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terça-feira, 11 de agosto de 2026

ASNO (SUBESPÉCIE DOS MAMÍFEROS AFRICANOS)

Asno no Red Rock Canyon National Conservation Area, perto de Las Vegas, Estados Unidos. Foto tirada por Tomás Del Coro de Las Vegas, Nevada, USA em 23 de maio de 2015, 12:02.
  • OUTROS NOMES: jumento, jegue, jerico, burro ou asno-doméstico
  • ESTADO DE CONSERVAÇÃO: domesticado
  • COLETIVO: Asnada, asnaria, récua, jumentada, burricada, burrada e burrama, tropa ou manada
  • REINO: Animalia
  • FILO: acordes
  • CLASSE: Mamíferos
  • INFRACLASSE: Placentália
  • ORDEM: Perissodáctilo
  • FAMÍLIA: Equídeos
  • GÊNERO: Équus
  • ESPÉCIES: E. africano
  • SUBESPÉCIE: E. a. assinus
  • NOME TRINOMIAL: Equus africanus asinus (Lineu, 1758)
O asno (nome científico: Equus africanus asinus) é uma subespécie doméstica do asno-selvagem-africano. É um mamífero perissodáctilo da família Equidae. De tamanho médio (conforme a raça), focinho e orelhas compridas, é utilizado desde a Pré-história como animal de carga. Os ancestrais selvagens dos asnos foram domesticados por volta de 5.000 a.C., praticamente ao mesmo tempo que os cavalos, e, desde então, têm sido utilizados pelos homens como animais de carga e montaria.

No Brasil, o termo "burro" pode por vezes designar, não a subespécie Equus africanus asinus, mas o cruzamento entre essa espécie e a Equus ferus caballus (cavalo) quando resulta num animal de gênero macho. Esses híbridos são designados em Portugal como "macho" no caso do gênero ser masculino e "mula" se feminino.

CARACTERÍSTICAS

Os burros variam consideravelmente em tamanho, dependendo da raça e das condições ambientais, e a altura na cernelha varia de menos de 90 centímetros (35 polegadas) a aproximadamente 150 cm (59 polegadas). Os burros de trabalho nos países mais pobres têm uma expectativa de vida de 12 a 15 anos; em países mais prósperos, podem ter uma expectativa de vida de 30 a 50 anos.

Os burros estão adaptados a terras desérticas marginais. Ao contrário dos cavalos selvagens e ferais, os burros selvagens em áreas secas são solitários e não formam haréns. Cada burro adulto estabelece um território; a reprodução em uma grande área pode ser dominada por um único jumento. O chamado alto ou zurro do burro, que normalmente dura vinte segundos e pode ser ouvido a mais de três quilômetros de distância, pode ajudar a manter contato com outros burros nas vastas extensões do deserto. Os burros têm orelhas grandes, que podem captar sons mais distantes e podem ajudar a resfriar o sangue do burro. Os burros podem se defender mordendo, golpeando com os cascos dianteiros ou dando coices com as patas traseiras. Sua vocalização, chamada zurro, é frequentemente representada em inglês como "hi-hi".

Cruz nas costas: A maioria dos burros tem listras dorsais e nos ombros, marcas primitivas que formam um padrão cruzado característico nas costas.

Reprodução: Uma jumenta normalmente fica prenha por cerca de 12 meses, embora o período de gestação varie de 11 a 14 meses, e geralmente dá à luz um único potro. Nascimentos de gêmeos são raros, embora menos frequentes do que em cavalos. Cerca de 1,7% das gestações de jumentas resultam em gêmeos; ambos os potros sobrevivem em cerca de 14% desses casos. Em geral, as jumentas têm uma taxa de concepção menor do que a dos cavalos (ou seja, menor do que a taxa de 60–65% para éguas).

Equus asinus de três semanas em Kadzidłowo, Polônia. Foto tirada em 24 de agosto de 2007.

Embora as jumentas entrem no cio dentro de 9 ou 10 dias após o parto, sua fertilidade permanece baixa e é provável que o trato reprodutivo ainda não tenha retornado ao normal. Assim, é comum esperar mais um ou dois ciclos estrais antes de uma nova reprodução, ao contrário da prática com éguas. As jumentas geralmente são muito protetoras de seus potros e algumas não entram no cio enquanto têm um potro ao lado. O intervalo de tempo envolvido na nova reprodução e a duração da gestação de uma jumenta significam que uma jumenta terá menos de um potro por ano. Devido a isso e ao período de gestação mais longo, os criadores de jumentos não esperam obter um potro todos os anos, como os criadores de cavalos costumam fazer, mas podem planejar três potros em quatro anos. 

Os burros podem cruzar com outros membros da família Equidae e são comumente cruzados com cavalos. O híbrido entre um jumento e uma égua é uma mula, valorizada como animal de trabalho e montaria em muitos países. Algumas raças de burros grandes, como o Asino di Martina Franca, o Baudet du Poitou e o Mammoth Jack, são criadas apenas para a produção de mulas. O híbrido entre um garanhão e uma jumenta é um bardoto e é menos comum. Como outros híbridos interespecíficos, mulas e bardotos geralmente são estéreis. Os burros também podem cruzar com zebras, caso em que a cria é chamada de zonkey (entre outros nomes).

Comportamento: Os burros têm uma reputação notória de teimosia, mas isso tem sido atribuído a um senso de autopreservação muito mais forte do que o exibido pelos cavalos. Provavelmente devido a um instinto de presa mais forte e a uma conexão mais fraca com os humanos, é consideravelmente mais difícil forçar ou assustar um burro a fazer algo que ele perceba como perigoso por qualquer motivo. Uma vez que uma pessoa conquista sua confiança, eles podem ser parceiros dispostos e companheiros, e muito confiáveis no trabalho.

Embora os estudos formais sobre seu comportamento e cognição sejam bastante limitados, os burros parecem ser BASTANTE INTELIGENTES, cautelosos, amigáveis, BRINCALHÕES E ANSIOSOS para aprender.

CUIDADO

Ferragem:

Ferradura de burro com cravos, fotografada nas Montanhas Reatini, perto de Cantalice, província de Rieti, Itália. Foto tirada em 11 de junho de 2011.

Os cascos dos burros são mais elásticos do que os dos cavalos e não se desgastam naturalmente tão rapidamente. Pode ser necessário tosar regularmente; a negligência pode levar a danos permanentes. Burros de trabalho podem precisar ser ferrados. As ferraduras para burros são semelhantes às ferraduras para cavalos, mas geralmente menores e sem presilhas nos dedos.

Nutrição: Em seus climas áridos e semiáridos nativos, os burros passam mais da metade do dia forrageando e se alimentando, frequentemente de arbustos de baixa qualidade. O burro possui um sistema digestivo resistente, no qual o alimento volumoso é decomposto eficientemente pela fermentação no intestino grosso, ação microbiana no ceco e no intestino grosso. Embora não haja diferença estrutural marcante entre o trato gastrointestinal de um burro e o de um cavalo, a digestão do burro é mais eficiente. Ele precisa de menos alimento do que um cavalo ou pônei de altura e peso comparáveis, aproximadamente 1,5% do peso corporal por dia em matéria seca, em comparação com a taxa de consumo de 2–2,5% possível para um cavalo. Os burros também são menos propensos a cólicas. As razões para essa diferença não são totalmente compreendidas; o burro pode ter uma flora intestinal diferente da do cavalo ou um tempo de retenção intestinal mais longo.

Os burros obtêm a maior parte da sua energia a partir de hidratos de carbono estruturais. Alguns sugerem que um burro deve ser alimentado apenas com palha (de preferência palha de cevada), complementada com pastoreio controlado no verão ou feno no inverno, para obter toda a energia, proteína, gordura e vitaminas de que necessita; outros recomendam a alimentação com algum grão, particularmente para animais de trabalho, e outros desaconselham a alimentação com palha. Eles prosperam melhor quando lhes é permitido consumir pequenas quantidades de alimento durante longos períodos. Podem satisfazer as suas necessidades nutricionais com 6 a 7 horas de pastoreio por dia em pastagens secas médias que não estejam afetadas pela seca. Se forem trabalhados durante longas horas ou não tiverem acesso a pastagens, necessitam de feno ou forragem seca semelhante, com uma proporção não superior a 1:4 de leguminosas para erva. Também necessitam de suplementos de sal e minerais e de acesso a água limpa e fresca. Em climas temperados, a forragem disponível é muitas vezes demasiado abundante e rica; A superalimentação pode causar ganho de peso e obesidade, e levar a distúrbios metabólicos como laminite e hiperlipidemia ou a úlceras gástricas.

