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domingo, 21 de junho de 2026

ZICO (FUTEBOLISTA LUSO-BRASILEIRO)

Zico posa para uma sessão de fotos com a camisa do Flamengo em 04 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, Brasil (Foto de Michel Barrault/Onze/Icon Sport via Getty Images).
  • NOME COMPLETO: Arthur Antunes Coimbra
  • NASCIMENTO: 3 de março de 1953; Rio de Janeiro, Distrito Federal, Brasil
  • APELIDOS: Zico, Galinho de Quintino, Pelé Branco, サッカーの神様 (Deus do futebol, em japonês), Kral Arthur (Rei Arthur, em turco)
  • FAMÍLIA: Zezé (Irmã primogênita), Zeca, Nando, Edu e Tunico (irmãos mais velhos), Júnior Coimbra (Filho primogênito)
  • POSIÇÃO: meio-campista
  • ANOS DE ATIVIDADE: 1971–1994 (como jogador)
  • ALTURA: 1,72 m
  • PÉ: ambidestro
  • TORCEDOR: C. R. Flamengo
Arthur Coimbra (1953–), mais conhecido como Zico, é um dirigente esportivo, ex-treinador e ex-futebolista luso-brasileiro que atuava como meio-campista. Amplamente considerado um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, também é reconhecido por muitos especialistas, profissionais do esporte e, em especial, pelos torcedores do Flamengo, o maior jogador da história do clube, sendo um dos maiores futebolistas brasileiros desde Pelé, tendo ganhado a alcunha de Pelé Branco.

BIOGRAFIA

Arthur Antunes Coimbra, caçula dos seis filhos do imigrante português de Tondela, José Antunes Coimbra — que era um fervoroso torcedor do Flamengo e foi goleiro amador na juventude — com a brasileira Matilde da Silva Coimbra, nasceu às 7h do dia 3 de março de 1953.

Pequeno e franzino, não foi difícil Arthur virar Arthurzinho e depois Arthurzico. Até que uma prima, chamada Ermelinda, reduziu carinhosamente para Zico. Sobre a carreira do pai, o próprio Zico afirmou:

“Ele era goleiro e na época tinha o futebol amador e o profissional. E ele sagrou-se tricampeão pelo Clube Municipal, de 1939 a 1941. Quando foi chamado para treinar no Flamengo, o patrão dele, torcedor do Vasco, ameaçou o emprego dele. Com isso, meu pai indicou Jurandyr, que era seu reserva no Municipal e acabou campeão carioca pelo Flamengo pouco tempo depois.”

Além do pai, outros irmãos do Zico até chegaram a se tornar jogadores. Antunes e Nando, os mais velhos, não tiveram tanto destaque. As estrelas da família viriam depois. Primeiro com Edu, que teve seu talento descoberto pelo America-RJ, onde se profissionalizou em 1966.

CARREIRA COMO JOGADOR

Início: Zico deu seus primeiros passos num pequeno time de futebol de salão formado por amigos e familiares, o Juventude de Quintino, do bairro de Quintino Bocaiuva, na zona norte do Rio de Janeiro. Além do Juventude, passou a praticar o esporte conhecido hoje como futsal no River Futebol Club, tradicional clube da Piedade, onde um dos professores era Joaquim Pedro da Luz Filho, mais conhecido como Seu Quinzinho. No River, mesmo ainda menino, o garoto já chamava a atenção.

Seu primeiro clube de futebol de campo foi o Flamengo, para onde se transferiu aos catorze anos de idade. Em 1967, o radialista Celso Garcia, vizinho e amigo da família Coimbra, assistiu uma partida de Zico em um torneio no River. Vestindo a camisa do Santos na ocasião, Zico marcou dez gols na goleada do seu time por 15–3. Torcedor do Flamengo, Garcia logo o levou para a escolinha de futebol do clube carioca.

Primeiros anos no Flamengo: Zico só estreou no time principal em 1971, em uma partida contra o rival Vasco da Gama, cujo placar terminou 2–1 para o time rubro-negro, em que o debutante deu o passe para Fio Maravilha marcar o gol da vitória. Se firmaria como titular na equipe apenas em 1974, depois de passar por uma intensa preparação física que incluía dedicação de boa parte de seu dia, desde quando chegou ao clube, em 1967 (quando ainda estava na escola), a um trabalho de fortalecimento muscular, à base principalmente de esteroides anabolizantes (de duas a três injeções, segundo o próprio Zico), devido ao corpo antes franzino. Em 1969, aos 16 anos, Zico foi mandado para a Bahia com um grupo de jogadores cariocas para realizar uma avaliação no Fluminense de Feira, mas foi reprovado por seu porte físico voltando ao Flamengo logo em seguida. E devido ao seu franzino corpo de início de carreira e de seu bairro de origem (Quintino), ganhou o carinhoso apelido de "Galinho de Quintino". Ainda atuando pelo time juvenil, participou de duas partidas pela equipe principal do Flamengo no Campeonato Carioca de 1972, o bastante para conquistar seu primeiro título como profissional. Ainda demoraria, entretanto, dois anos para firmar-se no elenco e enterrar a imagem de um jogador de físico fraco, que sucumbia à primeira pancada dos adversários.

Após esses dois anos, em 1974 — quando também recebeu a camisa 10 — Zico começava a exibir um futebol empolgante. Além dos dribles, lançamentos e arrancadas fulminantes em direção ao gol, demonstraria também a precisão nas cobranças de falta que batia, habilidade que seria uma de suas marcas registradas. Neste ano de 1974, conquistou seu segundo Carioca pelo Flamengo, o primeiro como titular e camisa 10, liderando uma jovem equipe em decisões contra as equipes mais experientes de Vasco e América (onde à época jogava seu irmão Edu). No Campeonato Brasileiro, recebeu sua primeira Bola de Ouro da revista Placar, sendo eleito pela publicação o melhor jogador do campeonato. Nos três anos seguintes, entretanto, Zico viu rivais comemorarem o título estadual: o Fluminense de Rivellino foi bicampeão em 1975 e 1976 e, mais dolorosamente, o Vasco de Roberto Dinamite levou a taça em 1977 após Tita, tendo a chance de dar o título a seu clube se convertesse sua cobrança, perder. A série de pênaltis prosseguiria e terminaria em vitória vascaína.

"Era Zico":

A partir de 1978, entretanto, o Flamengo ingressaria em um período áureo sob o comando em campo de Zico. Com um futebol quase perfeito, só possível de ser parado com violência, Zico conquistou um tricampeonato carioca, o terceiro do clube. Nas edições daquele ano, com as duas realizadas em 1979, mesmo ano em que o time conquistaria o prestigiado torneio amistoso Ramón de Carranza, o jogador marcou um dos gols e foi destaque na vitória por 2–1 sobre o Barcelona, que contava com nomes como Johan Neeskens, Allan Simonsen, Hans Krankl e Carles Rexach. Em 1979, ainda aos 26 anos, ao marcar seu 245º gol como profissional, em partida contra o Goytacaz, Zico superou Dida como o maior artilheiro da história do Flamengo. No ano seguinte, viria finalmente o inédito título no Campeonato Brasileiro. As finais foram contra o Atlético Mineiro de Reinaldo, Toninho Cerezo e Éder. Contundido, Zico não jogou a primeira partida, em que os alvinegros venceram por 1–0 no Mineirão. O meia retornou ao time no jogo de volta, no Maracanã, dando a assistência para o primeiro gol, marcado por Nunes, e fazendo o segundo na vitória por 3–2 contra o Galo, garantindo assim o primeiro título do Brasileirão conquistado pelo Flamengo. O troféu compensou a decepção no Campeonato Carioca, onde Zico viu os rivais Vasco e Fluminense decidirem o título. Ainda em 1980, Zico conquistaria com o Flamengo outros dois torneios amistosos europeus: o Torneio Astúrias e Algarve, com vitórias sobre Real Sociedad e Spartak Sófia; e um bi no Ramón de Carranza, passando por Dínamo Tbilisi e Real Betis.

Com o título nacional, o clube credenciou-se pela primeira vez para disputar a Copa Libertadores da América. Na primeira fase, por ter empatado em número de pontos com o Atlético Mineiro, uma partida de desempate foi marcada — o confronto ocorreu no Estádio Serra Dourada. A polêmica partida foi encerrada aos 37 minutos do primeiro tempo, pois o rival mineiro teve cinco jogadores expulsos pelo árbitro José Roberto Wright. O Flamengo foi declarado vencedor e avançou para a fase semifinal da competição, onde superou Deportivo Cali, da Colômbia, e Jorge Wilstermann, da Bolívia. Na decisão, encarou os chilenos do Cobreloa. Zico marcou os dois gols na vitória por 2–1 na partida de ida, no Maracanã. O jogo da volta, no Chile, foi marcado pela enorme violência dos rivais, especialmente de seu zagueiro Mario Soto, que agrediu com um anel afiado os flamenguistas Andrade e Lico. Os chilenos venceram por 1–0 e, pelo regulamento da época, o troféu seria decidido em campo neutro, que foi em Montevidéu, no Estádio Centenario. Zico novamente marcou os dois gols da vitória, dessa vez de 2–0, o segundo deles, a dez minutos do fim, em uma de suas mais inesquecíveis cobranças de falta. O título continental foi seguido por mais um Carioca, sobre os rivais do Vasco, em partida dedicada ao técnico Cláudio Coutinho, falecido antes do primeiro jogo da decisão. O Campeonato Carioca já havia reservado a alegria de ter imposto uma goleada de 6–0 sobre o Botafogo, devolvendo uma derrota de nove anos antes que ainda ressoava entre as duas torcidas. O ano mágico de 1981 terminava da melhor forma possível: da decisão estadual, o time foi para Tóquio enfrentar os britânicos do Liverpool na Copa Intercontinental.

Zico jogando pelo Flamengo em 1981.
A equipe inglesa era amplamente favorita: nos últimos oito anos, havia conquistado cinco vezes o Campeonato Inglês, uma Copa da UEFA e três Copa dos Campeões da UEFA, possuindo um elenco de respeitados jogadores das Seleções Inglesa e Escocesa, que não deixaram de fitar com superioridade os brasileiros no vestiário, antes da partida. O título mundial, que até então só havia vindo ao Brasil por meio do Santos de Pelé, foi conquistado após exibição primorosa do Flamengo, que venceu por 3–0. Os três gols, marcados todos ainda no primeiro tempo, saíram de jogadas de Zico: no primeiro e no terceiro, por assistência direta a Nunes e, no segundo, marcado por Adílio, após cobrança de falta do Galinho rebatida pelo goleiro adversário Bruce Grobbelaar. Eleito o melhor em campo mesmo sem ter marcado, recebeu como premiação individual um cobiçado carro esporte da patrocinadora da partida, a Toyota, juntamente com Nunes; ambos demonstrariam a grande união do grupo, vendendo os veículos e dividindo igualmente o dinheiro entre os jogadores. Ainda antes da partida, ao ser indagado sobre o favoritismo dos britânicos, teria dito: "eles são favoritos sim, mas para o segundo lugar, o que é até muito honroso". Durante ela, desesperado, o goleiro Grobbelaar gritava ao zagueiro e capitão Phil Thompson: "Joga o Zico para longe, Thompson, joga o Zico para longe, em nome de Deus!". Após, o técnico adversário, Bob Paisley, declarou: "Vocês jogam um jogo que desconhecemos. Vocês dançam, isso devia ser proibido".

