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sábado, 19 de setembro de 2026

GOTALÂNDIA (REGIÃO SUL DA SUÉCIA)

Mapa da Suécia com a região de Götaland marcada.
  • COORDENADAS: 57°39′N 14°41′L
  • ÁREA TOTAL: 97.841 km² (37.777 milhas quadradas)
  • POPULAÇÃO TOTAL (31 DE DEZEMBRO DE 2021): 4.995.764
  • DENSIDADE: 51,060/km² (132,24/milha quadrada)
  • FUSO HORÁRIO: UTC+1 (CET)
    • Verão (DST): UTC+2 (CEST)
Gotalândia, mais conhecida em português pelo nome original Götaland (sueco: [ˈjø̂ːtaˌland]; também Gothia, Gothland, Gothenland ou Gautland), é uma das três grandes regiões históricas (landsdelar) em que se divide a Suécia - a Norrland, a Svealand e a Götaland.

PROVÍNCIAS E CONDADOS

Atualmente, Götaland não possui função administrativa e é, portanto, uma entidade não oficial; no entanto, é geralmente considerada uma das três regiões (ou partes) da Suécia. Ela é composta por dez províncias, baseadas vagamente na área que estava originalmente sob a jurisdição do Tribunal de Apelação de Göta (estabelecido em 1634), à qual foram incorporadas as terras da Escânia, Gotland e Bohuslän entre 1658 e 1679:
  1. Blekinge
  2. Bohuslän
  3. Dalsland
  4. Gotland
  5. Halland
  6. Escânia
  7. Småland
  8. Västergötland
  9. Öland
  10. Östergötland
Administrativamente, a Suécia não é dividida em províncias, mas em condados. Embora Götaland seja definida com base nas províncias históricas e não nos condados, ela abrange, aproximadamente, os condados modernos de Blekinge, Gotland, Halland, Jönköping, Kalmar, Kronoberg, Östergötland, Escânia e Västra Götaland.

ETIMOLOGIA

As primeiras menções possíveis de götar são do geógrafo Ptolomeu, do século II, que menciona os Goutai (Γούται em grego). Mais tarde, o épico anglo-saxão Beowulf (séculos VIII-XI) é parcialmente ambientado entre os Gēatas. Fontes norueguesas e islandesas às vezes usam Gautar apenas para o povo de Västergötland, mas outras vezes como um termo étnico comum para o povo de Västergötland e Östergötland. Västergötland aparece em fontes medievais islandesas e norueguesas como Gautland (Götland), uma forma que não é etimologicamente idêntica a Götaland.

O nome Götaland substituiu o antigo Götland no século XV, provavelmente para distinguir a região mais ampla que denotava do núcleo tradicional em Västergötland. O nome Götaland provavelmente se referia originalmente apenas a Västergötland e Östergötland, mas foi posteriormente estendido a distritos adjacentes. O nome Götaland é possivelmente uma construção plural e significa "terras dos Geats", onde Göta- é o genitivo plural do etnônimo Göt (Geat). A interpretação de que o substantivo neutro -land é um substantivo plural e não singular é indicada pelo testamento de Bo Jonsson Grip em 1384, onde ele declarou que doou propriedades em Swerige (Suécia, ou seja, Svealand), Österlandom (Finlândia) e em Göthalandom para mosteiros. Aqui Götaland aparece na forma plural do caso dativo.

HISTÓRIA

Västergötland e Östergötland, outrora reinos rivais, constituem o próprio Götaland. Os reis geatas, contudo, pertencem ao domínio da mitologia nórdica. Tanto Västergötland quanto Östergötland possuem extensas áreas agrícolas onde, no passado, se estabeleceram vilas e cidades. O grande rio Göta Älv drena o terceiro maior lago da Europa, o Lago Vänern. Em sua foz (onde Gotemburgo surgiu no início do século XVII), a população de Västergötland tinha acesso ao mar de Kattegat. O estuário do Göta Älv também formou a fronteira entre os reinos da Noruega e da Dinamarca até o século XIII.

Geatland é a terra onde se diz que viveu o herói medieval do poema Beowulf.

Antigo brasão da Suécia; brasão da Casa de Bjelbo. No século XVII, presumiu-se erroneamente que se tratava de um brasão anterior de Götaland (segundo o brasão de Gotemburgo e Sveriges riksvapen).

Foi apenas no final da Idade Média que Götaland começou a ser percebida como parte da Suécia. Nas fontes do nórdico antigo e do inglês antigo, Gautland/Geatland ainda é tratado como um país separado da Suécia. Em Sögubrot af Nokkrum, por exemplo, Kolmården entre Svealand e Östergötland é descrito como a fronteira entre a Suécia e Ostrogothia (...Kolmerkr, er skilr Svíþjóð ok Eystra-Gautland...), e na saga de Hervarar, o rei Ingold I cavalga para a Suécia através de Östergötland: Ingi konungr fór með hirð sína ok sveit nokkura ok hafði lítinn ela. Hann reið austr um Smáland ok í eystra Gautland ok svá í Svíþjóð. Em 1384, Bo Jonsson (Grip) declarou em seu testamento que o reino era composto por Swerige (Suécia, ou seja, Svealand), Österland (ou seja, Finlândia) e Göthaland (ou seja, Götaland, de acordo com as fronteiras de 1384).

Os pequenos países ao sul – Finnveden, Kind, Möre, Njudung, Tjust, Tveta, Värend e Ydre – foram incorporados à província de Småland (literalmente: "as pequenas terras"). Ao largo da costa de Småland ficava a ilha de Öland, que se tornou uma província separada. Dal, a noroeste, tornou-se a província de Dalsland .

Småland, Öland e Dalsland já eram consideradas terras pertencentes a Götaland durante a Idade Média escandinava (séculos XII a XV).

Småland era repleta de florestas densas, especialmente no sul, e tinha menor importância para Götaland em comparação com as áreas agrícolas de Västergötland e Östergötland. Em sua costa do Mar Báltico ficava a importante cidade de Kalmar, onde em 1397 a União de Kalmar foi proclamada no Castelo de Kalmar, uma união pessoal dos três países da Suécia, Dinamarca e Noruega sob um único governante.

Kalmar, Suécia: o castelo visto do lado nordeste. Foto tirada em 2008.

No Tratado de Roskilde (1658), o reino da Dinamarca-Noruega cedeu as províncias dinamarquesas de Blekinge, Halland, Scania e a província norueguesa de Bohuslän à Suécia. Desde então, essas províncias são consideradas partes de Götaland.

A ilha de Gotland alternou entre a lealdade dos suecos e dos dinamarqueses diversas vezes. Embora a ilha possa ser percebida como tendo laços mais estreitos com a Suécia (Svealand), ela é considerada parte de Gotland (Götaland).

Originalmente, Värmland pertencia ao Tribunal de Apelação de Göta, mas a província passou a fazer parte do Tribunal de Apelação de Svealand por um período no início do século XIX.


GEOGRAFIA

Título: "Gothia" no Atlas de Blaeu: *Europae Septentrionalia & Orientalia*. *Theatrum orbis terrarum, sive, Atlas novus* (primeira edição publicada em 1635 como uma obra em dois volumes).
Autores: Willem Janszoon e Joan Blaeu
Descrição: Edição em latim de *Teatro do Mundo, ou um Novo Atlas de Mapas e Representações de Todas as Regiões*, publicado em 4 volumes a partir de 1645.

As densas florestas encontram-se na província de Småland, há muitas terras agrícolas na Escânia e um pouco de ambas em Västergötland e Östergötland. As costas são geralmente relativamente planas e consistem em arquipélagos, bem como praias de areia. As duas maiores ilhas da Suécia estão localizadas em Götaland. Os dois maiores lagos da Suécia também estão situados principalmente em Götaland. A área total é de 87.712 km² com cerca de 4,4 milhões de habitantes, incluindo a segunda e a terceira maiores áreas urbanas da Suécia.

TEORIA

A teoria de Götaland (ou Escola de Westrogothia, em sueco Västgötaskolan) é uma teoria da conspiração que afirma que a fundação da Suécia não ocorreu no leste do país, mas sim na província de Västergötland (Westrogothia). Os adeptos utilizam médiuns para contatar os mortos a fim de fornecer suporte para sua teoria, além de radiestesia e etimologia. Eles também afirmam que a história estabelecida consiste em mentiras e falsificações. Embora seja bem conhecida na Suécia e fervorosamente pregada por seus seguidores, nunca foi aceita pelos estudiosos. 

Origem: A teoria de Götaland surgiu no início do século XX com a alegação de que a antiga cidade de Ubsola (Uppsala) estava situada na província de Västergötland, especificamente nas antigas terras chamadas Uplanden. Além disso, os defensores da teoria também sustentavam a visão de que Västergötland e a região do Lago Vänern eram, na verdade, a terra de "Sithun", traduzida para o idioma atual como Sigtuna, onde Odin e seus companheiros Aesir supostamente se estabeleceram quando chegaram à Escandinávia.

Um dos primeiros precursores da teoria foi Pehr Tham (1737-1820), que durante o século XIX tentou, sem sucesso, promover ideias como a de que a vila de Sätuna seria a localização da antiga Sigtuna, e a da antiga cidade de Birka estaria situada em algum lugar ao redor do Lago Hornborga. Ele é considerado um sucessor de Olof Rudbeckius, um estudioso do século XVII que afirmava que a Suécia era a verdadeira localização da Atlântida submersa.

Os primeiros proponentes da teoria de Götaland propuseram ideias sobre Västergötland, e a região do lago Vänern, em particular, como sendo a origem não só dos Geats, mas também dos Suiones, os Dinamarqueses; e ainda a localização de vários fenómenos da mitologia nórdica, como Sithun (Sigtuna) de Odin, Valhalla e a árvore Yggdrasil. Estas ideias, criadas no espírito do Romantismo, foram também uma reação à investigação arqueológica da época, que possivelmente negligenciou algumas áreas da Suécia que, no entanto, eram ricas em vestígios arqueológicos. As especulações dos adeptos do movimento da teoria de Götaland são em grande parte irrelevantes para a discussão académica moderna, que não presta muita atenção às guerras sueco-geatas ou aos reis Yngling.

Em particular, a história da emigração de Odin e dos Aesir, segundo a Saga dos Inglingos, é geralmente considerada falsa pelas visões oficiais e pelos estudiosos. Outras partes da extensa obra de Snorri Sturluson (e de outros autores de sagas), no entanto, podem ser consideradas referências válidas para a compreensão da história antiga dos povos escandinavos e de seus costumes e crenças religiosas.

