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domingo, 5 de abril de 2026

CRUZETA (MUNICÍPIO BRASILEIRO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE)

Bandeira de Cruzeta, cidade do estado do Rio Grande do Norte.
  • COORDENADAS: 6° 24′ 43″ S, 36° 47′ 24″ O
  • PAÍS: Brasil
  • UNIDADE FEDERATIVA: Rio Grande do Norte
  • MUNICÍPIOS LIMÍTROFES:
  • PADROEIRO(A): Nossa Senhora dos Remédios
  • DISTÂNCIA ATÉ A CAPITAL: 225 km
  • FUNDAÇÃO: 31 de outubro de 1938
    • Emancipação: 24 de novembro de 1953
  • GENTÍLICO: cruzetense
  • CEP: 59375-000
  • LEMA: Da fé à música, aqui se vive
  • ÁREA TOTAL: 295,830 km²
  • POPULAÇÃO TOTAL (EST. IBGE/2024): 8.238 hab.
  • DENSIDADE: 27,8 hab./km²
  • CLIMA: Semiárido
  • ALTITUDE: 269 m
  • FUSO HORÁRIO: Hora de Brasília (UTC−3)
  • IDH (PNUD/2010): 0,654 — médio
  • PIB (IBGE/2021): R$123.142,25
  • PIB per capita (IBGE/2020): R$15.454,60
  • SÍTIO: Prefeitura, Câmara
Cruzeta é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte. Localizado a 225 km da capital estadual, Natal, Cruzeta se encontra na região do Seridó. De acordo com a estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a população em 2024 foi de 8 238 habitantes. Área territorial de 295,830 km². A principal via de ligação à cidade é a rodovia estadual RN-288, que liga a Natal à cidade polo do Seridó potiguar, Caicó.

GEOGRAFIA

Localização de Cruzeta no Rio Grande do Norte.

De acordo com a atual divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vigente desde 2017, Florânia pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Caicó. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião da Serra de Santana, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Potiguar. Com uma área territorial 295,83 km², Cruzeta ocupa 0,5602% da superfície estadual e tem como limites Florânia a norte, São José do Seridó a sul, Acari a leste e Caicó a oeste. Está a 231 km de Natal, capital estadual, e a 2.228 km de Brasília, capital federal.

O solo de Cruzeta é bem drenado, apresentando textura média, formada tanto por areia quanto por argila. Apesar de de possuir fertilidade entre média a alta, é bastante pedregoso e pouco profundo, caracterizando o solo bruno não cálcico, chamado de luvissolo na nova classificação brasileira de solos. Por ser pouco desenvolvido, é coberto pela Caatinga, uma vegetação de pequeno porte adaptada às condições de aridez. Espécies comuns da flora local são o facheiro, a jurema-preta, a macambira, o mandacaru e o xique-xique.

Horizonte de Cruzeta, Rio Grande do Norte, Brasil. Foto tirada em 31 de maio de 2014, 23:59:01.

Todo o território cruzetense está inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Piranhas–Açu. Dentre os reservatórios, o maior é o Açude Cruzeta, com capacidade para armazenar 23.545.745,33 m³. Situado no curso do riacho São José, sua construção foi realizada pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), na época Inspetoria Federal de Obras contra as Secas (IFOCS), e durou nove anos, iniciando-se em 1920 e estendendo-se até 1929, passando por uma ampliação em 1984. Sua bacia hidrográfica mede 1.010 km² e compreende partes dos territórios dos municípios de Acari, Cruzeta, Currais Novos, Florânia e São Vicente. Pelo município também passam os rios Quimproró e Salgado e os riachos Jardim e Perninha.

O clima de Cruzeta é semiárido Bsh, com chuvas concentradas em poucos meses e temperaturas elevadas durante todo o ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1962 a 1970, 1973 a 1990 e 1993 a 2021, a temperatura mínima recorde registrada em Cruzeta foi de 13,2 °C em 20 de junho de 1975 e a maior atingiu 39,1 °C em 10 de março de 2010, seguido por 39 °C em 3 de dezembro de 2019. O maior acumulado de chuva em 24 horas chegou a 142,8 mm em 7 de abril de 1985. Outros acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 136,5 mm em 21 de abril de 2011, 120,6 mm em 28 de março de 1976, 110,9 mm em 12 de fevereiro de 2017, 108,9 mm em 5 de março de 2002, 107,8 mm em 7 de fevereiro de 1964, 103 mm em 10 de janeiro de 1999 e 102 mm em 28 de fevereiro de 1963.

HISTÓRIA

Os primeiros habitantes das terras onde hoje está localizada a cidade de Cruzeta foram os índios Cariris, Janduís e os Caicós. Expulsos pelos colonizadores do vizinho Estado da Paraíba, eles partiram rumo ao Seridó, no Rio Grande do Norte, onde se fixaram. A caçada aos índios continuou e nas últimas décadas do século XVII, na chamada Guerra dos Bárbaros, os Cariris, Janduís e Caicós foram expulsos do Seridó, abrindo perspectivas para a colonização da região. Foi nesse período que essas terras começaram a tomar povoação.

Datado pela História o português Antônio Pais de Bulhões foi o primeiro proprietário dessas terras. Vindo da Paraíba, ele chegou às terras que hoje é a cidade de Cruzeta por volta do século XVIII, construindo sua fazenda à margem do Rio São José, num lugar que um beneficiado seu denominou “Remédio” num dia de aflição em tempo de seca, ainda no século XVIII. Em outro ano de seca, esforçando-se ele para salvar seu rebanho, e o de seu amigo, da fome e da seca, começou a cavar cacimbas no leito seco do rio: se não encontrasse água, seria uma calamidade; se encontrasse, teria o remédio.

Brasão de Armas do município de Cruzeta/RN em formato digital.

O nome Cruzeta deve-se ao cruzamento dos rios Salgado, Quimporó e Riacho do Meio, que hoje formam a bacia do açude público municipal.

LOCALIDADES
  • Banco Bradesco (R. Miguel Laurentino, s/n - Centro)
  • Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios (Praça João de Góes, 07 - Centro)
  • IEADERN - Assembleia de Deus (R. Geraldo Lopes, 168 - Centro)
  • Capela de Nossa Senhora da Conceição (Praça João de Góes, 23 – Centro)
  • Fórum Silvino Bezerra Neto (Praça Celso Azevedo, 142 – Centro)
FONTES: FREITAS, Francisco Rafael Sousa; RIGHETTO, Antônio Marozzi; ATTAYDE, José Luiz de. Caracterização físico-química dos compartimentos verticais do reservatório Cruzeta (semi-árido do RN). In: XVIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2009, Campo Grande, MS. Anais. Porto Alegre: Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro), 2009.

↑ JACOMINE, Paulo Klinger Tito. A nova classificação brasileira de solos. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, v. 5, p. 161-179. Recife: 2008.

↑ SILVA, André Luiz Bezerra da. Avaliação do potencial de liberação de fósforo a partir do sedimento de um reservatório da região semiárida: estudo em escala experimental. 22 f. TCC (Graduação) - Curso de Engenharia Ambiental, Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, 2018.

https://cruzetaprev.com.br/institucional/conheca-a-cidade/

IBGE. «Brasil / Rio Grande do Norte / Cruzeta». Consultado em 14 de fevereiro de 2022

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD. «Brasil / Rio Grande do Norte / Cruzeta / Índice de Desenvolvimento Humano». IBGE. Consultado em 14 de fevereiro de 2022

 IBGE. «Brasil / Rio Grande do Norte / Cruzeta / Produto Interno Bruto dos Municípios». Consultado em 24 de janeiro de 2025
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 29 de março de 2019
IBGE (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 14 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017
«Distância de Cruzeta a Natal». Consultado em 14 de fevereiro de 2022
«Distância de Cruzeta a Brasília». Consultado em 14 de fevereiro de 2022
 Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN) (2008). «Perfil do seu município: Cruzeta» (PDF). Consultado em 14 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 14 de fevereiro de 2022
JACOMINE, 2008, p. 178.
«Ficha técnica do Reservatório Cruzeta». Consultado em 14 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2022
FREITAS; RIGHETTO; ATTAYDE, 2009, p. 5.
SILVA, 2018, p. 10.
 Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «Banco de dados meteorológicos». Consultado em 14 de fevereiro de 2022
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «Gráficos climatológicos || Estação: CRUZETA (82693)». Consultado em 23 de março de 2022

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MORTAL KOMBAT (FILME ESTADUNIDENSE DE 1995)

Pôster do primeiro filme de Mortal Kombat, de 1995. Imagem obtida de TMDB.
  • OUTROS TÍTULOS: Combate Mortal (Portugal),
  • GÊNERO: aventura, artes marciais, fantasia sombria,
  • ORÇAMENTO: U$20.000.000
  • BILHETERIA: U$$122.133.227
  • DURAÇÃO: 1 Hora, 41 Minutos e 21 Segundos
  • DIREÇÃO: Paul WS Anderson
  • ROTEIRO: Kevin Droney
  • CINEMATOGRAFIA: John R. Leonetti
  • EDIÇÃO: Martin Hunter
  • MÚSICA: George S. Clinton
  • ELENCO:
    • Robin Shou — Liu Kang
    • Linden Ashby — Johnny Cage
    • Bridgette Wilson — Sonya Blade
    • Talisa Soto — Kitana
    • Christopher Lambert — Lord Rayden (Raiden)
    • Cary-Hiroyuki Tagawa — Shang Tsung
    • Trevor Goddard — Kano
    • Chris Casamassa — Scorpion
    • François Petit — Sub-Zero
    • Keith Cooke — Reptile
    • Sandy Helberg — diretor do último filme de Cage
    • Kenneth Edwards as — Lean
    • Steven Ho — Chan
    • Peter Jason — Mestre Boyd
    • Tom Woodruff Jr — Goro (dublado por Kevin Michael Richardson)
    • Gregory McKinney — Jax(x)
  • PRODUÇÃO: Lawrence Kasanoff e a Threshold Entertainment Group
  • DISTRIBUIÇÃO: New Line Productions, Inc.
  • DATA DE LANÇAMENTO: 18 de agosto de 1995
  • SEQUÊNCIA: Mortal Kombat - A Aniquilação (1997)
  • ONDE ASSISTIR:
Mortal Kombat é um filme americano de artes marciais e fantasia de 1995 baseado na franquia de videogames criada por Ed Boon e John Tobias. É o primeiro filme da série Mortal Kombat. Foi dirigido por Paul Anderson e estrelado por Linden Ashby, Cary-Hiroyuki Tagawa, Robin Shou, Bridgette Wilson, Talisa Soto e Christopher Lambert. Sua história adapta principalmente o jogo original de 1992, utilizando também elementos do jogo Mortal Kombat II (1993).

SINOPSE

Os planetas estão desalinhados. Para deter as forças do mal e salvar a humanidade, Lord Rayden, o protetor da Terra, escolhe as três pessoas capazes de vencer o Mortal Kombat, disputado pelos melhores lutadores do universo.

LANÇAMENTO

Cinema: O filme estava originalmente programado para ser lançado nos EUA em maio de 1995, mas foi adiado para agosto. De acordo com Kasanoff, isso ocorreu porque os executivos da New Line Cinema achavam que o filme tinha potencial para ser um sucesso de verão. Foi lançado em 20 de outubro no Reino Unido e em 26 de dezembro na Austrália.

