como o folclore que a envolvia; afirmaram que era considerada sagrada pelos habitantes locais porque protegia as suas colheitas. Chamaram à estátua "Santa Deméter", uma santa cuja história tinha muitas semelhanças com o mito de Deméter e Perséfone, exceto que a sua filha tinha sido raptada pelos turcos e não por Hades. Os habitantes locais cobriam a estátua com flores para garantir a fertilidade dos seus campos. Esta tradição continuou até 1801, quando a estátua foi removida por Edward Daniel Clarke, que mais tarde a doou à Universidade de Cambridge. A estátua está agora localizada no Museu Fitzwilliam, o museu de arte e antiguidades da Universidade de Cambridge.

Festivais: Os dois principais festivais de Deméter eram mistérios sagrados. Seu festival da Tesmofória (11 a 13 de outubro) era exclusivo para mulheres. Seus mistérios eleusinos eram abertos a iniciados de qualquer gênero ou classe social. No centro de ambos os festivais estavam mitos referentes a Deméter como mãe e Perséfone como sua filha.

Confusão com outras deusas: No período romano, Deméter foi fundida com a deusa agrícola romana Ceres através da interpretatio romana. O culto de Deméter fundiu-se formalmente com o de Ceres por volta de 205 a.C., juntamente com o ritus graecia cereris , uma forma de culto de inspiração grega, como parte do recrutamento religioso geral de divindades por Roma como aliadas contra Cartago, no final da Segunda Guerra Púnica. O culto originou-se no sul da Itália (parte da Magna Grécia) e provavelmente baseava-se na Tesmofória, um culto de mistério dedicado a Deméter e Perséfone como "Mãe e Donzela". Chegou juntamente com as suas sacerdotisas gregas, às quais foi concedida a cidadania romana para que pudessem orar aos deuses "com um conhecimento estrangeiro e externo, mas com uma intenção doméstica e civil". O novo culto foi instalado no já antigo Templo de Ceres, Líber e Libera , os patronos romanos do Aventino e da plebe; A partir do final do século III a.C., o templo de Deméter em Enna, na Sicília , foi reconhecido como o centro de culto mais antigo e mais importante de Ceres, e Libera foi reconhecida como Proserpina, equivalente romana de Perséfone.

O culto conjunto delas evoca a busca de Deméter por Perséfone após o rapto desta para o submundo por Hades. No Aventino, o novo culto tomou o seu lugar ao lado do antigo. Não fazia referência a Líber, cujo culto aberto e misto desempenhava um papel central na cultura plebeia como patrono e protetor dos direitos, liberdades e valores plebeus. Esperava-se que as iniciadas e sacerdotisas exclusivamente femininas dos novos mistérios de Ceres e Proserpina, ao estilo grego, defendessem a hierarquia social tradicional de Roma, dominada pelos patrícios, e a moral tradicional. As moças solteiras deveriam emular a castidade de Proserpina, a donzela; as mulheres casadas deveriam procurar emular Ceres, a mãe devota e fértil. Os seus ritos visavam garantir uma boa colheita e aumentar a fertilidade daqueles que participavam nos mistérios.

A partir do século V a.C. na Ásia Menor, Deméter também foi considerada equivalente à deusa frígia Cibele. O festival de Tesmofória de Deméter era popular em toda a Ásia Menor, e o mito de Perséfone e Adônis espelha, em muitos aspectos, o mito de Cibele e Átis.

Algumas fontes da Antiguidade Tardia sincretizaram diversas figuras de "grandes deusas" em uma única divindade. Por exemplo, o filósofo platônico Apuleio, escrevendo no final do século II, identificou Ceres (Deméter) com Ísis, fazendo-a declarar:

“Eu, mãe do universo, senhora de todos os elementos, primogênita das eras, a mais elevada dos deuses, rainha das sombras, a primeira entre os que habitam o céu, representando em uma só forma todos os deuses e deusas. Minha vontade controla as alturas brilhantes do céu, os ventos marítimos que trazem saúde e os silêncios melancólicos do inferno; o mundo inteiro venera minha divindade única em mil formas, com diversos ritos e sob muitos nomes diferentes. Os frígios, primogênitos da humanidade, me chamam de Mãe dos deuses de Pessinuntia; ...os antigos eleusinos, de Ceres acteia; ...e os egípcios, que se destacam no conhecimento antigo, me honram com a adoração que verdadeiramente me pertence e me chamam pelo meu verdadeiro nome: Rainha Ísis.”