Especulações sobre Birka: A cidade de Birka também é conhecida pela Vita Ansgari, na qual Ansgar funda uma missão na cidade. É comum referir-se a ela como estando na ilha de Björkö, no lago Mälaren. Este local é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma popular atração turística.

De acordo com a teoria de Västgöta, Birka, como nome, significava "cidade mercantil" e poderia se referir a qualquer cidade desse tipo na Suécia antiga.

Especulações de Ubsola: Upsalir, ou Ubsola, era o principal centro de culto da fé pagã Ása na antiga Escandinávia e Suécia. A antiga Upsalir foi descrita por Adão de Bremen no século XI e por Snorri Sturluson no século XIII. Geralmente se considera que corresponde à atual Uppsala, estando localizada no antigo local de Uppsala – a Velha Uppsala, no leste da Suécia, habitat da antiga tribo dos Suiones (suecos). A escola de Västgöta, no entanto, afirma que o local original do templo ficava no oeste da Suécia, no habitat dos antigos Geats (Götar), a tribo que deu nome à região de Västergötland.

No entanto, não existem descobertas arqueológicas que sustentem a visão de Västergötland como o local original de Ubsola, e, portanto, as ideias da teoria de Västgöta têm pouca ou nenhuma credibilidade.

A origem nazista da teoria: A teoria de Götaland foi o único resultado notável da infiltração nazista na arqueologia sueca durante 1933-1945. Carl -Otto Fast, fundador da Escola de Westrogothian ("Västgötaskolan"), era um nazista conhecido que alguns afirmam ter colaborado com a SS Ahnenerbe, Richard Walther Darré e eugenistas de Hadamar, na Alemanha. O arqueólogo Magnus Alkarp, que estudou documentos classificados e semi-classificados do período pós-guerra, demonstrou que a Escola de Westrogothian foi, entre alguns movimentos separatistas regionais de direita na Escandinávia, uma parte importante da Operação Gladio.

Testando a teoria: Amadores tentaram, sem sucesso, provar o que consideram aspectos importantes da teoria de Götaland diversas vezes. O túmulo em Skalunda foi considerado o local de sepultamento do herói Beowulf, conhecido da epopeia de Beowulf; após aplicarem a técnica de radiestesia com um pêndulo, afirmaram que o túmulo era de fato o local de sepultamento desse herói geata. Mais tarde, arqueólogos profissionais perfuraram o túmulo para extrair uma amostra para datação por carbono-14. O túmulo era de cerca de 700 d.C., cerca de 150 anos posterior ao período considerado adequado para ser o local de sepultamento de Beowulf.

A localidade de Sätuna, no lago Hornborga, em Västergötland, era, segundo os defensores da teoria, a verdadeira Sigtuna, onde o rei Olof Skötkonung mandava cunhar suas moedas. Uma protuberância no solo foi apontada pelos adeptos da teoria de Götaland como sendo a casa da moeda do rei. No entanto, quando os arqueólogos a examinaram, a protuberância revelou-se ser os restos de um celeiro inacabado da década de 1890.

FONTES: "Folkmängd i landskapen den 31 december 2021" (in Swedish). Statistics Sweden. Archived from the original on 23 August 2022. Retrieved 23 August 2022.

 Nuttall Encyclopædia of General Knowledge, 1907 (Gothland is also used for Gotland).

 A translation of the Völsunga saga, Berkeley, archived from the original on 11 December 2005 (Gothland is also used for Gotland).

 Cristian Fogd Pedersen (1970). "Sverige". Alverdens flag i farver (in Danish). Copenhagen: Politikens Forlag. p. 138. ISBN 87-567-1143-3.

 Carta Marina features the coat of arms.
 Stål, Harry (1976), Ortnamn och ortnamnsforskning, Uppsala: Almquist & Wiksell, p. 130.

 "Götaland", Nordisk familjebok, 1909, archived from the original on 20 October 2017, retrieved 29 April 2007.

 Harald Gustafsson, "A State that Failed?" Scandinavian Journal of History (2006) 32#3 pp 205–220.

 Earenfight, Theresa (2013). Queenship in Medieval Europe. Palgrave Macmillan. p. 238. ISBN 9781137303929. Archived from the original on 10 December 2016.

Alkarp, Magnus (2007). Men däri är också mycken galenskap : Adam av Bremen, arkeologin och Gamla Uppsala = Adamus Bremensis, archaeology and Old Uppsala. In: Kult, guld och makt : ett tvärvetenskapligt symposium i Götene.

Gahrn, Lars (1988). Sveariket i källor och historieskrivning. Gothenburg University, doctoral thesis with English summary.

Larsson, M. G. (2002). Götarnas riken. Upptäcksfärder till Sveriges enande. Atlantis, Stockholm. ISBN 91-7486-641-9.

Strömberg, J.B.L.D. (1998). Svearikets vagga och västgötaskolan. Stockholm. Web edition with an English summary.

Post № 964 ✓

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

SURTUR (GIGANTE DE FOGO DA MITOLOGIA NÓRDICA)

 

O gigante com A Espada Flamejante (1909) de John Charles Dollmam.

Na mitologia nórdica, Surt, Surtur ou ainda Surtr (nórdico antigo "Negro" ou "Aquele moreno"), é o jötunn ancião, líder dos gigantes de fogo do Muspelheim. No Ragnarok, segundo a mitologia nórdica, Surt lançará fogo nos nove mundos.

ATESTADOS

Edda Poética: Surtr é mencionado duas vezes no poema Völuspá, onde uma völva revela informações ao deus Odin. A völva diz que, durante o Ragnarök, Surtr virá do sul com chamas, carregando uma espada muito brilhante:

Nórdico antigo:

“Sutr ferr sunnan
með sviga lævi:
skinn af sverði
sól valtiva.”

Tradução:

“Surtr se desloca do sul
com o impacto dos galhos:
Aquilo brilha em sua espada.
o sol dos Deuses dos Mortos.”

Em seguida, a völva diz que "picos de pedra colidem", "esposas de trolls tomam a estrada", "guerreiros trilham o caminho de Hel" e os céus "se despedaçam". A estrofe seguinte relata que Odin será morto pelo lobo Fenrir e que Surtr lutará contra "a ruína de Beli", uma metáfora para o deus Freyr, que matou o gigante Beli. Nenhum outro detalhe é dado sobre a luta entre Surtr e Freyr no poema. Nas estrofes seguintes, vários deuses e seus oponentes são descritos lutando no Ragnarök, e que o mundo será consumido pelas chamas, mas depois um novo mundo surge do mar, fértil e repleto de vida, e os deuses sobreviventes se reencontrarão.

No poema Vafþrúðnismál, o sábio jötunn Vafþrúðnir pergunta a Odin (disfarçado de "Gagnráðr") "qual o nome da planície onde Surt e os deuses doces se encontrarão na batalha". Odin responde que o "campo ordenado" é Vígríðr e que se estende por "cem léguas" em todas as direções. Mais tarde no poema, Odin, ainda disfarçado e agora questionando Vafþrúðnir, pergunta qual dos Æsir "governará sobre as possessões dos deuses quando o fogo de Surt for apagado". Vafþrúðnir responde que, "quando o fogo de Surt for apagado", os filhos do deus Thor, Móði e Magni, possuirão o martelo de Thor, Mjöllnir.

No poema Fáfnismál, o herói Sigurd pergunta ao dragão mortalmente ferido Fáfnir o nome da ilha onde Surtr e os Æsir "misturarão o líquido da espada". Fáfnir diz que a ilha se chama Óskópnir, que todos os deuses irão para lá portando lanças e que, em seu caminho, a ponte Bifröst se romperá sob seus pés, fazendo com que seus cavalos "se afoguem no grande rio". O poema édico tardio Fjölsvinnsmál, estrofe 24, contém o verso "Surtur sinn mautu" ou "surtur sinn mantu", de acordo com os melhores manuscritos. As duas últimas palavras, que de outra forma não têm significado, às vezes são emendadas para "Sinmöru" e toda a frase é interpretada como significando que Surtr tem uma companheira chamada Sinmara. Com base na mesma passagem, Lee Hollander identifica provisoriamente Sinmara como esposa de Surt, afirmando que ela é “desconhecida em outros lugares”.

Edda em Prosa: No capítulo 4 do livro Gylfaginning da Edda em Prosa, a figura entronizada de Terceiro conta a Gangleri (descrito como o Rei Gylfi disfarçado) sobre a localização de Múspell. Terceiro diz que a região brilhante e flamejante de Múspell existia antes de Niflheim e é intransitável para aqueles que não são nativos da região. Para defender Múspell, Surtr está posicionado em sua fronteira. Terceiro acrescenta que Surtr possui uma espada flamejante e que "no fim do mundo ele irá e travará guerra, derrotará todos os deuses e queimará o mundo inteiro com fogo". A estrofe de Völuspá que prevê a vinda de Surtr do sul é então citada. No capítulo 18, Gangleri pergunta o que protegerá o belo salão Gimlé "quando o fogo de Surtr queimar o céu e a terra".

No capítulo 51 de Gylfaginning , High descreve os eventos do Ragnarök. High diz que "em meio a essa turbulência, o céu se abrirá e dele cavalgarão os filhos de Muspell. Surtr cavalgará à frente, e tanto à frente quanto atrás dele haverá fogo ardente. Sua espada será muito fina. A luz dela brilhará mais intensamente do que a do sol." High continua dizendo que quando os filhos de Muspell atravessarem a ponte Bifröst, ela se quebrará, e que eles seguirão para o campo de Vígríðr. O lobo Fenrir e a Serpente de Midgard também chegarão lá. Nesse momento, Loki já terá chegado com "todo o povo de Hel", Hrym e todos os gigantes de gelo; "mas os filhos de Muspell terão sua própria formação de batalha; será muito brilhante". Mais adiante no capítulo, High descreve que uma batalha feroz irromperá entre essas forças e os Æsir, e que durante esta, Surtr e Freyr se enfrentarão em combate "e haverá um conflito severo antes da queda de Freyr". High acrescenta que a causa da morte de Freyr será a falta da "boa espada" que ele certa vez deu a seu servo Skírnir.