RECEPÇÃO

Bilheteria: Mortal Kombat estreou em 18 de agosto de 1995 e foi o filme número 1 nas bilheterias do fim de semana, arrecadando US$ 23,2 milhões, quase oito vezes a bilheteria de estreia do único outro lançamento daquele fim de semana, O Clube das Babás. Na época, foi a segunda maior estreia de agosto, atrás apenas de O Fugitivo, de 1993. O filme permaneceu em primeiro lugar por três semanas, arrecadando US $ 73 milhões nos Estados Unidos. Também arrecadou US$ 51,7 milhões em outros territórios, totalizando US$ 124,7 milhões em todo o mundo. O filme se tornou a adaptação de um videogame de maior bilheteria até ser superado por Pokémon: O Filme, em 1998.

Resposta crítica:
  • Cinemascore: A−
Os críticos elogiaram sua atmosfera, sequências de luta, valores de produção e visuais. No entanto, sua classificação indicativa PG-13 e, em menor grau, as atuações e o roteiro foram criticados. Lisa Schwarzbaum, da Entertainment Weekly, chamou Mortal Kombat de "um anúncio prolongado e complacentemente vazio da alegria dos joysticks (filmado em um estilo cinematográfico de Hong Kong brega e ornamentado)" e também observou como "é notavelmente livre de sangue e violência". Stephen Holden, do The New York Times, disse: "Mortal Kombat pode ser descrito como comida de má qualidade mitológica . Embora se fale sobre os três kombatentes terem que enfrentar seus medos mais profundos para prevalecer, a ação é tão frenética e o diálogo tão mínimo que a alegoria é sem peso." Roger Ebert disse que estava "bem no meio" e observou que os fãs poderiam ficar desapontados com as mortes no filme serem muito menos brutais do que os notoriamente violentos jogos de videogame Mortal Kombat. Marc Savlov, do Austin Chronicle, mencionou que "É o equivalente cinematográfico de algodão doce e Rock 'Em Sock 'Em Robots, mas você deve se lembrar, você adorava essas coisas quando era criança. Eu sei que eu adorava", dando uma classificação de 2,5/5 estrelas. Laura Evenson, do San Francisco Chronicle, mencionou que "Mortal Kombat, o filme, tem tudo o que um adolescente poderia querer: cobras que saem das palmas das mãos de um vilão, lutas acrobáticas de kung fu e algumas beldades lutadoras. Tudo, isto é, menos um enredo interessante, diálogos decentes e atuações convincentes" e concluiu que provavelmente se tornará um clássico cult.

Kevin Thomas, do Los Angeles Times, fez uma crítica brilhante do filme, escrevendo que "por mais impressionantes que sejam os efeitos especiais a cada instante, ainda mais crucial é o design de produção soberbo e imaginativo de Jonathan Carlson, que combina exteriores da Tailândia com vastos cenários que evocam a grandeza bárbara de antigos palácios de cinema exóticos e os épicos kitsch de Maria Montez. O trabalho de câmera glorioso e sombrio de John R. Leonetti e a trilha sonora pulsante e incisiva de George S. Clinton completam a tarefa de dar vida ao perigoso Mundo Exterior". Gene Siskel, do Chicago Tribune, deu uma avaliação "positiva" no programa Siskel & Ebert, chamando-o de "o único videogame minimamente decente transformado em filme que eu já vi" e "muito divertido", dizendo que ficou positivamente surpreso com seus vários valores de produção de alta qualidade, incluindo os efeitos especiais "frequentemente sensacionais", as locações exóticas e o elenco de personagens "claramente construídos com tipos atraentes". Leonard Klady, da Variety, atribuiu ao filme 3,5/5 estrelas, afirmando: "Mas onde outros afundaram no pântano da imitação, o diretor Paul Anderson e o roteirista Kevin Droney conseguem um equilíbrio viável entre ação primorosamente coreografada e contraponto visual e verbal irônico". Kim Newman, da revista Empire, disse: "Quando chega a hora da grande luta que salvará o mundo, é difícil não desejar que Shung Tsu resolvesse o destino da humanidade perguntando a Liu Kang qual é a capital da Venezuela... em vez de envolvê-lo em mais uma rodada de luta suja com auxílio sobrenatural", com uma classificação final de 3 estrelas em 5.

Legado e reavaliação: Desde a fundação do Rotten Tomatoes em 1998 até 2018, Mortal Kombat manteve a maior classificação crítica no site entre todas as adaptações de videogames. Reavaliações críticas foram mistas, mas em sua maioria positivas devido às sequências de ação bem elaboradas, às atuações do elenco e aos designs de cenários exóticos, e o filme é considerado um clássico cult.

Um editorial de 2020 que discute o trabalho de Paul W.S. Anderson no Rotten Tomatoes disse sobre Mortal Kombat: "Os críticos ficaram divididos em 47% no Tomatometer, mas o público adorou a trilha sonora eletrônica, as cenas de luta criativas e o elenco diversificado de atores comprometidos que sacrificaram várias costelas machucadas para nos presentear com algumas excelentes brigas." O editorial atribuiu o sucesso de bilheteria do filme principalmente à sua irreverência consciente, afirmando que "Anderson e sua talentosa equipe sabiam o que estavam fazendo e o fizeram com seriedade." O Bloody Disgusting comentou que "graças à velocidade cinética com que os atores se movem, à música eletrizante e, ironicamente, ao movimento da câmera, cada luta recebe bastante sentimento e agressividade", elogiando particularmente as lutas entre Scorpion VS Johnny Cage e Liu Kang VS Reptile.

Em 2020, o Rotten Tomatoes discutiu o filme na série de podcasts "Rotten Tomatoes Is Wrong". Scott Johnson criticou o filme por não ser uma adaptação fiel, citando, em particular, a ausência de violência gráfica digna de classificação R. A co-participante Jacqueline Coley argumentou que uma classificação R teria impedido a base de fãs de Mortal Kombat de comparecer e que a adaptação captura com sucesso a essência dos jogos. Mark Ellis concordou, argumentando que o filme imita o enredo minimalista do jogo ao se concentrar no torneio, criando uma experiência semelhante a assistir ao March Madness. O JoBlo.com chamou Mortal Kombat de "colorido, ambicioso e surpreendentemente engraçado; Anderson amarrou tudo em torno de um elenco perfeito liderado pelo grande Robin Shou". O Screen Rant classificou a coreografia como "de primeira linha", as locações como "incríveis", a trilha sonora como "pura perfeição" e o elenco como "dedicado e excepcional", mas considerou os efeitos especiais caricatos e "ridículos", a violência como não fiel ao material original, o animatrônico de Goro como "nem tão impressionante para os padrões de 1995" e as representações de Scorpion e Sub-Zero como insultuosas e "completamente desperdiçadas". O CBR mencionou que Mortal Kombat é "um clássico de artes marciais acima da média, extremamente divertido e facilmente um dos filmes de videogame mais assistíveis, 25 anos depois". O Bloody Disgusting afirmou que o filme faz um excelente trabalho ao homenagear o material original, incluindo um grande número de personagens do jogo sem que nenhum deles pareça forçado e capturando a intensa sensação de ação do jogo, enquanto o Collider declarou que "O filme sabe como equilibrar reverência e irreverência".

A interpretação de Cary Hiroyuki Tagawa como Shang Tsung é agora considerada a representação ideal do feiticeiro. O JoBlo.com observou que todos os atores que assumiram o papel desde então foram comparados a Tagawa, comentando que sua atuação "tem toda a cadência e estilo rebuscado como se estivesse na Broadway, mas ele se porta fisicamente como se estivesse simplesmente impondo a lei. Tagawa é Shang Tsung." O Screen Rant relatou que, embora considerassem todos os membros do elenco principal igualmente excepcionais, Tagawa foi "a melhor escolha de elenco do filme para muitos". Christopher Lambert como Lord Rayden também recebeu críticas positivas, com o JoBlo.com comentando que ele "emprestou maturidade e carisma à produção", enquanto o CBR mencionou que ele "rouba a cena em todas as suas aparições, proferindo falas ridículas como 'O destino de bilhões depende de você', antes de rir e se desculpar".

Mortal Kombat 11 prestou homenagem ao primeiro filme com inúmeros easter eggs, além de trazer de volta Cary Hiroyuki Tagawa para interpretar Shang Tsung no arco "Aftermath". Conteúdos para download subsequentes contariam com vozes e aparências de Christopher Lambert, Linden Ashby e Bridgette Wilson-Sampras como Raiden, Johnny Cage e Sonya Blade, respectivamente.

DESENVOLVIMENTO E PRÉ-PRODUÇÃO

Enquanto Mortal Kombat II estava em fase de testes e o Mortal Kombat original ainda só havia sido lançado para arcades, não para consoles domésticos, o produtor de cinema Lawrence Kasanoff visitou alguns amigos na editora do jogo, a Midway Games, e jogou uma unidade de Mortal Kombat que estava em seus escritórios. Ele viu possibilidades cinematográficas no conceito e expressou interesse em fazer um filme baseado no jogo, mas o chefe da Midway, Neil D. Nicastro, discordou que o jogo pudesse ser um filme de sucesso, principalmente devido ao fracasso de adaptações cinematográficas de videogames no passado. Após meses de negociações, Kasanoff finalmente adquiriu uma opção limitada sobre os direitos cinematográficos de Mortal Kombat.

Embora vários diretores renomados tenham apresentado propostas para o filme, o produtor escolheu o então desconhecido diretor Paul Anderson depois de assistir a uma exibição de seu filme de estreia de 1994, Shopping, que Larry considerou que ele poderia adotar uma abordagem inovadora para o material. Anderson não tinha experiência com efeitos visuais, mas estava entusiasmado em fazer um filme de Mortal Kombat, então leu todos os livros que conseguiu encontrar sobre efeitos visuais e, em suas palavras, "meio que blefei para conseguir o papel".

Elenco: Entre os que fizeram teste para o papel de Liu Kang estavam Jason Scott Lee, Russell Wong, Dustin Nguyen, Keith Cooke e Phillip Rhee. Ernie Reyes Jr. chegou a ser considerado para o papel. Um ator relativamente desconhecido, Robin Shou, foi escalado como o protagonista do filme. Shou era um campeão de wushu que se tornou dublê e ator em Hong Kong, e seu único trabalho anterior em um filme americano havia sido no telefilme "Forbidden Nights". Shou, que havia acabado de deixar a indústria cinematográfica de Hong Kong e retornado aos Estados Unidos, inicialmente recusou o papel por achar que seria escalado como um vilão asiático estereotipado. Foi somente depois que seu agente lhe disse que Liu Kang era o herói do filme que ele reconsiderou.

Sharon Stone, Christina Applegate e Dina Meyer foram originalmente consideradas para o papel de Sonya Blade. Cameron Diaz foi originalmente escalada como Sonya Blade, mas desistiu devido a uma lesão no pulso e foi substituída por Bridgette Wilson. Wilson havia aceitado um papel em Billy Madison depois de ser preterida nas audições de Mortal Kombat em favor de Diaz, e então teve que voar para o set na manhã seguinte ao seu último dia de filmagem de Billy Madison.

Durante anos, muitos fãs presumiram ou acreditaram que o falecido ator Brandon Lee havia sido originalmente escalado para interpretar o personagem Johnny Cage. Anderson confirmou em 2015, durante uma sessão de perguntas e respostas com fãs, que Lee nunca recebeu uma proposta ou ouviu falar do projeto antes de sua morte em março de 1993. Jean-Claude Van Damme, cuja atuação em Bloodsport inspirou o personagem do jogo, recebeu a oferta para o papel, mas recusou por estar ocupado filmando Street Fighter, também baseado em um videogame de luta. Coincidentemente, ambos os filmes foram filmados na Tailândia. Linden Ashby conseguiu o papel em parte devido à sua experiência anterior em artes marciais, tendo treinado caratê e taekwondo. Tom Cruise, Johnny Depp e Gary Daniels também foram considerados para o papel.