A "Era de Ouro" no Flamengo prosseguiu no ano seguinte com a conquista do Campeonato Brasileiro, em campanha destacada por vitórias fora de casa, mais uma resposta às críticas de que o time (e Zico) só jogavam bem no Maracanã: dois 4–3, sobre Náutico e São Paulo; dois 3–2 sobre o Internacional e Guarani — nesta partida, Zico marcou os três gols da vitória contra o time de Careca e Jorge Mendonça. Para completar, a taça também foi conquistada fora de casa, contra o Grêmio, em vitória por 1–0 com nova assistência de Zico para Nunes. O Galinho já havia sido herói no primeiro jogo da decisão, marcando um gol de trivela no canto esquerdo de Emerson Leão, empatando nos últimos minutos uma partida realizada em casa.

O segundo semestre de 1982, porém, foi marcado por frustrações: voltando de uma dolorosa eliminação na Copa do Mundo, Zico perdeu os dois torneios que disputou com o Flamengo. Na Copa Libertadores da América, o clube rubro-negro, então campeão, entrou na disputa já na segunda fase do torneio, em um grupo de três times que apontaria um dos finalistas. O Fla venceu os dois duelos contra o River Plate e foi à última rodada precisando vencer o Peñarol, em casa, para forçar um jogo extra — os uruguaios haviam vencido em Montevidéu. No entanto, quem triunfou foi o adversário, em pleno Maracanã — a final, curiosamente, seria novamente contra o Cobreloa. Já o Campeonato Carioca foi perdido para o rival Vasco.

No primeiro semestre de 1983, o Flamengo foi eliminado na primeira fase da Libertadores no grupo que dividia com o Grêmio (que ficou com a única vaga) e os bolivianos Bolívar e Blooming. Paralelamente, porém, o time igualava-se aos gaúchos do Internacional como maior vencedor do Brasileirão, conquistando seu terceiro título. O sabor foi mais especial por ter eliminado no caminho o Vasco, nas quartas-de-final, com Zico marcando o gol do empate (que garantia a classificação flamenguista) aos 44 minutos do segundo tempo. As finais foram contra o Santos. Os paulistas, que aspiravam o seu sétimo título nacional, haviam vencido o jogo de ida por 2–1. Na volta, jogando machucado, Zico ruiu o sonho santista ao marcar antes do primeiro minuto, em partida terminada em vitória rubro-negra por 3–0. Zico ergueu a taça consciente de que seria sua até então última partida pelo Flamengo: embora ainda não divulgada a transferência, o Galinho já sabia se sua venda para a equipe italiana da Udinese, em transferência já acertada um mês antes da decisão e mantida em sigilo para eventuais protestos da torcida não atrapalharem a caminhada rumo ao título.

Udinese:

Cobiçado por clubes mais tradicionais do país, como Roma e Juventus, sua ida à modesta equipe de Friul causou escândalo no resto da Itália. A Federação chegou a suspender a compra, orçada em 4 milhões de dólares (em valores da época) — o maior valor pago até então no país por um jogador —, o que revoltou os moradores de Údine, que começaram a disparar mensagens de separatismo. O lema era "ou Zico ou Áustria!", uma referência à época em que a região pertencia ao Império Austríaco. A ameaça foi levada a sério pelo presidente do país, Sandro Pertini, que enfim autorizou a compra de Zico. O Galinho chegou a Údine tratado desde logo como UM REI. Mesmo assim, manteve sua postura humilde e profissional, procurando deixar todos à vontade: um dos reservas do time, Pradella, chegara a ter calafrios e desarranjos intestinais na primeira vez em que foi escalado para jogar ao lado do brasileiro. Dedicado a ajudar o clube a conseguir o título na Serie A, Zico fez sua parte, liderando um time fraco a uma honrosa nona colocação na temporada 1983–84, a quatro pontos do time que ficou na quarta (a Internazionale), que daria vaga para a Copa da UEFA.

Zico marcou 19 gols, apenas um atrás na artilharia do campeonato, que ficou com Michel Platini, da campeã Juventus. O detalhe é que o francês jogou seis partidas a mais, muito por conta de uma lesão que Zico sofrera em amistoso contra o Brescia. Jogando muitas vezes machucado, sabendo da dependência que o time tinha em relação a ele, Zico começou a se desencantar com os dirigentes do clube, que haviam prometido formar uma equipe forte o capaz para brigar pelo título, o que não vinha acontecendo - além dele, os únicos jogadores com certo reconhecimento eram seu colega de Seleção (e futuramente também de Flamengo) Edinho e um veterano ex-jogador da Seleção Italiana, Franco Causio, com quem fazia dupla no meio-de-campo. Começou a sonhar com sua volta ao Flamengo. A segunda temporada acabou marcada pela luta para não cair, com ele jogando apenas quinze vezes, mas ainda assim marcando doze gols. Outro motivo para o seu desejo em ir embora era o processo que sofria na Justiça Italiana por supostamente enviar ilegalmente dinheiro ao Brasil, que só mais tarde terminaria em sua absolvição. Em entrevista à revista inglesa FourFourTwo, Zico esclareceu o ocorrido:

“Assinei um contrato de uso de imagem no Brasil e, na Itália, o presidente da Udinese acertou um outro contrato de publicidade. Seria preciso uma autorização da receita federal italiana para que eu pudesse fazer publicidade na Itália. Respeitei isso e cumpri meu outro contrato. Mas aí os agentes da receita entraram com uma ação contra mim e tive que apelar. Mostrei, então, o contrato que tinha assinado no Brasil, que respeitava as leis brasileiras, e provei que pagava impostos corretamente. O engraçado é que acabei pagando mais impostos do que um cidadão de Udine normalmente pagava. Paguei algo próximo de US$ 500 000 e fui processado por sonegação devido a um erro contratual. Apelei e fui totalmente absolvido. Era totalmente legal e não fiz nada para evitar pagar meus impostos. Só que a imprensa não mencionava isso.”

Zico não deixou de reproduzir na Itália sua jogada característica, apavorando os goleiros adversários com suas cobranças de falta, gerando até acirrados debates nos programas esportivos nos canais de televisão do país: "Como evitar os gols de Zico?", discutiam. Em sua passagem pela Udinese, Zico marcou 17 gols de falta dentre seus 57 gols. Dos gols "normais", dois são lembrados em especial: o da vitória de 1–0, em novembro de 1983, marcado aos 41 minutos do segundo tempo, sobre a então campeã, a Roma, que nunca havia perdido para a Udinese. Outro foi uma bicicleta em sua estreia no mítico Estádio San Siro, em jogo contra o Milan, diminuindo no final da partida o placar para 3–2 — ainda arranjaria tempo para dar assistência a Causio para o gol de empate. Foi também muito aplaudido e teve o seu nome gritado e cantado pelas torcidas adversárias, fato que ocorreu contra o Ascoli, Genoa e Catania. Contra o Ascoli, torcedores, repórteres e até o goleiro adversário o aplaudiram após ter feito um lindo gol. Em Gênova, o estádio inteiro cantou o seu nome e em Catania os torcedores do time rival não só gritavam e cantavam o seu nome como também torciam por ele: todas as vezes que ele tocava na bola era ovacionado e quando surgia uma falta próximo a área, clamavam para que Zico a cobrasse.

Ao terminar a partida, o jogador brasileiro Pedrinho, do Catania (e seu colega na Copa de 1982, além de ex-adversário de Vasco), foi indagado por um repórter: "Vocês poderiam ter vencido o jogo?". E ele respondeu: "Como poderíamos se até a nossa torcida estava torcendo pelo Zico?". Em uma pesquisa realizada em novembro de 2006 pelo jornal italiano La Repubblica sobre os maiores jogadores brasileiros na Itália, Zico aparece em primeiro, à frente de Mazzola, Falcão, Careca, Ronaldo e Kaká, dentre outros. Seu carisma e talento continuaram a ficar no coração do torcedor da Udinese mesmo após sua saída: em 1989, quatro anos após ter deixado o clube (que caíra para a Serie B duas temporadas após o ídolo ter ido embora), lotou o Estádio Comunale del Friuli na partida que marcava a sua despedida da Seleção Brasileira. Vinte anos depois, em novembro de 2009, o Galinho recebeu a cidadania honorária de Udine. Quem sintetizou de forma mais aprimorada a grande metamorfose operada por ele na cidade foi um jornalista do Il Gazzettino de Veneza, profissional encarregado de segui-lo, Luigi Maffei.

“Para nós, friulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor da Ferrari colocado dentro de um Fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo.”

Retorno ao Flamengo: Após duas temporadas na Itália, Zico voltou no segundo semestre de 1985 ao seu clube do coração. O retorno foi possibilitado por uma operação organizada pela agência de publicidade Estrutural, financiada pela SulAmérica Seguros e com apoio da Rede Manchete, chamado Projeto Zico, que incluiu a criação de um filme publicitário em que seis garotos fanáticos pelo Flamengo — Cebola, Gênio, Pulga, Bochecha, Limão e G/18 — iam à Itália buscar de volta o ídolo. O primeiro jogo na volta para o Brasil, no dia 12 de julho de 1985, foi um amistoso contra um combinado de craques internacionais, como Paulo Roberto Falcão, Karl-Heinz Rummenigge, Cerezo e Diego Maradona. O Flamengo venceu os Amigos de Zico por 3–1. Zico marcou um gol de falta. Jacozinho, ponta-esquerda do CSA de Alagoas, marcou o gol dos Amigos de Zico. O primeiro jogo oficial, em 14 de julho, foi uma vitória rubro-negra por 3–0 sobre o Bahia, com gols de Zico, Tita e Chiquinho.

Os festejos, entretanto, deram lugar à agonia pouco depois, após sofrer falta desleal de Márcio Nunes, em partida contra o Bangu. A pancada devastou suas pernas: Zico teve torções nos dois joelhos e no tornozelo esquerdo, contusão na cabeça do perônio esquerdo e profundas escoriações na perna direita. Teve de se submeter a três cirurgias no joelho esquerdo e a longo período de recuperações devido os consequentes problemas musculares. Só optou por elas pois teria de encerrar a carreira se não as fizesse. "Decidi tentar, pois não admitia a ideia de ser obrigado a abandonar os campos. Queria um dia parar com o futebol e não o futebol parar comigo", declarou Zico que, em virtude da recuperação, teve a curvatura da perna esquerda alterada, tendo de alterar também a sua forma de pisar. Havia também a motivação extra pela realização da Copa do Mundo no ano seguinte. Para voltar a jogar, teve de suportar até oito horas diárias na sala de musculação da Gávea, lutando para conseguir novos centímetros para a perna esquerda, que sofrera atrofia.

A resposta aos que já o consideravam ex-jogador veio em fevereiro de 1986, às vésperas da Copa, em um Fla-Flu. Os festejos rubro-negros antes da partida eram destinados à estreia de Sócrates como jogador do Flamengo, naquele dia. Após o jogo, as comemorações deram-se em função da atuação de gala de Zico, que marcou três gols — um de falta — na goleada flamenguista por 4–1. No Flamengo, a recompensa viria com o título estadual naquele mesmo ano e, no seguinte, seria o tetracampeonato brasileiro, com a conquista do módulo verde da Copa União, já com ele tendo alterado seu estilo de jogo: substituiu seu ímpeto pela cadência, os dribles rumo ao gol por toques de primeira e lançamentos. A taça de 1987 seria a última levantada pelo Galinho no Flamengo, e não seria reconhecida pela CBF até 2011, quando foi oficializada como título brasileiro, ao lado do módulo amarelo, que apontou como representantes do Brasil na Libertadores de 1988 os times do Sport e do Guarani, respectivamente. Porém, logo em seguida a CBF voltou atrás, reconhecendo somente o Sport como único campeão de 1987 por ordem judicial.