— Apuleio, traduzido por EJ Kenny. O Asno de Ouro 

ETIMOLOGIA

Deméter pode aparecer na escrita Linear A como da-ma-te em três documentos (AR Zf 1 e 2, e KY Za 2), todos relacionados a contextos religiosos e contendo apenas esse nome (i-da-ma-te em AR Zf 1 e 2). É pouco provável que Deméter apareça como da-ma-te em uma inscrição em Linear B (grego micênico) (PY En 609); a palavra 𐀅𐀔𐀳 (da-ma-te) provavelmente refere-se a "unidades domésticas" ou "lares". Por outro lado, 𐀯𐀵𐀡𐀴𐀛𐀊 (si-to-po-ti-ni-ja), "Potnia do Grão", é considerada uma referência à sua predecessora da Idade do Bronze ou a um de seus epítetos.

A natureza de Deméter como deusa-mãe é identificada no segundo elemento de seu nome, meter (μήτηρ), derivado do proto-indo-europeu (PIE)\méh₂tēr  (mãe). Na Antiguidade, já se propunham diferentes explicações para o primeiro elemento de seu nome. É possível que Da (Δᾶ), palavra que corresponde a Gē (Γῆ) no dialeto ático, seja a forma dórica de De (Δῆ) — "terra", o antigo nome da deusa ctônica da terra — e que Deméter signifique "Mãe-Terra". Liddell e Scott consideram isso "improvável", e Beekes escreve: "não há indicação de que [da] signifique 'terra'", embora essa associação também tenha sido feita no nome de Poseidon encontrado na inscrição em Linear B E-ne-si-da-o-ne, que significa "aquele que faz a terra tremer". John Chadwick também argumenta que o elemento dā no nome de Deméter não pode ser tão simplesmente equiparado a "terra". M. L. West propôs que a palavra Demeter — inicialmente Damater — poderia ser um empréstimo de uma divindade ilíria, atestada na deusa messápia Damatura; nela, a forma dā- ("terra", do PIE \dʰǵʰ(e)m-) estaria ligada a -matura ("mãe"), de modo análogo ao deus ilírio Dei-paturos (dei-, "céu", ligado a -paturos, "pai"). A forma lésbia Dō- pode simplesmente refletir uma pronúncia coloquial diferente do nome não grego.

Outra teoria sugere que o elemento De- poderia estar relacionado a Deo, um epíteto de Deméter, e derivar da palavra cretense dea (δηά) ou iônica zeua (ζειά) — identificadas de diversas formas por estudiosos modernos como trigo-emmer, espelta, centeio ou outros grãos —, fazendo dela a mãe e a provedora de alimentos em geral. Essa visão é compartilhada pela estudiosa britânica Jane Ellen Harrison, que sugere que o nome de Deméter significa "Mãe dos Grãos", em vez de "Mãe Terra".

Uma etimologia alternativa, de origem proto-indo-europeia, baseia-se em Potnia e Despoina; nela, Des- representa um derivado da raiz PIE \dem (casa, domicílio), sendo Deméter a "mãe da casa" (do PIE\dems-méh₂tēr). R. S. P. Beekes rejeita uma interpretação grega, mas não necessariamente uma de origem indo-europeia.

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DESENVOLVEDORA(S): NetherRealm Studios PUBLICADORA(S): Warner Bros. Interactive Entertainment DIRETOR(ES): Ed Boon PRODUTOR(ES): Graeme Bay...