Postagens mais visitadas

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

DENER (FUTEBOLISTA BRASILEIRO)

Dener Emem 1994, durante treino do Vasco em São Januário. Foto: Divulgação.

  • NOME COMPLETO: Dener Augusto de Sousa
  • NASCIMENTO: 2 de abril de 1971; São Paulo, São Paulo, Brasil
  • FALECIMENTO: 19 de abril de 1994 (23 anos); Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (Acidente de Carro)
  • ANOS DE ATIVIDADE: 1982—1994
  • FAMÍLIA: Wilson Penteado de Souza (pai), Vera Lucia Rodrigues de Souza (mãe), José Lourenço (avô)
  • TORCEDOR: São Paulo Futebol Clube
  • ALTURA: 1,71 m
  • PÉ: destro
Dener de Sousa (1971 — 1994) foi um futebolista brasileiro que atuou como meio-campista. Jogador extremamente rápido e habilidoso, era considerado um dos mais promissores de sua geração. É considerado também o último grande craque da história da Portuguesa.

BIOGRAFIA

“Ele teve problemas na infância. Aquela coisa de criança pobre, criada na periferia, acontecem algumas coisas. Ele tinha andado por uns lados meio tortos, começou a fazer umas artes erradas, mas graças a Deus apareceu o esporte, aquele amistoso com a Portuguesa, que o tirou da Vila Maria, e ele subiu. Entre erros e acertos, conseguiu chegar longe.”

—  Tico, amigo de Dener, sobre a personalidade do ex-jogador

Dener cresceu na Vila Ede, Zona Norte paulistana, como um torcedor fanático do São Paulo. Órfão de pai desde os oito anos, Dener e os irmãos tiveram de começar a trabalhar para ajudar no sustento da família. Ele estudava pela manhã, trabalhava à noite e jogava futebol de salão por cachê na Vila Mariana, pelo Colégio Bilac, com o qual foi campeão em torneios Intercolegiais, como a Copa Dan'up–Jovem Pan.

Em 1987, Dener foi detido junto com outras cinco pessoas e levado para a 9.ª Delegacia de Polícia, no Carandiru, Zona Norte da capital paulista. Nos arquivos do processo no judiciário de São Paulo, consta o seguinte relato no boletim: "o menor foi orientado e advertido e convidado para uma vez por mês aparecer na Divisão de Apoio ao Menor na Comunidade Posto Norte. Frente ao exposto, considerando que o menor é primário, não denota vivência infracional, pareceu-nos sincero no discorrer de seu relato de que não participou do ato de furtos e danos, demonstra ser oriundo de família de boa índole, onde os membros são ativos. Não permaneceu em nenhuma unidade da FEBEM."

"Rubinho", diretor do Colégio Bilac onde Dener estudava, assinou um termo de responsabilidade, e Dener foi liberado dois dias depois da delegacia, encaminhado para o programa de liberdade assistida da FEBEM.

CARREIRA

“Pela etnia, história de vida, ligação com o samba e o drible, ele representava o povo brasileiro. ”

—  Luciano Ubirajara Nassar, autor do livro "Dener - o Deus do Drible"

Início difícil, desistência, passagem curta pelo São Paulo e profissionalização pela Portuguesa: Em 1982, aos onze anos, Dener entrou pela primeira vez no Estádio do Canindé para defender a equipe mirim da Portuguesa de Desportos. Quatro anos mais tarde, teve de abandonar o sonho de fazer carreira no futebol para ajudar a mãe com as despesas de casa.

Dener com a Portuguesa c. 1990.

Em 1988, voltou a treinar nas categorias de base da Portuguesa de Desportos, após uma passagem frustrada de dois meses pelo São Paulo. O treinador José Wilson, na época treinador da equipe sênior, rapidamente promoveu o jogador à categoria profissional. Durante três anos, Dener treinava entre os profissionais e ainda jogava pelo juniores, e foi assim que levou a Portuguesa ao primeiro título do clube na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1991, sendo no fim eleito o melhor jogador do campeonato. No ano anterior, a equipe já havia se sagrado campeã do Campeonato Paulista Sub-20, com praticamente o mesmo elenco.

Seu primeiro jogo como profissional ocorreu em 14 de outubro de 1989, na derrota por 2–1 para o Grêmio, em Porto Alegre. Ao fim da partida, o ex-lateral do Grêmio Alfinete foi até o jovem Dener e pediu para trocar de camisa: "Poxa, estou estreando hoje, sou do juvenil ainda, não tenho dinheiro, se te der a camisa vou ter que pagar quinhentos paus em outra", revelou Alfinete.

Em 1991, fez o gol que é considerado o mais bonito da história do Estádio do Canindé. Em uma partida válida pelo Campeonato Paulista entre Portuguesa e Inter de Limeira, Dener arrancou de antes do meio de campo, driblou três rivais e incontáveis buracos no gramado, que fazem a bola perder completamente a direção, e tocou na saída do goleiro.

Grêmio: Foi na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, quando o Grêmio foi derrotado por 4–0 pela Portuguesa, que Dener chamou a atenção do clube gaúcho. Zelio Hocsman, ex-assessor do presidente Fábio Koff, conta que ninguém no Olímpico esquecia aquele "pretinho" que, conforme palavras do próprio Zelio, "destruiu" o Grêmio na final da Copinha.


Em 1993, Dener foi emprestado por três meses ao clube gaúcho, onde foi campeão gaúcho de 1993, seu primeiro título como profissional.

Retorno à Portuguesa: No fim do empréstimo ao clube gaúcho, o jogador retornou à Portuguesa para disputar o Campeonato Brasileiro de 1993, ajudando a equipe a terminar na nona colocação daquele certame.

Nesse seu retorno à Portuguesa, destaca-se um jogo contra o Santos, quando Dener marcou um golaço: ele colocou entre as pernas do zagueiro Índio, ganhou na velocidade de outro adversário, fintou o goleiro Edinho e empurrou para as redes.

Ao todo, nas duas passagens pelo clube, disputou 141 jogos e marcou 24 gols com a camisa da Lusa.

Vasco da Gama: No ano seguinte, 1994, o jogador foi novamente emprestado, dessa vez para o Vasco da Gama, onde teve belas atuações e sagrou-se campeão da Taça Guanabara.

Durante uma excursão do Cruz-Maltino pela Argentina, "comeu a bola" em amistoso contra o Newell's Old Boys e recebeu elogios até de Maradona, que fez questão de cumprimentá-lo ao fim da partida.

Com as boas atuações, passou a ser saudado pela torcida do Vasco com o nada modesto grito de "É, cafuné, é cafuné, o Dener é a mistura do Garrincha com o Pelé!".

Em 17 de abril de 1994, fez sua última partida: empate por 1–1 com o Fluminense, válido pelo quadrangular final do Campeonato Carioca. Dener foi expulso naquela partida e foi para São Paulo, de carro, na sua folga.

O jogador morreria dois dias depois desta partida, antes de comemorar o tricampeonato carioca do Vasco.

A cláusula 9 do contrato firmado entre Portuguesa e Vasco obrigava a cessionária "a fazer um seguro de vida e acidentes pessoas ao atleta, o qual deverá dar cobertura até o efetivo término do empréstimo no valor de US$ 3 milhões". O Vasco, porém, não havia feito o seguro obrigatório, descumprindo este acordo, o que deu origem a uma briga que duraria anos até a Lusa e a família do atleta finalmente receberam o dinheiro.

Seleção Brasileira: Com apenas vinte anos, e ainda como jogador da Portuguesa, o jogador teve a sua primeira oportunidade com a camisa da Seleção Brasileira: em 27 de março de 1991, contra a Argentina, em Buenos Aires, fez a sua estreia, ao entrar no lugar do meia Luís Henrique. Mesmo com poucos minutos em campo, o baixinho da Portuguesa iniciou a jogada que culminaria no terceiro gol brasileiro.

Fez parte do plantel da Seleção Brasileira que não se classificou para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

MORTE

Na época em que estava no Rio de Janeiro, sofreu um grave acidente que lhe tirou a vida. Dener voltava de São Paulo, onde havia se reunido com dirigentes da Portuguesa e do Stuttgart, da Alemanha (em que jogava, na época, Dunga), para uma futura transferência, e passado o fim de semana com a família. Por volta de 5h15 da madrugada de 19 de abril, o seu carro (um Mitsubishi Eclipse com a placa DNR 0010), dirigido pelo amigo Otto Gomes Miranda, perdeu a direção e chocou-se com uma árvore na Lagoa Rodrigo de Freitas, quase em frente ao Clube Naval Piraquê, numa curva leve, na altura do número 2 225 na Avenida Borges de Medeiros. Meses após o acidente, um laudo policial confirmou que Otto havia dormido ao volante, causando o acidente.

Dener, que viajava dormindo no banco do carona, foi asfixiado pelo cinto de segurança e ainda bateu com a cabeça no teto do carro, segundo a perícia, que concluiu que o carro estava na quinta marcha, em alta velocidade. A causa mortis de Dener foi uma asfixia por lesão da laringe e uma contusão no pescoço.

Este acidente terminou tragicamente uma carreira promissora. Investigações posteriores descobriram que Dener deixou o banco inclinado demais, anulando a eficiência do cinto.

VIDA PESSOAL

Dener deixou a esposa viúva e três filhos. Após a morte de Dener, a família tinha direito a parte do dinheiro do seguro do jogador. A família reclamou na justiça os seus direitos e, após dez anos de julgamento, o tribunal decidiu em definitivo que o Vasco da Gama, último clube a que o passe de Dener foi emprestado, deveria pagar à família e à Portuguesa de Desportos a quantia referente ao seguro. A Portuguesa recebeu a sua parte, porém a família do atleta precisou legitimar a esposa de Dener, já que, apesar de estar com o jogador desde os dezoito anos e ser a mãe dos seus filhos, não era oficialmente casada com ele. Após treze anos, o clube e a viúva de Dener chegaram a um acordo para o pagamento da dívida.

HOMENAGENS

Em homenagem ao jogador, no mesmo ano da sua morte, foi disputada a Copa Dener, torneio reunindo Cruzeiro, Atlético, ambos de Minas, Botafogo e Vasco, do Rio de Janeiro, Portuguesa e Santos, sendo que o Santos sagrou-se campeão ao vencer o Atlético Mineiro por 4–2.

Também em homenagem ao jogador, uma placa foi colocada no local do acidente com a frase "Aqui morreu um poeta do futebol". O objeto, no entanto, desapareceu. No lugar dele, alguém improvisou uma homenagem escrita à mão, que hoje está pintada na calçada.

Em 2012, a Portuguesa lançou uma camisa comemorativa, que faz referência ao golaço marcado no Canindé contra a Inter de Limeira em 1991. Parte da renda das vendas será destinada à família do meia.

Em dezembro de 2016, 22 anos após sua morte, o filósofo e historiador Luciano Ubirajara Nassar lançou a biografia do craque, com o título Dener — o Deus do Drible.

Em 2019, em sua homenagem, a Federação Paulista de Futebol e o GloboEsporte.com passaram a coroar o gol mais bonito da Copa São Paulo de Futebol Júnior com o Prêmio Dener.

FONTES: «Vinte e um anos depois de golaço, Portuguesa lança camisa em homenagem a Dener». ESPN Brasil. 15 de novembro de 2012. Consultado em 11 de agosto de 2023

 Rogério Micheletti. «Dener - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 11 de agosto de 2023

 «Dener maior que Neymar, penta em 98, craque: reportagem faz torcida homenagear atacante». Goal.com. 26 de abril de 2020. Consultado em 11 de agosto de 2023

 Neto (8 de outubro de 2013). «Dener foi o Neymar dos anos 90?». UOL. Consultado em 11 de agosto de 2023
 gazetaesportiva.net/ O gênio dos dribles mágicos

 Raphael Zarko (15 de abril de 2014). «"Vagabundo genial": Dener, garoto endiabrado em todos terrenos da vida». GloboEsporte.com. Consultado em 11 de agosto de 2023

 «Morto em um acidente em 1994, Dener ganha sua biografia, lançada na última semana». Superesportes. 25 de dezembro de 2016. Consultado em 11 de agosto de 2023
 efemeridesdoefemello.com/
 melhoresdabase.com.br/ Portuguesa de Desportos Campeã Paulista Sub-20 de 1990
 Raphael Zarko (15 de abril de 2014). «Dener: gols impossíveis e carreira fulminante do Neymar de sua época». GloboEsporte.com. Consultado em 11 de agosto de 2023
 globoesporte.globo.com/ Há 20 anos sem Dener: veja histórias e depoimentos sobre o gênio do drible
 redbull.com/ Nostalgia FC: Não existia gramado ruim para Dener
 vejario.abril.com.br/ 20 anos sem Dener
 Raphael Zarko (12 de abril de 2019). «Ex-vice de futebol guarda ao lado do Vasco, há 25 anos, carro de acidente fatal de Dener». GloboEsporte.com. Consultado em 11 de agosto de 2023
 esportes.yahoo.com/ Em 1992, o Brasil ficava fora da Olimpíada. Veja por quê
 Folha de S.Paulo - 20 de abril de 1994 Dener estava negociando com o Stuttgart
 guiadoscuriosos.uol.com.br/ Portuguesa lança camisa em homenagem a Dener
 Rodrigo Almeida (4 de janeiro de 2019). «Copa São Paulo 2019: conheça Dener, o jovem craque que dá nome ao troféu de gol mais bonito da copinha». Metro World News. Consultado em 11 de agosto de 2023
 «Vasco chega a acordo com família e diz encerrar "caso Dener"». UOL. 25 de setembro de 2007. Consultado em 11 de agosto de 2023
 Joana Tiso (26 de setembro de 2007). «Viúva de Dener não quer falar em valores». GloboEsporte.com. Consultado em 11 de agosto de 2023
 futebol80.com.br/
 «Relembre os gols de Dener pelo Grêmio». Globoplay. 8 de abril de 2015. Consultado em 11 de agosto de 2023

 supervasco.com/ Estatísticas de Dener com a camisa do Vasco da Gama
 Jornal dos Sports (27/01/1994) SeleVasco empata mais uma na Argentina

 vaskipedia.com/

 futpedia.globo.com/ ABC 0 x 2 Vasco (1994)

Post nº 651 ✓

AS FAÇANHAS DE HÉRCULES (FILME ITALIANO DE 1958)

Este é um pôster italiano do filme Hércules.
Acredita-se que os direitos autorais da arte do pôster pertençam ao distribuidor do filme, à editora do filme ou ao artista gráfico.
  • GÊNERO: Ação/aventura, espada e sandália, fantasia
  • ORÇAMENTO: US$2.000.000
  • BILHETERIA: US$ 5.000.000 (aluguéis nos EUA/Canadá), 66.600.000 milhões de ingressos (mundialmente)
  • DURAÇÃO: 1 Hora, 44 Minutos
  • DIREÇÃO: Pietro Francisci
  • ROTEIRO: Pietro Francisci, Ennio De Concini e Gaio Frattini (Baseado em Os Argonautas (século III a.C.) de Apolônio de Rodes)
  • CINEMATOGRAFIA: Mario Bava
  • EDIÇÃO: Mario Serandrei
  • MÚSICA: Enzo Masetti
  • ELENCO:
    • Steve Reeves — Héracles 
    • Sylva Koscina — Iole
    • Fabrizio Mioni — Jasão
    • Ivo Garrani — Pélias, Rei de Iolcus
    • Gianna Maria Canale — Antea, Rainha das Amazonas
    • Arturo Dominici — Euristeu
    • Mimmo Palmara — Ífito, filho de Pélias
    • Lídia Alfonsi — Sibila
    • Gabriele Antonini — Ulisses
    • Aldo Fiorelli — Argos
    • Andrea Fantasia — Laertes
    • Luciana Paluzzi — empregada doméstica de Iole (creditada como Luciana Paoluzzi)
    • Afro Poli — Quíron
    • Gian Paolo Rosmino — Esculápio
    • Willi Colombini — Pólux
    • Fulvio Carrara — Castor
    • Gino Mattera — Orfeu
    • Gina Rovere — Amazona
    • Lily Granado — Amazona
    • Aldo Pini — Tifi
    • Guido Martufi — Ífito quando criança
    • Paola Quattrini — Iole quando criança
  • PRODUÇÃO: Federico Teti, O.S.C.A.R. e a Galatea Film
  • DISTRIBUIÇÃO: Lux Film
  • DATA DE LANÇAMENTO:
  • SEQUÊNCIA: Hércules e a Rainha da Lídia
  • ONDE ASSISTIR: YouTube (Inglês com múltiplas legendas)

Hércules (em italiano: Le Fatiche di Ercole, lit. 'Os Trabalhos de Hércules') é um filme italiano de espada e sandália de 1958 baseado nos mitos de Hércules e a Busca pelo Velocino de Ouro. O filme é estrelado por Steve Reeves como o herói titular e Sylva Koscina como seu interesse amoroso, a Princesa Iole. Hércules foi dirigido por Pietro Francisci e produzido por Federico Teti. O filme gerou uma sequência em 1959, Hércules Desencadeado (em italiano: Ercole e la Regina di Lidia), que também contou com Reeves e Koscina no elenco.

SINOPSE

Hércules embarca em uma jornada para completar 12 missões e resgatar uma princesa, contando com a ajuda de Jasão e os Argonautas.

LANÇAMENTO

Hércules foi lançado na Itália em 20 de fevereiro de 1958.

O produtor americano Joseph E. Levine adquiriu os direitos de distribuição do filme nos EUA e a Warner adiantou a Levine US$ 300.000 pelo privilégio de distribuir o filme nos EUA. O filme estreou no Hippodrome Theatre em Baltimore em 26 de junho de 1959. Teve uma intensa campanha promocional que custou US$ 1,25 milhão e um lançamento amplo em 550 cinemas na época.

Estreou na Inglaterra em 18 de maio de 1959 e na Espanha em 23 de novembro de 1959. Em 1961, Levine e a Warner Bros. relançaram uma sessão dupla de Hércules e Átila (1954) com o slogan Os Homens Mais Poderosos de Todo o Mundo... O Espetáculo Mais Poderoso de Todo o Mundo.

RECEPÇÃO

Bilheteria: Na Europa, o filme vendeu 5.838.816 bilhetes na Itália, 2.917.106 bilhetes na França, e 2.373.000 bilhetes na Alemanha.

Após seu lançamento na América do Norte no Hippodrome Theatre em Baltimore, estabeleceu um recorde de bilheteria com US$ 30.000 em sua primeira semana. Hércules tornou-se um grande sucesso de bilheteria. Em 1959, arrecadou US $ 4,7 milhões com aluguéis de distribuidores nos Estados Unidos e Canadá. O filme arrecadou US$ 5 milhões em aluguéis com 24 milhões de ingressos vendidos na América do Norte.

Na União Soviética (atual Rússia), onde foi lançado em 1966, o filme vendeu 31,5 milhões de ingressos. Isso equivale a 66.628.922 ingressos vendidos em todo o mundo.

DESENVOLVIMENTO

Hércules foi filmado em Eastmancolor, usando o processo francês de tela panorâmica Dyaliscope. Um bisão americano serviu como o Touro de Creta.

O rugido da criatura (guardando o Velocino de Ouro) foi retirado do Godzilla original (1954).

MERCADORIA


Nos Estados Unidos, o filme gerou uma adaptação em quadrinhos da Dell com ilustrações de John Buscema e uma gravação em LP de 33 RPM da trilha sonora do filme pela RCA Victor.

EPISÓDIO 3000 DO MYSTERY SCIENCE THEATER

A apresentação do Mystery Science Theater 3000, episódio nº 502, foi ao ar pela primeira vez em 18 de dezembro de 1993, no Comedy Central. Devido à prática do programa de editar o filme para se adequar às restrições de tempo, os personagens passam de "no meio de um desenvolvimento de enredo antes do comercial ... [para] algum lugar completamente diferente" depois.

Embora outros dois episódios de MST3K com Hércules (Hércules Contra os Homens da Lua, em 49º lugar, e Hércules Desencadeado, em 61º lugar) tenham sido classificados na lista dos 100 melhores episódios votados pelos apoiadores do Kickstarter da 11ª temporada de MST3K, Hércules não entrou na lista. Em seu ranking de todos os 191 episódios de MST3K, no entanto, o escritor Jim Vorel classificou o episódio em 78º lugar, a posição mais alta entre os quatro filmes de Hércules exibidos no Comedy Central. "É uma mistura de mitologia grega", escreve Vorel, que é "o filme mais puramente divertido da série... A devoção total e abjeta de todos os outros homens por Hércules é naturalmente hilária."

A versão de MST3K de Hércules foi incluída na coleção de DVDs Mystery Science Theater 3000, Volume XXXII, lançada pela Shout! Factory em 24 de março de 2015. Os outros episódios no conjunto de quatro discos incluem Space Travelers (episódio nº 401), Radar Secret Service (episódio nº 520) e San Francisco International (episódio nº 614).

FONTES: Hughes, Howard (2011). Cinema Italiano – The Complete Guide From Classics To Cult. London - New York: I.B.Tauris. ISBN 978-1-84885-608-0.

 "'Hercules' Has 6,000 WB Dates Lined Up". Variety. 15 July 1959. p. 32. Retrieved 20 May 2019 – via Archive.org.
 Hughes, p.3

 Eder, Bruce. "Hercules". AllMovie. Archived from the original on 20 May 2013. Retrieved 17 August 2017.

 Scheuer, P. K. (27 July 1959). "Meet joe levine, super(sales)man!". Los Angeles Times. ProQuest 167430798.

 Della Casa, Steve; Giusti, Marco (2013). Il Grande Libro di Ercole. Edizioni Sabinae. p. 23. ISBN 978-88-98623-051..

 p. 22 Smith, Gary Allen Epic Films: Casts, Credits and Commentary on More Than 350 Historical Spectacle Movies, 2nd Edition McFarland; 2nd edition (January 22, 2009)

 "Le Fatiche di Ercole (1958)". JP's Box-Office (in French). Retrieved 7 April 2022.

 "Top 100 Deutschland 1959" [Top 100 Germany 1959]. Inside Kino (in German). Retrieved 7 April 2022.

 "'Horse' Okay at $11,000; 'Hercules' Hot 30G; 'Ship' Slow 5 1/2G". Variety. 1 July 1959. p. 8. Retrieved 20 May 2019 – via Archive.org.

 "Joseph E. Levine: Showmanship, Reputation and Industrial Practice 1945 - 1977" (PDF). Archived from the original (PDF) on 24 February 2012. Retrieved 18 August 2014.

 "1959: Probable Domestic Take", Variety, 6 January 1960 p 34

 "Joseph E. Levine, movie mogul known for flamboyance and daring". Santa Ana Orange County Register. 1 August 1987. Retrieved 7 April 2022 – via NewspaperArchive.com. He took his first step into bigtime producing in 1956 as president of Embassy Films, when he bought the Japanese monster movie "Godzilla." (...) In 1959, "Hercules" grossed $5 million and was seen by 24 million moviegoers.

 "«Подвиги Геракла» (Le fatiche di Ercole, 1957)". Kinopoisk. Retrieved 7 April 2022.

 "Dell Four Color #1006". Grand Comics Database.

 Dell Four Color #1006 at the Comic Book DB (archived from the original)

 Lucanio (1994). With fire and sword: Italian spectacles on American screens, 1958–1968. Scarecrow Press. p. 181. ISBN 0810828162.
 Kendall, Club (1993). Film Score Monthly. Lukas Kendall. p. 119.

 Episode guide: 502- Hercules. Satellite News. Retrieved on 16 July 2018.

 Bring Back Mystery Science Theater 3000 Update #41. Kickstarter. Retrieved on 16 July 2018.

 Ranking Every MST3K Episode, From Worst to Best. Archived 25 October 2017 at the Wayback Machine Vorel, Jim. Paste Magazine. 13 April 2017. Retrieved on 16 July 2018.