Como previsto por High mais adiante no capítulo 51 de Gylfaginning, uma vez que Heimdallr e Loki lutam (e se matam mutuamente), Surtr "lançará fogo sobre a terra e queimará o mundo inteiro". High cita dez estrofes de Völuspá em apoio, e então procede descrevendo o renascimento e a nova fertilidade do mundo renascido, e os sobreviventes do Ragnarök, incluindo vários deuses e os dois humanos chamados Líf e Lífthrasir que terão se escondido do "fogo de Surtr" na floresta Hoddmímis holt.

Na seção Epílogo do livro Skáldskaparmál, um monólogo euhemerizado afirma que "o que eles chamavam de fogo de Surt foi quando Troia queimou". No capítulo 2, uma obra do escaldo Eyvindr skáldaspillir é citada que menciona "os vales profundos de Surt", usando o nome Surtr como um substantivo comum para um jötunn, com "vales profundos" referindo-se às profundezas das montanhas (especificamente Hnitbjorg).

TEORIAS

O estudioso Rudolf Simek teoriza que "o conceito de Surtr é, sem dúvida, antigo", citando exemplos de menções a Surtr em obras dos escaldos do século X, Eyvindr skáldaspillir e Hallfreðr vandræðaskáld , em poemas reunidos na Edda Poética, e que o nome das cavernas vulcânicas de Surtshellir, no oeste da Islândia, já estava registrado no manuscrito Landnámabók. Simek observa que os jötnar são geralmente descritos como habitantes do leste em fontes nórdicas antigas, enquanto Surtr é descrito como vindo do sul, e que isso "certamente tem a ver com sua associação com o fogo e o calor". Simek afirma que "na Islândia, Surtr era obviamente considerado um gigante poderoso que governava os poderes do fogo (vulcânico) do submundo", e teoriza que a noção de Surtr como inimigo dos deuses provavelmente não se originou na Islândia. Simek compara Surtr aos jötnar Eldr, Eimnir, Logi e Brandingi, observando que todos parecem ser personificações do fogo. Foi proposta uma ligação com Śuri, o deus etrusco do Sol, do fogo vulcânico e do submundo, observando que eles também compartilham a mesma etimologia.

A estudiosa Bertha Phillpotts teoriza que a figura de Surtr foi inspirada por erupções vulcânicas na Islândia e que ele era um demônio vulcânico. O estudioso Andy Orchard teoriza que a descrição de Surtr encontrada em Gylfaginning "parece dever algo às noções bíblicas e patrísticas do anjo com uma espada flamejante que expulsou Adão e Eva do paraíso e que guarda o Jardim do Éden". O estudioso John Lindow afirma que o nome Surtr pode implicar a aparência carbonizada de Surtr.

Richard Cole traça uma comparação entre a representação dos filhos de Muspell por Snorri e o motivo dos Judeus Vermelhos. Cole escreve que "a Edda de Snorri está mais próxima do motivo dos Judeus Vermelhos do que de Vǫluspá", apontando muitas semelhanças entre a narrativa de Snorri em sua Edda e o motivo dos Judeus Vermelhos, nas quais a Edda em Prosa difere de Völuspá.

ADORAÇÃO

O "Livro dos Assentamentos" (Landnámabók) islandês, do século XII-XIII, descreve a jornada de 150 km do filho de um chefe, Þorvaldur holbarki ("garganta oca") Þorðarson, pelo interior da Islândia para cantar um poema de louvor (um "drápa") – um ato ritual – ao gigante que vivia dentro de "hellisins Surts", a caverna de Surt, chamada Surtshellir no islandês moderno. Pesquisas arqueológicas dentro da caverna em 2001, 2012 e 2013 mostraram que o que antes era teorizado como evidência de atividade de foras da lei na caverna – ossos de ovelhas e bois – na verdade documenta evidências de atividades rituais da Era Viking realizadas dentro da caverna por 65 a 100 anos antes da conversão da Islândia ao cristianismo por volta de 1000 d.C. Isso sugere um possível culto para apaziguar o gigante de fogo, talvez a primeira evidência concreta de adoração aos jötnar, ou de esforços para fortalecer os deuses a fim de conter Surtr ou outros jötnar sob seu controle.

TOPÔNIMOS E INFLUÊNCIA MODERNA

Na Islândia moderna, a noção de Surtr como um gigante de fogo permanece viva; Surtsey ("ilha de Surtr"), uma ilha vulcânica que surgiu em 1963 em Vestmannaeyjar, na Islândia, recebeu o nome de Surtr, assim como Surtshellir.

A descrição encontrada em Gylfaginning de Surtr guardando a fronteira de Múspell é retratada na pintura de John Charles Dollman, O Gigante com a Espada Flamejante.

Surtur, um satélite natural do planeta Saturno, e Surt, um vulcão na lua Io do planeta Júpiter, ambos receberam seus nomes em sua homenagem. Em 2019, a IAU nomeou a estrela HAT-P-29 e seu planeta do tamanho de Júpiter, HAT-P-29b, respectivamente, Muspelheim e Surt, como resultado da campanha NameExoWorlds 2019.

Surtr foi adaptado como personagem pela Marvel Comics, aparecendo pela primeira vez em Journey into Mystery #97 (outubro de 1963). Surtur foi importante para a história de fundo no filme de animação Thor: Tales of Asgard, antes de fazer uma aparição completa no filme do MCU de 2017, Thor: Ragnarok.

FONTES: Bellows, Henry Adams (Trans.) (2004). The Poetic Edda: The Mythological Poems. Courier Dover Publications. ISBN 0-486-43710-8

Davidson, H. R. Ellis (1990). Gods and Myths of Northern Europe. Penguin Books. ISBN 0-14-013627-4

Dronke, Ursula (Trans.) (1997). The Poetic Edda: Volume II: Mythological Poems. Oxford University Press. ISBN 0-19-811181-9
Faulkes, Anthony (Trans.) (1995). Edda. Everyman. ISBN 0-460-87616-3

Hollander, Lee M. (Trans.) (1962). The Poetic Edda. 2nd ed. University of Texas Press. OCLC 620747

Larrington, Carolyne (Trans.) (1999). The Poetic Edda. Oxford World's Classics. ISBN 0-19-283946-2
Lindow, John (2001). Norse Mythology: A Guide to the Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs. Oxford University Press. ISBN 0-19-515382-0

Orchard, Andy (1997). Dictionary of Norse Myth and Legend. Cassell. ISBN 0-304-34520-2

Phillpotts, Bertha (1905). "Surt" in Arkiv för Nordisk Filologi, volume 21, pp. 14 ff.

Simek, Rudolf (2007). Dictionary of Northern Mythology. Translated by Angela Hall. D.S. Brewer. ISBN 0-85991-513-1

Post nº 581 ✓

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

FREIA (DEUSA DO AMOR NA MITOLOGIA NÓRDICA)

Freyja e o Colar (1890) de James Doyle Penrose.

  • SÍMBOLO(S): Brísingamen
  • OCUPAÇÃO: deusa do Amor, Sexo, Beleza, Fertilidade, Ouro, Seiðr, Guerra, Morte
  • PAIS: Njord e sua irmã
  • IRMÃO(S): Freyr (irmão gêmeo)
  • CONSORTE: Odr
  • FILHOS: Hnoss e Gersemi (filhas)
  • EQUIVALENTE ESLAVO: Priye
  • EQUIVALENTE GRECO-ROMANO: Flora, Vênus/Afrodite
  • EQUIVALENTE HINDU: Priya
  • EQUIVALENTE HITITA: Puru
  • EQUIVALENTE ISRAELITA: Astaroth, Aster, Astoreth
  • EQUIVALENTE MESOPOTÂMICO: Ishtar
  • EQUIVALENTE FENÍCIO: Ashtart
  • EQUIVALENTE PROTO-GERMÂNICO: Frawjōn
  • EQUIVALENTE PROTOINDO-EUROPEU: Pria
  • EQUIVALENTE PROTO-SEMÍTICO: ʻAṯtartu
  • EQUIVALENTE SUMÉRIO: Inanna
  • EQUIVALENTE UGARÍTICO: ʻAṯtart
  • EQUIVALENTE ZOROASTRIANO: Paurwa
Na mitologia nórdica, Freyja (em nórdico antigo, "a Senhora") é uma deusa associada ao amor, à beleza, à fertilidade, ao sexo, à guerra, ao ouro e ao seiðr (magia para ver e influenciar o futuro). Freyja é a dona do colar Brísingamen, cavalga uma carruagem puxada por dois gatos, é acompanhada pelo javali Hildisvíni e possui um manto de penas de falcão que lhe permite transformar-se em falcão-peregrino. Com seu marido Óðr, ela é mãe de duas filhas, Hnoss e Gersemi. Junto com seu irmão gêmeo Freyr, seu pai Njörðr e sua mãe (irmã de Njörðr, sem nome nas fontes), ela é membro dos Vanir. Derivado do nórdico antigo Freyja, formas modernas do nome incluem Freya, Freyia e Freja.

ATESTADOS

Edda Poética: Na Edda Poética, Freyja é mencionada ou aparece nos poemas Völuspá, Grímnismál, Lokasenna, Þrymskviða, Oddrúnargrátr, e Hyndluljóð.

Völuspá contém uma estrofe que menciona Freyja, referindo-se a ela como "a menina de Óð"; Freyja sendo a esposa de seu marido, Óðr. A estrofe narra que Freyja foi prometida a um construtor não identificado, mais tarde revelado como um jötunn e posteriormente morto por Thor (narrado em detalhes no capítulo 42 de Gylfaginning). No poema Grímnismál, Odin (disfarçado de Grímnir) diz ao jovem Agnar que todos os dias Freyja destina assentos a metade daqueles que são mortos em seu salão Fólkvangr, enquanto Odin possui a outra metade.

No poema Lokasenna, onde Loki acusa quase todas as mulheres presentes de promiscuidade ou infidelidade, ocorre uma troca agressiva de palavras entre Loki e Freyja. A introdução ao poema observa que, entre outros deuses e deusas, Freyja participa de uma celebração realizada por Ægir. Em versos, após Loki ter discutido com a deusa Frigg, Freyja intervém, dizendo a Loki que ele está louco por reviver seus atos terríveis e que Frigg conhece o destino de todos, embora não o revele. Loki manda-a calar-se e diz que sabe tudo sobre ela — que Freyja não está isenta de culpa, pois cada um dos deuses e elfos no salão já foi seu amante. Freyja protesta. Ela diz que Loki está mentindo, que ele só quer falar sobre seus pecados e, como os deuses e deusas estão furiosos com ele, ele pode esperar voltar para casa derrotado. Loki manda Freyja calar a boca, chama-a de bruxa maliciosa e evoca um cenário onde Freyja estava montada em seu irmão quando todos os deuses, rindo, surpreenderam os dois. Njörðr intervém — ele diz que uma mulher ter um amante que não seja seu marido é inofensivo, e aponta que Loki teve filhos, e chama Loki de pervertido. O poema continua por sua vez.

