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| O taijitu era por vezes usado como símbolo do Primeiro Comando da Capital. |
- FUNDAÇÃO: 31 de agosto de 1993; Casa de Custódia, Taubaté, São Paulo
- TERRITÓRIO(S): majoritariamente no estado de São Paulo, mas também em todo o território brasileiro
- LÍDER(ES): Marcola
- ATIVIDADES: crime organizado
- DESIGNADO COMO TERRORISTA: Argentina, Paraguai e Estados Unidos
Primeiro Comando da Capital (PCC), também referido como 15.3.3 (abreviadamente 15 ou Quinze) ou simplesmente como Partido, é a maior organização criminosa do Brasil, com atuação principalmente no estado de São Paulo, mas também em todo o território brasileiro, além de países fronteiriços, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Tem mais de 40 mil membros, sendo 13 mil apenas em São Paulo. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o Primeiro Comando da Capital deixou de ser uma facção criminosa e já pode ser considerado a primeira máfia do Brasil, status que mantém desde setembro de 2020. Com isso, o Comando Vermelho (CV) assumiu o posto de maior facção do país.
É financiada principalmente pelo tráfico de drogas, mas roubos de cargas, assaltos a bancos e sequestros também são fontes de faturamento. O Primeiro Comando da Capital está presente em 90% dos presídios paulistas, e os negócios particulares dos líderes e da própria facção têm faturamento estimado pela inteligência policial em, no mínimo, 400 milhões de reais por ano. Alguns policiais e promotores acreditam que esse número pode chegar a cerca de 800 milhões de reais.
Vários dos ex-líderes da organização estão presos, como o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho (vulgo Marcola), que cumpria sentença de 44 anos, principalmente por assalto a bancos, no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Venceslau, onde estava presa toda a cúpula da facção, até ser transferido com outros 21 criminosos do Primeiro Comando da Capital para os presídios federais de segurança máxima de Porto Velho (Rondônia), Mossoró (Rio Grande do Norte) e Brasília (Distrito Federal), no dia 13 de fevereiro de 2019.
HISTÓRIA
Origem: O Primeiro Comando da Capital foi fundado em 31 de agosto de 1993 no anexo chamado de "Piranhão" da Casa de Custódia de Taubaté, até então a prisão mais segura do Estado de São Paulo, por oito presidiários transferidos da cidade de São Paulo, conhecidos como "Os da capital". O grupo era composto por Misael Aparecido da Silva, o "Misa"; Wander Eduardo Ferreira, o "Eduardo Cara Gorda"; Antônio Carlos Roberto da Paixão, o "Paixão"; Isaías Moreira do Nascimento, o "Isaías Esquisito"; Ademar dos Santos, o "Dafé"; Antônio Carlos dos Santos, o "Bicho Feio"; César Augusto Roris da Silva, o "Cesinha"; e José Márcio Felício, o "Geleião".
Eles formavam um time de futebol cujo nome era Primeiro Comando da Capital (PCC), também chamado de "Partido do Crime" e de "15.3.3", por conta da ordem das letras "P" e "C" no alfabeto. Durante uma partida de futebol, eles mataram um dos criminosos mais temidos do presídio e se tornaram a gangue dominante do local.
O Primeiro Comando da Capital afirmava que pretendia "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a morte dos 111 presos", em 2 de outubro de 1992, no "massacre do Carandiru", quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo. O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era "uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria".
Inicialmente, o Primeiro Comando da Capital não tinha atividade criminosa específica, e seus membros atuavam de forma independente em diversos crimes, pagando mensalidades para financiar a organização. Ao contrário de gangues convencionais, o Primeiro Comando da Capital não recrutava membros por meio da violência, só em situações excepcionais.
Consolidação:
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| Marcos Willians Herbas Camacho Marcola, chefe do PCC, ladrão de banco, vagabundo. Foto tirada em 20 de julho de 1999. |
No início dos anos 2000, Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", e Idemir Carlos Ambrósio, o "Sombra", eram alguns dos líderes mais respeitados entre os presos do Estado de São Paulo. Em fevereiro de 2001, "Sombra" tornou-se o líder do PCC e organizou rebeliões simultâneas em 29 presídios do estado, que deixaram 16 presos mortos. Ele foi assassinado cinco meses depois, por cinco membros da facção, em uma disputa interna de poder.
O Primeiro Comando da Capital começou então a ser liderado por "Geleião" e "Cesinha", responsáveis pela aliança do grupo com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. "Geleião" e "Cesinha" passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos, a partir do Complexo Penitenciário de Bangu, onde se encontravam detidos. Considerados "radicais" por outra corrente do PCC, mais "moderada", "Geleião" e "Cesinha" usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional e foram depostos e jurados de morte em novembro de 2002, quando o grupo foi totalmente assumido por "Marcola". "Cesinha" acabou assassinado, no presídio de Avaré.