 MST3K: Volume XXXII. Shout! Factory. Retrieved on 11 July 2018.

Post nº 650 ✓

BAREFOOT AND PREGNANT (FIGURA DE LINGUAGEM ESTADUNIDENSE)

Uma mulher grávida e descalça na cozinha. Foto tirada em 1 de junho de 2011, 18:44:45.

"Descalça e grávida" é uma figura de linguagem geralmente associada à ideia de que as mulheres NÃO DEVEM trabalhar fora de casa e devem ter muitos filhos durante seus anos reprodutivos.

A expressão "descalça e grávida" parece ter sido introduzida no início do século XX pelo médico americano Arthur E. Hertzler, que disse: "Alguma pessoa vulgar disse que quando a esposa é mantida descalça e grávida, não há divórcios." Em meados do século XX, a expressão passou para o vocabulário comum, tanto que um artigo de 1949 afirma: "No início de 1949, a TWA estava — nas palavras de seu novo presidente, Ralph S. Damon — 'descalça e grávida'.

A variação "descalça e grávida na cozinha" foi associada à frase "Kinder, Küche, Kirche" (traduzida como "crianças, cozinha, igreja"), usada no Império Alemão para descrever o papel da mulher na sociedade. Uma frase comparável, "Boa Esposa, Mãe Sábia", surgiu no Japão do período Meiji (1868-1912).

CONOTAÇÕES NEGATIVAS

Uma suposição comum é que a expressão se refere a donas de casa que não saem de casa e, portanto, não precisam de sapatos. De fato, no caso de discriminação sexual Volovsek v. Wisconsin Dept. of Agric., nº 02-2074 (7º Cir. 18 de setembro de 2003), o Tribunal de Apelações do Sétimo Circuito dos Estados Unidos decidiu que uma mulher que alegou ter ouvido seu gerente usar a expressão poderia levar seu caso a júri. No entanto, o tribunal também rejeitou as demais alegações em julgamento sumário com relação à discriminação e retaliação contra o DATCP por falta de provas.

Uma mulher grávida, descalça, senta-se nos degraus de um prédio histórico, com os pés visíveis e relaxados. Ela veste uma blusa rosa claro e uma saia branca, e sua gravidez fica evidente enquanto ela se recosta confortavelmente. O prédio tem uma parede de tijolos vermelhos e uma porta cor creme. Foto tirada em 4 de outubro de 2008, 16:30:35.


As feministas frequentemente citam a expressão em um contexto negativo e de crítica social. A expressão é usada para descrever mulheres incapazes de funcionar como mães adultas responsáveis, seja por (a) OPRESSÃO e/ou (b) INCAPACIDADE da mulher de enfrentar os desafios do desenvolvimento e atingir a idade adulta. A autora Shinine Antony escreveu uma coleção de contos em 2002 intitulada Descalça e Grávida, explicando em uma entrevista posterior que "Descalça e Grávida é uma expressão que zomba dos chauvinistas que querem suas mulheres descalças (para que sejam incapazes de socializar) e grávidas (indefesas). Isso reflete a imagem geral da sociedade em que as mulheres são meros objetos."

Anualmente, a filial da Filadélfia da Organização Nacional para as Mulheres concede um Prêmio Descalça e Grávida "às pessoas da comunidade que mais contribuíram para perpetuar imagens ultrapassadas de mulheres e que se recusaram a reconhecer que as mulheres são, de fato, seres humanos".

FONTES: Hertzler, Arthur E. (1970) [1938]. Horse and Buggy Doctor. University of Nebraska Press. p. 311. ISBN 0-8032-5717-1.

 Forbes, Vol. 64, 1949

 Holloway, Susan D. (2010). Women and Family in Contemporary Japan. p. 10. ISBN 978-0-521-18037-5.

 Sechiyama, K. (2013). Patriarchy in East Asia. p. 67. ISBN 978-90-04-23060-6.

 Volovsek v. Wisconsin Dept. of Agric.

 The Sunday Tribune – Spectrum – Literature

 National Organization for Women. Philadelphia Chapter Records, 1968-1977, The Historical Society of Pennsylvania

Jamieson, Katherine (2022-10-22). "How "Barefoot and Pregnant" Became a Dark American Joke". Slate Magazine. Retrieved 2022-10-29.

Post nº 649 ✓

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

FRONTEIRA AMERICANA (PERÍODO HISTÓRICO DOS ESTADOS UNIDOS DE 1607 A 1890)

"O vaqueiro" / J.C.H. Grabill, fotógrafo, Sturgis, Dakota do Sul. Fotografia mostra a vista lateral de um vaqueiro a cavalo, olhando para a câmera; tirada por volta de 1888.
  • DATA: do século XVII ao início do século XX
    • 1607 – 1912 (expansão territorial)
    • 1865–1917 (cultura popular)
    • 1865–1920 ( Departamento do Censo)
    • Décadas de 1860 a 1910 (historiadores)
    • 1865–1890 ( Tese de Turner)
  • LOCALIZAÇÃO(ÕES): Estados Unidos; Historicamente, em ordem de assimilação:
    • Treze Colônias
    • Nova Suécia
    • Nova Holanda
    • Nova França
    • Nova Espanha
    • Território do Missouri
    • República de Vermont
    • Território da Louisiana
    • Terra de Rupert
    • Território de Dakota
    • Território de Nebraska
    • Flórida espanhola
    • República do Texas
    • Condado de Oregon
    • República da Califórnia
    • Território do Colorado
    • Território de Montana
    • Território de Wyoming
    • Território de Utah
    • Território de Oklahoma
    • Território indiano
    • Território do Novo México
    • Território do Arizona
    • Alasca
Velho Oeste, Oeste Selvagem ou Faroeste (em inglês: Old West, Wild West ou Far West), também conhecido como Fronteira Americana (em inglês: American Frontier), abrange a geografia, a história, o folclore e a cultura associadas à onda futura de expansão americana na América do Norte continental que começou com os assentamentos coloniais europeus no início Século XVII e terminou com a admissão dos últimos territórios ocidentais contíguos como estados em 1912. Esta era de migração e colonização massiva foi particularmente encorajada pelo presidente Thomas Jefferson após a compra da Louisiana, dando origem à atitude expansionista conhecida como "destino manifesto" e à "Tese da Fronteira" dos historiadores. As lendas, os eventos históricos e o folclore da fronteira americana incorporaram-se tanto na cultura dos Estados Unidos que o Velho Oeste, e especificamente o género ocidental de mídia, tornou-se uma das características definidoras da identidade nacional americana.

PERIODIZAÇÃO

Os historiadores debateram longamente sobre quando começou a era da fronteira, quando terminou e quais foram seus principais subperíodos. Por exemplo, o subperíodo do Velho Oeste é às vezes usado por historiadores para se referir ao período que vai do fim da Guerra Civil Americana em 1865 até quando o Superintendente do Censo, William Rush Merriam, declarou que o Departamento do Censo dos EUA deixaria de registrar o assentamento na fronteira oeste como parte de suas categorias censitárias após o censo dos EUA de 1890. Seus sucessores, no entanto, continuaram a prática até o censo de 1920.

Outros, incluindo a Biblioteca do Congresso e a Universidade de Oxford, frequentemente citam pontos diferentes que remontam ao início do século XX; tipicamente nas duas primeiras décadas antes da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Um período conhecido como "A Guerra Civil Ocidental da Incorporação" durou da década de 1850 até 1919. Este período inclui eventos históricos sinônimos do arquétipo do Faroeste ou "Velho Oeste", como conflitos violentos decorrentes da expansão dos assentamentos em terras fronteiriças, a remoção e assimilação de nativos, a consolidação de propriedades em grandes corporações e no governo, o vigilantismo e a tentativa de aplicação da lei sobre foras da lei.

Em 1890, o Superintendente do Censo, William Rush Merriam, afirmou: "Até 1880, inclusive, o país tinha uma fronteira terrestre, mas atualmente a área não colonizada foi tão fragmentada por núcleos isolados de assentamento que dificilmente se pode dizer que exista uma linha de fronteira. Na discussão sobre sua extensão, seu movimento para oeste, etc., ela não pode, portanto, mais ter um lugar nos relatórios do censo." Apesar disso, o censo americano de 1900 continuou a mostrar a linha de fronteira oeste, e seus sucessores mantiveram a prática. No entanto, no censo americano de 1910, a fronteira havia se reduzido a áreas divididas, sem uma linha de assentamento oeste singular. A entrada de colonos agrícolas nas duas primeiras décadas do século XX, ocupando mais hectares do que as concessões de terras para colonização em todo o século XIX, é apontada como um fator que reduziu significativamente as terras abertas.

Uma fronteira é uma zona de contato na extremidade de uma linha de assentamento. O teórico Frederick Jackson Turner argumentou que a fronteira era o cenário de um processo definidor da civilização americana: "A fronteira", afirmou ele, "promoveu a formação de uma nacionalidade composta para o povo americano". Ele teorizou que era um processo de desenvolvimento: "Este renascimento perene, esta fluidez da vida americana, esta expansão para o oeste... fornecem as forças que dominam o caráter americano". As ideias de Turner, desde 1893, inspiraram gerações de historiadores (e críticos) a explorar múltiplas fronteiras americanas individuais, mas a fronteira popular concentra-se na conquista e no assentamento de terras indígenas a oeste do rio Mississippi, no que hoje é o Meio-Oeste, o Texas, as Grandes Planícies, as Montanhas Rochosas, o Sudoeste e a Costa Oeste.

Na segunda metade do século XIX e início do século XX, entre as décadas de 1850 e 1910, o oeste dos Estados Unidos (especialmente o sudoeste) atraiu enorme atenção popular. Esses meios de comunicação geralmente exageravam o romantismo, a anarquia e a violência caótica da época para obter maior impacto dramático. Isso inspirou o gênero cinematográfico de faroeste, além de programas de televisão, romances, histórias em quadrinhos, videogames, brinquedos infantis e fantasias.

Conforme definido por Hine e Faragher, "a história da fronteira conta a história da criação e defesa de comunidades, o uso da terra, o desenvolvimento de plantações e hotéis e a formação de estados". Eles explicam: "É uma história de conquista, mas também de sobrevivência, persistência e fusão de povos e culturas que deram origem e vida contínua à América". O próprio Turner enfatizou repetidamente como a disponibilidade de "terras livres" para iniciar novas fazendas atraiu os pioneiros americanos: "A existência de uma área de terra livre, sua contínua retração e o avanço do povoamento americano para o oeste explicam o desenvolvimento americano".

Por meio de tratados com nações estrangeiras e tribos nativas, compromissos políticos, conquistas militares, o estabelecimento da lei e da ordem, a construção de fazendas, ranchos e cidades, a marcação de trilhas e a escavação de minas, combinados com ondas sucessivas de imigrantes que se mudaram para a região, os Estados Unidos se expandiram de costa a costa, cumprindo a ideologia do Destino Manifesto. Em sua "Tese da Fronteira" (1893), Turner teorizou que a fronteira foi um processo que transformou os europeus em um novo povo, os americanos, cujos valores se concentravam na igualdade, democracia e otimismo, bem como no individualismo, na autossuficiência e até mesmo na violência.

Termos Oeste e fronteira: A fronteira é a margem de território não desenvolvido que constituiria os Estados Unidos além da linha de fronteira estabelecida. O Departamento do Censo dos EUA designou o território de fronteira como terras geralmente desocupadas com uma densidade populacional de menos de 2 pessoas por milha quadrada (0,77 pessoas por quilômetro quadrado). A linha de fronteira era o limite externo do assentamento europeu-americano nessas terras. Começando com os primeiros assentamentos europeus permanentes na Costa Leste, ela se moveu constantemente para oeste, desde o século XVII até o século XX, com movimentos ocasionais para o norte, em direção ao Maine e New Hampshire, para o sul, em direção à Flórida, e para o leste, da Califórnia, em direção a Nevada.

Pequenos núcleos de assentamentos também surgiriam muito além da linha de fronteira estabelecida, particularmente na Costa Oeste e no interior profundo, com assentamentos como Los Angeles e Salt Lake City, respectivamente. O "Oeste" era a área recentemente colonizada perto dessa fronteira. Assim, partes do Meio-Oeste e do Sul americano , embora não sejam mais consideradas "ocidentais", têm uma herança de fronteira juntamente com os modernos estados ocidentais. Richard W. Slatta, em sua visão da fronteira, escreve que "os historiadores às vezes definem o Oeste americano como terras a oeste do 98º meridiano ou 98° de longitude oeste", e que outras definições da região "incluem todas as terras a oeste dos rios Mississippi ou Missouri".

HISTÓRIA

Daniel Boone escoltando colonos através do Cumberland Gap (George Caleb Bingham, óleo sobre tela, 1851–52).

Fronteira Colonial: Na era colonial, antes de 1776, o oeste era de alta prioridade para colonos e políticos. A fronteira americana começou quando Jamestown, Virgínia, foi colonizada pelos ingleses em 1607. Nos primeiros dias da colonização europeia na costa atlântica, até cerca de 1680, a fronteira era essencialmente qualquer parte do interior do continente além da periferia dos assentamentos existentes ao longo da costa atlântica.

Os padrões de expansão e povoamento ingleses, franceses, espanhóis e holandeses foram bastante diferentes. Apenas alguns milhares de franceses migraram para o Canadá; esses habitantes se estabeleceram em aldeias ao longo do rio São Lourenço, construindo comunidades que permaneceram estáveis por longos períodos. Embora os comerciantes de peles franceses percorressem amplamente a região dos Grandes Lagos e do Centro-Oeste, eles raramente se estabeleciam. O povoamento francês se limitou a algumas aldeias muito pequenas, como Kaskaskia, Illinois, bem como a um assentamento maior em torno de Nova Orleans. No que hoje é o estado de Nova York, os holandeses estabeleceram postos de comércio de peles no vale do rio Hudson, seguidos por grandes concessões de terras a ricos proprietários de terras que trouxeram arrendatários que criaram aldeias compactas e permanentes. Eles criaram um denso assentamento rural no norte do estado de Nova York, mas não avançaram para o oeste.

As áreas do norte que se encontravam em estágio de fronteira por volta de 1700 geralmente possuíam infraestrutura de transporte precária, de modo que as oportunidades para a agricultura comercial eram baixas. Essas áreas permaneceram predominantemente dedicadas à agricultura de subsistência e, como resultado, na década de 1760, essas sociedades eram altamente igualitárias, conforme explica o historiador Jackson Turner Main:

“A sociedade fronteiriça típica, portanto, era aquela em que as distinções de classe eram minimizadas. O especulador rico, se houvesse algum envolvido, geralmente permanecia em casa, de modo que normalmente ninguém rico residia ali. A classe dos pobres sem-terra era pequena. A grande maioria era composta por proprietários de terras, a maioria dos quais também era pobre porque começava com pouca propriedade e ainda não havia desmatado muita terra nem adquirido as ferramentas agrícolas e os animais que um dia os tornariam prósperos. Poucos artesãos se estabeleciam na fronteira, exceto aqueles que praticavam um ofício para complementar sua ocupação principal de agricultura. Podia haver um comerciante, um pastor e talvez um médico; e havia vários trabalhadores rurais sem-terra. Todos os demais eram agricultores.”

No Sul, as áreas de fronteira que careciam de transporte, como a região dos Montes Apalaches, permaneceram baseadas na agricultura de subsistência e assemelhavam-se ao igualitarismo de suas contrapartes do Norte, embora tivessem uma classe alta de proprietários de escravos maior. A Carolina do Norte era representativa. No entanto, as áreas de fronteira de 1700 que tinham boas conexões fluviais foram cada vez mais transformadas em agricultura de plantação. Homens ricos chegaram, compraram as boas terras e as trabalharam com escravos. A área não era mais "fronteira". Tinha uma sociedade estratificada composta por uma poderosa classe alta de proprietários de terras brancos, uma pequena classe média, um grupo relativamente grande de agricultores brancos sem terra ou arrendatários e uma crescente população escrava na base da pirâmide social. Ao contrário do Norte, onde pequenas vilas e até cidades eram comuns, o Sul era predominantemente rural.

Dos camponeses britânicos aos agricultores americanos: Os assentamentos coloniais litorâneos priorizaram a propriedade da terra para agricultores individuais e, à medida que a população crescia, eles se deslocavam para o oeste em busca de novas terras agrícolas. Ao contrário da Grã-Bretanha, onde um pequeno número de proprietários detinha a maior parte das terras, a propriedade na América era barata, fácil e generalizada. A propriedade da terra proporcionava um certo grau de independência, bem como o direito ao voto para cargos locais e provinciais. Os assentamentos típicos da Nova Inglaterra eram bastante compactos e pequenos, com menos de uma milha quadrada. Os conflitos com os nativos americanos surgiram de questões políticas, principalmente sobre quem governaria. As primeiras áreas de fronteira a leste dos Montes Apalaches incluíam o vale do rio Connecticut, e o norte da Nova Inglaterra (o que representou uma mudança para o norte, não para o oeste).

Guerras com os franceses e com os nativos: Os colonos na fronteira frequentemente relacionavam incidentes isolados para indicar conspirações indígenas para atacá-los, mas estes não tinham uma dimensão diplomática francesa depois de 1763, nem uma ligação espanhola depois de 1820.

O Cerco do Forte de Detroit, uma representação do Cerco de Fort Detroit em 1763 por Frederic Remington.

A maioria das fronteiras sofreu inúmeros conflitos. A Guerra Franco-Indígena eclodiu entre a Grã-Bretanha e a França, com os franceses compensando sua pequena população colonial ao recrutarem grupos de guerra indígenas como aliados. A série de grandes guerras decorrentes das guerras europeias terminou com uma vitória completa dos britânicos na Guerra dos Sete Anos, que se estendeu por todo o mundo . No tratado de paz de 1763, a França cedeu praticamente tudo, já que as terras a oeste do rio Mississippi, além da Flórida e de Nova Orleans, passaram para a Espanha. As terras a leste do rio Mississippi e o que hoje é o Canadá passaram para a Grã-Bretanha.

Migração constante para terras fronteiriças: Independentemente das guerras, os americanos estavam se mudando através dos Apalaches para o oeste da Pensilvânia, o que hoje é a Virgínia Ocidental, e áreas do Ohio Country, Kentucky e Tennessee. Nos assentamentos do sul através do Cumberland Gap, seu líder mais famoso foi Daniel Boone. O jovem George Washington promoveu assentamentos no oeste da Virgínia e no que hoje é a Virgínia Ocidental, em terras concedidas a ele e seus soldados pelo governo real como pagamento por seu serviço militar na milícia da Virgínia. Os assentamentos a oeste dos Montes Apalaches foram brevemente restringidos pela Proclamação Real de 1763, que proibia o assentamento nessa área. O Tratado de Fort Stanwix (1768) reabriu a maior parte das terras ocidentais para que os pioneiros se estabelecessem.

Nova nação: A nação estava em paz após 1783. Os estados deram ao Congresso o controle das terras ocidentais e um sistema eficaz para a expansão populacional foi desenvolvido. A Ordenança do Noroeste de 1787 aboliu a escravidão na área ao norte do rio Ohio e prometeu a condição de estado quando um território atingisse um limite populacional, como Ohio fez em 1803.

O primeiro grande movimento migratório para oeste dos Montes Apalaches teve origem na Pensilvânia, Virgínia e Carolina do Norte, logo após o fim da Guerra da Independência , em 1781. Os pioneiros se alojavam em barracas improvisadas ou, no máximo, em cabanas de madeira de um cômodo. Inicialmente, a principal fonte de alimento era a caça de veados, perus e outros animais abundantes na região.

“Vestido com trajes típicos da fronteira, calças de couro, mocassins, gorro de pele e camisa de caça, e cingido por um cinto do qual pendiam uma faca de caça e um porta-chumbo — tudo feito em casa — o pioneiro apresentava uma aparência única. Em pouco tempo, ele abriu na mata um pedaço de terra, ou clareira, onde cultivou milho, trigo, linho, tabaco e outros produtos, até mesmo frutas.”

Em poucos anos, o pioneiro acrescentou porcos, ovelhas e gado, e talvez tenha adquirido um cavalo. Roupas de tecido caseiro substituíram as peles de animais. Os pioneiros mais inquietos ficaram insatisfeitos com a vida excessivamente civilizada e se mudaram novamente, percorrendo 80 ou 160 quilômetros (50 ou 100 milhas) mais para o oeste.

Política de terras: A política fundiária da nova nação era conservadora, dando especial atenção às necessidades do Leste já estabelecido. Os objetivos buscados por ambos os partidos no período de 1790 a 1820 eram expandir a economia, evitar a fuga de trabalhadores qualificados necessários no Leste, distribuir as terras de forma inteligente, vendê-las a preços razoáveis para os colonos, mas suficientemente altos para pagar a dívida nacional, regularizar os títulos de propriedade e criar uma economia diversificada no Oeste, intimamente interligada com as áreas já estabelecidas, com risco mínimo de um movimento separatista. Na década de 1830, no entanto, o Oeste estava se enchendo de posseiros sem escritura, embora pudessem ter pago dinheiro a colonos anteriores. Os democratas jacksonianos favoreciam os posseiros, prometendo acesso rápido a terras baratas. Em contrapartida, Henry Clay estava alarmado com a "ralé sem lei" que se dirigia para o Oeste e que minava o conceito utópico de uma comunidade republicana de classe média, estável e cumpridora da lei. Enquanto isso, os sulistas ricos buscavam oportunidades para comprar terras de alta qualidade e estabelecer plantações de escravos. O movimento Free Soil da década de 1840 reivindicava terras de baixo custo para agricultores brancos livres, uma posição transformada em lei pelo novo Partido Republicano em 1862, oferecendo lotes de 160 acres (65 ha) gratuitos a todos os adultos, homens e mulheres, negros e brancos, nativos ou imigrantes.

Após a vitória na Guerra Revolucionária (1783), um grande número de colonos americanos migrou para o oeste. Em 1788, pioneiros americanos no Território do Noroeste estabeleceram Marietta, Ohio, como o primeiro assentamento americano permanente no Território do Noroeste.

Em 1775, Daniel Boone abriu uma trilha para a Companhia Transilvânia, da Virgínia através do Cumberland Gap até o centro do Kentucky. Mais tarde, ela foi estendida até alcançar as Cataratas do Ohio, em Louisville. A Wilderness Road era íngreme e acidentada, e só podia ser percorrida a pé ou a cavalo, mas era a melhor rota para milhares de colonos que se mudavam para o Kentucky. Em algumas áreas, eles tiveram que enfrentar ataques de nativos. Somente em 1784, os nativos mataram mais de 100 viajantes na Wilderness Road. O Kentucky, nessa época, estava despovoado — estava "vazio de aldeias indígenas". No entanto, grupos de ataque às vezes passavam por ali. Um dos interceptados foi o avô de Abraham Lincoln, que foi escalpelado em 1784 perto de Louisville.

Aquisição de terras indígenas: A Guerra de 1812 marcou o confronto final envolvendo as principais forças britânicas e indígenas lutando para impedir a expansão americana. O objetivo de guerra britânico incluía a criação de um estado-barreira indígena sob os auspícios britânicos no Centro-Oeste, o que impediria a expansão americana para o oeste. Os milicianos da fronteira americana sob o comando do General Andrew Jackson derrotaram os Creeks e abriram o Sudoeste, enquanto a milícia sob o comando do Governador William Henry Harrison derrotou a aliança indígena-britânica na Batalha do Tâmisa, no Canadá, em 1813. A morte em batalha do líder indígena Tecumseh dissolveu a coalizão de tribos indígenas hostis. Enquanto isso, o General Andrew Jackson pôs fim à ameaça militar indígena no Sudeste na Batalha de Horseshoe Bend, em 1814, no Alabama. Em geral, os homens da fronteira lutaram contra os indígenas com pouca ajuda do Exército dos EUA ou do governo federal.

