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quarta-feira, 3 de junho de 2026

KRAV MAGÁ (ARTE MARCIAL ISRAELITA PARA DEFESA PESSOAL)

Treinamento na base de paraquedistas israelenses em Tel Nof. À direita: um graduado do curso, 1955.
  • FOCO: Híbrido
  • PAÍS DE ORIGEM: Israel
  • CRIADOR: Imi Lichtenfeld
  • PATERNIDADE/MATERNIDADE: Aikido, Judô, Caratê, Boxe, Luta Livre
  • ESPORTE OLÍMPICO: Não
Krav Maga (/ˌkrɑːv məˈɡɑː/ krahv mə-gah; hebraico: קְרַב מַגָּע, IPA: [ˈkʁav maˈɡa]; lit. 'combate de contato') é um sistema israelense de autodefesa. Desenvolvido para as Forças de Defesa de Israel (IDF), é conhecido por seu foco em situações do mundo real.

ETIMOLOGIA

O termo krav maga em hebraico é traduzido literalmente como 'combate de contato' – a raiz de três letras da primeira palavra é qrb (קרב), e o substantivo derivado dessa raiz significa "combate" ou "batalha", enquanto a segunda palavra é uma forma participial derivada da raiz verbal ng-' (נגע), que significa literalmente "contato" ou "toque".

PRINCÍPIOS BÁSICOS

Como a maioria das artes marciais, o Krav Maga incentiva os alunos a evitar o confronto físico. Se isso for impossível ou inseguro, promove o término da luta o mais rápido e agressivamente possível. Os ataques visam as partes mais vulneráveis do corpo e o treinamento não se limita a técnicas que evitam lesões graves; algumas chegam a ferir permanentemente ou matar o oponente.

Os alunos aprendem a se defender contra uma variedade de ataques e são ensinados a contra-atacar com eficiência.

Workshop - Ação preventiva de segurança para mulheres. Instrutora faz demonstração de algumas técnicas utilizadas pelo Krav Maga.

Krav Maga (combate de contato) é um sistema de combate corpo a corpo desenvolvido em Israel, que envolve técnicas de luta, torções, defesa contra armas, bastões, facas, agarramentos e golpeamentos.

Foto: Pedro França/Agência Senado, 12 de março de 2018, 10h49.

As ideias em Krav Maga incluem:
  1. Defesa e ataque simultâneos;
  2. Desenvolver agressão física (não confundir com agressão emocional ou raiva), considerando que a agressão física é o componente mais importante em uma luta;
  3. Continuar a golpear o oponente até que ele esteja completamente incapacitado;
  4. Atacar preventivamente ou contra-atacar o mais rápido possível;
  5. Utilizando quaisquer objetos à mão que possam ser usados para atingir um oponente;
  6. Os ataques são direcionados aos pontos mais vulneráveis do corpo, como olhos, pescoço ou garganta, rosto, plexo solar, virilha, costelas, joelho, pé, dedos, fígado, etc.;
  7. Utilizando golpes simples e facilmente repetíveis;
  8. Manter-se atento ao ambiente ao lidar com a ameaça, a fim de procurar rotas de fuga, outros agressores ou objetos que possam ser usados para atacar um oponente;
  9. Desenvolver a memória muscular para reações mais rápidas em combate;
  10. Reconhecendo a importância e expandindo a resposta instintiva sob estresse.
O treinamento também pode abranger o estudo e o desenvolvimento da consciência situacional para desenvolver a compreensão do ambiente ao redor, aprender a entender a psicologia de um confronto de rua e identificar ameaças potenciais antes que um ataque ocorra. Pode ainda incluir métodos físicos e verbais para evitar a violência sempre que possível. Também ensina resiliência mental, utilizando cenários controlados para fortalecer a força mental, de modo que os alunos controlem o impulso e não ajam precipitadamente, atacando apenas quando necessário e como último recurso.

TÉCNICAS

Algumas das principais ênfases das técnicas no Krav Maga são — como descrito acima — eficácia e resposta instintiva sob estresse. Para esse fim, o Krav Maga é um sistema eclético que não buscou substituir técnicas eficazes existentes, aproveitando o que é útil de sistemas disponíveis, por exemplo:
  1. Golpes – conforme o caratê e o boxe;
  2. Derrubadas e projeções – conforme o judô, aikido e luta livre;
  3. Trabalho de solo – como no judô e na luta livre;
  4. Escapadas de estrangulamentos e imobilizações – conforme praticado no judô, aikido e luta livre;
  5. Defesas contra armas desarmadas – conforme o aikido.
Desde o início do século XXI, várias escolas de Krav Maga introduziram influências técnicas de outras artes também. Estas incluem o jiu-jitsu brasileiro, Arnis/Kali/Escrima e Silat. Isto reflete a atitude do Krav Maga, em múltiplas linhagens, como um estilo em constante evolução, que continua a tomar emprestado ideias e métodos de outras artes marciais.

Vídeo abaixo: Uma demonstração, gravado em 15 de Fevereiro de 2016, de Krav Maga realizada pela escola True Krav, na África do Sul. A demonstração utiliza uma técnica específica de Krav Maga para lidar com agressores armados com diversos tipos de armas, como bastão, faca, arma de fogo, rifle e combate corpo a corpo.


HISTÓRIA

Imre "Imi" Lichtenfeld (também conhecido como Imi S'de-Or) nasceu em 1910 em Budapeste, Áustria-Hungria, em uma família judia e cresceu em Pozsony, atual Bratislava (Eslováquia). Lichtenfeld praticou uma ampla gama de esportes, incluindo ginástica, luta livre e boxe. Em 1928, Lichtenfeld venceu o Campeonato Eslovaco Juvenil de Luta Livre e, em 1929, o campeonato adulto (categorias peso-leve e peso-médio). Nesse mesmo ano, ele também venceu o campeonato nacional de boxe e um campeonato internacional de ginástica. Durante a década seguinte, as atividades atléticas de Lichtenfeld se concentraram principalmente na luta livre, tanto como competidor quanto como treinador.

Em meados da década de 1930, tumultos antissemitas começaram a ameaçar os judeus de Bratislava, na Checoslováquia. Lichtenfeld tornou-se o líder de um grupo de boxeadores e lutadores judeus que foram às ruas para defender os bairros judeus contra o crescente número de nazistas antissemitas. Lichtenfeld descobriu rapidamente, no entanto, que a luta real era muito diferente da luta competitiva e, embora o boxe e a luta livre fossem bons esportes, nem sempre eram práticos para a natureza agressiva e brutal do combate de rua. Foi então que ele começou a reavaliar suas ideias sobre luta e a desenvolver as habilidades e técnicas que eventualmente se tornariam o Krav Magá. Tendo se tornado uma pedra no sapato das autoridades locais igualmente antissemitas, em 1940 Lichtenfeld deixou sua casa com sua família e amigos no último navio de refugiados a escapar da Europa.

Após chegar à Palestina sob Mandato Britânico, Lichtenfeld juntou-se à organização paramilitar Haganah. Em 1944, Lichtenfeld começou a treinar combatentes em suas áreas de especialização: condicionamento físico, natação, luta livre, uso da faca e defesa contra ataques com faca. Durante esse período, Lichtenfeld treinou várias unidades de elite da Haganah, incluindo o Palmach (força de ataque da Haganah e precursor das unidades especiais das Forças de Defesa de Israel) e o Palyam, bem como grupos de policiais.

Em 1948, quando o Estado de Israel foi fundado e as Forças de Defesa de Israel (IDF) foram formadas, Lichtenfeld tornou-se Instrutor Chefe de Condicionamento Físico e Krav Maga na Escola de Condicionamento Físico de Combate das IDF. Ele serviu nas IDF por cerca de 20 anos, período durante o qual desenvolveu e aprimorou seu método único de autodefesa e combate corpo a corpo. A autodefesa não era um conceito novo, visto que quase todas as artes marciais haviam desenvolvido alguma forma de técnica defensiva em sua busca por domínio em torneios ou esportes. No entanto, a autodefesa era baseada estritamente nos princípios científicos e dinâmicos do corpo humano. Em 1965, o treinamento de judô foi adicionado como parte do treinamento de Krav Maga. Até 1968, não havia graduações em Krav Maga. A partir de então, as graduações de um aluno eram determinadas principalmente por seu conhecimento em judô.

Em 1968, Eli Avikzar, um dos principais alunos de Lichtenfeld e seu primeiro faixa preta, começou a aprender aikido. Em 1971, Eli foi para a França, onde recebeu a faixa preta em aikido. Ao retornar, Avikzar começou a trabalhar como instrutor ao lado de Imi para integrar artes marciais mais tradicionais ao Krav Maga. Então, em 1974, Imre se aposentou e deu a Eli Avikzar o controle do centro de treinamento de Krav Maga em Netanya. Pouco depois, em 1976, Avikzar ingressou na força permanente das Forças de Defesa de Israel (IDF), como chefe da seção de Krav Maga. O papel do Krav Maga no exército avançou muito após a nomeação de Eli. Mais cursos foram ministrados e todos os instrutores de educação física foram obrigados a aprender Krav Maga. Avikzar continuou a desenvolver o Krav Maga dentro das Forças de Defesa de Israel até sua aposentadoria em 1987. Até esta data, Eli havia treinado 80.000 soldados do sexo masculino e 12.000 soldados do sexo feminino.

Buscando a excelência como estudante de artes marciais, Eli foi para a Alemanha em 1977 e recebeu a faixa preta em aikido pela Federação Europeia. Em 1978, a associação Krav Maga foi fundada e, em 1989, como membro ativo da associação de judô, Eli Avikzar contribuiu para o desenvolvimento geral de comitês profissionais e de graduação dentro da comunidade Krav Maga, fundando a Associação Israelense de Krav Maga (KAMI). A KAMI é uma disciplina paralela ao Krav Maga original. Eli se aposentou como instrutor-chefe de Krav Maga em 1987 e Boaz Aviram se tornou a terceira pessoa a ocupar o cargo, sendo o último instrutor-chefe a ter estudado diretamente com Lichtenfeld e Avikzar.

FORÇAS DE DEFESA DE ISRAEL

As Forças de Defesa de Israel oferecem um curso de instrutor de Krav Maga de cinco semanas. Elas realizam uma competição anual de Krav Maga desde maio de 2013. 

USO CIVIL

Krav Maga - Grão Mestre Imi Lichtenfeld e Yaron Lichtenstein.

Após a aposentadoria de Imi Lichtenfeld das Forças de Defesa de Israel, ele decidiu abrir uma escola e ensinar Krav Maga a civis. O primeiro curso de Krav Maga ocorreu no Instituto Wingate, Netanya, Israel, em 1971, sob sua supervisão direta.

Sistema de classificação: A maioria das organizações de Krav Maga em Israel utiliza o sistema de graduação por faixas coloridas de Imi Lichtenfeld, baseado no sistema de graduação do Judô. Começa com a faixa branca, passando pelas faixas amarela, laranja, verde, azul, marrom e preta. Os alunos de faixa preta podem progredir do 1º ao 9º Dan. O tempo e os requisitos para avançar variam entre as organizações.

Outras organizações que ensinam Krav Maga dentro e fora de Israel usam sistemas de graduação semelhantes.
  • Faixa Branca: P0
  • Faixa Amarela: P1 e P2
  • Faixa Laranja: P3 e P4
  • Faixa Verde: P5 e G1
  • Faixa Azul: G2 e G3
  • Faixa Marrom: G4 e G5
  • Faixa Preta: E1, 2, 3, 4 e 5
Um sistema de distintivos foi desenvolvido por Eyal Yanilov no final da década de 1980. As graduações são divididas em três categorias principais: Praticante, Graduado e Especialista. Cada uma das categorias, que são frequentemente abreviadas para suas iniciais, possui cinco níveis. As graduações P1 a P5 são os níveis de estudante e constituem a maioria da comunidade Krav Maga. Após P5, vêm os níveis G1 a G5, e para alcançar o nível Graduado, o aluno precisa demonstrar proficiência em todas as técnicas do nível P antes de avançar.

Embora existam algumas diferenças subtis, as várias organizações ensinam as mesmas técnicas e princípios básicos. Algumas outras organizações têm graduações menos formais, sem faixas ou distintivos, mas têm níveis pelos quais os alunos podem monitorizar o seu progresso.