O poema Þrymskviða apresenta Loki pedindo emprestado o manto de penas de Freyja e Thor se vestindo como Freyja para enganar o lascivo gigante Þrymr. No poema, Thor acorda e descobre que seu poderoso martelo, Mjöllnir, desapareceu. Thor conta a Loki sobre o desaparecimento do martelo, e os dois vão à bela corte de Freyja. Thor pede a Freyja que lhe empreste seu manto de penas para que ele possa tentar encontrar seu martelo. Freyja concorda.

Tradução de Benjamin Thorpe:

“Que eu te daria, ainda que fosse de ouro,
e confiar-a a ti, ainda que fosse de prata.”

Loki voa para longe no manto de penas rodopiante, chegando à terra de Jötunheimr. Ele avista Þrymr sentado no topo de um monte. Þrymr revela que escondeu o martelo de Thor nas profundezas da terra e que ninguém jamais saberá onde o martelo está, a menos que Freyja lhe seja trazida como sua esposa. Loki voa de volta, com o manto assobiando, e retorna às cortes dos deuses. Loki conta a Thor sobre as condições de Þrymr.

Os dois vão visitar a bela Freyja. A primeira coisa que Thor diz a Freyja é que ela se vista e coloque um adorno de noiva na cabeça, pois irão para Jötunheimr. Com isso, Freyja fica furiosa — os salões dos deuses tremem, ela bufa de raiva e o colar Brísingamen cai da deusa. Indignada, Freyja responde:

Tradução de Benjamin Thorpe:

“Saibam que sou a mais lasciva das mulheres,
se contigo eu for para Jötunheim.”

Os deuses e deusas se reúnem em um encontro e debatem como resolver o problema. O deus Heimdallr propõe vestir Thor como uma noiva, com direito a vestido de noiva, adorno de cabeça, chaves tilintando, joias e o famoso Brísingamen. Thor protesta, mas é silenciado por Loki, que o lembra de que os novos donos do martelo logo se estabelecerão na terra dos deuses se o martelo não for devolvido. Thor é vestido conforme o planejado e Loki é vestido como sua criada. Thor e Loki vão para Jötunheimr.

Entretanto, Thrym ordena a seus servos que se preparem para a chegada da filha de Njörðr. Quando "Freyja" chega pela manhã, Thrym fica surpreso com seu comportamento; seu imenso apetite por comida e hidromel é muito maior do que ele esperava, e quando Thrym tenta beijá-la por baixo do véu de "Freyja", ele acha os olhos dela aterrorizantes e foge correndo pelo corredor. Loki, disfarçado, dá desculpas para o comportamento estranho da noiva, alegando que ela simplesmente não comeu nem dormiu por oito dias. No final, os disfarces enganam com sucesso os gigantes e, ao vê-los, Thor recupera seu martelo à força.

No poema Oddrúnargrátr, Oddrún ajuda Borgny a dar à luz gêmeos. Em agradecimento, Borgny invoca vættir, Frigg, Freyja e outras divindades não especificadas.

Freyja é uma personagem principal no poema Hyndluljóð, onde auxilia seu fiel servo Óttar a encontrar informações sobre sua ancestralidade para que ele possa reivindicar sua herança. Ao fazer isso, Freyja transforma Óttar em seu javali, Hildisvíni, e, por meio de bajulação e ameaças de morte pelo fogo, Freyja consegue extrair do gigante Hyndla as informações que Óttar precisa. Freyja fala ao longo do poema e, em certo momento, elogia Óttar por construir um hörgr (um altar de pedras) e por frequentemente lhe oferecer blót (sacrifícios).

Tradução de Benjamin Thorpe:

“Ele me fez uma oferta ,
construída com pedras;
agora é a pedra
como o vidro se torna.
Com sangue de bois
Ele acabou de polvilhar.
Ottar alguma vez confiou no Asyniur.”




Edda em Prosa: Freyja aparece nos livros Gylfaginning e Skáldskaparmál da Edda em Prosa. No capítulo 24 de Gylfaginning, a figura entronizada de High diz que, após o deus Njörðr se separar da deusa Skaði, ele teve dois filhos belos e poderosos (nenhuma parceira é mencionada): um filho, Freyr, e uma filha, Freyja. Freyr é "o mais glorioso" dos deuses, e Freyja "a mais gloriosa" das deusas. Freyja tem uma morada nos céus, Fólkvangr, e sempre que Freyja "cavalga para a batalha, ela recebe metade dos mortos, e a outra metade para Odin [...]". Em apoio a isso, High cita a estrofe de Grímnismál mencionada na seção da Edda Poética acima.

High acrescenta que Freyja tem um grande e belo salão chamado Sessrúmnir, e que quando Freyja viaja, ela se senta em uma carruagem e conduz dois gatos, e que Freyja é "a mais acessível para as pessoas orarem, e de seu nome deriva o título honorífico pelo qual as damas nobres são chamadas de fruvor [damas nobres]". High acrescenta que Freyja tem uma predileção particular por canções de amor, e que "é bom orar a ela sobre assuntos amorosos".

No capítulo 29, High relata os nomes e características de várias deusas, incluindo Freyja. Sobre Freyja, High diz que, depois de Frigg, Freyja é a mais alta em posição entre elas e que ela possui o colar Brísingamen. Freyja é casada com Óðr, que faz longas viagens, e os dois têm uma filha muito bela chamada Hnoss. Enquanto Óðr está ausente, Freyja fica para trás e, em sua tristeza, chora lágrimas de ouro vermelho. High observa que Freyja tem muitos nomes e explica que isso ocorre porque Freyja os adotou enquanto procurava por Óðr e viajava "entre povos estranhos". Esses nomes incluem Gefn, Hörn, Mardöll, Sýr e Vanadís.

Freia em sua carruagem (por volta de 1905) de Emil Doepler.


Freyja desempenha um papel nos eventos que levam ao nascimento de Sleipnir, o cavalo de oito patas. No capítulo 42, High narra que, logo após os deuses construírem o salão Valhalla, um construtor (sem nome) veio até eles e ofereceu-se para construir, em três estações, uma fortificação tão sólida que nenhum gigante seria capaz de entrar vindo de Midgard. Em troca, o construtor queria Freyja como sua esposa, além do sol e da lua. Após alguma discussão, os deuses concordaram, mas com condições adicionais. Com o tempo, quando estava prestes a concluir sua obra, foi revelado que o construtor era, na verdade, um gigante, e foi morto por Thor. Enquanto isso, Loki, na forma de uma égua, foi fecundada pelo cavalo do gigante, Svaðilfari, e assim deu à luz Sleipnir. Para corroborar essa narrativa, High cita a estrofe de Völuspá que menciona Freyja. No capítulo 49, High relembra o funeral de Baldr e diz que Freyja compareceu ao funeral e lá conduziu sua carruagem de gato, a última referência à deusa em Gylfaginning.

No início do livro Skáldskaparmál, Freyja é mencionada entre oito deusas presentes em um banquete oferecido a Ægir. O capítulo 56 detalha o rapto da deusa Iðunn pelo gigante Þjazi, na forma de uma águia. Aterrorizado com a perspectiva de morte e tortura devido ao seu envolvimento no rapto de Iðunn, Loki pergunta se pode usar a "forma de falcão" (hamr) de Freyja para voar para o norte até Jötunheimr e recuperar a deusa desaparecida. Freyja permite, e usando sua "forma de falcão" e uma perseguição furiosa de Þjazi-águia, Loki a traz de volta com sucesso.

Heimdall devolve o colar de Freia (1846) de Nils Blommér. 


No capítulo 6, é fornecida uma forma de se referir a Njörðr que se refere a Frejya ("pai de Freyr e Freyja"). No capítulo 7, é fornecida uma forma de se referir a Freyr que se refere à deusa ("irmão de Freyja"). No capítulo 8, são fornecidas formas de se referir ao deus Heimdallr, incluindo "inimigo de Loki, recuperador do colar de Freyja", inferindo um mito envolvendo Heimdallr recuperando o colar de Freyja de Loki.

No capítulo 17, o gigante Hrungnir se encontra em Asgard, o reino dos deuses, e fica muito bêbado. Hrungnir se vangloria de que irá mover Valhalla para Jötunheimr, enterrar Asgard e matar todos os deuses — com exceção das deusas Freyja e Sif, que ele diz que levará para casa consigo. Freyja é a única que se atreve a lhe oferecer mais bebida. Hrungnir diz que beberá toda a cerveja delas. Depois de um tempo, os deuses se cansam das travessuras de Hrungnir e invocam o nome de Thor. Thor entra imediatamente no salão, com o martelo erguido. Thor está furioso e exige saber quem é o responsável por deixar um gigante entrar em Asgard, quem garantiu a segurança de Hrungnir e por que Freyja "deveria estar lhe servindo bebida como se estivesse no banquete dos Æsir".

No capítulo 18, são citados versos da composição Þórsdrápa, do escaldo do século X. Uma metáfora usada no poema refere-se a Freyja. No capítulo 20, são apresentadas formas poéticas de se referir a Freyja: "filha de Njörðr", "irmã de Freyr", "esposa de Óðr", "mãe de Hnoss", "possuidora dos mortos caídos e de Sessrumnir e gatos machos", possuidora de Brísingamen, "divindade Van", Vanadís e "divindade das belas lágrimas". No capítulo 32, são apresentadas formas poéticas de se referir ao ouro, incluindo "o choro de Freyja" e "chuva ou aguaceiro [...] dos olhos de Freyja".

O capítulo 33 conta que certa vez os deuses viajaram para visitar Ægir, um dos quais era Freyja. No capítulo 49, uma citação de uma obra do escaldo Einarr Skúlason emprega o kenning "chuva de olhos do companheiro de cama de Óðr", que se refere a Freyja e significa "ouro".

O capítulo 36 explica novamente que o ouro pode ser referido como o choro de Freyja devido às suas lágrimas de ouro vermelho. Em apoio a isso, são citadas obras dos escaldos Skúli Þórsteinsson e Einarr Skúlason que usam "lágrimas de Freyja" ou "choro de Freyja" para representar "ouro". O capítulo apresenta citações adicionais da poesia de Einarr Skúlason que fazem referência à deusa e ao seu filho Hnoss. Freyja recebe uma menção final na Edda em Prosa no capítulo 75, onde é fornecida uma lista de deusas que inclui Freyja.