A litografia "A morte de Tecumseh" mostra Richard Mentor Johnson atirando em Tecumseh na Batalha do Tâmisa. Obra de Nathaniel Currier feita por volta de 1843.

Para pôr fim à guerra, diplomatas americanos negociaram o Tratado de Ghent, assinado no final de 1814, com a Grã-Bretanha. Rejeitaram o plano britânico de estabelecer um estado indígena em território americano ao sul dos Grandes Lagos. Explicaram a política americana em relação à aquisição de terras indígenas:

“Os Estados Unidos, embora nunca pretendam adquirir terras dos indígenas senão por meios pacíficos e com o seu livre consentimento, estão plenamente determinados a, progressivamente e na medida em que a sua crescente população o exigir, recuperar do estado de natureza e cultivar cada porção do território contido dentro das suas fronteiras reconhecidas. Ao prover assim o sustento de milhões de seres civilizados, não violarão nenhum ditame de justiça ou humanidade; pois não só darão aos poucos milhares de indígenas dispersos por esse território uma compensação mais do que suficiente por qualquer direito que possam renunciar, como também lhes deixarão sempre a posse de terras mais abundantes do que podem cultivar e mais do que adequadas à sua subsistência, conforto e usufruto, através do cultivo. Se este espírito for de engrandecimento, os signatários estão preparados para admitir, nesse sentido, a sua existência; mas devem negar que tal constitui a menor prova de uma intenção de não respeitar as fronteiras entre os Estados Unidos e as nações europeias, ou de um desejo de invadir os territórios da Grã-Bretanha. [...] Eles não suporão que esse Governo irá declarar, como base de sua política em relação aos Estados Unidos, um sistema de contenção de seu crescimento natural dentro de seus territórios, com o objetivo de preservar um deserto perpétuo para selvagens.”

Novos territórios e estados: À medida que os colonos chegavam em massa, os distritos fronteiriços primeiro se tornaram territórios, com uma legislatura eleita e um governador nomeado pelo presidente. Depois, quando a população atingiu 100.000 habitantes, o território solicitou a condição de estado. Os pioneiros geralmente abandonavam as formalidades legalistas e o direito de voto restritivo favorecidos pelas classes altas do leste, adotando mais democracia e mais igualitarismo.

Em 1810, a fronteira oeste alcançou o rio Mississippi. St. Louis, Missouri, era a maior cidade da fronteira, a porta de entrada para viagens rumo ao oeste e um importante centro comercial para o tráfego fluvial do Mississippi e para o comércio interior, mas permaneceu sob controle espanhol até 1803.

Compra da Louisiana: Thomas Jefferson se considerava um homem da fronteira e tinha grande interesse em expandir e explorar o Oeste. A Compra da Louisiana por Jefferson em 1803 dobrou o tamanho da nação ao custo de US$ 15 milhões, ou cerca de US$ 0,04 por acre (US$ 315 milhões em dólares de 2024, menos de 42 centavos por acre). Os federalistas se opuseram à expansão, mas os jeffersonianos saudaram a oportunidade de criar milhões de novas fazendas para expandir o domínio dos pequenos proprietários de terras; a propriedade fortaleceria a sociedade republicana ideal, baseada na agricultura (não no comércio), governada com leveza e promovendo a autossuficiência e a virtude, além de formar a base política para a Democracia Jeffersoniana.

A França foi paga por sua soberania sobre o território em termos de direito internacional. Entre 1803 e a década de 1870, o governo federal comprou as terras das tribos nativas que então as possuíam. Contadores e tribunais do século XX calcularam o valor dos pagamentos feitos aos nativos, que incluíam pagamentos futuros em dinheiro, alimentos, cavalos, gado, suprimentos, construções, educação e assistência médica. Em termos monetários, o total pago às tribos na área da Compra da Louisiana chegou a cerca de US$ 2,6 bilhões, ou quase US$ 9 bilhões em valores DE 2016. Quantias adicionais foram pagas aos nativos que viviam a leste do Mississippi por suas terras, bem como pagamentos aos nativos que viviam em partes do oeste fora da área da Compra da Louisiana.

Mesmo antes da compra, Jefferson já planejava expedições para explorar e mapear as terras. Ele encarregou Lewis e Clark de "explorar o rio Missouri e seu principal afluente, de modo que, por seu curso e comunicação com as águas do Oceano Pacífico, o rio Columbia, o rio Oregon, o rio Colorado ou qualquer outro rio possa oferecer a comunicação mais direta e viável através do continente para o comércio". Jefferson também instruiu a expedição a estudar as tribos nativas da região (incluindo seus costumes, língua e cultura), o clima, o solo, os rios, o comércio e a vida animal e vegetal.

Empreendedores, principalmente John Jacob Astor, aproveitaram rapidamente a oportunidade e expandiram as operações de comércio de peles para o Noroeste do Pacífico. O "Forte Astoria" de Astor (mais tarde Forte George), na foz do rio Columbia, tornou-se o primeiro assentamento permanente de brancos naquela área, embora não fosse lucrativo para Astor. Ele fundou a American Fur Company numa tentativa de quebrar o domínio que o monopólio da Companhia da Baía de Hudson exercia sobre a região. Em 1820, Astor havia assumido o controle de comerciantes independentes para criar um monopólio lucrativo; ele deixou o negócio como multimilionário em 1834.

Comércio de peles em Fort Nez Percés. O comerciante-chefe Archibald McKinley inspeciona as peles. Joseph Drayton (1795-1856), membro da expedição de Charles Wilkes.


Comércio de peles: À medida que a fronteira avançava para oeste, caçadores e armadilheiros se adiantavam aos colonos, buscando novos suprimentos de peles de castor e outros animais para envio à Europa. Os caçadores foram os primeiros europeus em grande parte do Velho Oeste e estabeleceram as primeiras relações de trabalho com os nativos americanos da região. Eles trouxeram um amplo conhecimento do terreno do Noroeste, incluindo a importante Passagem Sul, através das Montanhas Rochosas centrais. Descoberta por volta de 1812, essa passagem tornou-se posteriormente uma importante rota para os colonos rumo ao Oregon e Washington. Por volta de 1820, no entanto, um novo sistema de "encontro de brigadas" enviava homens da companhia em "brigadas" através do país em longas expedições, contornando muitas tribos. Esse sistema também incentivou os "armadilheiros livres" a explorarem novas regiões por conta própria. Ao final da temporada de caça, os armadilheiros se "encontravam" e entregavam seus produtos em troca de pagamento em portos fluviais ao longo do Rio Green, do Alto Missouri e do Alto Mississippi. St. Louis era a maior das cidades de encontro. Por volta de 1830, no entanto, a moda mudou e os chapéus de castor foram substituídos por chapéus de seda, pondo fim à procura de peles americanas caras. Assim terminou a era dos homens das montanhas, caçadores e batedores como Jedediah Smith, Hugh Glass, Davy Crockett, Jack Omohundro e outros. O comércio de peles de castor praticamente cessou em 1845.

O governo federal e a expansão para o oeste: Havia amplo consenso sobre a necessidade de povoar rapidamente os novos territórios, mas o debate polarizou-se quanto ao preço que o governo deveria cobrar. Os conservadores e os Whigs, exemplificados pelo presidente John Quincy Adams, queriam um ritmo moderado que cobrasse dos recém-chegados o suficiente para cobrir os custos do governo federal. Os democratas, no entanto, toleravam uma corrida desenfreada por terras a preços muito baixos. A resolução final surgiu com a Lei de Terras de 1862, com um ritmo moderado que concedia aos colonos 160 acres gratuitamente após cinco anos de trabalho na terra.

O lucro privado dominou o movimento para o oeste, mas o governo federal desempenhou um papel de apoio na garantia das terras por meio de tratados e na criação de governos territoriais, com governadores nomeados pelo Presidente. O governo federal adquiriu primeiro o território ocidental por meio de tratados com outras nações ou tribos nativas. Em seguida, enviou topógrafos para mapear e documentar as terras. No século XX, as burocracias de Washington administravam as terras federais, como o Escritório Geral de Terras dos Estados Unidos no Departamento do Interior, e, após 1891, o Serviço Florestal no Departamento de Agricultura. Depois de 1900, a construção de barragens e o controle de enchentes tornaram-se preocupações importantes.

O transporte era uma questão fundamental e o Exército (especialmente o Corpo de Engenheiros do Exército) recebeu total responsabilidade pela facilitação da navegação nos rios. O barco a vapor, usado pela primeira vez no rio Ohio em 1811, possibilitou viagens baratas utilizando os sistemas fluviais, especialmente os rios Mississippi e Missouri e seus afluentes. As expedições do Exército pelo rio Missouri em 1818–1825 permitiram que os engenheiros aprimorassem a tecnologia. Por exemplo, o barco a vapor do Exército "Western Engineer" de 1819 combinava um calado muito raso com uma das primeiras rodas de popa. Em 1819–1825, o Coronel Henry Atkinson desenvolveu barcos a quilha com rodas de pás movidas à mão.

O sistema postal federal desempenhou um papel crucial na expansão nacional. Facilitou a expansão para o Oeste ao criar um sistema de comunicação barato, rápido e conveniente. As cartas dos primeiros colonos forneciam informações e incentivo para encorajar o aumento da migração para o Oeste, ajudavam famílias dispersas a manter contato e a fornecer ajuda neutra, auxiliavam empreendedores a encontrar oportunidades de negócios e possibilitavam relações comerciais regulares entre comerciantes do Oeste e atacadistas e fábricas do Leste. O serviço postal também auxiliou o Exército na expansão do controle sobre os vastos territórios do Oeste. A ampla circulação de jornais importantes pelo correio, como o New York Weekly Tribune, facilitou a coordenação entre políticos em diferentes estados. O serviço postal ajudou a integrar áreas já estabelecidas com a fronteira, criando um espírito de nacionalismo e fornecendo uma infraestrutura necessária.

O exército assumiu desde cedo a missão de proteger os colonos ao longo das trilhas de expansão para o oeste, uma política que foi descrita pelo secretário de guerra dos EUA, John B. Floyd, em 1857:

“Uma linha de postos paralelos, sem fronteira definida, mas próximos às habitações habituais dos índios, posicionados a distâncias convenientes e em locais adequados, e ocupados por infantaria, exerceria uma contenção salutar sobre as tribos, que sentiriam que qualquer incursão de seus guerreiros contra os assentamentos brancos seria prontamente retaliada em seus próprios lares.”

Houve um debate na época sobre o tamanho ideal dos fortes, com Jefferson Davis, Winfield Scott e Thomas Jesup defendendo fortes maiores, porém em menor número do que os de Floyd. O plano de Floyd era mais caro, mas contava com o apoio dos colonos e do público em geral, que preferiam que os militares permanecessem o mais próximos possível. A área da fronteira era vasta e até mesmo Davis admitiu que "a concentração teria exposto partes da fronteira às hostilidades dos nativos sem qualquer proteção".

Cientistas, artistas e exploradores: O governo e a iniciativa privada enviaram muitos exploradores para o Oeste. Em 1805-1806, o tenente do Exército Zebulon Pike (1779-1813) liderou um grupo de 20 soldados para encontrar as nascentes do Mississippi. Mais tarde, ele explorou os rios Vermelho e Arkansas em território espanhol, chegando finalmente ao Rio Grande . Em seu retorno, Pike avistou o pico no Colorado que recebeu seu nome. O major Stephen Harriman Long (1784-1864) liderou as expedições a Yellowstone e Missouri em 1819-1820, mas sua classificação das Grandes Planícies como áridas e inúteis em 1823 fez com que a região ganhasse uma má reputação como o "Grande Deserto Americano", o que desencorajou o povoamento daquela área por várias décadas.

Em 1811, os naturalistas Thomas Nuttall (1786–1859) e John Bradbury (1768–1823) viajaram pelo rio Missouri documentando e desenhando a vida vegetal e animal. O artista George Catlin (1796–1872) pintou quadros precisos da cultura nativa americana. O artista suíço Karl Bodmer criou paisagens e retratos fascinantes. John James Audubon (1785–1851) é famoso por classificar e pintar em detalhes minuciosos 500 espécies de aves, publicado em Birds of America.

O mais famoso dos exploradores foi John Charles Frémont (1813–1890), um oficial do Exército no Corpo de Engenheiros Topográficos. Ele demonstrou talento para a exploração e um gênio para a autopromoção, o que lhe rendeu o apelido de "Desbravador do Oeste" e o levou à indicação presidencial do novo Partido Republicano em 1856. Ele liderou uma série de expedições na década de 1840 que responderam a muitas das questões geográficas pendentes sobre a região pouco conhecida. Ele cruzou as Montanhas Rochosas por cinco rotas diferentes e mapeou partes do Oregon e da Califórnia. Em 1846–1847, desempenhou um papel na conquista da Califórnia. Em 1848–1849, Frémont foi designado para localizar uma rota central através das montanhas para a ferrovia transcontinental proposta, mas sua expedição terminou em quase desastre quando se perdeu e ficou presa pela neve intensa. Seus relatórios misturavam narrativas de aventuras emocionantes com dados científicos e informações práticas detalhadas para viajantes. Capturou a imaginação do público e inspirou muitos a rumarem para oeste. Goetzman diz que foi "monumental na sua abrangência, um clássico da literatura de exploração".

Enquanto faculdades surgiam por todo o Nordeste, havia pouca concorrência na fronteira oeste para a Universidade Transylvania, fundada em Lexington, Kentucky, em 1780. Ela se orgulhava de ter uma faculdade de direito, além de seus programas de graduação e medicina. Transylvania atraiu jovens politicamente ambiciosos de todo o Sudoeste, incluindo 50 que se tornaram senadores dos Estados Unidos, 101 representantes, 36 governadores e 34 embaixadores, bem como Jefferson Davis, o presidente da Confederação.

OESTE DO PERÍODO PRÉ-GUERRA

Religião: A maioria dos pioneiros mostrou pouco comprometimento com a religião até que evangelistas itinerantes começaram a aparecer e a produzir "avivamentos". Os pioneiros locais responderam com entusiasmo a esses eventos e, na prática, desenvolveram suas religiões populares, especialmente durante o Segundo Grande Despertar (1790-1840), que apresentou encontros campais ao ar livre com duração de uma semana ou mais e que introduziram muitas pessoas à religião organizada pela primeira vez. Um dos maiores e mais famosos encontros campais ocorreu em Cane Ridge, Kentucky , em 1801.

Os batistas locais estabeleceram pequenas igrejas independentes — os batistas rejeitavam a autoridade centralizada; cada igreja local foi fundada no princípio da independência da congregação local. Por outro lado, os bispos dos metodistas, bem organizados e centralizados, designavam pregadores itinerantes para áreas específicas por vários anos, e depois os transferiam para novos territórios. Várias novas denominações foram formadas, sendo a maior delas a dos Discípulos de Cristo.

As igrejas orientais estabelecidas demoraram a atender às necessidades da fronteira. Os presbiterianos e congregacionalistas, como dependiam de ministros bem-educados, tinham poucos recursos para evangelizar a fronteira. Eles estabeleceram um Plano de União em 1801 para combinar recursos na fronteira.

Democracia no Meio-Oeste: O historiador Mark Wyman chama Wisconsin de um "palimpsesto" de camadas e mais camadas de povos e forças, cada uma imprimindo influências permanentes. Ele identificou essas camadas como múltiplas "fronteiras" ao longo de TRÊS SÉCULOS: fronteira indígena, fronteira francesa, fronteira inglesa, fronteira do comércio de peles, fronteira da mineração e fronteira da exploração madeireira. Finalmente, a chegada da ferrovia marcou o fim da fronteira.

Frederick Jackson Turner cresceu em Wisconsin durante seu último estágio de fronteira e, em suas viagens pelo estado, pôde observar as camadas de desenvolvimento social e político. Um dos últimos alunos de Turner, Merle Curti, utilizou uma análise aprofundada da história local de Wisconsin para testar a tese de Turner sobre democracia. A visão de Turner era de que a democracia americana "envolvia ampla participação na tomada de decisões que afetavam a vida em comum, o desenvolvimento da iniciativa e da autossuficiência e a igualdade de oportunidades econômicas e culturais. Envolvia, portanto, também a americanização dos imigrantes." Curti descobriu que, de 1840 a 1860, em Wisconsin, os grupos mais pobres obtiveram rapidamente a posse de terras e, frequentemente, ascenderam à liderança política em nível local. Ele constatou que mesmo jovens trabalhadores rurais sem-terra logo conseguiam obter suas fazendas. Terras gratuitas na fronteira, portanto, criaram oportunidades e democracia, tanto para imigrantes europeus quanto para os ianques de origem tradicional.

Sudoeste: Das décadas de 1770 a 1830, pioneiros se mudaram para as novas terras que se estendiam do Kentucky ao Alabama e ao Texas. A maioria eram agricultores que se mudavam em grupos familiares.

O historiador Louis Hacker mostra o quão perdulária foi a primeira geração de pioneiros; eles eram muito ignorantes para cultivar a terra adequadamente e, quando a fertilidade natural da terra virgem se esgotou, venderam tudo e se mudaram para o oeste para tentar novamente. Hacker descreve isso no Kentucky por volta de 1812:

“Fazendas com dez a cinquenta acres desmatados, casas de madeira, pomares de pêssego e, às vezes, de maçã, cercadas por muros, e com bastante madeira em pé para lenha, estavam à venda. A terra era semeada com trigo e milho, que eram os principais produtos, enquanto o cânhamo [para fazer corda] era cultivado em quantidades crescentes nas férteis várzeas... No entanto, em geral, era uma sociedade agrícola sem habilidade ou recursos. Cometia todos os pecados que caracterizam a agricultura perdulária e ignorante. Não se semeavam grama para feno e, como resultado, os animais da fazenda tinham que procurar alimento nas florestas; os campos não eram deixados para pastagem; uma única safra era plantada no solo até que a terra se esgotasse; o esterco não era devolvido aos campos; apenas uma pequena parte da fazenda era cultivada, o restante permanecia como mata. Os instrumentos de cultivo eram rudimentares e desajeitados, e em número insuficiente, muitos deles sendo feitos na própria fazenda. É fácil entender por que o colono da fronteira americana estava em constante movimento. Não foi o medo de um contato muito próximo com os confortos e restrições de uma sociedade civilizada que o impulsionou a uma atividade incessante, nem apenas a chance de vender com lucro para a onda vindoura de colonos; foi a terra devastada que o motivou. A fome era o aguilhão. A ignorância do fazendeiro pioneiro, suas instalações inadequadas para o cultivo, seus meios limitados de transporte exigiam suas frequentes mudanças de cenário. Ele só poderia ter sucesso com solo virgem.”

Hacker acrescenta que a segunda onda de colonizadores recuperou as terras, reparou os danos e praticou uma agricultura mais sustentável. O historiador Frederick Jackson Turner explorou a visão de mundo e os valores individualistas da primeira geração:

“O que eles contestavam eram os obstáculos arbitrários, as limitações artificiais à liberdade de cada membro desse povo fronteiriço de desenvolver sua carreira sem medo ou favorecimento. O que eles instintivamente se opunham era à cristalização das diferenças, à monopolização das oportunidades e à fixação desse monopólio pelo governo ou pelos costumes sociais. O caminho devia estar aberto. O jogo devia ser jogado de acordo com as regras. Não devia haver sufocamento artificial da igualdade de oportunidades, nem portas fechadas aos capazes, nem a interrupção do jogo livre antes de ser jogado até o fim. Mais do que isso, havia um sentimento não formulado, talvez, mas muito real, de que o mero sucesso no jogo, pelo qual os homens mais capazes conseguiam alcançar a preeminência, não dava aos bem-sucedidos o direito de desprezar seus vizinhos, nenhum título adquirido para afirmar superioridade por orgulho e para diminuir o direito e a dignidade iguais dos menos bem-sucedidos.”

Destino manifesto: O Destino Manifesto era a crença controversa de que os Estados Unidos estavam predestinados a expandir-se da costa atlântica à costa do Pacífico, e os esforços feitos para concretizar essa crença. O conceito surgiu durante o período colonial, mas o termo foi cunhado na década de 1840 por uma revista popular que editorializou: "o cumprimento do nosso destino manifesto... de ocupar o continente que a Providência destinou ao livre desenvolvimento dos nossos milhões que se multiplicam anualmente". À medida que a nação crescia, o "Destino Manifesto" tornou-se um grito de guerra para os expansionistas do Partido Democrata. Na década de 1840, os governos de Tyler e Polk (1841-1849) promoveram com sucesso essa doutrina nacionalista. No entanto, o Partido Whig, que representava os interesses comerciais e financeiros, opôs-se ao Destino Manifesto. Líderes Whig, como Henry Clay e Abraham Lincoln, defenderam o aprofundamento da sociedade por meio da modernização e da urbanização, em vez da simples expansão horizontal. A partir da anexação do Texas, os expansionistas levaram a melhor. John Quincy Adams, um Whig antiescravagista, considerou a anexação do Texas em 1845 como "a maior calamidade que já se abateu sobre mim e sobre o meu país".

Os guias de viagem para o oeste, elaborados na década de 1840, ajudavam os colonos a se deslocarem para o oeste, apresentando informações sobre rotas fornecidas pelos comerciantes de peles e pelas expedições de Frémont, e prometendo terras férteis além das Montanhas Rochosas.

México e Texas: O México tornou-se independente da Espanha em 1821 e assumiu o controle das possessões espanholas no norte, que se estendiam do Texas à Califórnia. Caravanas americanas começaram a entregar mercadorias à cidade mexicana de Santa Fé pela Trilha de Santa Fé, numa jornada de 1.400 km (870 milhas) que levava 48 dias a partir de Kansas City, Missouri (então conhecida como Westport). Santa Fé também era o ponto de partida do "El Camino Real" (a Estrada Real), uma rota comercial que transportava produtos manufaturados americanos para o sul, adentrando o México, e trazia de volta prata, peles e mulas para o norte (não confundir com outro "Camino Real" que conectava as missões na Califórnia). Um ramal também seguia para o leste, próximo ao Golfo (também chamado de Estrada Velha de San Antonio). Santa Fé se conectava à Califórnia pela Trilha Espanhola Antiga.

Os governos espanhol e mexicano atraíram colonos americanos para o Texas com condições generosas. Stephen F. Austin tornou-se um "empresário", recebendo contratos de autoridades mexicanas para trazer imigrantes. Ao fazer isso, ele também se tornou o comandante político e militar de fato da região. As tensões aumentaram, no entanto, após uma tentativa frustrada de estabelecer a nação independente de Fredônia em 1826. William Travis, liderando o "partido da guerra", defendia a independência do México, enquanto o "partido da paz", liderado por Austin, tentava obter mais autonomia dentro da relação existente. Quando o presidente mexicano Santa Anna mudou de alianças e se juntou ao partido centralista conservador, ele se declarou ditador e ordenou que soldados fossem enviados ao Texas para conter a nova imigração e os distúrbios. No entanto, a imigração continuou e 30.000 anglo-americanos, com 3.000 escravos, se estabeleceram no Texas até 1835. Em 1836, eclodiu a Revolução do Texas. Após as derrotas no Álamo e em Goliad, os texanos venceram a decisiva Batalha de San Jacinto para garantir a independência. Em San Jacinto, Sam Houston, comandante-em-chefe do Exército Texano e futuro Presidente da República do Texas, proferiu a famosa frase "Lembrem-se do Álamo! Lembrem-se de Goliad!". O Congresso dos EUA recusou-se a anexar o Texas, devido a um impasse causado por discussões acaloradas sobre a escravidão e o poder regional. Assim, a República do Texas permaneceu uma potência independente por quase uma década antes de ser anexada como o 28º estado em 1845. O governo do México, contudo, considerava o Texas uma província rebelde e reivindicava sua posse.

