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sábado, 10 de outubro de 2026

RAIMUNDO JACÓ (O VAQUEIRO DOS VAQUEIROS DO NORDESTE BRASILEIRO)

  • NOME COMPLETO: Raimundo Jacó Mendes
  • NASCIMENTO: 16 de julho de 1912; Exu, Pernambuco, Brasil
  • FALECIMENTO: 8 de julho de 1954 (41 anos); Serrita, Pernambuco
  • APELIDO: Raimundo Doido
  • OCUPAÇÃO: vaqueiro
  • FAMÍLIA: Ana Batista "Santana" de Jesus (tia), Odília de Jesus (Cônjuge), Francisco Pereira Jacó (Filho primogênito), Vicente Jacó Mendes (filho caçula), Luiz Gonzaga (primo materno), Valdirene Jacó (Neta)
Raimundo Jacó (1912 - 1954) foi um trabalhador rural nordestino em sufrágio de quem anualmente se celebra a missa do vaqueiro.

Apesar da pouca idade, sua inteligência e coragem lhe renderam a experiência que foi reconhecida pelo proprietário do Sítio Lajes, em Serrita, que lhe deu o emprego de vaqueiro, em sua grande fazenda.

Jacó se destacou através de feitos que despertaram a admiração de muitos e a inveja de outros. Entre os invejosos está Miguel Lopes, com quem passou a ter uma rixa.

LENDA

Narra a lenda que 8 de Julho de 1954 o dono da fazenda ordenou que Jacó e Lopes fossem pegar na caatinga uma rês, arisca e estimada, que se afastou do rebanho.

Saíram à procura de Raimundo Jacó no dia seguinte, e, em meio a caatinga, encontraram-no morto, ao lado da rês ainda amarrada, e o seu fiel cachorro latindo, sem sair de perto. Uma pedra manchada de sangue denunciava a covardia do assassinato.

Miguel Lopes foi incriminado, e abriu-se um processo, mas foi arquivado por falta de prova, e o crime ficou sem solução, caindo no esquecimento. Tomando conhecimento disso, Luiz Gonzaga protestou com a música A Morte do Vaqueiro.

O assassinato de Raimundo Jacó deu origem a um evento religioso chamado Missa do vaqueiro, realizada anualmente em sufrágio de sua alma.

MISSA DO VAQUEIRO

Foto da missa 46 edição da missa do vaqueiro no município de Serrita. Foto tirada por Yan Victor de Brito em 14 de dezembro de 2018.

A missa do vaqueiro é um tradicional evento religioso católico realizado a céu aberto no nordeste brasileiro, em sufrágio da alma de Raimundo Jacó, onde vaqueiros nordestinos de várias cidades se reúnem no parque nacional do vaqueiro, sítio Lages, zona rural de Serrita.

Esta celebração teve origem a partir da comoção causada pelo assassinato impune do vaqueiro Raimundo Jacó, encontrado morto em julho de 1954 no sítio Lages, local onde hoje se encontra o Parque Nacional do Vaqueiro.

O Padre João Câncio dos Santos, então pároco de Serrita, em uma de suas andanças pelas comunidades rurais da paróquia, ao passar pelo local onde o cadáver de Jacó havia sido encontrado, foi informado do crime que ali ocorrera e da comoção que ele causara no seio da comunidade pelo vaqueiro Júlio Duqueira, que o acompanhava em viagem. Visando a sufragar a alma do vaqueiro morto, que, conforme informações dos párocos, havia morrido sem confissão, o padre planejou um ato de desagravo e protesto pelo assassinato impune. Com o auxílio do cantor Luiz Gonzaga, juntamente com o repentista Pedro Bandeira; os vaqueiros de Serrita; os familiares e toda a comunidade católica serritense, foi realizada a primeira missa, em 19 de julho de 1970.

Este evento é realizado até hoje, no mesmo local, além da cerimônia religiosa, ocorre vaquejada,cavalgada, pega de boi, feira de artesanato, show de forró, exposição e muito mais.

A MORTE DO VAQUEIRO
  • Gravação: 14 de Fevereiro de 1963
  • composição: Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho
  • gênero(s): Toada/Baião
  • Álbum: Pisa No Pilão
  • duração:
  • gravadora(s): RCA Victor
  • Lançamento: 1963
  • Anterior: Desse Jeito Sim
  • Posterior: Linforme Instravagante
"A Morte do Vaqueiro", de Luiz Gonzaga, aborda a solidão e o esquecimento enfrentados pelos vaqueiros nordestinos, especialmente após a morte. A música utiliza o lamento do gado, que "muge sem parar" e sente a ausência do vaqueiro que "não vem mais aboiar", para simbolizar a perda de uma figura central no sertão e a interrupção de uma tradição cultural importante, o aboio. Inspirada na morte trágica de Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga, a canção serve como homenagem e denúncia ao mesmo tempo. Jacó, como muitos outros vaqueiros, foi vítima da violência e do descaso, o que levou à criação da Missa do Vaqueiro para preservar sua memória.

A letra destaca a desvalorização social do vaqueiro, que "morre sem deixar tostão" e tem "seu nome esquecido nas quebradas do sertão". Esses versos mostram a dura realidade de trabalhadores essenciais, mas pouco reconhecidos. O trecho "só lembrado do cachorro que inda chora sua dor" aprofunda o sentimento de abandono, indicando que, muitas vezes, apenas os animais sentem a falta do vaqueiro, enquanto a sociedade permanece indiferente. O refrão "Tengo, lengo, tengo" reforça a monotonia e a tristeza do cotidiano sertanejo após a perda, tornando a música um retrato direto da dor, saudade e invisibilidade desses personagens do Nordeste.

Letra:

Ei, gado, oi
E, ei

Numa tarde bem tristonha
Gado muge sem parar
Lamentando seu vaqueiro
Que não vem mais aboiar
Não vem mais aboiar
Tão dolente a cantar
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo

Ei, gado, oi

Bom vaqueiro nordestino
Morre sem deixar tostão
O seu nome é esquecido
Nas quebradas do sertão
Nunca mais ouvirão
Seu cantar, meu irmão

Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo

Ei, gado, oi

Sacudido numa cova
Desprezado do Senhor
Só lembrado do cachorro
Que inda chora
Sua dor
É demais tanta dor
A chorar com amor

Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Tengo, lengo, tengo, lengo
Tengo, lengo, tengo
Ei, gado, oi
E, ei

FONTES: «O Vaqueiro Memorial Luiz Gonzaga Prefeitura do Recife- recife.pe.gov.br»

«Missa do Vaqueiro Fundação Joaquim Nabuco-Fundaj.gov.br». Arquivado do original em 1 de julho de 2010.

«Missa do Vaqueiro». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 10 de janeiro de 2019

«Missa do Vaqueiro». Visite o Brasil. Consultado em 10 de janeiro de 2019

Pernambuco, Diario de; Pernambuco, Diario de (22 de julho de 2018). «Missa do Vaqueiro � celebrada em Serrita neste domingo». Diario de Pernambuco. Consultado em 10 de janeiro de 2019.

https://discografiabrasileira.com.br/fonograma/149910/a-morte-do-vaqueiro

https://tokdehistoria.com.br/tag/raimundo-jaco/

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