Sob a liderança de Marcola, também conhecido como "Playboy", atualmente detido por roubo a bancos, o Primeiro Comando da Capital teria participado no assassinato, em março de 2003, do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, juiz da Vara de Execuções de Presidente Prudente. A facção tinha recentemente apresentado como uma das suas principais metas promover uma rebelião de forma a "desmoralizar" o governo e extinguir o regime disciplinar diferenciado (RDD), no qual os presos passam vinte e três horas confinados às celas, sem acesso a jornais, revistas, rádios ou televisão, por apresentarem alto risco para a sociedade.
Disputas com outras facções em 2016: O conflito entre facções criminosas brasileiras de 2016–2020 foram uma série de confrontos entre organizações criminosas do país divididas em dois lados em fins da década de 2010. Os confrontos têm sido encabeçados por Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), em lados opostos e apoiados por aliados, com episódios dentro de presídios e periferias de cidades brasileiras. Seu surgimento está ligado aos métodos do PCC para conquistar novos territórios para o narcotráfico, que envolvem a cobrança de seguros e centralização econômica e cuja organização rígida pseudoestatal encontra forte resistência de organizações criminais regionais, com organização predominantemente descentralizada.
O confronto tem tomado a forma de rebeliões prisionais culminadas em massacres. No fim de 2016, ocorreu a primeira rebelião em Roraima com detentos mortos. Em 1.° de janeiro de 2017, 56 presos foram mortos após um tumulto ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em Manaus, no Amazonas, na região Norte do país. Integrantes de duas quadrilhas rivais de tráfico de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Família do Norte (FDN) — aliada do Comando Vermelho (CV) — entraram em confronto naquele que foi considerado o massacre mais violento da história do sistema prisional brasileiro desde a chacina do Carandiru (1992). Cinco dias depois, 33 presos foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, localizada na zona rural de Boa Vista, em Roraima, também na região Norte. Segundo a Folha de S.Paulo, a chacina em Roraima foi uma resposta do PCC à rebelião comandada pela FDN no Amazonas.
As mortes nessas rebeliões prisionais somente na primeira quinzena do ano de 2017 somaram 133. Comparativamente, o Massacre do Carandiru ocorrido em presídio de São Paulo em 1992 resultou em 111 pessoas mortas. Além disso, a edição lançada em 2019 do Atlas da Violência registrou 65 602 assassinatos (31,6 homicídios a cada cem mil habitantes) no ano de 2017, tendo sido os maiores resultados na série até então.
Essa série de conflitos repercutiram em 2019. Esse acirramento resultou em rebeliões no Amazonas (maio de 2019) e no Pará (julho de 2019). No primeiro, os motins levaram a 55 pessoas detentas mortas, por causa de disputas internas na FDN, que passou a ser rival do CV e do PCC. No segundo, pelo menos, 67 pessoas detentas mortas após rebelião do Centro de Recuperação Regional de Altamira em massacre executado pela facção Comando Classe A, então aliada recente do PCC, contra o CV.
Os últimos conflitos foram registrados no inicio de 2020, com conflitos extremamente violentos entre o que restou da FDN e o CV, em Manaus, no bairro da Compensa.
Operação Carbono Oculto: Operação Carbono Oculto é uma operação da Receita Federal do Brasil e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrada em 28 de agosto de 2025, para atuar contra um grupo criminoso que usava fintechs e fundos de investimentos para lavagem de dinheiro.
Uma dessas instituições, apontada como "banco paralelo" do esquema, movimentou mais de 46 bilhões de reais não rastreáveis entre 2020 e 2024. A Polícia Federal também participou da operação.
De acordo com a Transparência Internacional, a operação alcançou mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, investigados pelos crimes contra a ordem econômica, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.
É a maior operação contra o crime organizado da história do país, segundo a Receita Federal e o MPSP.
ATAQUES
Atentado frustrado de 2002: Em outubro de 2002, a Polícia Civil de São Paulo revelou, após investigação, que a sede da Bolsa de Valores de São Paulo havia sido escolhida como alvo de um atentado terrorista a ser perpetrado pela facção criminosa PCC, com ameaça de uso de explosivos. O ataque não ocorreu por causa da prisão de Petronília Maria de Carvalho Felício, que fez os integrantes da facção desistir do ato. Na história da Bovespa até então, só havia registro de ameaças anônimas feitas por telefone, mas o prédio não chegou a ser evacuado.
Ataques de 2006: Iniciada na noite de 12 de maio de 2006, uma sexta-feira, deu-se a onda de atentados contra forças de segurança e alguns alvos civis com origem no Estado de São Paulo por ordem do Primeiro Comando da Capital. No dia 14, o ataque já havia se espalhado por outros estados do Brasil, como Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia (este sem ligação direta com o Primeiro Comando da Capital).
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| Principais regiões atacadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em Julho de 2006. |
Os ataques, que ficaram conhecidos como "Crimes de Maio", tiveram repercussão na mídia brasileira e foram destaque na mídia internacional naqueles dias. Em todo o estado, 564 pessoas foram mortas e 110 ficaram feridas entre 12 e 21 de maio de 2006, do quais 505 eram civis e 59 agentes públicos.