Guerra Mexicano-Americana: O México recusou-se a reconhecer a independência do Texas em 1836, mas os EUA e as potências europeias o fizeram. O México ameaçou com guerra se o Texas se juntasse aos EUA, o que aconteceu em 1845. Os negociadores americanos foram rejeitados por um governo mexicano em crise. Quando o exército mexicano matou 16 soldados americanos em território disputado, a guerra estava prestes a começar. Whigs como o congressista Abraham Lincoln denunciaram a guerra, mas ela era bastante popular fora da Nova Inglaterra.

A estratégia mexicana era defensiva; a estratégia americana era uma ofensiva em três frentes, utilizando um grande número de soldados voluntários. As forças terrestres tomaram o Novo México com pouca resistência e seguiram para a Califórnia, que rapidamente caiu sob o domínio das forças terrestres e navais americanas. Da principal base americana em Nova Orleans, o General Zachary Taylor liderou as forças para o norte do México, vencendo uma série de batalhas subsequentes. A Marinha dos EUA transportou o General Winfield Scott para Veracruz. Ele então marchou com sua força de 12.000 homens para o oeste, até a Cidade do México, vencendo a batalha final em Chapultepec. A ideia de adquirir todo o México desapareceu quando o exército descobriu que os valores políticos e culturais mexicanos eram muito diferentes dos americanos. Como perguntou o Cincinnati Herald, o que os EUA fariam com oito milhões de mexicanos "com sua adoração a ídolos, superstição pagã e raças mestiças degradadas?"

O Tratado de Guadalupe Hidalgo de 1848 cedeu os territórios da Califórnia e do Novo México aos Estados Unidos por US$ 18,5 milhões (que incluíam a assunção de reivindicações contra o México por parte dos colonos). A Compra de Gadsden, em 1853, adicionou o sul do Arizona, necessário para uma rota ferroviária até a Califórnia. No total, o México cedeu meio milhão de milhas quadradas (1,3 milhão de km²) e incluiu os futuros estados da Califórnia, Utah, Arizona, Nevada, Novo México e partes do Colorado e Wyoming, além do Texas. A administração dos novos territórios e a questão da escravidão causaram intensa controvérsia, particularmente em relação à Provisão Wilmot, que teria proibido a escravidão nos novos territórios. O Congresso nunca a aprovou, mas resolveu temporariamente a questão da escravidão no Oeste com o Compromisso de 1850. A Califórnia ingressou na União em 1850 como um estado livre; as outras áreas permaneceram territórios por muitos anos.

Crescimento do Texas: O novo estado cresceu rapidamente à medida que migrantes afluíam às férteis terras algodoeiras do leste do Texas. Imigrantes alemães começaram a chegar no início da década de 1840 devido às pressões econômicas, sociais e políticas negativas na Alemanha. Com seus investimentos em terras algodoeiras e escravos, os fazendeiros estabeleceram plantações de algodão nos distritos orientais. A área central do estado foi desenvolvida mais por agricultores de subsistência que raramente possuíam escravos.

O Texas, em seus tempos de Velho Oeste, atraía homens que sabiam atirar bem e possuíam o gosto pela aventura, "pela fama masculina, pelo serviço patriótico, pela glória marcial e por mortes significativas".

Corrida do ouro na Califórnia: Em 1846, cerca de 10.000 californianos (hispânicos) viviam na Califórnia, principalmente em fazendas de gado no que hoje é a área de Los Angeles. Algumas centenas de estrangeiros estavam espalhados pelos distritos do norte, incluindo alguns americanos. Com a eclosão da guerra com o México em 1846, os EUA enviaram Frémont e uma unidade do Exército dos EUA, bem como forças navais, e rapidamente assumiram o controle. Quando a guerra estava terminando, ouro foi descoberto no norte, e a notícia logo se espalhou pelo mundo.

Milhares de "garimpeiros" chegaram à Califórnia navegando ao redor da América do Sul (ou pegando um atalho pelo Panamá, assolado por doenças), ou caminhando pela trilha da Califórnia. A população disparou para mais de 200.000 em 1852, concentrada principalmente nos distritos auríferos que se estendiam pelas montanhas a leste de São Francisco.

A habitação em São Francisco era escassa, e navios abandonados cujas tripulações se dirigiam às minas eram frequentemente convertidos em alojamentos temporários. Nos próprios campos auríferos, as condições de vida eram precárias, embora o clima ameno fosse atrativo. Os suprimentos eram caros e a comida escassa, com dietas típicas compostas principalmente de carne de porco, feijão e uísque. Essas comunidades predominantemente masculinas e transitórias, sem instituições estabelecidas, eram propensas a altos níveis de violência, embriaguez, palavrões e comportamentos movidos pela ganância. Sem tribunais ou autoridades policiais nas comunidades mineiras para fazer cumprir as reivindicações e garantir a justiça, os mineiros desenvolveram seu sistema jurídico improvisado, baseado nos "códigos de mineração" usados em outras comunidades mineiras no exterior. Cada acampamento tinha suas próprias regras e frequentemente aplicava a justiça por votação popular, às vezes agindo de forma justa e outras vezes exercendo justiça com as próprias mãos; com nativos americanos (índios), mexicanos e chineses geralmente recebendo as sentenças mais severas.

A corrida do ouro mudou radicalmente a economia da Califórnia e atraiu uma série de profissionais, incluindo especialistas em metais preciosos, comerciantes, médicos e advogados, que se juntaram à população de mineiros, donos de bares, jogadores e prostitutas. Um jornal de São Francisco declarou: "Todo o país... ressoa com o sórdido grito de ouro! Ouro! Ouro! enquanto o campo é deixado meio plantado, a casa meio construída e tudo negligenciado, exceto a fabricação de pás e picaretas." Mais de 250.000 mineiros encontraram um total de mais de US$ 200 milhões em ouro nos cinco anos da corrida do ouro na Califórnia. No entanto, à medida que milhares chegavam, cada vez menos mineiros faziam fortuna, e a maioria terminava exausta e falida.

Bandidos violentos frequentemente atacavam os mineiros, como no caso de Jonathan R. Davis, que matou onze bandidos sozinho. Acampamentos se espalharam ao norte e ao sul do Rio Americano e para o leste, em direção à Serra Nevada. Em poucos anos, quase todos os mineiros independentes foram deslocados, pois as minas foram compradas e administradas por empresas de mineração, que então contrataram mineiros assalariados com baixos salários. À medida que o ouro se tornou mais difícil de encontrar e extrair, os garimpeiros individuais deram lugar a grupos de trabalho remunerados, habilidades especializadas e máquinas de mineração. Minas maiores, no entanto, causaram maiores danos ambientais. Nas montanhas, a mineração em poços predominou, produzindo grandes quantidades de rejeitos. A partir de 1852, no final da corrida do ouro de 1849, até 1883, a mineração hidráulica foi utilizada. Apesar dos enormes lucros obtidos, ela caiu nas mãos de poucos capitalistas, deslocou inúmeros mineiros, vastas quantidades de rejeitos entraram nos sistemas fluviais e causou graves danos ecológicos ao meio ambiente. A mineração hidráulica terminou quando a indignação pública com a destruição de terras agrícolas levou à proibição dessa prática.

As áreas montanhosas do triângulo, do Novo México à Califórnia e ao Dakota do Sul, continham centenas de locais de mineração de rocha dura, onde os garimpeiros descobriram ouro, prata, cobre e outros minerais (bem como algum carvão de rocha macia). Acampamentos de mineração temporários surgiam da noite para o dia; a maioria se tornava cidades fantasmas quando os minérios se esgotavam. Os garimpeiros se espalharam e procuraram ouro e prata ao longo das Montanhas Rochosas e no sudoeste. Logo o ouro foi descoberto no Colorado, Utah, Arizona, Novo México, Idaho, Montana e Dakota do Sul (por volta de 1864).

A descoberta da Comstock Lode, contendo vastas quantidades de prata, resultou no florescimento das cidades de Virginia City, Carson City e Silver City em Nevada. A riqueza da prata, mais do que a do ouro, impulsionou o amadurecimento de São Francisco na década de 1860 e ajudou a ascensão de algumas de suas famílias mais ricas, como a de George Hearst.

Trilha do Oregon: Para chegar às ricas terras da Costa Oeste, havia três opções: alguns navegavam ao redor da ponta sul da América do Sul em uma viagem de seis meses, outros faziam a perigosa travessia do Istmo do Panamá, mas 400.000 outros caminhavam por terra por mais de 3.200 km (2.000 milhas); suas caravanas geralmente partiam do Missouri. Eles se deslocavam em grandes grupos sob o comando de um experiente chefe de caravana, levando roupas, suprimentos agrícolas, armas e animais. Essas caravanas seguiam os principais rios, cruzavam pradarias e montanhas e normalmente chegavam ao Oregon e à Califórnia. Os pioneiros geralmente tentavam completar a jornada durante uma única estação quente, geralmente por seis meses. Em 1836, quando a primeira caravana de migrantes foi organizada em Independence, Missouri, uma trilha já havia sido aberta até Fort Hall, Idaho. Trilhas foram abertas cada vez mais para o oeste, chegando eventualmente ao Vale do Willamette, no Oregon. Essa rede de trilhas que levava ao Noroeste do Pacífico foi posteriormente chamada de Trilha do Oregon. A metade oriental da rota também foi usada por viajantes na Trilha da Califórnia (a partir de 1843), Trilha Mórmon (a partir de 1847) e Trilha Bozeman (a partir de 1863) antes de seguirem para seus destinos separados.

Na "Caravana de 1843", cerca de 700 a 1.000 emigrantes partiram para o Oregon; o missionário Marcus Whitman liderou as carroças no último trecho. Em 1846, a Estrada Barlow foi concluída ao redor do Monte Hood, proporcionando uma trilha de carroças acidentada, mas transitável, do Rio Missouri até o Vale do Willamette: cerca de 3.200 km. Embora a principal direção de viagem nas primeiras trilhas de carroças fosse para o oeste, as pessoas também usavam a Trilha do Oregon para viajar para o leste. Algumas o faziam porque estavam desanimadas e derrotadas. Algumas retornavam com sacos de ouro e prata. A maioria retornava para buscar suas famílias e levá-las de volta para o oeste. Esses "retornos" eram uma importante fonte de informações e entusiasmo sobre as maravilhas e promessas — e perigos e decepções — do extremo oeste.

Nem todos os emigrantes chegaram ao seu destino. Os perigos da rota terrestre eram inúmeros: picadas de cobra, acidentes com carroças, violência de outros viajantes, SUICÍDIO, desnutrição, debandadas, ataques de nativos, uma variedade de doenças (disenteria, febre tifoide e cólera estavam entre as mais comuns), exposição ao frio, avalanches, etc. Um exemplo particularmente conhecido da natureza traiçoeira da jornada é a história do infame grupo Donner, que ficou preso nas montanhas da Sierra Nevada durante o inverno de 1846-1847. Metade das 90 pessoas que viajavam com o grupo morreu de fome e exposição ao frio, e alguns recorreram ao canibalismo para sobreviver. Outra história de canibalismo envolveu Alferd Packer e sua jornada para o Colorado em 1874. Também havia ataques frequentes de bandidos e salteadores de estrada, como os infames irmãos Harpe, que patrulhavam as rotas da fronteira e visavam grupos de migrantes.

Mórmons e Utah: No Missouri e em Illinois, a animosidade entre os colonos mórmons e os habitantes locais cresceu, o que espelharia o que ocorreria em outros estados, como Utah, anos mais tarde. A violência finalmente irrompeu em 24 de outubro de 1838, quando milícias de ambos os lados entraram em confronto e um massacre de mórmons no Condado de Livingston ocorreu 6 dias depois. Uma Ordem de Extermínio Mórmon foi emitida durante esses conflitos, e os mórmons foram forçados a se dispersar. Brigham Young, buscando deixar a jurisdição americana para escapar da perseguição religiosa em Illinois e Missouri, liderou os mórmons para o vale do Grande Lago Salgado, que na época pertencia ao México, mas não era controlado por ele. Cem assentamentos rurais mórmons surgiram no que Young chamou de "Deseret", que ele governou como uma teocracia. Mais tarde, tornou-se o Território de Utah. O assentamento de Young em Salt Lake City serviu como o centro de sua rede, que se estendia também aos territórios vizinhos. O comunalismo e as práticas agrícolas avançadas dos mórmons permitiram que eles prosperassem. Os mórmons frequentemente vendiam mercadorias para caravanas de carroças que passavam por ali. Após a Batalha de Fort Utah em 1850, Brigham Young começou a articular uma política indígena frequentemente parafraseada como "É mais barato alimentá-los do que lutar contra eles". No entanto, a Guerra de Wakara e a Guerra de Black Hawk, em Utah, demonstram que as hostilidades persistiram até que os líderes federais e territoriais concordassem que os povos indígenas vizinhos deveriam ser todos realocados para a Reserva Uinta. A educação tornou-se uma alta prioridade para proteger o grupo sitiado, reduzir a heresia e manter a solidariedade do grupo.

Após o fim da Guerra Mexicano-Americana em 1848, Utah foi cedido aos Estados Unidos pelo México. Embora os mórmons em Utah tivessem apoiado os esforços americanos durante a guerra, o governo federal, pressionado pelas igrejas protestantes, rejeitava a teocracia e a poligamia. Fundado em 1852, o Partido Republicano era abertamente hostil à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja SUD) em Utah devido à prática da poligamia, vista pela maior parte do público americano como uma afronta aos valores religiosos, culturais e morais da civilização moderna. Os confrontos chegaram perto da guerra aberta no final da década de 1850, quando o presidente Buchanan enviou tropas. Embora não tenham ocorrido batalhas militares e as negociações tenham levado a um cessar-fogo, a violência ainda aumentou e houve várias vítimas. Após a Guerra Civil, o governo federal assumiu sistematicamente o controle de Utah, a Igreja SUD foi legalmente desincorporada no território e membros da hierarquia da igreja, incluindo Young, foram sumariamente removidos e proibidos de ocupar praticamente qualquer cargo público. Enquanto isso, o trabalho missionário bem-sucedido nos EUA e na Europa trouxe uma onda de convertidos mórmons para Utah. Durante esse período, o Congresso se recusou a admitir Utah na União como um estado, e a condição de estado significaria o fim do controle federal direto sobre o território e a possível ascensão de políticos escolhidos e controlados pela Igreja SUD à maioria, senão a todos, os cargos eletivos federais, estaduais e locais do novo estado. Finalmente, em 1890, a liderança da igreja anunciou que a poligamia não era mais um princípio central, sendo posteriormente objeto de um acordo. Em 1896, Utah foi admitido como o 45º estado, com os mórmons divididos entre republicanos e democratas.

Pony Express e o telégrafo: O governo federal forneceu subsídios para o desenvolvimento da entrega de correspondências e mercadorias e, em 1856, o Congresso autorizou melhorias nas estradas e um serviço de correio terrestre para a Califórnia. O novo serviço de caravanas comerciais transportava principalmente mercadorias. Em 1858, John Butterfield (1801–1869) estabeleceu um serviço de diligências que ia de Saint Louis a São Francisco em 24 dias ao longo de uma rota sul. Essa rota foi abandonada em 1861, depois que o Texas se juntou à Confederação, em favor de serviços de diligências estabelecidos via Fort Laramie e Salt Lake City, uma viagem de 24 dias, com a Wells Fargo & Co. como a principal fornecedora (inicialmente usando o antigo nome "Butterfield").

William Russell, na esperança de obter um contrato governamental para um serviço de entrega de correspondência mais rápido, fundou o Pony Express em 1860, reduzindo o tempo de entrega para dez dias. Ele estabeleceu mais de 150 estações a cerca de 24 km (15 milhas) de distância umas das outras.

Em 1861, o Congresso aprovou a Lei de Doação de Terras para o Telégrafo, que financiou a construção das linhas telegráficas transcontinentais da Western Union. Hiram Sibley, chefe da Western Union, negociou acordos exclusivos com ferrovias para a instalação de linhas telegráficas ao longo de seus limites. Oito anos antes da inauguração da ferrovia transcontinental, o primeiro telégrafo transcontinental ligou Omaha, Nebraska, a São Francisco em 24 de outubro de 1861. O Pony Express terminou em apenas 18 meses porque não conseguiu competir com o telégrafo.

Kansas sangrento: Constitucionalmente, o Congresso não podia tratar da escravidão nos estados, mas tinha jurisdição sobre os territórios do oeste. A Califórnia rejeitou unanimemente a escravidão em 1850 e tornou-se um estado livre. O Novo México permitia a escravidão, mas ela era raramente vista lá. O Kansas estava livre da escravidão desde o Compromisso de 1820. Os defensores do movimento Free Soil temiam que, se a escravidão fosse permitida, os ricos fazendeiros comprariam as melhores terras e as cultivariam com grupos de escravos, deixando poucas oportunidades para homens brancos livres possuírem fazendas. Poucos fazendeiros do Sul estavam interessados no Kansas, mas a ideia de que a escravidão era ilegal lá implicava que eles tinham um status de segunda classe, o que era intolerável para seu senso de honra e parecia violar o princípio dos direitos dos estados. Com a aprovação da extremamente controversa Lei Kansas-Nebraska em 1854, o Congresso deixou a decisão para os eleitores do Kansas. Em todo o Norte, um novo grande partido foi formado para lutar contra a escravidão: o Partido Republicano, com numerosos cidadãos do oeste em posições de liderança, principalmente Abraham Lincoln, de Illinois. Para influenciar a decisão territorial, elementos antiescravistas (também chamados de "Jayhawkers" ou "Free-soilers") financiaram a migração de colonos politicamente determinados. Mas os defensores da escravidão revidaram com colonos pró-escravidão do Missouri. A violência de ambos os lados foi o resultado; ao todo, 56 homens foram mortos até que a violência diminuísse em 1859.  Em 1860, as forças pró-escravidão estavam no controle — mas o Kansas tinha apenas dois escravos. As forças antiescravistas assumiram o controle em 1861, quando o Kansas se tornou um estado livre. O episódio demonstrou que um compromisso democrático entre o Norte e o Sul sobre a escravidão era impossível e serviu para acelerar a Guerra Civil.

Guerra Civil no Oeste: Apesar de seu vasto território, o oeste trans-Mississippi tinha uma população pequena e sua história em tempos de guerra foi em grande parte subestimada na historiografia da Guerra Civil Americana.

Teatro Trans-Mississippi: A Confederação se envolveu em várias campanhas importantes no Oeste. No entanto, o Kansas, uma importante área de conflito que se intensificava antes da guerra, foi palco de apenas uma batalha, em Mine Creek. Mas sua proximidade com as linhas confederadas permitiu que guerrilheiros pró-Confederados, como os Raiders de Quantrill, atacassem fortalezas da União e massacrassem os moradores.

No Texas, os cidadãos votaram para se juntar à Confederação; alemães anti-guerra foram enforcados. Tropas locais tomaram o arsenal federal em San Antonio, com planos de conquistar os territórios do norte do Novo México, Utah e Colorado, e possivelmente a Califórnia. O Arizona Confederado foi criado por cidadãos do Arizona que queriam proteção contra ataques apaches após a retirada das unidades do Exército dos Estados Unidos. A Confederação então voltou sua atenção para o controle do Território do Novo México. O General Henry Hopkins Sibley foi encarregado da campanha e, junto com seu Exército do Novo México, marchou ao longo do Rio Grande numa tentativa de tomar a riqueza mineral do Colorado, bem como da Califórnia. O Primeiro Regimento de Voluntários descobriu os rebeldes e imediatamente os alertou e se juntou aos ianques em Fort Union. A Batalha de Glorieta Pass logo irrompeu, e a União encerrou a campanha confederada e a área a oeste do Texas permaneceu em mãos da União.

O Missouri, um estado fronteiriço do Sul onde a escravidão era legal, tornou-se um campo de batalha quando o governador pró-secessão, contrariando o voto da legislatura, liderou tropas para o arsenal federal em St. Louis; ele foi auxiliado por forças confederadas do Arkansas e da Louisiana. O governador do Missouri e parte da legislatura estadual assinaram uma Ordenança de Secessão em Neosho, formando o governo confederado do Missouri e a Confederação controlando o sul do Missouri. No entanto, o general da União Samuel Curtis recuperou St. Louis e todo o Missouri para a União. O estado foi palco de inúmeros ataques e guerras de guerrilha no oeste.

Manutenção da paz: O Exército dos EUA, após 1850, estabeleceu uma série de postos militares ao longo da fronteira, projetados para impedir guerras entre tribos nativas ou entre nativos e colonos. Ao longo do século XIX, os oficiais do Exército normalmente construíam suas carreiras em funções de manutenção da paz, mudando de forte em forte até a aposentadoria. A experiência real de combate era incomum para qualquer soldado.

O conflito mais dramático foi a guerra Sioux em Minnesota, em 1862, quando as tribos Dakota atacaram sistematicamente fazendas alemãs para expulsar os colonos. Durante vários dias, os ataques Dakota na Lower Sioux Agency, New Ulm e Hutchinson mataram entre 300 e 400 colonos brancos. A milícia estadual revidou e Lincoln enviou tropas federais. As batalhas subsequentes em Fort Ridgely, Birch Coulee , Fort Abercrombie e Wood Lake marcaram uma guerra de seis semanas, que terminou com a vitória americana. O governo federal julgou 425 nativos por assassinato, e 303 foram condenados à morte. Lincoln perdoou a maioria, mas 38 líderes foram enforcados.

A presença reduzida de tropas da União no Oeste deixou para trás milícias sem treinamento; tribos hostis aproveitaram a oportunidade para atacar colonos. A milícia retaliou com força, principalmente atacando os acampamentos de inverno das tribos Cheyenne e Arapaho, repletos de mulheres e crianças, no massacre de Sand Creek, no leste do Colorado, no final de 1864.

Kit Carson e o Exército dos EUA em 1864 encurralaram toda a tribo Navajo no Novo México, onde eles vinham atacando colonos, e os colocaram em uma reserva. Dentro do Território Indígena, agora Oklahoma, surgiram conflitos entre as Cinco Tribos Civilizadas, a maioria das quais se aliou ao Sul, sendo elas próprias proprietárias de escravos.

Em 1862, o Congresso promulgou duas leis importantes para facilitar a colonização do Oeste: a Lei de Terras (Homestead Act) e a Lei da Ferrovia do Pacífico (Pacific Railroad Act). O resultado, em 1890, foi a existência de milhões de novas fazendas nos estados das Grandes Planícies, muitas delas administradas por imigrantes recém-chegados da Alemanha e da Escandinávia.

OCIDENTE DO PÓS-GUERRA

Governança territorial após a Guerra Civil: Com o fim da guerra e a abolição da escravatura, o governo federal concentrou-se em melhorar a governação dos territórios. Subdividiu vários territórios, preparando-os para a condição de estado, seguindo os precedentes estabelecidos pela Ordenança do Noroeste de 1787. Padronizou os procedimentos e a supervisão dos governos territoriais, retirando alguns poderes locais e impondo muita burocracia, aumentando significativamente a burocracia federal.

O envolvimento federal nos territórios foi considerável. Além dos subsídios diretos, o governo federal mantinha postos militares, fornecia segurança contra ataques indígenas, financiava obrigações de tratados, realizava levantamentos e vendas de terras, construía estradas, mantinha escritórios de terras, fazia melhorias nos portos e subsidiava a entrega de correspondência terrestre. Os cidadãos territoriais passaram a denunciar o poder federal e a corrupção local e, ao mesmo tempo, lamentar que mais verbas federais não fossem enviadas para eles.