O papel de Rayden foi oferecido inicialmente a Sean Connery, que o recusou por não querer interpretar um papel fisicamente exigente. Danny Glover também foi considerado.

Mariska Hargitay era uma das candidatas ao papel da Princesa Kitana antes de Talisa Soto ser escolhida para o papel.

Cary-Hiroyuki Tagawa foi a primeira e única escolha dos cineastas para o papel de Shang Tsung. Ele compareceu à audição vestido a caráter e leu suas falas em pé sobre uma cadeira.

Steve James foi originalmente escalado para interpretar Jaxx, mas morreu de câncer pancreático um ano antes do início da produção do filme. Michael Jai White foi escalado para substituí-lo, mas desistiu para estrelar Tyson. Mais tarde, ele interpretaria Jax na websérie Mortal Kombat: Legacy.

Frank Welker faz uma participação especial sem créditos como a voz do Imperador de Outworld, além de fornecer efeitos vocais para Goro e Reptile.

PRODUÇÃO

Wat Phra Sri Sanphet. Foto de 2 de setembro de 2017, 18:01:21.


Filmagem: As filmagens começaram em agosto de 1994 e terminaram em dezembro de 1994. As cenas externas de Outworld foram filmadas na usina siderúrgica abandonada da Kaiser Steel (atual Auto Club Speedway) em Fontana, Califórnia, enquanto todas as cenas de Goro foram filmadas em Los Angeles.

Os locais de filmagem na Tailândia eram acessíveis apenas por barco, então o elenco, a equipe e os equipamentos tiveram que ser transportados em longas embarcações semelhantes a canoas. O gerente de locação, Gerrit Folsom, construiu um banheiro externo em uma área isolada perto do set para amenizar o problema das repetidas viagens de ida e volta ao continente. Os locais de filmagem na Tailândia incluem os templos Wat Phra Si Sanphet, Wat Chaiwatthanaram e Wat Ratchaburana.

A chegada dos competidores da Terra por meio de barcos, a cena de meditação de Liu Kang e a luta entre Liu Kang e Kitana foram filmadas na Praia de Railay e na Praia de Phra Nang, respectivamente. As proas dos barcos foram equipadas com esculturas ornamentais de cabeças de dragão e usadas no filme como transporte secundário dos lutadores para a ilha de Shang Tsung a partir de seu junco pessoal.

A pedido de Anderson, os atores improvisaram grande parte dos diálogos do filme, incluindo as frases "Graças a Deus eu não pedi para ele estacionar o carro." e "Esses óculos de sol custaram 500 dólares, seu idiota." A maior parte do elenco teve várias semanas de treinamento para as sequências de luta antes das filmagens, mas devido à substituição de última hora da atriz que interpretava Sonya Blade, Bridgette Wilson teve que fazer todo o seu treinamento no set. A luta entre Sonya e Kano foi uma das últimas cenas filmadas para que Wilson tivesse tempo suficiente para treinar.

Shou disse que no roteiro original ele "deveria se apaixonar por Talisa Soto [Kitana]. Eu estava ansioso por isso, mas eles pensaram que já tínhamos tanta ação que não queríamos adicionar romance. Eles cortaram a cena." Também estavam no roteiro, mas não foram filmadas, uma breve batalha entre Sonya e Jade, outra serva de Shang Tsung, e uma cena em que Shang Tsung permitia que os heróis tivessem uma noite para lamentar a perda de Art Lean e enterrá-lo no Jardim das Estátuas, sob a estátua de Kung Lao. O personagem Reptile foi originalmente omitido do roteiro, mas posteriormente adicionado em resposta aos grupos de foco que não ficaram impressionados com as primeiras sequências de luta do filme. A luta entre Reptile e Liu Kang foi filmada em um cenário em um hangar no Aeroporto de Van Nuys. Shou e Anderson observaram que nenhum dos dois sabia como seria a forma de lagarto de Reptile até depois das filmagens, o que tornou a sequência pré-luta difícil de filmar.

Cenas de luta: O principal coordenador de lutas e dublês do filme foi o artista marcial Pat E. Johnson, cujos trabalhos anteriores incluíam Operação Dragão, Karate Kid e Tartarugas Ninja. Devido à experiência anterior de Robin Shou como dublê em Hong Kong, Johnson lhe deu carta branca para incorporar suas ideias à coreografia, e Shou acabou sendo creditado como "Coreógrafo de lutas: sequências adicionais". Uma das inovações de Shou foi a incorporação de cabos de sustentação, tornando Mortal Kombat um dos primeiros filmes de Hollywood a fazê-lo.

Apesar da intensidade das cenas de luta, aliada ao fato de os atores realizarem a maioria de suas próprias acrobacias, a única lesão notável relatada na época foi uma contusão no rim sofrida por Ashby durante as filmagens da cena de luta de Cage com Scorpion. O dublê de Scorpion colidiu violentamente com uma barra de aço na mesma cena, mas, como acontece com a maioria das lesões de dublês, não foi amplamente divulgado pela mídia. Wilson deslocou o ombro, mas descobriu que não tinha problemas depois que ele foi recolocado no lugar e continuou com as filmagens. Robin Shou fraturou duas costelas ao ser arremessado contra um pilar na cena de luta entre Liu Kang e Reptile, mas manteve silêncio sobre o ocorrido por medo de que a produção fosse interrompida. Ele contou apenas a Keith Cooke, o ator que interpreta Reptile, pedindo-lhe que não o atingisse no lado direito da caixa torácica, e terminou a cena antes de ir para o hospital.

Efeitos especiais: Goro foi interpretado por um elaborado animatrônico de US$ 1 milhão criado por Tom Woodruff Jr. e Alec Gillis da Amalgamated Dynamics e operado por 13 a 16 marionetistas. Essa construção avançada provou ser uma fonte contínua de problemas no set; Goro frequentemente quebrava, e a pessoa que o operava de dentro só podia fazê-lo por dois minutos de cada vez devido à falta de oxigênio. Embora Anderson tenha feito o possível para bloquear e filmar Goro de uma maneira que contornasse as limitações do animatrônico, no final, o tempo de tela de Goro teve que ser severamente reduzido em relação ao que foi planejado originalmente.

Classificação MPAA: Como queriam que o filme tivesse uma classificação PG-13, mantendo-se o mais fiel possível ao videogame, os produtores conversaram bastante com a comissão de classificação para entender as limitações da classificação e tentaram otimizar criativamente a quantidade de violência e linguagem imprópria no filme dentro dessas limitações. Por exemplo, eles descobriram que a classificação PG-13 proíbe a morte em cena, mas apenas de personagens humanos, então fizeram com que todas as mortes de não humanos acontecessem em cena.

MÚSICA

O álbum da trilha sonora do filme foi composto por George S. Clinton, lançado pela Rykodisc em 11 de outubro de 1995. O álbum da trilha sonora do filme foi lançado pela TVT Records em 15 de agosto de 1995. O álbum da trilha sonora ganhou platina em menos de um ano, alcançando o 10º lugar na Billboard 200.

A trilha sonora de Clinton incorpora instrumentação eletrônica e percussiva, com forte presença de fontes musicais do Leste Asiático. Ao descrever sua abordagem para compor a trilha sonora do filme, Clinton disse:

“Para a primeira exibição de teste, eles colocaram uma trilha sonora temporária que era basicamente música orquestral tradicional de ação, e ficou claro que o público-alvo, acostumado a ouvir música techno tocando alto durante o jogo, não estava satisfeito com essa abordagem. Isso me deu a oportunidade de criar uma abordagem que chamei de "Techno-Taiko-Orcho". Minha trilha sonora teria um núcleo techno com uma camada de instrumentos étnicos asiáticos (tambores Taiko, shakuhachi, cantor gutural tuvano) cercada por uma orquestra. Mas não uma orquestra qualquer, uma Orquestra Testosterona. Sem instrumentos em clave de sol (sem flautas, clarinetes, trompetes, violinos, etc.). Apenas 18 violas, 14 violoncelos, seis contrabaixos e muitos metais graves — e percussão. Era algo grandioso. Quando os supervisores musicais John Houlihan e Sharon Boyle me apresentaram ao mago da guitarra Buckethead, eu soube que ele também se tornaria um elemento importante na minha trilha sonora.”

A trilha sonora conta com contribuições adicionais de Buckethead na guitarra e de Brain na bateria.

O filme apresenta a faixa-título "Mortal Kombat (Techno-Syndrome)", que havia sido escrita pela dupla musical belga The Immortals para Mortal Kombat: The Album. Seu uso no filme consolidou seu status como o "tema de Mortal Kombat".

ROMANCE

Uma novelização do filme por "Martin Delrio" (James D. Macdonald e Debra Doyle) foi lançada pela Tor Books. É baseada em uma versão inicial do roteiro do filme e, como tal, inclui várias cenas deletadas ou não filmadas, como uma luta entre Sonya Blade e Jade.

FRANQUIA

Sequência: Uma sequência intitulada Mortal Kombat Annihilation foi lançada em 1997. Foi dirigida por John R. Leonetti, que também foi o diretor de fotografia do primeiro filme. Apenas Robin Shou e Talisa Soto reprisaram seus papéis, com os demais sendo substituídos por outros atores. Seu enredo é em grande parte uma adaptação de Mortal Kombat 3, acompanhando os guerreiros do Plano Terreno em sua batalha contra Shao Kahn.

Em contraste com seu antecessor, Aniquilação foi duramente criticado e fracassou nas bilheterias. Como resultado, o desenvolvimento do terceiro filme planejado foi interrompido e nunca passou da pré-produção. Em julho de 2009, os atores Chris Casamassa (Scorpion) e Linden Ashby (Johnny Cage) anunciaram separadamente que reprisariam seus respectivos papéis do filme original, com Casamassa afirmando ainda que as filmagens começariam em setembro daquele ano, mas o projeto não iniciou a produção.

filme de animação: Em 11 de abril de 1995, a New Line Home Video, a Turner Home Entertainment e a Threshold Entertainment lançaram um filme de animação em VHS e LaserDisc, intitulado Mortal Kombat: The Journey Begins. Servindo como prelúdio para o longa-metragem, ele acompanha os protagonistas Liu Kang, Johnny Cage e Sonya Blade enquanto viajam em um misterioso barco para o torneio Mortal Kombat. No caminho, eles encontram Rayden, que lhes dá dicas sobre como sobreviver ao torneio e derrotar Shang Tsung e seu exército de lacaios Tarkatan. Ao chegarem à ilha onde as batalhas acontecem, Rayden reconta as origens de Shang Tsung, Goro, Scorpion, Sub-Zero e o Grande Kung Lao entre as cenas de luta.

O filme apresentou uma combinação de animação tradicional, captura de movimento e CGI para explicar as origens de alguns dos personagens principais, além de um documentário de quinze minutos sobre os bastidores do lançamento nos cinemas. Trailers do filme foram exibidos na cópia promocional em VHS e em outros lançamentos em VHS da Turner Home Entertainment e da New Line Home Video. O filme foi incluído no Blu-ray de Mortal Kombat lançado em abril de 2011.

Série de televisão: A Threshold Entertainment produziu duas séries de televisão relacionadas ao filme: a animação Mortal Kombat: Defenders of the Realm e a série live-action Mortal Kombat: Conquest. Defenders of the Realm, exibida no bloco de animação Action Extreme Team do canal USA Network em 1996, serviu como uma sequência alternativa e apresentou Liu Kang, Kitana, Sub-Zero, Sonya Blade, Jax, Kurtis Stryker e Nightwolf como os heróis homônimos. Conquest serviu como uma prequela centrada no Grande Kung Lao, acompanhado pelos personagens originais Siro e Taja, e foi exibida em syndication de 1998 a 1999. Ambas as séries receberam críticas negativas e foram canceladas após uma temporada.

