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terça-feira, 27 de outubro de 2026

ESPÍRITO SANTO (TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE, PRESENTE EM GRANDE PARTE DO CRISTIANISMO)

O Espírito Santo, de Fray Juan Bautista Maíno (por volta de 1615–1625).

O Espírito Santo é um conceito presente nas religiões abraâmicas. No judaísmo, o Espírito Santo é compreendido como uma qualidade ou força divina de Deus que se manifesta no mundo, particularmente em atos de profecia, criação e orientação. No cristianismo niceno, essa concepção expandiu-se para representar a terceira pessoa da Trindade, coigual e coeterna com Deus Pai e Deus Filho. No islamismo, o Espírito Santo atua como um agente de ação ou comunicação divina. Na Fé Bahá'í, o Espírito Santo é visto como o intermediário entre Deus e o ser humano, sendo "a graça derramada de Deus e os raios resplandecentes que emanam de Sua Manifestação".

VISÃO GERAL

A Bíblia Hebraica contém o termo "espírito de Deus" (ruach elohim), que, para os judeus, é interpretado no sentido do poder de um Deus unitário. Essa interpretação difere da concepção cristã nicena do Espírito Santo como uma das pessoas da Trindade.

O conceito cristão tende a enfatizar o aspecto moral do Espírito Santo, sendo essa uma expressão comum no Novo Testamento. Por exemplo, o livro de Atos enfatiza o aspecto do Espírito Santo relacionado ao poder no ministério.

De modo geral, os judeus rejeitam qualquer concepção de uma divindade composta por múltiplas pessoas iguais entre si; qualquer coisa que não seja um monoteísmo absoluto é considerada contrária ao Shemá. Eles não interpretam a palavra hebraica para "um" (echad) como significando algo além de uma unidade numérica simples. A compreensão rabínica do Espírito Santo apresenta um certo grau de personificação, mas permanece sendo "uma qualidade pertencente a Deus, um de Seus atributos". A ideia de Deus como uma dualidade ou trindade é considerada shituf (ou "não puramente monoteísta").

Segundo o teólogo Rudolf Bultmann, existem duas formas de conceber o Espírito Santo: a "animista" e a "dinamista". No pensamento animista, ele é "um agente independente, um poder pessoal que (...) pode cair sobre um homem e tomar posse dele, capacitando-o ou compelindo-o a realizar manifestações de poder"; já no pensamento dinamista, ele "aparece como uma força impessoal que preenche o homem como um fluido". Ambos os tipos de pensamento aparecem nas escrituras judaicas e cristãs, mas o animista é mais característico do Antigo Testamento, enquanto o dinamista é mais comum no Novo Testamento. Essa distinção coincide com a compreensão do Espírito Santo como um dom, seja ele temporário ou permanente. No Antigo Testamento e no pensamento judaico, ele é, primordialmente, temporário — voltado para uma situação ou tarefa específica —, ao passo que, no conceito cristão, o dom reside nas pessoas de forma permanente.

RELIGIÃO COMPARADA

À primeira vista, o Espírito Santo parece ter um equivalente nas religiões de mistério helenísticas não abraâmicas. Essas religiões estabeleciam uma distinção entre o espírito e a psique, algo que também se observa nas epístolas paulinas. Segundo defensores da "escola de história das religiões", o conceito cristão de Espírito Santo não pode ser explicado apenas a partir de ideias judaicas, sem recorrer às religiões helenísticas. Contudo, para o teólogo Erik Konsmo, tais perspectivas "são tão distintas que a única conexão legítima que se pode estabelecer é com o próprio termo grego πνεῦμα [pneuma, espírito]".

Outro ponto de contato com o pensamento grego antigo é a noção estoica do espírito como anima mundi — ou "alma do mundo" —, que une todas as pessoas. Há quem sustente que isso se reflete na formulação paulina do conceito de Espírito Santo, que une os cristãos em Jesus Cristo e no amor mútuo; no entanto, Konsmo argumenta que essa posição é difícil de sustentar. Em sua introdução à obra Meditações (edição de 1964), o sacerdote anglicano Maxwell Staniforth escreveu:

“Outro conceito estoico que serviu de inspiração para a Igreja foi o de "Espírito divino". Cleantes, buscando conferir um significado mais explícito ao "fogo criador" de Zenão, foi o primeiro a utilizar o termo pneuma, ou "espírito", para descrevê-lo. Assim como o fogo, esse "espírito" inteligente era concebido como uma substância sutil, semelhante a uma corrente de ar ou um sopro, mas que possuía, essencialmente, a qualidade do calor; ele era imanente ao universo — como Deus — e ao ser humano — como a alma e o princípio vivificante. É um passo curto, portanto, até o "Espírito Santo" da teologia cristã — o "Senhor e Dador da vida" —, que se manifestou visivelmente sob a forma de línguas de fogo no Pentecostes e que, tanto na mentalidade cristã quanto na estoica, tem sido associado às ideias de fogo vital e calor benéfico. O teólogo Raimon Panikkar acreditava que o conceito hindu de Advaita estava relacionado à Trindade. Ele afirmava que o Espírito Santo — uma das três Pessoas da Trindade, composta por "Pai, Logos e Espírito Santo" — atuava como uma ponte entre o cristianismo e o hinduísmo, embora Shiva e o Espírito Santo desempenhem papéis bastante distintos em suas respectivas religiões. Ele explica: "O encontro entre tradições espirituais pode ocorrer no Espírito. Desse encontro, não deve surgir, primordialmente, um novo 'sistema', mas sim um espírito que é, ao mesmo tempo, novo e antigo". Atman é um termo védico, desenvolvido em escrituras hindus como os Upanishads e o Vedanta, que designa a Realidade Suprema e o Absoluto.”

O Espírito Santo pode ser comparado ao conceito de Spenta Mainyu no zoroastrismo — uma hipóstase de Ahura Mazda, o Deus Criador supremo dessa tradição. Spenta Mainyu é visto como a fonte de toda a bondade no universo e a centelha de vida em toda a humanidade, servindo como o guia definitivo para a retidão e a comunhão com Deus. Spenta Mainyu encontra-se em oposição direta ao seu contraparte dual eterno, Angra Mainyu, que é a fonte de toda a maldade e que conduz a humanidade ao desvio.


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