Em 1988, o Flamengo perderia o Carioca para o Vasco (assim como no ano anterior) e, no Brasileirão, seria eliminado nas quartas de final pelo Grêmio. Zico decidiu parar de jogar no segundo semestre de 1989: o Flamengo perdera o Estadual para o Botafogo. Sua última partida oficial no Flamengo terminou da melhor forma: uma goleada de 5–0 sobre o Fluminense, em Juiz de Fora, num jogo em que o Galinho não poupou dribles, lançamentos e um inesquecível gol na sua especialidade. "Era tudo o que eu queria. Terminar com um gol e justo do jeito que eu mais gosto: de falta".

Sua última partida pelo Flamengo foi um amistoso contra a World Cup Masters (2–2), em 6 de fevereiro de 1990, quando recebeu de presente da Placar, pelas mãos de Juca Kfouri (então diretor da revista), o Troféu Copa União, ao qual havia levantado em 1987, ao vencer o Internacional por 1–0. O público no Maracanã era de cerca de 100 mil pessoas.

Sumitomo Metals/Kashima Antlers: Em 1991, Zico retornou ao futebol, mas para disputar o ainda incipiente futebol japonês. No Japão, o meio-campista atuou pelo Sumitomo Metals e pelo clube originado deste, o atual Kashima Antlers, de 1991 a 1994, quando deixou definitivamente os gramados. Sua passagem pelo Japão, junto com outros jogadores famosos já em fim de carreira ou em via de se aposentar, foi apontada como uma das maiores razões para a popularização e profissionalização do futebol no país, que finalmente promoveria a primeira edição profissional do Campeonato Japonês em 1993. Na final contra o Verdy Kawasaki (atual Tokyo Verdy), Zico recebeu uma das raras expulsões na carreira, ao cuspir na bola por sua irritação com a atuação do árbitro, que estaria favorecendo o adversário (que acabou ficando com o título). Os gols da final, de qualquer forma, saíram de jogadores inspirados por Zico a jogar no então recém profissionalizado futebol nipônico: pelo Kashima, seu ex-colega de Flamengo Alcindo; pelo Verdy, o ex-adversário de Vasco Bismarck e também Kazu, japonês que jogava no Brasil. Zico aposentou-se após o término da segunda edição da J-League, com o Kashima ficando em terceiro na classificação geral. Mesmo não tendo conseguido o título do Campeonato Japonês, o brasileiro ficou bastante reverenciado no país, que aprendeu a gostar de futebol muito por conta do carisma e das atuações do veterano ídolo, que inclusive ganhou uma estátua em sua homenagem por lá. Oswaldo de Oliveira, que treinaria o Kashima, resumiu a importância de Zico para o clube:

“O Zico participou da formação do Kashima ainda no início, quando o clube era amador. O conceito dele é fabuloso e até hoje a torcida leva uma faixa para ele em todos os jogos. O Antlers ia ser um clube de fábrica, e o Zico o fez virar grande, lhe deu história e tradição.”

Quando já estava no Kashima, Zico voltou a jogar no Maracanã uma vez, como convidado especial do antigo rival Roberto Dinamite, para o amistoso de despedida deste, entre o Vasco e o Deportivo La Coruña de Bebeto, ex-colega de ambos. A ocasião ficou famosa por ter sido a única vez que Zico entrou em campo com a camisa cruzmaltina. O Galinho continuou a jogar futebol por um ano após deixar os gramados, mas na areia. De volta ao Brasil, onde fundou o clube que leva o seu nome, o CFZ (Centro de Futebol Zico), atuou pela Seleção Brasileira nos dois primeiros campeonatos mundiais do chamado beach soccer (1995 e 1996), sendo campeão em ambos e, no primeiro, também o artilheiro e melhor jogador.

SELEÇÃO NACIONAL

Seleção Brasileira Olímpica: Pela Seleção Pré-Olímpica, Zico foi durante o torneio classificatório para as Olimpíadas de 1972 um dos destaques da Seleção, tendo inclusive feito o gol da classificação. Porém, de maneira inexplicada, foi cortado da equipe que foi aos Jogos em Munique. Sua decepção com a ausência lhe fez pensar em parar de jogar, na época.

Mais tarde, a imprensa noticiou que sua não convocação se deu por conta de um problema que seu irmão Nando teve com a ditadura militar.

“Eu sempre botei na minha cabeça que fui sacado por causa do futebol, não por causa desses problemas políticos. Realmente todo mundo que comandava era do exército. Era o que mandava na época.”

— Zico, em entrevista dada em 2011

Dois anos depois, Zico deu uma entrevista em que informava que pensa que a origem do problema é outra:

“O problema maior aconteceu com o meu irmão Antunes, que não foi convocado para a Seleção Olímpica de 1964 porque o meu pai, seu Antunes, não aceitou assinar um contrato de gaveta com o Fluminense e, com isso, o cara que era militar, do Fluminense e da CBD, disse que ele também não iria pra Olimpíada. Em 1969 o Edu não foi, e tudo era comandado por militares. Se tivesse que ter acontecido alguma coisa, eu nem seria levado pro Pré-Olímpico de 1971. Não havia sentido me tirar por causa disso quatro ou cinco meses depois. E não foi só comigo, mas minha família estava escaldada por conta de todas essas histórias.”

— Zico, em entrevista ao Jornal do Brasil, em 2013

Seleção Brasileira principal:

Zico posando para uma revista com camiseta brasileira em 04 de março de 1988.

Descontado seu jogo de despedida em 1989, em Údine, e partidas por seleções inferiores, Zico atuou por dez anos pelo Brasil, marcando 66 gols em 89 partidas, tendo saído como segundo maior artilheiro da Seleção, atrás apenas de Pelé (posteriormente, seria ultrapassado por Romário). Disputou três Copas do Mundo, não tendo experimentado o sabor do título mundial. Suas únicas taças pela Seleção foram conquistadas no ano de seu debute, 1976: a Copa Rio Branco, a Copa Roca, a Taça Oswaldo Cruz, a Taça do Atlântico e o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos (em que marcou, nos 4–1 contra a Itália, um de seus gols mais bonitos, driblando três adversários e chutando de pé esquerdo na meta de Dino Zoff). Ganhou também a taça Inglaterra-Brasil, disputada num jogo único em Wembley no ano de 1981, quando marcou o gol da vitória de 1–0 contra o English Team. Seu debute ocorreu numa partida contra o Uruguai, em Montevidéu, válida pela Copa Rio Branco. Com o jogo empatado em 1–1 e com Rivellino e Nelinho expulsos, coube a Zico marcar o gol da vitória em cobrança de falta no final da partida. Apenas em 2009 o Brasil voltaria a vencer a Seleção Uruguaia na casa dela.

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978, marcou cinco gols e deu três assistências. Repetiu assim Tostão em 1970, Ronaldo em 2006 e Neymar em 2022, como artilheiro e líder de assistências do Brasil em uma eliminatória sul-americana.

Zico foi à Copa do Mundo FIFA de 1978 em momento no qual ainda se firmava na equipe treinada por Cláudio Coutinho. O que seria seu primeiro gol no torneio terminou mal anulado: no final da estreia na primeira fase de grupos, contra a Suécia, o árbitro (o galês Clive Thomas) encerrou a partida no momento em que a bola estava no ar após cobrança de escanteio, antes que o cabeceio dado por Zico a fizesse entrar nas redes. Por razões físicas e uma suposta interferência do comando da CBD na escalação do time, perdeu a posição de titular no terceiro jogo para Jorge Mendonça, passando a entrar no decorrer das partidas. Marcou contra o Peru, de pênalti, seu primeiro gol em Copas do Mundo. Despediu-se da Copa na partida contra a Polônia, a última da segunda fase de grupos, quando sofreu grave problema muscular ao prender o tornozelo em lance com o adversário Zbigniew Boniek — se o Brasil passasse à final, Zico não jogaria. A Seleção teve de contentar-se com a decisão do terceiro lugar, conquistada após ficar empatada em pontos e com menor saldo de gols que a anfitriã Argentina, após a vitória desta por 6–0 sobre o Peru, o grande escândalo do torneio. Um drama talvez maior veio na Copa do Mundo FIFA de 1982, onde o Brasil vivia enorme favoritismo. Zico marcou quatro vezes no mundial: de falta contra a Escócia, em jogo em que reencontrou três jogadores do Liverpool contra quem jogara seis meses antes: Alan Hansen, Kenny Dalglish e Graeme Souness; dois contra a Nova Zelândia (um deles, de voleio); e outro contra a Argentina.

Na partida contra os rivais, também deu passe para Júnior marcar o terceiro e também envolveu-se no segundo, tendo dado passe para Falcão assistir a Serginho Chulapa. O jogo foi válido já pela segunda fase, onde um grupo formado também pela Itália daria uma vaga para as semifinais. O Brasil foi ao jogo contra os italianos podendo empatar para passar de fase: ambos haviam vencido a Argentina, mas o Brasil fizera um gol a mais. Tudo deu errado na partida decisiva do grupo. O técnico da Azzurra, Enzo Bearzot, já presenciara as habilidades de Zico em 1979, quando treinou a Seleção do Resto do Mundo em amistoso contra a Argentina comemorativo do aniversário de um ano do título do país na Copa de 1978. Zico chegara a Buenos Aires minutos antes da partida, entrando no segundo tempo. Marcou o gol de empate e levou o time da FIFA à vitória de virada Para anular o Galinho, escalou o violento Claudio Gentile, que já parara Diego Maradona, à base de muitas pancadas, na partida contra a Argentina. No único momento em que conseguiu desvencilhar-se da pesada marcação de Gentile, Zico deu o passe para o gol de Sócrates, que empatava a partida em 1–1.

Em outro momento, o adversário chegou a puxar tão forte a camisa de Zico que terminou por rasgá-la. O lance foi dentro da grande área, mas o pênalti não foi marcado pelo árbitro israelense Abraham Klein. A Itália venceu por 3–2 no que Zico, até então empatado com o alemão-ocidental Karl-Heinz Rummenigge na artilharia do mundial (premiação que ficaria com o carrasco Paolo Rossi, que fizera os três gols da vitória italiana naquela partida e faria outros três depois), considera sua "maior frustração no futebol". A terceira e última Copa de Zico seria a de 1986. O Galinho ainda vivia a desconfiança da crítica em relação a seu estado físico após a lesão provocada por Márcio Nunes, do Bangu, em 1985. Sua resposta pela Seleção viria em abril, num amistoso contra a Iugoslávia, realizado no Recife. Na vitória brasileira por 4–2, marcou outro de seus gols mais bonitos, invadindo a área adversária deixando para trás uma fileira de quatro zagueiros e ainda livrando-se do goleiro antes de concluir para as redes. Ainda assim, em virtude de sua recuperação, foi ao mundial como reserva. Jogou três das cinco partidas do Brasil na Copa, contra Irlanda do Norte, na primeira fase, com o Brasil já classificado; Polônia, nas oitavas de final; e França, nas quartas. Não marcou gols, perdendo a melhor chance que teve para fazê-lo, um pênalti contra os franceses. Zico havia acabado de entrar na partida, já empatada em 1–1, e feito sensacional lançamento para Branco, que foi derrubado na grande área pelo goleiro Joël Bats.