Treino de sparring: Em algumas organizações, o sparring é lento e leve até que o aluno atinja o nível G2. Isso leva aproximadamente de quatro a seis anos, porque subir um nível nas categorias Practitioner e Graduate requer, no mínimo, meio ano de treinamento consistente. No entanto, é mais comum observar praticantes regulares fazendo o exame de graduação apenas uma vez por ano a partir do P3.

Uma vez no G2, os alunos também praticam lutas simuladas "reais" com equipamento de proteção.

NA MÍDIA POPULAR
  1. O Krav Maga foi representado no UFC pelo ex-soldado das Forças de Defesa de Israel, Moti Horenstein. Ele lutou contra Mark Coleman no UFC 10 e contra Mark Kerr no UFC 14, perdendo decisivamente em ambas as ocasiões. Tanto Coleman quanto Kerr foram campeões de luta livre da Divisão I da NCAA e venceram seus respectivos torneios.
  2. Jennifer Lopez treinou Krav Maga para seu papel em Enough, e a arte marcial foi apresentada na história.
  3. Leonardo DiCaprio treinou Krav Maga para seu papel em Diamante de Sangue, onde interpretou um contrabandista e mercenário rodesiano-sul-africano.
  4. Jessica Chastain treinou Krav Maga para seu papel em The Debt, e a arte marcial foi apresentada na coreografia da cena de luta.
  5. Tom Cruise treinou Krav Maga para a coreografia de luta em Jack Reacher.
  6. Daniel Craig treinou Krav Maga para a coreografia de luta como James Bond em Spectre.
  7. Emily Blunt treinou Krav Maga para a coreografia de luta em Edge of Tomorrow.
  8. Sean Penn treinou Krav Maga para a coreografia de luta em The Gunman.
  9. O protagonista de Grand Theft Auto IV, Niko Bellic, usa Krav Maga em combate físico.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

BELZEBU (DEUS FILISTEU)



Ba'al Zabub , Ba'al Zvuv ou Belzebu (/ b iː ˈ ɛ l z ə b ʌ b , ˈ b iː l - / abelha- EL -zə-bub, BEEL - ; hebraico : בַּעַל־זְבוּב Baʿal-zəḇūḇ ), também escrito Beelzebul ou Belzebuth , e ocasionalmente conhecido como o Senhor das Moscas , é um nome derivado de um deus filisteu , anteriormente adorado em Ecrom , e mais tarde adotado por algumas religiões abraâmicas como um demônio maior. O nome Belzebu está associado ao deus cananeu Baal.

Belzebu é conhecido na demonologia como um dos sete demônios mortais ou sete príncipes do Inferno, representando a gula e a inveja . O Dicionário Infernal o descreve como um ser capaz de voar, conhecido como o "Senhor das Moscas", "Senhor dos Voadores" ou "Senhor dos Demônios Voadores". Ele também é mencionado no famoso romance " O Senhor das Moscas " , de William Golding, devido à sua ligação com o inferno e aos temas da obra.

judaísmo

Escrituras Hebraicas: A origem do nome Belzebu está nos Livros dos Reis ( 2 Reis 1:2–3, 6, 16 ), escrito Baʿal zəvuv , referindo-se a uma divindade adorada pelos filisteus na cidade de Ecrom.

Esta passagem relata que o rei Acazias do Reino do Norte de Israel , após se ferir gravemente em uma queda, enviou mensageiros para consultar Baal-Zuv , o deus da cidade filisteia de Ecrom, para saber se ele se recuperaria.

Acazias caiu pela janela do seu quarto superior em Samaria e ficou ferido. Então, enviou mensageiros, aos quais instruiu: "Ide consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, para saber se me recuperarei deste ferimento."

—  "II Reis 1:2" . www.sefaria.org .

Elias então condenou Acazias à morte pelas palavras de Deus, porque Acazias buscou conselho de Baal-Zevuv em vez de Deus.


3 Mas um anjo de Deus disse a Elias, o tisbita: "Vá e confronte os mensageiros do rei de Samaria e diga-lhes: 'Não há Deus em Israel para que vocês consultem Baal-Zebube, deus de Ecrom? 4 Em verdade, assim diz Deus: Você não se levantará da cama em que está deitado, mas morrerá. ' " E Elias foi.


—  "II Reis 1:3-4" . www.sefaria.org .

Testamento de Salomão

No Testamento de Salomão , Belzebu (e não Belzebub) aparece como príncipe dos demônios e diz [ 3 ] que antes era um anjo celestial importante que estava [ 4 ] associado à estrela Héspero (o nome grego normal para o planeta Vênus ( Afrodite , Αφροδíτη) como estrela vespertina). Aparentemente, Belzebu aqui é sinônimo de Lúcifer . Belzebu afirma causar destruição por meio de tiranos , fazer com que demônios sejam adorados entre os homens, incitar a luxúria nos sacerdotes, causar ciúmes nas cidades e assassinatos, e provocar guerras. O Testamento de Salomão é uma obra pseudoepigráfica do Antigo Testamento , supostamente escrita pelo Rei Salomão , na qual o autor descreve principalmente demônios específicos que ele escravizou para ajudar a construir o Templo de Salomão , com substanciais interpolações cristãs. [ 5 ]


Literatura rabínica

Os comentários da literatura rabínica equiparam o Baʿal-zəvuv de Ecrom ao senhor da "mosca". [ 6 ] [ 7 ] A palavra Baʿal-zəvuv nos textos rabínicos é uma zombaria da adoração a Baal , que os antigos hebreus consideravam idolatria. [ 8 ]


Estudiosos judeus interpretaram o título "Senhor das Moscas" como a maneira hebraica de chamar Ba'al de monte de excremento e comparar os seguidores de Ba'al a moscas. [ 9 ] [ 7 ]


cristandade

Bíblia Cristã


Satanás e Belzebu, os capitães do Inferno em Paraíso Perdido , de John Milton.

Em Marcos 3:22, os escribas acusam Jesus Cristo de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios. O nome também aparece na versão expandida em Mateus 12 :24,27 e Lucas 11:15, 18-19, bem como em Mateus 10:25 .


Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como, então, poderá o seu reino subsistir? E, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos homens? Eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus chegou até vós."


— Mateus 12 :25-28

Belzebu também é identificado no Novo Testamento como o Diabo , "o príncipe dos demônios". [ 10 ] [ 11 ] Reconhecendo as preocupações com a tradução , o estudioso bíblico Thomas Kelly Cheyne sugeriu que poderia ser uma corrupção depreciativa de Ba'al-zəbûl , "Senhor do Lugar Alto" (isto é, Céu) ou "Senhor Supremo". [ 12 ]


Belzebu, em Paraíso Perdido , é o segundo em comando de Satanás e o anjo caído que desempenha um papel central na organização dos demônios após sua expulsão do Céu . Milton o caracteriza como um orador ponderado e persuasivo, cuja retórica muitas vezes modera as ambições mais impulsivas de Satanás. [ 13 ] No Livro II, é Belzebu quem propõe a estratégia de corromper a humanidade recém-criada por Deus , um plano que, segundo estudiosos, reflete tanto perspicácia política quanto ambição calculada. [ 14 ] Os críticos interpretaram seu papel de várias maneiras, desde uma figura motivada por inveja e imitação infernal da ordem divina, até uma espécie de contraparte sombria da autoridade profética no Inferno , e alguns até enfatizaram sua estreita parceria com Satanás como essencial para a hierarquia emergente do Inferno. [ 15 ] [ 16 ] [ 17 ] [ melhor fonte necessária ]


Tradição gnóstica

Veja também: Gnosticismo

Os textos do Evangelho de Nicodemos variam; Belzebu e Belzebu são usados indistintamente. O nome é usado por Hades como um nome secundário para o Diabo , mas pode variar em cada tradução do texto; outras versões separam Belzebu do Diabo.


De acordo com os ensinamentos do Movimento Gnóstico Moderno de Samael Aun Weor , Belzebu era um príncipe dos demônios que se rebelou contra a Loja Negra durante a Segunda Guerra Mundial e foi convertido por Aun Weor à Loja Branca. [ 18 ]


tradição cristã


Homem sendo atacado por demônios e diabos

Belzebu é comumente descrito como ocupando uma posição elevada na hierarquia do Inferno . De acordo com as histórias do ocultista do século XVI , Johann Weyer , Belzebu liderou uma revolta bem-sucedida contra o Diabo, [ 19 ] é o principal tenente de Lúcifer , o Imperador do Inferno, e preside a Ordem da Mosca. Da mesma forma, o exorcista do século XVII, Sébastien Michaëlis , em sua História Admirável (1612), colocou Belzebu entre os três anjos caídos mais proeminentes , sendo os outros dois Lúcifer e Leviatã . John Milton , em seu poema épico Paraíso Perdido , publicado pela primeira vez em 1667, identificou uma trindade profana composta por Belzebu, Lúcifer e Astarote , com Belzebu como o segundo em hierarquia entre os muitos anjos caídos. Milton escreveu sobre Belzebu: "acima de quem, exceto Satanás, ninguém se sentava em posição superior". Belzebu também é um personagem em O Peregrino , de John Bunyan , publicado pela primeira vez em 1678.


Em 1409–1410, The Lanterne of Light (um tratado anônimo inglês lolardo, frequentemente atribuído a John Wycliffe ) [ 20 ] forneceu uma classificação dos príncipes do Inferno com base nos sete pecados capitais e associou Belzebu ao pecado capital da inveja . No entanto, Sebastien Michaelis associou Belzebu ao pecado capital do orgulho , um dos outros sete pecados capitais , e, de acordo com Peter Binsfeld em seu Treatise on Confessions by Evildoers and Witches de 1589 , Belzebu era o demônio da gula , enquanto Francis Barrett afirmou que Belzebu era o príncipe da idolatria . [ 21 ] [ 22 ]


Não só os fariseus acusaram Jesus de usar os poderes demoníacos de Belzebu para curar pessoas (Lucas 11:14-26), como outros foram rotulados como possuídos por atos de natureza extrema. Ao longo da história, Belzebu foi responsabilizado por muitos casos de possessão demoníaca , como o da Irmã Madeleine de Demandolx de la Palud, em Aix-en-Provence, em 1611, cujo relacionamento com o Padre Jean-Baptiste Gaufridi levou não só a inúmeros eventos traumáticos nas mãos de seus inquisidores, mas também à tortura e execução daquele "feiticeiro de jovens freiras", o próprio Gaufridi. Acreditava-se também que Belzebu exercia influência em Salem, Massachusetts ; seu nome surgiu repetidamente durante os julgamentos das bruxas de Salem , a última grande manifestação pública de histeria coletiva em relação às bruxas na América do Norte ou na Europa , e, posteriormente, o Reverendo Cotton Mather escreveu um panfleto intitulado " De Belzebu e sua Conspiração" . [ 23 ]


questões de tradução

Não se sabe se Símaco, o ebionita, estava correto ao identificar esses nomes. Zebul pode derivar de uma pronúncia arrastada de zebûb ; de zebel , uma palavra usada para significar "esterco" nos Targuns ; ou do hebraico zebûl, encontrado em 1 Reis 8:13 na frase bêt-zebûl , "casa elevada". A Septuaginta traduz o nome como Baalzebub ( Βααλζεβούβ ) e como Baal muian ( Βααλ μυῗαν , "Baal das moscas"). No entanto, Símaco pode ter refletido uma tradição de seu antigo nome ofensivo quando o traduziu como Belzebu . [ 24 ]


Em todo caso, a forma Belzebu foi substituída por Belzebu na tradução siríaca e na Vulgata Latina dos evangelhos, e essa substituição foi repetida na Versão do Rei Jaime , sendo a forma resultante Belzebu praticamente desconhecida pelas culturas da Europa Ocidental e suas descendentes até que algumas traduções mais recentes a restauraram. [ citação necessária ]


Alternativamente a Baʿal zəvuv , o nome real da divindade poderia ter sido Baʿal zəvul , "senhor da morada (celestial)", e Baʿal zəvuv poderia ter sido um trocadilho depreciativo usado pelos israelitas . [ 25 ] [ 26 ] [ 27 ]


Nas traduções árabes , o nome é grafado como Baʿl-zabūl ( بعلزبول ).