Reinício:


Em 2021, a New Line Cinema produziu um novo filme de reboot de Mortal Kombat, que foi lançado pela Warner Bros. Pictures em abril de 2021 nos cinemas e na HBO Max.

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sábado, 4 de abril de 2026

HIP-HOP (GÊNERO MUSICAL ESTADUNIDENSE)

Foto dos rappers brasileiros X e GOG com o DJ A em 12 de novembro de 2025.
  • OUTROS NOMES: Hip hop, rap, music rap
  • ORIGENS ESTILÍSTICAS: Disco, funk, jazz, blues, scat singing, R&B, soul, dub, spoken word, talking blues, performance poetry
  • ORIGENS CULTURAIS: Início da década de 1970; Bronx, Nova York, EUA
  • INSTRUMENTOS TÍPICOS: Voz (rap, canto), toca-discos, mixer, bateria eletrônica, sampler, sequenciador, sintetizador, teclado
  • FORMAS DERIVADAS: Breakbeat, Baltimore club, Beatdown hardcore, Contemporary R&B, Florida breaks, footwork, funk, ostentação, ghetto house, ghetto tech, glitch hop, grime, illbient, Latin freestyle, wonkynu metal, funk cariocare, ggaeton, alternative reggaeton, mahraganat
  • SUBGÊNEROS: Hip-hop alternativo, boom bap, bounce, rap brasileiro, geek, Brooklyn drill, rap chicano, chopper, chopped and screwed, hip-hop cristão, cloud rap, comédia hip-hop, hip-hop consciente, crink, disco rap, dirty rap, drill, hip-hop da Costa Leste, hip-hop experimental, frat rap, freestyle rap, funk carioca, G-funk, angsta rap, hardcore hip-hop, hipster hop, horror core, hyphy, instrumental hip-hop, jerk hexd, hip-hop judaico, jerk rap, hip-hop latino, trap latino, lofi hip-hop, lowend, rap de Memphis, Miami bass, mumble rap, nerd core, phonk plugg (pluggnb), hip-hop político, progressivo rap, rage, road rap, cam raps, snappsi gil kore, hip-hop do Sul, tread trap, turntablism, UK drill, hip-hop da Costa Oeste
  • GÊNEROS DE FUSÃO: Country rap, electro, chap hop, emo rap, hip-hop soul, neo soul, digico reglitch core, hip house, crunk core industrial hip-hop jazz rap new jack swing psychodelic pop rap punk rap (rapcore) ragga hip-hop rap operar rap rock (rap metal), trap metal trip hop
  • CENAS REGIONAIS: African hip-hop, Asian hip-hop, Australian hip-hop, European Hip-hop, Hip-hop latino, Hip-hop do Oriente Médio
  • CENAS LOCAIS: Hip-hop do Meio-Oeste, Hip-hop do Sul, Hip-hop da Costa Leste, Hip-hop da Costa Oeste
  • OUTROS TÓPICOS: Hip-hop old-school, Hip-hop new-school, Hip-hop da era de ouro, Hip-hop underground, Rap da internet, Rap do SoundCloud
O hip-hop (também conhecido como rap music ou simplesmente rap) é um gênero de música popular que surgiu no início da década de 1970, juntamente com uma subcultura associada na cidade de Nova York. O estilo musical é caracterizado pela síntese de uma ampla gama de técnicas, mas o rap é tão frequente que se tornou uma característica definidora. Outros marcadores importantes do gênero são o disc jockey (DJ), o turntablismo, o scratching, o beatboxing e as faixas instrumentais. O intercâmbio cultural sempre foi central para o gênero hip-hop; ele simultaneamente se apropria de seu ambiente social ao mesmo tempo que o comenta.

ETIMOLOGIA

"Hip-hop" é usado desde o século XVII para significar uma sucessão de saltos. Na peça de George Villiers de 1671, The Rehearsal, o Príncipe Volscius sai de cena desajeitadamente com uma bota calçada e a outra descalça. O diretor da cena exclama: "sair com um hip hop, hip hop, nesta ocasião, é mil vezes melhor do que qualquer conclusão no mundo".

Uma variação comum de "hip hop" é "hippity hop", que era amplamente utilizada no século XIX. Aparece em obras como um poema de 1882 onde quatro crianças cantam: "Hippity hop para a loja de doces!" Era um refrão comum em jogos de pular corda.

Muitos passos de dança incluem um salto. No século XVIII, "salto" começou a ser usado indistintamente com "dança" como substantivo e verbo.

Foto promocional do grupo de hip-hop Grandmaster Flash and The Furious Five. Distribuída em 14 de abril de 1982 pela Sugarhill Records.

Uso: Um dos primeiros usos de "hip hop" na música popular gravada é encontrado na canção de dança de 1963 dos Dovells, "You Can't Sit Down", "...you gotta slop, bop, flip flop, hip hop, never stop". Uma década depois, os DJs de disco recheavam seus sets com exortações à multidão, razão pela qual o estilo emergente era originalmente conhecido como "disco rap". Um dos cânticos do DJ Hollywood era "hip hop de hippy hop the body rock".  Lovebug Starsky lembra-se de ter originado a frase quando errou a transição entre discos: "Peguei o microfone e comecei a dizer 'a hip hop, hip hop, de hibbyhibbyhibbyhibby hop'", reivindicando o crédito pela invenção do nome em 1979.

Em outra versão da história de Starsky, ele cunhou o termo "hip-hop" com Keef Cowboy, do Grandmaster Flash and the Furious Five, enquanto trocavam farpas com um amigo que estava indo para o Exército. Kidd Creole relembra a cena sem a presença de Lovebug: "Cowboy estava no microfone brincando com aquela cadência do Exército: Hip/Hop/Hip/Hop... A Disco era o auge na época, e a galera da Disco se referia a nós como 'Hip Hoppers', mas eles usavam o termo de forma pejorativa. Mas Cowboy foi o primeiro que eu ouvi fazer isso com a música, como parte da reação do público."

A frase era de uso comum na época em que o Sugarhill Gang gravou "Rapper's Delight" em 1979. O refrão começa: "Eu disse um hip-hop, o hippie, o hippie/Para o hip, hip-hop e você não para de rockar".

No início da década de 1980, a definição de hip-hop expandiu-se para "o termo abrangente para a subcultura de rua que inclui rap, break, grafite e o uso de roupas de grife". Afrika Bambaataa foi fundamental para transformar o termo em uma força positiva por meio de sua Universal Zulu Nation.  Seu movimento social era antidrogas e antiviolência.

À medida que os rappers começaram a dominar o hip-hop, os termos tornaram-se sinônimos. No entanto, a definição de hip-hop sempre se aplicou a toda a sua cultura. Seus quatro elementos principais incluem rap, discotecagem, breakdance e arte de rua.  O conhecimento é às vezes descrito como um quinto elemento, ressaltando seu papel na formação de valores e na promoção do empoderamento e da conscientização por meio da música.

KRS-One identificou elementos adicionais: autoexpressão, moda de rua, linguagem de rua, conhecimento de rua e empreendedorismo de rua. Ele também reconheceu o salto duplo holandês feminino como um componente estilístico chave do breakdance.

Além de se apropriar da cultura, o hip-hop simultaneamente a comenta. Das suas raízes no Bronx ao seu atual alcance global, o hip-hop tem servido como uma voz para os marginalizados, lançando luz sobre questões como a desigualdade racial, a pobreza e a brutalidade policial.

CONTEXTO HISTÓRICO

Conjunto de toca-discos Technics 1200 com um mixer Vestax PMC-06 Pro A, usado para turntablismo. Foto tirada em 21 de fevereiro de 2004.
O meio inicial do hip-hop foi o toca-discos. Os discos de vinil eram a principal fonte para os DJs que reelaboravam músicas, transformando-as em material novo para dançar. O processo ecoava a apropriação de estilos que criou o jazz décadas antes. Os gêneros que o hip-hop assimilou inicialmente eram variados, mas suas principais fontes foram os discos de disco e funk.

Em nenhum lugar essa polinização cruzada de músicas foi melhor exemplificada do que na ilha caribenha da Jamaica, onde os sinais de rádio AM de Miami, Flórida, eram audíveis. No final da década de 1950, as estações americanas tocavam música rhythm and blues muito mais revigorante do que a BBC, que era distribuída pelo único canal de rádio da ilha, a Jamaica Broadcasting Corporation.  DJs americanos como Jocko Henderson e Jockey Jack introduziram discos de R&B e a gíria jamaicana na ilha. DJs locais logo começaram a montar sistemas de som para festas ao ar livre. Uma cena musical vibrante surgiu. A gíria dos DJs americanos se transformou em brindes em crioulo jamaicano.

A gíria popularizou as estações de rádio voltadas para o público negro no período pós-guerra. Seus duplos sentidos foram uma dádiva para o rádio, revitalizando a audiência de emissoras em declínio. Ela surgiu de tradições como chamada e resposta, signifyin', the dozens , capping e poesia jazz. A transição da tradição oral para as ondas de rádio comerciais foi exemplificada por DJs da WDIA, como Nat D. e Rufus Thomas . Seu estilo de falar no ar foi aprimorado durante suas funções como apresentadores na Noite dos Amadores do Palace Theatre, na Beale Street, em Memphis, Tennessee. DJs como Al Benson, de Chicago (WJJD), Doctor Hep Cat, de Austin (KVET), e Jockey Jack, de Atlanta (WERD), falavam o mesmo estilo de rap rimado e cadenciado. Eles poderiam apresentar um grande músico como: "Aqui está um cara que vai te fazer mudar da periferia da cidade porque ele respira gás natural... então relaxe e ouça um cara realmente incrível que carregou sua caixa de conhecimento na casa dos justos e pode soprar." Muitos DJs brancos, como John R Richbourg na WLAC de Nashville, imitavam a gíria sulista e o dialeto coloquial, e trocaram a música swing por blues e bebop. Os rappers de gíria do rádio dos anos 1950 inspiraram comediantes musicais como Rudy Ray Moore, Pigmeat Markham e Blowfly, juntamente com o cantor de soul James Brown . Eles foram chamados de "padrinhos" da música hip-hop.

A fala rítmica do rap é uma prática antiga, codificada inicialmente pelos gregos. Na música ocidental do século XX, foi uma prática amplamente utilizada em tudo, desde o sprechstimme até o talking blues. As raízes do rap na música afro-americana são facilmente rastreadas até os griôs na cultura da África Ocidental. Bo Diddley fez vários discos de spoken word influentes, e a canção "Noah" do grupo gospel THE JUBALAIRES, de 1946, é frequentemente vista como precursora do rap. Outros discos de spoken word notáveis foram I Am the Greatest (1963), de Muhammad Ali, e "Here Comes the Judge" (1968), de Pigmeat Markham. O estilo de Ali teve uma enorme influência no hip-hop. Ele era conhecido como um "trapaceiro rimador" devido à maneira peculiar como entregava suas bravatas, provocações e frases inesquecíveis. Muitos de seus monólogos eram improvisações freestyle que se tornariam uma habilidade vital para os rappers de hip-hop da velha guarda.

Na cidade de Nova Iorque, a poesia falada de artistas como The Last Poets , Jalal Mansur Nuriddin e Gil Scott-Heron teve um impacto significativo na era pós-direitos civis. Eles ajudaram a estabelecer o ambiente cultural no qual a música hip-hop foi criada.