Heimskringla: O livro Heimskringla, Saga dos Ynglinga, fornece um relato eumemerizado da origem dos deuses, incluindo Freyja. No capítulo 4, Freyja é apresentada como membro dos Vanir, irmã de Freyr e filha de Njörðr e sua irmã (cujo nome não é fornecido). Após o fim da Guerra Æsir-Vanir em um impasse, Odin nomeia Freyr e Njörðr como sacerdotes dos sacrifícios. Freyja torna-se a sacerdotisa das oferendas sacrificiais e foi ela quem introduziu a prática do seiðr aos Æsir, anteriormente praticada apenas pelos Vanir.

Freya (1901) de Anders Zorn.


No capítulo 10, o irmão de Freyja, Freyr, morre, e Freyja é a última sobrevivente entre os Æsir e Vanir. Freyja continua com os sacrifícios e torna-se famosa. A saga explica que, devido à fama de Freyja, todas as mulheres de posição social elevada passam a ser conhecidas pelo seu nome — frúvor ("damas"), uma mulher que é senhora de sua propriedade é chamada de freyja, e húsfreyja ("senhora da casa") para uma mulher que possui uma propriedade.

O capítulo acrescenta que Freyja não só era muito inteligente, como ela e o seu marido Óðr tiveram duas filhas imensamente belas, Gersemi e Hnoss, “que deram os seus nomes às nossas posses mais preciosas”. 

Outro: Freyja é mencionada nas sagas Egils saga, Njáls saga, Hálfs saga ok Hálfsrekka, e em Sörla þáttr.

Saga de Egil: Na saga de Egil , quando Egill Skallagrímsson se recusa a comer, sua filha Þorgerðr (aqui anglicizada como "Thorgerd") diz que ficará sem comer e assim morrerá de fome, e ao fazê-lo encontrará a deusa Freyja:

“Thorgerd respondeu em voz alta: "Não jantei, nem jantarei até me juntar a Freyja. Não conheço melhor caminho a seguir do que o do meu pai. Não quero viver depois que meu pai e meu irmão morrerem."”

Saga de Hálfs ok Hálfsrekka: No primeiro capítulo da saga lendária do século XIV, Hálfs saga ok Hálfsrekka, o rei Alrek tem duas esposas, Geirhild e Signy, e não pode ficar com ambas. Ele diz às duas mulheres que ficará com aquela que fizer a melhor cerveja para ele quando voltar para casa no verão. As duas competem e, durante o processo de fabricação da cerveja, Signy reza para Freyja e Geirhild para Hött ("hood"), um homem que ela havia encontrado anteriormente (revelado anteriormente na saga como sendo Odin disfarçado). Hött atende à sua oração e cospe em seu fermento. A cerveja de Signy vence a competição.

Sörla þáttr: Em Sörla þáttr, uma breve narrativa do final do século XIV, proveniente de uma versão posterior e ampliada da saga Óláfs Tryggvasonar encontrada no manuscrito Flateyjarbók, é apresentado um relato euhemerizado dos deuses. Nesse relato, Freyja é descrita como tendo sido uma concubina de Odin, que trocou sexo com quatro anões por um colar de ouro. Na obra, os Æsir outrora viviam em uma cidade chamada Asgard , localizada em uma região chamada "Ásialândia ou Ásia-Home". Odin era o rei do reino e nomeou Njörðr e Freyr sacerdotes do templo. Freyja era filha de Njörðr e concubina de Odin. Odin amava profundamente Freyja, e ela era "a mais bela mulher daquela época". Freyja possuía um belo aposento, e quando a porta era fechada, ninguém podia entrar sem a permissão de Freyja.

Freyja na caverna dos anões (título dado a esta ilustração no livro) Publicado em 1891 (e anteriormente, este livro teve várias edições e reimpressões).


O Capítulo 1 relata que um dia Freyja passou por uma pedra aberta onde viviam anões. Quatro anões estavam forjando um colar de ouro, que estava quase terminado. Ao verem o colar, os anões acharam Freyja a mais bela, e ela o achou o colar. Freyja ofereceu-se para comprar o colar deles com prata, ouro e outros objetos de valor. Os anões disseram que não lhes faltava dinheiro e que, em troca do colar, a única coisa que ela poderia oferecer seria uma noite com cada um deles. "Gostando ou não", Freyja concordou com as condições e, assim, passou uma noite com cada um dos quatro anões. As condições foram cumpridas e o colar era dela. Freyja voltou para seu aposento como se nada tivesse acontecido.

Conforme relatado no capítulo 2, Loki, a serviço de Odin, descobriu as ações de Freyja e contou a Odin. Odin disse a Loki para pegar o colar e trazê-lo para ele. Loki disse que, como ninguém podia entrar no aposento de Freyja contra a sua vontade, essa não seria uma tarefa fácil, mas Odin disse-lhe para não voltar até que tivesse encontrado uma maneira de obter o colar. Uivando, Loki se virou e foi até o aposento de Freyja, mas o encontrou trancado e não conseguiu entrar. Então Loki se transformou em uma mosca e, depois de ter dificuldade para encontrar até mesmo a menor das entradas, conseguiu encontrar um pequeno buraco no telhado, mas mesmo ali teve que se espremer para entrar.

Tendo entrado nos aposentos de Freyja, Loki olhou em volta para se certificar de que ninguém estava acordado e descobriu que Freyja estava dormindo. Ele pousou em sua cama e notou que ela estava usando o colar, com o fecho virado para baixo. Loki se transformou em uma pulga e pulou na bochecha de Freyja, mordendo-a. Freyja se mexeu, virando-se, e então adormeceu novamente. Loki removeu sua forma de pulga, desfez o fecho do colarinho, abriu o caramanchão e retornou a Odin.

Na manhã seguinte, Freyja acordou e viu que as portas de seu aposento estavam abertas, porém intactas, e que seu precioso colar havia desaparecido. Freyja teve uma ideia de quem era o responsável. Ela se vestiu e foi até Odin. Contou a Odin sobre a maldade que ele havia permitido contra ela e sobre o roubo de seu colar, e que ele deveria devolver suas joias.

Odin disse que, dado como ela o obteve, ela nunca o recuperaria. Isto é, com uma exceção: ela poderia tê-lo de volta se conseguisse fazer com que dois reis, cada um governando vinte reis, lutassem entre si, e lançasse um feitiço para que, cada vez que um deles caísse em batalha, eles se levantassem novamente e lutassem de novo. E que isso deveria continuar eternamente, a menos que um cristão de estatura particular entrasse na batalha e os derrotasse, só então eles permaneceriam mortos. Freyja concordou.

MJÖLNIR (MARTELO MÁGICO DA MITOLOGIA NÓRDICA)

Este martelo de Thor em prata, com ornamentação em filigrana, foi encontrado em um local desconhecido em Skåne e fazia parte da coleção do barão Claes Kurck, mas foi doado ao Museu Histórico de Estocolmo em 1895. Fontes não confiáveis sugerem que o martelo foi encontrado em Kabbarp, perto de Staffanstorp, em Skåne, Suécia.

Mjölnir (pronuncia-se /ˈmjɒlnɪər/ MYOL-neer, /ˈmjɔːlnɪər/ MYAWL-neer; do nórdico antigo Mjǫllnir [ˈmjɔlːnir]) é o martelo do deus do trovão Thor na mitologia nórdica, usado tanto como uma arma devastadora quanto como um instrumento divino para conceder bênçãos. O martelo é atestado em diversas fontes, incluindo o amuleto rúnico de Kvinneby, do século XI, a Edda Poética, uma coleção de poesia édica compilada no século XIII, e a Edda em Prosa, uma coleção de prosa e poesia compilada também no século XIII. O martelo era comumente usado como pingente durante a Era Viking na esfera cultural escandinava, e Thor e seu martelo aparecem representados em uma variedade de objetos do registro arqueológico. Hoje, o símbolo aparece em uma ampla variedade de mídias e é novamente usado como pingente por diversos grupos, incluindo adeptos do paganismo nórdico moderno.

ETIMOLOGIA

A etimologia do nome do martelo, Mjǫllnir, é controversa entre os linguistas históricos. O nórdico antigo Mjǫllnir desenvolveu-se a partir do proto-nórdico melluniaR e uma derivação proposta conecta esta forma ao eslavo eclesiástico antigo mlunuji e ao russo molnija, que significam 'relâmpago' (seja emprestado de uma fonte eslava ou ambos derivados de uma fonte comum), resultando posteriormente no significado de 'criador de relâmpagos'. Outra proposta conecta Mjǫllnir ao nórdico antigo mjǫll, que significa 'neve nova', e ao islandês moderno mjalli, que significa 'a cor branca', tornando Mjǫllnir como 'arma de relâmpago brilhante'. Finalmente, outra proposta conecta o nórdico antigo Mjǫllnir ao nórdico antigo mala, que significa 'moer', e ao gótico malwjan, também 'moer', resultando em Mjǫllnir como 'o moedor'. 

ATESTADOS

Amuleto de Kvinneby: Provavelmente usado ao redor do pescoço, o amuleto de Kvinneby é um pequeno amuleto de cobre encontrado em Öland, na Suécia, que data do século XI e apresenta uma inscrição em nórdico antigo (futhark jovem) que invoca Thor e seu martelo. Os runólogos Mindy MacLeod e Bernard Mees traduzem o amuleto da seguinte forma:

'Aqui eu talho para ti (runas de) ajuda, Bofi.

Socorro! O conhecimento (?) é certo para você.

E que o raio afaste todo o mal de Bofi.

Que Thor o proteja com seu martelo que veio do mar.

Fuja do mal! Ele (?) não consegue nada com Bofi.

Os deuses estão abaixo dele e acima dele.'

A inscrição do amuleto faz referência a narrativas registradas centenas de anos depois, tanto na Edda Poética quanto na Edda em Prosa.

Edda Poética: Na Edda Poética, Mjölnir é mencionado nos poemas eddicos Vafþrúðnismál, Hymiskviða, Lokasenna e Þrymskviða. Numa estrofe de Vafþrúðnismál, o sábio jötunn Vafþrúðnir diz ao deus disfarçado Odin que após os acontecimentos do Ragnarök, Móði e Magni, filhos de Thor, empunharão o Mjölnir:

Tradução de Benjamin Thorpe, 1866:

“Vidar e Vali habitarão os templos sagrados dos deuses,

Quando os incêndios de Surt forem extintos.