Em todo o mundo, os burros de trabalho estão associados aos muito pobres, àqueles que vivem no nível de subsistência ou abaixo dele. Poucos recebem alimentação adequada e, em geral, os burros em todo o Terceiro Mundo são subnutridos e sobrecarregados de trabalho.

NOMENCLATURA

Tradicionalmente, o nome científico do jumento é Equus asinus asinus, com base no princípio da prioridade utilizado para nomes científicos de animais. No entanto, a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica decidiu em 2003 que, se as espécies doméstica e selvagem forem consideradas subespécies de uma espécie comum, o nome científico da espécie selvagem tem prioridade, mesmo quando essa subespécie foi descrita depois da subespécie doméstica. Isto significa que o nome científico correto para o jumento é Equus africanus asinus quando é considerado uma subespécie e Equus asinus quando é considerado uma espécie.

Em certa época, o sinônimo asno era o termo mais comum para burro. O primeiro uso registrado de burro data de 1784 ou 1785. Embora a palavra asno tenha cognatos na maioria das outras línguas indo-europeias, burro é uma palavra etimologicamente obscura para a qual nenhum cognato plausível foi identificado. As hipóteses sobre sua derivação incluem as seguintes:
  1. talvez do espanhol por sua gravidade semelhante à de um don; o burro também era conhecido como "o trompetista do Rei da Espanha";
  2. talvez um diminutivo de dun (castanho-acinzentado opaco), uma cor típica de burro;
  3. talvez do nome Duncan;
  4. talvez de origem imitativa.
A partir do século XVIII, "donkey" substituiu gradualmente "ass" e "jenny" substituiu "she-ass" , que agora é considerado arcaico. A mudança pode ter ocorrido devido a uma tendência de evitar termos pejorativos na fala e pode ser comparável à substituição, no inglês norte-americano, de "rooster" por "cock". No final do século XVII, mudanças na pronúncia de " ass" e "arse" fizeram com que se tornassem homófonos em algumas variedades do inglês. Outras palavras usadas para "ass" em inglês a partir dessa época incluem "cuddy" na Escócia, "neddy" no sudoeste da Inglaterra e "dicky" no sudeste da Inglaterra;  "moke" é documentado no século XIX e pode ser de origem galesa ou romani.

Burro é uma palavra tanto em espanhol quanto em português. Nos Estados Unidos, é comumente aplicada aos burros selvagens que vivem a oeste das Montanhas Rochosas; também pode se referir a qualquer burro pequeno.

USOS

Camponês do interior do estado do Maranhão, Brasil, usando um jumento como meio de transporte.

O burro tem sido usado como animal de trabalho há pelo menos5000 anos. Dos mais de 40 milhões de burros no mundo, cerca de 96% estão em países subdesenvolvidos, onde são usados principalmente como animais de carga ou para trabalho de tração no transporte ou na agricultura. Depois do trabalho humano, o burro é a forma mais barata de força agrícola. Eles também podem ser montados ou usados para debulhar, levantar água, moer grãos e outros trabalhos. Algumas culturas que proíbem as mulheres de trabalhar com bois na agricultura não estendem esse tabu aos burros.

Nos países desenvolvidos onde o seu uso como animais de carga desapareceu, os burros são usados para gerar mulas, para guardar ovelhas, para passeios de burro para crianças ou turistas e como animais de estimação. Os burros podem pastar ou ser mantidos em estábulos com cavalos e póneis e acredita-se que tenham um efeito calmante em cavalos nervosos. Se um burro for introduzido a uma égua e potro, o potro pode recorrer ao burro em busca de apoio depois de ter sido desmamado da mãe.

Nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, os burros são usados como animais de guarda de rebanho para animais de menor porte, como ovelhas. Quando trabalham como animais de guarda de rebanho, também chamados de animais de controle de predadores ou protetores móveis de rebanho, os burros zurram alto e atacam potenciais predadores dando coices com os cascos dianteiros. Em 2019, os burros representavam 14,2% dos animais de guarda de rebanho nos Estados Unidos.

Alguns burros são ordenhados ou criados para carne. Aproximadamente 3,5 milhões de burros e mulas são abatidos anualmente para consumo de carne em todo o mundo. Na Itália, país com o maior consumo de carne equina na Europa e onde a carne de burro é o principal ingrediente de diversos pratos regionais, cerca de 1.000 burros foram abatidos em 2010, rendendo aproximadamente 100 toneladas (98 toneladas longas; 110 toneladas curtas) de carne. O leite de burro pode atingir bons preços: o preço médio na Itália em 2009 era de € 15 por litro, e um preço de € 6 por 100 ml foi relatado na Croácia em 2008; ele é usado em sabonetes e cosméticos, bem como para fins alimentares. Os nichos de mercado tanto para leite quanto para carne estão em expansão. No passado, a pele de burro era usada na produção de pergaminho. Em 2017, a instituição de caridade The Donkey Sanctuary, sediada no Reino Unido, estimou que 1,8 milhões de peles eram comercializadas todos os anos, mas a procura poderia chegar aos 10 milhões.

Na China, a carne de burro é considerada uma iguaria, com alguns restaurantes especializados em pratos desse tipo, e os restaurantes Guo Li Zhuang oferecem os genitais de burros em seus pratos. A gelatina de pele de burro é produzida mergulhando e cozinhando a pele para fazer um produto da medicina tradicional chinesa. O Ejiao, gelatina produzida pela fervura de peles de burro, pode ser vendido por até US$ 388 por quilograma, a preços de outubro de 2017.

Em tempos de guerra: Durante a Primeira Guerra Mundial, John Simpson Kirkpatrick, um maqueiro britânico que servia no Corpo de Exército Australiano e Neozelandês, e Richard Alexander "Dick" Henderson, do Corpo Médico da Nova Zelândia, usaram burros para resgatar soldados feridos do campo de batalha em Gallipoli.

Tenente Richard Alexander "Dick" Henderson, do Corpo Médico da Nova Zelândia, transportando um soldado ferido em um burro durante a Batalha de Galípoli. Por muitos anos, acreditou-se que esta fosse uma foto do maqueiro australiano John Simpson Kirkpatrick, e ela circulou amplamente como tal. A imagem foi utilizada pelo artista neozelandês Horace Moore-Jones como base para uma pintura de 1917, *The Man with the Donkey* (AWM ART92147), dedicada "à memória de nosso herói e camarada 'Murphy' (Simpson), morto em maio de 1915". Fotografia do Sargento James G. Jackson (Nova Zelândia), de 12 de maio de 1915.

Segundo o escritor britânico de gastronomia Matthew Fort, os burros eram usados no exército italiano. Os fuzileiros de montanha tinham cada um um burro para transportar o seu equipamento e, em circunstâncias extremas, o animal podia ser comido.

Burros também foram usados para transportar explosivos em conflitos, incluindo a guerra no Afeganistão e outros. Em 2025, burros foram distribuídos às forças russas que participavam da invasão da Ucrânia para transportar suprimentos, com autoridades russas alegando problemas logísticos como motivo.

HISTÓRIA

Acredita-se que o gênero Equus, que inclui todos os equídeos existentes, tenha evoluído de Dinohippus, através da forma intermediária Plesippus. Uma das espécies mais antigas é Equus simplicidens, descrita como semelhante a uma zebra com cabeça em forma de burro. O fóssil mais antigo até o momento tem aproximadamente 3,5 milhões de anos e foi encontrado no estado americano de Idaho. O gênero parece ter se espalhado rapidamente pelo Velho Mundo, com o Equus livenzovensis, de idade semelhante, documentado na Europa Ocidental e na Rússia.