Durante esses anos de proto-rap na América, a música jamaicana apresentava regularmente discos falados como "Righteous Ruler" de U-Roy e Peter Tosh e "Fire Corner" de King Stitt em 1969.  Os DJs jamaicanos também remixavam muito as gravações para gerar novos sons. Duke Reid comandava seu sistema de som, mexendo nos botões até que o disco que estava tocando se tornasse irreconhecível. No estúdio, artistas como King Tubby removiam os vocais dos discos para criar uma nova versão. O interesse do público por esses remixes tornou-se tão grande que singles foram lançados com a versão original de um lado e a "versão" do outro. A mistura eclética de técnicas de produção ficou conhecida como dub music, e é o precedente artístico mais forte para o hip-hop.

NASCIMENTO DO HIP-HOP (1973–1979)

Na década de 1970, o Bronx foi dividido ao meio pela Cross Bronx Expressway. A construção acelerou a "fuga branca" do bairro e concentrou moradores afro-americanos, latino-americanos e caribenhos de baixa renda na metade sul do distrito. Essa enorme comunidade multiétnica da classe trabalhadora é onde nasceu o hip-hop. As tradições dessas etnias influenciaram o gênero emergente.  Como toda música, o hip-hop refletiu as realidades sociais, econômicas e políticas de seus criadores, que às vezes eram marginalizados e excluídos.

O gênero dominante da época era a disco. Até mesmo as estações de rádio voltadas para o público negro tocavam sucessos da disco, visando um público suburbano maior. A maneira como a Europa despojou o funk e a disco da essência negra e os simplificou tornou-se alvo de paródia na comunidade negra. George Clinton satirizou impiedosamente isso como "A Síndrome do Placebo" em sua mitologia do P-Funk.  Mesmo que a disco tenha dado origem ao hip-hop, grande parte do espírito inicial do gênero era uma rebelião contra sua origem. O hip-hop primeiro teve que herdar o rico acervo de técnicas de estúdio e de DJ que a disco inovou.

DJ Kool Herc com James Brown em um single, dois homens importantes. Foto tirada em 1999.

Tornou-se moda entre os dançarinos usar a pausa instrumental de uma música para exibir seus melhores movimentos. Alguns até adiavam a dança até que a pausa na música começasse. A prática ficou conhecida como "breakdance" e aumentou a demanda por breaks que os DJs logo forneceriam. Esses dançarinos ficaram conhecidos como "B-girls" e "B-boys". "B" podia ser abreviação de "break", "beat", "battle" ou "Bronx", dependendo de quem o usava.

Um dos clubes mais populares era o Plaza Tunnel, no subsolo do Hotel Concourse Plaza, onde o DJ John Brown reinava. Para manter as pessoas animadas, ele mixava uma grande variedade de músicas, como "It's Just Begun" do Jimmy Castor Bunch, "Get Into Something" dos Isley Brothers, "Moment of Truth" do Earth, Wind & Fire, "Get Ready" do Rare Earth, "Maggie" do Redbone e " I'm a Man " do Chicago.

Os breakdancers valorizavam a originalidade. Eles criavam movimentos característicos que outros breakers apenas imitavam para superá-los. A ênfase na criatividade estendia-se aos DJs que batalhavam entre si. Eles até replicavam a prática jamaicana de remover os rótulos dos discos para manter seus breaks em segredo de outros DJs. Muitos dos primeiros DJs de hip-hop eram imigrantes do Caribe. As técnicas que eles usavam para gerar novo material a partir de discos de vinil existentes eram familiares à música dub jamaicana. O hip-hop começou a desenvolver seu próprio código moral que valorizava a verdade e a engenhosidade em detrimento da mera imitação.

DJs descobriram que certos breaks eram extremamente populares em discos como "Listen To Me" de Baby Huey, "Give It Up or Turnit a Loose" de James Brown, "Son of Scorpio" de Dennis Coffey, "Bra" de Cymande, "Funky Music Is the Thing" de Dynamic Corvettes, "Fruit Song" de Jeannie Reynolds, bem como "Apache" e "Bongo Rock" da Incredible Bongo Band.  DJ Kool Herc descobriu uma maneira de prolongar esses breaks fazendo um crossfade entre duas cópias do mesmo disco. A fama inicial de Herc veio de seu sistema de som, que contava com um amplificador McIntosh Laboratory e duas colunas de alto-falantes Shure. Ele o apelidou de "The Herculords", e isso lhe rendeu uma enorme legião de fãs.

DJ Hypnotize e Baby Cee tocando no Flickr por -sa imagem em 27 de março de 2007, 22:04:05.

Seu método de tocar breaks era extremamente rudimentar, no entanto. Herc simplesmente estimava onde o break estava enquanto tentava estendê-lo. Frequentemente, ele tinha que falar por cima da transição, pois os breaks não coincidiam. Foram DJs como Grand Wizzard Theodore, Jazzy Jay e Grandmaster Flash que aperfeiçoaram o truque. Eles desenvolveram uma técnica conhecida como "needle drop", posicionando os breaks com precisão nos fones de ouvido para criar uma transição perfeita entre os dois toca-discos. Assim que o primeiro break terminava, eles faziam um crossfade para o segundo toca-discos, que estava posicionado no início do break. Enquanto o segundo disco tocava, eles giravam o primeiro disco ao contrário até o início do break e faziam o crossfade para ele quando o segundo break terminasse. Esse método permitia que um break fosse prolongado indefinidamente. Esses breaks estendidos ficaram conhecidos como "breakbeat". Quando um disco em reprodução é invertido, o som é distorcido. O efeito tornou-se moda e eventualmente evoluiu para a técnica hip-hop conhecida como "scratching".

Festas de quarteirão: Fora das discotecas, a maior incubadora do hip-hop eram as festas de rua. Os DJs ligavam os seus sistemas de som aos postes de luz. Um anfitrião proeminente destas festas no início da década de 1970 foi o Rei da Disco, Mario. Como líder dos Black Spades dos Bronxdale Houses, Mario contava com a gangue para proteger os seus eventos.

Kool Herc começou a estender os intervalos em uma festa de aluguel de volta às aulas que sua irmã Cindy Campbell organizou na sala de recreação do prédio onde moravam, no número 1520 da Avenida Sedgwick, no lado sudoeste do Bronx. A data da festa, 11 de agosto de 1973, foi agressivamente divulgada como o "Nascimento do Hip-Hop". Os Campbells emigraram da Jamaica quando Herc tinha 12 anos. Inicialmente, Herc negou qualquer conexão entre a cena musical jamaicana e seu trabalho. Mais tarde, ele reconheceu os paralelos.

Foto da fachada do número 1520 da Avenida Sedgwick, no Bronx Ocidental. Kool Herc, geralmente considerado o criador do hip-hop, morou e deu suas primeiras festas neste prédio. Foto de 21 de Julho de 2009.

O estilo de Kool Herc atraiu seguidores que ultrapassaram os limites da sala de recreação, e ele se juntou à próspera cena das festas de rua. Essas festas eram uma válvula de escape para os adolescentes, onde "em vez de se meterem em encrenca nas ruas, os jovens agora tinham um lugar para gastar sua energia reprimida". Tony Tone, membro dos Cold Crush Brothers , afirmou que "o hip hop salvou muitas vidas". Para os jovens da periferia, participar da cultura hip hop tornou-se uma forma de lidar com as dificuldades da vida como minorias nos Estados Unidos e uma válvula de escape para lidar com o risco de violência e a ascensão da cultura de gangues. MC Kid Lucky menciona que "as pessoas costumavam dançar break umas contra as outras em vez de brigar".

Um evento típico de hip-hop era um show triplo com DJ, MC e dançarinos de break. Artistas de grafite decoravam o palco e criavam flyers e pôsteres.  Grande parte do grafite, do rap e do b-boying nessas festas eram variações artísticas da rivalidade entre gangues de rua. Percebendo que os impulsos frequentemente violentos dos membros de gangues poderiam ser transformados em impulsos criativos, Afrika Bambaataa fundou a Zulu Nation, uma confederação informal de grupos de dança de rua, artistas de grafite e músicos de rap. O Rock Steady Crew era um grupo de dançarinos de break que incluía membros de Porto Rico.

Durante o apagão de Nova York em 1977, os equipamentos de DJs foram amplamente saqueados devido à popularidade do gênero emergente. Kool Herc recorda: "No dia seguinte, havia mil novos DJs." Em 1978, a revista Billboard notou a popularidade dos "B-beats" no Bronx.

Rap: O hip-hop evoluiu sem o rap como requisito do gênero, mas os dois termos tornaram-se funcionalmente sinônimos. Os DJs de hip-hop continuaram a prática dos DJs de disco de fazer rap intermitentemente com a multidão. À medida que suas funções se tornaram mais complexas, um mestre de cerimônias (MC) estava frequentemente presente para apresentar o DJ e animar a multidão.

Kool Herc descobriu que os brindes jamaicanos não repercutiam entre os dançarinos. Ele e Coke La Rock desenvolveram um estilo de rap influente sobre suas batidas funk. Os MCs se baseavam em cânticos de chamada e resposta e, eventualmente, desenvolveram rotinas mais sofisticadas. Assim como outros praticantes do hip-hop, os MCs se esforçavam para se destacar com sua criatividade e competitividade.

Assim como muitas das melhores dançarinas de break eram mulheres, o nascimento do hip-hop incluiu rappers femininas como MC Sha-Rock , do Funky 4 + 1. Mercedes Ladies , formado no Bronx em 1976, foi o primeiro grupo totalmente feminino com uma DJ. A Sugar Hill Records contratou The Sequence, um trio que incluía Angie Stone. Seu single "Funk You Up" foi o primeiro sucesso de hip-hop de um grupo totalmente feminino.

Muitas vezes, essas eram colaborações entre antigas gangues, como a Universal Zulu Nation de Afrika Bambaataa — agora uma organização internacional. Melle Mel, um rapper do Furious Five , é frequentemente creditado como o primeiro letrista de rap a se autodenominar "MC".

Embora alguns MCs tenham gravado projetos solo notáveis no início, como DJ Hollywood, Kurtis Blow e Spoonie Gee, a frequência de artistas solo só aumentou mais tarde com a ascensão de solistas com presença de palco e drama, como LL Cool J. A maior parte do hip-hop inicial era dominada por grupos onde a colaboração entre os membros era essencial para o espetáculo. O primeiro artista de hip-hop a aparecer na televisão nacional foi o grupo Funky 4 + 1, que se apresentou no Saturday Night Live em 1981.

Gravações antigas: Durante seus primeiros anos, o hip-hop foi um gênero musical ao vivo. Em 1977, fitas piratas feitas a partir das mesas de som de DJs de hip-hop estavam circulando fora da cidade de Nova York. A primeira gravação dub, também conhecida como "mixed plate", foi lançada por DJ Disco Wiz e Grandmaster Caz.

FIM DA VELHA GUARDA (1979–1983)

Primeiras gravações comerciais: O período de 1973 a 1983 é conhecido como "hip-hop old-school". No final desse período, o gênero começou a ganhar popularidade.  Em março de 1979, a Fatback Band lançou "You're My Candy Sweet" como single. O lado B chamava-se "King Tim III (Personality Jock)" e é geralmente considerado a primeira música de rap lançada comercialmente.