Môdi e Magni possuirão Miöllnir,

e a guerra se esforça para acabar.”

Em Hymiskviða, após obter um enorme caldeirão que o gigante (e oceano personificado) Ægir havia solicitado para que pudesse preparar a cerveja dos deuses, Thor luta contra gigantes malignos com o martelo (aqui referidos como baleias como recurso poético):

Tradução de Benjamin Thorpe, 1866:

“Ele tirou a chaleira dos ombros;

Miöllnir avançou em direção à tripulação selvagem,

e matou todos os gigantes da montanha,

que com Hýimir o fez perseguir.”

Em Lokasenna, no qual a divindade Loki e outros deuses trocam insultos. No poema, os deuses ameaçam Loki com Mjölnir como parte de um refrão repetido em todas as quatro estrofes em que ele fala.

O martelo é um ponto central do poema édico Þrymskviða. No poema, Thor acorda um dia e descobre que seu martelo sumiu. Furioso, o deus puxa a barba, sacode a cabeça e procura pela arma desaparecida. Thor consulta Loki, informando-o de que só ele sabe que seu martelo sumiu.

Thor e Loki vão até a deusa Freyja, e Loki pergunta se poderia usar sua vestimenta de penas. Freyja concorda prontamente, Loki veste a capa e voa para Jötunheimr. Lá ele encontra o gigante Þrymr sentado em um monte funerário cuidando de seus animais.

Os dois conversam, e Þrymr confirma a Loki que roubou o martelo. Þrymr diz que o enterrou profundamente no chão e que ninguém jamais o recuperará a menos que lhe tragam Freyja para ser sua esposa. Loki voa de volta para Asgard e encontra Thor. Thor pergunta a Loki se ele tem alguma notícia, e Loki conta a Thor o ultimato de Þrymr.

Thor e Loki vão até Freyja. Um dos dois pede a Freyja que coloque um adorno de cabeça de noiva e vá com eles para Jötunheim. Freyja fica TÃO FURIOSA com o pedido que o salão treme e seu colar, Brísingamen, se quebra. A deusa recusa. 

Os deuses se reúnem em conselho e discutem como recuperar o martelo. O deus Heimdallr propõe que Thor coloque um ADORNO DE CABEÇA DE NOIVA e use Brísingamen como se fosse Freyja. Thor inicialmente rejeita a proposta, mas Loki o convence de que, se não o fizer, os gigantes de Jötunheim que roubaram seu martelo logo chamarão Asgard de lar. Os deuses vestem Thor com trajes de noiva, Loki se veste como a criada de "Freyja" para acompanhá-lo, e os dois conduzem a carroça puxada por cabras de Thor até Jötunheimr, produzindo chamas e rachando montanhas ao longo do caminho.

Do pátio do salão, Þrymr avista a dupla chegando e ordena que sua comitiva se prepare jogando palha nos bancos do salão. Naquela noite, Þrymr diz que ficou surpreso ao encontrar sua noiva comendo e bebendo vorazmente, consumindo nove pratos principais — um boi e oito salmões — e três barris de hidromel. Loki responde que "Freyja" não havia comido nem bebido por oito noites antes desta, pois estava ansiosa para chegar a Jötunheimr.

Þrymr levanta o véu de noiva de "Freyja" para beijá-la, mas recua bruscamente: os olhos da noiva eram "aterrorizantes", como se "fogo estivesse queimando neles". Loki, disfarçado, explica que isso se devia ao fato de "Freyja" não ter dormido durante oito noites antes desta, pois estava ansiosa para chegar a Jötunheim (sobre o tema dos números três e nove na mitologia nórdica, veja números na mitologia nórdica).

Finalmente, Þrymr invoca Mjölnir para santificar a noiva com a ajuda da deusa Vár:

Tradução de Benjamin Thorpe, 1866:

“Então disse Thrym,

o senhor de Thursars:

Traga o martelo,

a noiva para consagrar;

deitar Miöllnir

no colo da donzela;

nos unem uns aos outros

pela mão de Vör.”

"Freyja" vê o martelo e RI internamente antes de o agarrar, matando Þrymr e outro jötunn, e golpeando os convidados do casamento reunidos. O poema termina com uma nota em prosa indicando que foi assim que o deus recuperou seu martelo.

Edda em Prosa: Mjölnir recebe menção ao longo dos livros Gylfaginning e Skáldskaparmál da Edda em prosa.

Gylfaginning: No início de Gylfaginning, High descreve o deus Thor e suas "três posses especiais": seu martelo Mjölnir, suas luvas de ferro Járngreipr e seu cinto Megingjörð. High explica que Thor deve usar suas luvas com seu martelo e que Mjölnir é bem conhecido entre os jötnar devido aos crânios de muitos jötunn que esmagou ao longo do tempo.

A figura entronizada do Terceiro conta, com relutância, uma história em que Thor e Loki estão viajando na carruagem de Thor, puxada por seus dois bodes, Tanngrisnir e Tanngnjóstr. Loki e Thor param na casa de um camponês, onde recebem abrigo por uma noite. Thor ABATE os bodes, os esfola e os coloca em uma panela. Quando os bodes estão cozidos, Loki e Thor sentam-se para a refeição da noite. Thor convida a família camponesa para compartilhar a refeição com ele, e eles aceitam.

Ao final da refeição, Thor coloca as peles de cabra do outro lado da fogueira e diz aos camponeses para jogarem os ossos das cabras sobre as peles. O filho do camponês, Þjálfi, pega um dos ossos do presunto de cabra e usa uma faca para abri-lo, quebrando o osso para chegar à medula. Depois de passar a noite na casa dos camponeses, Thor acorda e se veste antes do amanhecer. Thor pega o martelo Mjölnir, ergue-o e abençoa as peles de cabra. Ressuscitadas, as cabras se levantam, mas uma delas está manca da pata traseira. Notando essa nova claudicação, Thor exclama que alguém maltratou os ossos de suas cabras; que alguém quebrou o osso do presunto durante a refeição da noite anterior.

Em um conto narrado por Terceiro, os deuses Loki e Thor, juntamente com os servos de Thor, Þjálfi e Röskva, encontram uma enorme floresta ao chegarem a Jötunheimr. O grupo tem dificuldade em encontrar abrigo até que se deparam com um enorme e peculiar edifício com uma entrada muito larga. Eles decidem passar a noite na estrutura. À meia-noite, eles experimentam um terremoto e decidem vasculhar o edifício. Eles não encontram nada. Com Mjölnir em mãos, Thor guarda a entrada do salão até que o grupo ouve gemidos e estrondos intensos.

Ao amanhecer, Thor sai do salão e vê um homem enorme dormindo e roncando alto. Thor percebe que, na verdade, ouvira o ronco daquele homem tremendo. O deus coloca seu cinto, sua força aumenta e o homem se levanta. Vendo sua altura, Terceiro diz que "e dizem que Thor, por uma vez, teve medo de golpeá-lo com o martelo e lhe perguntou o nome". O homem grande diz que seu nome é Skrýmir e revela que Thor, Loki, Þjálfi e Röskva dormiram não em um salão, mas sim na luva de Skrýmir.

Skrýmir diz a Thor que ele não precisa se apresentar porque já sabe que ele é Thor. Mais tarde na viagem, Thor ataca Skrýmir enquanto ele dorme em três ocasiões distintas: na primeira, Skrýmir acorda e pergunta se uma folha caiu em sua cabeça; na segunda, Skrýmir acorda e pergunta se uma bolota caiu em sua cabeça; e na terceira e última, Skrýmir pergunta se pássaros acima dele podem ter derrubado galhos em sua cabeça.

Mais tarde, Skrýmir revela que tudo aquilo fora uma ilusão: por exemplo, o enorme Skrýmir era na verdade o feiticeiro Útgarða-Loki e os golpes que Thor desferiu o aterrorizaram: ele detalha que, se o tivessem atingido, o teriam matado, e que seus golpes abriram um vale profundo na paisagem.

Gylfaginning contém uma recontagem do material encontrado em Hymiskviða. Nesta versão, Thor atira seu martelo e decepa a cabeça da grande serpente Jörmungandr. Terceiro observa, no entanto, que não acredita que isso tenha ocorrido: Terceiro diz que acredita que a serpente ainda vive no mar, enrolada ao redor do mundo.

Mais tarde, em Gylfaginning, High narra a morte e o funeral do navio do deus Baldr. Os deuses são incapazes de mover o navio sozinhos e, portanto, pedem que a poderosa gigante Hyrrokkin venha de Jötunheim para ajudar. Hyrrokkin chega montada em um lobo com víboras como rédeas e empurra o navio; embora ele se lance ao primeiro toque, o empurrão também causa chamas intensas e terremotos. Isso enfurece Thor: ele deseja esmagar o crânio de Hyrrokkin com seu martelo, mas os outros deuses o convencem a não atacá-la.

O corpo de Baldr é levado para o navio. A esposa de Baldr, a deusa Nanna, vê isso e morre de tristeza. Os reunidos a colocam com Baldr na pira do navio, antes de incendiá-la. Thor consagra o navio tedioso com seu martelo. Um anão chamado Lit corre à sua frente, e ele o chuta para dentro das chamas, onde ele queima.

Gylfaginning conclui com uma previsão dos eventos do Ragnarök, durante o qual o mundo sofre cataclismos e desastres antes de retornar verde e belo. High descreve o retorno de vários deuses após o Ragnarök, incluindo os filhos de Thor, Móði e Magni, que retornam a Asgard empunhando o martelo de seu pai, Mjölnir. Este relato cita a estrofe de Völuspá acima.

Skáldskaparmál: O livro Skáldskaparmál da Edda em Prosa contém algumas menções ao martelo, incluindo uma menção na poesia escáldica. Uma seção dedicada a kennings usados pelos poetas para se referirem ao deus diz que Thor pode ser chamado de "governante e dono" de Mjölnir.

A seção cita um trecho do escaldo Bragi Boddason, do século IX, que faz referência ao martelo:

O aterrorizador de Oflugbardi [Thor] ergueu seu martelo na mão direita quando reconheceu o peixe-carvão que limita todas as terras [a serpente de Midgard].

A seção também cita um trecho de Gamli gnævaðarskáld que menciona o martelo:

Enquanto o senhor de Bilskirnir, que nunca alimentou a traição em seu coração, destruiu rapidamente o peixe do fundo do mar [serpente de Midgard] com a ruína das baleias [gigantes] [Miollnir].