Os governadores territoriais eram nomeados políticos e deviam favores a Washington, por isso geralmente governavam com mão leve, permitindo que as legislaturas lidassem com as questões locais. Além de seu papel como governador civil, um governador territorial também era comandante da milícia, superintendente local de assuntos indígenas e o elo de ligação do estado com as agências federais. As legislaturas, por outro lado, falavam em nome dos cidadãos locais e recebiam considerável liberdade do governo federal para criar leis locais.

Essas melhorias na governança ainda deixavam muito espaço para o enriquecimento ilícito. Como escreveu Mark Twain enquanto trabalhava para seu irmão, o secretário de Nevada: "O governo do meu país despreza a simplicidade honesta, mas afaga a vilania artística, e acho que eu poderia ter me tornado um batedor de carteiras muito habilidoso se tivesse permanecido no serviço público por um ou dois anos." "Anéis territoriais", associações corruptas de políticos e empresários locais, sustentadas por favores federais, desviavam fundos de tribos nativas e cidadãos locais, especialmente nos territórios de Dakota e Novo México.

"A carroça coberta da Grande Migração para o Oeste. 1886 em Loup Valley, Nebraska." Uma família posa com a carroça na qual viviam e viajavam diariamente em busca de uma propriedade rural.

Sistema de terras federais: Na aquisição, preparação e distribuição de terras públicas para propriedade privada, o governo federal geralmente seguia o sistema estabelecido pela Lei de Terras de 1785. Equipes federais de exploração e científicas realizavam o reconhecimento da terra e determinavam a habitação dos nativos americanos. Por meio de tratados, os títulos de propriedade eram cedidos pelas tribos residentes. Em seguida, os agrimensores criavam mapas detalhados, marcando a terra em quadrados de seis milhas (10 km) de lado, subdivididos primeiro em blocos de uma milha quadrada e, em seguida, em lotes de 160 acres (0,65 km²). Os municípios eram formados a partir dos lotes e vendidos em leilão público. As terras não vendidas podiam ser compradas no escritório de terras a um preço mínimo de US$ 1,25 por acre.

Como parte da política pública, o governo concedia terras públicas a certos grupos, como veteranos, através do uso de "títulos de terras". Esses títulos eram negociados em um mercado financeiro, frequentemente a preços abaixo do mínimo de US$ 1,25 por acre estabelecido por lei, o que proporcionava a especuladores, investidores e incorporadores outra maneira de adquirir grandes extensões de terra a baixo custo. A política fundiária tornou-se politizada por facções e interesses concorrentes, e a questão da escravidão em novas terras era controversa. Como forma de combater os especuladores de terras, os agricultores formaram "clubes de reivindicação" para que pudessem comprar extensões maiores do que os lotes de 160 acres (0,65 km²) permitidos, negociando entre si a preços controlados.

Em 1862, o Congresso aprovou três projetos de lei importantes que transformaram o sistema fundiário. A Lei de Terras (Homestead Act) concedeu 160 acres (0,65 km²) gratuitamente a cada colono que cultivasse a terra por cinco anos; cidadãos e não cidadãos, incluindo posseiros e mulheres, eram todos elegíveis. O único custo era uma modesta taxa de inscrição. A lei foi especialmente importante na colonização dos estados das Planícies. Muitos receberam terras gratuitas e outros compraram suas terras das ferrovias a preços baixos.

A Lei da Ferrovia do Pacífico de 1862 destinou as terras necessárias para a construção da ferrovia transcontinental. As terras concedidas às ferrovias foram alternadas com lotes de propriedade do governo, reservados para distribuição gratuita a colonos. Para garantir equidade, o governo federal reduziu cada lote para 80 acres (32 hectares), devido ao seu valor percebido como mais alto em função da proximidade com a linha férrea. As ferrovias tinham até cinco anos para vender ou hipotecar suas terras, após a instalação dos trilhos, após os quais as terras não vendidas poderiam ser compradas por qualquer pessoa. Frequentemente, as ferrovias vendiam imediatamente parte das terras adquiridas pelo governo a colonos para incentivar o povoamento e o crescimento dos mercados que as ferrovias poderiam então atender. Na década de 1870, as ferrovias do Nebraska promoveram fortemente as terras ao longo de suas rotas. Elas enviaram agentes à Alemanha e à Escandinávia com pacotes que incluíam transporte barato para a família, bem como seus móveis e ferramentas agrícolas, e ofereciam crédito a longo prazo com juros baixos. Essa promoção teve sucesso em atrair famílias americanas e europeias aventureiras para o Nebraska, ajudando-as a comprar lotes de terras concedidas em boas condições. O preço de venda dependia de fatores como a qualidade do solo, a água e a distância da ferrovia.

A Lei Morrill de 1862 concedeu terras aos estados para a criação de faculdades de agricultura e artes mecânicas (engenharia). As faculdades negras tornaram-se elegíveis para essas concessões de terras em 1890. A Lei alcançou seus objetivos de abrir novas universidades e tornar a agricultura mais científica e lucrativa.

ferrovias transcontinentais: Na década de 1850, o governo dos EUA patrocinou levantamentos que mapearam as regiões inexploradas restantes do Oeste, a fim de planejar possíveis rotas para uma ferrovia transcontinental. Grande parte desse trabalho foi realizado pelo Corpo de Engenheiros, Corpo de Engenheiros Topográficos e Escritório de Explorações e Levantamentos, e ficou conhecido como "O Grande Reconhecimento". O regionalismo animou debates no Congresso sobre a escolha de uma rota norte, central ou sul. Os requisitos de engenharia para a rota ferroviária eram um suprimento adequado de água e madeira e uma rota o mais plana possível, considerando as fragilidades das locomotivas da época.

As propostas para a construção de uma ferrovia transcontinental fracassaram devido a disputas no Congresso sobre a escravidão. Com a secessão dos estados confederados em 1861, os modernizadores do Partido Republicano assumiram o controle do Congresso e queriam uma linha ligando-a à Califórnia. Empresas privadas deveriam construir e operar a linha. A construção seria feita por trabalhadores não qualificados que viveriam em acampamentos temporários ao longo do caminho. Imigrantes da China e da Irlanda realizaram a maior parte do trabalho de construção. Theodore Judah, o engenheiro-chefe da Central Pacific, fez o levantamento da rota de São Francisco para o leste. Os incansáveis esforços de lobby de Judah em Washington foram em grande parte responsáveis pela aprovação da Lei da Ferrovia do Pacífico de 1862, que autorizou a construção tanto da Central Pacific quanto da Union Pacific (que construiu a oeste de Omaha). Em 1862, quatro ricos comerciantes de São Francisco (Leland Stanford, Collis Huntington, Charles Crocker e Mark Hopkins) assumiram o comando, com Crocker encarregado da construção. A linha férrea foi concluída em maio de 1869. As viagens de passageiros de costa a costa em 8 dias substituíram as caravanas de carroças ou as viagens marítimas que levavam de 6 a 10 meses e custavam muito mais.

A ferrovia foi construída com hipotecas de Nova York, Boston e Londres, garantidas por concessões de terras. Não houve subsídios federais em dinheiro, mas houve um empréstimo para a Central Pacific que foi eventualmente pago com juros de seis por cento. O governo federal ofereceu concessões de terras em um padrão quadriculado. A ferrovia vendeu um quadrado sim, um quadrado não, e o governo abriu sua metade para colonos. O governo também emprestou dinheiro — posteriormente pago — a US$ 16.000 por milha em trechos planos e de US$ 32.000 a US$ 48.000 em terrenos montanhosos. Governos locais e estaduais também auxiliaram no financiamento.

A maioria dos trabalhadores braçais da Central Pacific eram recém-chegados da China. Kraus mostra como esses homens viviam e trabalhavam, e como administravam seu dinheiro. Ele conclui que os altos funcionários perceberam rapidamente o alto grau de limpeza e confiabilidade dos chineses. A Central Pacific empregava mais de 12.000 trabalhadores chineses, 90% de sua força de trabalho braçal. Ong explora se os trabalhadores ferroviários chineses eram ou não explorados pela ferrovia, com os brancos em melhores posições. Ele descobre que a ferrovia estabelecia taxas salariais diferentes para brancos e chineses e utilizava estes últimos nos trabalhos mais servis e perigosos, como o manuseio e o despejo de nitroglicerina. No entanto, a ferrovia também fornecia acampamentos e alimentos que os chineses desejavam e protegia os trabalhadores chineses de ameaças dos brancos.

A construção da ferrovia exigiu seis atividades principais: levantamento topográfico da rota, detonação da faixa de domínio, construção de túneis e pontes, limpeza e assentamento do leito ferroviário, assentamento dos dormentes e trilhos, e manutenção e fornecimento de alimentos e ferramentas para as equipes. O trabalho era extremamente físico, utilizando arados e raspadores puxados por cavalos, além de picaretas, machados, marretas e carrinhos de mão manuais. Algumas máquinas a vapor, como escavadeiras, também foram utilizadas. Os trilhos eram de ferro (o aço surgiu alguns anos depois), pesavam 320 kg e exigiam cinco homens para serem levantados. Para as detonações, utilizavam pólvora negra. As equipes de construção da Union Pacific, em sua maioria irlandesas-americanas, construíam em média cerca de 3 km de novos trilhos por dia.

Seis ferrovias transcontinentais foram construídas na Era Dourada (mais duas no Canadá), abrindo o Oeste para agricultores e pecuaristas. De norte a sul, eram a Northern Pacific, a Milwaukee Road e a Great Northern ao longo da fronteira Canadá-EUA; a Union Pacific/Central Pacific no meio; e ao sul, a Santa Fe e a Southern Pacific. Todas, com exceção da Great Northern de James J. Hill, dependiam de concessões de terras. As histórias financeiras eram frequentemente complexas. Por exemplo, a Northern Pacific recebeu sua principal concessão de terras em 1864. O financista Jay Cooke (1821-1905) esteve no comando até 1873, quando faliu. Os tribunais federais, no entanto, mantiveram as ferrovias falidas em operação. Em 1881, Henry Villard (1835-1900) assumiu o controle e finalmente concluiu a linha até Seattle. Mas a ferrovia faliu durante o Pânico de 1893 e Hill a assumiu. Ele então fundiu várias linhas com financiamento de JP Morgan, mas o presidente Theodore Roosevelt as desfez em 1904.

No primeiro ano de operação, 1869-70, 150.000 passageiros fizeram a longa viagem. Os colonos foram incentivados com promoções a virem para o Oeste em viagens de reconhecimento gratuitas para comprar terras ferroviárias em condições facilitadas, parceladas em vários anos. As ferrovias tinham "Escritórios de Imigração" que anunciavam pacotes de baixo custo, incluindo passagem e terras em condições facilitadas para agricultores na Alemanha e na Escandinávia. As pradarias, prometiam-lhes, não significavam trabalho árduo, porque "estabelecer-se na pradaria, que está pronta para o arado, é diferente de mergulhar em uma região coberta de floresta". Os colonos eram clientes das ferrovias, enviando suas colheitas e gado e trazendo produtos manufaturados. Todos os fabricantes se beneficiaram dos custos de transporte mais baixos e do raio de negócios muito maior.

White conclui com um veredicto misto. As ferrovias transcontinentais abriram o Oeste para a colonização, trouxeram milhares de trabalhadores e gerentes altamente qualificados e bem remunerados, criaram milhares de cidades, orientaram a nação em um eixo leste-oeste e provaram ser extremamente valiosas para o país como um todo. Por outro lado, muitas foram construídas, e muito antes da demanda real. O resultado foi uma bolha que causou grandes prejuízos aos investidores e levou a práticas de gestão deficientes. Em contraste, como White observa, as linhas no Centro-Oeste e no Leste, sustentadas por uma base populacional muito grande, fomentaram a agricultura, a indústria e a mineração, gerando lucros estáveis e recebendo poucos benefícios governamentais.

Migração após a Guerra Civil: Após a Guerra Civil, muitos da Costa Leste e da Europa foram atraídos para o oeste por relatos de parentes e por extensas campanhas publicitárias que prometiam "as melhores terras das pradarias", "preços baixos", "grandes descontos para pagamento à vista" e "condições melhores do que nunca!". As novas ferrovias proporcionaram aos migrantes a oportunidade de ir e dar uma olhada, com bilhetes familiares especiais, cujo custo podia ser abatido na compra de terras oferecidas pelas ferrovias. Cultivar as planícies era de fato mais difícil do que no leste. O manejo da água era mais crítico, os incêndios causados por raios eram mais frequentes, o clima era mais extremo e as chuvas menos previsíveis.

Os medrosos ficaram em casa. Os migrantes de fato olharam além dos medos do desconhecido. Sua principal motivação para se mudarem para o oeste era encontrar uma vida econômica melhor do que a que tinham. Os agricultores buscavam terras maiores, mais baratas e mais férteis; os comerciantes e negociantes buscavam novos clientes e novas oportunidades de liderança. Os trabalhadores queriam empregos mais bem remunerados e melhores condições. À medida que os colonos se mudavam para o oeste, tinham que enfrentar desafios ao longo do caminho, como a falta de madeira para construção de casas, o mau tempo, como nevascas e secas, e tornados temíveis. Nas pradarias sem árvores, os colonos construíam casas de barro. Uma das maiores pragas que atingiram os colonos foi a Praga de Gafanhotos de 1874, que devastou as Grandes Planícies. Esses desafios fortaleceram esses colonos na tarefa de domar a fronteira.

Compra do Alasca: Após a derrota da Rússia na Guerra da Crimeia, o czar Alexandre II decidiu vender o território russo-americano do Alasca aos Estados Unidos. A decisão foi motivada em parte pela necessidade de recursos financeiros e em parte pelo reconhecimento, por parte do Estado russo, de que a Grã-Bretanha poderia facilmente capturar o Alasca em qualquer conflito futuro entre as duas nações. O secretário de Estado americano, William Seward, negociou com os russos a aquisição da vasta extensão territorial do Alasca, uma área aproximadamente um quinto do restante dos Estados Unidos. Em 30 de março de 1867, os EUA compraram o território dos russos por US$ 7,2 milhões (equivalente a US$ 162 milhões em valores de 2024). A cerimônia de transferência foi concluída em Sitka, em 18 de outubro de 1867, quando soldados russos entregaram o território ao Exército dos Estados Unidos.

Seward e outros defensores da Compra do Alasca pretendiam continuar adquirindo território na fronteira norte, com compras de regiões árticas como a Groenlândia, potencialmente culminando em uma anexação do Canadá ou, após a Confederação de 1867, pelo menos das regiões ocidentais que ainda não haviam se juntado ao Canadá. Os críticos da época condenaram a compra como "a loucura de Seward", argumentando que não havia recursos naturais no novo território e ninguém se daria ao trabalho de viver em um clima tão frio e gélido. Embora o desenvolvimento e o povoamento do Alasca tenham crescido lentamente, a descoberta de campos auríferos durante a Corrida do Ouro de Klondike em 1896, a Corrida do Ouro de Nome em 1898 e a Corrida do Ouro de Fairbanks em 1902 trouxeram milhares de mineiros para o território, impulsionando assim a prosperidade do Alasca nas décadas seguintes. Grandes descobertas de petróleo no final do século XX enriqueceram o estado.

Corrida pela terra de Oklahoma: Em 1889, Washington abriu 2.000.000 acres (8.100 km²) de terras desocupadas no território de Oklahoma. Em 22 de abril, mais de 100.000 colonos e criadores de gado (conhecidos como "boomers") alinharam-se na fronteira e, quando os tiros e cornetas do exército deram o sinal, iniciaram uma corrida desenfreada para reivindicar suas terras na Corrida pela Terra de 1889. Uma testemunha escreveu: "Os cavaleiros levaram a melhor desde o início. Foi uma bela corrida por alguns minutos, mas logo os cavaleiros começaram a se espalhar como um leque e, quando alcançaram o horizonte, estavam dispersos até onde a vista alcançava". Em um único dia, as cidades de Oklahoma City, Norman e Guthrie surgiram. Da mesma forma, milhões de acres de terras adicionais foram abertos e colonizados nos quatro anos seguintes.

Guerras Indígenas: Guerras indígenas ocorreram em todo os Estados Unidos, embora os conflitos sejam geralmente separados em duas categorias: as guerras indígenas a leste do rio Mississippi e as guerras indígenas a oeste do Mississippi. O Departamento do Censo dos EUA (1894) forneceu uma estimativa de mortes:

“As guerras "indígenas" sob o governo dos Estados Unidos somaram mais de 40. Custaram a vida de cerca de 19.000 homens, mulheres e crianças brancas, incluindo os mortos em combates individuais, e a vida de cerca de 30.000 indígenas. O número real de indígenas mortos e feridos deve ser muito maior do que o apresentado... Cinquenta por cento a mais seria uma estimativa segura...”

Retrato de Touro Sentado por David Francis Barry em 1885.

O historiador Russell Thornton estima que, de 1800 a 1890, a população nativa diminuiu de 600.000 para apenas 250.000. O despovoamento foi causado principalmente pela varíola e outras doenças infecciosas. Muitas tribos no Texas, como os Karankawan, Akokisa, Bidui e outras, foram extintas devido a conflitos com colonos texanos. O rápido despovoamento dos nativos americanos após a Guerra Civil alarmou o governo dos EUA, e o Comitê Doolittle foi formado para investigar as causas e fornecer recomendações para a preservação da população. As soluções apresentadas pelo comitê, como o estabelecimento dos cinco conselhos de inspeção para prevenir abusos contra os nativos, tiveram pouco efeito, pois a grande migração para o Oeste teve início.

Guerras indígenas a leste do Mississippi: Comerciantes britânicos e agentes governamentais começaram a fornecer armas aos indígenas que viviam nos Estados Unidos após a Revolução (1783-1812), na esperança de que, se uma guerra eclodisse, eles lutassem ao lado dos britânicos. Os britânicos também planejaram estabelecer uma nação indígena na área de Ohio-Wisconsin para bloquear a expansão americana. Os EUA protestaram e declararam guerra em 1812. A maioria das tribos indígenas apoiou os britânicos, especialmente aquelas aliadas a Tecumseh, mas foram derrotadas pelo General William Henry Harrison. Muitos refugiados das tribos derrotadas atravessaram a fronteira para o Canadá; aqueles no Sul foram para a Flórida, enquanto esta estava sob controle espanhol, no Vice-Reino da Nova Espanha. Depois que os EUA compraram a Flórida da Espanha, pagaram aos indígenas locais para se mudarem para o Território Indígena (Oklahoma), e a maioria o fez. No entanto, as Guerras Seminoles consistiram em uma série de operações militares contra várias centenas de guerreiros Seminoles do outro lado da fronteira, que se recusaram a abandonar seus túmulos ancestrais. Tratava-se de emboscadas e ataques em áreas pantanosas e terminou na região da fronteira em 1842. O conflito arrastou-se por anos, recebeu ampla cobertura jornalística e ajudou a moldar a identidade sulista.

Guerras Indígenas a oeste do Mississippi: Os guerreiros nativos do Oeste, usando seu estilo tradicional de guerra limitada e orientada para o combate, confrontaram o Exército dos EUA. Os nativos enfatizavam a bravura em combate, enquanto o Exército priorizava não tanto o combate individual, mas a construção de redes de fortes, o desenvolvimento de um sistema logístico e o uso do telégrafo e das ferrovias para coordenar e concentrar suas forças. A guerra intertribal dos índios das planícies não tinha semelhança alguma com a guerra "moderna" praticada pelos americanos nos moldes europeus, que aproveitavam suas vastas vantagens em população e recursos. Muitas tribos evitaram a guerra e outras apoiaram o Exército dos EUA. As tribos hostis ao governo continuaram a seguir seu estilo tradicional de luta e, portanto, não conseguiram obter nenhum sucesso permanente contra o Exército.

As guerras indígenas foram travadas em todas as regiões do oeste, com mais conflitos nos estados fronteiriços com o México do que nos estados do interior. O Arizona ocupou o primeiro lugar, com 310 batalhas conhecidas travadas dentro das fronteiras do estado entre americanos e nativos. O Arizona também registrou o maior número de mortes em guerras, com 4.340 mortos, incluindo soldados, civis e nativos americanos. Esse número foi mais que o dobro do registrado no Texas, o segundo estado com maior número de mortes. A maioria das mortes no Arizona foi causada pelos APACHES. Michno também afirma que 51% das batalhas das guerras indígenas entre 1850 e 1890 ocorreram no Arizona, Texas e Novo México, assim como 37% das baixas no condado a oeste do rio Mississippi. Os Comanches travaram diversos conflitos contra os exércitos espanhóis e, posteriormente, mexicanos e americanos. O poder dos comanches atingiu o auge na década de 1840, quando realizaram ataques em grande escala a centenas de quilômetros no México propriamente dito, enquanto também guerreavam contra os anglo-americanos e tejanos que haviam se estabelecido no Texas independente.

Uma das guerras indígenas mais sangrentas foi a Guerra da Serpente, travada entre 1864 e 1868, por uma confederação de nativos americanos das tribos Paiute, Bannock e Shoshone do Norte, chamados de "Índios da Serpente", contra o Exército dos Estados Unidos nos estados de Oregon, Nevada, Califórnia e Idaho, ao longo do Rio Snake. A guerra começou quando surgiu a tensão entre os nativos locais e as caravanas de pioneiros que inundavam suas terras, resultando em competição por alimentos e recursos. Os nativos incluídos nesse grupo atacaram e hostilizaram grupos de emigrantes e mineiros que cruzavam o Vale do Rio Snake, o que resultou em mais represálias dos assentamentos brancos e na intervenção do exército dos Estados Unidos. A guerra resultou em um total de 1.762 homens mortos, feridos e capturados de ambos os lados. Ao contrário de outras guerras indígenas, a Guerra da Serpente foi amplamente esquecida na história dos Estados Unidos devido à cobertura limitada que recebeu.

A Guerra do Colorado, travada pelos Cheyenne, Arapaho e Sioux, ocorreu nos territórios do Colorado ao Nebraska. O conflito se deu entre 1863 e 1865, enquanto a Guerra Civil Americana ainda estava em curso. Causada pela dissolução das relações entre os nativos e os colonos brancos na região, a guerra ficou tristemente famosa pelas atrocidades cometidas entre os dois lados. Milícias brancas destruíram aldeias indígenas e assassinaram mulheres e crianças nativas, como no sangrento massacre de Sand Creek, e os nativos também atacaram fazendas e ranchos, matando famílias brancas, como no massacre do American Ranch e no ataque ao Godfrey Ranch.

Nas Guerras Apache, o Coronel Christopher "Kit" Carson forçou os Apaches Mescalero a se refugiarem em uma reserva em 1862. Em 1863-1864, Carson utilizou uma política de terra arrasada na Campanha Navajo, queimando campos e casas Navajo e capturando ou matando seu gado. Ele foi auxiliado por outras tribos nativas com antiga inimizade contra os Navajos, principalmente os Utes. Outro conflito proeminente desta guerra foi a luta de Geronimo contra os assentamentos no Texas na década de 1880. Os Apaches sob seu comando realizaram emboscadas contra a cavalaria e fortes dos EUA, como o ataque a Cibecue Creek, além de atacarem fazendas e ranchos importantes, como o infame ataque ao Empire Ranch, que matou três vaqueiros. Os EUA finalmente induziram o último grupo Apache hostil sob o comando de Geronimo a se render em 1886.

Durante a Campanha Comanche, a Guerra do Rio Vermelho foi travada entre 1874 e 1875 em resposta à diminuição do suprimento de búfalos dos Comanches, bem como à recusa de algumas tribos em serem incorporadas às reservas. Os Comanches começaram a atacar pequenos assentamentos no Texas, o que levou à Batalha de Buffalo Wallow e à Segunda Batalha de Adobe Walls, travadas por caçadores de búfalos, e à Batalha de Lost Valley contra os Rangers do Texas. A guerra finalmente terminou com um confronto final entre os Comanches e a Cavalaria dos EUA no Cânion Palo Duro. O último chefe de guerra Comanche, Quanah Parker, rendeu-se em junho de 1875, o que finalmente encerraria as guerras travadas entre texanos e nativos.