Filogenias moleculares indicam que o ancestral comum mais recente de todos os equídeos modernos (membros do gênero Equus) viveu há cerca de 5,6 (3,9–7,8) milhões de anos. O sequenciamento paleogenômico direto de um osso metapodial de cavalo do Pleistoceno Médio, com 700.000 anos, do Canadá, implica uma data mais recente de 4,07 milhões de anos antes do presente para o ancestral comum mais recente (ACMR), dentro da faixa de 4,0 a 4,5 milhões de anos AP. As divergências mais antigas são as dos hemiones asiáticos (subgênero E. (Asinus), incluindo o kulan, o onagro e o kiang), seguidas pelas zebras africanas (subgêneros E. (Dolichohippus) e E. ( Hippotigris)). Todas as outras formas modernas, incluindo o cavalo domesticado (e muitas formas fósseis do Plioceno e Pleistoceno), pertencem ao subgênero E. (Equus), que divergiu há cerca de 4,8 (3,2–6,5) milhões de anos.

Os ancestrais do jumento moderno são as subespécies núbia e somali do asno selvagem africano. Restos de jumentos domésticos datados do quarto milênio a.C. foram encontrados em Ma'adi, no Baixo Egito, e acredita-se que a domesticação do jumento tenha ocorrido muito depois da domesticação do gado, ovelhas e cabras, no sétimo e oitavo milênios a.C. Os jumentos provavelmente foram domesticados pela primeira vez por povos pastores na Núbia, e suplantaram o boi como o principal animal de carga dessa cultura. Evidências genéticas indicam que os povos de língua cuchítica no Chifre da África e ao longo das Colinas do Mar Vermelho domesticaram o animal separadamente. A domesticação dos jumentos serviu para aumentar a mobilidade das culturas pastoris, tendo a vantagem sobre os ruminantes de não precisarem de tempo para ruminar, e foi vital para o desenvolvimento do comércio de longa distância em todo o Egito. Na era da IV Dinastia do Egito, entre 2675 e 2565 a.C., membros ricos da sociedade possuíam mais de 1.000 burros, empregados na agricultura, como animais leiteiros e de carne e como animais de carga. Em 2003, o túmulo do Rei Narmer ou do Rei Hor-Aha (dois dos primeiros faraós egípcios) foi escavado e os esqueletos de dez burros foram encontrados enterrados de maneira geralmente usada para humanos de alto escalão. Esses enterros mostram a importância dos burros para o antigo Estado egípcio e seu governante.

No final do quarto milênio a.C., o burro havia se espalhado pelo sudoeste da Ásia, e o principal centro de criação havia se deslocado para a Mesopotâmia por volta de 1800 a.C. A criação de grandes burros brancos de montaria tornou Damasco famosa, enquanto criadores sírios desenvolveram pelo menos três outras raças, incluindo uma preferida pelas mulheres por sua marcha fácil. O burro de Mascate ou do Iêmen foi desenvolvido na Arábia. No segundo milênio a.C., o burro foi levado para a Europa, possivelmente ao mesmo tempo em que a viticultura foi introduzida, já que o burro é associado ao deus sírio do vinho, Dionísio. Os gregos espalharam ambos para muitas de suas colônias, incluindo aquelas no que hoje são a Itália, a França e a Espanha; os romanos os dispersaram por todo o seu império.

Os primeiros burros chegaram às Américas nos navios da Segunda Viagem de Cristóvão Colombo e desembarcaram em Hispaniola em 1495. Os primeiros a chegar à América do Norte podem ter sido dois animais levados para o México por Juan de Zumárraga , o primeiro bispo do México, que lá chegou em 6 de dezembro de 1528, enquanto os primeiros burros a chegar ao que hoje são os Estados Unidos podem ter cruzado o Rio Grande com Juan de Oñate em abril de 1598. A partir de então, eles se espalharam para o norte, sendo utilizados em missões e minas. Há registros da presença de burros no que hoje é o Arizona em 1679. Durante a Corrida do Ouro do século XIX, o burro era o animal de carga preferido dos primeiros garimpeiros no oeste dos Estados Unidos. Ao final do boom da mineração de aluvião, muitos deles escaparam ou foram abandonados, e uma população selvagem se estabeleceu.

Estado de conservação: Cerca de 41 milhões de burros foram relatados em todo o mundo em 2006. A China tinha o maior número, com 11 milhões, seguida pelo Paquistão, Etiópia e México. Em 2017, no entanto, a população chinesa foi relatada como tendo caído para 3 milhões, com as populações africanas também sob pressão, devido ao aumento do comércio e da demanda por produtos de burro na China. Alguns pesquisadores acreditam que o número real pode ser um pouco maior, já que muitos burros não são contabilizados.

Em 1997, o número de burros no mundo continuava a crescer, como vinha acontecendo de forma constante ao longo da maior parte da história; os fatores citados como contribuintes para isso foram o aumento da população humana, o progresso no desenvolvimento econômico e na estabilidade social em algumas nações mais pobres, a conversão de florestas em terras agrícolas e de pastagem, o aumento dos preços de veículos motorizados e combustíveis e a popularidade dos burros como animais de estimação. Desde então, a população mundial de burros tem diminuído rapidamente, caindo de 43,7 milhões para 43,5 milhões entre 1995 e 2000, e para apenas 41 milhões em 2006. A queda na população é acentuada nos países desenvolvidos; na Europa, o número total de burros caiu de 3 milhões em 1944 para pouco mais de 1 milhão em 1994.

O Sistema de Informação sobre Diversidade de Animais Domésticos (DAD-IS) da FAO listou 189 raças de asnos em junho de 2011. Em 2000, o número de raças de burros registadas em todo o mundo era de 97 e, em 1995, de 77. O rápido aumento é atribuído à atenção dada à identificação e ao reconhecimento de raças de burros pelo projeto de Recursos Genéticos Animais da FAO. A taxa de reconhecimento de novas raças tem sido particularmente elevada em alguns países desenvolvidos. Em França, apenas uma raça, a Baudet du Poitou, era reconhecida até ao início da década de 1990; em 2005, mais seis raças de burros tinham reconhecimento oficial.

Nos países desenvolvidos, o bem-estar dos burros, tanto no país como no estrangeiro, tornou-se uma preocupação, tendo sido criados vários santuários para burros reformados e resgatados. O maior deles é o The Donkey Sanctuary, perto de Sidmouth, Inglaterra, que também apoia projetos de bem-estar de burros no Egito, Etiópia, Índia, Quénia e México.

Em 2017, a queda no número de burros chineses, combinada com o fato de que eles se reproduzem lentamente, fez com que os fornecedores chineses começassem a olhar para a África. Como resultado do aumento da demanda e do preço que podia ser cobrado, o Quênia abriu três matadouros de burros. As preocupações com o bem-estar dos burros levaram vários países africanos (incluindo Uganda, Tanzânia, Botsuana, Níger, Burkina Faso, Mali e Senegal) a proibir a China de comprar seus produtos derivados de burros.

Em 2019, o Donkey Sanctuary alertou que a população global de burros poderia ser reduzida pela metade na próxima meia década, à medida que a demanda por ejiao aumenta na China.

POPULAÇÕES SELVAGENS

Em algumas áreas, os burros domésticos retornaram à vida selvagem e estabeleceram populações selvagens, como as do burro da América do Norte e do burro Asinara da Sardenha, Itália, ambos com status de proteção. Burros selvagens também podem causar problemas, principalmente em ambientes que evoluíram livres de qualquer forma de equídeo, como o Havaí.Há uma pequena comunidade de burros selvagens em St. John, Ilhas Virgens Americanas, descendentes dos animais trazidos por colonos dinamarqueses para o trabalho agrícola. Embora contribuam para o charme da ilha, eles também causam problemas como danos à vegetação e riscos nas estradas, levando a esforços de controle populacional. Na Austrália, onde pode haver 5 milhões de burros selvagens, eles são considerados uma praga invasora e têm um sério impacto no meio ambiente. Eles podem competir com o gado e animais nativos por recursos, espalhar ervas daninhas e doenças, sujar ou danificar poços d'água e causar erosão.

HÍBRIDOS DE BURRO

O primeiro híbrido de burro documentado foi o kunga, que era usado como animal de tração nos reinos sírio e mesopotâmico da segunda metade do 3º milênio a.C. Resultado do cruzamento entre um asno selvagem sírio macho em cativeiro e uma jumenta doméstica, representa o exemplo mais antigo conhecido de hibridização animal dirigida por humanos. Eles eram produzidos em um centro de criação em Nagar (atual Tell Brak) e vendidos ou dados como presentes por toda a região, onde se tornaram importantes símbolos de status, puxando carroças de batalha e as carruagens dos reis, e também sendo sacrificados para serem enterrados com pessoas de alto status. Caíram em desuso após a introdução do cavalo doméstico e de seu híbrido de burro, a mula, na região no final do 3º milênio a.C.