Skáldskaparmál fornece um relato do uso de Mjölnir por Thor em uma luta com o gigante Hrungnir. Nele, depois que os deuses se cansaram da arrogância de Hrungnir em Asgard, eles chamam Thor, que aparece imediatamente, com seu martelo erguido. Thor finalmente duela com Hrungnir, e para o duelo Hrungnir traz uma pedra de amolar como arma. Thor atira o martelo em Hrungnir e Hrungnir responde atirando a pedra de amolar em Thor, e Mjölnir a divide em duas. Uma parte da pedra de amolar se torna a predecessora de todas as pedras de amolar, enquanto a outra parte se aloja na cabeça de Thor. Enquanto isso, Mjölnir esmaga o crânio de Hrungnir em fragmentos.

Em referência a este conto, a seção fornece excertos extensos de Haustlöng, uma obra atribuída ao escaldo Þjóðólfr de Hvinir, do século X. O poema de Þjóðólfr menciona Mjölnir em algumas instâncias diferentes, como "O cavalheiro de pedra [gigante] não teve que esperar muito depois disso por um golpe rápido do amigo [Thor] do troll de rosto de martelo [Miollnir] que esmaga multidões" e "Ali afundou o príncipe [gigante] da ravina [montanha] antes que o martelo resistente e o quebra-da-rocha [Thor] repelissem o poderoso e desafiador."

Skáldskaparmál também contém um relato em prosa do encontro de Thor com Geirröðr: A introdução em prosa observa que Thor chegou às cortes de Geirröðr sem seu martelo. Em seu lugar, ele usa um bastão dado a ele por seu amante jötunn, Gríðr.

A última menção ao martelo em Skáldskaparmál oferece uma explicação sobre sua fabricação pelos irmãos anões Eitri e Brokkr. Nessa narrativa, Loki corta o cabelo da deusa Sif. Ao descobrir isso, Thor agarra Loki e ameaça esmagar todos os ossos de seu corpo se ele não encontrar uma solução. Loki vai até os svartálfar, e para ele os Filhos de Ivaldi fazem três itens especiais: o cabelo de ouro de Sif, o navio de Freyr, Skíðblaðnir, e a lança de Odin, Gungnir.

Vendo isso, Loki aposta SUA CABEÇA com o anão Brokkr para ver se seu irmão Eitri consegue fazer mais três itens de igual qualidade. Enquanto Eitri trabalha nos três objetos preciosos, uma mosca entra na sala e o pica três vezes: primeiro, a mosca pousa no braço do anão e o pica, mas Brokkr não reage: ele coloca uma pele de porco na forja e dela retira o javali dourado Gullinbursti; segundo, a mosca pousa e pica a nuca do anão, mas ele não reage: depois de inserir ouro, ele retira da forja Draupnir, um anel de ouro que produz oito outros a cada nove noites; e terceiro e último, a mosca pousa na pálpebra do anão e o pica, fazendo com que o sangue turve sua visão. Mesmo assim, Brokkr insere ferro na forja e dele retira um martelo, Mjölnir.

Os deuses Odin, Thor e Freyr se reúnem para avaliar a qualidade desses itens. Ao examinar os itens e explicar suas funções, Brokkr diz o seguinte sobre Mjölnir:

“Então ele deu o martelo a Thor e disse que ele seria capaz de golpear com toda a força que quisesse, qualquer que fosse o alvo, e o martelo não falharia, e se ele o atirasse em algo, nunca erraria o alvo, e nunca voaria tão longe a ponto de não encontrar o caminho de volta para sua mão, e se ele quisesse, era tão pequeno que poderia ser guardado dentro de sua camisa. Mas havia um defeito nele: a ponta do martelo era um tanto curta.”

Os três deuses reunidos julgam que o martelo é o melhor de todos os objetos, e a história continua sem mais menção ao objeto.

REGISTRO ARQUEOLÓGICO

Pingentes de martelo, anéis, moedas, tipologia, taxonomia e base de dados Eitri: Cerca de 1000 pingentes com formatos distintos representando o martelo de Thor foram desenterrados no que hoje são os países nórdicos, Inglaterra, norte da Alemanha, países bálticos e Rússia. A maioria tem designs muito simples em ferro ou prata. Cerca de 100 têm designs mais elaborados com ornamentos. Os pingentes foram encontrados em diversos contextos (incluindo sítios urbanos e tesouros escondidos) e apresentam uma variedade de formatos. Em 2004, 10% de todos os achados eram de sepulturas, quase todas cremações. Os sepultamentos são frequentemente identificados como sepulturas femininas. Além de pingentes, o martelo foi encontrado representado em objetos como duas moedas árabes encontradas em um sítio arqueológico urbano. 

Aqui estão quatro exemplos de achados do Mjölnir, suas datações e o contexto de suas descobertas:

  1. Município de Verdal, Trøndelag, Noruega de Prata, decorada Sem data descoberta perdida
  2. Hilde, Município de Stryn, Noruega Anel com nove martelos no século X Encontrado em um túmulo de cremação feminino, dentro de um barco, em um monte.
  3. Kaupang, município de Larvik, Noruega de Ferro, sem decoração Por volta de 800–960.
  4. Købelev, município de Lolland, Dinamarca Inscrição do século X O único martelo encontrado possui uma inscrição rúnica; o texto diz "Hmar × is", que significa "Este é um martelo".
Em 1999, o arqueólogo alemão Jörn Staecker propôs uma tipologia para os achados de martelos com base no estilo decorativo e nas propriedades dos materiais (como âmbar, ferro ou prata). Em 2019, a acadêmica americana Katherine Suzanne Beard propôs uma extensão da tipologia com base em fatores como formato do martelo e tipo de suspensão. Em 2019, Beard também lançou o Eitri: The Norse Artifacts Database , um banco de dados online que lista inúmeros achados de martelos e inclui dados sobre sua composição e contexto de descoberta. [ 39 ]

O desenvolvimento dos pingentes de martelo tem sido objeto de estudo por diversos estudiosos. Os amuletos de martelo parecem ter se desenvolvido a partir de uma tradição anterior de pingentes semelhantes entre os povos germânicos do norte. [ 40 ] Os estudiosos também observaram que o martelo pode ter se desenvolvido a partir de um pingente usado por outros povos germânicos antigos, o chamado amuleto da clava de Hércules . [ 41 ] O aumento da popularidade do amuleto na Era Viking e algumas variantes de seu formato podem ter sido uma resposta ao uso de pingentes de cruz cristã que se tornaram mais comuns na região durante o processo de cristianização.

Em sepulturas de cremação da Era Viking na região de Mälaren , Åland e Rússia, foram encontrados o que os arqueólogos denominaram anéis de martelo de Thor. Trata-se de anéis de ferro com múltiplos amuletos presos; muitos, mas não todos, os amuletos têm a forma de martelos. Encontrados em urnas funerárias, em sepulturas de ambos os sexos, mas mais frequentemente em sepulturas femininas, os anéis de amuleto podem ter desempenhado um papel nas práticas de cremação, mas sua função exata é desconhecida. Os exemplos mais antigos são do Período Vendel , mas parecem ter se tornado mais comuns no final da Era Viking, o que pode estar relacionado a conflitos políticos e religiosos.

Pedras rúnicas e pedras pictóricas: Representações pictóricas do martelo de Thor aparecem em várias pedras rúnicas , como DR 26 , DR 48 e DR 120 na Dinamarca e VG 113 , Sö 86 e Sö 111 na Suécia. [ 44 ] Pelo menos três pedras retratam Thor pescando a serpente Jörmungandr , e duas delas apresentam martelos: a Pedra Rúnica de Altuna em Altuna , Suécia, e a representação de Gosforth em Gosforth , Inglaterra.

Como Beard observa, Thor "é o único deus conhecido que foi invocado para abençoar ou consagrar runas da Era Viking", um fato observado por estudiosos desde pelo menos o século XIX.

RECEPÇÃO E INTERPRETAÇÃO ACADÊMICA

Fontes latinas (Adão de Bremen e Saxo Grammaticus): Duas fontes descrevem Thor empunhando objetos semelhantes a martelos, embora não os descrevam como martelos. No século XI, o cronista Adão de Bremen registra em sua Gesta Hammaburgensis Ecclesiae Pontificum que uma estátua de Thor, a quem Adão descreve como "o mais poderoso", está localizada no Templo de Uppsala, no centro de um trono triplo (flanqueado por Odin e Fricco), situado em Gamla Uppsala, Suécia. Adão detalha que "Thor, segundo eles, governa o céu; ele rege o trovão e o relâmpago, os ventos e as tempestades, o bom tempo e a fertilidade" e que "Thor, com sua maça, se parece com Júpiter". Adão detalha que o povo de Uppsala havia nomeado sacerdotes para cada um dos deuses, e que os sacerdotes deveriam oferecer sacrifícios. No caso de Thor, continua ele, esses sacrifícios eram realizados quando a peste ou a fome ameaçavam. Anteriormente na mesma obra, Adam relata que em 1030 um pregador inglês, Wulfred, foi linchado por pagãos germânicos reunidos por "profanar" uma representação de Thor.

A Gesta Danorum, do autor dinamarquês do século XII Saxo Grammaticus, uma versão euhemerizada do deus, o retrata empunhando uma clava, um bastão feito de carvalho. Saxo fornece um conto euhemerizado sobre suas origens que, como a narrativa de Skáldskaparmál acima, descreve o martelo como tendo um cabo curto, confirmando uma tradição mais ampla tanto da brevidade do martelo quanto de seu papel na narrativa como uma arma destinada a proteger os deuses. Esta descrição ocorre no livro três da Gesta Danorum:

“Mas Thor estilhaçou todas as suas defesas de escudo com os golpes terríveis de seu bastão, incitando seus inimigos a atacá-lo tanto quanto seus companheiros o apoiavam. Não havia armadura que pudesse resistir aos seus golpes, nem ninguém que pudesse sobreviver a eles. Escudos, capacetes, tudo o que ele golpeava com seu bastão de carvalho era esmagado no impacto, e nem o tamanho ou a musculatura do corpo ofereciam qualquer proteção. Consequentemente, a vitória teria ido para os deuses, se Høther, cuja linha de homens se curvou para dentro, não tivesse avançado e tornado o bastão inútil ao cortar o cabo. Assim que lhes foi negada essa arma, as divindades fugiram.”