A Guerra de Nuvem Vermelha foi liderada pelo chefe Lakota Nuvem Vermelha contra os militares que estavam erguendo fortes ao longo da Trilha Bozeman. Foi a campanha mais bem-sucedida contra os EUA durante as Guerras Indígenas. Pelo Tratado de Fort Laramie (1868), os EUA concederam uma grande reserva aos Lakota, sem presença militar; ela incluía toda a região das Colinas Negras. O Capitão Jack era um chefe da tribo indígena Modoc da Califórnia e Oregon, e foi seu líder durante a Guerra Modoc. Com 53 guerreiros Modoc, o Capitão Jack resistiu a 1.000 homens do Exército dos EUA por sete meses. O Capitão Jack matou Edward Canby.

Em junho de 1877, na Guerra Nez Perce, os Nez Perce, sob o comando do Chefe Joseph, não querendo abrir mão de suas terras tradicionais e se mudar para uma reserva, empreenderam uma retirada de 2.000 km (1.200 milhas) do Oregon até perto da fronteira entre o Canadá e os EUA, em Montana. Com apenas 200 guerreiros, os Nez Perce "lutaram contra cerca de 2.000 soldados regulares e voluntários americanos de diferentes unidades militares, juntamente com seus auxiliares nativos de muitas tribos, em um total de dezoito confrontos, incluindo quatro grandes batalhas e pelo menos quatro escaramuças ferozmente disputadas". Os Nez Perce foram finalmente cercados na Batalha de Bear Paw e se renderam. A Grande Guerra Sioux de 1876 foi conduzida pelos Lakota sob o comando de Touro Sentado e Cavalo Louco. O conflito começou após repetidas violações do Tratado de Fort Laramie (1868), uma vez que ouro foi descoberto nas colinas. Uma de suas batalhas famosas foi a Batalha de Little Bighorn, na qual as forças combinadas dos Sioux e Cheyenne derrotaram o 7º Regimento de Cavalaria, liderado pelo General George Armstrong Custer. A Guerra Ute, travada pelo povo Ute contra colonos em Utah e Colorado, levou a duas batalhas: o massacre de Meeker, que matou 11 agentes nativos, e o massacre de Pinhook, que matou 13 fazendeiros e vaqueiros armados. Os conflitos Ute finalmente terminaram após os eventos da Guerra de Posey em 1923, que foi travada contra colonos e forças da lei.

O fim das principais guerras indígenas ocorreu com o massacre de Wounded Knee em 29 de dezembro de 1890, onde o 7º Regimento de Cavalaria tentou desarmar um homem Sioux e precipitou um massacre no qual cerca de 150 homens, mulheres e crianças Sioux foram mortos. Apenas treze dias antes, Touro Sentado havia sido morto com seu filho Pé de Corvo em um tiroteio com um grupo de policiais nativos que havia sido enviado pelo governo americano para prendê-lo. Outros conflitos e incidentes, como a Guerra de Bluff (1914–1915) e a Guerra de Posey, ocorreriam até o início da década de 1920. O último confronto armado entre soldados do Exército dos EUA e nativos americanos, no entanto, ocorreu na Batalha de Bear Valley em 9 de janeiro de 1918.

Fortes e postos avançados: À medida que a fronteira avançava para oeste, o estabelecimento de fortes militares dos EUA acompanhava esse avanço, representando e mantendo a soberania federal sobre os novos territórios. As guarnições militares geralmente não possuíam muralhas defensáveis, mas raramente eram atacadas. Serviam como bases para tropas em ou perto de áreas estratégicas, particularmente para neutralizar a presença indígena. Por exemplo, o Forte Bowie protegia o Apache Pass, no sul do Arizona, ao longo da rota de correio entre Tucson e El Paso, e era usado para lançar ataques contra Cochise e Geronimo. O Forte Laramie e o Forte Kearny ajudavam a proteger os imigrantes que cruzavam as Grandes Planícies, e uma série de postos na Califórnia protegia os mineiros. Fortes foram construídos para lançar ataques contra os Sioux. À medida que as reservas indígenas surgiam, os militares estabeleciam fortes para protegê-las. Os fortes também protegiam a Union Pacific e outras linhas ferroviárias. Outros fortes importantes foram Fort Sill, em Oklahoma; Fort Smith, no Arkansas; Fort Snelling, em Minnesota; Fort Union, no Novo México; Fort Worth, no Texas; e Fort Walla Walla, em Washington. Fort Omaha, no Nebraska, abrigava o Departamento do Rio Platte e foi responsável por equipar a maioria dos postos do Oeste por mais de 20 anos após sua fundação no final da década de 1870. Fort Huachuca, no Arizona, também era originalmente um posto de fronteira e ainda é utilizado pelo Exército dos Estados Unidos.

Reserva indígena: Os colonos a caminho de Oregon e Califórnia por terra tornaram-se alvos de ameaças indígenas. Robert L. Munkres leu 66 diários de grupos que viajaram pela Trilha do Oregon entre 1834 e 1860 para estimar os perigos reais que enfrentaram devido a ataques indígenas em Nebraska e Wyoming. A grande maioria dos diaristas não relatou nenhum ataque armado. No entanto, muitos relataram assédio por parte de indígenas que imploravam ou exigiam pedágios e roubavam cavalos e gado. Madsen relata que as tribos Shoshoni e Bannock, ao norte e oeste de Utah, eram mais agressivas em relação às caravanas de carroças. O governo federal tentou reduzir as tensões e criar novas fronteiras tribais nas Grandes Planícies com dois novos tratados no início de 1850. O Tratado de Fort Laramie estabeleceu zonas tribais para os Sioux, Cheyennes, Arapahos, Crows e outros, e permitiu a construção de estradas e postos através das terras tribais. Um segundo tratado garantiu a passagem segura ao longo da Trilha de Santa Fé para caravanas de carroças. Em troca, as tribos receberiam, durante dez anos, compensação anual por danos causados pelos migrantes. Os territórios do Kansas e do Nebraska também se tornaram áreas de disputa, pois o governo federal buscava essas terras para a futura ferrovia transcontinental. No Extremo Oeste, colonos começaram a ocupar terras no Oregon e na Califórnia antes que o governo federal obtivesse a titularidade das tribos nativas, causando considerável atrito. Em Utah, os mórmons também se instalaram antes que a propriedade federal fosse obtida.

Uma nova política de estabelecimento de reservas indígenas foi gradualmente se consolidando após o início do desrespeito às fronteiras do "Território Indígena". Ao criar reservas indígenas, o Congresso e o Escritório de Assuntos Indígenas esperavam destribalizar os nativos americanos e prepará-los para a integração com o restante da sociedade americana, a "incorporação final ao grande corpo de nossa população cidadã". Isso permitiu o desenvolvimento de dezenas de cidades ribeirinhas ao longo do rio Missouri, no novo Território de Nebraska, que foi formado a partir do restante da Compra da Louisiana após a Lei Kansas-Nebraska. Cidades pioneiras influentes incluíam Omaha, Nebraska City e St. Joseph.

As atitudes dos americanos em relação aos nativos durante esse período variaram da malevolência ("o único índio bom é um índio morto") ao humanitarismo equivocado (os índios vivem em sociedades "inferiores" e, por meio da assimilação à sociedade branca, podem ser redimidos) a uma visão um tanto realista (nativos americanos e colonos poderiam coexistir em sociedades separadas, mas iguais, dividindo as terras restantes do oeste). Lidar com tribos nômades complicou a estratégia de reservas e o poder tribal descentralizado dificultou a celebração de tratados entre os índios das planícies. Conflitos eclodiram na década de 1850, resultando em várias guerras indígenas. Nesses tempos de conflito, os nativos tornaram-se mais rigorosos quanto à entrada de homens brancos em seu território. Como no caso de Oliver Loving, eles às vezes atacavam vaqueiros e seu gado se fossem pegos cruzando as fronteiras de suas terras. Eles também atacavam o gado se a comida fosse escassa em tempos difíceis. No entanto, a relação entre os cowboys e os nativos americanos era mais mútua do que é retratada, e os primeiros ocasionalmente pagavam uma multa de 10 centavos por vaca para que os últimos pudessem viajar por suas terras. Os nativos também atacavam as diligências que viajavam na fronteira, roubando seus cavalos e objetos de valor.

Após a Guerra Civil, com a dissolução dos exércitos de voluntários, os regimentos de cavalaria do exército regular aumentaram de seis para dez, entre eles o 7º Regimento de Cavalaria dos EUA de Custer , famoso pela Batalha de Little Bighorn, e o 9º e o 10º Regimentos de Cavalaria dos EUA, compostos por soldados AFRO-AMERICANOS. As unidades negras, juntamente com outras (tanto de cavalaria quanto de infantaria), ficaram conhecidas coletivamente como os Soldados Búfalo. Segundo Robert M. Utley:

“O exército da fronteira era uma força militar convencional que tentava controlar, por métodos militares convencionais, um povo que não se comportava como inimigos convencionais e, na verdade, muitas vezes nem sequer eram inimigos. Esta é a mais difícil de todas as missões militares, seja em África, na Ásia ou no Oeste americano.”

HISTÓRIA SOCIAL

Charge pró-sufrágio de Hy Mayer, americano, publicada na revista Puck em 20 de fevereiro de 1915. Uma sufragista segura uma tocha sobre os estados do Oeste onde as mulheres podiam votar, fazendo um gesto de apoio às mulheres em luta no Leste e no Sul, onde o voto era proibido.

Sociedade democrática: Os habitantes do Oeste orgulhavam-se da sua liderança no movimento pela democracia e igualdade, um tema central para Frederick Jackson Turner. Os novos estados de Kentucky, Tennessee, Alabama e Ohio eram mais democráticos do que os estados originais do Leste em termos de política e sociedade. Os estados do Oeste foram os primeiros a conceder às mulheres o direito de voto. Por volta de 1900, o Oeste, especialmente a Califórnia e o Oregon, liderava o movimento progressista.

Estudiosos examinaram a história social do oeste em busca do caráter americano. A história do Kansas, argumentou o historiador Carl L. Becker há um século, reflete os ideais americanos. Ele escreveu: "O espírito do Kansas é o espírito americano duplamente destilado. É um novo produto enxertado do individualismo americano, do idealismo americano, da intolerância americana. O Kansas é a América em microcosmo."

fronteira urbana: As cidades desempenharam um papel essencial no desenvolvimento da fronteira, como centros de transporte, centros financeiros e de comunicação, e fornecedoras de mercadorias, serviços e entretenimento. À medida que as ferrovias avançavam para oeste no território desabitado após 1860, construíram cidades de apoio para atender às necessidades das equipes de construção ferroviária, das equipes de trem e dos passageiros que faziam refeições nas paradas programadas. Na maior parte do Sul, havia pouquíssimas cidades de tamanho considerável por quilômetros ao redor, e esse padrão se manteve também no Texas, de modo que as ferrovias só chegaram na década de 1880. Elas então transportavam o gado e as conduções de gado tornaram-se eventos de curta distância. No entanto, os trens de passageiros eram frequentemente alvos de gangues armadas.

Antes de 1870, a economia de Denver estava enraizada na mineração; depois, cresceu expandindo seu papel nas ferrovias, no comércio atacadista, na manufatura, no processamento de alimentos e no atendimento ao crescente interior agrícola e pecuário. Entre 1870 e 1890, a produção manufatureira saltou de US$ 600.000 para US$ 40 milhões, e a população cresceu 20 vezes, chegando a 107.000 habitantes. Denver sempre atraiu mineiros, trabalhadores, prostitutas e viajantes. Salões e casas de jogos surgiram da noite para o dia. Os líderes da cidade se orgulhavam de seus belos teatros, especialmente o Tabor Grand Opera House, construído em 1881. Em 1890, Denver havia se tornado a 26ª maior cidade da América e a quinta maior cidade a oeste do rio Mississippi. Os tempos de prosperidade atraíram milionários e suas mansões, bem como vigaristas, pobreza e crime. Denver ganhou notoriedade regional com sua variedade de bordéis, desde os suntuosos aposentos de madames renomadas até os miseráveis "berços" localizados a poucos quarteirões de distância. Os negócios iam bem; os visitantes gastavam generosamente e depois deixavam a cidade. Contanto que as madames conduzissem seus negócios discretamente e as "garotas dos becos" não anunciassem sua disponibilidade de forma muito grosseira, as autoridades aceitavam seus subornos e faziam vista grossa. Limpezas e repressões ocasionais satisfaziam as demandas por reforma.

Com sua gigantesca montanha de cobre, Butte, Montana, era o maior, mais rico e mais agitado acampamento de mineração da fronteira. Era um bastião étnico, com os católicos irlandeses controlando a política e os melhores empregos na principal corporação de mineração, a Anaconda Copper. Os defensores da cidade abriram uma biblioteca pública em 1894. Ring argumenta que a biblioteca era originalmente um mecanismo de controle social, "um antídoto para a propensão dos mineiros à bebida, à prostituição e ao jogo". Também foi projetada para promover valores da classe média e convencer os habitantes do leste de que Butte era uma cidade culta.

RAÇA E ETNIA

Imigrantes europeus: Os imigrantes europeus frequentemente construíram comunidades de origens religiosas e étnicas semelhantes. Por exemplo, muitos finlandeses foram para Minnesota e Michigan, suecos e noruegueses para Minnesota e as Dakotas, irlandeses para centros ferroviários ao longo das linhas transcontinentais, alemães do Volga para Dakota do Norte, ingleses convertidos à Igreja SUD foram para Utah, incluindo imigrantes ingleses que se estabeleceram nos estados das Montanhas Rochosas (Colorado, Wyoming e Idaho) e judeus alemães para Portland, Oregon.

Afro-americanos: Os afro-americanos migraram para o Oeste como soldados, bem como vaqueiros, trabalhadores rurais, funcionários de saloon, cozinheiros e foras da lei. Os Buffalo Soldiers eram soldados dos regimentos de cavalaria 9º e 10º, compostos exclusivamente por negros, e dos regimentos de infantaria 24º e 25º do Exército dos EUA. Eles tinham oficiais brancos e serviram em numerosos fortes do Oeste.

Este cartão-postal fotográfico apresenta o retrato de um cowboy no Início da década de 1900. O homem está sentado com as mãos na cintura. Ele usa chapéu, colete, camisa de mangas compridas, braceletes de couro nos pulsos, calças e perneiras de pele. Seu coldre está no colo e ele tem um cachecol amarrado no pescoço. Ele está olhando para a câmera. No verso do cartão-postal, a palavra [CARTÃO-POSTAL] está impressa na parte superior. As palavras [CORRESPONDÊNCIA] e [ENDEREÇO] dividem o verso em duas seções. A palavra [AZO] marca o local para o selo no canto superior direito. A palavra [AZO] se repete formando um quadrado com um triângulo em cada canto. As palavras [COLHER / SELO / AQUI] estão impressas dentro do quadrado. Não há inscrições, nem na frente nem no verso.

Cerca de 4.000 negros vieram para a Califórnia durante a Corrida do Ouro. Em 1879, após o fim da Reconstrução no Sul, vários milhares de libertos se mudaram dos estados do Sul para o Kansas. Conhecidos como Exodusters, eles foram atraídos pela perspectiva de terras boas e baratas sob a Lei de Terras (Homestead Law) e por um tratamento melhor. A cidade totalmente negra de Nicodemus, no Kansas, fundada em 1877, era um assentamento organizado que antecede os Exodusters, mas é frequentemente associado a eles.

Naquela época, nos Estados Unidos, as mulheres tinham POUCOS DIREITOS e geralmente eram confinadas à esfera doméstica. Mulheres negras e de outras minorias tinham ainda menos direitos e privilégios do que mulheres brancas. O número de mulheres negras documentadas que migraram para o Oeste durante os anos 1800 e início dos anos 1900 é pequeno, embora certamente estivessem presentes. Muitas trabalhavam como professoras nas planícies, enquanto outras eram domadoras de cavalos, parteiras, empresárias, donas de bares, enfermeiras e carteiras. As mulheres negras ainda enfrentavam PRECONCEITO RACIAL e de GÊNERO, mas muitas vezes tinham mais liberdades do que teriam no Leste, devido à natureza nova e diversa da fronteira americana.

Mulheres negras importantes no Oeste americano são frequentemente esquecidas. Mary Fields, comumente chamada de "Mary da Diligência" ou "Mary Negra", foi uma mulher negra que trilhou seu próprio caminho no Oeste. Ela foi escravizada no Tennessee e depois se mudou para o Oeste, onde trabalhou como carteira, dona de bar e proprietária de um bordel em Miles City, Montana. Conhecida por sua grande estatura e natureza forte, Fields desafiou estereótipos comuns de gênero e raça por meio de seu comportamento e seus empreendimentos comerciais. Clara Brown, ou "Tia Clara", é outro exemplo de uma mulher negra que trilhou seu próprio caminho nesta região. Brown chegou ao Colorado e, com suas estratégias frugais, começou lentamente a adquirir terras e capital perto de Central City e Denver. Ela era conhecida por ser muito gentil e filantrópica, e frequentemente alimentava mineiros necessitados e abria sua casa para aqueles menos afortunados do que ela. Infelizmente, a história de Clara não termina bem, pois ela perdeu quase todas as suas propriedades quando uma enchente destruiu seus registros de terras e ela não pôde mais comprovar a propriedade.

Mary Ellen Pleasant, também conhecida como "Mammy Pleas" ou o "Anjo do Oeste", é outra figura feminina negra importante da região. Pleasant era conhecida por cuidar de homens, mulheres e crianças com problemas em sua área. Ela criou refúgios seguros para MULHERES ABUSADAS, algo raro na região na época. Desafiando estereótipos de gênero e raciais, Pleasant não se limitou à esfera doméstica ou apenas ao cuidado com os outros. Ela também foi empresária, ativista dos direitos civis e milionária por conta própria na Califórnia durante a época da Corrida do Ouro.

Asiáticos: A corrida do ouro na Califórnia incluiu milhares de imigrantes mexicanos e chineses. Os migrantes chineses, muitos dos quais camponeses pobres, constituíram a maior parte da força de trabalho para a construção do trecho da ferrovia transcontinental pertencente à Central Pacific. A maioria deles retornou para casa por volta de 1870, quando a ferrovia foi concluída. Os que permaneceram trabalharam na mineração, na agricultura e abriram pequenos comércios, como mercearias, lavanderias e restaurantes. A hostilidade contra os chineses permaneceu alta nos estados/territórios do oeste, como demonstrado pelo episódio do Massacre Chinês em Cove e pelo massacre de Rock Springs. Os chineses foram geralmente forçados a viver em "Chinatowns" autossuficientes em cidades como São Francisco, Portland, Seattle e Los Angeles. Em Los Angeles, o último grande motim antichinês ocorreu em 1871, após o qual a aplicação da lei local se intensificou. No final do século XIX, as Chinatown eram favelas miseráveis conhecidas pelos seus vícios, prostituição, drogas e batalhas violentas entre "tongs". Na década de 1930, no entanto, as Chinatown tornaram-se destinos turísticos limpos, seguros e atraentes.

Mulher chinesa: De Retratos de um homem e uma mulher chineses. Retrato tirado na década de 1870.

Os primeiros japoneses chegaram aos EUA em 1869, com a chegada de 22 pessoas de famílias samurais, que se estabeleceram no Condado de Placer, na Califórnia, para fundar a Colônia de Chá e Seda de Wakamatsu. Os japoneses foram recrutados para trabalhar em plantações no Havaí a partir de 1885. No final do século XIX, mais japoneses emigraram para o Havaí e para o continente americano. Os Issei, ou imigrantes japoneses de primeira geração, não tinham permissão para se tornarem cidadãos americanos porque não eram considerados "pessoas brancas livres", de acordo com a Lei de Naturalização dos Estados Unidos de 1790. Isso só mudou com a aprovação da Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952 , conhecida como Lei McCarran-Walter, que permitiu que os imigrantes japoneses se naturalizassem cidadãos americanos.

Em 1920, os agricultores nipo-americanos produziram US$ 67 milhões em colheitas, mais de dez por cento do valor total das colheitas da Califórnia. Havia 111.000 nipo-americanos nos EUA, dos quais 82.000 eram imigrantes e 29.000 eram nascidos nos EUA. O Congresso aprovou a Lei de Imigração de 1924, encerrando efetivamente toda a imigração japonesa para os EUA. Os filhos dos Issei nascidos nos EUA eram cidadãos, de acordo com a 14ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos.

Hispânico: A grande maioria dos hispânicos que viviam nos antigos territórios da Nova Espanha permaneceram e se tornaram cidadãos americanos em 1848. Os cerca de 10.000 californianos também se tornaram cidadãos americanos. Eles viviam no sul da Califórnia e, depois de 1880, foram ofuscados pelas centenas de milhares de novos imigrantes dos estados do leste. Os que estavam no Novo México dominavam cidades e vilas que pouco mudaram até o século XX. Novos imigrantes do México chegaram, especialmente depois que a Revolução de 1911 aterrorizou milhares de vilas em todo o México. A maioria dos refugiados foi para o Texas ou para a Califórnia, e logo surgiram bairros pobres em muitas cidades fronteiriças. O "Robin Hood" da Califórnia, Joaquin Murrieta, liderou um bando na década de 1850 que queimava casas, matava mineiros exploradores, roubava diligências de proprietários de terras e lutava contra a violência e a discriminação contra os latino-americanos. No Texas, Juan Cortina liderou uma campanha de 20 anos contra os anglo-americanos e os Rangers do Texas, começando por volta de 1859.

A Missão Xavier del Bac é um local impressionante, situado a cerca de 16 quilômetros ao sul de Tucson, no Arizona. O exterior é de um branco reluzente e o interior apresenta uma mistura de cores – definitivamente valeu a pena a visita a esta missão. Foto tirada por Frank Kovalchek em 23 de fevereiro de 2011, 11:57:47.

Vida familiar: Nas Grandes Planícies, muito poucos homens solteiros tentavam administrar uma fazenda ou rancho; os agricultores entendiam claramente a necessidade de uma esposa trabalhadora e de numerosos filhos para lidar com as muitas tarefas, incluindo a criação dos filhos, a alimentação e o vestuário da família, a administração dos trabalhos domésticos e a alimentação dos trabalhadores contratados. Durante os primeiros anos de colonização, as mulheres rurais desempenharam um papel fundamental na garantia da sobrevivência da família, trabalhando ao ar livre. Depois de uma geração ou mais, as mulheres deixaram cada vez mais os campos, redefinindo assim seus papéis dentro da família. Novas comodidades, como máquinas de costura e de lavar roupa, incentivaram as mulheres a se dedicarem a funções domésticas. O movimento de economia doméstica científica, promovido em todo o país pela mídia e por agentes de extensão governamentais, bem como feiras agropecuárias que apresentavam conquistas na culinária caseira e no enlatamento, colunas de conselhos para mulheres em jornais agrícolas e cursos de economia doméstica nas escolas, tudo isso contribuiu para essa tendência.

Embora a imagem oriental da vida rural nas pradarias enfatize o isolamento do agricultor solitário e da vida no campo, na realidade, os habitantes rurais criaram uma rica vida social para si mesmos. Eles frequentemente patrocinavam atividades que combinavam trabalho, comida e entretenimento, como mutirões de construção de celeiros, debulha de milho, encontros de costura, reuniões da Grange, atividades da igreja e eventos escolares. As mulheres organizavam refeições compartilhadas e eventos com comida de rua, bem como visitas prolongadas entre as famílias.