Como ainda estava frio na partida, Zico foi bater o pênalti relutantemente, o qual ele mesmo reconheceu ter cobrado mal. O empate perdurou na prorrogação e a vaga nas semifinais foi decidida na série de pênaltis. Escalado para bater novamente, Zico acertou sua cobrança na decisão, mas Sócrates e Júlio César perderiam as suas e o Brasil acabaria eliminado. Foi a última partida oficial do meio-campista pelo Brasil — curiosamente, o jogador perdeu apenas uma vez pela Seleção em Copas, no fatídico jogo contra a Itália em 1982. Na Copa do Mundo FIFA de 1990, o técnico Sebastião Lazaroni chegou a conversar com Zico tentando fazer o jogador repensar a sua decisão de não disputar o Mundial. O Galinho optou por não jogar mais futebol, tendo outros planos: naquele ano, durante a presidência de Fernando Collor, foi Secretário Nacional de Esportes, cargo público que exerceu até o ano seguinte.

ESTILO DE JOGO

“Meu negócio não era fazer graça não, era fazer gol.”

—Zico, sobre suas características como futebolista.

Zico é reconhecido mundialmente pela sua precisão nas cobranças de falta. Em uma entrevista, revelou que costumava treinar de 70 a 100 cobranças de falta duas vezes por semana. De acordo com o site goal.com, o jogador teria marcado 101 gols de falta em jogos oficiais, sendo o recordista na história do futebol em gols marcados desta forma. No entanto, esse número foi desmentido pelo próprio Zico no canal Charla Podcast, do YouTube. Considerando sua contagem (que conta jogos amistosos), o Galinho de Quintino teria marcado 84 gols de falta. Muito por conta disso, em 2001 foi eleito pela revista Placar o maior cobrador de faltas do futebol brasileiro no século XX. Já em 2016, em uma pesquisa promovida pelo portal GE, foi eleito por jogadores e por internautas como o maior batedor de faltas brasileiro da história.

Segundo a IFFHS, que considera apenas os gols marcados em torneios nacionais de primeira divisão e por seleções principais, Zico é o 18.º MAIOR ARTILHEIRO da história do FUTEBOL, com 556 gols em 777 partidas oficiais. Chegou a marcar 89 gols em 1979, porém 73 foram contabilizados oficialmente. Apenas em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro, balançou as redes 137 vezes. Zico é, também, o MAIOR ARTILHEIRO da história do Estádio do MARACANÃ, com 334 gols em 435 partidas.

Além do lado goleador, seu repertório também incluía habilidade nos dribles, excelente visão de jogo e uma inteligência acima do normal. Por isso, para muitos jornalistas esportivos, como Celso Unzelte, por exemplo, Zico foi o mais completo jogador que o Brasil já teve.

Segundo Fernando Calazans, colunista esportivo do jornal O Globo, Zico atuava na função do chamado “número um” no sistema 4-3-1-2, pois desempenhava várias funções, como criar, atacar e defender. Para o colunista, na história do futebol brasileiro, somente Zico desempenhou essas funções com a mesma com eficiência, pois participava da marcação, permitindo que seus companheiros pudessem se recompor defensivamente, e atuava como jogador arco-e-flecha (jargão utilizado para se referir a jogadores que têm proficiência tanto na criação ofensiva quanto no poder de finalização).

Conforme Mário Magalhães, quando retornou aos gramados após a lesão, seus joelhos já não eram mais os mesmos. Ele passou a exercer a função então denominada ponta-de-lança. Debilitado fisicamente, o Zico passou, sobretudo no segundo tempo, a ficar mais plantado no meio do campo e na intermediária ofensiva, lançando seus companheiros.

PÓS-APOSENTADORIA

Carreira política: Durante a presidência de Fernando Collor, Zico foi Secretário Nacional de Esportes. Ocupou o cargo nos anos de 1990 e 1991.

Seu projeto mais conhecido foi a "Lei Zico", que modificou a estrutura do futebol brasileiro, reduzindo o poder dos clubes em relação aos jogadores. Dentre os temas regulamentados pela lei Zico, figuram, por exemplo, a criação do Conselho Superior de Desportos — entidade destinada a fazer cumprir a própria lei — e a organização da Justiça desportiva.

A "Lei Zico", que é como ficou conhecida a Lei no 8 672, foi promulgada em 6 de julho de 1993, e promoveu e concretizou a modernização da legislação desportiva.

Acerca desta Lei, o Professor Álvaro Melo Filho, esclarece os aspectos inovadores trazidos pela normaː

“Com a ‘Lei Zico’ o conceito de desporto, antes adstrito e centrado apenas no rendimento, foi ampliado para compreender o desporto na escola e o desporto de participação e lazer; a Justiça Desportiva ganhou uma estruturação mais consistente; facultou-se o clube profissional transformar-se, constituir-se ou contratar sociedade comercial; em síntese, reduziu-se drasticamente a interferência do Estado fortalecendo a iniciativa privada e o exercício da autonomia no âmbito desportivo, exemplificada, ainda, pela extinção do velho Conselho Nacional de Desportos, criado no Estado Novo e que nunca perdeu o estigma de órgão burocratizado, com atuação cartorial e policialesca no sistema desportivo, além de cumular funções normativas, executivas e judiciais. Ou seja, removeu-se com a ‘Lei Zico’ todo o entulho autoritário desportivo, munindo-se de instrumentos legais que visavam a facilitar a operacionalidade e funcionalidade do ordenamento jurídico-desportivo, onde a proibição cedeu lugar à indução.”

Ainda sobre a lei, o advogado Mauro Lima Silveira nos ensina: “A Lei 8 672, a ‘Lei Zico’, de autoria do Secretário de Esportes Artur Antunes Coimbra jamais teve aplicação, mas teve real influência na ‘Lei Pelé’. Esta simplesmente copiou a maioria dos dispositivos daquela. Impelido por razões que nos fogem discutir, o Ministro Extraordinário dos Esportes Edson Arantes do Nascimento entendeu que a legislação desportiva não deveria chamar-se de ‘Lei Zico’, e sim de ‘Lei Pelé’. E assim nasceu este atentado ao desporto brasileiro, repleto de inconstitucionalidade e desrespeito ao desporto nacional”.

A relação com Collor, considerada harmônica no início da função como ministro, se deteriorou após aliados do ex-presidente reclamarem dos efeitos da Lei Zico. Um dos pontos mais polêmicos da lei foi a captação de recursos financeiros para entidades desportivas através de bingos.

Cobrado por políticos que o apoiavam, o então presidente engavetou o projeto de lei, o suficiente para Zico pedir demissão.

“Aquilo batia de frente com alguns setores que o tinham apoiado. Ele (Collor) engavetou. Ele parou com o contato direto que tinha comigo. Preparei minha carta de despedida, pois não tinha mais o que fazer.”

Após essa aventura na política, Zico voltou aos gramados para jogar no Japão.

Futebol de areia: Depois de pendurar as chuteiras dos gramados, em 1994. Zico foi jogar futebol de areia. Ele defendeu a Seleção Brasileira de Futebol de Areia entre 1995 e 1996. Nesse período, fez 41 gols com a camisa da Seleção e foi bicampeão do Campeonato Mundial, da Copa América e do Torneio Internacional do Japão.

Ações sociais: Além de ser conhecido pelas grandes contribuições dentro de campo, Zico é apontado como um cidadão de respeito, com influência em diversas áreas e ativo em ações sociais. Em 2009, o Galinho criou seu primeiro projeto social próprio, a "Escola Zico", com o intuito de dar aulas de futebol a cerca de 500 crianças matriculadas na rede pública de ensino.

Em 2011, o ex-jogador também lançou o projeto "Zico 10 - Rio 2016", com a ideia de levar crianças de favelas ocupadas pela UPP no RJ para escolinhas de futebol. Todos os beneficiados ganharam uniformes e chuteiras, e Zico não escondeu a emoção com o projeto: "Não estamos preocupados em formar jogadores de futebol, mas cidadãos para que nossa cidade volte a ser de novo realmente maravilhosa".

Nem mesmo a idade e os problemas físicos são capazes de afastar o camisa 10 das ações sociais. Em 2024, já aos 71 anos de idade, Zico se tornou embaixador do projeto "Doe gols". Uma das atitudes do ídolo foi doar itens do acervo pessoal, como camisas, bola e ingressos de jogos históricos, para que a verba fosse revertida em prol do projeto.

Em 2026, durante uma visita à Organização das Nações Unidas (ONU) com uma comitiva do Flamengo, Zico foi nomeado o primeiro embaixador brasileiro da campanha Football for the Goals — uma iniciativa que mobiliza o esporte em apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A campanha reúne outras personalidades do futebol e tem como metas o combate ao racismo e a redução das desigualdades.

CARREIRA COMO TREINADOR

Primeiras experiências: Apesar de ter sido várias vezes convidado a assumir cargos no Flamengo, Zico relutou em aceitar. Especula-se que isso se deva em grande parte aos rumos tomados pelas administrações do clube carioca, que desde a época de Zico vêm gradativamente acumulando dívidas e maus resultados. Já disse que nunca quer ser técnico do Flamengo para não manchar essa imagem maravilhosa que tem com a torcida. Sua primeira experiência em uma comissão técnica foi como assistente de Zagallo, para a Copa do Mundo FIFA de 1998.

Zico foi chamado após resultados medianos do Brasil nos amistosos preparativos — o país não jogara as Eliminatórias por sua classificação automática como campeão da edição anterior. Ficaria marcado por ter sido o encarregado de transmitir a Romário a informação de que este seria cortado. Apesar da decisão ter sido feita por toda a comissão, o Baixinho culparia Zico pelo corte, e apenas em 2009 lhe pediria desculpas. Posteriormente, Zico assumiu interinamente como treinador do Kashima Antlers, quando o time passava por uma crise. Era diretor técnico do time, que demitira Zé Mário em razão de maus resultados. Na emergência, Zico comandou a equipe, e sua figura incentivou os jogadores, fazendo o time sair das últimas posições e terminar entre os primeiros da J-League.

Seleção Japonesa: A partir de junho de 2002, passou a exercer o cargo de técnico da Seleção Japonesa, sucedendo ao francês Philippe Troussier, que treinara o país na Copa do Mundo daquele ano. Foi chamado logo como a primeira opção de Masaru Suzuki, presidente da Associação de Futebol do Japão — Suzuki fora o presidente do Kashima na época em que Zico teve bons resultados como técnico interino do clube. Após eliminação na primeira fase na Copa das Confederações FIFA de 2003, Zico levou os nipônicos ao título na Copa da Ásia de 2004. Com o título continental, o Japão credenciou-se a disputar no ano seguinte a Copa das Confederações e, embora eliminado na fase de grupos, não fez feio, tendo ficado perto de eliminar a Seleção Brasileira nesta fase.

O Japão de Zico reencontraria o Brasil no ano seguinte, na Copa do Mundo FIFA de 2006, com nova eliminação na primeira fase e um futebol aquém do que se esperava. Zico afirmou que fez o melhor que pôde pela Seleção Japonesa e que não se arrependeu de nenhuma decisão que tomou. Apesar de não ter conseguido os mesmos resultados do antecessor, seu trabalho foi reconhecido por ter inspirado melhor postura dos jogadores japoneses, ensinando-lhes a ter mais confiança e capacidade de improvisação. Foi treinando a Seleção Japonesa que Zico desenvolveu o gosto para ser treinador; até então, sua intenção após abandonar os gramados era ser dirigente.