Um jumento macho (burro) cruzado com uma égua produz uma MULA, enquanto um cavalo macho cruzado com uma jumenta produz um BARDOTO. Híbridos de cavalo e jumento são quase sempre estéreis devido à falha de seus gametas em desenvolvimento em completar a meiose. A menor produção de progesterona da jumenta também pode levar à perda embrionária precoce. Além disso, existem razões não diretamente relacionadas à biologia reprodutiva. Devido ao comportamento de acasalamento diferente, os jumentos machos geralmente estão mais dispostos a cobrir éguas do que os garanhões a cobrir jumentas. Além disso, as éguas geralmente são maiores do que as jumentas e, portanto, têm mais espaço para o potro crescer no útero, resultando em um animal maior ao nascer. Acredita-se comumente que as mulas são mais fáceis de manejar e também fisicamente mais fortes do que os bardotos, tornando-as mais desejáveis para os criadores.

A cria de um cruzamento entre zebra e jumento é chamada de zonkey, zebroid, zebrass ou zedonk; zebra mula é um termo mais antigo, mas ainda usado em algumas regiões hoje em dia. Os termos anteriores geralmente se referem a híbridos produzidos pelo cruzamento de um zebra macho com uma jumenta. Zebra hinny, zebret e zebrinny se referem ao cruzamento de uma zebra fêmea com um jumento macho. Zebrinnies são mais raros do que zedonkies porque as zebras fêmeas em cativeiro são mais valiosas quando usadas para produzir zebras de raça pura. Não há zebras fêmeas suficientes se reproduzindo em cativeiro para disponibilizá-las para hibridização; não há tal limitação no número de jumentas se reproduzindo.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

OUSADIA (VIGOR E BRAVURA EM AÇÃO)




A ousadia é o oposto da timidez. Ser audacioso implica uma disposição para realizar coisas apesar dos riscos

Por exemplo, no contexto da sociabilidade, uma pessoa ousada pode estar disposta a arriscar a vergonha ou a rejeição em situações sociais, ou a infringir regras de etiqueta ou polidez. Uma pessoa excessivamente ousada poderia pedir dinheiro de forma agressiva ou insistir persistentemente para que alguém atenda a um pedido.

A palavra "ousado" também pode ser usada como sinônimo de "impudente"; por exemplo, uma criança pode ser punida por ser "ousada" por agir de forma desrespeitosa com um adulto ou por se comportar mal.

A ousadia como virtude filosófica era admirada pelos antigos gregos.

A ousadia pode ser contrastada com a coragem, visto que esta última implica ter medo, mas enfrentá-lo.

DESCRIÇÃO

Na ecologia comportamental, o continuum tímido⟷ousado é estudado tal como existe em humanos e em certas outras espécies. A timidez e a ousadia representam "uma propensão para correr riscos". Os indivíduos ousados tendem a tornar-se dominantes, revelando uma correlação entre ousadia e dominância social.

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Aquinas, Thomas (2005). The Cardinal Virtues. Translated by Regan, Richard J. p. 116. Is boldness a sin? Boldness is an emotion. But emotion sometimes is moderated by reason and sometimes lacks the measure of reason, whether by excess or deficiency, and emotion is sinful in this respect.

 Alexander, L., 62. Acts, in Barton, J. and Muddiman, J. (2001), The Oxford Bible Commentary Archived 2017-11-22 at the Wayback Machine, p. 1034

 Sloan Wilson, David; Clark, Anne B.; Coleman, Kristine; Dearstyne, Ted (1994-11-01). "Shyness and boldness in humans and other animals". Trends in Ecology & Evolution. 9 (11): 442–446. doi:10.1016/0169-5347(94)90134-1. ISSN 0169-5347. PMID 21236920.

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terça-feira, 21 de abril de 2026

BAMBAMBÃ (GÍRIA BRASILEIRO DE ORIGEM AFRICANA)

Romário, do Flamengo, comemora seu quarto gol no Rio de Janeiro, em 7 de outubro de 1999. O veterano atacante brasileiro, demitido do Flamengo em 15 de novembro por "indisciplina" após participar de uma festa na véspera de uma importante partida do clube, deve jogar pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita, no Mundial de Clubes em janeiro. Ele assinou um contrato de três meses com o Al-Nassr. (Crédito da foto: VANDERLEI ALMEIDA/AFP via Getty Images).
  • CLASSE GRAMATICAL: adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
  • SEPARAÇÃO SILÁBICA: bam-bam-bã
  • PLURAL: bambambãs
  • SINÔNIMOS: tal, bicho, bom, bamba, batuta, fera, maioral, ás, gênio, craque.
  • QUANTIDADE DE LETRAS: 8 (oito)
  • VOGAIS: a, ã
  • CONSOANTES: b, m
  • VERBO NO LADO OPOSTO: ãbmabmab
  • RIMAS: divã, jaçanã, cidadã, irmã, castelã, amanhã, tantã, romã, tupã, maçã, hortelã, manhã, avelã, barmanhã, cã, cardigã, flã, dobermancristã, sedã, hancauã, balangandã
Bambambã é uma gíria brasileira para alguém valente, influente ou perito em um assunto (sumidade). Também refere-se a um bar/coquetelaria em Brasília ou um curta-metragem documental brasileiro. Origina-se do quimbundo mbamba-mbamba, significando mestre.

EM OUTROS IDIOMAS

Em Espanhol: Pez gordo, Capo, El que parte el bacalao

Em Inglês: Bigwig, Big shot, Top dog

FONTES: https://www.dicio.com.br/bambamba/

https://dicionario.priberam.org/bambamb%C3%A3

https://www.sinonimos.com.br/bambamba/

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

PRONOME (PALAVRA QUE REPRESENTA UM TERMO)

Bótons de pronomes. Foto tirada em 13 de setembro de 2024, 21:25:41.

Na linguística, os pronomes são um conjunto fechado de palavras de uma língua que podem substituir, modificar ou retomar substantivos variados ou frases derivadas deles, na formação de sentenças, tratando-se de um tipo particular de proforma. Há vários tipos de pronomes como o Pronome Interrogativo e Pronomes Indefinidos. Em geral, os empregos de cada pronome podem depender da natureza gramatical ou semântica do substantivo representado, de sua função gramatical na sentença, e das palavras próximas. A associação (dêixis) entre o pronome e a entidade que ele representa é geralmente definida pelo contexto e pode mudar ao longo do discurso.

Na língua portuguesa, em particular, há algumas dezenas de pronomes, como "eu", "lhe", "que", "cujo" e "isto", que podem substituir substantivos ou frases preposicionais derivadas deles. Pronomes podem portanto ter as funções típicas de substantivos (sujeito, objeto e complemento), de adjetivos (modificadores de substantivos) e de advérbios (modificadores de verbos e adjetivos). A escolha do pronome depende do número (singular ou plural) do substantivo representado e às vezes do seu gênero (masculino ou feminino); bem como de sua pessoa verbal (primeira, segunda, terceira) e sua função gramatical.

A classe dos pronomes é presente na maior parte das gramáticas das línguas portuguesa e indo-europeias desde pelo menos o século II AEC, quando apareceu no tratado grego A Arte da Gramática. No entanto, devido à grande heterogeneidade na classe, alguns autores preferem desmembrá-la em classes menores.

CLASSES

Os pronomes do português são tradicionalmente divididos em seis classes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. O filólogo Marcos Bagno, por exemplo, classifica como índices pessoais os pronomes pessoais de primeira e segunda pessoa e os possessivos, cuja principal função é a dêitica, e como mostrativos os pessoais de terceira pessoa (não-pessoa), os demonstrativos e as demais classes, cuja principal função é retomada anafórica.