Etimologia

O título Baal significa "Senhor" nas antigas línguas ugaríticas e cananíticas e era usado como título para vários deuses locais, frequentemente precedendo o nome descritivo de um deus específico. O nome Baʿal zəvuv aparece na Bíblia Hebraica como o deus da cidade filisteia de Ecrom, mas as opiniões divergem sobre o significado do nome. Em uma interpretação, Baʿal zəvuv é traduzido literalmente como "senhor das moscas" . [ 30 ] [ 31 ] [ 32 ] [ 33 ] Há muito tempo se sugeriu que havia uma relação entre o deus filisteu e os cultos de moscas, referindo-se à visão desses cultos como pragas que se banqueteavam com excrementos. Isso é semelhante a deuses helênicos como Zeus Apomyios ou Myiagros ("Zeus que afasta moscas"), que eram considerados protetores das pessoas contra insetos nocivos. [ 34 ] Um texto ugarítico descreve Baal expulsando moscas, que são a causa da doença de uma pessoa.

Segundo Francesco Saracino (1982), as evidências são inconclusivas, mas a estrutura linguística do nome Baʿal zəvuv assemelha-se à forma como outros nomes divinos foram formados no mundo mediterrâneo mais amplo . Isso apoia a possibilidade de que o nome reflita uma divindade local genuína de Ecrom; talvez uma associada à cura, como sugerido pela história em 2 Reis 1:2–3 , onde o rei Acazias envia mensageiros para consultar Baʿal zəvuv sobre sua recuperação de um ferimento. [ 35 ]

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Post nº 662 ✓

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

JUDAS ISCARIOTES (AQUELE QUE TRAIU JESUS)

Remorso de Judas (1880) de José Ferraz de Almeida Júnior.

  • NASCIMENTO: 3 d.C.; Queriote, Judeia, Império Romano
  • FALECIMENTO: 30 a 33 d.C.; Jerusalém, Judeia, Império Romano (Suicídio por enforcamento e/ou queda)
  • FAMÍLIA: Simão Iscariotes (pai)
Judas Iscariotes (/ˈdʒuːdəs ɪˈskæriət/; grego bíblico: Ἰούδας Ἰσκαριώτης, romanizado: Ioúdas Iskariṓtēs; c. 3 d.C. – c. 30 a 33 d.C.) foi, de acordo com os quatro evangelhos canônicos do cristianismo, um dos Doze Apóstolos originais de Jesus Cristo. Judas traiu Jesus ao Sinédrio no Jardim do Getsêmani em troca de trinta moedas de prata, beijando-o na face e dirigindo-se a ele como "mestre" para revelar sua identidade à multidão que viera prendê-lo. Nos tempos modernos, seu nome é frequentemente usado como sinônimo de traição.

HISTORICIDADE

Embora a existência histórica de Judas Iscariotes seja geralmente amplamente aceita entre os historiadores seculares, esse consenso relativo não passou totalmente despercebido. A alusão mais antiga possível a Judas vem da Primeira Epístola aos Coríntios 11:23–24, na qual o apóstolo Paulo não menciona Judas pelo nome, mas usa a voz passiva da palavra grega paradídōmi (παραδίδωμι), que a maioria das traduções bíblicas traduz como "foi traído": "... o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou um pão..." No entanto, alguns estudiosos bíblicos argumentam que a palavra paradídōmi deveria ser traduzida como "foi entregue". Esta tradução ainda poderia se referir a Judas, mas também poderia se referir a Deus metaforicamente "entregando Jesus" aos romanos.

Em seu livro Antisemitismo e Modernidade (2006), o estudioso judeu Hyam Maccoby sugere que, no Novo Testamento, o nome "Judas" foi construído como um ataque aos judeus ou à instituição religiosa judaica considerada responsável pela execução de Jesus. Em seu livro Os Pecados das Escrituras (2009), John Shelby Spong concorda com esse argumento, insistindo: "Toda a história de Judas tem a sensação de ter sido inventada ... O ato de traição por um membro dos doze discípulos não é encontrado nos primeiros escritos cristãos. Judas é inserido na narrativa cristã pela primeira vez no Evangelho de Marcos (3:19), que escreveu no início da década de 70 d.C."

A maioria dos estudiosos rejeita esses argumentos de não historicidade. Esses estudiosos observam que não há nada nos evangelhos que associe Judas aos judeus, exceto seu nome, que era extremamente comum entre os homens judeus durante o primeiro século. Os estudiosos também observam que inúmeras outras figuras chamadas "Judas" são mencionadas ao longo do Novo Testamento e que nenhuma é retratada negativamente. Figuras positivas chamadas Judas mencionadas no Novo Testamento incluem o profeta Judas Barsabás (Atos 15:22-33), o irmão de Jesus, Judas (Marcos 6:3; Mateus 13:55; Judas 1) e o apóstolo Judas, filho de Tiago (Lucas 6:14-16; Atos 1:13; João 14:22).

VIDA

Nome e Histórico: O nome "Judas" ( Ὶούδας ) é uma versão grega do nome hebraico Judá (יהודה , Yehûdâh, hebraico para "louvor" ou "louvado"), que era um nome extremamente comum para homens judeus durante o primeiro século d.C., devido ao renomado herói Judas Macabeu. Consequentemente, inúmeras outras figuras com esse nome são mencionadas em todo o Novo Testamento. No Evangelho de Marcos 3:13-19 , que foi escrito em meados da década de 60 ou início da década de 70 d.C., Judas Iscariotes é o único apóstolo chamado "Judas". Mateus 10:2-4 compartilha essa representação. O Evangelho de Lucas 6:12–19, no entanto, substitui o apóstolo a quem Marcos e Mateus chamam de “ Tadeu ” por “Judas, filho de Tiago”. Peter Stanford sugere que esta mudança de nome pode representar um esforço do autor do Evangelho de Lucas para criar um “Judas bom” em contraste com o traidor Judas Iscariotes.

O epíteto de Judas "Iscariotes" ( Ὶσκάριωθ ou Ὶσκαριώτης ), que o distingue das outras pessoas chamadas "Judas" nos evangelhos, é geralmente considerado uma tradução grega da frase hebraica איש־קריות , ( Κ-Qrîyôt ), que significa "o homem de Queriote ". [ 17 ] [ 9 ] [ 18 ] [ 19 ] Esta interpretação é apoiada pela declaração no Evangelho de João 6:71 de que Judas era "filho de Simão Iscariotes". [ 9 ] No entanto, esta interpretação do nome não é totalmente aceita por todos os estudiosos. [ 17 ] [ 9 ] Uma das explicações alternativas mais populares sustenta que "Iscariotes" ( ܣܟܪܝܘܛܐ , 'Skaryota' em aramaico siríaco, segundo o texto da Peshitta ) pode ser uma corrupção da palavra latina sicarius , que significa "homem da adaga", [ 17 ] [ 9 ] [ 20 ] [ 21 ] que se referia a um membro dos Sicários ( סיקריים em aramaico), um grupo de rebeldes judeus conhecidos por assassinar pessoas em multidões usando longas facas escondidas sob suas capas. [ 17 ] [ 9 ] Essa interpretação é problemática, no entanto, porque não há nada nos evangelhos que associe Judas aos Sicários, [ 9 ] e não há evidências de que o grupo existisse durante a década de 30 d.C., quando Judas estava vivo. [ 22 ] [ 9 ]

Uma possibilidade levantada por Ernst Wilhelm Hengstenberg é que "Iscariotes" signifique "o mentiroso" ou "o falso", do hebraico איש-שקרים . CC Torrey sugere, em vez disso, a forma aramaica שְׁקַרְיָא ou אִשְׁקַרְיָא , com o mesmo significado. [ 23 ] [ 24 ] Stanford rejeita isso, argumentando que os evangelistas seguem o nome de Judas com a afirmação de que ele traiu Jesus, então seria redundante chamá-lo de "o falso" antes de afirmar imediatamente que ele era um traidor. [ 9 ] Alguns propuseram que a palavra deriva de uma palavra aramaica que significa "cor vermelha", da raiz סקר . [ 25 ] Outra hipótese sustenta que a palavra deriva de uma das raízes aramaicas סכר ou סגר . Isso significaria "libertar", com base na tradução da Septuaginta de Isaías 19:4 (uma teoria defendida por J. Alfred Morin). [ 24 ] O epíteto também poderia estar associado à maneira como Judas morreu, enforcado. Isso significaria que Iscariotes deriva de uma espécie de híbrido greco-aramaico: אִסְכַּרְיוּתָא , Iskarioutha , que significa "sufocamento" ou "constrição". Isso poderia indicar que o epíteto foi aplicado postumamente pelos discípulos restantes, mas Joan E. Taylor argumentou que era um nome descritivo dado a Judas por Jesus, já que outros discípulos, como Simão Pedro /Cefas ( Cefas "rocha"), também receberam nomes semelhantes.

Papel como apóstolo: Embora os evangelhos canônicos frequentemente discordem sobre os nomes de alguns dos apóstolos menores, [ 26 ] todos os quatro listam Judas Iscariotes como um deles. [ 26 ] [ 9 ] Os Evangelhos Sinópticos afirmam que Jesus enviou “os doze” (incluindo Judas) com poder sobre os espíritos imundos e com um ministério de pregação e cura: Judas claramente desempenhou um papel ativo neste ministério apostólico ao lado dos outros onze. [ 27 ] No entanto, no Evangelho de João, a perspectiva de Judas foi diferenciada – muitos dos discípulos de Jesus o abandonaram por causa da dificuldade em aceitar seus ensinamentos, e Jesus perguntou aos doze se eles também o deixariam. Simão Pedro falou pelos doze: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”, mas Jesus observou então que, embora ele próprio tivesse escolhido os doze, um deles (não nomeado por Jesus, mas identificado pelo narrador) era “um demônio” que o trairia. [ 28 ]

Uma das declarações mais bem atestadas e confiáveis feitas por Jesus nos evangelhos vem do Evangelho de Mateus 19:28 , no qual Jesus diz aos seus apóstolos: “no novo mundo , quando o Filho do Homem se assentar no seu trono glorioso, vocês também se assentarão em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel ”. [ 26 ] O estudioso do Novo Testamento Bart D. Ehrman conclui: “Esta não é uma tradição que provavelmente tenha sido inventada por um cristão posteriormente, após a morte de Jesus – visto que um desses doze havia abandonado a sua causa e o traído. Ninguém pensava que Judas Iscariotes se assentaria num trono glorioso no Reino de Deus. Essa declaração, portanto, parece remontar a Jesus e indica, então, que ele tinha doze discípulos próximos, que ele previu que reinariam no Reino vindouro”. [ 26 ]

Mateus afirma diretamente que Judas traiu Jesus por um suborno de “ trinta moedas de prata ” [ 29 ] [ 30 ] identificando-o com um beijo (“o beijo de Judas ”) aos soldados do sumo sacerdote Caifás , que então entregaram Jesus aos soldados de Pôncio Pilatos . O Evangelho de Marcos afirma que os principais sacerdotes procuravam uma maneira de prender Jesus . Eles decidiram não fazê-lo durante a festa [da Páscoa ], pois temiam que o povo se revoltasse; [ 31 ] em vez disso, escolheram a noite anterior à festa para prendê-lo. De acordo com o relato de Lucas, Satanás entrou em Judas nessa ocasião. [ 32 ]

De acordo com o relato no Evangelho de João, Judas carregava a bolsa ou caixa de dinheiro dos discípulos ( γλωσσόκομον , glōssokomon ), [ 33 ] mas o Evangelho de João não menciona as trinta moedas de prata como pagamento pela traição. O evangelista comenta em João 12:5-6 que Judas falava palavras bonitas sobre dar dinheiro aos pobres, mas a realidade era que "ele não se importava com os pobres, mas era um ladrão e tinha a bolsa de dinheiro; e costumava pegar o que era colocado nela". No entanto, em João 13:27-30, quando Judas saiu da reunião de Jesus e seus discípulos com a intenção de traí-los, [ 34 ] alguns [dos discípulos] pensaram que Judas poderia estar saindo para comprar suprimentos ou para fazer uma obra de caridade.