“Foi uma questão de retribuição pelo que o Kashima e todo o Japão fizeram por mim. Eu não queria de maneira nenhuma seguir como treinador, mas, em um momento difícil, eu assumi. Obtivemos ótimos resultados nesse período e saímos do rebaixamento para o quinto lugar. Entreguei o time ao Toninho Cerezo, continuei como diretor, e, quando o presidente do Kashima Antlers assumiu a federação, me fez um pedido bem especial. Acho que faltavam algumas coisas para o futebol japonês dar uma guinada e eu tinha que estar lá dentro para isso. Aí peguei o gostinho e continuei. Deu certo.”

Fenerbahçe: Em julho, após a Copa do Mundo, Zico foi contratado para treinar a equipe turca do Fenerbahçe, ajudando a popularizá-la no Brasil. Comandando um time cujo elenco contava com vários ex-jogadores com passagens pelo futebol brasileiro — nomes como Alex, Edu Dracena, Deivid, Fábio Luciano e, posteriormente, Roberto Carlos, além do naturalizado turco Gökçek Vederson, do uruguaio Diego Lugano e do chileno Claudio Maldonado, ambos ex-atletas do São Paulo —, o Fener conquistou o Campeonato Turco na temporada 2006–07, garantindo assim uma vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA.

Já na temporada seguinte, Zico conseguiu levar a equipe às quartas de finais da Liga dos Campeões, sendo esta a melhor participação de um clube da Turquia no principal torneio europeu de clubes. No jogo de ida, o Fenerbahçe fez valer o mando de campo e venceu o favorito Chelsea por 2–1. Porém, no jogo de volta, em Londres, o time turco perdeu por 2–0 e foi eliminado da competição. Apesar do revés, a equipe comandada por Zico saiu de cabeça erguida.

Bunyodkor: No dia 22 de setembro de 2008, foi contratado para treinar a equipe Bunyodkor, do Uzbequistão, clube onde já jogava o brasileiro Rivaldo, substituindo Mirjalol Qosimov, que assumira a Seleção Uzbeque. Zico ficou apenas pouco mais de quatro meses como técnico do Bunyodkor, o suficiente para trazer mais mídia para o futebol local, para conquistar a Copa do Uzbequistão de 2008, em cima do rival Paxtakor e deixá-la na liderança do Campeonato Uzbeque, que o clube posteriormente também venceu. Além disso, o clube também chegou às semifinais da Liga dos Campeões da AFC.

CSKA Moscou: Em 9 de janeiro de 2009, Zico anunciou a troca do Bunyodkor pelo CSKA Moscou, substituindo Valeriy Gazzayev. Estreou na fase decisiva da Copa da UEFA contra o Aston Villa e a equipe se classificou para as oitavas-de-final da competição após um empate em 1–1 na primeira partida e uma vitória por 2–0 no jogo de volta, em casa. Porém, na fase seguinte, sua equipe acabaria sendo eliminada pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, que terminou conquistando o torneio. No comando do CSKA, Zico levou o time às conquistas da Copa da Rússia e a Supercopa da Rússia em 2009. Apesar dos títulos, foi demitido do clube no dia 10 de setembro.

Olympiacos: No dia 16 de setembro de 2009, o Olympiacos anunciou a contratação de Zico por dois anos, em uma decisão que foi surpresa até para a sua família. O brasileiro assistiu a partida contra o AZ Alkmaar, no Estádio Karaiskakis em Atenas, pela Liga dos Campeões da UEFA. Em 19 de janeiro de 2010, após quatro meses, o clube anunciou o "fim de sua cooperação com o treinador" em um breve comunicado no site oficial.

Seleção Iraquiana: Em 25 de agosto de 2011, Zico embarcou rumo ao Iraque para assumir a Seleção Iraquiana, com o principal objetivo de classificar o país para a Copa do Mundo FIFA de 2014. O contrato assinado tinha validade até 2014, mas a ideia era permanecer até 2018.

O lendário jogador brasileiro Zico, que também é técnico do Iraque, durante a partida das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2014 contra Omã, em Doha. Foto tirada por Mohan em 12 de junho de 2012, 05:39:44.

No dia 27 de novembro de 2012, Zico anunciou, através de uma nota em seu site, o desligamento da Seleção Iraquiana por descumprimento de algumas questões contratuais pela Federação Iraquiana de Futebol.

Al-Gharafa:

Em agosto de 2013, após quase um ano desempregado, Zico foi anunciado como novo técnico do Al-Gharafa, do Catar, sendo esta sua segunda experiência no futebol asiático. O brasileiro foi demitido após três derrotas consecutivas, deixando o Al-Gharafa na sétima colocação do campeonato, sem chances de título.

Goa: No dia 2 de setembro de 2014, em um projeto pioneiro de difundir o futebol pelo mundo, tal qual já havia feito no Japão, Zico assumiu o comando do Goa, da Índia. Logo após sua chegada, o clube postou em seu site oficial: "A lenda está aqui. Seja bem vindo, Zico".

Em sua primeira temporada, conseguiu levar o modesto time à semifinal da Superliga Indiana. Após três temporadas, deixou o clube no dia 13 de janeiro de 2017.

Kashima Antlers: No dia 17 de julho de 2018, após 16 anos de sua última passagem, o Kashima Antlers anunciou seu retorno para o cargo de diretor técnico da equipe.

CARACTERÍSTICAS COMO TREINADOR

Como treinador, Zico tem um estilo inspirado em Telê Santana: é detalhista, treina muitos fundamentos (passe, domínio, cruzamento, cabeçada, etc.) e não é de ficar gritando na beira do gramado.

CARREIRA COMO DIRIGENTE E COMENTARISTA

Diretor executivo: No dia 30 de maio de 2010, a convite da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, assumiu o cargo de diretor executivo de futebol do clube. No dia 1 de outubro, anunciou, em seu site pessoal, o pedido de demissão do cargo, segundo ele, por pressões sofridas dentro do clube.

Oito anos depois, em julho de 2018, foi anunciado como diretor técnico do Kashima Antlers.

Comentarista esportivo: Em 16 de fevereiro de 2011, foi anunciado como comentarista esportivo no Esporte Interativo. Fez sua estreia no dia 22 de fevereiro, na partida entre Lyon e Real Madrid.

Em 28 de abril, estreou o seu próprio programa, também na TV Esporte Interativo, "Zico da Área" com o jornalista esportivo Mauro Beting e a participação do ex-futebolista Bebeto. O programa foi semanal, toda quinta-feira às 20 horas e 30 minutos e teve a duração de uma hora.

Em 14 de abril de 2014, estreou na Rádio Globo no programa Futebol de Verdade com Juninho Pernambucano.

Em 2022 estreou um talk show no BandSports, o "Resenha do Galinho". Em 2023, o programa passou a ser exibido na Jovem Pan News. Em 2024, o Resenha do Galinho voltou para a Band, agora exibido durante a madrugada de segunda para terça.

FAMÍLIA

Zico descende de portugueses, tanto pelo lado materno como pelo lado paterno. O seu avô materno, Arthur Ferreira da Costa Silva era de Oliveira de Azeméis e emigrou para o Rio de Janeiro nos últimos anos do século XIX. Estabeleceu-se com uma fábrica de cerâmica no bairro de Quintino. A mãe de Zico, Matilde Ferreira da Costa Silva (19 de janeiro de 1919 – 17 de novembro de 2002), nasceu já no Brasil. O avô paterno, Fernando Antunes Coimbra, nasceu e viveu a maior parte da sua vida em Tondela. É aí que nasce José Antunes Coimbra (10 de junho de 1901 – 12 de novembro de 1986), que viria ser o pai do jogador. José Antunes Coimbra, aos 10 anos de idade, juntamente com sua família, emigra para o Brasil. Ainda que tenha saído de Portugal muito jovem, José sempre guardou uma grande ligação ao seu país de origem. Era, aliás, torcedor do Sporting Clube de Portugal, portanto seguiu durante grande parte de sua vida os relatos dos jogos de seu clube através da rádio.

Matilde Ferreira da Costa Silva e José Antunes Coimbra conheceram-se em 1926, José Antunes tinha 25 anos e era motorista na fábrica de cerâmica do pai de Matilde; esta tinha apenas sete anos de idade. Casaram 17 anos depois, em 1943; ela com 24 anos, ele já com 42. Do casamento nasceram seis filhos, cinco homens e uma mulher: a mais velha Zezé, Antunes (falecido em 8 de janeiro de 1997), Zeca, Nando, Edu e Tunico, e finalmente Zico. Zico nasceu na rua Lucinda Barbosa, número 7 em Quintino, às 7h00 de parto natural. O nome Arthur foi escolhido pela mãe por causa de seu avô (que viria a falecer um ano depois). Zico conheceu Sandra Carvalho de Sá, que vem a ser irmã de Sueli, a esposa de seu irmão Edu, em 1969, em treinamento do Flamengo: ela passava pela Gávea para suspirar por seu ídolo do elenco flamenguista, o galã argentino Narciso Doval. Em 23 de agosto de 1970, Zico e Sandra começam a namorar e casaram-se em 18 de dezembro de 1975, na igreja de São José, na Lagoa. Zico e Sandra têm três filhos: Arthur Antunes Coimbra Júnior (nascido em 15 de outubro de 1977), Bruno de Sá Coimbra (nascido em 16 de outubro de 1978) e Thiago de Sá Coimbra (nascido em 6 de janeiro de 1983).

ESTATÍSTICAS
  • CR Flamengo (1971–1983)
    • Partidas: 636
    • Gols: 481
    • Assistências: 157
  • Udinese C. (1983 –1985)
    • Partidas: 77
    • Gols: 57
    • Assistências: 7
  • CR Flamengo (1985–1990)
    • Partidas: 96
    • Gols: 32
    • Assistências: 23
  • Kashima Antlers FC (1991–1994)
    • Partidas: 847
    • Gols: 611
    • Assistências: 182
TÍTULOS COMO JOGADOR

CR Flamengo:
  1. Copa Intercontinental: 1981
  2. Copa Libertadores da América: 1981
  3. Campeonato Brasileiro: 1980, 1982, 1983
  4. Copa União: 1987
  5. Campeonato Carioca: 1972, 1974, 1978, 1979, 1979 (Especial), 1981, 1986
Kashima Antlers: Copa Suntory Series em 1993

Seleção Brasileira:
  1. Taça do Atlântico: 1976
  2. Copa Roca: 1976
  3. Copa Rio Branco: 1976
  4. Taça Oswaldo Cruz: 1976
  5. Torneio Bicentenário dos EUA: 1976
  6. Taça Brasil-Inglaterra: 1981
Seleção Brasileira Olímpica: Torneio Pré-Olímpico Sul-Americano em 1971.