Infância: A infância na fronteira americana é um território contestado. Um grupo de estudiosos, seguindo a linha de pensamento das romancistas Willa Cather e Laura Ingalls Wilder, argumenta que o ambiente rural era benéfico para a educação da criança. Os historiadores Katherine Harris e Elliott West escrevem que a educação rural permitia que as crianças se libertassem das hierarquias urbanas de idade e gênero, promovia a interdependência familiar e, no final, produzia crianças mais autossuficientes, móveis, adaptáveis, responsáveis, independentes e mais conectadas com a natureza do que seus pares urbanos ou do leste. Por outro lado, as historiadoras Elizabeth Hampsten e Lillian Schlissel oferecem um retrato sombrio de solidão, privação, abuso e trabalho físico árduo desde tenra idade. Riney-Kehrberg adota uma posição intermediária.

Prostituição e jogos de azar: Empreendedores montaram lojas e negócios para atender aos mineiros. As casas de prostituição encontradas em todos os acampamentos de mineração do mundo eram mundialmente famosas. A prostituição era uma indústria em crescimento que atraía trabalhadoras sexuais de todo o mundo, seduzidas pelo dinheiro, apesar das duras e perigosas condições de trabalho e do baixo prestígio. Mulheres chinesas eram frequentemente vendidas por suas famílias e levadas para os acampamentos como prostitutas; elas tinham que enviar seus ganhos de volta para a família na China. Em Virginia City, Nevada, uma prostituta, Julia Bulette, foi uma das poucas que alcançou um status "respeitável". Ela cuidou de vítimas de uma epidemia de gripe; isso lhe deu aceitação na comunidade e o apoio do xerife. Os moradores da cidade ficaram chocados quando ela foi assassinada em 1867; eles lhe deram um funeral luxuoso e rapidamente julgaram e enforcaram seu agressor. Até a década de 1890, as donas de bordéis eram as principais responsáveis pelos negócios, depois disso os cafetões assumiram o controle e o tratamento das mulheres geralmente piorou. Não era incomum que os bordéis nas cidades do Oeste operassem abertamente, sem o estigma das cidades da Costa Leste. O jogo e a prostituição eram centrais na vida dessas cidades do Oeste, e somente mais tarde — com o aumento da população feminina, a chegada de reformadores e outras influências civilizadoras — a prostituição se tornou menos flagrante e menos comum. Depois de uma década ou mais, as cidades mineiras atraíram mulheres respeitáveis que administravam pensões, organizavam sociedades religiosas, trabalhavam como lavadeiras e costureiras e lutavam por independência.

Sempre que um novo assentamento ou acampamento de mineração surgia, um dos primeiros edifícios ou tendas erguidos era um salão de jogos. À medida que a população crescia, os salões de jogos eram tipicamente os maiores e mais ricamente decorados edifícios de qualquer cidade e frequentemente abrigavam um bar, palco para entretenimento e quartos de hotel para hóspedes. Esses estabelecimentos eram uma força motriz da economia local e muitas cidades mediam sua prosperidade pelo número de salões de jogos e jogadores profissionais que possuíam. Cidades que eram favoráveis ao jogo eram tipicamente conhecidas nos esportes como "bem acordadas" ou "de portas abertas". Cidades pecuárias no Texas, Oklahoma, Kansas e Nebraska tornaram-se centros famosos de jogos de azar. Os cowboys vinham acumulando seus salários e adiando seus prazeres até finalmente chegarem à cidade com dinheiro para apostar. Abilene, Dodge City, Wichita, Omaha e Kansas City tinham uma atmosfera propícia ao jogo. Tal atmosfera também atraía problemas e essas cidades também desenvolveram reputações de lugares sem lei e perigosos.

Lei e ordem: O historiador Waddy W. Moore usa registros judiciais para mostrar que, na fronteira pouco povoada do Arkansas, a ilegalidade era comum. Ele distinguiu dois tipos de crimes: não profissionais (duelos, crimes de embriaguez, venda de uísque aos nativos, corte de árvores em terras federais) e profissionais (roubo de gado, assalto em rodovias, falsificação). Os criminosos encontravam muitas oportunidades para roubar os pertences das famílias pioneiras, enquanto os poucos policiais com poucos recursos tinham grande dificuldade em detectar, prender, deter e condenar os infratores. Os bandidos, geralmente em grupos de dois ou três, raramente atacavam diligências com um guarda portando uma espingarda de cano duplo serrado; era menos arriscado roubar carreteiros, pessoas a pé e cavaleiros solitários, enquanto os próprios roubos a bancos eram mais difíceis de realizar devido à segurança do estabelecimento. De acordo com o historiador Brian Robb, a forma mais antiga de crime organizado na América nasceu das gangues do Velho Oeste.

Comissão de Paz de Dodge City, início de junho de 1883. Os homens foram armados a Dodge para apoiar Luke Short em um confronto com interesses comerciais que queriam expulsá-lo da cidade. O título de "Comissão de Paz" (aplicado posteriormente à foto) era irônico. Sua presença de fato resultou em uma resolução pacífica. De acordo com uma biografia de Wyatt Earp escrita por Casey Tefertiller, a foto foi tirada no estúdio Conkling em Dodge City em junho de 1883 e apareceu pela primeira vez no National Police Gazette em 21 de julho de 1883.
Da esquerda para a direita, em pé: W.H. Harris, Luke Short, Bat Masterson, W.F. Petillon. Sentados: Charlie Bassett, Wyatt Earp, Frank McLain (possivelmente "M. C. Clark") e Neal Brown. Trata-se de uma foto histórica "publicada antes de 1923", portanto, o texto de divulgação deveria indicar isso. Sbharris 21:36, 3 de março de 2006 (UTC)


Quando os criminosos eram condenados, a punição era severa. Além do ocasional xerife e delegado do Oeste, havia outras agências de aplicação da lei em toda a fronteira americana, como os Rangers do Texas. Esses policiais não eram apenas fundamentais para manter a paz, mas também para proteger os moradores locais das ameaças indígenas e mexicanas na fronteira. A aplicação da lei tendia a ser mais rigorosa nas cidades do que nas áreas rurais. A aplicação da lei enfatizava a manutenção da estabilidade mais do que o combate armado, concentrando-se na embriaguez, no desarmamento de cowboys que violavam os decretos de controle de armas e no combate a violações flagrantes das leis de jogos de azar e prostituição.

Dykstra argumenta que a imagem violenta das cidades pecuárias no cinema e na ficção é em grande parte um mito. A verdadeira Dodge City, diz ele, era a sede do comércio de peles de búfalo das Planícies do Sul e uma das principais cidades pecuárias do Oeste, um ponto de venda e embarque para o gado vindo do Texas. Ele afirma que existe uma "segunda Dodge City" que pertence ao imaginário popular e prospera como uma metáfora cultural para violência, caos e depravação. Para o cowboy que chegava com dinheiro na mão depois de dois meses na trilha, a cidade era emocionante. Uma testemunha ocular contemporânea de Hays City, Kansas, pinta uma imagem vívida dessa cidade pecuária:

“A cidade de Hays, à luz dos lampiões, era notavelmente animada, mas pouco moral. As ruas brilhavam com o reflexo dos bares, e um olhar para dentro revelava salões lotados de dançarinos, as mulheres alegremente vestidas tentando esconder com fitas e pintar as linhas terríveis que aquele artista sombrio, Dissipação, adora desenhar em tais rostos... Ao som de violinos e ao bater de pés, a dança continuava, e vimos no labirinto vertiginoso velhos que deviam estar girando à beira de seus túmulos.”

Reconhece-se que a representação popular de Dodge City no cinema e na ficção contém um fundo de verdade, visto que os crimes com armas de fogo eram desenfreados na cidade antes do estabelecimento de um governo local. Logo após os moradores estabelecerem oficialmente seu primeiro governo municipal, no entanto, uma lei proibindo o porte de armas ocultas foi promulgada e a criminalidade diminuiu pouco depois. Leis semelhantes foram aprovadas em outras cidades fronteiriças para reduzir também a taxa de crimes com armas de fogo. Como observou o professor de direito da UCLA, Adam Wrinkler:

“O porte de armas dentro dos limites da cidade de uma cidade fronteiriça era geralmente proibido. Leis que proibiam as pessoas de portarem armas eram comuns, de Dodge City a Tombstone. Quando os moradores de Dodge City formaram seu governo municipal, uma das primeiras leis promulgadas foi a proibição do porte oculto. A proibição foi logo depois estendida também ao porte ostensivo. A imagem hollywoodiana do pistoleiro marchando pela cidade com dois Colts na cintura é apenas isso — uma imagem hollywoodiana, criada por seu efeito dramático.”

Tombstone, Arizona , foi uma cidade mineira turbulenta que prosperou por mais tempo do que a maioria, de 1877 a 1929. A prata foi descoberta em 1877 e, em 1881, a cidade tinha uma população de mais de 10.000 habitantes. Em 1879, os irmãos Earp, recém-chegados, compraram ações da mina Vizina, direitos de água e concessões de jogos de azar, mas Virgil, Wyatt e Morgan Earp obtiveram posições em diferentes momentos como policiais federais e locais. Após mais de um ano de ameaças e desavenças, eles, juntamente com Doc Holliday, mataram três foras da lei no tiroteio no OK Corral, o mais famoso tiroteio do Velho Oeste. Na sequência, Virgil Earp foi mutilado em uma emboscada e Morgan Earp foi assassinado enquanto jogava bilhar. Wyatt e outros, incluindo seus irmãos James Earp e Warren Earp, perseguiram aqueles que acreditavam ser responsáveis em uma vingança extralegal e mandados de prisão foram emitidos para eles pelo assassinato de Frank Stilwell. Os Cowboys do Condado de Cochise foram um dos primeiros sindicatos do crime organizado nos Estados Unidos, e seu fim veio pelas mãos de Wyatt Earp.

Contadores de histórias e cineastas do Oeste incluíram o tiroteio em muitas produções do gênero. O romance Tombstone (1927), de Walter Noble Burns, tornou Earp famoso. Hollywood celebrou os dias de Earp em Tombstone com My Darling Clementine (1946), de John Ford, Gunfight at the OK Corral (1957) e Hour of the Gun (1967), de John Sturges, Doc (1971), de Frank Perry, Tombstone (1993), de George Cosmatos, e Wyatt Earp (1994), de Lawrence Kasdan. Eles solidificaram a reputação moderna de Earp como o pistoleiro mais letal do Velho Oeste.

Banditismo: O principal tipo de banditismo era praticado pelos infames foras da lei do Oeste, incluindo a Gangue James-Younger, Billy the Kid, a Gangue Dalton, Black Bart, Sam Bass, o Bando Selvagem de Butch Cassidy e centenas de outros que atacavam bancos, trens, diligências e, em alguns casos, até mesmo transportes armados do governo, como o roubo do Wham Paymaster e o roubo do Skeleton Canyon. Alguns dos foras da lei, como Jesse James, eram produtos da violência da Guerra Civil (James havia lutado com os Raiders de Quantrill) e outros se tornaram foras da lei durante os tempos difíceis da indústria pecuária. Muitos eram desajustados e andarilhos que vagavam pelo Oeste evitando a lei. Nas áreas rurais, Joaquin Murieta, Jack Powers, Augustine Chacon e outros bandidos aterrorizavam o estado. Quando gangues de foras da lei estavam por perto, as cidades ocasionalmente organizavam um grupo de busca para expulsá-los ou capturá-los. Percebendo que a necessidade de combater os bandidos era uma crescente oportunidade de negócio, Allan Pinkerton ordenou que sua Agência Nacional de Detetives, fundada em 1850, abrisse filiais no Oeste, e eles entraram no negócio de perseguir e capturar foras da lei. Para se refugiarem da lei, os foras da lei usavam as vantagens das vastas pradarias, passagens remotas e terras áridas para se esconderem. Enquanto alguns assentamentos e cidades na fronteira também abrigavam foras da lei e criminosos, que eram chamados de "cidades de foras da lei".

Algumas foras da lei e bandidos menos conhecidos do Velho Oeste incluem certas mulheres negras. Eliza Stewart, conhecida como "Big Jack" por seus amigos, foi presa pela tentativa de assassinato de seu amante e, posteriormente, por agressão. Stewart cumpriu pena em uma prisão em Laramie, Wyoming. Caroline Hayes foi outra fora da lei negra notória por roubo e passou um tempo em prisões em Laramie e Cheyenne, Wyoming.

O banditismo era um problema grave na Califórnia após 1849, pois milhares de jovens desvinculados de suas famílias ou comunidades migraram para uma região com poucos mecanismos de aplicação da lei. Para combater isso, o Comitê de Vigilância de São Francisco foi criado para submeter criminosos notórios a julgamentos sumários e sentenças de morte. Assim, outros assentamentos anteriores criaram suas próprias agências privadas para proteger as comunidades devido à falta de instituições de manutenção da paz. Esses comitês de vigilância refletiam diferentes ocupações na fronteira, como clubes de proprietários de terras, associações de pecuaristas e acampamentos de mineração. Comitês de vigilância semelhantes também existiam no Texas, e seu principal objetivo era erradicar a ilegalidade e livrar as comunidades de bandidos e ladrões de gado. Esses comitês às vezes formavam grupos de vigilantes privados, mas geralmente eram compostos por cidadãos responsáveis que desejavam apenas manter a ordem. Criminosos capturados por esses comitês de vigilância eram tratados com crueldade; frequentemente enforcados ou fuzilados sem qualquer tipo de julgamento.

Civis também pegaram em armas para se defender no Velho Oeste, às vezes aliando-se aos homens da lei (Assalto ao Banco de Coffeyville) ou aos foras da lei (Batalha de Ingalls). Mary Fields, também conhecida como "Mary da Diligência" por seu papel como a primeira mulher a trabalhar nos correios do Oeste, era conhecida por ser briguenta e por usar uma espingarda. Como civil e MULHER NEGRA, ela se defendeu com sua espingarda. Na fronteira pós-Guerra Civil, mais de 523 brancos, 34 negros e 75 outros foram vítimas de linchamento. No entanto, os casos de linchamento no Velho Oeste não foram causados principalmente pela ausência de um sistema legal, mas também pela classe social. O historiador Michael J. Pfeifer escreve: "Ao contrário do entendimento popular, os primeiros linchamentos territoriais não decorriam da ausência ou distância da aplicação da lei, mas sim da instabilidade social das primeiras comunidades e de sua disputa por propriedade, status e pela definição da ordem social."

Rivalidades: As guerras de pastagens foram conflitos armados infames que ocorreram nas "campos abertos" da fronteira americana. O objeto desses conflitos era o controle de terras livremente utilizadas para agricultura e pastoreio de gado, o que deu nome ao conflito. As guerras de pastagens tornaram-se mais comuns no final da Guerra Civil Americana, e inúmeros conflitos foram travados, como a Guerra de Pleasant Valley, a Guerra do Condado de Johnson, a Guerra de Pecos, a Guerra do Condado de Mason, a Guerra das Pastagens do Colorado, a Guerra do Corte de Cercas, a Guerra do Condado de Colfax, a Guerra das Pastagens de Castaic, o ataque de Spring Creek, a Guerra das Pastagens de Porum, a rixa Barber-Mizell, a Guerra do Sal de San Elizario e outras. Durante uma guerra de pastagens em Montana, um grupo de vigilantes chamado Estranguladores de Stuart, composto por pecuaristas e vaqueiros, matou até 20 criminosos e ocupantes ilegais de terras somente em 1884. No Nebraska, o criador de gado Isom Olive liderou uma guerra de pastagens em 1878 que matou vários colonos em linchamentos e tiroteios, antes de eventualmente levar ao seu próprio assassinato. Outro tipo infame de conflito em pastagens abertas foram as Guerras das Ovelhas, travadas entre criadores de ovelhas e criadores de gado por direitos de pastoreio e que ocorreram principalmente no Texas, Arizona e na região fronteiriça de Wyoming e Colorado. Na maioria dos casos, a intervenção militar formal foi usada para pôr fim rapidamente a esses conflitos. Outros conflitos por terras e território também foram travados, como a Guerra dos Reguladores e Moderadores, os Problemas de Cortina, a Guerra de Las Cuevas e a Guerra dos Bandidos.

Disputas envolvendo famílias e linhagens sanguíneas também ocorreram muito na fronteira. Como agências privadas e comitês de vigilância eram o substituto para tribunais adequados, muitas famílias inicialmente dependiam de si mesmas e de suas comunidades para sua segurança e justiça. Essas guerras incluem a Guerra do Condado de Lincoln, a Guerra Tutt-Everett, a disputa Flynn-Doran, a disputa Early-Hasley, a Guerra Brooks-Baxter, a disputa Sutton-Taylor, a disputa dos Irmãos Horrell, a disputa Brooks-McFarland, a disputa Reese-Townsend e a Cavalgada de Vingança Earp.

Gado: O fim das manadas de bisontes abriu milhões de hectares para a criação de gado. Os criadores de gado espanhóis introduziram a criação de gado e o gado longhorn no Sudoeste no século XVII, e os homens que trabalhavam nos ranchos, chamados de "cowboys", foram os primeiros "vaqueiros" do Oeste. Após a Guerra Civil, os rancheiros do Texas criaram grandes rebanhos de gado longhorn. As estações ferroviárias mais próximas ficavam a 1300 km ou mais ao norte, no Kansas (Abilene, Kansas City, Dodge City e Wichita). Assim, uma vez engordados, os rancheiros e seus cowboys conduziam os rebanhos para o norte ao longo das trilhas Western, Chisholm e Shawnee. O gado era enviado para Chicago, St. Louis e outros pontos a leste para abate e consumo nas cidades em rápido crescimento. A Trilha Chisholm, traçada pelo pecuarista Joseph McCoy ao longo de uma antiga trilha marcada por Jesse Chisholm, foi a principal artéria do comércio de gado, transportando mais de 1,5 milhão de cabeças de gado entre 1867 e 1871 ao longo dos 1.300 km (800 milhas) do sul do Texas até Abilene, Kansas . As longas jornadas eram traiçoeiras, especialmente ao atravessar rios como o Brazos e o Rio Vermelho, e quando tinham que se defender de nativos americanos e ladrões de gado que tentavam fugir com o gado. Uma jornada típica levava de três a quatro meses e consistia em 3 km (duas milhas) de gado, com seis cabeças lado a lado. Apesar dos riscos, uma jornada bem-sucedida se mostrava muito lucrativa para todos os envolvidos, já que o preço de um novilho era de US$ 4 no Texas e US$ 40 no leste.

Nas décadas de 1870 e 1880, os ranchos de gado expandiram-se ainda mais para o norte, para novas áreas de pastagem, e substituíram os rebanhos de bisontes em Wyoming, Montana, Colorado, Nebraska e no território de Dakota, utilizando as ferrovias para transportar o gado para ambas as costas. Muitos dos maiores ranchos pertenciam a financistas escoceses e ingleses. O maior rancho de gado de todo o Oeste pertencia ao americano John W. Iliff, "rei do gado das Planícies", que operava no Colorado e em Wyoming. Gradualmente, os longhorns foram substituídos pelas raças britânicas Hereford e Angus, introduzidas por colonos do Noroeste. Embora menos resistentes e mais suscetíveis a doenças, essas raças produziam carne com melhor sabor e amadureciam mais rapidamente.

O financiamento da indústria pecuária provinha em grande parte de fontes britânicas, à medida que os investidores europeus se envolviam numa extravagância especulativa — uma "bolha". Graham conclui que a mania se baseava numa oportunidade genuína, bem como em "exagero, credulidade, comunicações inadequadas, desonestidade e incompetência". Um inverno rigoroso assolou as planícies no final de 1886 e durante boa parte de 1887, prendendo a vegetação da pradaria sob gelo e neve endurecida que os rebanhos FAMINTOS não conseguiam penetrar. Os britânicos perderam a maior parte do seu dinheiro — tal como os investidores do leste, como Theodore Roosevelt —, mas os seus investimentos criaram uma grande indústria que continua a passar por ciclos de expansão e recessão.

Em uma escala muito menor, a criação de ovelhas era popular localmente; as ovelhas eram mais fáceis de alimentar e precisavam de menos água. No entanto, os americanos não comiam carne de carneiro. À medida que os agricultores se mudavam para a região, a criação de gado em campo aberto chegou ao fim e foi substituída por cercas de arame farpado, onde a água, a reprodução, a alimentação e o pastoreio podiam ser controlados. Isso levou a "guerras de cercas" que eclodiram devido a disputas sobre direitos de água.

Cidades de gado: A indústria pecuária em expansão das décadas de 1860 e 1870 era sustentada pelas cidades pecuárias do Kansas e do Missouri. Assim como as cidades mineiras da Califórnia e de Nevada, cidades pecuárias como Abilene , Dodge City e Ellsworth experimentaram um curto período de prosperidade e declínio que durou cerca de cinco anos. Essas cidades surgiam quando especuladores de terras se precipitavam antes da construção de uma ferrovia, erguendo cidades e serviços de apoio atraentes para os pecuaristas e vaqueiros. Se as ferrovias atendessem aos pedidos, as novas pastagens e as cidades de apoio garantiriam o comércio de gado. No entanto, diferentemente das cidades mineiras, que em muitos casos se tornaram cidades fantasmas e desapareceram após o esgotamento do minério, as cidades pecuárias frequentemente evoluíam da pecuária para a agricultura e continuavam mesmo após o esgotamento das pastagens.

Conservação e ambientalismo: A preocupação com a proteção do meio ambiente tornou-se uma nova questão no final do século XIX, colocando em conflito diferentes interesses. De um lado estavam as empresas madeireiras e de carvão que defendiam a exploração máxima dos recursos naturais para maximizar empregos, crescimento econômico e seus próprios lucros.

No centro estavam os ambientalistas , liderados por Theodore Roosevelt e sua coalizão de amantes da natureza, esportistas, observadores de pássaros e cientistas. Eles queriam reduzir o desperdício; enfatizavam o valor da beleza natural para o turismo e da abundante vida selvagem para os caçadores; e argumentavam que uma gestão cuidadosa não só aprimoraria esses objetivos, mas também aumentaria os benefícios econômicos a longo prazo para a sociedade por meio da colheita planejada e da proteção ambiental. Roosevelt dedicou toda a sua carreira a colocar o assunto no topo da agenda nacional. Ele era profundamente comprometido com a conservação dos recursos naturais. Trabalhou em estreita colaboração com Gifford Pinchot e utilizou a Lei de Recuperação de Newlands de 1902 para promover a construção federal de barragens para irrigar pequenas fazendas e colocou 230 milhões de acres (360.000 mi² ou 930.000 km² ) sob proteção federal. Roosevelt reservou mais terras federais, parques nacionais e reservas naturais do que todos os seus antecessores juntos.

Roosevelt explicou sua posição em 1910:

“Conservação significa desenvolvimento tanto quanto proteção. Reconheço o direito e o dever desta geração de desenvolver e usar os recursos naturais da nossa terra, mas não reconheço o direito de os desperdiçar, ou de roubar, através do uso perdulário, as gerações que nos seguem.”

O terceiro elemento, inicialmente o menor, mas que cresceu rapidamente após 1870, foram os ambientalistas que honravam a natureza por si mesma e rejeitavam o objetivo de maximizar os benefícios humanos. Seu líder foi John Muir (1838–1914), um autor e naturalista amplamente lido, pioneiro na defesa da preservação da natureza selvagem por si mesma e fundador do Sierra Club. Muir, um escocês-americano radicado na Califórnia, começou em 1889 a organizar apoio para preservar as sequoias no Vale de Yosemite; o Congresso aprovou a lei do Parque Nacional de Yosemite (1890). Em 1897, o presidente Grover Cleveland criou treze florestas protegidas, mas os interesses madeireiros fizeram com que o Congresso cancelasse a medida. Muir, assumindo a persona de um profeta do Antigo Testamento, fez uma cruzada contra os madeireiros, retratando-a como uma disputa "entre a justiça da paisagem e o diabo". Um mestre da publicidade, os artigos de Muir em revistas, como a Harper's Weekly (5 de junho de 1897) e a Atlantic Monthly, mudaram a maré da opinião pública. Ele mobilizou a opinião pública para apoiar o programa de Roosevelt de criação de monumentos nacionais, reservas florestais nacionais e parques nacionais. No entanto, Muir rompeu com Roosevelt e especialmente com o presidente William Howard Taft em relação à represa de Hetch Hetchy, que foi construída no Parque Nacional de Yosemite para abastecer São Francisco com água. O biógrafo Donald Worster diz: "Salvar a alma americana de uma rendição total ao materialismo foi a causa pela qual ele lutou."