Ehrman argumenta que a traição de Judas "é tão historicamente certa quanto qualquer outra coisa na tradição", [ 4 ] [ 17 ] apontando que a traição é atestada independentemente no Evangelho de Marcos, no Evangelho de João e no Livro dos Atos. [ 4 ] [ 17 ] Ehrman também afirma que é altamente improvável que os primeiros cristãos tivessem inventado a história da traição de Judas, uma vez que ela reflete negativamente sobre o julgamento de Jesus ao escolhê-lo como apóstolo. [ 4 ] [ 35 ] No entanto, Ehrman argumenta que o que Judas realmente disse às autoridades não foi a localização de Jesus, mas sim o ensinamento secreto de Jesus de que ele era o Messias. [ 4 ] Isso, segundo ele, explica por que as autoridades não tentaram prender Jesus antes da traição de Judas. [ 4 ] John P. Meier resume o consenso histórico, afirmando: “Só sabemos dois factos básicos sobre [Judas]: (1) Jesus escolheu-o como um dos Doze, e (2) ele entregou Jesus às autoridades de Jerusalém, precipitando assim a execução de Jesus.” [ 36 ]

Morte: Muitos relatos diferentes da morte de Judas sobreviveram da antiguidade, tanto dentro quanto fora do Novo Testamento. [ 37 ] [ 38 ] Mateus 27:1–10 afirma que, após saber que Jesus seria crucificado , Judas foi tomado pelo remorso e tentou devolver as 30 moedas de prata aos sacerdotes, mas eles não as aceitaram porque eram dinheiro de sangue, então ele as jogou no chão e saiu. Depois, ele cometeu suicídio enforcando-se [ 39 ] de acordo com a lei mosaica ( Deuteronômio 21:22–23 ). [ 40 ] Os sacerdotes então usaram o dinheiro para comprar um campo de oleiro , que ficou conhecido como Akeldama (חקל דמא – khakel dama , o Campo de Sangue) porque havia sido comprado com dinheiro de sangue. [ 39 ] Atos 1:18 afirma que Judas usou o dinheiro para comprar um campo, [ 39 ] [ 41 ] e “[caiu] de cabeça ... rompeu-se ao meio, e todas as suas entranhas se derramaram.” [ 39 ] Neste relato, a morte de Judas é aparentemente acidental, [ 39 ] e ele não demonstra nenhum sinal de remorso. [ 39 ]

O padre da Igreja primitiva , Papias de Hierápolis, registra em suas Exposições dos Ditos do Senhor (que provavelmente foi escrito por volta de 100 d.C.) que Judas foi afligido pela ira de Deus; [ 42 ] [ 43 ] seu corpo ficou tão enormemente inchado que ele não conseguia passar por uma rua com prédios em ambos os lados. [ 42 ] [ 43 ] Seu rosto ficou tão inchado que um médico não conseguiu nem mesmo identificar a localização de seus olhos usando um instrumento óptico. [ 42 ] Os genitais de Judas ficaram enormemente inchados e supuravam pus e vermes. [ 42 ] Finalmente, ele se matou em sua própria terra, derramando suas entranhas no chão, [ 42 ] [ 43 ] que cheirava tão horrivelmente que, mesmo na época de Papias, um século depois, as pessoas ainda não conseguiam passar pelo local sem tapar o nariz. [ 42 ] [ 43 ] Esta história era bem conhecida entre os cristãos na antiguidade [ 43 ] e era frequentemente contada em competição com as duas histórias conflitantes do Novo Testamento. [ 43 ]

Segundo o Evangelho apócrifo de Nicodemos , provavelmente escrito no século IV d.C., Judas foi tomado pelo remorso [ 44 ] e voltou para casa para dizer à sua esposa, que assava um frango no espeto sobre brasas, que iria se matar, pois sabia que Jesus ressuscitaria dos mortos e, quando isso acontecesse, o puniria. [ 44 ] A esposa de Judas riu e disse-lhe que Jesus não podia ressuscitar dos mortos, assim como não podia ressuscitar o frango que ela estava cozinhando. [ 37 ] Imediatamente, o frango voltou à vida e começou a cantar. [ 42 ] Judas então fugiu e se enforcou. [ 42 ] No Evangelho apócrifo de Judas , Judas tem uma visão dos discípulos apedrejando-o e perseguindo-o. [ 45 ]

A discrepância entre os dois relatos diferentes da morte de Judas em Mateus 27:1–10 e Atos 1:18 tem se mostrado um sério desafio para aqueles que apoiam a ideia da inerrância bíblica . [ 44 ] [ 43 ] Esse problema foi um dos pontos que levaram C.S. Lewis , por exemplo, a rejeitar a visão de que "toda declaração nas Escrituras deve ser verdade histórica". [ 46 ] No entanto, várias tentativas de harmonização foram sugeridas. [ 43 ] Geralmente, elas seguiram interpretações literais, como a de Agostinho de Hipona , que sugerem que esses relatos simplesmente descrevem diferentes aspectos do mesmo evento: que Judas se enforcou no campo, e a corda acabou se rompendo e a queda abriu seu corpo, [ 47 ] [ 48 ] ou que os relatos de Atos e Mateus se referem a duas transações diferentes. [ 49 ] Alguns interpretaram as descrições como figurativas: que o “cair prostrado” era Judas em angústia, [ a ] e o “irromper das entranhas” é derramar emoção. [ b ]

Estudiosos modernos rejeitam essas abordagens; obras históricas antigas podiam apresentar diferenças ao relatar eventos, com variações entre Tácito , Suetônio e Plutarco sobre a morte de Otão semelhantes às dos evangelhos. [ 50 ] [ 51 ] [ 52 ] [ 53 ] Arie W. Zwiep argumenta que nenhuma das histórias foi feita para ser lida à luz da outra e contra harmonizações, [ 43 ] [ 43 ] embora outros estudiosos argumentem que Lucas-Atos usaram Mateus ou vice-versa. [ 54 ] [ 55 ] David A. Reed argumenta que o relato de Mateus é uma exposição midráshica que permite ao autor apresentar o evento como um cumprimento de passagens proféticas do Antigo Testamento. Eles argumentam que o autor adiciona detalhes imaginativos, como as trinta moedas de prata e o fato de Judas se enforcar, a uma tradição anterior sobre a morte de Judas. [ 56 ]

A descrição da morte feita por Mateus como cumprimento de uma profecia "dita por meio do profeta Jeremias" causou dificuldades, visto que não corresponde claramente a nenhuma versão conhecida do Livro de Jeremias , mas parece referir-se a uma história do Livro de Zacarias [ 57 ] que descreve a devolução de um pagamento de trinta moedas de prata. [ 58 ] Mesmo escritores como Jerônimo e João Calvino concluem que isso foi obviamente um erro. [ c ] O teólogo evangélico James R. White sugeriu que a atribuição errônea surge de uma suposta prática judaica de usar o nome de um profeta maior para se referir a todo o conteúdo do grupo de pergaminhos, incluindo livros escritos por profetas menores colocados no mesmo grupo. [ 59 ]

Alguns estudiosos sugeriram que o escritor também pode ter tido em mente uma passagem de Jeremias, [ 60 ] como os capítulos 18:1–4 e 19:1–13 que se referem a um jarro de oleiro e a um local de sepultamento, e o capítulo 32:6–15 que se refere a um local de sepultamento e a um jarro de barro. [ 61 ] Raymond Brown sugere que “a explicação mais plausível é que Mateus 27:9–10 apresenta uma citação mista com palavras retiradas tanto de Zacarias quanto de Jeremias, e ... ele se refere a essa combinação por um único nome. Jeremias 18–9 trata de um oleiro (18:2–; 19:1), uma compra (19:1), o Vale de Hinom (onde o Campo de Sangue é tradicionalmente localizado, 19:2), 'sangue inocente' (19:4) e a mudança do nome de um local de sepultamento (19:6, 11); e Jeremias 32:6–5 fala da compra de um campo com prata.” [ 62 ]

O classicista Glenn W. Most sugere que a morte de Judas em Atos pode ser interpretada figurativamente, escrevendo que πρηνὴς γενόμενος deveria ser traduzido como dizendo que seu corpo ficou prostrado, em vez de cair de cabeça, e o derramamento das entranhas pretende evocar a imagem de cobras mortas e suas barrigas abertas. Portanto, Lucas estava afirmando que Judas assumiu a postura corporal de uma cobra e morreu como uma. [ 63 ] No entanto, o estudioso bíblico católico John L. McKenzie afirma: "Esta passagem provavelmente ecoa o destino dos ímpios em ..." o livro deuterocanônico Sabedoria de Salomão 4:19: [ 64 ] "... [o Senhor] os esmagará sem palavras por terra e os abalará desde os alicerces; eles ficarão completamente secos e estéreis, e sofrerão angústia, e a memória deles perecerá."

TRAIÇÃO DE JESUS

Existem várias explicações para o motivo pelo qual Judas traiu Jesus. [ 66 ] No relato mais antigo, no Evangelho de Marcos, quando ele vai aos principais sacerdotes para trair Jesus, oferecem-lhe dinheiro como recompensa, mas não fica claro se o dinheiro é a sua motivação. [ 67 ] No Evangelho de Mateus, por outro lado, ele pergunta quanto lhe pagarão para entregar Jesus. [ 68 ] No Evangelho de Lucas [ 69 ] e no Evangelho de João, [ 70 ] o diabo entra em Judas, fazendo-o oferecer-se para trair Jesus. O Evangelho de João relata que Judas reclama que o dinheiro foi gasto em perfumes caros para ungir Jesus, dinheiro que poderia ter sido gasto com os pobres, mas acrescenta que era o guardião da bolsa dos apóstolos e costumava roubar dela. [ 71 ] Segundo alguns [ quem? ] , Judas pensou que poderia obter o dinheiro por trair Jesus sem que Jesus fosse morto, pois escaparia como já havia feito muitas vezes antes.

Uma sugestão é que Judas esperava que Jesus derrubasse o domínio romano da Judeia . Nessa visão, Judas é um discípulo desiludido que trai Jesus não tanto por amor ao dinheiro, mas por amor ao seu país e por achar que Jesus o havia decepcionado. [ 66 ] Outra é que Jesus estava causando agitação, o que provavelmente aumentaria as tensões com as autoridades romanas, e estas achavam que ele deveria ser contido até depois da Páscoa, quando todos tivessem voltado para casa e a comoção tivesse diminuído. [ 76 ] [ verificação necessária ]

Os evangelhos sugerem que Jesus previu ( João 6:64 , Mateus 26:25 ) e permitiu a traição de Judas ( João 13:27-28 ). [ 77 ] Uma explicação é que Jesus permitiu a traição porque isso permitiria que o plano de Deus se cumprisse. Outra é que, independentemente da traição, Jesus estava destinado à crucificação. [ 78 ]

Em abril de 2006, um manuscrito de papiro copta intitulado Evangelho de Judas, de 200 d.C., foi traduzido, sugerindo que Jesus disse a Judas para traí-lo, [ 79 ] embora alguns estudiosos questionem a tradução. [ 80 ] [ 81 ] No entanto, há um consenso entre os estudiosos de que este texto não contém informações históricas. [ 82 ] [ 41 ]

Judas é tema de escritos filosóficos. Orígenes de Alexandria , em seu Comentário ao Evangelho de João , reflete sobre as interações de Judas com os outros apóstolos e a confiança que Jesus depositou nele antes de sua traição. [ 83 ] Outras reflexões filosóficas sobre Judas incluem O Problema do Mal Natural, de Bertrand Russell , e " Três Versões de Judas ", um conto de Jorge Luis Borges . Elas alegam várias contradições ideológicas problemáticas na discrepância entre as ações de Judas e seu castigo eterno. Bruce Reichenbach argumenta que, se Jesus prevê a traição de Judas, então a traição não é um ato de livre-arbítrio [ 84 ] e, portanto, não deveria ser punível. Por outro lado, argumenta-se que o simples fato de a traição ter sido predita não impede Judas de exercer seu próprio livre-arbítrio nesse assunto. [ 85 ] Outros estudiosos argumentam que Judas agiu em obediência à vontade de Deus. [ 86 ] Os evangelhos sugerem que Judas está aparentemente ligado ao cumprimento dos propósitos de Deus ( João 13:18 , João 17:12 , Mateus 26:23-25 , Lucas 22:21-22 , Mateus 27:9-10 , Atos 1:16 , Atos 1:20 ), [ 77 ] contudo, “ai dele”, e “melhor teria sido não ter nascido” ( Mateus 26:23-25 ). A dificuldade inerente ao ditado reside em seu paradoxo: se Judas não tivesse nascido, o Filho do Homem aparentemente não faria mais “como está escrito a seu respeito”. A consequência dessa abordagem apologética é que as ações de Judas passam a ser vistas como necessárias e inevitáveis, embora conduzam à condenação. [ 87 ] Outra explicação é que o nascimento e a traição de Judas não tornaram necessária a única maneira pela qual o Filho do Homem poderia ter sofrido e sido crucificado. As primeiras igrejas acreditavam que "como está escrito a respeito dele" era profético, cumprindo Escrituras como a do servo sofredor em Isaías 52–53 e a do justo no Salmo 22, que não exigem traição (pelo menos por parte de Judas ) como meio para o sofrimento. Independentemente de qualquer necessidade, Judas é responsabilizado por seu ato (Marcos 14:21; Lucas 22:22; Mateus 26:24). [ 88 ]

Em seu livro de 1965 , The Passover Plot , o estudioso britânico do Novo Testamento Hugh J. Schonfield sugere que a crucificação de Cristo foi uma reencenação consciente da profecia bíblica e que Judas agiu com o pleno conhecimento e consentimento de Jesus ao "traí-lo" às autoridades. O livro foi descrito de várias maneiras como "factualmente infundado", [ 89 ] baseado em "poucos dados" e "suposições absurdas", [ 90 ] "perturbador" e "de mau gosto".