PRONOMES PESSOAIS

Pronomes pessoais são pronomes que são associados primariamente a uma pessoa gramatical em particular - primeira pessoa (como eu), segunda pessoa (como tu) ou terceira pessoa (como ele, ela, eles). Os pronomes pessoais podem também assumir diferentes formas, dependendo de número gramatical (geralmente singular ou plural), gênero gramatical, caso gramatical e formalidade. O termo "pessoal" é usado aqui apenas para significar o sentido gramatical; Pronomes pessoais não se limitam a pessoas e também podem se referir a animais e objetos (como em inglês o pronome pessoal IT geralmente faz).

A reutilização em algumas línguas de um pronome pessoal para indicar um segundo pronome pessoal com formalidade ou distância social - comumente uma segunda pessoa plural para significar segunda pessoa singular formal - é conhecida como distinção t-v, dos pronomes de latim tu e vos. Exemplos são o plural majestático em língua inglesa e o uso de vous em vez de tu em francês, e o voseo, em espanhol.

Pessoas e números: As línguas geralmente têm pronomes pessoais para cada uma das três pessoas gramaticais:

Os pronomes de primeira pessoa referem-se normalmente ao orador, no caso do singular (como o português eu), ou ao orador e outros, no caso do plural (como o português nós).
Pronomes de segunda pessoa normalmente se referem à pessoa ou pessoas a quem está sendo direcionado o discurso (como o português tu). No plural, podem também referir-se à pessoa ou pessoas que se dirigem em conjunto com terceiros.
Os pronomes de terceira pessoa referem-se normalmente a terceiros que não sejam o orador ou a pessoa a quem se dirige (como ele, ela, ele, eles, elas).
Dentro de cada pessoa há muitas vezes formas diferentes para diferentes números gramaticais, especialmente singular e plural. As línguas que têm outros números, tais como dual (por exemplo na língua eslovena), podem também ter pronomes distintos para estes.

Algumas línguas distinguem entre os pronomes de plural da primeira pessoa, inclusivos e exclusivos, aqueles que fazem e não incluem seu público. Por exemplo, a língua tok pisin tem sete pronomes de primeira pessoa de acordo com o número (singular, dual, julgamento, plural) e clusividade, como mitripela (eles dois e eu) e yumitripela (vocês dois e eu).

Algumas línguas não têm pronomes pessoais de terceira pessoa, usando demonstrativos (por exemplo, macedônio) ou frases nominais completas. O latim usa demonstrativos em vez de pronomes de terceira pessoa - na verdade, os pronomes de terceira pessoa nas línguas românicas são descendentes dos demonstrativos latinos.

Em alguns casos, os pronomes pessoais podem ser usados no lugar do pronome indefinido, referindo-se a alguém não especificado ou a pessoas em geral. Em inglês e em outras línguas, o pronome da segunda pessoa pode ser usado desta maneira: em vez do formal "deve-se manter o remo em ambas as mãos" (usando o pronome indefinido um), é mais comum que se diga "você deve segurar o seu remo em ambas as mãos".

Gênero: Os pronomes pessoais, particularmente os da terceira pessoa, podem diferir dependendo do gênero gramatical ou gênero natural de seu antecedente ou referente. Isso ocorre em inglês com os pronomes de terceira pessoa do singular, onde (simplesmente colocado) he é usado quando se refere a um macho, she a uma fêmea, e it a algo inanimado ou um animal de sexo não específico. Este é um exemplo de seleção de pronome baseado em gênero natural; muitas línguas também têm seleção baseada no gênero gramatical (como no francês, onde os pronomes "il" e "elle" são usados com antecedentes masculinos e femininos respectivamente, assim como os plurais Ils e elles). Às vezes o gênero natural e o gênero gramatical não coincidem, como com o substantivo alemão Mädchen ("menina"), que é gramaticalmente neutro mas naturalmente feminino. Isso ocorre pois a palavra Mädchen deriva da palavra Magd ("donzela"), onde é adicionado um trema, (se transformando em Mäd, sem o "g") e o sufixo -chen, que indica o diminutivo. Uma palavra diminutiva sempre será do gênero neutro em alemão.

Portanto, a palavra Mädchen é gramaticamente neutra, embora seja naturalmente feminina (pois se refere a uma coisa feminina).

Podem surgir problemas quando o referente é alguém de sexo não especificado ou desconhecido. Em uma língua como o inglês, é depreciativo usar o pronome inanimado it para se referir a uma pessoa (exceto em alguns casos a uma criança pequena), e embora seja tradicional usar o masculino he para se referir a uma pessoa de sexo não especificado, o movimento em direção a linguagem neutra de gênero exige que outro método seja encontrado, como dizer he ou she. Uma solução comum, particularmente em linguagem informal, é usar o singular they.

Problemas semelhantes surgem em algumas línguas quando se refere a um grupo de gênero misto; estes são tratados de acordo com as convenções da língua em questão - em francês, por exemplo, o masculino ils é usado para um grupo que contém tanto homens como mulheres ou antecedentes de ambos gênero masculino e feminino.

Um pronome ainda pode levar o gênero, mesmo que não seja inflexível; por exemplo, na sentença francesa "je suis petit" ("eu sou pequeno"), o falante é masculino e, portanto, o pronome je é masculino, enquanto que em "je suis petite" o falante é feminino e o pronome é tratado como feminino, sendo a terminação feminina -e adicionada ao adjetivo predicado.

Por outro lado, muitas línguas não distinguem o feminino e o masculino no pronome da terceira pessoa.

Algumas línguas têm ou tiveram um pronome da terceira pessoa não-gênero-específico:
  1. Indonésio, malaio, malgaxe, línguas filipinas, maori, rapanui, havaiano e outras línguas austronésias
  2. Chinês, birmanês, e outras línguas sino-tibetanas
  3. O vietnamita e outras línguas mom-quemeres
  4. Ibo, iorubá, e outras línguas volta-níger
  5. Suaíli, e outras línguas bantu
  6. Crioulo haitiano
  7. Turco e outras línguas turcas
  8. Luo e outras línguas nilo-saarianas
  9. Húngaro, finlandês, estônio, e outras línguas urálicas
  10. Hindi-urdu
  11. Georgiano
  12. Japonês
  13. Armênio
  14. Coreano
  15. Mapudungun
  16. Basco
  17. Persa
Algumas dessas línguas começaram a distinguir gênero no pronome da terceira pessoa devido à influência das línguas europeias. O mandarim, por exemplo, introduziu, no início do século 20 um personagem diferente para "ela" (她), que é pronunciado de forma idêntica a "ele" (他) e assim é ainda indistinguível na fala (tā).

O geunyeo coreano (그녀) é encontrado por escrito para traduzir "ela" de línguas europeias. Na língua falada ainda soa estranho e muitas vezes não natural, porque traduz literalmente a "essa fêmea".

Formalidade: Muitas línguas têm pronomes diferentes, particularmente na segunda pessoa, dependendo do grau de formalidade ou familiaridade. É comum que diferentes pronomes sejam usados quando se fala de amigos, família, crianças e animais do que quando se fala de superiores e adultos com quem o orador é menos familiar. Exemplos dessas línguas incluem o francês, onde o singular tu é usado apenas para familiares, o plural vous sendo usado como um singular em outros casos (russo segue um padrão semelhante); Alemão, onde a terceira pessoa do plural sie (capitalizada como Sie) é usada como singular e plural na segunda pessoa em usos não familiares; E polonês, onde o substantivo pan ("cavalheiro") e seus equivalentes femininos e plurais são usados como polidos pronomes de segunda pessoa.

Algumas línguas, como japonês e coreano, têm os pronomes que refletem as categorias sociais profundamente assentadas. Nestas línguas há um pequeno conjunto de substantivos que se referem aos participantes do discurso, mas esses substantivos referenciais não costumam ser usados, com nomes próprios, deícticos e títulos sendo usados em vez disso - e uma vez que o tópico é compreendido, geralmente nenhuma referência explícita é feita em tudo. Um palestrante escolhe qual palavra usar dependendo do posto, cargo, idade, sexo, etc. do orador e do destinatário. Por exemplo, em situações formais, os adultos costumam se referir a si mesmos como watashi (私 ou わたし) ou watakushi (私 ou わたくし) ainda mais educado, enquanto os jovens podem usar o boku (僕 ou ぼく). Em situações informais, as mulheres podem usar o atashi (あたし) coloquial, e os homens podem usar o termo ore (俺 ou おれ), mais áspero.