Três meses depois, o Chic lançou "Good Times". A música alcançou o primeiro lugar nas paradas em 18 de agosto e rapidamente se tornou uma das favoritas dos rappers. Conforme subia nas paradas pop em 2 de agosto, Sylvia Robinson, cantora e dona da Sugar Hill Records , contratou uma banda para recriar "Good Times" em estúdio. Buscando capitalizar a tendência do hip-hop, Robinson reuniu o Sugarhill Gang para fazer rap sobre a instrumental. Eles reciclaram frases de outros rappers, como The Cold Crush Brothers.  A faixa, lançada como "Rapper's Delight", foi um single Top 40, e o que havia se tornado antiquado no Bronx explodiu em popularidade em todo o país. A chegada das gravações de hip-hop mainstream foi descrita como "A Primeira Morte do Hip-Hop".

Outro dos primeiros discos de rap, de um artista da cena disco, foi a faixa "Rap-O Clap-O" de Joe Bataan, de 1979. Bataan já havia alcançado popularidade na comunidade latina graças à sua mistura única de boogaloo, salsa e soul, e a música se tornou um sucesso na Europa.

Um dos compositores de "Good Times", Nile Rodgers, teve contato com o hip-hop em 1978, quando Debbie Harry e Chris Stein, do Blondie, o levaram a um show. Rodgers e seu co-compositor Bernard Edwards processaram a Sugar Hill Records por violação de direitos autorais e ganharam crédito de composição em "Rapper's Delight".

Em 1971, um vereador apelidou Filadélfia de "A Capital Mundial do Grafite". Foi um dos primeiros centros de hip-hop fora de Nova Iorque e, em 1979, gravações de hip-hop como "Rhythm Talk" de Jocko Henderson e "To the Beat, Y'all" de Lady B estavam surgindo na cidade.

A Mercury Records foi a primeira grande gravadora a contratar um rapper. Em 1979, lançaram "Christmas Rappin'", de Kurtis Blow, que vendeu 400.000 cópias.  A canção alcançou o 30º lugar na parada de singles do Reino Unido em 15 de dezembro daquele ano e tornou-se um clássico natalino. Em 1980, "The Breaks" (1980), de Blow, foi o primeiro single de hip-hop a receber certificação de ouro.

Diversificação de estilos: À medida que o hip-hop se tornou popular, também se tornou extremamente eclético. Parte dessa evolução foi possibilitada pela tecnologia. A década de 1980 viu a miniaturização da tecnologia de gravação, tornando samplers, sintetizadores e baterias eletrônicas acessíveis. Dispositivos como o Akai MPC 2000, o Linn 9000 e a bateria eletrônica Roland TR-808 tornaram-se ferramentas adoradas pelos criadores de hip-hop.

Em 1980, a Roland Corporation lançou a TR-808 Rhythm Composer. Foi uma das primeiras baterias eletrônicas programáveis, com a qual os usuários podiam criar seus próprios ritmos em vez de usar padrões predefinidos. Embora tenha sido um fracasso comercial, ao longo da década a 808 atraiu um público fiel entre os músicos underground por seu preço acessível no mercado de usados, facilidade de uso e sons peculiares, particularmente seu bumbo profundo e "estrondoso". Popularizada por sucessos como "Sexual Healing" de Marvin Gaye, tornou-se uma pedra angular dos gêneros emergentes de música eletrônica, dance e hip-hop. A 808 acabou sendo usada em mais discos de sucesso do que qualquer outra bateria eletrônica. Sua popularidade, especialmente no hip-hop, a tornou uma das invenções mais influentes da música popular, comparável à influência da Fender Stratocaster no rock.

"The Adventures of Grandmaster Flash on the Wheels of Steel" (1981), de Grandmaster Flash, tipificou a diversificação do hip-hop na nova década. O single consiste inteiramente em faixas sampleadas. O hip-hop e a música eletrônica de dança foram fundidos em canções como "Planet Rock" (1982), de Afrika Bambaataa & Soulsonic Force. Bambaataa foi inspirado por "Riot in Lagos", de Ryuichi Sakamoto. Ele incorporou elementos de "Trans-Europe Express" e "Numbers", do Kraftwerk. "Planet Rock" ajudou a dar origem à música eletrônica, que incluiu canções como "Play at Your Own Risk" (1982), do Planet Patrol, e "One More Shot" (1982), do C Bank. Essa fusão frequentemente se sobrepunha ao afrofuturismo em canções como "Nunk" e "Light Years Away", do Warp 9. O Electro ajudou a espalhar o hip-hop para além da América, quando DJs do Reino Unido como Greg Wilson começaram a tocar discos como "Planet Rock", "ET Boogie" de Extra T e "Hip Hop, Be Bop (Don't Stop)" de Man Parrish.

À medida que o rap amadureceu, letras metafóricas sobre uma gama mais ampla de assuntos levaram o estilo além das bravatas e cânticos da velha guarda. O influente single "The Message" (1982) de Grandmaster Flash and the Furious Five, com seu foco na miséria dos conjuntos habitacionais, foi uma força pioneira para o rap politicamente consciente. O hip-hop continuou na tradição do rock and roll, indignando os conservadores que temiam romantizar a violência e a transgressão da lei.

Gravadoras independentes como Tommy Boy, Prism Records e Profile Records obtiveram sucesso no início da década de 1980, lançando discos em ritmo frenético em resposta à demanda gerada por estações de rádio locais e DJs de clubes. Produtores como Arthur Baker, John Robie, Lotti Golden e Richard Scher impulsionaram o gênero em novas direções. Alguns rappers eventualmente se tornaram artistas pop de sucesso. As músicas "Rapture", da Blondie, e "Christmas Wrapping", da banda new wave The Waitresses, ambas de 1981, estiveram entre as primeiras canções pop a usar rap.

O breakdance permaneceu na vanguarda do hip-hop mundial. Grupos de breakdance como Black Noise e Prophets of Da City, na África do Sul, ajudaram a difundir o gênero. Eles reconheceram as conexões na diáspora africana entre práticas como o breakdance e a capoeira. O músico e apresentador Sidney tornou-se o primeiro apresentador de TV negro da França com seu programa HIPHOP, de 1984, na TF1. A Rádio Nova ajudou a lançar outras estrelas do hip-hop francês, incluindo Dee Nasty. Junto com seu programa de rádio, suas compilações Rapattitude e o álbum Paname City Rappin', de 1984, popularizaram o hip-hop no país. O hip-hop chegou ao Japão em 1982, quando o DJ Hiroshi Fujiwara começou a tocá-lo em clubes de dança.

ASCENSÃO DA VANGUARDISTA (1983–1986)

A segunda onda do hip-hop começou por volta de 1983-4 e ficou conhecida como new school. Artistas de Nova York como Run-DMC e LL Cool J tipificaram a new school, com uma ostentação e provocação mais agressivas do que as da old school. O minimalismo da bateria eletrônica era típico da new school, em contraste com o funk e as batidas disco da old school.  Os artistas da new school também faziam músicas mais curtas, adequadas para o rádio, e álbuns LP mais coesos que se tornaram elementos fixos da música mainstream.

O terceiro álbum do Run-DMC, Raising Hell, foi o primeiro do gênero a receber a certificação de platina em 15 de julho de 1986. Ele também apresentou a colaboração de grande sucesso com o Aerosmith em "Walk This Way". No mesmo ano, o rap alcançou seu primeiro álbum número 1 com Licensed to Ill, dos Beastie Boys. O rap estava se tornando tão comercial que estava sendo usado em publicidade nacional. A Sprite contratou Kurtis Blow para aparecer em um de seus comerciais em 1986. Outras empresas de refrigerantes logo seguiriam o exemplo.

Os rappers da nova escola frequentemente se estabeleciam homenageando e, ao mesmo tempo, rivalizando com seus antecessores da velha escola. LL Cool J adorava duelar com Kool Moe Dee. A rivalidade impulsionou as vendas de ambos os artistas. A capa do álbum de Kool Moe Dee de 1987, How Ya Like Me Now, apresentava o chapéu Kangol de LL Cool J sob a roda do Jeep Wrangler de Moe Dee. A resposta de LL foi o lado B agressivo "Jack the Ripper".

Samplers como o AKAI S900 e o E-mu SP-1200 potencializaram a criatividade por meio de maior poder de processamento. Os breakbeats não dependiam mais de um DJ e de dois toca-discos. Podiam ser criados em segundos com um sampler. Marley Marl usou samples em combinação com baterias eletrônicas para criar grooves mais variados.

ERA DE OURO (1986–1997)

Inovação e arte: O período após o hip-hop se tornar mainstream em 1986 até meados da década de 1990 é considerado sua "era de ouro". A era é marcada pelo aumento da diversidade e inovação e pela vasta expansão da influência do hip-hop. A Rolling Stone descreveu a era fértil como uma em que "parecia que cada novo single reinventava o gênero".

Havia fortes temas de afrocentrismo e militância política nas letras do hip-hop da era de ouro. A música era experimental e a amostragem recorria a fontes ecléticas. Havia frequentemente uma forte influência do jazz na música. Artistas notáveis da era de ouro incluem Public Enemy , KRS-One, Boogie Down Productions, Eric B. & Rakim, Brand Nubian, De La Soul, A Tribe Called Quest, Gang Starr, Big Daddy Kane, Digable Planets e Jungle Brothers.

Os álbuns tornaram-se um importante marcador artístico durante esse período. Só em 1987 foram lançados álbuns marcantes como Criminal Minded, do Boogie Down Productions, Yo! Bum Rush the Show, do Public Enemy, e Paid in Full, do Eric B. & Rakim. A declaração artística consistente de um álbum tornou-se o padrão de comparação do gênero. Em 1989, Queen Latifah, com 19 anos, lançou seu álbum de estreia, All Hail the Queen, tornando-se uma das rappers femininas mais notáveis.

Ascensão do rap gangster: Gangsta rap é um subgênero do hip-hop que reflete o ambiente violento dos jovens negros americanos das periferias urbanas. O gangsta rap misturava histórias de crime e vida nas ruas com comentários políticos e sociais. Em 1985, Schoolly D lançou "PSK What Does It Mean?", que é frequentemente considerada a primeira música de gangsta rap. Suas letras refletiam a linguagem das ruas, incluindo a palavra "NIGGER". Ice-T ficou "de queixo caído" quando ouviu a música pela primeira vez, e ela inspirou sua faixa de 1986 "6 in the Mornin'". O álbum Criminal Minded (1987) do Boogie Down Productions estabeleceu um precedente ao apresentar armas em sua capa. Em seu sucessor de 1988, By All Means Necessary, KRS-One segura uma uzi, mas o álbum também vê o surgimento de sua persona anti-violência "The Teacher".

O NWA é o grupo mais frequentemente associado ao gangsta rap. Suas letras eram incessantemente profanas e mais violentas, sexualmente explícitas e abertamente confrontadoras do que as de seus contemporâneos. Essas letras eram colocadas sobre batidas ásperas, impulsionadas por guitarras de rock, contribuindo para a atmosfera agressiva da música. Seu álbum de sucesso de 1989, Straight Outta Compton, estabeleceu Los Angeles como uma rival legítima da capital do hip-hop, Nova York. Também provocou a primeira grande controvérsia em relação às letras do hip-hop, em grande parte devido à música "Fuck tha Police". O diretor assistente do FBI, Milt Ahlerich, escreveu uma carta à Priority Records lamentando o impacto "desencorajador e degradante" do álbum sobre a aplicação da lei.

Ice-T enfrentou censura até mesmo durante suas apresentações ao vivo, assim como Jim Morrison. Em reação aos novos adesivos "Parental Advisory" do Parents Music Resource Center, ele cantou: "esse adesivo faz eles venderem ouro". Sua música de heavy metal de 1992, "Cop Killer", provocou tanta reação negativa que a Time Warner Music hesitou em lançar seu próximo álbum de hip-hop, Home Invasion.