O DESTINO ETERNO DE JUDAS

A natureza do destino eterno de Judas tem sido objeto de debate na teologia cristã. Alguns argumentam que Judas foi condenado devido ao desespero que o levou a cometer suicídio. [ 92 ] Um exemplo dessa visão é de Cornélio à Lapide : "Judas acrescentou ao seu pecado anterior o pecado do desespero. Não foi um pecado mais hediondo, mas sim mais fatal para si mesmo, pois o lançou nas profundezas do inferno. Ele poderia, ao se arrepender, ter pedido (e certamente teria obtido) o perdão de Deus. Mas, como Caim , ele desesperou-se do perdão." [ 93 ] O Teofilato apresenta uma visão diferente, afirmando que Judas "enforcou-se pensando em preceder Jesus no Hades e lá implorar por sua própria salvação." [ 72 ] De acordo com o livro de Mateus 27:5, Judas de fato cometeu suicídio por enforcamento. [ 94 ] No entanto, de acordo com o livro de Atos 1:18, diz que Judas morreu ao cair de um penhasco com as entranhas expostas. [ 95 ] Esses dois relatos são geralmente considerados complementares, sugerindo que Judas se enforcou e, após a decomposição do corpo ou o rompimento da corda, caiu e se abriu.

Teólogos protestantes: O teólogo católico Erasmo acreditava que Judas era livre para mudar sua intenção, mas Martinho Lutero argumentou em refutação que a vontade de Judas era imutável. João Calvino, em Institutas da Religião Cristã 1, 18:4, citado por David Lyle Jeffrey, afirma que Judas estava predestinado à danação, mas escreve sobre a questão da culpa de Judas: "certamente, na traição de Judas, não será mais correto, porque o próprio Deus quis que seu filho fosse entregue e o entregou à morte, atribuir a culpa do crime a Deus do que transferir o crédito da redenção a Judas." [ 97 ] Karl Daub , em seu livro Judas Iscariotes , escreve que Judas deve ser considerado "uma encarnação do diabo" para quem "misericórdia e bem-aventurança são igualmente impossíveis." [ 98 ]

A Bíblia de Genebra contém diversas notas adicionais sobre Judas Iscariotes em seus comentários. No Evangelho de Mateus , após o Sinédrio condenar Jesus Cristo à morte, são acrescentados os comentários referentes a Judas: “... o arrependimento tardio traz desespero” (cf. Mt 27:3) e “Embora ele abomine seus pecados, não se aborrece com eles, mas desespera-se da misericórdia de Deus e busca a sua própria destruição” (cf. Mt 27:4). Além disso, nos Atos dos Apóstolos, encontra-se o comentário: “A infâmia perpétua é a recompensa de todos aqueles que compram qualquer coisa com bens obtidos ilicitamente”, quando Judas comprou o “Campo de Sangue” com as 30 moedas de prata (cf. At 1:18). [ 99 ]

Doutrina católica: A Igreja Católica não tomou uma posição específica sobre a danação de Judas durante o Vaticano II ; falando em termos gerais, esse Concílio afirmou: “[Nós] devemos estar constantemente vigilantes para que ... não sejamos condenados a ir para o fogo eterno (cf. Mc 25, 41) como servos maus e negligentes (cf. Mc 25, 26), para as trevas exteriores onde 'haverá choro e ranger de dentes' (Mt 22, 13 e 25, 30).” [ 100 ] O Vaticano proclama a Salvação Eterna dos indivíduos apenas através do Cânon dos Santos . Não existe um ' Cânon dos Condenados '.

Assim, existe uma corrente de pensamento dentro da Igreja Católica que afirma ser desconhecido se Judas Iscariotes está no Inferno; por exemplo, David Endres, escrevendo no The Catholic Telegraph , cita o Catecismo da Igreja Católica §597 para a impossibilidade de se chegar a qualquer conclusão sobre se Judas está no Inferno. [ 101 ] No entanto, embora essa seção do catecismo instrua os católicos de que o pecado pessoal de Judas é desconhecido, exceto para Deus, essa afirmação está inserida no contexto de que o povo judeu não tem responsabilidade coletiva pela morte de Jesus: "... os judeus não devem ser considerados rejeitados ou amaldiçoados como se isso decorresse das Sagradas Escrituras." [ 102 ] Isso parece definir um ponto doutrinal diferente (isto é, a relação dos católicos com o povo judeu), em vez de tomar qualquer decisão a respeito do julgamento particular de Judas.

O livro de referência de Ludwig Ott , Fundamentos do Dogma Católico, identifica Judas Iscariotes como um exemplo de uma pessoa que recebe punição como um julgamento particular. [ 103 ]

O Catecismo do Concílio de Trento , que menciona Judas Iscariotes diversas vezes, escreveu que ele possuía “motivo indigno” quando entrou para o sacerdócio e, portanto, foi condenado à “perdição eterna”. [ 104 ] Além disso, Judas é dado como exemplo de um pecador que “desesperará da misericórdia” porque considerou “... Deus como um vingador do crime e não, também, como um Deus de clemência e misericórdia”. [ 105 ] O Catecismo do Concílio de Trento continuou a tradição dos primeiros padres da Igreja, como o Papa Leão I (“... se [Judas] não tivesse negado assim a Sua onipotência, teria obtido a Sua misericórdia ...”), [ 106 ] e o Papa Gregório I (“O traidor ímpio, fechando a mente a todas estas coisas, voltou-se contra si mesmo, não com a intenção de se arrepender, mas numa loucura de autodestruição ... mesmo no ato de morrer pecou para o aumento da sua própria punição eterna.”). [ 107 ]

Além disso, o Decreto de Justificação , promulgado durante a VI Sessão do Concílio de Trento , afirma no Cânon 6: “Se alguém disser que não está no poder do homem tornar os seus caminhos maus, mas que Deus produz o mal, bem como as boas obras, não só por permissão, mas também propriamente e por Si mesmo, de modo que a traição de Judas não é menos obra própria d'Ele do que a vocação de Paulo; seja anátema.” [ 108 ] Aqui, o Concílio deixa claro que Judas exerceu o seu próprio livre-arbítrio ao cometer a traição de Jesus Cristo, em vez de ser predestinado por Deus.

As instituições litúrgicas fazem parte das expressões da Sagrada Tradição da Igreja Católica . [ 109 ] No Missal Romano de 1962 para a Missa Tridentina em Latim , a Coleta da Quinta-feira Santa afirma: “Ó Deus, de quem Judas recebeu a punição por sua culpa e o ladrão a recompensa por sua confissão ... Nosso Senhor Jesus Cristo deu a cada um uma recompensa diferente de acordo com seus méritos ...” [ 110 ] Em seu comentário sobre o Ano Litúrgico , o Abade Gueranger, OSB, afirma que a Coleta lembra aos católicos que tanto Judas quanto o bom ladrão são culpados, “... e, no entanto, um é condenado, o outro perdoado.” [ 111 ] Assim, a Missa Tridentina em Latim , como celebrada atualmente, continua a fomentar a tradição dentro da Igreja Católica de que Judas foi punido.

Outro: Na Divina Comédia de Dante Alighieri, Judas é punido por toda a eternidade no nono círculo do Inferno: nele, ele é devorado por Lúcifer, juntamente com Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino (líderes do grupo de senadores que assassinaram Júlio César). A região mais interna do nono círculo é reservada para traidores de mestres e benfeitores e é chamada Judecca, em homenagem a Judas.

Em seu livro de 1969, Theologie der Drei Tage (tradução inglesa: Mysterium Paschale ), Hans Urs von Balthasar enfatiza que Jesus não foi traído, mas se entregou e se rendeu por si mesmo, visto que o significado da palavra grega usada pelo Novo Testamento, paradidonai (παραδιδόναι, latim : tradere ), é inequivocamente "entrega de si mesmo". [ 112 ] [ 113 ] No "Prefácio da Segunda Edição", Balthasar se baseia em Apocalipse 13:8 [ citação necessária ] ( Vulgata : agni qui occisus est ab origine mundi , NVI : "o Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo") para extrapolar a ideia de que Deus como " Trindade imanente " pode suportar e vencer a impiedade, o abandono e a morte em uma "superkenosis eterna " . [ 114 ] [ 115 ] Um padre católico, Richard Neuhaus, um aluno assumido de Balthasar, argumenta que é desconhecido se Judas está no Inferno, e também é possível que o Inferno esteja vazio. [ 116 ] No entanto, o monsenhor francês Léon Cristiani considera que Balthasar e Neuhaus estão meramente reciclando o erro do Origenismo , que inclui negar a eternidade do Inferno "... por meio de uma reabilitação geral dos condenados, incluindo, aparentemente, Satanás." [ 117 ] Esse erro, embora não considerado uma heresia formal, foi condenado em um sínodo em 548 d.C., que foi posteriormente confirmado pelo Papa Vigílio.

PAPEL NOS APÓCRIFOS

Judas tem sido uma figura de grande interesse para grupos esotéricos, como muitas seitas gnósticas. Irineu registra as crenças de uma seita gnóstica, os Cainitas , que acreditavam que Judas era um instrumento da Sophia , a Sabedoria Divina, atraindo assim o ódio do Demiurgo . Sua traição a Jesus foi, portanto, uma vitória sobre o mundo materialista. Os Cainitas posteriormente se dividiram em dois grupos, discordando sobre o significado último de Jesus em sua cosmologia.

Evangelho da Infância Siríaco: O Evangelho da Infância Siríaco [ 119 ] recorre a algumas das diferentes versões do Evangelho da Infância de Tomé . [ 120 ] No entanto, acrescenta muitas histórias próprias, provavelmente de lendas locais, incluindo uma de Judas. Esta obra pseudoepigráfica conta como Judas, quando menino, foi possuído por Satanás, que o fazia morder a si mesmo ou a qualquer outra pessoa presente. Num desses ataques, Judas mordeu o jovem Jesus na lateral; e, ao tocá-lo, Satanás foi exorcizado. Afirma ainda que a lateral que Judas supostamente mordeu foi a mesma que foi transpassada pela Lança Sagrada na Crucificação.