Caso: Os pronomes também freqüentemente assumem formas diferentes baseadas em sua função sintática, e em particular em seu caso gramatical. O inglês distingue a forma nominativa (eu, você, ele, ela, eles, elas, nós), usado principalmente como sujeito (gramática) de um verbo, a partir da forma oblíqua ("eu", "você", "ele", ela, nós, eles), usada principalmente como o objeto de um verbo ou preposição. As línguas cujos substantivos se flexionam para o caso muitas vezes flexionam seus pronomes de acordo com o mesmo sistema de casos. Por exemplo, os pronomes pessoais têm formas distintas nominativas, genitivas, dativas e acusativas (p. ex. Alemã ich, meiner, mir, mich), etc. Os pronomes costumam reter mais distinções de casos do que substantivos - isto é verdade tanto para o alemão como para o inglês, e também para as linguas românicas que, com a exceção do romeno, perderam a gramática latina.

Outros tipos sintáticos de pronomes que podem adotar formas distintas são o pronome disjuntivo, usado isoladamente e em determinadas posições distintas (como depois de uma conjunção como "e") e pronome preposicional, usado como o complemento de uma preposição.

Formas fortes e fracas: Algumas línguas têm formas fortes e fracas de pronomes pessoais, sendo o primeiro usado em posições com estresse mais elevado (linguística). Alguns autores ainda distinguem pronomes fracos de pronomes clíticos, que são foneticamente menos independentes. Em português, os pronomes oblíquos me e mim, te e ti são exemplos de formas fracas e fortes, respectivamente.

Outros exemplos são encontrados em polonês, onde o masculino de terceira pessoa acusativo e dativo são jego e jemu (forte) e go e mu (fraco). O inglês tem formas fracas e fortes em pronunciamentos fortes e fracos para alguns pronomes, tais como "eles" (pronunciado /ðɛm/ quando strong, mas /ðəm/, /əm/ ou ainda /m/ quando fraco).

Formas reflexivas: As línguas também podem ter pronome reflexivos (e às vezes pronome recíprocos) intimamente ligadas aos pronomes pessoais. O português tem as formas reflexivas "me", "mim", "te", "ti", "nos", "vos", "se", "si" e "consigo". Estes são utilizados principalmente para substituir a forma oblíqua quando se refere à mesma entidade que o sujeito da cláusula.

Algumas línguas, como as línguas eslavas, também têm possessivos reflexivos (que significam "meu", "o seu", etc.). Estes podem ser usados para fazer uma distinção de possessives ordinária de terceira pessoa. Por exemplo, em esloveno:

Eva je dala Maji 'svojo' knjigo ("Eva deu Maja [livro reflexivo]", isto é, o próprio livro de Eva)
"Eva je dala Maji" 'njeno' knjigo ("Eva deu Maja [não-reflexivo] livro", isto é, o livro de Maja)

O mesmo fenômeno ocorre nas línguas germânicas do norte, por exemplo língua dinamarquesa, que pode produzir as sentenças Anna gav Maria 'sin' 'bog' 'e' 'Anna gav Maria 'hendes' bog, sendo a distinção análoga à do exemplo esloveno acima.

Capitalização: Os pronomes pessoais não são normalmente escritos em letra maiúscula, exceto em casos particulares. Em inglês, o pronome pessoal em primeira pessoa I (eu) está sempre em maiúscula. Em português, em alguns textos cristãos, são capitalizados os pronomes que se referem a Jesus ou Deus (Ele, Tu, Vosso, etc).

Em muitas línguas europeias, os pronomes da segunda pessoa são muitas vezes capitalizados por cortesia quando se referem à pessoa que está escrevendo (como em uma carta).

Grupos: Na língua portuguesa, as fontes e autores divergem quanto à subdivisão dos pronomes pessoais. Alguns citam que há apenas dois grupos: reto e oblíquo. Já outros mencionam três: reto, oblíquo e de tratamento.

Caso reto: No português, os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de sujeito ou predicativo do sujeito. Apresentam flexão de número, género (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal flexão porque marca a pessoa do discurso.
  • Eu: 1.ª Singular
  • Tu: 2.ª Pessoa no Singular
  • Ele/Ela: 3.ª Pessoa no Singular
  • Nós: 1.ª Pessoa no Plural
  • Vós: 2.ª  Pessoa no Plural
  • Eles/Elas: 3ª Pessoa no Plural
Os pronomes do caso reto são diferentes do pronome pessoal do caso oblíquo pelo uso. Enquanto aqueles são usados somente como sujeito, esses são usados como complemento (repare que nós, vós, eles e elas podem ser tanto do caso reto quanto do oblíquo). O fato de certas construções permitirem o pronome pessoal do caso reto após preposição muitas vezes torna seu uso confuso.

Exemplo: Ele emprestou o livro para mim.

Nesse caso, apesar de o pronome estar após uma preposição, ele não é complemento, e sim sujeito do verbo ler. Nesse caso, deve ser usado o pronome pessoal do caso reto:

Exemplo: Ele emprestou o livro para eu ler.
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exerce a função de sujeito. Sendo um pronome ele carrega consigo as características próprias a essa classe gramatical, ou seja, é uma palavra que pode determinar a pessoa do discurso ou substituir e/ou qualificar um nome.

Frequentemente se observa a omissão do pronome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as formas verbais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto (ex.: Dormi cedo ontem; Fizemos boa viagem).

É importante conhecer algumas outras particularidades dos pronomes retos, tais como:

Outra dúvida freqüente é a contração do pronome com a preposição de quando esta rege o verbo:

Exemplo: Está na hora dela ir embora, já são oito horas.

Embora na linguagem coloquial,essa construção seja comum, a norma padrão recomenda que não haja a contração, visto que o pronome em questão é o sujeito da oração.

Exemplo: Está na hora de ela ir embora, já são oito horas.

Caso oblíquo:
  • Caso reto: Eu
    • Oblíquo átono: me
    • Oblíquo tônico: mim/comigo
  • Caso reto: Tu
    • Oblíquo átono: te
    • Oblíquo tônico: ti/contigo
  • Caso reto: Ele
    • Oblíquo átono: o/lhe/se
    • Oblíquo tônico: ele/consigo/si
  • Caso reto: Ela
    • Oblíquo átono: a/lhe/se
    • Oblíquo tônico: ela/consigo/si
  • Caso reto: Nós
    • Oblíquo átono: nos
    • Oblíquo tônico: nós/conosco
  • Caso reto: Vós
    • Oblíquo átono: vos
    • Oblíquo tônico: vós/convosco
  • Caso reto: Eles
    • Oblíquo átono: os/lhes/se
    • Oblíquo tônico: eles/consigo/si
  • Caso reto: Elas
    • Oblíquo átono: as/lhes/se
    • Oblíquo tônico: elas/consigo/si
  • Função:
    • Oblíquo átono: Objeto direto e indireto
    • Oblíquo tônico: Objeto indireto e  Comitativo
PRONOME POSSESSIVO

Os pronomes possessivos são os tipos de pronomes que fazem uma referência às pessoas do discurso indicando uma relação de posse. Os pronomes possessivos mantêm uma estreita relação com os pronomes pessoais pois indicam aquilo que cabe ou pertence aos seres indicados pelos pronomes pessoais. Pronomes possessivos normalmente indicam posse, como por exemplo: meu, minha, teu, tua, seu, sua, etc. Indicando para algo ou alguém.

Normalmente, o pronome possessivo antecede o substantivo a que se refere; nada impede, porém, que ele venha após o substantivo:

Exemplo:
  1. Não durma na minha cama.
  2. O teu cachorro me mordeu
  3. A sua televisão quebrou novamente.
Os pronomes possessivos concordam:
  1. Em pessoa com o possuidor: eu peguei o meu caderno.
  2. Em gênero e número com a coisa possuída: você já pegou o seu caderno?
  • pronome pessoal: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas.
  • pronome possessivo: 
    • meu, minha, meus, minhas.
    • teu, tua, teus, tuas.
    • seu, sua, seus, suas.
    • nosso, nossa, nossos, nossas.
    • vós vosso, vossa, vossos, vossas 
    • seu, sua, seus, suas.
Os pronomes possessivos, em certas ocasiões, podem ser substituídos por pronomes oblíquos equivalentes:
  1. Minha(s) » me
  2. Tua(s) » te
  3. Dele(s) » lhe(s)
Exemplo:
  • O sangue manchou-me a calça. (O sangue manchou a minha calça.)
PRONOME MOSTRATIVO

Em linguística e gramática, os mostrativos ou demonstrativos são palavras que indicam ou especificam, de forma dêitica ou anafórica, a que entidades o falante se refere em seu discurso.