PRÊMIOS INDIVIDUAIS

Zico, Maraadona e Fillol, premiados pelo El Gráfico em 1981.
  1. Jogador Revelação do Campeonato Brasileiro: 1974
  2. Melhor Jogador do Campeonato Carioca: 1972, 1974, 1978, 1979, 1979 (especial), 1981 e 1986
  3. Bola de Prata: 1974, 1975, 1977, 1982, 1987
  4. Bola de Ouro: 1974, 1982
  5. Melhor Jogador da América do Sul (El Mundo): 1977, 1981, 1982
  6. Bola de Prata (Artilheiro): 1980, 1982
  7. Melhor Jogador do Campeonato Brasileiro: 1980, 1982 e 1983
  8. Melhor Jogador da Copa Libertadores da América: 1981
  9. Melhor Jogador da Copa Intercontinental: 1981
  10. Seleção Ideal do Mundo (Guerin Sportivo): 1981
  11. Melhor Jogador do Mundo (Guerin Sportivo): 1981
  12. Seleção da Copa do Mundo FIFA: 1982[18]
  13. Chuteira de Bronze da Copa do Mundo FIFA: 1982
  14. Melhor Jogador do Mundo (World Soccer) em 1983
  15. Seleção do Campeonato Italiano: 1983–84
  16. Melhor Jogador do Campeonato Italiano: 1983–84
  17. Prêmio Chevron: 1983–84
  18. Jogador do Ano no Futebol Brasileiro (Placar): 1989
  19. Calçada da Fama do Kashima Antlers: 1993
  20. Medalha Tiradentes: 1995
  21. Seleção de Futebol do Século XX: 1996, 1997
  22. Ordem de Mérito da FIFA: 1996
  23. Hall da Fama da FIFA: 2000
  24. Calçada da Fama do Maracanã: 2000
  25. FIFA 100: 2004
  26. Prêmio Golden Foot (Lenda do Futebol): 2006
  27. Hall da Fama do Kashima Antlers: 2009
  28. Prêmio Superar: 2012
  29. IFFHS (Lendas do Futebol): 2016
  30. Hall da Fama do Futebol Japonês: 2016
  31. Hall da Fama do Futebol Mexicano: 2016
  32. Maior ídolo da História do Flamengo (O Globo): 2020
  33. Seleção de Todos os Tempos do Brasil (IFFHS): 2021
  34. Seleção de Todos os Tempos da América do Sul (IFFHS): 2021
  35. Seleção de Todos os Tempos da Udinese (Guardian Sport Network): 2022
Estátuas: Zico é homenageado com estátua na Sede social do Clube de Regatas do Flamengo, duas estátuas na cidade de Kashima e no Estádio Kashima no Japão e uma no Hall da Fama do Maracanã.

ARTILHARIAS

Flamengo:
  1. Campeonato Carioca: 1975 (30 gols)
  2. Campeonato Carioca: 1977 (27 gols)
  3. Campeonato Carioca: 1978 (19 gols)
  4. Campeonato Carioca: 1979 (26 gols)
  5. Campeonato Carioca: 1979 (Especial) (34 gols)
  6. Campeonato Brasileiro: 1980 (21 gols)
  7. Copa Libertadores da América: 1981 (11 gols)
  8. Campeonato Brasileiro: 1982 (20 gols)
  9. Campeonato Carioca: 1982 (21 gols)
Kashima Antlers: Japan Soccer League: 1991–92 (22 gols)

Seleção Brasileira: Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1978 (5 gols) e a Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1982 (5 gols).

RECORDES

Maior Artilheiro do Flamengo: (509 gols)[45]
Maior Artilheiro do Estádio do Maracanã: (333 gols)[46]
Maior Artilheiro do Clássico Fla-Flu: 19 gols[47]
Maior Vencedor do Prêmio Bola de Prata: 9[48]
Maior Vencedor do Prêmio de Rei da América: 3

TÍTULOS COMO TREINADOR

Seleção Japonesa: conquistou a Copa da Ásia em 2004.

Fenerbahçe: Campeonato Turco em 2006–07 e a Supercopa da Turquia em 2007.

Bunyodkor:
  1. Campeonato Uzbeque: 2008
  2. Copa do Uzbequistão: 2008
CSKA Moscou:
  1. Copa da Rússia: 2008–09
  2. Supercopa da Rússia: 2009
TÍTULOS COMO DIRETOR TÉCNICO

Kashima Antlers:
  1. Campeonato Japonês: 1996, 1998, 2000, 2001 e 2025
  2. Copa do Imperador: 1997 e 2000
  3. Copa da Liga Japonesa: 1997, 2000 e 2002
  4. Supercopa do Japão: 1997, 1998 e 1999
  5. Liga dos Campeões da AFC: 2018
DESPEDIDAS

Seleção Brasileira - "O fim de uma era": O último jogo do Galinho com a camisa amarelinha aconteceu no dia 27 de março de 1989, num jogo entre a Seleção Brasileira e uma equipe representando o resto do mundo. Realizada no Estádio Friuli, em Údine, na Itália, a partida teve um público de 41 mil pessoas, que viram a equipe do Resto do Mundo vencer o Brasil por 2–1. O evento foi promovido pela comissão italiana da Copa do Mundo de 1990.

Flamengo - "O ensaio": No dia 6 de janeiro de 1990, a despedida do maior ídolo e artilheiro da história do Flamengo e do Maracanã foi marcada por um jogo em que o time rubro-negro e a seleção de craques nacionais e internacionais "World Cup Master" empataram em 2–2. O jogo foi realizado no seu palco principal, o Maracanã, e teve um público de 150 mil pessoas, sendo 90 mil pagantes.

Kashima Antlers - "O adeus definitivo": Em 10 de outubro de 1994, "God Soccer", como é conhecido por lá, despediu-se em definitivo do futebol japonês e mundial num evento promovido pelo clube Kashima Antlers, num jogo em que enfrentou um combinado de estrangeiros que atuavam no futebol japonês. O jogo terminou empatado em 4–4 e o público foi de 38 mil pessoas, capacidade máxima do estádio.

NAS ARTES

Teatro: uma Participação na peça "Histórias com Tortilhas", com Pepita Rodríguez (2008)

Livros:
  1. Zico: a História do Maior Artilheiro Rubro-Negro (revista, RGE-1976)
  2. Zico, Uma Lição de Vida - 1 (autor: Marcos Vinícius Bucar Nunes - 1986)
  3. Deixa Que Eu Chuto (autor: Renato Maurício Prado - 1998)
  4. Zico Conta Sua História, Ed. FTD (autor: Zico - 1998)
  5. Zico: Paixão e Glória de um Ídolo (autora: Lúcia Rito - 2000)
  6. Zico: 50 Anos de Futebol (autor: Zico, Roberto Assaf e Roger Garcia - 2003)
  7. Flamengo - O Vermelho e o Negro (autor: Ruy Castro 2004)
  8. Zico, Uma Lição de Vida - 2 (autor: Marcos V. B. Nunes - 2006) sucesso de vendas, EUA e Japão
  9. Os Reis do Futebol Brasileiro (autor: Antonio Falcão - 2006)
Filmografia:
  1. A Vida do Jogador Zico, uma Lenda do Nosso Futebol (documentário, década de 1980)
  2. L'allenatore nel pallone (Comédia italiana, 1984 - aparece na qualidade de jogador da Udinese)
  3. Zico: um Gênio da Bola (documentário, década de 1990)
  4. Os Mais Belos Gols de Zico (documentário, Década de 1990)
  5. Uma Aventura do Zico (infantil - 1998)
  6. Zico - O Filme (documentário sobre a vida e a carreira do craque - 2003)
  7. Mitos do Futebol (Miti - documentário italiano do jornal La Gazeta dello Sport - 2008)
  8. A Grande Família (série, episódio: "Vai que é Tua, Lineuzinho!", 2007) - ele mesmo
  9. Zico: o Galinho de Ouro do Brasil (documentário, coleção grandes craques - Placar 2009)
  10. Zico na Rede (documentário com os gols mais importantes de sua carreira - 2009)
  11. Zico, O samurai de Quintino (documentário, partindo do período em que Zico jogou no Japão - 2026)
Discografia:
  1. Batuquê de Praia e Cantos do Rio (Compacto, Zico e Fagner - 1982)
  2. Reedição Devido a Grande Procura (Compacto, Batuquê de Praia e Cantos do Rio - 1983)
  3. O Mundo é Verde e Amarelo (Zico e Seleção Brasileira - 1986)
HOMENAGENS

Carnaval: Embora seja torcedor e desfilante da Beija-Flor, Zico foi enredo da Imperatriz Leopoldinense, no carnaval de 2014.

Música:
  1. Camisa 10 da Gávea (Jorge Ben Jor - 1976), um pouco depois a cantora Maria Alcina regravou este sucesso
  2. Gol anulado (Elis Regina)
  3. Samba rubro negro (versão João Nogueira - 1979)
  4. Flamengão (Bebeto)
  5. Pega na mentira (Roberto e Erasmo Carlos - 1981)
  6. Arigatô Flamengo (Bebeto - 1982)
  7. Sangue, suingue e cintura (Moraes Moreira - 1982)
  8. Saudades do Galinho (Moraes Moreira - 1983)
  9. Uma vez Flamengo (samba-enredo da Estácio de Sá - 1995)
  10. Galinho de Briga (Fagner, tema do filme Uma Aventura do Zico - 1998)
  11. Bola no Pé (Fagner, tema do filme Zico , o Filme - 2003)
  12. Kamisama "O Senhor Deus" (Banda de Heavy Metal - Eyes of Shiva - 2006)
  13. 1967 (Marcelo D2 - 2007)
  14. Zico é o Nosso Rei (Alexandre Pires, tema do filme Zico na Rede - 2009)
  15. Zico (Carlinhos Vergueiro - 1999, relançado em 2010 - CD Contra-Ataque: Samba e Futebol)
  16. Pagode do Mengão (Júnior - 2011)
  17. Zico 60 Anos (Arlindo Cruz, Evandro Bocão, André Diniz, Rogê e Marcelo Tijolo. Samba gravado por vários artistas em homenagem aos 60 anos de Zico - 2013)
  18. Arthur X - O reino do galinho de ouro na corte da Imperatriz (samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense - 2014)
Cinema: Zico60. Doc.

Televisão: Zico 60: o surgimento do Galinho de Quintino e a trajetória até o estrelato e 61ª posição entre os "100 Maiores Brasileiros de Todos os Tempos", em concurso realizado pelo SBT com a emissora BBC, de Londres (2012).

Teatro: O dia em que Zico virou Rei (Grupo de teatro do nordeste, década de 1990).

Poesia: De Galinho de Quintino a ídolo de uma nação: nada além de ZICO

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"O tri agora é brasileiro", LANCE! Especial Flamengo 1981 - O Melhor do Mundo, 2007, Areté Editorial S/A, págs. 62-63
 "Dois dramas e um tri", Placar Especial Zico, 1989, Editora Abril, pág. 28
"Zico vai para a Itália", LANCE! Especial Flamengo 1981 - O Melhor do Mundo, 2007, Areté Editorial S/A, págs. 54-55
 DVD Placar Coleção Grandes Craques - Zico, o Galinho de Ouro do Brasil
 "Udine agradece eternamente", Placar Especial Zico, 1989, Editora Abril, pág. 16
"A queda de Roma", Placar Especial Zico, 1989, Editora Abril, pág. 30
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Arthur, em vez de Artur, foi a grafia comum em Portugal até 1911.
Realizou-se assim o ditado popular na região de Tondela de que marido velho com mulher nova dá filhos até à cova.
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domingo, 10 de maio de 2026

VASCO DA GAMA (EXPLORADOR PORTUGUÊS)

Vasco da Gama representado artisticamente (1 de Janeiro de 1526) de D. R..
  • NASCIMENTO: 1469; Sines, Reino de Portugal
  • FALECIMENTO: 24 de dezembro de 1524 (55 anos); Cochim, Reino de Portugal
  • OCUPAÇÃO:
  • FAMÍLIA: Estêvão da Gama (Pai), Isabel Sodré (Mãe), Catarina de Ataíde (Cônjuge)
  • DESCENDÊNCIA: Francisco da Gama, Estevão da Gama e Cristóvão da Gama
  • CASA REAL: Gama
  • RELIGIÃO: Catolicismo romano
Vasco da Gama (1469 – 1524) foi um nobre, navegador, explorador e administrador português. Na Era dos Descobrimentos, destacou-se por ter sido o comandante dos primeiros navios a navegar da Europa à Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo Equador. No fim da vida foi, por um breve período, Vice-Rei da Índia.