Evangelho de Judas: Durante a década de 1970, um códice (livro) de papiro copta foi descoberto perto de Beni Masah, no Egito . Aparentemente, tratava-se de uma cópia do século III ou IV de um original do século II, [ 122 ] [ 123 ] relatando uma série de conversas nas quais Jesus e Judas interagem e discutem a natureza do universo de um ponto de vista gnóstico. A descoberta ganhou grande repercussão internacional em abril de 2006, quando a revista National Geographic dos EUA publicou uma reportagem intitulada "O Evangelho de Judas", com imagens do frágil códice e comentários analíticos de especialistas e observadores interessados (mas não uma tradução completa). A introdução do artigo afirmava: "Um texto antigo, perdido por 1.700 anos, diz que o traidor de Cristo era seu discípulo mais fiel." [ 124 ] O artigo aponta para algumas evidências de que o documento original existia no século II: “Por volta de 180 d.C., Irineu , bispo de Lyon, no que era então a Gália romana, escreveu um tratado extenso chamado Contra as Heresias [no qual ele atacou] uma 'história fictícia', que 'eles chamam de Evangelho de Judas ' . ” [ 125 ]

Antes da circulação da edição da revista, outros meios de comunicação divulgaram a história, resumindo-a e relatando-a seletivamente.

Em dezembro de 2007, April DeConick afirmou que a tradução da National Geographic era gravemente falha: "Por exemplo, em um trecho, a transcrição da National Geographic se refere a Judas como um 'daimon', que os especialistas da sociedade traduziram como 'espírito'. No entanto, a palavra universalmente aceita para 'espírito' é 'pneuma' – na literatura gnóstica, 'daimon' é sempre interpretado como 'demônio ' . " [ 126 ] A National Geographic Society respondeu que "Praticamente todas as questões levantadas por April D. DeConick sobre as escolhas de tradução são abordadas em notas de rodapé tanto nas edições populares quanto nas críticas." [ 127 ] Em uma análise posterior das questões e publicações relevantes, a crítica Joan Acocella questionou se intenções ocultas não teriam começado a suplantar a análise histórica, por exemplo, se a publicação do Evangelho de Judas poderia ser uma tentativa de reverter antigas acusações antissemitas. Ela concluiu que o conflito contínuo entre o fundamentalismo bíblico e as tentativas de revisão era infantil devido à falta de confiabilidade das fontes. Portanto, ela argumentou: “As pessoas interpretam e trapaceiam. A resposta não é corrigir a Bíblia, mas corrigir a nós mesmos.” [ 128 ] Outros estudiosos questionaram a tradução e interpretação inicial do Evangelho de Judas pela equipe de especialistas da National Geographic . [ 80 ]

Evangelho de Barnabé: Segundo o Evangelho de Barnabé , um evangelho pseudoepigráfico do final da Idade Média , foi Judas, e não Jesus, quem foi crucificado. Esta obra narra que, quando Judas levou os soldados romanos a prender Jesus numa tentativa de traí-lo, anjos apareceram para levar Jesus por uma janela até os céus. Ao entrar na sala, a aparência de Judas se transformou na de Jesus, e os romanos o prenderam e o levaram para ser crucificado. A narrativa afirma que essa transformação de aparência não só enganou os romanos, mas também os fariseus, o sumo sacerdote, os seguidores de Cristo e sua mãe, Maria. O Evangelho de Barnabé menciona ainda que, três dias após o sepultamento, o corpo de Judas foi roubado de seu túmulo, espalhando-se rumores de que Jesus havia ressuscitado. De acordo com a tradição islâmica, quando Jesus foi informado no terceiro céu sobre o ocorrido, orou a Deus para ser enviado de volta à Terra, e posteriormente desceu, reuniu sua mãe, seus discípulos e seguidores e lhes contou a verdade sobre o que havia acontecido. Ele então ascendeu de volta aos céus, com a narrativa dando continuidade à lenda islâmica, que espelha a doutrina cristã de seu retorno no fim dos tempos como um rei justo.

O Evangelho de Barnabé não foi escrito por Barnabé ( fl.  primeiro século d.C. ). [ 129 ] [ 130 ] Muitos dos seus ensinamentos são sincrônicos com os do Alcorão e se opõem à Bíblia , especialmente ao Novo Testamento . A menção mais antiga conhecida do Evangelho de Barnabé foi descoberta em um manuscrito de 1634 de um mourisco encontrado em Madri, e a referência publicada mais antiga a ele foi no livro Menagiana, de 1715 , do poeta francês Bernard de la Monnoye.

Um “Evangelho segundo Barnabé” não relacionado foi mencionado pela primeira vez no Decreto Gelasiano do século VI e foi condenado como apócrifo. [ 131 ] : 25  Outra menção de um evangelho usando seu nome está na Lista dos Sessenta Livros do século VII , [ 132 ] : xxiv  ou no Catálogo dos Sessenta Livros Canônicos . [ 133 ] : 533  Os historiadores não têm certeza se estes se referem a este Evangelho de Barnabé, uma vez que nenhuma citação foi preservada para confirmação. [ 131 ] : 25  Jomier acredita que um falsificador poderia ter assumido o título após a publicação do Decreto Gelasiano pela imprensa. [ 134 ]

O Evangelho de Barnabé é criticado por estudiosos muçulmanos, [ 135 ] : 298  que o rejeitam parcialmente ou completamente. [ 137 ] De acordo com a estudiosa americana Amina Inloes , as muitas diferenças entre o evangelho e o Alcorão diluem sua importância. [ 138 ] Na edição de janeiro de 1977 do jornal da Liga Mundial Islâmica , o escritor sírio Yahya al-Hashimi o chamou de polêmica de um judeu para gerar hostilidade entre cristãos e muçulmanos. [ 131 ] : 115  [ 139 ] Al-Hashimi disse que não havia necessidade de usar evangelhos apócrifos para provar que Maomé era um profeta, porque ele acreditava que Maomé havia sido predito por Jesus como o Paráclito no Evangelho de João. O crítico literário egípcio Abbas Mahmoud al-Aqqad citou várias razões para rejeitar o evangelho, incluindo o uso de frases e ensinamentos do árabe andaluz que conflitam com o Alcorão.

Representações

Embora a santificação dos instrumentos da Paixão de Jesus (a chamada Arma Christi ), que foi se consolidando lentamente ao longo da Idade Média no simbolismo e na arte cristã, também incluísse a cabeça e os lábios de Judas, [ 141 ] o termo Judas entrou em muitas línguas como sinônimo de traidor , e Judas tornou-se o arquétipo do traidor na arte e na literatura ocidentais. Judas desempenha algum papel em praticamente toda a literatura que narra a história da Paixão e aparece em inúmeros romances e filmes modernos.

Nos hinos ortodoxos orientais da Quarta-feira Santa (a quarta-feira antes da Páscoa ), Judas é contrastado com a mulher que ungiu Jesus com perfume caro e lavou seus pés com suas lágrimas. Os hinos da Quarta-feira Santa contrastam essas duas figuras, encorajando os fiéis a evitarem o exemplo do discípulo caído e, em vez disso, imitarem o exemplo de arrependimento de Maria. Além disso, a quarta-feira é observada como um dia de jejum de carne, laticínios e azeite durante todo o ano em memória da traição de Judas. As orações de preparação para receber a Eucaristia também mencionam a traição de Judas: "Não revelarei teus mistérios aos teus inimigos, nem te trairei como Judas com um beijo, mas como o ladrão na cruz te confessarei."

Judas Iscariotes é frequentemente retratado com cabelo ruivo na cultura espanhola [ 142 ] [ 143 ] [ 144 ] e por William Shakespeare . [ 144 ] [ 145 ] A prática é comparável à representação renascentista de judeus com cabelo ruivo, que era então considerada uma característica negativa e que pode ter sido usada para correlacionar Judas Iscariotes com os judeus contemporâneos.

Em pinturas que retratam a Última Ceia , Judas é ocasionalmente representado com uma auréola escura (em contraste com as auréolas mais claras dos outros apóstolos) para simbolizar seu antigo status como apóstolo. Mais comumente, porém, ele é o único à mesa sem uma. Alguns vitrais de igrejas o mostram com uma auréola escura, como em um dos vitrais da Igreja de São João Batista, em Yeovil.

Arte e literatura

Judas é o tema de uma das baladas inglesas mais antigas que sobreviveram, datada do século XIII. Na balada "Judas" , a culpa pela traição de Cristo é atribuída à irmã de Judas.

Uma das representações mais famosas de Judas Iscariotes e seu beijo de traição a Jesus é A Captura de Cristo , do artista barroco italiano Caravaggio , pintada em 1602. [ 148 ]

O oratório de Edward Elgar , Os Apóstolos , retrata Judas querendo forçar Jesus a declarar sua divindade e estabelecer o reino na terra. [ 149 ]

Em Julgamento de Cristo em Sete Etapas (1909), de John Brayshaw Kaye , o autor não aceitou a ideia de que Judas pretendia trair Cristo, e o poema é uma defesa de Judas, na qual ele acrescenta sua própria visão ao relato bíblico da história do julgamento perante o Sinédrio e Caifás. [ 150 ]

No romance O Mestre e Margarida , de Mikhail Bulgakov , Judas é pago pelo sumo sacerdote para testemunhar contra Jesus, que vinha incitando a discórdia entre o povo de Jerusalém. Após autorizar a crucificação, Pilatos sofre uma agonia de arrependimento e volta sua ira contra Judas, ordenando seu assassinato.

" Tres versiones de Judas " (título em inglês: "Three Versions of Judas") é um conto do escritor e poeta argentino Jorge Luis Borges ; foi incluído na antologia de Borges , Ficciones , publicada em 1944, e gira em torno das dúvidas do personagem principal sobre a história canônica de Judas, que em vez disso cria três versões alternativas. [ 151 ]

A ópera rock Jesus Christ Superstar , lançada inicialmente como um álbum conceitual em 1970 por Tim Rice e Andrew Lloyd Webber , é vagamente baseada nos relatos evangélicos da Paixão, com grande parte da trama centrada em Judas, que está insatisfeito com a maneira como Jesus guia seus discípulos.

Em Os Últimos Dias de Judas Iscariotes (2005), uma peça aclamada pela crítica de Stephen Adly Guirgis , Judas é julgado no Purgatório . [ 152 ]

O livro "The Book of Longings" de Sue Monk Kidd apresenta Judas como o irmão adotivo da protagonista fictícia, Ana. Judas é reimaginado como um extremista zelote que trai Jesus apenas na crença de que ele resistirá às autoridades e desencadeará uma revolução judaica contra Roma.

FONTES: Ehrman, Bart D. (1999). Jesus: Apocalyptic Prophet of the New Millennium. Oxford, England: Oxford University Press. ISBN 978-0195124743.

Ehrman, Bart D. (2016). Jesus Before the Gospels: How the Earliest Christians Remembered, Changed, and Invented their Stories of the Savior. New York City: HarperOne. ISBN 978-0-06-228520-1.

Gubar, Susan (2009). Judas: A Biography. New York City and London, England: W. W. Norton & Company. ISBN 978-0-393-06483-4.

Kent, William Henry (1910). "Judas Iscariot" . In Herbermann, Charles (ed.). Catholic Encyclopedia. Vol. 8. New York: Robert Appleton Company.

Oropeza, B. J. (2012). In the Footsteps of Judas and Other Defectors: Apostasy in the New Testament Communities, Vol. 1: Gospels, Acts, and Johannine Letters. Eugene: Cascade. ISBN 9781610972895.

Stanford, Peter (2015). Judas: The Most Hated Name in History. Berkeley, California: Counterpoint. ISBN 978-1-61902-750-3.[permanent dead link]

Zwiep, Arie W. (2004). Judas and the Choice of Matthias: A Study on Context and Concern of Acts 1:15–26. Wissenschaftliche Untersuchungen zum Neuen Testament 2. Reihe. Vol. 187. Tübingen, Germany: Mohr Siebeck. ISBN 978-3-16-148452-0.