A classe, proposta pela primeira vez na gramática da língua portuguesa por Ataliba de Castilho em 1993, agrupa as palavras tradicionalmente classificadas como pronomes demonstrativos, pronomes pessoais de terceira pessoa e artigos definidos. Dentre as motivações para agrupá-las em uma única classe gramatical estão, além das funções afins no discurso, o fato de elas não concorrerem (uma não pode estar onde já está a outra) e o fato de se originarem da mesma classe gramatical do latim, a dos demonstrativos.

Funções: Os mostrativos têm a função primordial de "mostrar", em partes do discurso, objetos pertinentes ao mesmo, quer estejam no ambiente que envolve o falante e/ou o ouvinte, apontando para um objeto do mundo (Esta casa é muito bonita!) ou no próprio universo do discurso, apontando para um termo citado em outra parte do texto (ao comprar a casa, foi fundamental que esta fosse bem localizada). A primeira função, para fora do texto, é chamada dêixis; a segunda, anáfora.

Além disso, eles podem funcionar como determinantes, com função adjetiva:

quando ele dá uma definição, depende se a definição / essa definição / aquela definição / tal definição é mera cópia ou se é uma elaboração própria.

ou como pronomes, com função substantiva:

quando ele dá uma definição, depende se ela/essa/aquela/a mesma é mera cópia ou se é uma elaboração própria.

Por fim, os mostrativos podem exercer os papéis sintáticos de sujeito, objeto direto, objeto indireto ou complemento oblíquo.

Pronomes demonstrativos: Trata-se do principal grupo de mostrativos, usados tanto como índices dêiticos quanto como proformas anafóricas (deste uso vem sua classificação tradicional como 'pronome'). Classicamente se classificam em três níveis de distância:
  1. Proximais ou de Primeira Pessoa: este(s), esta(s), isto
  2. Mediais ou de Segunda Pessoa: esse(s), essa(s), isso
  3. Distais ou de Terceira Pessoa: aquele(s), aquela(s), aquilo
Essas três classes derivaram dos demonstrativos latinos – respectivamente, dos demonstrativos mediais (iste, ista, istud), reflexivos (ipse, ipsa, ipsum) e distais (accu-ille, accu-illa, accu-illud).

Hoje em dia, é consensual que tais distinções de pessoa se enfraqueceram em português e, portanto, não são mais seguidas à risca. No entanto, os três níveis de distância sobreviveram nos advérbios de lugar (aqui / aí / lá), que passaram a ser usados junto com os demonstrativos, para indicar a distância: Esse carro aí é seu? ; Essa aqui é a minha casa!.

Artigos: Também fazem parte da classe dos mostrativos os artigos definidos e pronomes oblíquos de terceira pessoa: o(s), a(s). Eles derivaram dos demonstrativos latinos distais no acusativo (illum, illam → lo, la).

Os artigos definidos são marcadores necessariamente associados aos substantivos, que exercem principalmente uma função identificatória (para referir-se a nomes já mencionados ou a nomes universalmente conhecidos) ou classificatória (pois qualquer palavra, precedida de artigo, torna-se substantivo: o bem, o três, o porquê, etc.).Quando identificadores, eles atuam de forma dêitica, apontando para objetos conhecidos (o Brasil, a Lua, etc.), ou de forma anafórica, retomando nomes já mencionados (Era uma vez uma bela rainha. Certo dia, a rainha / aquela rainha / tal rainha ficou muito doente).

Os pronomes oblíquos de terceira pessoa possuem a mesma origem que os artigos definidos, assumindo a função substantiva de substituir um nome já mencionado (pronome): O rei se chamava João; um dia um dragão devorou o rei / devorou-o.

Pronomes de Terceira Pessoa: Os pronomes de terceira pessoa são ele (eles), ela (elas), lhe, além dos mencionados o (os), a (as). Ao contrário dos pronomes retos de primeira e segunda pessoa, já existentes na língua latina como índices dêiticos específicos, os pronomes de terceira pessoa derivaram todos dos demonstrativos distais latinos no nominativo (ille, illa → ele, ela), acusativo (illum, illa → o, a) e dativo (ille → lhe). Além disso, diferente dos índices de primeira e segunda pessoa, os de terceira pessoa atuam de forma principalmente anafórica e substantiva, substituindo termos já citados.

PRONOME INDEFINIDO

"Chamam-se indefinidos os pronomes que se aplicam a terceira pessoa gramatical, quando considerada de um modo vago e indeterminado".

Pronomes indefinidos variáveis: algum, nenhum, todo, outro, certo, bastante, qualquer, quanto, qual, vários, muito, etc.

Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, quem, que, etc.

Locuções: Têm valor de pronome indefinido: cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele que, seja quem for, seja qual for, qualquer um, etc.

PRONOME RELATIVO

Pronome relativo é um pronome que, no período composto, retoma um antepassado (palavra ou expressão anterior a ele), representando-o no início de uma nova oração. Normalmente vem depois de um adjunto adnominal, o termo acessório da oração que tem a função de caracterizar ou determinar um substantivo, o que pode ser feito através de verbos, adjetivos e outros elementos que desempenhem a função adjetiva - o antecedente o substitui.

Formas e valores: No português contemporâneo, as formas tradicionalmente listadas incluem que, quem, qual/o qual (e flexões), cujo (e flexões), quanto (e flexões, em construções partitivas) e onde (de valor locativo). Cada forma pode exercer diferentes funções sintáticas na relativa (sujeito, objeto, complemento regido por preposição, adjunto etc.), a depender da regência no interior da oração.
  1. Que: É o relativizador mais frequente e polifuncional; pode ocorrer sem preposição (o livro que li) ou com preposição (o assunto de que tratamos). Em registros formais, alterna com o qual para evitar ambiguidades ou quando se exige preposição complexa.
  2. Quem: Refere-se preferencialmente a antecedentes [+humanos] e tende a ocorrer com preposição (a pessoa a quem me dirigi), embora haja variação estilística.
  3. O qual / a qual / os quais / as quais: Série variável que concorre com que, especialmente após preposição longa ou quando se deseja clareza referencial (as medidas sobre as quais discutimos).
  4. Cujo / cuja / cujos / cujas: Marca relação genitiva entre antecedente e termo subsequente (a autora cujas obras…). Estudos de uso no português brasileiro apontam baixa produtividade fora do registro escolarizado.
  5. Quanto / quantos / quanta / quantas: Aparece em construções partitivas, sobretudo após quantificadores como tudo (tudo quanto disse).
  6. Onde (visão geral): Forma invariável de valor locativo, equivalente a em que/no qual quando retoma um antecedente que denota lugar (a cidade onde nasci). Na tradição descritiva, também é classificado como advérbio relativo, em razão de seu comportamento híbrido.
Onde sem antecedente expresso e usos ampliados: Descrições funcionalistas e variacionistas registram onde sem antecedente explícito (uso “indefinido/condensado”), quando a noção de lugar é inferida do contexto (O carro enguiçou onde não havia socorro). Pesquisas recentes apontam ainda extensões não locativas e processos de gramaticalização do item em variedades do PB, a depender de gênero textual, planejamento e monitoramento.

Perspectiva funcionalista sobre o relativo onde no português brasileiro: Em abordagem funcionalista, onde é descrito como um item originalmente locativo que, no uso real do português brasileiro (PB ou PT-BR), apresenta polifuncionalidade motivada por fatores discursivo-pragmáticos (coesão, acessibilidade referencial, economia de processamento) e por esquemas semânticos de âmbito/quadro (frame). Nessa perspectiva, além do valor canônico de localização (o bairro onde moro), registram-se extensões para domínios não estritamente espaciais, como tempo (o dia onde tudo mudou), razão (o motivo onde discordamos) e organização textual (o capítulo onde o autor explica), especialmente em fala espontânea e escrita menos monitorada.