Os dois presidentes dos EUA, George H.W. Bush e Bill Clinton, criticaram o gangsta rap. Sister Souljah argumentou: "A razão pela qual o rap está sob ataque é porque expõe todas as contradições da cultura americana... O que começou como uma forma de arte underground tornou-se um veículo para expor muitas questões críticas que normalmente não são discutidas em... um sistema político que nunca pretende lidar com o caos urbano dos centros urbanos".

O álbum The Chronic, do Dr. Dre, foi lançado em 1992, popularizando o estilo G-funk do gangsta rap e recebendo certificação de 3× platina. O álbum Doggystyle, do Snoop Dogg, foi lançado em 1993 e recebeu certificação de 4× platina. O Cypress Hill foi formado em 1988 no subúrbio de South Gate, nos arredores de Los Angeles. Os irmãos Senen Reyes e Ulpiano Sergio (Mellow Man Ace) se mudaram de Havana, Cuba, para South Gate com sua família em 1971. Eles se juntaram a Lawrence Muggerud (DJ Muggs) e Louis Freese (B-Real), um mexicano/cubano-americano natural de Los Angeles. Após a saída de "Ace" para iniciar sua carreira solo, o grupo adotou o nome Cypress Hill, em homenagem a uma rua que atravessava um bairro próximo no sul de Los Angeles.

Avanço convencional: Em 1989, a Academia Nacional de Artes e Ciências da Gravação decidiu criar um Prêmio Grammy para Melhor Performance de Rap. A estatueta inaugural foi entregue em 1989 a DJ Jazzy Jeff & the Fresh Prince por "Parents Just Don't Understand".

1990 foi "o ano em que o rap explodiu". O Public Enemy lançou Fear of a Black Planet, que foi um sucesso de crítica e público. O Los Angeles Times declarou: "uma explosão de energia e imaginação no final da década de 1980 faz do rap hoje, indiscutivelmente, o som de rua mais vital do pop desde o nascimento do rock na década de 1950". A revista Time concordou: "O rap é o rock 'n' roll da atualidade. O rock 'n' roll era sobre atitude, rebeldia, batida forte, sexo e, às vezes, comentários sociais". O rap teve o single mais vendido do ano anterior, "Wild Thing", de Tone Lōc. Em fevereiro de 1990, quase um terço das músicas na Billboard Hot 100 eram de hip-hop.

O terceiro álbum de MC Hammer, Please Hammer, Don't Hurt 'Em , foi um sucesso estrondoso. Alcançou o primeiro lugar na parada de álbuns. Seu primeiro single, "U Can't Touch This", tornou-se um fenômeno global após seu lançamento em maio de 1990. Chegou ao Top 10 nos EUA e ao primeiro lugar em diversos países. MC Hammer foi um dos primeiros rappers a se tornar um nome conhecido por todos. Please Hammer, Don't Hurt 'Em foi o primeiro álbum de hip-hop a receber a certificação de diamante pela RIAA por vendas superiores a dez milhões de cópias. Em 1996, vendeu 18 milhões de unidades. Em novembro, "Ice Ice Baby", de Vanilla Ice, tornou-se o primeiro single de hip-hop a alcançar o primeiro lugar na parada da Billboard.

O álbum The Chronic, do Dr. Dre, foi lançado em 1992 e alcançou o status de platina tripla. O álbum Doggystyle, de Snoop Dogg, lançado em 1993, ajudou o gênero a continuar dominando as paradas, mas as rádios voltadas para o público negro mantiveram o hip-hop à distância. Russell Simmons afirmou: "As rádios voltadas para o público negro odiaram o rap desde o início e ainda há muita resistência a ele". Apesar da falta de apoio de algumas rádios voltadas para o público negro, o hip-hop se tornou um dos gêneros musicais mais vendidos em meados da década de 1990 e o gênero musical mais vendido em 1999, com 81 milhões de CDs vendidos.

Durante a era de ouro, elementos do hip-hop continuaram a ser assimilados em outros gêneros da música popular. As primeiras ondas do rap rock, rapcore e rap metal se tornaram populares. Run-DMC, Beastie Boys e Rage Against the Machine estavam entre as bandas mais conhecidas nesses estilos. Artistas de new jack swing (Bobby Brown) e R&B (TLC) incorporaram influências do hip-hop em suas músicas, enquanto artistas como os Fugees combinaram hip-hop com música soul para criar o hip hop soul. No Havaí, bandas como Sudden Rush criaram o estilo na mele paleoleo, que fundiu o hip-hop com a língua havaiana e questões de soberania.

Surgimento de cenas locais: O rap sulista tornou-se popular no início da década de 1990. Gravadoras sediadas em Atlanta, Memphis e Nova Orleans ganharam fama por suas cenas locais. Os primeiros rappers sulistas a ganharem atenção nacional foram os Geto Boys, de Houston, Texas. As raízes do rap sulista podem ser rastreadas até o sucesso dos primeiros álbuns dos Geto Boys. O membro mais forte do grupo era Scarface, que mais tarde seguiu carreira solo.

Os artistas de hip-hop de Atlanta foram fundamentais para expandir ainda mais a música rap e levar o hip-hop sulista ao mainstream. Lançamentos como 3 Years, 5 Months and 2 Days in the Life Of... (1992) do Arrested Development, Soul Food (1995) do Goodie Mob e ATLiens (1996) do Outkast foram todos aclamados pela crítica. Quando o Outkast ganhou o prêmio de Melhor Novo Grupo de Rap no Source Awards de 1995, isso sinalizou uma mudança de poder na direção de Atlanta. O Meio-Oeste também tinha sua própria cena de rap, em cidades como Chicago, Detroit, Cleveland e St. Louis. Era conhecida pelos estilos vocais rápidos de artistas (às vezes chamados de "choppers") como Bone Thugs-n-Harmony , Tech N9ne e Twista.

Rivalidade entre as costas leste e oeste: No início da década de 1990, o hip-hop da costa leste era dominado pelo grupo Native Tongues, que era composto, de forma geral, por De La Soul, Prince Paul, A Tribe Called Quest, Jungle Brothers, 3rd Bass, Main Source, Black Sheep e KMD. Embora originalmente fosse uma concepção da "era das margaridas", enfatizando os aspectos positivos da vida, material mais sombrio logo começou a aparecer. Em 1993, Enter the Wu-Tang (36 Chambers) do Wu-Tang Clan inaugurou uma resposta de rap hardcore ao gangsta rap da costa oeste.

O hip-hop nova-iorquino experimentou um renascimento no ano seguinte com o lançamento de dois álbuns marcantes: Illmatic, de Nas, e Ready to Die, de The Notorious B.I.G. O Wu-Tang Clan, com seus 10 membros, também começou a criar um universo de álbuns solo no hip-hop, que serviam como propaganda uns para os outros. Alguns dos títulos de destaque foram Only Built 4 Cuban Linx..., de Raekwon, Ironman, de Ghostface Killah, e Liquid Swords, de GZA. RZA participou da produção da maioria desses trabalhos, e seu estilo se tornou extremamente influente. Produtores proeminentes durante esse período foram DJ Premier (Gang Starr, Jeru the Damaja), Pete Rock (CL Smooth), Buckwild, Large Professor, Diamond D e Q-Tip. Illmatic, de Nas, Word...Life, de OC, e Reasonable Doubt, de Jay-Z, contaram com esse grupo de talentos.

Surgiu uma narrativa midiática preguiçosa de que os rappers das costas leste e oeste estavam em conflito uns com os outros. Como Kool Moe Dee e LL Cool J já haviam descoberto, explorar uma rivalidade era bom para as vendas. Tornou-se moda enfatizar a rivalidade entre a costa leste e a costa oeste, mas isso não se limitou a uma batalha lírica. Em 30 de novembro de 1994, na cidade de Nova York, Tupac Shakur foi baleado cinco vezes. Ele culpou o ataque a um grupo que incluía Sean Combs e Notorious B.I.G.

Shakur deixou a Interscope Records para assinar com a Death Row Records de Suge Knight e Dr. Dre, na costa oeste. O álbum de estreia de Shakur pela gravadora, All Eyez on Me, lançado em fevereiro de 1996, foi promovido destacando incessantemente suas queixas contra personalidades da costa leste. A estratégia foi bem-sucedida e resultou em vendas estrondosas. Em 7 de setembro de 1996, Shakur foi assassinado em Las Vegas. Em 9 de março de 1997, Notorious B.I.G. foi assassinado em Los Angeles. Embora a rivalidade entre as costas tenha envolvido dezenas de pessoas em inúmeras controvérsias, as tragédias gêmeas de Shakur e Notorious B.I.G. estão no cerne do episódio. Suas mortes são usadas como marcos para o FIM da era de ouro do hip-hop.

ERA BLING (1997–2007)

Sucesso em cruzamentos e novas direções: Agora um gênero mainstream e dominando as paradas musicais, o hip-hop tornou-se comercialmente orientado no final da década de 1990. A abordagem musical foi exemplificada por Sean "Puff Daddy" Combs , que dominou as paradas de 1997 ao reaproveitar antigos sucessos em novos. "I'm Coming Out", de Diana Ross, tornou-se "Mo Money Mo Problems". "Rise", de Herb Alpert, tornou-se "Hypnotize". O sucesso número 1 do The Police, "Every Breath You Take", tornou-se "I'll Be Missing You". Os ternos brilhantes que ele e seu protegido Mase usavam tornaram-se uma marca registrada do período, apelidado de "era do terno brilhante". No mesmo ano, o single de Will Smith, "Gettin' Jiggy wit It", deu um nome mais cativante para a era, a "era jiggy". Em 1998, o rapper hardcore DMX lançou seu álbum It's Dark and Hell Is Hot, visto por alguns como trazendo o hip-hop "de volta às ruas".

Novos produtores como Swizz Beatz, Timbaland e The Neptunes surgiram nesse período, criando um som futurista para artistas como Aaliyah e Missy Elliott. Durante a era do bling, tornou-se comum juntar um cantor de R&B com um rapper. Ou o rapper aparecia em um remix do sucesso do cantor, ou o cantor interpretava o refrão da música de um rapper. As parcerias incluíram Ashanti e Ja Rule, Beyoncé e Jay-Z, e Mariah Carey com rappers como Mystikal, Cam'ron e Busta Rhymes.

O rapper Eminem se apresentando em Munique, Alemanha em 31 de outubro de 1999.

Dr. Dre começou 1999 produzindo o álbum de estreia de Eminem, The Slim Shady LP, que alcançou quatro vezes a platina. Em novembro, ele lançou seu álbum 2001, que alcançou seis vezes a platina. Dre também produziu o segundo álbum de Eminem e Get Rich or Die Tryin', de 50 Cent, que estreou em 2003 em primeiro lugar na parada Billboard 200 dos EUA. Jay-Z tornou-se culturalmente dominante com sua gravadora, linha de roupas e vários interesses comerciais. Seus álbuns consistentemente alcançaram o primeiro lugar nas paradas e, com o lançamento de The Blueprint 3 em 2009, ele quebrou o recorde de Elvis Presley de maior número de álbuns número um por um artista solo.

Ascensão do Sul: Em Nova Orleans , duas gravadoras emergentes ganharam destaque. Master P transformou a No Limit Records em uma empresa multimilionária. A Cash Money Records impulsionou suas vendas ao assinar um contrato de distribuição com a Universal em 1998. Seu elenco incluía Birdman, Lil Wayne, BG e Juvenile. Em 1999, o consumismo ostentoso da era jiggy foi indelevelmente rebatizado por BG em sua música "Bling Bling". A gíria repercutiu e o rótulo "era bling" permaneceu.