BIOGRAFIA

A data tradicional de nascimento é dada como 1469. Havendo dúvidas quanto à data de nascimento, sabe-se que foi com a idade aproximada de trinta anos que D. Manuel I o escolheu como capitão-mor da armada, o que aproxima o nascimento de 1467 ou mesmo de anos antes. Os historiadores hoje concordam que é mais provável ter ocorrido em Sines, onde o seu pai era alcaide, na costa sudoeste de Portugal, possivelmente perto da Igreja de Nossa Senhora das Salvas de Sines. Sines, um dos poucos portos da costa alentejana, era então uma pequena povoação habitada por pescadores, protegida por um castelo e sob o senhorio da Ordem de Santiago.

Era filho de Estêvão da Gama, que em 1460 era cavaleiro da casa de D. Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo. D. Fernando nomeara-o alcaide-mor do castelo de Sines e permitirá receber uma pequena receita de impostos sobre a fabricação de sabão em Estremoz. Estêvão da Gama era casado com Dona Isabel Sodré, filha de João Sodré (também conhecido como João de Resende). Sodré, que era de ascendência inglesa, tinha ligações à casa de D. Diogo, Duque de Viseu, filho de Fernando de Portugal, Duque de Viseu.

Pouco se sabe do início da vida deste navegador. Foi sugerido pelo médico e historiador português Augusto Carlos Teixeira de Aragão que terá estudado em Évora, onde poderá ter aprendido matemática e navegação. Alguns historiadores especulam que conheciam a astronomia, alegando que tenha estudado com o astrónomo Abraão Zacuto, tese de que não há provas e que não é plausível segundo Luís Adão da Fonseca.

Em 1492, João II de Portugal enviou-o ao porto de Setúbal, a sul de Lisboa, e ao Algarve para confiscar as mercadorias navios franceses nos portos portugueses em retaliação por captura de uma caravela portuguesa vinda de S. Jorge da Mina— uma tarefa que Vasco da Gama executou rápida e eficazmente.

DESCOBERTA DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA (1497–1499)

Antecedentes: Desde o início do século XV, impulsionados pelo Infante D. Henrique, os portugueses vinham aprofundando o conhecimento sobre o litoral Africano. A partir da década de 1460, a meta tornara-se conseguir contornar a extremidade sul do continente africano para assim aceder às riquezas da Índia — pimenta preta e outras especiarias — estabelecendo uma rota marítima de confiança. A República de Veneza dominava grande parte das rotas comerciais entre a Europa e a Ásia, e desde a tomada de Constantinopla pelos otomanos limitara o comércio e aumentara os custos. Portugal pretendia usar a rota iniciada por Bartolomeu Dias para quebrar o monopólio do comércio mediterrânico.

Quando Vasco da Gama tinha cerca de dez anos, esses planos de longo prazo estavam perto de ser concretizados: Bartolomeu Dias tinha retornado de dobrar o Cabo da Boa Esperança, depois de explorar o "Rio do Infante" (Great Fish River, na actual África do Sul) e após ter verificado que a costa desconhecida se estendia para o nordeste.

Em simultâneo foram feitas explorações por terra durante o reinado de D. João II de Portugal, suportando a teoria de que a Índia era acessível por mar a partir do Oceano Atlântico. Pero da Covilhã e Afonso de Paiva foram enviados via Barcelona, Nápoles e Rodes até Alexandria, porta para Aden, Ormuz e Índia.

Faltava apenas um navegador comprovar a ligação entre os achados de Bartolomeu Dias e os de Pero da Covilhã e Afonso de Paiva, para inaugurar uma rota de comércio potencialmente lucrativa para o Oceano Índico. A tarefa fora inicialmente atribuída por D. João II a Estevão da Gama, pai de Vasco da Gama. Contudo, dada a morte de ambos, em Montemor-o-Novo em julho de 1497 o comando da expedição foi delegado pelo novo rei D. Manuel I de Portugal a Vasco da Gama, possivelmente tendo em conta o seu desempenho ao proteger os interesses comerciais portugueses de depredações pelos franceses.

A chamada Primeira Armada da Índia seria financiada em parte pelo banqueiro florentino Girolamo Sernige.

A viagem: Manuel I de Portugal confiou a Vasco da Gama o cargo de capitão-mor da frota que, num sábado 8 de Julho de 1497, zarpou de Belém em demanda da Índia.

Era uma expedição essencialmente exploratória que levava cartas do rei D. Manuel I para os reinos a visitar, padrões para colocar, e que fora equipada por Bartolomeu Dias com alguns produtos que haviam provado ser úteis nas suas viagens, para as trocas com o comércio local. O único testemunho presencial da viagem é constada num diário de bordo anónimo, o Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia atribuído a Álvaro Velho ou João de Sá.

Contava com cerca de cento e oitenta homens, entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro embarcações:
  1. São Gabriel, uma nau de 27 metros de comprimento e 178 toneladas, construída especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama;
  2. São Rafael, de dimensões semelhantes à São Gabriel, também construída especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama, seu irmão; no regresso, com a tripulação diminuída, foi abatida em Melinde, prosseguindo na Bérrio e São Gabriel;
  3. Bérrio, uma nau ligeiramente menor que as anteriores, oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de Nicolau Coelho;
  4. São Miguel, uma nau para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes, que viria a ser queimada na ida, perto da baía de São Brás, na costa oriental africana.
A expedição partiu de Lisboa, acompanhada por Bartolomeu Dias que seguia numa caravela rumo à Mina, seguindo a rota já experimentada pelos anteriores exploradores ao longo da costa de África, através de Tenerife e do Arquipélago de Cabo Verde. Após atingir a costa da atual Serra Leoa, Vasco da Gama desviou-se para o sul em mar aberto, cruzando a linha do Equador, em demanda dos ventos vindos do oeste do Atlântico Sul, que Bartolomeu Dias já havia identificado desde 1487. Esta manobra de "volta do mar" foi bem sucedida e, a 4 de Novembro de 1497, a expedição atingiu novamente o litoral Africano. Após mais de três meses, os navios tinham navegado mais de 6.000 km de mar aberto, a viagem mais longa até então realizada em alto mar.

A 16 de dezembro, a frota já tinha ultrapassado o chamado "Rio do Infante" (Great Fish River, na atual África do Sul) — de onde Bartolomeu Dias havia retornado anteriormente — e navegou em águas até então desconhecidas para os europeus. No dia de Natal, Gama e sua tripulação batizaram a costa em que navegavam o nome de Natal (atual província KwaZulu-Natal da África do Sul).

A 2 de março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada chegou à costa de Moçambique, após haver sofrido fortes temporais e de Vasco da Gama ter sufocado com mão de ferro uma revolta da marinhagem. Na costa Leste Africana, os territórios controlados por muçulmanos integravam a rede de comércio no Oceano Índico. Em Moçambique encontram os primeiros mercadores indianos. Inicialmente são bem recebidos pelo sultão, que os confunde com muçulmanos e disponibiliza dois pilotos. Temendo que a população fosse hostil aos cristãos, tentam manter o equívoco mas, após uma série de mal entendidos, foram forçados por uma multidão hostil a fugir de Moçambique, e zarparam do porto disparando os seus canhões contra a cidade.

O piloto que o sultão da ilha de Moçambique ofereceu para os conduzir à Índia havia sido secretamente incumbido de entregar os navios portugueses aos mouros em Mombaça. Um acaso fez descobrir a cilada e Vasco da Gama pôde continuar.

Na costa do actual Quénia a expedição saqueou navios mercantes árabes desarmados. Os portugueses tornaram-se conhecidos como os primeiros europeus a visitar o porto de Mombaça, mas foram recebidos com hostilidade e logo partiram.

Em fevereiro de 1498, Vasco da Gama seguiu para norte, desembarcando no amistoso porto de Melinde — rival de Mombaça — onde foi bem recebido pelo sultão que lhe forneceu um piloto árabe, conhecedor do Oceano Índico, cujo conhecimento dos ventos de monções permitiu guiar a expedição até Calecute, na costa sudoeste da Índia. As fontes divergem quanto à identidade do piloto, identificando-o por vezes como um cristão, um muçulmano e um guzerate. Uma história tradicional descreve o piloto como o famoso navegador árabe Amade ibne Majide, mas relatos contemporâneos posicionam Majide noutro local naquele momento.

Chegada a Calecute: A 20 de maio de 1498, a frota alcançou Kappakadavu, próxima a Calecute, no actual estado indiano de Querala, concluídas as expedições do périplo africano, ficando estabelecida a Rota do Cabo e aberto o caminho marítimo dos Europeus para a Índia.

No dia seguinte à chegada, João Nunes, um Cristão-Novo degredado, foi enviado a terra porque tinha conhecimento rudimentar de árabe (foi o primeiro a desembarcar em Calecute). Dois mouros de origem tunisina, receberam-no na sua casa e à interpelação de um deles em castelhano.

Ao ver as imagens de deuses hindus, Gama e os seus homens pensaram tratar-se de santos cristãos, por contraste com os muçulmanos que não tinham imagens. A crença nos "cristãos da Índia", como então lhes chamaram, perdurou algum tempo mesmo depois do regresso.

Contudo, as negociações com o governador local, Samutiri Manavikraman Rajá, samorim de Calecute, foram difíceis. Os esforços de Vasco da Gama para obter condições comerciais favoráveis foram dificultados pela diferença de culturas e pelo baixo valor de suas mercadorias. com os representantes do samorim a escarnecerem das suas ofertas, e os mercadores árabes aí estabelecidos a resistir à possibilidade de concorrência indesejada. As mercadorias apresentadas pelos portugueses mostraram-se insuficientes para impressionar o samorim, em comparação com os bens de alto valor ali comerciados, o que gerou alguma desconfiança. Os portugueses acabariam por vender as suas mercadorias por baixo preço para poderem comprar pequenas quantidades de especiarias e jóias para levar para o reino.

Por fim o samorim mostrou-se agradado com as cartas de D. Manuel I e Vasco da Gama conseguiu obter uma carta ambígua de concessão de direitos para comerciar, mas acabou por partir sem aviso após o samorim e o seu chefe da marinha Kunjali Marakkar insistirem para que deixasse todos os seus bens como garantia. Vasco da Gama manteve os seus bens, mas deixou alguns portugueses com ordens para iniciar uma feitoria.

Regresso a Portugal: Vasco da Gama iniciou a viagem de regresso a 29 de agosto de 1498. Na ânsia de partir, ignorou o conhecimento local sobre os padrões da monção que lhe permitiria velejar. Na Ilha de Angediva foram abordados por um homem que se afirmava cristão mas que se fingia de muçulmano ao serviço de Hidalcão, o sultão de Bijapur. Suspeitando que era um espião, açoitaram-no até que ele confessou ser um aventureiro judeu polaco no Oriente. Vasco da Gama apadrinhou-o, nomeando-o Gaspar da Gama.