Búfalo: A ascensão da indústria pecuária e do cowboy está diretamente ligada ao declínio das enormes manadas de bisontes — geralmente chamadas de "búfalos". Outrora com mais de 25 milhões de indivíduos nas Grandes Planícies, essas manadas herbívoras eram um recurso vital para os indígenas das planícies, fornecendo alimento, peles para vestuário e abrigo, e ossos para ferramentas. A perda de habitat, doenças e a caça excessiva reduziram gradualmente as manadas ao longo do século XIX, a ponto de quase a extinção. Os últimos 10 a 15 milhões morreram em uma década, de 1872 a 1883; apenas 100 sobreviveram. As tribos que dependiam dos búfalos não tiveram muita escolha a não ser aceitar a oferta do governo de reservas, onde o governo as alimentaria e lhes forneceria suprimentos. Conservacionistas fundaram a Sociedade Americana do Bisão em 1905; ela pressionou o Congresso para estabelecer manadas públicas de bisontes. Vários parques nacionais nos EUA e no Canadá foram criados, em parte para fornecer um santuário para bisontes e outros animais selvagens de grande porte. A população de bisontes atingiu 500.000 em 2003.

Governo: Os governos territoriais a oeste do rio Mississippi foram criados pelo governo dos Estados Unidos por meio de Atos Orgânicos e suas estruturas eram muito semelhantes, com pouca variação. Cada território tinha: um governador, um secretário para o território, um "agente indígena" e três juízes para um tribunal, todos nomeados pelo presidente dos EUA e confirmados pelo "conselho e consentimento" do Senado dos EUA. Cada território tinha uma legislatura bicameral. Juízes, juízes de paz, procurador territorial, delegado e funcionários do condado eram eleitos pelo povo ou selecionados por um governador territorial e confirmados pela câmara alta da legislatura territorial. Qualquer lei aprovada por um território precisava da aprovação do Congresso e, caso contrário, era inválida.

FIM DA FRONTEIRA

Após o censo americano de 1890, o superintendente anunciou que não havia mais uma linha clara de avanço populacional e, portanto, não havia mais uma fronteira contínua nos Estados Unidos continentais. Contudo, ao examinar os resultados da distribuição populacional do censo americano de 1900, a linha de fronteira contínua de fato persiste. Mas, no censo americano de 1910, apenas bolsões da fronteira permaneciam sem uma linha clara para o oeste, permitindo viagens pelo continente sem jamais cruzar uma linha de fronteira.

Terras agrícolas virgens tornaram-se cada vez mais difíceis de encontrar após 1890, embora as ferrovias anunciassem algumas no leste de Montana. Bicha mostra que quase 600.000 agricultores americanos buscaram terras baratas mudando-se para a fronteira das pradarias do oeste canadense entre 1897 e 1914. No entanto, cerca de dois terços deles ficaram desiludidos e retornaram aos EUA. Apesar disso, os colonos reivindicaram mais terras nas duas primeiras décadas do século XX do que no século XIX. As Leis de Terras (Homestead Acts) e a proliferação de ferrovias são frequentemente consideradas fatores importantes na redução da fronteira, ao trazerem colonos e a infraestrutura necessária de forma eficiente. O aumento do tamanho das concessões de terras de 160 para 320 acres em 1909 e, posteriormente, de pastagens para 640 acres em 1916 acelerou esse processo. O arame farpado também é apontado como um fator que reduziu as tradicionais pastagens abertas. Além disso, a crescente adoção de automóveis e a sua necessária rede de estradas adequadas, inicialmente subsidiadas pelo governo federal através da Lei Federal de Auxílio Rodoviário de 1916, solidificaram o fim da fronteira.

A admissão de Oklahoma como estado em 1907, após a fusão do Território de Oklahoma com o último território indígena remanescente, e a incorporação dos territórios do Arizona e do Novo México como estados em 1912, marca o fim da história da fronteira para muitos estudiosos. Devido às suas populações baixas e desiguais durante esse período, no entanto, o território fronteiriço permaneceu por algum tempo. É claro que alguns episódios típicos da fronteira ainda aconteciam, como o último assalto a diligência ocorrido na fronteira remanescente de Nevada em dezembro de 1916. Um período conhecido como "A Guerra Civil Ocidental da Incorporação", frequentemente violento, durou da década de 1850 até 1919.

A Revolução Mexicana também levou a conflitos significativos que se estenderam pela fronteira entre os EUA e o México, que ainda se encontravam principalmente em território fronteiriço, conhecidos como Guerra da Fronteira Mexicana (1910–1919). Os pontos críticos incluíram a Batalha de Columbus (1916) e a Expedição Punitiva (1916–1917). A Guerra dos Bandidos (1915–1919) envolveu ataques direcionados contra colonos texanos. Além disso, escaramuças envolvendo nativos ocorreram até a Guerra de Bluff (1914–1915) e a Guerra de Posey (1923).

A expansão para oeste da influência e jurisdição americana através do Pacífico no final do século XIX foi, em certo sentido, uma nova "fronteira Ásia-Pacífico", com Frederick Jackson Turner argumentando que este era um elemento necessário do crescimento dos EUA, uma vez que a sua identidade como uma nação civilizada e baseada em ideais dependia da superação constante de um 'outro' selvagem.

O Alasca só foi admitido como estado em 1959. Com isso, o princípio orientador e a narrativa da "fronteira americana" desapareceram.

A FRONTEIRA AMERICANA NA CULTURA POPULAR

A exploração, a colonização, a exploração e os conflitos do "Velho Oeste americano" criaram um ambiente cultural que tem sido celebrado por americanos e estrangeiros — na arte, música, dança, romances, revistas, contos, poesia, teatro, videogames, filmes, rádio, televisão, canções e tradição oral. Beth E. Levy argumenta que o oeste real e mitológico inspirou os compositores Aaron Copland, Roy Harris, Virgil Thomson, Charles Wakefield Cadman e Arthur Farwell.

Temas religiosos inspiraram muitos ambientalistas ao contemplarem o Oeste intocado antes que os pioneiros violassem sua espiritualidade. Na verdade, como demonstrou o historiador William Cronon, o conceito de "natureza selvagem" era altamente negativo e a antítese da religiosidade antes do movimento romântico do século XIX.

A Tese da Fronteira do historiador Frederick Jackson Turner, proclamada em 1893, estabeleceu as principais linhas da historiografia que moldaram a erudição por três ou quatro gerações e apareceram nos livros didáticos usados por praticamente todos os estudantes americanos.

Popularizando o folclore ocidental: A mitificação do Oeste começou com os espetáculos de menestréis e a música popular na década de 1840. Durante o mesmo período, P.T. Barnum apresentou chefes indígenas, danças e outras atrações do Velho Oeste em seus museus. No entanto, a conscientização em larga escala decolou quando o romance de dez centavos surgiu em 1859, sendo o primeiro Malaeska, a Esposa Indígena do Caçador Branco. Ao simplificar a realidade e exagerar grosseiramente a verdade, os romances capturaram a atenção do público com histórias sensacionalistas de violência e heroísmo e fixaram na mente do público imagens estereotipadas de heróis e vilões — cowboys corajosos e indígenas selvagens, homens da lei virtuosos e foras da lei implacáveis, colonos corajosos e pecuaristas predadores. Milhões de cópias e milhares de títulos foram vendidos. Os romances se baseavam em uma série de fórmulas literárias previsíveis que agradavam ao gosto das massas e eram frequentemente escritos em apenas alguns dias. O romance de bolso de maior sucesso foi Seth Jones (1860), de Edward S. Ellis. As histórias de Ned Buntline glamourizaram Buffalo Bill Cody, e Edward L. Wheeler criou "Deadwood Dick" e "Hurricane Nell", apresentando Calamity Jane.

Buffalo Bill Cody foi o popularizador mais eficaz do Velho Oeste nos EUA e na Europa. Ele apresentou o primeiro show do "Velho Oeste" em 1883, apresentando uma recriação de batalhas famosas (especialmente a Última Resistência de Custer), atiradores experientes e demonstrações dramáticas de equitação por cowboys e nativos, bem como a atiradora certeira Annie Oakley.

Escritores e artistas de elite do leste dos Estados Unidos no final do século XIX promoveram e celebraram o folclore do oeste. Theodore Roosevelt, atuando como historiador, explorador, caçador, fazendeiro e naturalista, foi especialmente produtivo. Seus trabalhos apareceram em revistas nacionais de prestígio, como a Harper's Weekly, com ilustrações de artistas como Frederic Remington, Charles M. Russell e outros. Os leitores compravam histórias repletas de ação de escritores como Owen Wister, que transmitiam imagens vívidas do Velho Oeste. Remington lamentou o fim de uma era que ele ajudou a registrar quando escreveu:

“Eu sabia que os cavaleiros selvagens e a terra vazia estavam prestes a desaparecer para sempre... Vi o fim vivo e pulsante de três séculos americanos de fumaça, poeira e suor.”

Pôster de lançamento nos cinemas dos EUA do filme Rastros de Ódio (1956) Incorpora obras de arte de
Bill Gold.
Imagens do Século XX: Theodore Roosevelt escreveu muitos livros sobre o oeste e a fronteira e fez referência frequente a ele como presidente.

A partir do final do século XIX, as ferrovias promoveram o turismo no oeste, com visitas guiadas a locais do oeste, especialmente parques nacionais como o Parque Nacional de Yellowstone.

Tanto os turistas que visitavam o Oeste quanto os ávidos leitores de ficção apreciavam as imagens visuais da fronteira. Depois de 1900, os filmes de faroeste forneceram os exemplos mais famosos, como nos inúmeros filmes de John Ford. Ele era especialmente apaixonado pelo Monument Valley. O crítico Keith Phipps afirma: "seus 13 quilômetros quadrados definiram o que décadas de cinéfilos imaginam quando pensam no Oeste americano". As histórias heroicas que surgiram da construção da ferrovia transcontinental em meados da década de 1860 animaram muitos romances baratos e ilustraram muitos jornais e revistas com a justaposição do ambiente tradicional com o cavalo de ferro da modernidade.

Imagens de cowboys: O cowboy tem sido, por mais de um século, uma imagem americana icônica tanto no país quanto no exterior.

Heather Cox Richardson defende uma dimensão política para a imagem do cowboy:

“O crescimento da indústria pecuária coincidiu com a ascensão da imagem do cowboy, conferindo-lhe um poder extraordinário. Envolvidos na política acirrada do pós-guerra, os democratas, especialmente os da antiga Confederação, imaginavam o Oeste como uma terra intocada pelos políticos republicanos que detestavam. Desenvolveram uma imagem dos cowboys como homens que trabalhavam duro, se divertiam muito, viviam segundo um código de honra, protegiam-se e não exigiam nada do governo. Nas mãos dos editores de jornais democratas, a realidade da vida de cowboy — a pobreza, o perigo, as jornadas exaustivas — tornou-se romântica. Os cowboys personificavam virtudes que os democratas acreditavam que os republicanos estavam destruindo ao criar um governo gigantesco que atendia aos interesses de ex-escravos preguiçosos. Na década de 1860, as conduções de gado eram uma característica comum da paisagem das planícies, e os democratas transformaram os cowboys em um símbolo de independência individual e robusta, algo que, segundo eles, os republicanos estavam destruindo.”

Entre os mais famosos divulgadores dessa imagem, destacam-se o presidente Theodore Roosevelt (1858–1919), um republicano que, por ser um cowboy nas horas vagas e membro dos "Rough Riders", tornou o termo "cowboy" internacionalmente sinônimo do americano audacioso e agressivo. Em seguida, veio Will Rogers (1879–1935), o principal humorista da década de 1920 e mestre do laço.

Roosevelt concebeu o vaqueiro como um estágio de civilização distinto do agricultor sedentário — um tema bem expresso no sucesso de Hollywood de 1944, Oklahoma!, que destaca o conflito duradouro entre vaqueiros e agricultores. Roosevelt argumentou que a masculinidade tipificada pelo vaqueiro — e a atividade ao ar livre e os esportes em geral — era essencial para que os homens americanos evitassem a fragilidade e a decadência produzidas por uma vida fácil na cidade.

Will Rogers, filho de um juiz Cherokee em Oklahoma, começou com truques de laço e cavalgadas extravagantes, mas em 1919 descobriu que seu público estava ainda mais encantado com seu humor em sua representação da sabedoria do homem comum.

Outros que contribuíram para reforçar a imagem romântica do cowboy americano incluem Charles Siringo (1855–1928) e Andy Adams (1859–1935). Cowboy, detetive da Pinkerton e autor de romances de faroeste, Siringo foi o primeiro autobiografista autêntico de um cowboy. Adams passou a década de 1880 na indústria pecuária no Texas e a década de 1890 na mineração nas Montanhas Rochosas. Quando a representação dos texanos em uma peça de 1898 indignou Adams, ele começou a escrever peças, contos e romances baseados em suas próprias experiências. Seu livro The Log of a Cowboy (1903) tornou-se um clássico do romance sobre o negócio do gado, especialmente a condução do gado. Ele descreve uma condução fictícia da manada Circle Dot do Texas para Montana em 1882 e tornou-se uma importante fonte sobre a vida de cowboy; historiadores refizeram seu percurso na década de 1960, confirmando sua precisão básica. Seus escritos são aclamados e criticados pela fidelidade realista aos detalhes, por um lado, e pela superficialidade literária, por outro. Muitos consideram Red River (1948), dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne e Montgomery Clift, como uma representação autêntica de uma comitiva de gado.

As habilidades únicas dos cowboys são destacadas no rodeio. Ele começou de forma organizada no Oeste na década de 1880, quando várias cidades do Oeste seguiram as turnês de shows do Velho Oeste e organizaram celebrações que incluíam atividades de rodeio. O estabelecimento de grandes competições de cowboys no Leste na década de 1920 levou ao crescimento dos esportes de rodeio. Os cowboys de trilha, também conhecidos como pistoleiros, como John Wesley Hardin, Luke Short e outros, eram conhecidos por sua destreza, velocidade e habilidade com seus revólveres e outras armas de fogo. Suas façanhas violentas e reputações se transformaram ao longo do tempo na imagem estereotipada da violência sofrida pelo "herói cowboy".

Código do Ocidente: Os historiadores do Oeste americano escreveram sobre o Oeste mítico; o Oeste da literatura, da arte e das memórias compartilhadas do povo. O fenômeno é "o Oeste Imaginado". O "Código do Oeste" era um conjunto não escrito, socialmente aceito, de leis informais que moldavam a cultura dos cowboys do Velho Oeste. Com o tempo, os cowboys desenvolveram uma cultura pessoal própria, uma mistura de valores que ainda conservava vestígios de cavalheirismo. Esse trabalho perigoso em condições isoladas também gerou uma tradição de autossuficiência e individualismo, com grande valor atribuído à honestidade pessoal, exemplificada em canções e poesia cowboy. O código também incluía o pistoleiro, que às vezes seguia uma forma de código de duelo adotada do Velho Sul, a fim de resolver disputas e duelos. A justiça extrajudicial vista durante os dias da fronteira, como o linchamento, o vigilantismo e os tiroteios, por sua vez popularizados pelo gênero western, seriam mais tarde conhecidos nos tempos modernos como exemplos de justiça da fronteira.

HISTORIOGRAFIA

Dezenas de alunos de Frederick Jackson Turner tornaram-se professores em departamentos de história nos estados do oeste e ministraram cursos sobre a fronteira influenciados por suas ideias. Acadêmicos desmistificaram muitos dos mitos da fronteira, mas eles, no entanto, persistem nas tradições comunitárias, no folclore e na ficção. Na década de 1970, eclodiu uma guerra historiográfica entre os estudos tradicionais sobre a fronteira, que enfatizam a influência da fronteira em toda a história e cultura americanas, e a "Nova História do Oeste", que restringe o escopo geográfico e temporal para se concentrar no Oeste trans-Mississippi após 1850. Ela evita a palavra "fronteira" e enfatiza a interação cultural entre a cultura branca e grupos como nativos americanos e hispânicos. O professor de história William Weeks, da Universidade de San Diego, argumenta que, nessa abordagem da "Nova História do Oeste":

“É fácil dizer quem são os vilões — eles são quase invariavelmente brancos, homens e de classe média ou superior, enquanto os mocinhos são quase invariavelmente não brancos, não homens ou não pertencentes à classe média... A civilização anglo-americana... é representada como patriarcal, racista, genocida e destrutiva do meio ambiente, além de trair hipocritamente os ideais sobre os quais supostamente foi construída.”

Em 2005, Steven Aron argumentou que os dois lados haviam "chegado a um equilíbrio em seus argumentos e críticas retóricas". Desde então, no entanto, o campo da história da fronteira americana e da região oeste tornou-se cada vez mais inclusivo. O foco mais recente do campo foi capturado na linguagem da Chamada para Artigos de 2024 da Western History Association:

“A Western History Association já foi uma organização dominada por acadêmicos brancos do sexo masculino que tipicamente escreviam narrativas triunfalistas. Não somos mais essa organização. Agora produzimos trabalhos acadêmicos inovadores feitos por e sobre os membros das muitas comunidades anteriormente excluídas das narrativas tradicionais de expansão. Este novo trabalho e as pessoas que o escrevem transformaram a WHA, a história do Oeste dos EUA e a profissão de forma mais ampla.”

Entretanto, a história ambiental emergiu, em grande parte, da historiografia da fronteira, daí sua ênfase na natureza selvagem. Ela desempenha um papel cada vez maior nos estudos de fronteira. Os historiadores abordaram o meio ambiente para a fronteira ou o regionalismo. O primeiro grupo enfatiza a ação humana sobre o meio ambiente; o segundo examina a influência do meio ambiente. William Cronon argumentou que o famoso ensaio de Turner de 1893 era história ambiental em forma embrionária. Ele enfatizava o vasto poder da terra livre para atrair e remodelar colonos, fazendo uma transição da natureza selvagem para a civilização.

O jornalista Samuel Lubell observou semelhanças entre a americanização dos imigrantes na fronteira, descrita por Turner, e a ascensão social de imigrantes posteriores em grandes cidades, à medida que se mudavam para bairros mais ricos. Ele comparou os efeitos da ferrovia, que abriu as terras do Oeste para os sistemas de transporte urbano e o automóvel, e a "fome de terras" dos colonos do Oeste com a busca de status social dos moradores pobres das cidades. Assim como o Partido Republicano se beneficiou do apoio de grupos de imigrantes "antigos" que se estabeleceram em fazendas na fronteira, os imigrantes urbanos "novos" formaram uma parte importante da coalizão democrata do New Deal, que começou com a vitória de Franklin Delano Roosevelt na eleição presidencial de 1932.

Desde a década de 1960, o departamento de história da Universidade do Novo México tem sido um centro ativo de estudos, juntamente com a Editora da Universidade do Novo México. Entre os principais historiadores do departamento estão Gerald D. Nash, Donald C. Cutter, Richard N. Ellis, Richard Etulain, Ferenc Szasz, Margaret Connell-Szasz, Paul Hutton, Virginia Scharff e Samuel Truett. O departamento tem colaborado com outros departamentos e enfatiza o regionalismo do Sudoeste, as minorias no Sudoeste e a historiografia.

FONTES: Billington, Ray Allen. Westward Expansion: A History of the American Frontier. (3rd edition) New York: Macmillan, 1967. online
Billington, Ray Allen. The Far Western Frontier, 1830–1860. New York: Harper and Row, 1959.
Brands, H. W. (2019). Dreams of El Dorado: A History of the American West. Basic Books. ISBN 978-1541672529.
Buley, R. Carlyle. The Old Northwest : Pioneer Period, 1815-1840 (2 vol, Indiana Historical Society, 1950). a major history of Ohio, Indiana, Illinois, Michigan and Wisconsin; Pulitzer Prize. vol 1 online; see also vol 2 online
Davis, William C. The American Frontier: Pioneers, Settlers, & Cowboys, 1800–1899. University of Oklahoma Press, 1999. online
Deverell, William, ed. A Companion to the American West. Hoboken, NJ: Wiley-Blackwell, 2004.
Etulain, Richard W. Beyond the Missouri: The Story of the American West. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2006.
Fite, Gilbert C. The Farmer's Frontier, 1865–1900. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1966.
Hawgood, John A. America's Western Frontiers: The Exploration and Settlement of the Trans-Mississippi West. New York: Knopf, 1969.
Hine, Robert V., and John Mack Faragher. The American West: A New Interpretive History. New Haven: Yale University Press, 2000.
Hyde, Anne F. Empires, Nations, and Families: A History of the North American West, 1800–1860. Lincoln: University of Nebraska Press, 2011.
Josephy Jr., Alvin M. The American Heritage Book of the Pioneer Spirit. New York, American Heritage, 1959.
Lamar, Howard R., ed. The New Encyclopedia of the American West. New Haven: Yale University Press, 1998.
Lamar, Howard R., ed. The Reader's Encyclopedia of the American West. Crowell, 1977. online
McLoughlin, Denis (1995). Wild and Woolly: An Encyclopedia of The Old West. New York: Barnes & Noble Books. ISBN 978-1-56619-961-2.
Also published as —— (1977). The Encyclopedia of The Old West. London: Routledge & Kegan Paul. ISBN 978-0-7100-8628-0. Focus on violent episodes.
Milner, Clyde, Carol O'Connor, and Martha Sandweiss, eds. The Oxford History of the American West. New York: Oxford University Press, 1994; long essays by scholars; online
Otto, John Solomon. The Southern Frontiers, 1607–1860: The Agricultural Evolution of the Colonial and Antebellum South. Westport, CT: Praeger, 1989.
Paxson, Frederic Logan. History of the American frontier, 1763–1893. Boston: Houghton Mifflin, 1924. An old survey by leading authority; Pulitzer Prize. online
Paxson, Frederic Logan. The Last American Frontier. New York: Macmillan, 1910. online
Pomeroy, Earl. "Toward a Reorientation of Western History: Continuity and Environment" Journal of American History 41#4 (March 1955) pp. 579–600, https://doi.org/10.2307/1889178 Highly influential program for new historiography of the west that goes beyond Frederick Jackson Turner.
Pomeroy, Earl. The Pacific Slope: A History of California, Oregon, Washington, Idaho, Utah, and Nevada. Seattle: University of Washington Press, 1973. online

Robinson, W. Stitt. The Southern Colonial Frontier, 1607–1763 (Albuquerque: University of New Mexico Press, 1979)

Turner, Frederick Jackson. The Frontier in American History. New York: Holt, 1920
Utley, Robert M. The Story of The West: A History of the American West and Its People. New York: Penguin Books, 2003.
Webb, Walter Prescott. The Great Frontier. Boston: Houghton Mifflin, 1952.
West, Elliott. Continental Reckoning: The American West in the Age of Expansion. Lincoln: University of Nebraska Press, 2023; Pulitzer Prize finalist.
Wexler, Alan et al. Atlas of westward expansion (1995) online

Wright, Will The Wild West: The Mythical Cowboy and Social Theory (2001)

Post nº 648 ✓

O HOBBIT OU LÁ E DE VOLTA OUTRA VEZ (LIVRO BRITÂNICO DE 1937)

Esta é a capa do livro O Hobbit, escrito por J. R. R. Tolkien. Acredita-se que os direitos autorais da capa pertençam à editora George Allen...