O subgênero conhecido como crunk explodiu no início e meados dos anos 2000, quando músicas de Lil Jon e Ying Yang Twins se tornaram grandes sucessos. Ele se originou no Tennessee, no sul dos Estados Unidos, na década de 1990, influenciado pelo Miami bass. O crunk é quase exclusivamente "música de festa", privilegiando slogans de hip-hop de chamada e resposta em vez de abordagens mais líricas. Uma variante do crunk de Atlanta, conhecida como snap music, tornou-se igualmente popular em meados e no final dos anos 2000. 

Ascensão do hip-hop alternativo: Artistas de hip-hop alternativo como MF Doom, The Roots , Mos Def, Dilated Peoples, Gnarls Barkley e Aesop Rock começaram a alcançar reconhecimento significativo nessa época. Outros artistas alternativos como Outkast, Kanye West e Gnarls Barkley também começaram a obter vendas no mainstream. O álbum Speakerboxxx/The Love Below, do Outkast, lançado em 2003, ganhou o Grammy de Álbum do Ano na 46ª edição do Grammy Awards e recebeu 13 certificações de platina. O álbum de estreia de West, The College Dropout, lançado em 2004, atraiu a atenção do público e da mídia, recebendo 4 certificações de platina. Suas letras introspectivas contrastavam com os sons mais arrogantes do rap mainstream.

Glitch hop é um gênero de fusão de hip-hop e música glitch que surgiu no início e meados dos anos 2000 nos Estados Unidos e na Europa. Musicalmente, é baseado em breakbeats irregulares e caóticos, linhas de baixo com glitches e outros efeitos sonoros típicos da música glitch, como saltos. Artistas de glitch hop incluem Prefuse 73, Dabrye e Flying Lotus. Wonky é um subgênero do hip-hop que surgiu por volta de 2008. Difere do glitch hop por apresentar material mais melódico e sintetizadores instáveis. Artistas escoceses como Hudson Mohawke e Rustie são proeminentes no gênero.

ERA DOS BLOGS (2007–2014)

Queda nas vendas: As redes sociais levaram ao declínio das compras de mídia física, como CDs e vinil, por parte dos fãs. A partir de 2005, as vendas de hip-hop despencaram, gerando preocupações de que o gênero pudesse estar morrendo. Embora todas as vendas de música tenham diminuído, as perdas do hip-hop foram maiores, totalizando uma queda de 21% de 2005 para 2006. 2006 foi a primeira vez em cinco anos que os dez álbuns mais vendidos não incluíram hip-hop.

O compartilhamento de arquivos ponto a ponto também causou estragos nas vendas de discos. Os downloads digitais trouxeram os singles de volta ao topo das vendas de música. Os downloads de faixas individuais do álbum ROOTS de Flo Rida, de 2009, totalizaram milhões, enquanto o próprio álbum nem sequer ganhou disco de ouro.

Apesar da queda nas vendas de discos em toda a indústria musical, os artistas de hip-hop ainda lideravam regularmente as paradas da Billboard 200. Em 2009, Rick Ross, Black Eyed Peas e Fabolous tiveram álbuns número 1. O álbum Relapse, de Eminem, foi um dos álbuns mais vendidos de 2009.

Revitalização e influência da Internet: O surgimento das mídias sociais em meados e no final da década de 2000 começou a influenciar o gênero, à medida que artistas como Soulja Boy começaram a fazer upload de suas músicas diretamente em sites como YouTube e MySpace. A internet corroeu as vendas de música, mas democratizou a distribuição. O público começou a encontrar artistas diretamente por meio de blogs de música e mídias sociais, no que foi retroativamente chamado de "era dos blogs". Artistas emergentes como Kid Cudi, Wale, Odd Future (liderado por Tyler, the Creator), Mac Miller, Lil B, Kendrick Lamar, J. Cole, Lupe Fiasco, The Cool Kids, Jay Electronica e BoB também possuíam uma sensibilidade e vulnerabilidade que haviam sido pouco exploradas na era do bling.

Quando Graduation, de Kanye West, e Curtis, de 50 Cent , foram lançados em 11 de setembro de 2007, o álbum peculiar de West vendeu mais rapidamente. O álbum seguinte de West, 808s & Heartbreak, foi ainda mais excêntrico e estabeleceu uma tendência para produções de hip-hop mais criativas. West adotou o efeito vocal Auto-Tune que o rapper T-Pain havia popularizado. T-Pain cita o produtor de new jack swing Teddy Riley e o artista de funk Roger Troutman, que usaram o talk box, como inspirações para o uso da técnica. Até Jay-Z considerou fazer um álbum alternativo, inspirado por artistas de indie rock como Grizzly Bear.

O movimento do hip-hop alternativo não se limitou apenas aos Estados Unidos, já que rappers como o poeta somali-canadense K'naan, o rapper japonês Shing02 e a artista britânica de origem cingalesa MIA alcançaram considerável reconhecimento mundial. Em 2009, a revista Time incluiu MIA na lista Time 100 das "Pessoas Mais Influentes do Mundo" por ter "influência global em muitos gêneros". Movimentos com temática global também surgiram da cena internacional do hip-hop, com microgêneros como o "Eco-Rap Islâmico" abordando questões de importância mundial por meio de vozes tradicionalmente marginalizadas.

ERA DO STREAMING (2014–presente)

O hip-hop de Atlanta dominou as paradas musicais durante a década de 2010, particularmente o trap. O trap tornou-se uma sensação mainstream na década de 2000 e começou a liderar as paradas em meados e no final da década de 2010. É caracterizado por hi-hats subdivididos em tempo duplo ou triplo, bumbos pesados da bateria eletrônica Roland TR-808, sintetizadores em camadas e uma atmosfera geral sombria, sinistra ou desoladora.

Entre os principais artistas de trap estão Future, Chief Keef, Migos, Fetty Wap, Young Thug, Travis Scott, Cardi B, Megan Thee Stallion, DaBaby e Lil Nas X. Entre os principais produtores de trap estão Metro Boomin , Pi'erre Bourne, London on da Track e Mike Will Made-It. Muitos desses artistas utilizaram o SoundCloud para distribuir suas músicas gratuitamente, sem o apoio de uma gravadora. Post Malone, Lil Uzi Vert, XXXTentacion e outros iniciaram suas carreiras no SoundCloud. Algumas faixas de trap foram consideradas "mumble rap" devido à sua dicção frequentemente confusa. Snoop Dogg observou que não conseguia distinguir os artistas, e Black Thought lamentou a falta de lirismo no trap.

Plataformas de streaming como Spotify e Apple Music se tornaram as distribuidoras de música dominantes na década de 2010. O Grammy de Melhor Álbum de Rap de 2017 foi para um álbum de streaming pela primeira vez, Coloring Book, de Chance the Rapper. Artistas como Kanye West e Drake também começaram a evitar lançamentos físicos. Em 17 de julho de 2017, a Forbes relatou que o hip-hop/ R&B havia destronado o rock como o gênero musical mais consumido , tornando-se o gênero mais popular na música pela primeira vez na história dos EUA. O álbum de rap mais reproduzido de todos os tempos no Spotify é o segundo álbum de XXXTentacion, ? (2018).

Na década de 2020, sites como TikTok e Instagram eram o método preferido dos artistas para distribuição online, com muitas músicas de hip-hop viralizando. A década de 2020 começou com Roddy Ricch como o primeiro rapper a ter uma música número um na Billboard Hot 100. Em 2021, o álbum póstumo de Pop Smoke popularizou o Brooklyn drill. Naquele ano, os rappers mais ouvidos foram Doja Cat e Lil Nas X.

MÚSICA HIP-HOP MUNDIAL

O hip-hop espalhou-se do Bronx para o mundo. Está constantemente a ser reinventado em quase todos os países do planeta. A única coisa que praticamente todos os artistas de hip-hop em todo o mundo têm em comum é que reconhecem a sua dívida para com as pessoas negras e latinas de Nova Iorque que lançaram o movimento global.

Em muitos países latino-americanos, assim como nos EUA, o hip-hop tem sido uma ferramenta com a qual pessoas marginalizadas podem articular sua luta. O hip-hop cubano cresceu de forma constante durante o Período Especial que acompanhou a queda da União Soviética.

O hip-hop brasileiro está fortemente associado a questões raciais e econômicas no país, onde muitos afro-brasileiros vivem em favelas economicamente desfavorecidas.

O reggaeton porto-riquenho evoluiu a partir de vários gêneros, particularmente o dancehall jamaicano e o hip-hop.

Os rappers venezuelanos geralmente modelavam sua música segundo o gangsta rap, abraçando e tentando redefinir estereótipos negativos sobre jovens pobres e negros como perigosos e materialistas e incorporando críticas socialmente conscientes à criminalização de jovens pobres e afrodescendentes na Venezuela em suas músicas.

O hip-hop haitiano desenvolveu-se no início da década de 1980. Master Dji e suas músicas "Vakans" e "Politik Pa m" popularizaram o estilo. O que mais tarde ficou conhecido como "Rap Kreyòl" cresceu em popularidade no final da década de 1990 com King Posse e Original Rap Stuff. Devido à tecnologia de gravação mais barata e ao fluxo de equipamentos para o Haiti, o Rap Kreyòl está crescendo cada vez mais.

O hip-hop francês também se desenvolveu na década de 1980. O Blockfest anual em Tampere, Finlândia, é o maior evento de música hip-hop nos países nórdicos.

O hip-hop nigeriano ganhou popularidade nas décadas de 1980 a 2000 através de artistas como The Remedies, JJC Skillz, MI Abaga e Sound Sultan, abrangendo a incorporação de línguas locais e batidas tradicionais de hip-hop. Nas décadas de 2010 e 2020, desenvolveu-se ainda mais com rappers como Naeto C, Reminisce, Olamide, Phyno, Blaqbonez e Odumodublvck.

O hip-hop sul-africano se sobrepõe ao kwaito, um gênero musical que enfatiza a cultura africana e questões sociais. Rapper como Pope Troy têm explorado questões socioeconômicas que assolam as esferas políticas da África do Sul e o hip-hop como um todo, equilibrando sua abordagem linguística para se comunicar com as massas sobre os aspectos técnicos que criam esses problemas. O hip-hop sul-africano evoluiu para uma presença proeminente na música mainstream sul-africana. Entre as décadas de 1990 e 2010, transcendeu suas origens como uma forma de expressão política na Cidade do Cabo para produzir artistas como HHP, Riky Rick e AKA . Rapper sul-africanos proeminentes incluem Stogie T, Reason, Da LES, Cassper Nyovest, Emtee, Fifi Cooper, A-Reece, Shane Eagle, Nasty C, KO, YoungstaCPT e Big Zulu.

Na década de 2010, o hip-hop tornou-se popular no Canadá, particularmente em Toronto , que tem uma grande população afro-caribenha e africana. A cidade expressou um novo subgênero chamado som de Toronto . Depois que Drake alcançou sucesso mainstream, o som de Toronto começou com trabalhos dos produtores T-Minus e Boi-1da.

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Kitwana, Bakari. "The State of the Hip-hop Generation: How hip-hop's cultural movement is evolving into political power." Diogenes, vol. 51, no. 3, Aug. 2004.

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Potter, Russell. Spectacular Vernaculars: Hip-Hop and the Politics of Postmodernism. SUNY Press, 1995.

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CRUZETA (MUNICÍPIO BRASILEIRO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE)

Bandeira de Cruzeta, cidade do estado do Rio Grande do Norte. COORDENADAS: 6° 24′ 43″ S, 36° 47′ 24″ O PAÍS: Brasil UNIDADE FEDERATIVA: Rio ...