Post nº 660 ✓

sábado, 8 de novembro de 2025

SANTA MARIA MADALENA (DISCÍPULA DE JESUS)

Maria Madalena (entre 1600 e 1699) de artista anônimo.
  • NASCIMENTO: Possivelmente Magdala, Judeia Romana
  • FALECIMENTO: Data desconhecida
  • VENERAÇÃO: Igreja Católica Romana, Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Ortodoxa Oriental, Comunhão Anglicana, Luteranismo e outras igrejas protestantes Fé Bahá'í
  • CANONIZAÇÃO: Pré-Congregação
  • FESTA: 22 de julho
  • ATRIBUTOS:
    • Ocidentais: caixa de alabastro para unguento
    • Orientais: recipiente para unguento (como portadora de mirra), ou segurando um ovo vermelho (símbolo da ressurreição); Abraçando os pés de Cristo após a Ressurreição
  • PATROCÍNIO: Boticários; Arahal, Espanha; Atrani, Itália; Casamicciola Terme, Ischia; vida contemplativa; converte; Diocese de Salt Lake City; luveiros; cabeleireiro; Kawit, Cavite; Amadeo, Cavite; Magdalena, Laguna; Santa Magdalena, Sorsogon; Santa Maria Madalena, Hinigaran, Negros Ocidental; Ordem dos Pregadores; perfumarias; Pessoas ridicularizadas por sua piedade; farmacêuticos; Pililla, Rizal; Provença; Maribor, Eslovênia; pecadores penitentes; curtidores; tentação sexual e mulheres.
Maria Madalena (às vezes chamada de Maria de Magdala, ou simplesmente Madalena ou Madeleine) foi uma mulher que, de acordo com os quatro evangelhos canônicos, viajou com Jesus como uma de suas seguidoras e foi testemunha de sua crucificação e ressurreição. Nos escritos gnósticos, Maria Madalena é retratada como a discípula mais próxima de Jesus, que compreendeu seus ensinamentos de maneira única, causando tensão com Pedro, e é honrada como a "apóstola dos apóstolos".

VIDA

É amplamente aceito entre os historiadores seculares que, assim como Jesus, Maria Madalena foi uma figura histórica real. No entanto, muito pouco se sabe sobre sua vida. Ao contrário do apóstolo Paulo, que não era contemporâneo de Jesus, Maria Madalena não deixou nenhum escrito conhecido de sua autoria. Ela nunca foi mencionada em nenhuma das epístolas paulinas nem em nenhuma das epístolas gerais. As fontes mais antigas e confiáveis sobre sua vida são os três Evangelhos Sinópticos de Marcos, Mateus e Lucas, todos escritos durante o primeiro século d.C.

O local de nascimento de Maria Madalena é a vila de Majdal, no distrito de Tiberíades, no norte da Palestina. A vila de Majdal está localizada na costa oeste do Mar da Galileia. A fotografia data de cerca de 1890-1900.


Durante o ministério de Jesus: O epíteto de Maria Madalena, Madalena (ἡ Μαγδαληνή; lit. 'a Madalena'), provavelmente significa que ela veio de Magdala, uma vila na margem ocidental do Mar da Galileia, que era conhecida principalmente na antiguidade como uma vila de pescadores. Maria era, de longe, o nome próprio judaico mais comum para meninas e mulheres durante o primeiro século, então foi necessário que os autores dos evangelhos a chamassem de Madalena para distingui-la das outras mulheres chamadas Maria que seguiram Jesus. Embora o Evangelho de Marcos, considerado pelos estudiosos como o evangelho mais antigo que sobreviveu, não mencione Maria Madalena até a crucificação de Jesus, o Evangelho de Lucas 8:2–3 fornece um breve resumo de seu papel durante o ministério dele:

“Logo depois, ele percorreu cidades e aldeias, proclamando e anunciando as boas novas do reino de Deus. Os doze estavam com ele, assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; Joana, esposa de Cuza, administrador de Herodes; Susana; e muitas outras, que os sustentavam com seus bens.”

— Lucas 8:1–3

De acordo com o Evangelho de Lucas, Jesus exorcizou “sete demônios” de Maria Madalena. Que sete demônios possuíam Maria é repetido em Marcos 16:9, parte do “final mais longo” desse evangelho – isso não é encontrado nos manuscritos mais antigos e é possivelmente uma adição do século II ao texto original, possivelmente baseada no Evangelho de Lucas. No primeiro século, acreditava-se amplamente que os demônios causavam doenças físicas e psicológicas. Bruce Chilton, um estudioso do cristianismo primitivo, afirma que a referência ao número de demônios sendo “sete” pode significar que Maria teve que passar por sete exorcismos, provavelmente ao longo de um longo período de tempo, devido aos seis primeiros terem sido parcial ou totalmente malsucedidos.

Bart D. Ehrman, um estudioso do Novo Testamento e historiador do cristianismo primitivo, argumenta que o número sete pode ser meramente simbólico, visto que, na tradição judaica, sete era o número da completude, de modo que Maria ter sido possuída por sete demônios pode simplesmente significar que ela foi completamente dominada pelo poder deles. Em qualquer caso, Maria deve ter sofrido um trauma emocional ou psicológico severo para que um exorcismo desse tipo fosse percebido como necessário. Consequentemente, sua devoção a Jesus resultante dessa cura deve ter sido muito forte. Os escritores dos Evangelhos normalmente apreciam dar descrições dramáticas dos exorcismos públicos de Jesus, com a pessoa possuída lamentando-se, debatendo-se e rasgando suas roupas diante de uma multidão. Em contrapartida, o facto de o exorcismo de Maria receber pouca atenção pode indicar que Jesus o realizou em privado ou que os registadores não o consideraram particularmente dramático.

Como Maria é listada como uma das mulheres que apoiaram financeiramente o ministério de Jesus, ela deve ter sido relativamente rica. Os lugares onde ela e as outras mulheres são mencionadas ao longo dos evangelhos indicam fortemente que elas eram vitais para o ministério de Jesus e o fato de Maria Madalena sempre aparecer em primeiro lugar, sempre que é listada nos Evangelhos Sinópticos como membro de um grupo de mulheres, indica que ela era vista como a mais importante de todas elas. Carla Ricci observa que, nas listas dos discípulos, Maria Madalena ocupa uma posição semelhante entre as seguidoras de Jesus à de Simão Pedro entre os apóstolos.

O fato de as mulheres desempenharem um papel tão ativo e importante no ministério de Jesus não era totalmente radical ou mesmo único; inscrições de uma sinagoga em Afrodísias, na Ásia Menor, da mesma época, revelam que muitas das principais doadoras da sinagoga eram mulheres. O ministério de Jesus trouxe às mulheres uma libertação maior do que elas normalmente teriam na sociedade judaica dominante.

Testemunha da crucificação e sepultamento de Jesus: Todos os quatro evangelhos canônicos concordam que várias mulheres assistiram à crucificação de Jesus à distância, com três deles mencionando explicitamente Maria Madalena como presente. Marcos 15:40 lista os nomes dessas mulheres como Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago; e Salomé. Mateus 27:55-56 lista Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e José, e a mãe não nomeada dos filhos de Zebedeu (que pode ser a mesma pessoa que Marcos chama de Salomé). Lucas 23:49 menciona um grupo de mulheres assistindo à crucificação, mas não dá o nome de nenhuma delas. João 19:25 lista Maria, mãe de Jesus, sua irmã, Maria, esposa de Clopas, e Maria Madalena como testemunhas da crucificação.

Praticamente todos os historiadores de renome concordam que Jesus foi crucificado pelos romanos sob as ordens de Pôncio Pilatos. James Dunn afirma sobre o batismo e a crucificação que estes "dois fatos na vida de Jesus contam com concordância quase universal". No entanto, os relatos dos evangelhos sobre a crucificação de Jesus divergem. Ehrman afirma que a presença de Maria Madalena e das outras mulheres na cruz é provavelmente histórica, porque seria improvável que os cristãos inventassem que as principais testemunhas da crucificação eram mulheres e também porque a presença delas é atestada tanto nos Evangelhos Sinópticos quanto no Evangelho de João, independentemente. Maurice Casey concorda que a presença de Maria Madalena e das outras mulheres na crucificação de Jesus pode ser registrada como um fato histórico. De acordo com EP Sanders, a razão pela qual as mulheres assistiram à crucificação mesmo depois de os discípulos homens terem fugido pode ter sido porque tinham menos probabilidade de serem presas, eram mais corajosas do que os homens, ou alguma combinação destes.

Todos os quatro evangelhos canônicos, bem como o Evangelho apócrifo de Pedro, concordam que o corpo de Jesus foi retirado da cruz e sepultado por um homem chamado José de Arimateia. Marcos 15:47 lista Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus, como testemunhas do sepultamento de Jesus. Mateus 27:61 lista Maria Madalena e "a outra Maria" como testemunhas. Lucas 23:55 menciona "as mulheres que o seguiram desde a Galileia", mas não lista nenhum dos seus nomes. João 19:39-42 não menciona nenhuma mulher presente durante o sepultamento de Jesus por José, mas menciona a presença de Nicodemos, um fariseu com quem Jesus teve uma conversa perto do início do evangelho. Ehrman, que anteriormente aceitava a história do sepultamento de Jesus como histórica, agora a rejeita como uma invenção posterior, com base no fato de que os governadores romanos quase nunca permitiam que criminosos executados recebessem qualquer tipo de sepultamento e Pôncio Pilatos, em particular, não era "o tipo de governante que romperia com a tradição e a política quando gentilmente solicitado por um membro do conselho judaico a providenciar um sepultamento decente para uma vítima crucificada". Casey argumenta que Jesus recebeu um sepultamento adequado de José de Arimateia, observando que, em algumas ocasiões muito raras, os governadores romanos liberavam os corpos de prisioneiros executados para sepultamento. No entanto, ele rejeita a possibilidade de Jesus ter sido sepultado em um túmulo caro com uma pedra rolada na frente, como o descrito nos evangelhos, levando-o a concluir que Maria e as outras mulheres não devem ter visto o túmulo. Sanders afirma que o sepultamento de Jesus por José de Arimateia na presença de Maria Madalena e das outras seguidoras é completamente histórico.

Ressurreição de Jesus: A descrição mais antiga das aparições de Jesus após a ressurreição é uma citação de um credo pré-paulino preservado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15:3-8, que foi escrito aproximadamente 20 anos antes de qualquer um dos evangelhos. Esta passagem não menciona Maria Madalena, as outras mulheres ou a história do túmulo vazio, mas atribui a Simão Pedro o mérito de ter sido o primeiro a ver Jesus ressuscitado. Apesar disso, todos os quatro evangelhos canônicos, bem como o Evangelho apócrifo de Pedro, concordam que Maria Madalena, sozinha ou como membro de um grupo, foi a primeira pessoa a descobrir que o túmulo de Jesus estava vazio. No entanto, os detalhes dos relatos diferem drasticamente.

De acordo com Marcos 16:1–8, o relato mais antigo da descoberta do túmulo vazio, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo logo após o nascer do sol, um dia e meio após o sepultamento de Jesus, e descobriram que a pedra já havia sido removida. Elas entraram e viram um jovem vestido de branco, que lhes disse que Jesus havia ressuscitado dos mortos e instruiu-as a dizer aos discípulos que ele os encontraria na Galileia. Em vez disso, as mulheres fugiram e não contaram a ninguém, porque estavam com muito medo. O texto original do evangelho termina aqui, sem que Jesus ressuscitado apareça a ninguém. Casey argumenta que a razão para esse final abrupto pode ser porque o Evangelho de Marcos é um primeiro rascunho inacabado.

De acordo com Mateus 28:1–10, Maria Madalena e “a outra Maria” foram ao túmulo. Ocorreu um terremoto e um anjo vestido de branco desceu do céu e removeu a pedra enquanto as mulheres observavam. O anjo disse-lhes que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Então o próprio Jesus ressuscitado apareceu às mulheres quando elas saíam do túmulo e disse-lhes para dizerem aos outros discípulos que ele os encontraria na Galileia.

De acordo com Lucas 24:1–12, Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, foram ao túmulo e encontraram a pedra já removida, como em Marcos. Elas entraram e viram dois jovens vestidos de branco que lhes disseram que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Então elas foram e contaram aos onze apóstolos restantes, que rejeitaram a história como um absurdo. No relato de Lucas, Jesus nunca aparece às mulheres, mas faz sua primeira aparição a Cleopas e a um "discípulo" não identificado no caminho para Emaús. A narrativa de Lucas também remove a ordem para as mulheres dizerem aos discípulos que retornassem à Galileia e, em vez disso, Jesus diz aos discípulos para não retornarem à Galileia, mas sim para permanecerem nos arredores de Jerusalém.