Mudança e gramaticalização: Os estudos apontam um processo de reanálise/gramaticalização orientada ao uso: de advérbio/relativo locativo, onde adquire traço mais abstrato de [+domínio], ampliando seu escopo referencial em contextos de alta frequência e baixa vigilância normativa. Essa mudança é compatível com princípios funcionalistas de economia e esquematicidade, sem eliminar a variante canônica locativa, que permanece preferida em registros formais.

Relação com a norma tradicional: A gramática normativa descreve onde como relativo/advérbio de valor locativo, opondo-o a aonde (direção) e donde (proveniência). A pesquisa empírica, entretanto, mostra que falantes do PB expandem o uso de onde para além do espaço físico, gerando variação estável que a norma não reconhece plenamente; em contextos de maior formalidade, prevalecem em que e no qual para referentes não locativos.

Ligação com as estratégias de relativização do PB: As extensões de onde dialogam com o quadro mais amplo das estratégias de relativas no PB — padrão (com movimento e pied-piping), cortadora e resumptiva — descritas desde Tarallo e desenvolvidas por Kato & Nunes, entre outros.

PALAVRA INTERROGATIVA

Em linguística, uma palavra interrogativa é uma palavra-função usada para o item desconhecido em uma declaração de informação. Em Português, elas são usados em perguntas (Onde está o carro?), em orações de conteúdo interrogativo (Eu quero saber onde o carro está.); suas formas também são usados como pronomes relativos em determinadas orações relativas (o país onde ele nasceu) e em certas orações adverbiais (Eu vou aonde ele vai). Esses usos são encontrados em vários outros idiomas também.

Palavras interrogativas em português incluem:
  1. Pronomes adjetivos interrogativos
    1. que (que carro é aquele?), qual (qual bolsa você vai comprar? Esta, essa ou aquela?)
    2. quanto (quantidade incontável: quanta água bebeste?), quantos (quantidade contável: quantas maçãs comeste?)
    3. cujo (em português antigo: "cujo carro é aquele?" — hoje em dia diz-se: "de quem é aquele carro?")
  2. Pronomes substantivos interrogativos
    1. quem
    2. que ("o que" é uma forma átona, "o quê" é usado quando é tônico), qual
    3. quantos (quantos comeste?)
  3. Advérbios interrogativos
    1. onde (lugar)
    2. quando (tempo)
    3. como (modo)
    4. por que (razão / causa)
    5. para que (objectivo / finalidade)
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES

Pronomes podem também ser classificados em adjetivo ou adjunto, quando ele faz referência (através de concordância sintática) a um elemento que surge explícito na frase; e substantivo ou absoluto, quando ele substitui completamente o elemento referenciado.

PRONOMES EM OUTROS IDIOMAS
  1. Nas línguas indo-europeias, os pronomes formam uma classe gramatical presente em todos os idiomas, embora com algumas variações.
  2. Nas línguas urálicas, não existem pronomes pessoais nem possessivos. Apenas a flexão do verbo é suficiente para determinar a pessoa e a posse é designada pelo caso genitivo, que assume uma forma diferente para cada pessoa.
  3. Em espanhol há um pronome de terceira pessoa para indicar o gênero neutro ("ello").
  4. Em latim não há pronome pessoal de terceira pessoa, sendo substituídos por pronomes demonstrativos.
  5. Em inglês, todos os pronomes são declinados em caso (nominativo, acusativo e possessivo). Os pronomes demonstrativos não se flexionam em gênero.
  6. Na maioria das línguas indo-europeias, assim como em japonês, pode existir mais de um pronome de segunda pessoa, chamados "pronomes de tratamento", dependendo do grau de proximidade e respeito a que se dedica ao interlocutor.
  7. No espanhol europeu, existem os pronomes "tú" e "usted" (singular), "vosotros" e "ustedes" (plural).
  8. Em inglês, o pronome "they" é de uso genérico, mas no passado, em ocasiões solenes, usavam-se os pronomes "thou" (singular) e "ye" (plural), com os respectivos oblíquos "thee" e "you" e possessivos "thy/thine" e "your/yours" e reflexivos "thyself" e "yourself".
  9. Em francês, são usados os pronomes "tu" e "vous".
  10. Em alemão, são usados os pronomes "du" e "Sie".
  11. Em japonês, os pronomes de primeira pessoa variam de acordo com o sexo do falante e com a circunstância em que é usado, além de os pronomes de tratamento serem diferentes inclusive para pessoas próximas (quando se dirige a pessoas próximas ou pessoas que requerem um grau de formalidade mais específico). O pronome "watashi" significa "eu" quando falado pela maioria das pessoas, "atashi" quando usado por uma mulher, enquanto "boku" significa "eu" da mesma forma, mas dito geralmente por jovens homens. Os pronomes "watashi" e "watakushi" são usados por ambos, em circunstâncias formais.
  12. Em alemão, o pronome pessoal "sie" (minúsculo, podendo ser maiúsculo, quando no início de frases) significa: "ela", "elas", "eles". Por sua vez, "Sie" (sempre maiúsculo) significa: "você", "vocês" (tratamento mais formal em Portugal) ou "o senhor", "a senhora", "os senhores", "as senhoras" (usados tanto em Portugal como no Brasil como tratamento formal).
  13. Em sueco há quatro gêneros de pronomes pessoais para a terceira pessoa no singular: MASCULINO, FEMININO, COMUM E NEUTRO. O gênero comum serve para designar animais e plantas, e o gênero neutro serve para designar objetos inanimados.
  14. Em basco há um pronome de segunda pessoa neutro ("zu") e um pronome de segunda pessoa não formal mas familiar ("hira").
FONTES: Almeida, Napoleão Mendes de. «Cap. VIII, §156 - 38». Gramática Metódica da Língua Portuguesa. 1911 (1992?). São Paulo: Saraiva
 Livro Bernoulli

 Bagno, Marcos (2013). Gramática de Bolso do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola. ISBN 9788579340604

 BECHARA, Evanildo. Editora Lucerna, ed. Moderna Gramática Portuguesa. 2001 37ª ed. Rio de Janeiro: [s.n.]

 «Gramática V: Pronomes». Julio Battisti. Consultado em 10 de agosto de 2013

 Catarino, Publicado por Dílson. «Pronomes possessivos – Gramática On-line». Consultado em 5 de janeiro de 2022

 «Pronomes possessivos: conceito, emprego e exemplos». Clube do Português. 7 de julho de 2021. Consultado em 5 de janeiro de 2022

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

HAVE A BUN IN THE OVEN (EUFEMISMO DA LÍNGUA INGLESA)

Mulher grávida no Rio de Janeiro, Brasil. Foto tirada em 11 de setembro de 2010, 18:12:37 por Marcelo Cantarela Junior.

"Bun in the oven" é uma expressão idiomática e um eufemismo comuns em inglês usados para descrever uma mulher grávida. Significa que um bebê está se desenvolvendo no útero, frequentemente usado de forma descontraída ou festiva. A metáfora compara um bebê em crescimento a um pão assando no forno.

ORIGEM

Origens antigas: A metáfora do útero como um forno é ainda mais antiga, possivelmente remontando a mais de 2.000 anos, à Grécia Antiga, especificamente aos escritos de Aristóteles.

Primeiras menções: A expressão apareceu no romance de Nicholas Monsarrat, de 1951, "O Mar Cruel", embora o conceito de um "bolo" ou "pãozinho" assando no útero já fosse usado na literatura desde o século XVII.

FONTES: https://www.opb.org/article/2023/10/31/bun-in-the-oven-is-an-ancient-pregnancy-metaphor-this-historian-says-it-has-to-go/

https://grammarist.com/idiom/bun-in-the-oven/

https://idiomorigins.org/origin/bun-in-the-oven#:~:text=This%20expression%20for%20pregnancy%20in,pinpoint%20specific%20coinage%20or%20origin.

https://www.facebook.com/groups/722942364854187/permalink/1886253758523036/?app=fbl

https://www.oreateai.com/blog/the-meaning-behind-a-bun-in-the-oven/2ec01ee401ec62fd34ec5ad2bb6bf63c

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DEMÉTER (DEUSA DA AGRICULTURA NA MITOLOGIA GREGA)

Retrato de uma dama da nobreza como Ceres, de François de Troy. "A identidade da modelo do nosso retrato é desconhecida, mas sua repres...