No dia anterior ao início dos ataques, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo havia decidido transferir 765 presos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima localizada no interior paulista, depois que escutas telefônicas revelaram que facções criminosas planejavam rebeliões para o Dia das Mães daquele ano. Entre os presos a serem transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", considerado o líder do Primeiro Comando da Capital. Em represália, a facção articulou rebeliões em 74 penitenciárias paulistas e, já na madrugada do dia 12, agentes de segurança pública, viaturas, delegacias de polícia, cadeias e prédios públicos passaram a ser alvo de ataques de criminosos.
Ataques de 2012: No final de 2012, outra onda de ataques contra a polícia começou. A causa era aparentemente um anúncio feito por líderes do Primeiro Comando da Capital e espalhado aos membros da gangue fora da cadeia. Durante cerca de trinta dias, todos os dias um ou dois policiais foram mortos, na maior parte em circunstâncias indefesas, como em folgas ou em férias, e até policiais aposentados. Muitos policiais foram assassinados na frente de familiares ou amigos, geralmente quando chegavam ou saíam de suas casas. Em dezembro, as mortes começaram a diminuir e cessaram sem motivo conhecido.
Atentados frustrados de 2023: A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Sequaz em 22 de março de 2023 com o objetivo de prender membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) que planejam assassinar diversas autoridades brasileiras, como Geraldo Alckimin, Sergio Moro, Rosângela Moro, Coronel Telhada e Lincoln Gakiya. Foram alvos da força-tarefa 11 pessoas, com sete mandados de prisões preventivas e quatro temporárias em Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Paraná, com a participação de cerca de 120 agentes.
Em 2024, iniciou-se a Operação i-Fraude, e, em 2025, a PF expôs planos de IA espiã para monitorar Moro.
FUNCIONAMENTO
O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem mais de 40 mil membros, em 22 dos 27 estados brasileiros, além de países vizinhos, como Bolívia, Paraguai e Colômbia. A facção criminosa mantém suas principais ações no Estado de São Paulo, onde estão mais de 13 mil de seus membros, em 90% dos presídios paulistas.
O Primeiro Comando da Capital forma uma ampla rede de criminosos, dividida entre um braço político e outro econômico. No político, atua como um "poder regulador" que criou "estatutos" que sistematizaram a ética e as relações entre seus membros, os quais pagam mensalidades.
Além do tráfico de drogas, o Primeiro Comando da Capital também atua na economia informal e no sistema financeiro nacional, atuando em diversos setores da economia, como setor de combustíveis, bancos digitais (fintechs), mineração ilegal e bets.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o Primeiro Comando da Capital é a organização criminosa que mais cresce no mundo. De acordo com o Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a organização criminosa fatura US$ 2 bilhões (mais de R$ 10 bilhões) anualmente. A manutenção e a rápida expansão da organização se deve ao montante que o grupo criminoso movimenta anualmente; em 2006 faturava 12 milhões de reais, de acordo com um estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, teriam um faturamento anual cerca de 6,7 milhões de reais em 2024.
PAÍSES ONDE ATUA
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) o Primeiro Comando da Capital instalou-se em ao menos 28 países e infiltrou-se em presídios no exterior para recrutar novos membros e já conta com mais de 2 mil integrantes, a maior parte dentro de presídios. Fora do Brasil, o Paraguai lidera em número de integrantes na América do Sul, enquanto Portugal aparece em quinto lugar, sendo o principal país da Europa em proporção da presença da facção.
- Alemanha
- Argentina
- Bélgica
- Bolívia
- Chile
- Colômbia
- Equador
- Espanha
- Estados Unidos
- França
- Guiana Francesa
- Guiana
- Holanda
- Inglaterra
- Irlanda
- Japão
- Líbano
- México
- Paraguai
- Peru
- Portugal
- Sérvia
- Suíça
- Suriname
- Turquia
- Uruguai
- Venezuela
NARCOTERRORISMO
Em 2002, por conta de seus métodos de atuação, o PCC já era descrito como uma organização terrorista pelo criminalista e presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas Luiz Flavio Borges d'Urso.
O governo argentino, liderado por Javier Milei, declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Em 29 de outubro de 2025, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, informou que ambas foram incluídas no Registro de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo (Repet), que reúne grupos e indivíduos considerados ameaça à segurança nacional. No dia seguinte, o Paraguai também classificou as facções como organizações terroristas.
Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoS) classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras com o objetivo de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
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Com o advento do Acordo Ortográfico de 1990, o alfabeto passou a ter 26 letras, com o acréscimo das letras K, W e Y, de modo que o "P" passou a ser a 16ª letra.
Biondi, Karina; Marques, Adalton. Memória e historicidade em dois "comandos" prisionais. Lua Nova: Revista de Cultura e Política. (79) • 2010 • CEDEC - Centro de Estudos de Cultura Contemporânea doi:10.1590/S0102-64452010000100004 .
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