O papel de Maria Madalena na narrativa da ressurreição é grandemente ampliado no relato do Evangelho de João. De acordo com João 20:1–10, Maria Madalena foi ao túmulo quando ainda estava escuro e viu que a pedra já havia sido removida. Ela não viu ninguém, mas imediatamente correu para contar a Pedro e ao “discípulo amado”, que a acompanharam até o túmulo e confirmaram que estava vazio, mas voltaram para casa sem ver Jesus ressuscitado. De acordo com João 20:11–18, Maria, agora sozinha no jardim fora do túmulo, viu dois anjos sentados onde o corpo de Jesus havia estado. Então Jesus ressuscitado aproximou-se dela. Ela o confundiu inicialmente com o jardineiro, mas, depois de ouvi-lo dizer seu nome, ela o reconheceu e exclamou "Rabbuni!" (que em aramaico significa "mestre"). Suas próximas palavras podem ser traduzidas como "Não me toque, pois ainda não subi para o meu Pai" ou "Pare de se agarrar a mim, [etc.]", sendo esta última mais provável em vista da gramática (imperativo presente negado: pare de fazer algo já em andamento), bem como do desafio de Jesus a Tomé uma semana depois. Jesus então a enviou para contar aos outros apóstolos as boas novas de sua ressurreição. O Evangelho de João, portanto, retrata Maria Madalena como a primeira apóstola, a apóstola enviada aos apóstolos. Por ter sido a primeira a testemunhar a ressurreição de Jesus, Maria Madalena é conhecida em algumas tradições cristãs como a “apóstola dos apóstolos”.

Como os escribas estavam insatisfeitos com o final abrupto do Evangelho de Marcos, escreveram vários finais alternativos diferentes para ele. No “final mais curto”, encontrado em poucos manuscritos, as mulheres vão até “os que estavam perto de Pedro” e contam o que viram no túmulo, seguido de uma breve declaração de que o evangelho está sendo pregado do leste para o oeste. Esse final “muito forçado” contradiz o último versículo do evangelho original, que afirma que as mulheres “não contaram a ninguém”. O “ final mais longo”, encontrado na maioria dos manuscritos sobreviventes, é uma “amálgama de tradições” contendo episódios derivados dos outros evangelhos. Primeiro, descreve uma aparição de Jesus a Maria Madalena sozinha (como no Evangelho de João), seguida de breves descrições de sua aparição aos dois discípulos no caminho de Emaús (como no Evangelho de Lucas) e aos onze discípulos restantes (como no Evangelho de Mateus). 

Em seu livro publicado em 2006, Ehrman afirma que "parece praticamente certo" que as histórias do túmulo vazio, independentemente de serem ou não precisas, podem definitivamente ser rastreadas até a Maria Madalena histórica, dizendo que, na sociedade judaica, as mulheres eram consideradas testemunhas não confiáveis e eram proibidas de prestar depoimento em tribunal, portanto, os primeiros cristãos não teriam motivo para inventar uma história sobre uma mulher sendo a primeira a descobrir o túmulo vazio. Na verdade, se tivessem inventado a história, teriam tido forte motivação para fazer de Pedro, o discípulo mais próximo de Jesus enquanto ele estava vivo, o descobridor do túmulo. Ele também diz que a história de Maria Madalena descobrindo o túmulo vazio é atestada independentemente nos Evangelhos Sinópticos, no Evangelho de João e no Evangelho de Pedro. N.T. Wright afirma que "é, francamente, impossível imaginar que [as mulheres no túmulo] foram inseridas na tradição depois da época de Paulo".

Casey contesta esse argumento, sustentando que as mulheres no túmulo não são testemunhas legais, mas sim heroínas de acordo com uma longa tradição judaica. Ele argumenta que a história do túmulo vazio foi inventada pelo autor do Evangelho de Marcos ou por uma de suas fontes, com base no fato historicamente comprovado de que as mulheres realmente estiveram presentes na crucificação e no sepultamento de Jesus. Em seu livro publicado em 2014, Ehrman rejeita seu próprio argumento anterior, afirmando que a história do túmulo vazio só pode ser uma invenção posterior, porque é praticamente impossível que o corpo de Jesus tenha sido colocado em qualquer tipo de túmulo e, se Jesus nunca foi sepultado, então ninguém vivo na época poderia ter dito que seu túmulo inexistente foi encontrado vazio. Ele conclui que a ideia de que os primeiros cristãos não teriam "nenhum motivo" para inventar a história simplesmente "sofre de pobreza de imaginação" e que eles teriam tido todos os tipos de motivos possíveis, especialmente porque as mulheres eram sobrerrepresentadas nas primeiras comunidades cristãs e as próprias mulheres teriam forte motivação para inventar uma história sobre outras mulheres terem sido as primeiras a encontrar o túmulo. Ele conclui mais tarde, no entanto, que Maria Madalena deve ter sido uma das pessoas que teve uma experiência na qual pensou ter visto Jesus ressuscitado, citando sua proeminência nas narrativas da ressurreição nos evangelhos e sua ausência em todos os outros lugares nos evangelhos como evidência.

REPRESENTAÇÃO NOS ESCRITOS GNÓSTICOS

Maria é uma figura central nos escritos cristãos gnósticos, incluindo o Diálogo do Salvador, a Pistis Sophia, o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Evangelho de Maria. Esses textos a retratam como uma apóstola, como a discípula mais próxima e amada de Jesus e a única que realmente compreendeu seus ensinamentos. Nos textos gnósticos, ou evangelhos gnósticos, a proximidade de Maria com Jesus resulta em tensão com outro discípulo, Pedro, devido ao seu gênero e à inveja de Pedro pelos ensinamentos especiais que lhe foram dados. No texto do Evangelho de Filipe, a tradução de Marvin Meyer diz (texto ausente entre colchetes): "A companheira do [...] é Maria Madalena. O [...] a amava mais do que [...] os discípulos, [...] beijava-a frequentemente em seu [...]."

Escritos apócrifos dos primeiros cristãos
Legado
Visões religiosas

RELÍQUIAS

Muitas das supostas relíquias da santa são mantidas em igrejas católicas na França, especialmente em Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, onde seu crânio e o noli me tangere estão expostos; este último sendo um pedaço de carne e pele da testa que se diz ser do local tocado por Jesus no encontro pós-ressurreição no jardim. Uma tíbia também guardada em Saint-Maximin-la-Sainte-Baume é objeto de uma procissão anual.

A relíquia de sua mão esquerda é guardada no Mosteiro de Simonopetra, no Monte Atos.

O pé esquerdo, guardado num relicário feito por Benvenuto Cellini, está na igreja de San Giovanni dei Fiorentini, em Roma. É considerado o primeiro pé a entrar no Santo Sepulcro após a Ressurreição de Cristo. Por esse motivo, anteriormente era mantido numa capela na entrada da Ponte Sant'Angelo, como a última das principais relíquias antes de chegar ao túmulo de São Pedro.

ESPECULAÇÕES

Em 1998, Ramon K. Jusino propôs um argumento sem precedentes de que o "Discípulo Amado" do Evangelho de João é Maria Madalena. Jusino baseou seu argumento principalmente nos livros gnósticos de Nag Hammadi, rejeitando a visão de Raymond E. Brown de que esses livros eram desenvolvimentos posteriores e sustentando, em vez disso, que o Evangelho de João existente é o resultado da modificação de um texto anterior que apresentava Maria Madalena como o Discípulo Amado. O evangelho, pelo menos em sua forma atual, identifica clara e consistentemente o discípulo como sendo do gênero masculino, referindo-se a ele apenas com palavras flexionadas no masculino. Não há variantes textuais nos manuscritos existentes do Novo Testamento que contradigam isso, e, portanto, nenhuma evidência física desse hipotético documento anterior. Richard J. Hooper não adota a tese de Jusino, mas afirma: "Talvez não devêssemos rejeitar completamente a possibilidade de que alguns cristãos joaninos considerassem Maria Madalena como 'a discípula a quem Jesus amava'". Esther A. de Boer apresenta igualmente a ideia como “uma possibilidade entre outras”, não como uma solução definitiva para o problema da identidade do discípulo anônimo. Existe uma interpretação teológica de Maria como Madalena, A Torre Elegante, e certas igrejas a honram como heroína da fé em seus ensinamentos.

O romance de mistério e suspense de Dan Brown , O Código Da Vinci, de 2003, um best-seller, popularizou uma série de ideias errôneas sobre Maria Madalena, incluindo que ela era membro da tribo de Benjamim, que era esposa de Jesus, que estava grávida na crucificação e que deu à luz o filho de Jesus, que se tornou o fundador de uma linhagem que sobrevive até os dias de hoje. Não há evidências históricas (dos evangelhos canônicos ou apócrifos, de outros escritos cristãos primitivos ou de quaisquer outras fontes antigas) para apoiar essas afirmações. O Código Da Vinci também afirma que a figura do "discípulo amado" à direita de Jesus na Última Ceia de Leonardo da Vinci é Maria Madalena, disfarçada de um dos discípulos homens; Historiadores da arte sustentam que a figura é, na realidade, o apóstolo João, que só aparece feminina devido à fascinação característica de Leonardo em borrar as linhas entre os sexos, uma qualidade que se encontra em outras pinturas suas, como São João Batista (pintado por volta de 1513-1516). Além disso, segundo Ross King, especialista em arte italiana, a aparição de Maria Madalena na Última Ceia não teria sido controversa e Leonardo não teria motivos para disfarçá-la como um dos outros discípulos, visto que ela era amplamente venerada em seu papel de "apóstola dos apóstolos" e patrona da Ordem Dominicana, para quem A Última Ceia foi pintada. Haveria até mesmo um precedente para isso, já que o pintor renascentista italiano Fra Angelico a havia incluído em sua pintura da Última Ceia. Numerosas obras foram escritas em resposta às imprecisões históricas em O Código Da Vinci, mas o romance ainda exerceu enorme influência sobre como o público em geral via Maria Madalena.

Em 2012, a acadêmica Karen L. King publicou o Evangelho da Esposa de Jesus, um suposto fragmento de papiro copta no qual Jesus diz: "Minha esposa... ela poderá ser minha discípula". O consenso esmagador dos estudiosos é que o fragmento é uma falsificação moderna, e em 2016, a própria King disse que o suposto Evangelho era provavelmente uma falsificação.

Ehrman afirma que as fontes históricas não revelam absolutamente nada sobre a sexualidade de Jesus e que não há qualquer evidência que apoie a ideia de que Jesus e Maria Madalena eram casados ou que tinham qualquer tipo de relacionamento sexual ou romântico. Nenhum dos evangelhos canônicos implica tal coisa e, mesmo nos evangelhos gnósticos tardios, onde Maria é mostrada como a discípula mais próxima de Jesus, o relacionamento entre eles não é sexual. O livro extremamente tardio "Grandes Questões de Maria", que não sobreviveu, supostamente retratava Maria não como esposa ou parceira de Jesus, mas sim como uma voyeur involuntária. Ehrman diz que os essênios, uma seita judaica contemporânea que compartilhava muitas visões com Jesus, e o apóstolo Paulo, seguidor posterior de Jesus, viviam em celibato, portanto, não é irracional concluir que Jesus também o fazia.

Além disso, de acordo com Marcos 12:25 , Jesus ensinou que o casamento não existiria de forma alguma no vindouro reino de Deus. Visto que Jesus ensinou que as pessoas deveriam viver como se o reino já tivesse chegado, esse ensinamento implicava uma vida de celibato sem casamento. Ehrman diz que, se Jesus tivesse sido casado com Maria Madalena, os autores dos evangelhos certamente teriam mencionado isso, visto que mencionam todos os outros membros de sua família, incluindo sua mãe Maria, seu pai José, seus quatro irmãos e pelo menos duas irmãs.

Maurice Casey rejeita a ideia de Maria Madalena como esposa de Jesus como nada mais do que sensacionalismo popular desenfreado. Jeffrey J. Kripal escreve que “as fontes históricas são simplesmente contraditórias demais e simultaneamente silenciosas demais” para fazer declarações absolutas sobre a sexualidade de Jesus.

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Post nº 586
 

DEMÉTER (DEUSA DA AGRICULTURA NA MITOLOGIA GREGA)

Retrato de uma dama da nobreza como Ceres, de François de Troy. "A identidade da modelo do nosso retrato é desconhecida, mas sua repres...