Diversos estudiosos consideraram essas armas como meras referências a Mjölnir. Beard observa que "os achados arqueológicos de martelos (mesmo aqueles contemporâneos ao relato de Adão) claramente não se assemelham em nada a essas armas em forma de clava, tornando possível que sua existência na literatura seja mais provavelmente resultado de interpretatio romana do que qualquer outra coisa (embora se deva lembrar que o irlandês Dagda também usa uma clava...). De fato, há apenas um único exemplo de um martelo feito de madeira em todo o [banco de dados Eitri], e esse artefato é um mero meio fragmento que pode nem ser um martelo."

Instrumentos do templo e significado cerimonial: Os registros nórdicos antigos mencionam Thor usando Mjölnir não apenas como uma arma temível, mas também como um meio de santificar ou consagrar. Por exemplo, como detalhado acima, Þrymskviða menciona que o martelo deveria ser trazido para santificar a noiva (que na verdade se revela Thor disfarçado), em Gylfaginning Thor revive seus bodes Tanngrisnir e Tanngnjóstr com o martelo, e em Skáldskaparmál Thor usa seu martelo para abençoar o navio de Baldr em seu funeral com Nana. Diversos itens do registro arqueológico invocam Thor para cura, alguns representando ou invocando explicitamente seu martelo. De acordo com o Livro 13 da Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, Magnus, o Forte, removeu grandes modelos de martelo de um templo dedicado a Thor (aqui referido como Júpiter via interpretatio romana) em 1125.

Tradução de Oliver Elton (1894):

“Ele teve o cuidado de trazer para casa certos martelos de peso incomum, que eles chamam de martelos de Júpiter, usados pelos homens da ilha em sua fé peculiar. Pois os homens da antiguidade, desejando compreender as causas do trovão e do relâmpago por meio da semelhança das coisas, usavam martelos grandes e maciços de bronze, com os quais acreditavam que o estrondo do céu poderia ser produzido, pensando que um ruído grande e violento poderia muito bem ser imitado pelo trabalho do ferreiro, por assim dizer. Mas Magnus, em seu zelo pelo ensinamento cristão e aversão ao paganismo, decidiu saquear o templo de seus utensílios e Júpiter de seus símbolos no lugar de sua santidade. E ainda hoje os suecos o consideram culpado de sacrilégio e de roubo de despojos pertencentes ao deus.”

Segundo Davidson, “pareceria de fato que o poder do deus do trovão, simbolizado por seu martelo, se estendia a tudo o que tinha a ver com o bem-estar da comunidade. Abrangia nascimento, casamento e morte, sepultamento e cerimônias de cremação, armas e banquetes, viagens, conquista de terras e a celebração de juramentos entre homens. A famosa arma de Thor não era apenas o símbolo do poder destrutivo da tempestade, do fogo do céu, mas também uma proteção contra as forças do mal e da violência.”

Idade do Bronze Nórdica e possíveis origens protoindo-europeias: Os petróglifos nórdicos da Idade do Bronze retratam figuras segurando martelos e armas semelhantes a martelos, como machados. Alguns estudiosos propuseram que estes representam precursores de Mjölnir. Como resume o estudioso Rudolf Simek, "como mostram as gravuras rupestres da Idade do Bronze de figuras divinas portando machados ou martelos, [Mjölnir] desempenhou um papel como instrumento de consagração desde cedo, provavelmente em um culto de fertilidade ...".

Thor é uma das várias divindades associadas ao trovão ou que o personificam, empunhando um objeto semelhante a um martelo associado a fenômenos como relâmpagos ou fogo em diversas mitologias. Em alguns casos, esses objetos em forma de martelo retornam à divindade quando arremessados ou resultam em mudanças climáticas. Exemplos frequentemente citados por estudiosos incluem o Indra védico, que empunha uma lança de relâmpagos; Júpiter, que lança raios; e a divindade celta Dagda, que carrega um porrete. Numerosos estudiosos identificaram o conceito de Thor e seu martelo, assim como Indra, Zeus e Dagda, como originário da mitologia protoindo-europeia.

Relação com a suástica e a crença popular islandesa: A suástica aparece em diversos objetos produzidos ou usados pelos antigos povos germânicos. No folclore islandês tardio, grimórios islandeses listam o símbolo da suástica como "martelo de Thor". De acordo com os runólogos Mindy MacLeod e Bernard Mees, "No início da era moderna, a descrição 'martelo de Thor' passou a ser aplicada às suásticas ('rodas solares'), e não aos símbolos de martelo vistos em inscrições rúnicas medievais. Da mesma forma, termos antes usados para outros símbolos também passaram a ser associados a novas formas, muitas vezes de origem incerta." Outros estudiosos propuseram que a suástica representava o martelo de Thor entre os antigos povos germânicos desde tempos remotos. A folclorista inglesa Hilda Ellis Davidson examina o uso da suástica no antigo registro arqueológico germânico (até 1964) e conclui que "Thor era o remetente do raio e o deus que distribuía tanto o sol quanto a chuva aos homens, e parece provável que a suástica, assim como o sinal do martelo, estivesse conectado a ele." 

CULTURA POPULAR MODERNA

Mjölnir é representado em uma variedade de mídias na era moderna. Como observado por Rudolf Simek, na arte "Thor é quase sempre representado com [Mjölnir]", mas a forma como o martelo aparece varia: às vezes pode aparecer como versões em forma de martelo do bastão de Hércules ou como uma grande marreta, às vezes exibindo influências retiradas do registro arqueológico. Exemplos incluem a pintura de Henry Fuseli de 1780, Thor Batendo na Serpente de Midgard; a estátua de Thor de HE Freund de 1821–1822; a estátua de mármore de Thor de BE Fogelberg de 1844; a pintura de Mårten Eskil Winge de 1872, A Luta de Thor com os Gigantes; o desenho de K. Ehrenberg de 1883, Odin, Thor e Magni; várias ilustrações de E. Doepler publicadas em Walhall de Wilhelm Ranisch em 1901 (Thor; Thor und die Midgardschlange; Thor den Hrungnir bekämpfend; Thor bei dem Riesen Þrym als Braut verkleidet; Thor bei Hymir; Thor bei Skrymir; Thor den Fluß Wimur durchwatend); os desenhos de JC Dollman de 1909, Thor e a Montanha e Sif e Thor; A pintura Thor de G. Poppe ; o desenho de E. Pottner, Thors Schatten, de 1914; Estátua de mármore de H. Natter, Thor; e ilustrações de U. Brember de 1977 para Die Heimholung des Hammers de HC Artmann.

Diversos locais, organizações e objetos receberam o nome em homenagem ao martelo. Exemplos incluem o Parque Mjølner em Copenhague, Dinamarca; a cratera Mjølnir, uma cratera de meteorito na costa da Noruega; o monumento Martelo de Thor em Quebec, Canadá; a montanha-russa Martelo de Thor no parque temático Tusenfryd, na Noruega; o clube de futebol norueguês FK Mjølner; e vários nomes de navios, incluindo o HNoMS Mjølner (1868) e diversos navios com o nome HSwMS Mjölner. Projetos musicais que adotaram o nome do martelo incluem a banda de metal americano-norueguesa Thorr's Hammer e a banda de rock islandesa Thor's Hammer. O município de Tórshavn, capital das Ilhas Faroé, apresenta uma representação de Mjölner em seu selo e brasão, assim como o município de Torsås, na Suécia.

Na era moderna, pingentes de Mjölnir são usados por uma variedade de pessoas e para uma variedade de propósitos. Por exemplo, o símbolo é comumente usado por adeptos do paganismo nórdico, um novo movimento religioso. Escrevendo em 2006, os estudiosos Jenny Blain e Robert J. Wallis observam que "o mais comum dos artefatos sagrados pagãos é o martelo de Thor" e acrescentam que "a espiritualidade pagã é expressa visual e publicamente de várias maneiras, como a exibição de artefatos reproduzidos (por exemplo, o martelo de Thor como um pingente…), peregrinações a locais sagrados (e oferendas votivas deixadas lá) e 'visitas' a coleções de museus com artefatos que oferecem ligações visuais diretas (e outras ligações ressonantes) com religiões antigas."


Nos Estados Unidos, o Martelo de Thor é oferecido como um emblema religioso (nº 55, "Martelo de Thor") para lápides de veteranos militares produzidas pela Administração Nacional de Cemitérios dos Estados Unidos.

Das Deutsche Buch' ("O Livro Alemão") publicado pela Associação de Fé Germânica em Berlim, Alemanha, em 1921.
Ludwig Fahrenkrog (1867 – 1952) foi um pintor, ilustrador, escultor e escritor alemão. Frequentou a Academia Real de Belas Artes de Berlim antes de ser nomeado professor em 1913. Lecionou na Escola de Artes e Ofícios de Bremen de 1898 a 1931. Também esteve envolvido na fundação de uma série de grupos religiosos (neopagãos) e völkisch (etnonacionalistas alemães) no início do século XX, como parte de um movimento para criar o que seus adeptos chamavam de "comunidade religiosa germânica".

Mitologia germânica; paganismo; neopaganismo; "Suástica de Thule"; Mjölnir (Martelo de Thor); etc.
Sem restrições de direitos autorais conhecidas.


O símbolo tem sido usado em alguns círculos nacionalistas brancos e neonazistas. Como observado na entrada do banco de dados de símbolos da Liga Antidifamação para "Martelo de Thor", "Embora suas origens tradicionais não sejam racistas, e embora a maioria dos praticantes de Asatru hoje não seja RACISTA, o símbolo do Martelo de Thor foi apropriado por NEONAZISTAS e outros SUPREMACISTAS BRANCOS, especialmente aqueles que praticam versões racistas ou supremacistas brancas de crenças neo-nórdicas sob o disfarce de Odinismo ou Wotanismo. Os supremacistas brancos muitas vezes até criam versões racistas do Martelo de Thor, incorporando suásticas ou outros símbolos de ódio na decoração." A acadêmica Katherine Beard observa que "a maioria das pessoas que usam pingentes de martelo hoje o fazem por razões culturais, religiosas ou decorativas e não mantêm absolutamente nenhum vínculo com quaisquer grupos ou crenças racistas".


FONTES: Beard, Katherine Suzanne. 2019. Hamarinn Mjǫllnir:The Eitri Database and the Evolution of the Hammer Symbol in Old Norse Mythology. MA database project. University of Iceland. Online. Last accessed 18 January 2021.

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Post nº 578 ✓
 

DEMÉTER (DEUSA DA AGRICULTURA NA MITOLOGIA GREGA)

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