Na viagem de ida, cruzar o Índico até à Índia com o auxílio dos ventos de monção demorara apenas 23 dias. A de regresso, navegando contra o vento, consumiu 132 dias, tendo as embarcações aportado em Melinde a 7 de janeiro de 1499. Nesta viagem cerca de metade da tripulação sobrevivente pereceu, e muitos dos restantes foram severamente atingidos pelo escorbuto, por isso dos 148 homens que integravam a armada, só 55 regressaram a Portugal. Apenas duas das embarcações que partiram do Tejo conseguiram voltar a Portugal, chegando, respectivamente entre julho e agosto de 1499. A caravela Bérrio, sendo a mais leve e rápida da frota, foi a primeira a regressar a Lisboa, onde aportou a 10 de julho de 1499, sob o comando de Nicolau Coelho e tendo como piloto Pêro Escobar, que mais tarde acompanhariam a frota de Pedro Álvares Cabral na viagem em que se registrou o descobrimento do Brasil em abril de 1500.

Vasco da Gama regressou a Portugal em setembro de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de sepultar o irmão mais velho Paulo da Gama, que adoecera e acabara por falecer na ilha Terceira, nos Açores. No seu regresso, foi recompensado como o homem que finalizara um plano que levara oitenta anos a cumprir. Recebeu o título de "almirante-mor dos Mares das Índia", sendo-lhe concedida uma renda de trezentos mil réis anuais, que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu ainda, conjuntamente com os irmãos, o título perpétuo de Dom e duas vilas, Sines e Vila Nova de Milfontes.

Segunda viagem à Índia (1502): A 12 de fevereiro de 1502, Vasco da Gama comandou uma nova expedição com uma frota de vinte navios de guerra, com o objetivo de fazer cumprir os interesses portugueses no Oriente. Fora convidado após a recusa de Pedro Álvares Cabral, que se desentendera com o monarca acerca do comando da expedição. Esta viagem ocorreu depois da segunda armada à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral em 1500, que ao desviar-se da rota descobrira o Brasil. Quando chegou à Índia, Cabral soube que os portugueses que haviam sido aí deixados por Vasco da Gama na primeira viagem para estabelecer um posto comercial haviam sido mortos. Após bombardear Calecute, rumou para o sul até Cochim, um pequeno reino rival, onde foi calorosamente recebido pelo Rajá, regressando à Europa com seda e ouro.

Gama tomou e exigiu um tributo à ilha de Quíloa na África Oriental, um dos portos de domínio árabe que haviam combatido os portugueses, tornando-a tributária de Portugal. Com ouro proveniente de 500 moedas trazidas por Vasco da Gama do régulo de Quíloa (atual Kilwa Kisiwani, na Tanzânia), como tributo de vassalagem ao rei de Portugal, foi mandada criar, pelo rei D. Manuel I para o Mosteiro dos Jerónimos, a Custódia de Belém.

Nesta viagem ocorreu o primeiro registo europeu conhecido do avistamento das ilhas Seicheles, que Vasco da Gama nomeou Ilhas Amirante (ilhas do Almirante) em sua própria honra.

Vasco da Gama partira com o objectivo de instalar o centro português e uma feitoria em Cochim, após esforços consecutivos de Pedro Álvares Cabral e João da Nova. Bombardeou Calecute e destruiu postos de comércio árabes.

Depois de chegar ao norte do Oceano Índico, Vasco da Gama aguardou até capturar um navio que retornava de Meca, o Mîrî, com importantes mercadores muçulmanos, apreendendo todas as mercadorias e incendiando-o. Ao chegar a Calecute, a 30 de outubro 1502, o samorim estava disposto a assinar um tratado, num acto de ferocidade que chocou até os cronistas contemporâneos, que o consideraram um acto e vingança pelos portugueses mortos em Calecute da sua primeira viagem.

Em 1 de março de 1503 inicia-se a guerra entre o samorim de Calecute e o rajá de Cochim. Os seus navios assaltaram navios mercantes árabes, destruindo também uma frota de 29 navios de Calecute. Após essa batalha, obteve então concessões comerciais favoráveis do samorim. Vasco da Gama fundou a colónia portuguesa de Cochim, na Índia, regressando a Portugal em setembro de 1503. Vasco da Gama voltou a pátria em 1513 e levou vida retirada, em Évora, apesar da consideração de que gozava junto do rei. Tinha uns paços em Lisboa, perto do Chafariz del Rei.

Terceira viagem à Índia (1524): Em 1519, foi feito primeiro Conde da Vidigueira pelo rei D. Manuel I, com sede num terreno comprado a D. Jaime I, Duque de Bragança, que a 4 de novembro cedera as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionados, sendo o primeiro Conde português sem sangue real.

Tendo adquirido uma reputação de temível "solucionador" de problemas na Índia, Vasco da Gama foi enviado de novo para o subcontinente indiano em 1524. O objetivo era o de que ele substituísse o Duarte de Meneses, cujo governo se revelava desastroso, mas Vasco da Gama contraiu malária pouco depois de chegar a Goa. Como vice-rei atuou com rigidez e conseguiu impor a ordem, mas morreu na cidade de Cochim, na véspera de Natal, a 24 de dezembro de 1524, um sábado.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco (Cochim). Em 1539, os seus restos mortais foram transladados para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada), próximo da vila alentejana da Vidigueira, como conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja, a si e aos seus descendentes) desde 1519. Entretanto, no atribulado período em torno de 1840, os restos mortais terão sido profanados por saqueadores. O Abade de Castro então apela à transladação para o Mosteiro dos Jerónimos, mas apesar disso os restos mortais permanecerão na Vidigueira até 1880, data em que finalmente ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos, que teria sido construído logo após a sua viagem, com os primeiros lucros do comércio de especiarias, ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões.

Há quem defenda, porém, que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram na vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador na Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.

CASAMENTO E DESCENDENTES
Casou-se com Catarina de Ataide (c. 1480 — 1532), filha de Álvaro de Ataide, Senhor de Penacova e Alcaide-mor do castelo de Alvor e de Maria da Silva, e irmã do famoso governador de Safim, Nuno Fernandes de Ataíde; tiveram oito filhos:
  1. Estêvão da Gama (1505–1576). 12° Governador da Índia Portuguesa. Teve descendentes;
  2. Isabel de Ataide (1506–?). Casou-se com Inácio de Noronha, filho do 1.º Conde de Linhares. Sem descendentes;
  3. Pedro da Gama (1507–?). Casou-se com Inês de Castro. Sem descendentes;
  4. Francisco da Gama (1510–?). 2° Conde da Vidigueira. Teve descendentes;
  5. Cristóvão da Gama (1516–1542). Sem descendentes;
  6. Álvaro de Ataíde da Gama (1517–?). Capitão de Malaca. Teve descendentes;
  7. Paulo da Gama (1518–1534). Sem descendentes;
  8. Juliana da Gama (1519–?). Casou-se com Belchior Vaz Borralho. Sem descendentes.
TÍTULOS E HONRARIAS

Foi feito:
  1. Dom com direito excepcionalmente estendido a toda a sua descendência masculina e feminina, e a seus irmãos e irmã;
  2. Fidalgo de Cota de Armas de Mercê Nova para da Gama;
  3. 1.º Senhor das Vilas da Vidigueira e de Vila de Frades com o título de 1.º Conde da Vidigueira em 1519 pelo Rei D. Manuel I de Portugal;
  4. 1.º Almirante-Mor dos Mares da Índia;
  5. 3.º Vice-Rei e 6.º Governador da Índia em 1524.
LEGADO

O comércio de especiarias viria a ser um trunfo para a economia portuguesa, e a viagem de Vasco da Gama deixou clara a importância da costa leste da África para os interesses portugueses: os seus portos forneciam água potável, víveres e madeira, serviam para reparos e como abrigo para os navios esperarem em tempos desfavoráveis (aguardando a monção, ou abrigando-se de ataques). Um resultado significativo desta exploração foi a colonização de Moçambique pela Coroa Portuguesa.

Embora o rei D. Manuel tenha compreendido a importância das suas mercadorias, apesar de escassas, as conquistas de Vasco da Gama foram um pouco obscurecidas pelo seu fracasso em trazer bens comerciais de interesse para as nações da Índia. Além disso, a rota de mar estava repleta de perigos — a sua frota levou mais de trinta dias sem ver terra e apenas 60 dos seus 180 companheiros, numa das suas três naus, regressaram a Portugal em 1498. No entanto, esta jornada abriu a rota do Cabo direta para a Ásia.

Na segunda armada à Índia, de Pedro Álvares Cabral, seria feita uma demonstração de poder, com tripulação dez vezes maior e 9 navios a mais.

Da sua esposa, D. Catarina de Ataíde, Vasco da Gama teve sete filhos. Alguns acompanharam-no e vieram a desempenhar importantes cargos no Oriente: Francisco, segundo Conde da Vidigueira; Estêvão, 11º governador da Índia; Paulo; Cristóvão, um mártir na Etiópia; Pedro, Isabel de Ataíde e Álvaro da Gama, Capitão de Malaca.

O poema épico "Os Lusíadas" (1572) de Luís Vaz de Camões, centra-se em grande parte nas viagens de Vasco da Gama. José Agostinho de Macedo escreveu o poema narrativo "Gama" (1811), posteriormente refundido e aperfeiçoado no poema épico "O Oriente" (1814), com Vasco da Gama como Herói. A ópera "L'Africaine", composta em 1865 por Giacomo Meyerbeer e Eugène Scribe, inclui a personagem de Vasco da Gama, interpretada em 1989 na San Francisco Opera pelo tenor Placido Domingo. O compositor do século XIX, Louis-Albert Bourgault-Ducoudray, compôs uma ópera em 1872 de mesmo nome, baseada na vida e explorações marítimas de Vasco da Gama. A cidade portuária de Vasco da Gama, em Goa, é nomeada em sua memória, como o é a "cratera de Vasco da Gama" na Lua. Existem três clubes de futebol no Brasil (incluindo o Club de Regatas Vasco da Gama) e o Vasco Sports Club, em Goa, também nomeados em sua homenagem. Uma igreja em Cochim, Querala, a Igreja Vasco da Gama, e o bairro Vasco na Cidade do Cabo, também o homenageiam. As três viagens de Vasco da Gama são relatadas com pormenor, no romance histórico "Indias", de João Morgado, prémio Literário Alçada Baptista 2012.

Escudo do Club de Regatas Vasco da Gama-RJ.



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«Calendário Histórico - Deutsche Welle» 🔗
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A frota de Vasco da Gama fora equipada por Bartolomeu Dias, que já havia navegado até ao cabo da Boa Esperança em 1488. Dias, acostumado a lidar com as tribos que então habitavam a costa ocidental de África, equipara a frota com produtos como contas de vidro, taças de cobre, estanho, sinos, anéis de latão, tecido de algodão listrados, azeite e açúcar, que haviam provado ser úteis nas suas viagens, para as trocas com o comércio local. A frota de Vasco da Gama, assim, não estava equipada para lidar com uma cultura mais sofisticada como a da Índia à época, habituada a negociar artigos de luxo como tecidos de chita, especiarias e pimenta.
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«A dona Catarina de Ataíde, mulher de D. Vasco da Gama, do conselho d'el-Rei, mercê do ofício de 50.000 rs. de tença que seu irmão, Nuno Fernandes de Ataíde, fidalgo da casa d'el-rei, nela trespassara - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 5 de julho de 2022


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Bandeira. NOME OFICIAL: Comunidade da Dominica CAPITAL (E MAIOR CIDADE) : Roseau (15°18′N 61°23′O) IDIOMAS OFICIAIS: Inglês LEMA: Depois de ...